𝟬𝟲 𖧹 Despedidɑ Amɑrgɑ

❝Eu não consegui te dar
Um beijo de adeus em sua mão
Eu gostaria de vê-la novamente
Mas eu sei que eu não posso❞

Avril Lavigne ━━ Slipped Away

NO SILÊNCIO RESPEITOSO da cerimônia fúnebre, o auditório da faculdade ecoava com o peso de corações entristecidos e olhares que espelhavam a dor da perda. Amigos, professores, reitores e colaboradores da instituição uniam-se no
luto, entrelaçando abraços e sussurrando palavras de conforto. Em murmúrios suaves, evocavam os momentos alegres compartilhados com a jovem amada por todos, buscando alívio na lembrança de seu sorriso em meio ao pesar.

Os tios de Miranda, figuras antes tão vibrantes, agora estavam visivelmente devastados, suas silhuetas curvadas sob o peso de uma tristeza insondável. Alma, com um lenço de renda delicada sempre à mão, secava as lágrimas que brotavam como fontes de uma dor sem fim, enquanto Giuseppe, com os olhos cravados no caixão, parecia buscar, naquela realidade implacável, algum lampejo de sentido que pudesse mitigar o absurdo da perda.

A intensidade do luto que os envolvia criava uma barreira invisível ao redor deles, isolando-os em um oceano particular de dor e luto, onde as ondas de desespero e saudade se chocavam contra as rochas da realidade.

Soraia, prima de Miranda e especialista em direito criminal, mantinha-se contida e resignada em sua dor. Seus olhos, treinados para observar o que muitos não veem, deslizavam pelo ambiente, captando cada detalhe. Ela notou o namorado de Miranda, conhecido dela apenas por imagens distantes em redes sociais.

Havia algo no comportamento dele que não se encaixava. Enquanto o luto unia os demais, Bennet parecia distante. A tristeza que ele exibia não convencia Soraia, levando-a a questionar as verdadeiras intenções e sentimentos dele, suspeitando que por trás daquela fachada se escondia algo muito mais sombrio.

Em obediência ao último desejo de Miranda, a cerimônia fúnebre migrou para o cemitério que repousa no coração de Nova York, a cidade que ela sonhava chamar de lar e cujas luzes sempre a fascinaram. Um silêncio respeitoso se instalou, tão profundo que parecia absorver o próprio burburinho da cidade que nunca dorme.

Alma e Giuseppe, unidos pelo luto, caminhavam lado a lado, encontrando um no outro o suporte para o peso da tristeza. Como olhar fixo em Miles, ela não perdiam um movimento sequer, cada gesto dele era meticulosamente observado, cada troca de olhares analisada, enquanto tecia em sua mente as teias da suspeita.

Enquanto o caixão de Miranda era lentamente baixado à sepultura, uma chuva de rosas brancas acompanhava seu descenso, como se cada pétala carregasse um sussurro de adeus. Os tios, com os corações transbordando de amor e pesar, ofereciam um último gesto de despedida, um toque delicado na madeira fria que agora abrigava um tesouro de memórias.

Soraia, com sua formação e olhar acostumado a desvendar mistérios, mantinha-se à margem, sua postura discreta ocultando uma mente que trabalhava fervorosamente. A desconfiança a mantinha alerta, cada detalhe era um fragmento potencial de verdade, e ela estava determinada a juntar as peças, a honrar a prima não apenas com lágrimas, mas com justiça.

Após a multidão se dispersar e o silêncio se apossar do cemitério, ela se aproximou da lápide. Com os dedos trêmulos, traçou as letras gravadas na pedra fria e, em um sussurro carregado de determinação e dor, disse:

"Eu sei que você não faria isso, Mira." Não acredito que você tenha se matado. "Prometo, com cada fibra do meu ser, não descansarei enquanto não desvendar a verdade por trás da sua morte e levar justiça ao seu nome."

Ela se afastou do cemitério, com os olhos cintilando com uma determinação inabalável. A brisa gelada de Nova York envolvia a cena, mas para a mexicana, era como se não existisse, sua mente estava afiada, sua resolução, inquebrantável. Consciente dos desafios e perigos que poderiam surgir em seu caminho, sabia que a verdade sobre o trágico fim de sua prima era um farol que guiaria sua jornada, independentemente dos riscos

Soraia atravessou os portões do cemitério, seus passos ressoando com a promessa silenciosa que havia feito. Não haveria descanso, não haveria hesitação. Ela estava comprometida a seguir cada pista, interrogar cada testemunha, desvendar cada segredo, até que a verdade se libertasse das sombras da dúvida e brilhasse sob a luz da justiça.

Nova York, a metrópole que Miranda tanto idolatrava, agora se desdobrava como o cenário de uma investigação pessoal e implacável. Cada avenida poderia ocultar pistas cruciais, cada transeunte poderia ser a chave de um enigma.

Soraia, armada com uma resolução inquebrável, estava disposta a percorrer cada caminho, a confrontar cada sombra, em nome da justiça e da memória de sua prima. E assim, com um coração marcado pela tristeza, mas impulsionada por um espírito indomável, ela deu os primeiros passos em sua jornada em busca da verdade

𝓘mperdoάvel
• Capítulo com 825 Palavras
• Escrita por Maíra Lima
• Sem Revisão Ortográfica
• Publicado 03 de Maio de 2024
• Todos os Direitos Reservados © 𝟮𝟬𝟮𝟰

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