Sem Despedidas
Capítulo sete
Naomi
O dia foi super estressante. Ed e Jim arrumaram problemas com o Shane, na verdade o Ed mereceu a surra que levou. Ed é um babaca que maltrata a mulher e a filha. Pela mãe!! O que eu não dava para castrar esse babaca. E o Jim... pobre Jim. Tive a oportunidade de conversar com ele e saber um pouco de seu passado, é triste, se não devastador.
Shane se irritou com ele porque ele estava cavando uma cova para si mesmo, que deixasse cavar! "Está muito calor Jim" "Vai ficar com insolação Jim", Walsh, entenda que você não é o dono da pedreira e muito menos tem moral por aqui, pelo menos não comigo.
A noite caiu como uma luva e o céu estava lindo, repleto de estrelas. Dei graças depois do meu turno ter acabado e resolvi me juntar ao grupo ao redor da fogueira, mas continuei sentindo que eles não são a minha gente e que eu não deveria me apegar.
— Mãe, posso comer mais peixe? — Carl perguntou para a mãe.
Ela hesitou um pouco antes de colocar mais, porém quase nada, peixe para o garoto.
— Eu poderia passar a noite comendo isso — Carl comentou arrancando um sorriso meu.
— Tem que ter o bastante para todos filho, não seja egoísta — Lori disse e eu revirei meus olhos.
Mesmo ela estando correta. Ele é apenas uma criança.
— Se você ainda quiser mais quando terminar esse, pode pegar o meu — sussurrei nos ouvidos de Carl que me retribuiu com um sorriso.
— Cara! Como isso é bom — Rebecca falou de boca cheia o que me fez dar uma careta como resposta.
Todos estavam famintos e agora estavam tentando satisfazer a fome comendo um monte de peixe. Não os culpo, feijão enlatado não é tão bom assim, mas se eles continuarem comendo dessa forma irão extinguir os peixes do lago.
— Aonde está indo? — Andrea perguntou ao ver Amy se levantar.
— Eu preciso fazer xixi — tentou sussurrar, o que não deu certo. Até os esquilos ouviram a Amy.
— Certo.
Esperamos algum tempo até escutarmos Amy chmar de novo.
— Gente! O papel higiênico acabou! — Amy gritou levemente frustrada.
Me preparei para rir, mas assim que olhei para onde ela estava, vi um andarilho se aproximar e morder seu braço, que antes estava apoiado na porta do trailer. Sufoquei meu grito, mas Amy não. Ela gritou agoniada pela dor e tentou se livrar do andarilho, mas ele a atacou de novo e dessa vez, o foi direto em seu pescoço. Merda. Me levantei em um pulo enquanto observava mais errantes entrarem no acampamento.
Quem estava vigiando essa merda? Ninguém pensou que isso podia acontecer? Estúpidos e burros.
Mais e mais errantes se aproximavam formando um pequeno, mas devastador bando. Consigui atirar em alguns deles.
Um deles estava se aproximando de Carl e atirei no mesmo antes de ir até a criança e o pegar no colo para levá-lo até Shane e Lori.
— Protejam o garoto ou eu mesma entrego vocês para os caminhantes — falei recebendo um olhar fuzilador de Shane. Ele que se dane — Fiquem de olho nas crianças.
A munição da minha arma acabou rápido e eu simplesmente a joguei no chão, logo em seguida recorrk a uma faca. Matei um errante que se aproximava de mim e depois corri para ajudar Jim que empurrava um errante para longe.
Matei o errante com facilidade, liberando Jim para ajudar os outros, quando senti um andarilho puxar o meu cabelo. Eu o chutei com força e ele cambaleou para trás, o que me deu tempo o suficiente para matá-lo.
Mais um errante se aproximava ao meu lado e outro vinha por trás, mas uma única flecha atravessou a cabeça de ambos. Olhei para Daryl boquiabierta com sua habilidade e com certa raiva porque a flecha podia ter me acertado, mas a raiva se dissolveu assim que vi Rick e os outros surgirem da floresta.
Depois de algumas horas conseguimos matar todos os andarilhos, mas infelizmente alguns não sobreviveram. Passamos a noite em claro limpando os corpos e enterrando os "nossos", ou seria os "deles". Não faço parte desse grupo.
— O Jim está mordido — Jaqqui gritou do nada para que todo o acampamento pudesse ouvi-la.
Bem, aqueles que sobreviveram.
Todos se armaram e foram para cima dele. Vão matar o Jim. Corri e me coloquei na frente dele.
— E então? Vão atirar em nós dois? — Encarei Shane, Morales, Jaqqui e todos que apontavam uma arma para nós — É só puxar o gatilho. Puxem o gatilho e tirem duas vidas, vocês acham que ele está perdido, mas ele ainda não é um errante. Vamos! — soltei uma risada histérica — Puxem o gatilho e tirem a vida daqueles que protegeram vocês ontem a noite — sempre tive uma boa postura, sempre ereta, mas dessa vez consegui me superar e ergui o queixo mais ainda — O que estão esperando? Não vão puxar o gatilho?
Aos poucos eles foram abaixando as armas e pude perceber a vergonha no olhar deles.
— Covardes — falei antes de segurar o pulso do Jim e levá-lo comigo — Se alguém tentar matar ele antes dele ser um errante, vou garantir que vocês tenham o mesmo destino que ele — sorri cínica antes de levar o Jim para dentro do trailer.
[...]
Ele estava queimando. Rick e Dale vieram me ajudar a cuidar de Jim e tentar amenizar sua febre.
— Naomi, quero falar com você — Rick indicou com o queixo a saída do trailer. Fui atrás dele.
Antes de sair olhei para o Dale e perguntei:
— Vão ficar bem?
— Vamos — o senhor sorriu hesitante.
— Não é o momento ideal para te devolver isso, mas peguei isso para você em Atlanta.
Minha bolsa, aquela que eu havia derrubado na cidade quando esbarrei no xerife. Tudo ainda estava dentro dela. Eu poderia pagar a minha entrada no acampamento.
— Obrigada, você não sabe o quanto isso significa para mim.
Eu vou ficar segura.
— Acho que eu estava te devendo essa.
Peguei o meu walkie talkie e ajustei a frequência para a do tal acampamento.
— Aqui é a Naomi, tenho o pagamento — ninguém respondeu e eu tentei novamente — Aqui é a Naomi e eu tenho o pagamento.
— Naomi, escute bem. O acampamento caiu. Eu fui um dos únicos sobreviventes, lamento.
— Certo. murmurei.
— Mas nós vamos nos levantar — o sobrevivente continuou.
— E sobreviver. Se cuide — caro estranho e único sobrevivente.
Quando o canal ficou silencioso, Rick arriscou dizer:
— Sinto muito Naomi — colocou suas mãos sobre meus ombros.
— Pelo visto eu irei ficar mais um tempo com vocês.
— Vai conosco para o CDC?
— Não. Acho que tenho em mente outro lugar.
— Não pode ficar soz...
— Mas aceito a carona — interrompi o xerife antes que ele pudesse completar a frase.
Ele não queria que eu ficasse sozinha?
— Ok, mas até lá... Pare de se enfiar na frente das armas — Ele me deu um sorriu tão sacana quanto o que havia me dado quando nos conhecemos.
Rick voltou para cuidar de Jim e eu fui descansar.
[...]
De manhã tudo ainda parecia um grande e monstruoso pesadelo. Andrea permanecia segurando o corpo da irmã. Não me entendo bem com ela, mas me parte o coração vê-las daquele jeito, ver uma irmã segurando a outra, sem vida.
Me aproximei das duas e disse:
— Andrea, beba um pouco de água — deixei a garrafa ao lado dela, mas não obtive resposta e Andrea não fez sequer um movimento — Andrea? — fui me aproximando esperando algum tipo de reação e encostei em seu ombro direito.
— Nos deixe a sós.
— Eu vou, mas por favor beba a água.
— Eu mandei você sair — dessa vez Andrea se virou para mim e apontou uma arma para minha cabeça. Ótimo, eu tento ajudar e ela sente vontade de me matar. De novo — Rick me ensinou como atirar, dessa vez eu consigo.
— Então vai em frente. Se você acha que pode apontar uma arma para mim toda vez que bem entender acho melhor você ficar esperta — todos estavam observando a cena que nós estávamos fazendo — Mas serão dois corpos em suas mãos — Meu comentário foi mais cruel do que eu esperava, mas foi o suficiente para que ela abaixasse arma.
Senti mãos me puxando pelo braço e me afastando de Andrea, eu estava pronta para socar quando vi quem era.
— Não é a hora de fazer isso Naomi — Rebecca falou com tom de reprovação.
— Desculpa. respondi como uma criança que acabara de levar uma bronca — Mas te prometo uma coisa, da próxima vez em que ela apontar uma arma para mim, eu vou atirar nela com a mesma arma que ela apontae para mim — falei ainda um pouco envergonhada.
— Acho melhor então você ficar longe dela, não quero ter que limpar miolos por aí.
Olhei para Rebecca durante um tempo e suspirei. Prometi a mim mesma que não iria me apegar a ninguém aqui, mas conversar com a Rebecca... E o Dale. Droga.
— Becky, você sabe que antes eu iria para um acampamento militar, certo? — antes que eu pudesse me afastar dela eu já estava fazendo perguntas.
— Sim, mas agora você vai para o CDC com a gente — fiz uma careta quando ela disse "com a gente" — Desembucha.
— Eu vou para casa de uma amiga. Eu a conheci quando estava na escola e a casa dela é um bom lugar para se morar no mundo de agora sabe? Eles tem a própria comida, a própria água e raramente terei de sair com necessidade para buscar comida — Passei as mãos pelo cabelo — Espero que estejam vivos. Eu vou poder ter um tipo de vida, de paz por lá e queria saber se você está nessa comigo. Sem pressão nenhuma.
Rebecca sorriu, aquele sorriso lindo e iluminado que fazia o mundo sorrir com ela também.
— Eu quero ir Mani, quero mesmo. Você é uma das poucas pessoas que eu sinto que posso contar e ser eu mesma.
— Ser você mesma?
— Você não desconfia de mim. É apenas minha amiga. O Glenn era o único que sabia no trabalho e em qualquer outro lugar, mas eu gosto de meninas e sinto que se eu contasse isso para alguém do acampamento... Sinto que eles iriam me reprovar ou me mandar embora, mas com você eu sinto que não é assim.
— Só pensa nisso.
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