Corredora

Capítulo quarenta

Naomi

A ruiva ligou o rádio e colocou um CD antigo dos Backstreet Boys. Jace discutia com ela por ela sempre escutar as mesmas músicas ruins repetidamente e em resposta ela só cantava mais alto. Jace parecia ser uma pessoa decente conversando com ela, os dois riam enquanto discutiam, o que deu para entender que são amigos.

Glenn se sentou no meio, entre mim e Marcel, tentando aliviar um pouco da tensão. Eu sabia que o motivo do seu hematoma tinha nome e sobrenome. Anthony Scott Stark.

– Se você não está dirigindo, não tem direito de escolher a porcaria da música. – a ruiva falou sem desviar os olhos da estrada.

– O motorista deveria agradar os passageiros.

Jace esticou os braços até o rádio recebendo um tapa na mão.

– Não encoste suas mãos sujas no meu rádio, seu imundo. Minha caminhonete. Meu rádio. Meu CD.

Continuamos seguindo a estrada feita de terra e coberta por poeira enquanto Ashley gritava as letras das canções.

De repente a caminhonete fez um barulho estridente e oco, fazendo com que a mulher desligasse o rádio na hora.

– Não para agora Shelby! – A mulher desceu da caminhonete xingando meio mundo.

Aparentemente Shelby era a caminhonete.

Ashley desceu furiosa da caminhonete e Jace fez o mesmo. O homem abriu as portas de trás e pediu para que nós também saíssemos do veículo. Uma fumaça preta pairou no ar assim que a ruiva abriu o capô.

– Em quanto tempo consegue consertar? – Jace perguntou.

– Vinte minutos ou menos que isso. – Ashley respondeu subindo na caçamba da caminhonete pegando uma caixa de ferramentas.

– Eu posso ajudar se você quiser. Eu ajudava um amigo a concertar o trailer. – Glenn se ofereceu com meio sorriso no rosto.

– Não precisa, menino. Fique de guarda! A música estava bem alta e a fumaça deve atrair errantes. Me deem cobertura caso os mortos apareçam.

E apareceram.

Não demorou muito para que um bando de cerca de vinte errantes aparecesse do meio do mato. Glenn e eu ficamos para encobrir Ashley enquanto Marcel e Jace cobriam o outro lado da caminhonete para evitar qualquer tipo de surpresas.

Glenn e eu éramos rápidos com a faca. Eliminamos seis zumbis em menos de cinco minutos, mas mais deles surgiam. Quase dez minutos se passaram e a ainda tinham mais mortos aparecendo.

– Está terminando aí? – perguntei começando a me sentir um pouco ofegante.

– Estou, segure mais um pouco.

Um andarilho esbelto se aproximava da ruiva ao mesmo tempo em que outro andarilho se aproximava de mim. Puxei o andarilho magrelo pelas roupas e imobilizei seus braços para que não pudesse me agarrar. Finalizei com a minha faca antes de matar o que chegava perto dela.

– Acho que estamos bem.

A mulher fechou o capô e mandou voltarmos para dentro da caminhonete. Antes que pudéssemos voltar para dentro da lata velha escutamos um grito. Imediatamente Ashley pegou seu machado e antes que os dois pudessem reagir eu já estava correndo para a parte de trás da caminhonete.

– Você é um homem morto! Eu vou contar tudo para o chefe!

– Você não vai. – Jace empurrou Marcel contra a caminhonete com mais força.

– Antes de eu contar vou matar vocês todos.

Não sabia do que os dois estavam falando, mas a sede de sangue nos olhos de Marcel era nítida. Mas ele não vai conseguir o que quer.

– Você é uma vadia morta! – Marcel cuspiu em minha direção.

– Na verdade, Marcel, é você quem é a vadia morta. – disse Jace – Ashley, ligue o rádio.

A ruiva obedeceu.

– Você perdeu sua utilidade. – Jace continuou.

Os olhos de Marcel pela primeira vez brilharam de medo.

– Eu vou matar aquele desgraçado! – Marcel gritou.

– Não, você não vai.

Jace chutou as pernas de Marcel por trás, fazendo o homem grande cair no chão. Imediatamente Glenn ajudou Jace a imobiliza‐lo. A música alta estava atraindo mais zumbis para perto da caminhonete. Jace pegou sua faca e cortou os dois tendões de Aquiles de Marcel e cortou as partes de trás do joelho do homem. Marcel gritou agoniado de dor.

Glenn o soltou e Ashley mandou voltarmos para dentro da caminhonete antes que os andarilhos chegassem até nós.

Enquanto os mortos de aproximavam, me abaixei ao lado de Marcel com um sorriso venenoso no rosto.

– Parece que hoje não é meu dia, docinho. Mas hoje é o seu.

Marcel urrava de dor e estava com medo. O deixamos no chão e voltamos para dentro da Shelby. A medida em que nos afastavamos dele o som começava a abafar os sons dos ultimos gritos dele antes dos zumbis começarem a devorá-lo vivo.

Não pude deixar de sentir um alívio no peito. Hershel, Dale e Beth estavam começando a ter a vingança que tanto mereciam. Queria que eles estivessem aqui para testemunhar.

Jace desligou o rádio.

– A morte dele já estava encomendada. É para isso que ele veio. – Jace contou.

– Vamos buscar os malditos remédios logo. – Ashley suspirou cansada.

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