𝐞𝐬𝐩𝐞𝐜𝐢𝐚𝐥, 50k!
Oi, gente! Tudo bem com vocês?
Antes de mais nada, preciso agradecer vocês pelos 50k na fic!! Sério, MUITO obrigada, de verdade mesmo!!
Vocês não imaginam o tanto que essa história significa pra mim e ter o apoio de vocês nesse slow burn tá sendo incrível e uma das melhores experiências como autora aqui no Wattpad!
Bem, também quero aproveitar e fazer um agradecimento especial a uma pessoa MUITO importante na minha vida! Para quem me acompanha no Instagram (inclusive, se quiser me seguir lá, o meu @ é o mesmo do daqui, olimpia_valdez), deve saber da existência da Keu, heybittersweet, que é uma das minhas melhores amigas!
Foi ela quem me incentivou a postar a minha primeira fanfic aqui na plataforma, "My Hero Rising", e se não fosse por ela, com certeza não estaria aqui hoje.
Watch You Burn é uma obra que tem um pouco da Keu também, tanto na construção de personagens, como por exemplo o fato da Senju ter a personalidade inspirada na dela, além de também ter que aguentar os meus surtos na hora de montar os planejamentos dos capítulos KKKKKK
Então, além de fazer esse especial para vocês, para demonstrar como sou grata pela presença de cada um aqui na fic, quero também o dedicar pra Keu e agradecer pelo apoio em todos esses anos!
Te amo muito, vida! Obrigada por tudo e mais um pouco!!
Bem, espero que vocês gostem do que planejei, porque eu mesma AMEI escrever esse especial!
Boa leitura! ♥︎
🔥
Muitos dizem que a melhor fase da vida é a adolescência, aquela história que a vida só é boa quando se ainda é jovem e que se deve aproveitar o máximo que pode e curtir cada mínimo segundo. Porém, esquecem que, com toda a certeza do mundo, essa também é a parte da vida que é a mais confusa, em que tudo é novo e até mesmo um pouco assustador.
Como a transição da infância para a vida adulta pode ser considerada a melhor fase da vida de alguém? Uma pergunta extremamente válida de se fazer, principalmente quando se está no ensino médio.
O mundo atual vive em um dilema que um jovem, de mais ou menos dezesseis anos, já deve saber o que fazer pelo resto da vida e ainda se dedicar muito, estudando para garantir tal futura realidade. É cruel amarrar as possibilidades de uma vida inteira em tão pouco tempo e sendo tão novo, mas o que se pode fazer? A sociedade é urgente e líquida, não se importa com o que as pessoas realmente querem, só pensa nos resultados e que todos precisam, necessariamente, serem perfeitos.
Ser jovem não é uma das coisas mais fáceis ou tranquilas do mundo, mas é nessas horas que se tem que lembrar de uma frase dita por uma das personagens mais icônicas no mundo da animação: "Continue a nadar". Tem que continuar a nadar, independente do que aconteça com a sua vida e com o mundo ao seu redor. Você acaba sendo obrigado a continuar mesmo não querendo, é a obrigação de viver e a necessidade de ser alguém.
Assim, o último ano no ensino médio pode ser levemente traumático, ou no mínimo desafiador, mas existem pessoas que simplesmente encaram tudo isso com um sorriso no rosto e com uma animação que não combina com o horário das sete e meia da manhã. Elas são as exceções e que preferem ignorar, nem que momentaneamente, a crueldade da realidade em que vivem, ou a forma extremamente patética que o sistema educacional funciona.
Keisuke Baji é uma dessas pessoas e mesmo que ele e Kazutora sejam grandes amigos desde muito novos, o Hanemiya nunca vai completamente entender como o amigo consegue funcionar no 220 V em todos os momentos possíveis.
— Como você consegue ser feliz no primeiro dia de aula? — o Hanemiya perguntou, enquanto organizava alguns livros no armário.
— Por ser o primeiro dia de aula! Cara, voltar a rotina com os treinos, as festas na casa do Mikey e finalmente ter essa agitação de novo.
— Esqueceu que estamos no último ano? Você se lembra da existência da palavra "universidade"?
— Você consegue parar de ser responsável por cinco minutos? — Baji reclamou e Kazutora revirou os olhos, ao colocar o último livro no armário.
— Sei que é pedir muito, mas você consegue ser responsável por pelo menos cinco minutos?
— Vai se fuder.
Kazutora não conteve a risada, arrumou a mochila preta em um dos ombros, fechando o armário, e seguiu o amigo pelo corredor principal. Estudar na melhor escola do bairro de Beverly Hills tinha seus privilégios, principalmente pela estrutura ser incrível e professores excelentes, mas o fato da escola também ser enorme faz com que a quantidade de alunos também siga a mesma lógica.
O corredor já começava a ficar bem cheio, com os estudantes querendo arrumar os seus armários antes das aulas começarem e também conversarem com os seus amigos depois das férias de verão, o que é um sinônimo de uma grande muvuca. Porém, para Keisuke e Kazutora isso não seria um problema, já que parecia que o caminho se abria naturalmente para os dois, duas das três estrelas do time de futebol do colégio.
Muitos olhares eram direcionados para os dois, desde os mais discretos até a alguns mais intensos, o que ambos já estavam muito bem acostumados, mesmo que não seja uma realidade que Kazutora seja muito fã. Andaram pelo corredor, cumprimentando alguns conhecidos pelo caminho, como outros integrantes do time de futebol, subiram as escadas até o segundo andar do prédio principal, onde acontecia a maior parte das aulas, e foram até a sala de História Americana, uma das matérias obrigatórias que tinham que ter na grade.
Ao entrarem na sala, encontraram boa parte do grupo de amigos por ali, sentados próximos uns dos outros mais ao fundo da sala. Por ser de caráter obrigatório, essa seria uma das poucas matérias que teriam todos juntos nesse último ano, já que cada um montou a sua grade de acordo com o que planejava fazer no futuro ou que tinha mais interesse.
— O Mikey ainda não chegou? — Kazutora perguntou, depois de cumprimentar a todos e se sentar na última cadeira, bem atrás de você.
— Não sei nem se ele acordou — Emma respondeu e o Hanemiya riu, se ajeitando melhor na cadeira e cruzando os braços atrás da cabeça, evidenciando o desenho do Darth Vader que estampava a camiseta preta que usava.
— Nem me surpreendo com essa informação.
— Mas você tentou acordar ele? — você perguntou e a Sano te olhou, chocada.
— E me atrasar por causa dele? Nunca na minha vida.
Vocês já estavam bem acostumados com a dinâmica entre os gêmeos. Chega a ser engraçado ver como Emma não esperava por Mikey na hora de irem pra escola, mas era só alguém implicar com ele que a loira se transformava, a clássica dinâmica de irmãos.
O tempo foi passando e a sala enchendo, de forma que aos poucos a turma fosse se completando, inclusive o próprio Mikey apareceu, com uma clara expressão de sono e faltando exatos cinco minutos para o sinal tocar.
— Eu odeio quando você não me acorda — o loiro resmungou para a irmã, que simplesmente riu.
— Vai ter que aprender a acordar sozinho, porque eu me recuso a me atrasar por sua causa.
— Mas Emma...
— Impressionante como você esquece que a gente não mora mais tão perto assim da escola.
Mikey revirou os olhos, mas não conseguiu rebater a argumentação da irmã. Já faz quase cinco anos que a família Sano se mudou de Beverly Hills para uma mansão em Bel Air, o sucesso que Shinichiro estava tendo na carreira proporcionou muitas mudanças na vida deles.
— Tanto faz — resmungou, arrancando risadas dos seus amigos, e aproveitou para se sentar ao seu lado, de forma que ficasse na frente de Baji e atrás de uma platinada extremamente específica.
— Quero ver você finalmente ter responsabilidade com alguma coisa — a voz provocativa de Senju entrou nos ouvidos de Mikey, que levantou a cabeça e encontrou os olhos azulados o observando.
A garota estava vestida com o uniforme das líderes de torcida, um conjunto de cropped de manga comprida e shorts das cores da escola, vermelho, preto e branco, além do cabelo arrumado em uma espécie de penteado, em que dois laços, também vermelhos, decorassem os fios, que são tão loiros ao ponto de parecerem neve.
— Eu consigo ser responsável!
— Só se for na sua imaginação.
— Quer apostar? — perguntou, desafiador, e tentou ao máximo fazer a expressão facial não vacilar, afinal, o sorriso provocativo que Senju estampava no rosto sempre o deixava maluco.
Porém, Mikey nunca admitiria que a achava bonita, ou até mesmo que gostava dela, não faria sentido sentir tal coisa por alguém que implicava consigo desde o momento em que se conheceram, ainda no nono ano do fundamental.
— Se você se atrasar amanhã, vai ter que fazer um favor pra mim.
— E se eu não me atrasar?
— Eu faço um pra você.
— Fechado! — Mikey disse, confiante, mas mal sabia ele que se atrasaria e seria obrigado a ajudar a equipe de torcida a arrumar o depósito do time, o que lhe renderia horas de trabalho e músculos doloridos.
A professora que daria essa matéria entrou rapidamente em sala, sendo seguida pelo soar do sinal, o que fez com que Kazutora suspirasse.
— Estava com zero saudade desse barulho infernal — ele resmungou e você riu, virando o rosto levemente pra trás.
— Eu não quero nem lembrar do apito do sr. Bernardi na próxima aula de educação física.
— Imagina eu que vou ter que aturar de novo os treinos praticamente todos os dias com aquele homem — o moreno revirou os olhos e você conteve a risada, dando uma olhada rápida na professora, que ainda arrumava as coisas na mesa.
— Meus pêsames pelos seus ouvidos.
— Eles agradecem os sentimentos.
Você balançou a cabeça em negação e observou o seu melhor amigo sorrir fraco e pegar o caderno na própria mochila, o que você também fez, já que, agora, a professora já estava em frente a sala, com o nome escrito no quadro.
"Srta. Hoffmann".
— Bem, acho que antes de mais nada tenho que desejar um "bom dia" para vocês e também boas-vindas ao último ano do ensino médio!
— Tem nada de bom nisso, professora.
— Vamos tentar ser positivos pelo menos um pouco, Kazutora — a mulher de um pouco mais de trinta anos tentou controlar a risada, logo voltando a andar para atrás da mesa.
A srta. Hoffman é uma das professoras mais legais da escola, dando aulas de História Americana tanto no segundo quanto no terceiro ano, o que fazia com que todos os alunos já a conhecessem.
— Hoje eu não vou necessariamente explicar a matéria, mas sim dar um panorama geral do que vamos ver esse ano e também explicar como as avaliações vão funcionar. Além disso, vocês já devem estar sabendo, mas daqui a pouco, mais especificamente quando for 8:45, nós vamos para o ginásio, já que às 9:00 teremos a cerimônia de "boas-vindas" e algumas falas do diretor.
A turma concordou, depois de rir de uma piada de Baji sobre a cerimônia, afinal, os primeiros dias de aula quase sempre são mais tranquilos e os alunos não fazem praticamente nada. Porém, antes que a srta. Hoffmann pudesse aproveitar os quarenta e cinco minutos que ainda tinha de aula, batidas soaram na porta.
— Com licença, srta. Hoffmann.
— Fique à vontade, Helena — a professora respondeu, autorizando a entrada da coordenadora do último ano.
— É que temos um novato em nossa escola e ele teve que conversar comigo sobre algumas pendências antes de poder vir até a sala.
— Sem problemas.
— Pode vir.
Helena acenou para alguém que estava ainda do lado de fora da sala, mas que não tardou a entrar.
Baji não estava necessariamente prestando atenção no que estava acontecendo, a mente do moreno já divagava, realmente não gostava de ter aulas, a única parte que não suportava do ato de ter que ir à escola. Porém, quando uma voz não conhecida ecoou pela sala e ainda sendo tão bonita, não teve como não levantar o olhar e procurar o dono.
Keisuke travou por exatos cinco segundos ao observar o garoto que estava em pé na frente da sala.
Cabelos loiros, cortados com um claro undercut, olhos verdes piscina, um sorriso pequeno, mas extremamente encantador, e um estilo que claramente chamava atenção por ser legal de se olhar. O desconhecido usava uma calça jeans preta, com pequenos rasgos espalhados pelo tecido e uma camiseta branca com um suéter marrom claro por cima, que tinha vários bordados coloridos, além de calçar um tênis também marrom. Espera, ele estava combinando a cor do tênis com a cor do suéter?
Baji mal conseguia processar o que estava vendo, praticamente hipnotizado.
— Sou o Chifuyu — o novato falou, ajeitando, um pouco nervoso, a alça da mochila, que estava apoiada no ombro esquerdo — Eu sou de Seattle, mas me mudei pra cá agora no verão e faço a mínima ideia de como me apresentar melhor do que isso.
A turma riu, junto com o próprio loiro, que ficou um pouco mais tranquilo ao ver a reação positiva, ser calouro já é difícil, mas no último ano do ensino médio conseguia ser um desafio ainda maior.
— Pode se sentar na cadeira livre perto da janela, Chifuyu — a srta. Hoffmann falou, recebendo a confirmação do garoto, que logo começou a andar na direção da tal carteira.
Baji mal conseguiu processar o que estava acontecendo, mas não desviou o olhar do loiro, o acompanhando até se sentar na carteira indicada, que surpreendentemente era ao lado de Mitsuya, que se sentava bem na sua frente. Então, o moreno logo observou vocês dois começarem uma breve conversa com o novato, provavelmente se apresentando pra ele.
Pela distância, não ouvia perfeitamente o que diziam, mas algo assim não passaria despercebida pelos olhos atentos de Kazutora.
— Fecha boca se não vai começar a babar, cara — a voz do Hanemiya, junto com um leve empurrão no ombro, fez com que Baji acordasse, o que o fez levantar instantaneamente o dedo do meio na direção do amigo.
— Vai se fuder! — sussurrou, o que fez com que o mais alto entre os dois risse.
— Mal conhece e já tá apaixonado.
— Cala a porra da boca, Kazutora!
O moreno estava completamente se divertindo com a situação e logo voltou a olhar para a srta. Hoffman com um sorriso satisfeito no rosto, o que claramente irritou Baji até o fundo da alma, alguém que já começava a repensar se deveria ter se assumido para o amigo durante esse verão.
Por muito tempo, Keisuke se perguntou se tinha algo estranho com ele, principalmente ao se ver atraído não só por meninas.
Foram meses e meses de questionamentos e dúvidas sobre si mesmo, inclusive a realização dos breves sentimentos que nutriu por Kazutora quando ainda estavam na oitava série. Porém, hoje, com dezessete anos, tem a total certeza de que é bissexual, principalmente ao rever certos comportamentos do passado e até algumas fotos da infância.
Inclusive, tinha sido até tranquila a forma como tinha contado sobre a sua sexualidade para o Hanemiya.
Os dois estavam no quarto de Baji enquanto jogavam videogame, mais especificamente um dos jogos da franquia de Final Fantasy, quando o assunto surgiu, já que uma garota do ano deles tinha se assumido lésbica publicamente. Comentaram sobre a situação porque tinha sido fofoca na última festa que tinham ido, mas o assunto não se estenderia muito, até que Baji questionou Kazutora sobre a possibilidade de se sentir atraído por mais de um gênero e então recebeu a resposta que ficaria na cabeça dele por muito tempo:
"Cara, é só simplesmente gostar. Tipo, por que teria algum problema nisso? Inclusive, imagina a vantagem de ter mais gente pra beijar."
Baji deu um leve soco no ombro de Kazutora, que simplesmente riu da reação do amigo, mas logo o questionando sobre o porquê da pergunta, recebendo a confissão em seguida. Porém, o ponto alto de todo o momento foi o que o Hanemiya diria em seguida:
"Só descobriu agora? Já tava na cara".
Keisuke até mesmo pausou o jogo, completamente extasiado, querendo respostas e explicações sobre o que tinha acabado de ouvir, as quais seriam dadas de bom grado por Kazutora, que não viu problema em explicar para o amigo as coisas que percebia, inclusive admitiu que sabia sobre o fato de que ele tinha gostado dele no fundamental.
Esse dia tinha sido completamente o auge do verão para Baji, que se sentia bem mais leve por pelo menos ter contado a alguém e também saber que fazia sentido, que ele fazia sentido.
O resto da aula introdutório da srta. Hoffman passou voando, da mesma maneira que a cerimônia de boas-vindas, que teve como ponto alto a apresentação das líderes de torcida, sendo esse o motivo para que Senju e Emma estivessem com o uniforme e com os cabelos arrumados. Então, quando viram, depois de também terem mais duas aulas, já estava na hora do almoço e o refeitório se encontrava completamente cheio de adolescentes, com conversas aleatórias e risadas ecoando de todos os lados possíveis.
— Zero saudade desse caos só pra conseguir comer — Yuzuha resmungou, quando finalmente conseguiu sair da fila com sua bandeja.
— Vocês estão muito reclamões hoje — Baji provocou e viu como a Shiba revirou os olhos.
— Não é culpa nossa se você gosta de vir pra escola.
— O que claramente evidencia que você maluco.
— Nem vem com essa, Mikey — o moreno resmungou, andando na direção da grande mesa, onde o resto dos seus amigos já estavam sentados.
— Você sabe que estou falando a verdade!
— Não vou nem tentar discutir.
A risada do loiro ecoou atrás de Baji, que simplesmente balançou a cabeça em negação, agradecendo mentalmente por ter conseguido chegar na mesa. Sentou-se entre Kazutora e Draken e não demorou a começar a comer, sem antes dar uma leve espiada em Senju, que estava na frente de Kazutora e ao seu lado.
Não era segredo, pelo menos dentro do grupo de amigos, o que tinha acontecido com a platinada no ano anterior, um quadro delicado de quase anorexia. Foi um choque quando todos receberam a notícia, principalmente ao ligarem os pontos e entenderem os hábitos que a amiga acabou desenvolvendo ao longo da vida. Porém, agora sabendo do que tinha acontecido e totalmente cientes do tratamento que Takeomi conseguiu a convencer de fazer, não ficariam apáticos perante a situação.
Baji tinha um pequeno sorriso no rosto quando percebeu o seu braço na cintura de Senju, deixando uma espécie de carinho na cintura da mesma. Ninguém parou a conversa que acontecia na mesa e muito menos fariam perguntas indelicadas e que poderiam até mesmo gerar uma crise, mas estavam ali por ela e continuariam até que a situação fosse resolvida.
Porém, esse sorriso no rosto de Keisuke desaparecia completamente ao ouvir o que Kazutora falaria.
— Ei, Chifuyu! — o moreno gritou, conseguindo a atenção do loiro, que segurava a própria bandeja e andava pelas mesas — Senta aqui com a gente!
— O que você está fazendo? — Baji perguntou, frustrado, recebendo um sorriso sacana como resposta.
— Sendo simpático.
— Mas você não é simpático! — o moreno argumentou, fazendo Kazutora gargalhar.
— Assim você me magoa.
— Eu te odeio, Kazutora.
Chifuyu estava completamente alheio à conversa entre os dois amigos, enquanto tinha quase como uma grande guerra dentro da própria cabeça e andava na direção da mesa. Ele entendia os motivos dos pais terem que se mudar para a Califórnia e trazerem o filho junto, afinal, eles são dois dos melhores pilotos da marinha norte-americana e é uma profissão cheia de obrigações que devem ser cumpridas, mesmo que isso significasse diversas mudanças.
O loiro não se lembrava necessariamente de uma cidade que tinha passado mais de dois anos, sempre se mudando de cidade em cidade de acordo com a vontade do governo, algo que claramente o frustrava, afinal, não conseguia criar laços em nenhum lugar. Porém, ao mesmo tempo, tentava não julgar os pais, pessoas que admirava e o apoiaram em tudo.
Inclusive, não é sem motivo que Chifuyu quer fazer engenharia aeroespacial na faculdade. Se os pais pilotam os melhores caças do país, ele quer projetar e desenvolver o melhor caça que o mundo já viu, o sonho de poder mexer com aviões hipersônicos.
— Oi — cumprimentou o grupo, ainda um pouco tímido, mas recebeu sorrisos animados das pessoas que ocupavam a mesa.
— Senta e fica à vontade — o mesmo moreno que o tinha chamado para se sentar ali, que inclusive tinha mechas loiras no cabelo e uma surpreendente tatuagem de tigre no pescoço, falou e Chifuyu tem quase certeza de que o nome dele é Kazutora.
— Valeu — agradeceu, ainda meio sem graça.
Uma líder de torcida de cabelos quase tão brancos como a neve se afastou um pouco pro lado, abrindo espaço suficiente para que Chifuyu se sentasse no banco na frente de Kazutora e do moreno que o encarou na aula, alguém que também o chamou atenção.
O longo cabelo preto, que agora estava preso em um rabo de cavalo alto, as pequenas argolas prateadas que decoravam as orelhas, além de caninos um pouco maiores do que os da maioria das pessoas, o que com certeza o Matsuno tinha achado interessante e atraente. Esse último pensamento logo foi expulso da cabeça do novato, céus, estava só no primeiro dia de aula e já estava tendo uma espécie de crush em alguém?
Não tentaria negar na próxima vez que alguém o chamasse de emocionado.
Acabou que Chifuyu logo se viu sendo integrado nas conversas que circulavam a mesa, não demorando a descobrir que estava almoçando com um grupo de pessoas realmente populares.
Senju, a capitã das líderes de torcida.
Você, a líder do clube de ciências e presidente do grêmio estudantil.
Mikey, capitão do time de futebol americano e irmão mais novo de Shinichiro Sano.
Kazutora e Keisuke, simplesmente os maiores atacantes e pontuadores do time.
Chifuyu poderia continuar a lista em cada um de vocês, muitos poderiam dizer que inclusive tinha achado o pote de ouro no final do arco-íris. Porém, não é como se as experiências que teve com pessoas populares poderiam ter sido as melhores do mundo, afinal, sempre tinha sido o novato em quase todas as escolas que estudou, além se ser assumidamente homossexual desde os catorze anos.
O Matsuno respirou fundo, enquanto tentava focar em enfiar o almoço pra dentro e ignorar a queimação que aparecia em seu estômago, a real demonstração de que estava nervoso com tudo o que estava acontecendo, com a própria mente pregando peças consigo mesma, se lembrando das péssimas experiências que teve ao longo da sua vida escolar.
Foi retirado dos próprios pensamentos ao ouvir seu nome ser chamado por ninguém menos que Kazutora, levantando a cabeça e encontrando o dourado dos olhos do mais alto.
— Então... — o Hanemiya, começou a falar — Conta mais de você pra gente.
— Tipo o que? — Chifuyu perguntou, confuso.
— Coisas básicas. Por exemplo, você é solteiro?
Baji poderia esperar muitas coisas de Kazutora, tipo muitas mesmo, conhecia tão bem o moreno que sabia que a palavra limites não era realmente aplicada a ele, dependendo da situação. Porém, ao ouvir a pergunta que foi direcionada a Chifuyu, acabou engasgando com a água que tomava, fazendo com que uma crise de tosse começasse.
— Está tudo bem, Baji? — Kazutora perguntou, com um sorriso inocente nos lábios.
"Cretino, desgraçado, filho da puta, com todo o respeito Tia Mary" — esses eram os xingamentos que se passavam pela cabeça de Keisuke ao encarar o amigo, aproveitando para o dar uma cotovelada, depois que conseguiu se recuperar do engasgo.
— Você realmente está bem? — a voz de Chifuyu ecoou e Baji se viu hipnotizado pelos olhos verdes.
— Sim — foi o que conseguiu responder, sentindo uma espécie de vergonha o consumir dos pés à cabeça.
— Mas e aí, Chifuyu, solteiro? — Kazutora apoiava a cabeça em uma das mãos, fazendo com que os olhos quase brilhassem por causa da luz do refeitório, o que intimidou o novato, nem que seja um pouco.
— Para de ser inconveniente, Kazutora! — você falou, recebendo um olhar ofendido do seu melhor amigo.
— É só uma pergunta, [Nome].
— Uma péssima pra variar.
— Não vai me dizer que não sente curiosidade com essas coisas.
— A gente mal conhece ele!
— E? Fazer esse tipo de pergunta serve pra isso.
— Você está em outro nível hoje.
— Depois não vem reclamar quando eu não te contar as fofocas que escuto no vestiário.
Chifuyu escutou a pequena discussão de vocês dois e se permitiu rir com os outros integrantes da mesa.
— Eles são assim direto — Senju explicou pra ele — Tem vezes que até parecem um casal de marido e mulher.
— Bem a vibe de pai e mãe do grupo — Yuzuha, que estava sentado do seu outro lado, complementou.
— Não tem problema — o loiro falou para você, conseguindo a sua atenção.
— Mesmo?
— Mesmo — riu fraco — Bem, agora respondendo a pergunta, estou solteiro. Muito solteiro, inclusive — brincou, conseguindo arrancar algumas risadas da mesa.
— A seca também atingiu Seattle? — Mitsuya perguntou, com um tom brincalhão na voz, e Chifuyu riu de verdade.
— Você nem imagina.
— Aproveitando o assunto, achou alguém interessante? — uma outra voz entrou na conversa e o Matsuno viu que era de Emma.
Emma Sano, irmã gêmea de Mikey e também líder de torcida.
— Alguma das meninas? Já até sei nomes de quem já tem interesse em você.
— Nem parecem abutres — Yuzuha resmungou e Emma riu com gosto.
— Você sabe muito bem como o pessoal daqui funciona — a loira voltou a virar o rosto na direção do Chifuyu — E aí, quem chamou a sua atenção?
Se pudesse se enfiar em um buraco e se esconder nele pelo resto da vida, Chifuyu com certeza o faria, por Deus, estava a um passo de se assumir pra um grupo de desconhecidos? Foram anos e anos de situações desagradáveis que ele nem queria se lembrar e inclusive esperava que, ao se mudar para Los Angeles, pudesse ter um recomeço de verdade.
Porém, parecia que tudo se tornava um ciclo vicioso, como se ele nunca pudesse ter paz, mas o próprio pai de Chifuyu já tinha dito várias vezes, ele só teria paz, se tentasse se acertar consigo mesmo primeiro. Nunca se sentiu parte de nada, nunca teve um verdadeiro grupo de amigos, mal sabia como realmente se comportar em público sem se sentir um estranho, mas então por que sentia que, dessa vez, tinha fazer diferente?
— Na verdade, garotas não são a minha praia. Acha que dá pra entender assim, não é? — perguntou incerto, sentindo o medo começar o tomar na boca do estômago.
Porém, antes que alguém pudesse sequer dizer alguma coisa, parecia que Baji tinha engasgado de novo, o que fez Chifuyu estranhar ainda mais o que poderia sequer estar acontecendo com ele.
— Tá com problema no pulmão, Baji?! — a voz de Mikey se sobressaiu e a mesa caiu na risada, com o moreno levando o dedo no meio na direção do capitão.
— Ele tá é com um problema no coração... — Kazutora cantarolou e foi aí que algo aconteceu tão rápido que Chifuyu, qualquer pessoa que estava na mesa ou os sentados próximos a eles, não conseguiu compreender.
Quando viram, Kazutora estava caído no chão, gargalhando ao ponto de começar a sentir falta de ar, o Hanemiya praticamente rolava de tanto rir.
Por Deus, Baji tinha realmente o empurrado no chão?
Tinha, também, perdido a mínima paciência que ainda lhe restava.
Claro que ele sabia que isso era mais uma das várias provocações que Kazutora fazia pra cima dele, é algo diário e até mesmo uma das bases da amizade de ambos, a liberdade de se zoarem em relação a tudo. Porém, algo que envolvia esse assunto em específico estava o tirando do sério, principalmente porque ninguém, além de Kazutora, sabia que ele é bissexual e Baji não sabia se estava pronto pra se assumir completamente.
Uma falha na armadura de confiança e sorriso que esbanja.
Mal percebeu quando pegou a bandeja, não ligando se ainda tinha comida nela, e saiu da mesa, praticamente não escutando os chamados atrás de si.
— Mas que porra foi essa, Kazutora? — Mikey perguntou e aproveitou para ajudar o melhor amigo a se levantar.
— É um lance meu e dele, não se preocupem com isso.
— Você fala isso com o cara praticamente fugindo daqui.
— Eu estou falando sério, não precisam se preocupar com isso — o Hanemiya garantiu, voltando a se sentar e abrindo a tampa da garrafinha de limonada — Não se preocupe que vou atrás dele depois, [Nome].
Chifuyu levou o olhar até você e notou como encarava Kazutora fixamente, mas o moreno deu de ombros, voltando a tomar o suco com tranquilidade, e foi aí que ele percebeu como vocês dois conseguiam conversar com olhares, sentiu até um pouco de inveja, já que acredita que nunca teria esse nível de intimidade com alguém.
— Então... — escutou Emma falando — Garotos?
— Isso, garotos — Chifuyu afirmou sem saber o que sentir, tendo a mente já fervilhando.
Entretanto, se surpreendeu com o sorriso animado que surgiu no rosto da loira.
— Se quiser te arranjo o número de uns caras do time de basquete.
— O que?
— Você não falou que tava na seca? — Emma perguntou, confusa, e Chifuyu piscou os olhos algumas vezes, inclusive riu fraco.
— Isso, estou na seca — falou quase consigo mesmo, o que foi levemente estranho para quem ouviu.
Porém, para ele, essa simplesmente cena foi tudo e o início de uma das mudanças mais radicais na vida dele, já que finalmente estaria entrando em um grupo de amigos, fazendo amizades que durariam anos e nunca o fariam mal, estando ao lado dele pra tudo, da mesma maneira que os seus pais, os primeiros a o aceitarem e reafirmarem que o amariam independente da orientação sexual.
Dessa forma, o tempo começou a voar.
Quando viu, já estava em setembro, com quase dois meses que estava na Califórnia e não poderia estar se sentindo melhor, mesmo que ainda existam algumas coisas que o deixassem confuso e levemente instigado, como a distância que existia entre ele e Baji. Claro que ele não poderia forçar uma amizade com ninguém, mas chegava a ser estranho como mal trocavam palavras, geralmente eram cumprimentos rápidos e só quando outras pessoas do extenso grupo de amigos também estavam presentes.
O loiro suspirou ao ter esse pensamento em mente enquanto guardava os materiais que tinha usado no armário e pegava o que precisaria para a reunião do clube de ciências, incluindo o próprio jaleco. Você tinha o convencido a participar depois de descobrir que ele queria fazer engenharia mecânica e ele sinceramente estava adorando participar do grupo, gostava de aprender coisas novas, posso dizer que ele se encaixaria na classificação de ser um clássico "nerd".
Fechou o armário, passando o cadeado, e logo seguiu pelos corredores, que já começavam a ficar vazios, já que não são todas as pessoas que ficam à tarde na escola. Muitas vão direto para casa, algumas ficam para estudar na enorme biblioteca e outras possuem atividades extracurriculares, como clubes, a banda, a equipe de líderes de torcida e os próprios esportes.
— O que temos pra hoje? — Chifuyu perguntou, entrando, e já te encontrando sentada em uma das bancadas do laboratório.
— Você escolhe, bomba nuclear ou acelerador de partículas?
O loiro riu da sua pergunta e se aproximou, sentando no banco ao seu lado.
A atividade do clube só começaria daqui mais ou menos quarenta minutos, mas vocês sempre acabavam chegando mais cedo, aproveitando para conversarem e até se aproximarem mais, o que Chifuyu gostou muito, com certeza você é uma das pessoas mais simpáticas que ele já tinha conhecido na vida.
— O que é isso? — ele perguntou curioso, encarando a aba de pesquisa aberta no seu notebook.
— É uma ideia para o presente de aniversário do Kazutora.
— Aniversário do Kazutora? — perguntou, confuso.
— É na sexta, dia 16.
— Vão organizar uma festa ou algo assim?
— Mikey tá pensando em juntar a festa da comemoração do primeiro jogo com a do aniversário, mas o Kazu não é lá muito fã de receber tanta atenção assim. Entretanto, não é como se o Mikey não fosse fazer uma festa pra ele.
— Eles são bem próximos, né?
— Muito — você sorriu — As mães deles iam na mesma obstetra, então tem até foto delas juntas enquanto ambas estavam grávidas.
— Realmente amigos de uma vida inteira — falou, pensativo, e você concordou.
— Bem isso mesmo — soltou uma risada, voltando a sua atenção para o computador — Você acha que ele vai gostar?
— Cara, nós não somos muito próximos, mas é óbvio o tanto que ele gosta de Star Wars e na minha opinião, qualquer fã ficaria completamente louco ao ganhar isso.
— Eu já encomendei, chega na quinta — confidenciou — Se ele não gostar, eu realmente tenho um treco.
— Se ele não gostar, o Kazutora vai ter que parar de se considerar fã do George Lucas.
A sua risada logo preencheu a sala, junto com a de Chifuyu. Realmente, não tinha como Kazutora não gostar desse presente, uma luminária de LED que possui o formato em tamanho real do capacete de Darth Vader, que inclusive é o personagem favorito do Hanemiya.
Você e Chifuyu acabaram engatando em uma conversa sobre filmes e foram recebendo os outros integrantes do clube com o passar do tempo, além de arrumarem o que precisam para a atividade selecionada pelo professor responsável. Porém, foram interrompidos por alguém que entrou como um furacão no laboratório.
— [Nome]! — Baji gritou, parando de correr ao se apoiar na sua bancada — Você tem que me ajudar!
— Primeiro, respira — falou, levemente preocupada por ele ter aparecido assim no laboratório.
O moreno estava com uma das roupas de treino do time de futebol, a regata cinza e a bermuda vermelha, além do cabelo amarrado no clássico rabo de cavalo.
— Mais calmo?
— Só fico mais calmo, se você me ajudar.
— Em como eu posso te ajudar?
— Eu tenho uma prova de física na sexta.
— E? — perguntou, não entendendo o que o moreno realmente queria.
— O treinador falou que se eu não tirar no mínimo um oito, eu nem entro em campo no jogo de sábado! Eu não posso começar a temporada no banco, [Nome]!
— É só estudar.
— Você fala como isso fosse fácil — o moreno resmungou e você riu.
— Eu queria te ajudar, mas eu não posso.
— Mas por que? — Baji estava a um passo de entrar em desespero.
— Eu já estou lotada de coisa pra fazer, principalmente as reuniões com o grêmio estudantil, além de termos que começar a pensar sobre o baile de outono, que vai ser em outubro.
— Mas eu preciso de ajuda, [Nome].
Você suspirou, pensando nas possibilidades para ajudar o amigo, até que teve uma ideia, uma que inclusive a fez sorrir, maliciosa, o que fez com que o coração de Baji errasse uma batida. Nessa altura do campeonato, você também já sabia de toda a situação que envolvia o penhasco que Keisuke tinha começado a sentir pelo novato, são poucas coisas que os seus amigos conseguem esconder de você.
Logo, considerava a ideia que teve como simplesmente brilhante.
— Chifuyu! — você o chamou, fazendo com que ele se virasse, enquanto terminava de arrumar um dos microscópios que utilizariam.
— O que?
— Pode vir aqui, por favor?
Observou ele assentir e logo andar até vocês, percebendo com os olhos castanhos de Baji pareciam devorar Chifuyu.
— Você é muito bom em física, né?
— Acho que sim.
— O cara tá em física avançada e fala "acho que sim" — você brincou, o fazendo balançar a cabeça em negação.
— Enfim, mas isso tem haver com o que?
— Bem, o meu querido amigo Baji, precisa tirar oito na prova de física que ele vai ter na sexta, se não ele começa a temporada de futebol no banco. E no caso, ele queria a minha ajuda pra isso, mas não vou conseguir ter tempo.
— Então...
— Você pode ajudá-lo? — a sua pergunta pegou tanto Chifuyu quanto Baji de surpresa, o que fez o jogador de futebol sentir uma enorme vontade de se jogar pela janela e fugir dali.
— Olha, Chifuyu, se isso for te atrapalhar, não precisa...
— Não! — o loiro o interrompeu e sentiu as bochechas praticamente queimarem — Eu posso te ajudar.
— Sério?
— Sim, eu posso. Só preciso saber que horas você tá livre.
— Qualquer horário depois dos treinos.
— Que acabam?
— Geralmente às 18, mas eu tomo banho aqui, então estou saindo às 18:30.
— Vai querer estudar aqui?
— Se quiser, pode ser na minha casa. Não sei se você pode esperar o treino acabar.
— Posso sim, não tem problema. Você já quer começar hoje? — perguntou, incerto, mas recebeu um sorriso de orelha a orelha como resposta.
— Claro! Quanto mais cedo melhor — Baji falou, surpreendentemente animado — Muito obrigado, Chifuyu!
O Matsuno ficou quase que estático no lugar ao sentir as mãos firmes do jogador apoiadas nos braços, dando um aperto agradecido na região. Assim, na mesma velocidade que tinha surgido, Baji desapareceu, quase que trombando com o professor responsável pelo clube na hora da saída.
— Onde você me meteu, [Nome]? — Chifuyu perguntou, o que a fez rir.
— Eu só dei a ideia, mas foi você quem concordou.
— Sério isso?
Você simplesmente sorriu, se levantando para falar com o professor e pegar as instruções para o experimento que fariam durante a tarde.
Chifuyu se viu sem saber o que pensar sobre onde estava se metendo, mas ele tem somente uma única certeza, a de que tinha adorado o sorriso de Baji.
Mesmo que se sentisse ansioso com a possibilidade de ter que estudar com o jogador, o tempo pareceu passar rápido até demais, de forma que logo estava encostado em uma parede, perto da saída do vestiário masculino.
Já tinha um pouco mais de uma hora que a atividade do clube de ciências tinha acabado, então aproveitou para ir à biblioteca para descobrir quais eram as matérias que Baji estava tendo na sua turma de física. Agora, já com uma ideia estabelecida sobre o que teria que ensinar, o esperava, aproveitando para ler o livro que tinha pegado emprestado de Kazutora, "As águas-vivas não sabem de si", inclusive, estava achando extremamente interessante a proposta do livro, além de ser surpreendido por não ser a ficção-científica que imaginava.
— Então você é louco por livros que nem o Kazutora?
Uma voz fez com que Chifuyu quase que pulasse de susto e quando levantou o olhar, encontrou Baji, que tentava descobrir o título do livro.
— Acabei comentando que gosto de ler e trocamos livros — conseguiu dizer, mesmo que a curta distância que tinha entre os dois estava o deixando entorpecido.
— Qual você emprestou pra ele?
— Rainha Vermelha, é o primeiro livro de uma saga.
— É sobre o que?
— Bem aquela vibe de distopia, aí a população é separada por causa da cor do sangue, que determina quem tem poderes ou não.
— Isso parece massa.
— E é bastante, principalmente o sistema político, que na minha opinião foi muito bem construído.
— Queria ser que nem vocês dois e gostar de ler.
— Você não gosta?
— Não muito, pelo menos — riu fraco e aproveitou para indicar com a cabeça a saída dali — Prefiro séries.
— Qual a sua favorita?
— Peaky Blinders, conhece?
— Meu pai é louco por essa série — admitiu, enquanto abraçava o livro contra o peito e andava lado a lado de Baji.
— Seu pai tem bom gosto, sério, a série é foda.
— Vou dar uma chance, então.
— Juro que você não vai se arrepender.
O loiro sorriu pela afirmação e acabou que, pela primeira vez, o silêncio que se instalou entre os dois não foi estranho, até pareceu confortável. Andaram juntos até o estacionamento da escola, logo rumando para o carro de Baji, um Audi A5 Sportback de um tom de azul bem escuro. Assim, o caminho até a casa do moreno foi tranquilo, com pouca conversa, mas a música que saía do rádio conseguiu melhorar o clima, o que Chifuyu agradeceu mentalmente diversas vezes.
— Fique à vontade — Baji falou, ao destrancar a porta e acender as luzes da sala.
— Obrigado — respondeu, ainda meio incerto em como se portar com toda a situação.
Entrou na casa e passou os olhos pelo ambiente extremamente bem decorado, notando como tudo estava em conceito aberto, conseguia ver da sala a cozinha, e olha que ela fica nos fundos da casa, onde portas duplas francesas davam acesso ao quintal.
— Os seus pais não estão em casa? — perguntou, seguindo o moreno até a sala de jantar, onde tinha uma enorme mesa de madeira, que cabia no mínimo dez pessoas.
— Hoje não, pelo menos — escutou Baji soltar uma risada fraca — Os dois são médicos e estão de plantão.
— Entendi.
— E os seus? Eles fazem o que?
— São pilotos de caças da marinha.
— Sério? — perguntou, realmente interessado — Isso sim que é uma profissão foda.
Chifuyu riu, se sentando ao lado do moreno, já começando a pegar um caderno e o estojo.
— Eles se conheceram na academia de pilotos. Assim, tem isso até hoje e antigamente era bem pior, mas muitas pessoas desvalorizavam a minha mãe, aquela coisa de que as forças armadas são necessariamente para os homens.
— Em resumo, pessoas idiotas.
— Exatamente — Chifuyu sorriu — Mas o meu pai foi o primeiro que a tratou de igual pra igual, até se intitulava rival dela.
— Já respeito o seu pai.
— Ele é massa mesmo — Baji notou como os olhos verdes pareciam brilhar de orgulho — Deixa eu te mostrar uma foto deles.
Keisuke esperou Chifuyu procurar no celular uma foto dos três, até escolher uma das mais recentes, no dia da apresentação deles na base de Los Angeles, vestidos com a farda completa.
— Eles não estavam com calor com essa roupa e nesse sol?
— Meu pai passou a cerimônia inteira xingando o almirante pra mim e pra minha mãe.
A risada do moreno ecoou e Chifuyu ficou hipnotizado pelo som, sentiu como se ela estivesse reverberando pela pele.
— Mas enfim, acho que eu tenho que te ajudar a não começar a temporada no banco.
— Sim — Baji falou, derrotado, aproveitando para também pegar o caderno e o livro da matéria — É o último ano, quero aproveitar cada segundo.
— Parece que você gosta muito de futebol.
— Assim, eu gosto, não sou fanático que nem o Mikey, mas a graça pra mim é estar jogando com os caras. É bem mais divertido por causa disso.
Chifuyu assentiu e levou sua atenção até o livro, passando os olhos pela matéria mais uma vez.
— Para começarmos, eu preciso saber o que você sabe.
— Se eu disser que sei "nada", o que você me diria?
— Que entendo o seu desespero.
Baji praticamente gargalhou e pegou a própria lapiseira, começando a brincar com a estrutura metálica.
— Eu realmente não entendo muita coisa de física. Juro que as minhas notas nas outras matérias são boas, mas essa coisa aí simplesmente não faz sentido.
— Entendi — disse, pensativo — Bem, como é a primeira vez que estamos estudando juntos, acho que podemos começar com uma revisão. Fórmulas mais gerais e esse tipo de coisa e depois podemos ver especificamente o que cai na prova.
— Posso ser abusado e pedir pra você estudar comigo todo dia até a prova?
— Pode — Chifuyu riu.
— Os seus pais não se importam?
— Assim, eles praticamente passam a semana na base. Inclusive, daqui um tempo, eles vão zarpar para alto-mar em um porta-aviões.
— Mas aí você vai ficar sozinho?
— Sim, mas já estou acostumado. Quando eu era menor, eles contratavam uma babá ou tínhamos a "sorte" de estarmos em uma cidade onde temos parentes, mas depois que eu cresci, preferi ficar sozinho. Sabe, dar menos trabalho pra todo mundo.
Chifuyu aprendeu a gostar de ficar sozinho, gostar da própria companhia e até mesmo apreciar o silêncio, dependendo do momento. Baji já não pensava dessa maneira, pelo menos ele não gostava de se sentir sozinho, gostava da escola por isso, cheia de pessoas e amigos, ao contrário do vazio que encontrava na maioria das vezes que voltava pra casa, os pais sempre no trabalho e em casa por poucas horas.
— Enfim — Chifuyu sorriu fraco — Pronto pra começar?
— Não mesmo.
O loiro riu de verdade e Baji, mais uma vez, estava hipnotizado.
Hoje, ele vestia usando uma calça jeans de um tom bem claro de azul, uma blusa verde escura, que contrastava com os olhos, e um tênis jordan da mesma cor da camiseta. A combinação de cores realmente deixava o jogador intrigado, já que se questionava sobre a quantidade de tênis que Chifuyu tem e até imaginava que deveria ser, pelo menos, um pouco exorbitante.
Tudo em Chifuyu é interessante, muito mais que a própria física que estava tentando aprender, mas, por alguma razão e pela primeira vez em anos, parecia que ele realmente estava entendendo, algo que poderia ser considerado o milagre do século, pelo menos na visão de Baji.
Porém, o Matsuno via o contrário.
Keisuke poderia até ser "lerdo" e acabar não entendendo muitas coisas de primeira, mas é inteligente, só precisava de mais tempo, exercícios e paciência, algo que claramente a escola e o atual sistema educacional não conseguem possibilitar, a urgência de garantir o acesso à universidade acaba estragando o verdadeiro significado e objetivo da educação.
Quando viram, as horas passaram e o relógio já batia às nove horas da noite, o que até chocou Baji, nunca que ele passaria tanto tempo estudando física, mas bem, com a companhia de Chifuyu a história parecia ser outra.
— Então, você tá com fome? A gente pode pedir uma pizza — o moreno sugeriu, torcendo para que o outro aceitasse o convite para ficar.
— Assim, pode ser outra comida?
— Qual você quer?
— Yakisoba.
— Você acabou de dizer a palavra mágica.
— Você gosta?
— Cara, é a minha comida favorita.
— Sério? É a minha também.
Baji não soube explicar o porquê do seu coração ter acelerado dentro do peito e muito menos porque uma informação tão simples parecia significar tanto, mas ele mal sabia que ao longo dessa semana e em todos os dias que Chifuyu foi até a casa dele, os dois acabariam pedindo Yakisoba para jantar. Inclusive, teriam duas noites que os pais de Baji estariam presentes, mas algo sobre o pai do moreno não parecia certo aos olhos do Matsuno.
A semana passou rápido e a temida sexta-feira tinha chegado e mesmo que tentasse não transparecer, Chifuyu estava nervoso e ansioso demais.
Estava sentado no laboratório, mesmo que estando bem adiantado em relação ao horário das atividades do clube, mas ele tinha combinado de se encontrar com Baji ali para descobrir a nota do moreno. Balançava a perna direita quase que freneticamente, nem conseguindo prestar atenção em nada, com o olhar fixo no relógio que tinha acima do quadro, contando os segundos e se pudesse, contaria até os milésimos de segundo. Não compreendia porque estava tão ansioso, algo que quase queimava dentro dele, não conseguia sequer tentar a explicar a sensação.
Foi aí que a porta se abriu, com uma força tão grande que ela quase foi com tudo contra a parede oposta, mas Chifuyu não ligou pra isso, ele ligou para o moreno ofegante que estava do outro lado da porta.
— Quanto?! — o loiro perguntou, praticamente pulando do banco.
— 9,5! Chifuyu, eu tirei 9,5 caralho!
Felicidade genuína.
Esse é o sentimento que pareceu explodir no peito do loiro, que nem percebeu o que estava fazendo, correndo na direção do abraço de Baji sem nem pensar duas vezes.
Sentiu os pés sendo tirados do chão e a sua risada ser praticamente arrancada quando começou a ser girado no ar. As risadas de ambos os garotos, agora, dominavam o laboratório de ciências, sendo um som tão único que realmente parecia música, uma linda canção de amor, inclusive.
— Eu falei que você ia conseguir! — Chifuyu falou, ao ser colocado no chão e Baji sorriu, mostrando os caninos.
— Assim, eu estava confiando no seu conhecimento e não no fato de que eu entendi.
— Idiota — resmungou, o que fez o outro rir mais uma vez.
Baji respirou fundo, observando aqueles olhos verde-piscina, uma imensidão tão grande que era quase como se o chamasse para se afundar. Porém, existia uma incerteza sobre tudo isso, um medo de se arriscar e ver no que daria isso tudo, não sabia se tinha coragem suficiente para fazer alguma coisa.
Foi então que percebeu a curta distância em que estavam, conseguia praticamente sentir a respiração do loiro contra a sua, o que o fez ameaçar se afastar um passo, mas ele viu como Chifuyu não tinha se movido, nem um mísero centímetro, o que o deixou ainda mais nervoso.
Poderia até ser mais alto, quase dez centímetros de diferença, mas se sentia intimidado por aquela imensidão verde, que faziam o coração dele acelerar a cada olhar, sorriso e risada. Baji não conseguiria explicar quantas vezes se distraiu olhando pro loiro, a forma como ele mordia o lábio quando pensava em uma questão, como franzia as sobrancelhas quando lia uma cena impactante de um livro ou como ele sempre acabava brincando com a argola prateada que decorava a orelha esquerda.
Tantos detalhes e todos, sem exceção, extremamente apaixonantes.
— Posso ser sincero? — Baji saiu do transe ao ouvir a voz de Chifuyu.
— Claro — tentou não deixar a voz tremer.
— Vou sentir saudade das "noites de Yakisoba".
Baji riu fraco, colocando as mãos no bolso da calça, elas estavam tremendo até demais para as deixarem expostas.
— Elas não precisam acabar.
— O que?
— É, tipo, a gente pode continuar combinando de pedir Yakisoba.
— Bem, essa é uma ideia legal.
— Mas tem que ter uma diferença em relação ao que estávamos fazendo.
— Qual?
— Elas vão se tornar encontros.
Os olhos de Chifuyu se arregalaram instantaneamente, junto com as batidas de seu coração, que sinceramente parecia que iria explodir. Ele realmente tinha acabado de ouvir isso?
Keisuke Baji tinha acabado de o chamar para um encontro?
— Eu acho que a prova fritou os seus neurônios — Chifuyu falou, dando um passo para trás, mas Baji logo voltou a estabelecer a distância de antes.
— Não, eu estou falando sério.
— Mas como? Baji...
— Eu sou bissexual, Chifuyu. Pode até perguntar pro Kazutora pra confirmar — o moreno estava ansioso, não pensou que essa fosse a reação do loiro.
Porém, Chifuyu tinha passado por cada situação horrível ao longo do ensino médio, que isso, uma mínima demonstração de interesse de alguém como Baji, um dos jogadores principais do time de futebol, o deixava mais nervoso do que qualquer coisa no mundo.
— Eu... — o Matsuno se encontrava sem saber muito o que pensar, os olhos verdes transbordando nervosismo e dúvida.
O que destruía aos poucos o coração de Baji.
— Olha, Chifuyu, não precisa me responder — o interrompeu, tentando colocar um sorriso no rosto — Desculpa se acabei de te incomodar com isso. Muito obrigado pela ajuda com a prova.
Ameaçou se virar e andar na direção da porta, mas sentiu uma mão segurar rapidamente o seu pulso, o fazendo voltar a olhar para Chifuyu, que tinha uma expressão confusa, e até mesmo arrependida, no rosto.
— Eu que tenho que te pedir desculpas, praticamente acabei de invalidar você.
— Chifuyu...
— Não. Só me escuta, Baji — respirou fundo, ainda segurando o pulso do mais alto — Eu passei por muita coisa, um dia posso até entrar em detalhes sobre isso com você, mas foram poucos os jogadores de futebol que não foram babacas comigo de alguma maneira, principalmente quando envolve a minha sexualidade.
Fechou os olhos por alguns segundos, na mísera tentativa de pelo menos afastar certas memórias.
— Desculpa, de verdade. Eu tenho insegurança com muitas coisas na vida e essa é uma delas.
Baji o encarou, absorvendo cada palavra, já tendo a própria mente tentando imaginar o que poderiam ter feito com Chifuyu, e todas as possibilidades eram ruins.
— Acho que também tenho que te pedir desculpas — riu, ainda um pouco nervoso com toda a situação — Não pensei muito, só quero te chamar pra sair.
— E eu quero sair com você.
— Sério?! — os olhos de Baji pareciam brilhar, o que fez Chifuyu sorrir.
— Sério, só vamos com calma.
— Posso virar uma tartaruga, se você quiser.
A risada de Chifuyu ecoou pelo laboratório e ele aproveitou para soltar o pulso de Baji, algo que o moreno não gostou, queria sentir por mais tempo o toque do mais baixo.
— Então... — Baji falou, inclinando a cabeça um pouco pro lado — Você pode me esperar sair do treino?
— Posso, com toda a certeza.
(...)
— É só ligar pra gente que nós te buscamos — a mãe de Chifuyu falou do banco da frente.
— Eu sei, não se preocupem.
— Sabe que mesmo falando isso nós vamos nos preocupar, não é?
— Por isso amo vocês.
Chifuyu sorriu para os dois pais, que o olhavam esperançosos, vendo o único filho parecer de verdade se sentir bem em uma escola e em um grupo de amigos, algo que ambos queriam com todas as forças do mundo. O maior sonho deles é isso, poder ver o filho se divertir com um sorriso no rosto.
Os três se despediram brevemente e logo o adolescente estava andando pelo caminho que levava até a entrada da casa de Mikey. Até mesmo antes de chegarem na rua, já conseguiam escutar a música e não foi pouco o tanto que Chifuyu se surpreendeu pelo tamanho da casa, que realmente é enorme e faz jus à categoria de mansão.
O de olhos verdes foi na direção do quintal, onde estava a parte principal da festa, com pessoas dançando, bebendo e até mesmo dentro da enorme piscina aquecida. Hoje, mais cedo, tinha sido o primeiro jogo da temporada e era óbvio que a escola deles iria ganhar, então a comemoração tinha que ser feita em grande estilo.
Além disso, ontem foi aniversário de Kazutora, e isso, inclusive, fez com que Chifuyu encontrasse ele e você, já que o moreno usava uma coroa dourada na cabeça e uma faixa branca escrita "Aniversariante!", o que foi uma ideia de Mikey. O loiro riu fraco ao se deparar com a cena, principalmente com o contraste dos acessórios com as roupas totalmente pretas que o Hanemiya usava, camiseta de manga longa, calça jeans e coturnos.
Até parando pra pensar um pouco, Chifuyu tinha quase certeza que só tinha visto Kazutora usando outras cores além de preto e cinza no jogo na parte da tarde, já que o uniforme do time é vermelho e branco.
— Já achava que você não ia aparecer — você o cumprimentou, recebendo um abraço de Chifuyu.
— Tinha combinado de jantar com os meus pais, acabei demorando por isso.
— Bem, fica à vontade! Tem bebida em todos os cantos possíveis e se precisar, um dos banheiros do andar de baixo fica perto da sala de jantar. Tenho que explicar mais alguma coisa pra ele? — perguntou para Kazutora, que estava ao seu lado e com as costas apoiadas na parede externa da casa, terminando de virar um copo de um dos vários drinks que Mitsuya sempre fazia nas festas.
— Acho que só avisar que o Baji tá na sala jogando beer pong.
— Sabia que tinha esquecido alguma coisa! Enfim, ele tá lá dentro e não sei quantas vezes ele perguntou pra gente se você tinha chegado.
Só de ouvir o nome do jogador, as bochechas de Chifuyu queimaram e ele agradeceu imensamente pela iluminação da festa está resumida a um jogo de luzes bem colorido, então a vermelhidão não ficaria destacada até demais.
— Mas é medroso o suficiente para não mandar mensagem e te perguntar diretamente.
— Dá um tempo pro menino, Kazu!
— Nunca! — o moreno riu e voltou a passar um dos braços pelo seu pescoço — Estou me divertindo com a situação do Baji finalmente se envolvendo com alguém.
— Ele nunca se envolveu com alguém? — Chifuyu perguntou, confuso e curioso, o que vez com que vocês dois se entreolhessem.
Mais uma vez, uma conversa silenciosa e intensa só com os olhares.
Chifuyu, inclusive, já se pegou pensando várias vezes no que estava impedindo vocês dois de virarem um casal, mas ele não sabia, ainda, como a história de amor entre vocês acabaria demorando mais do que deveria para acontecer.
— Assim, ele já ficou com outras pessoas — Kazutora começou a explicar — Sabe, festa, verdade ou consequência, sete minutos no paraíso e esse tipo de coisa.
— Mas nunca o ponto de te chamar para um encontro.
— Vocês sabem o por quê?
— Acho que você pode fazer essa pergunta pra ele.
— Mas...
— Vai atrás dele logo, Chifuyu! — Kazutora disse, animado, e foi aí que o loiro percebeu como ele já estava bêbado, mas você, ou contrário, estava completamente sóbria.
O Matsuno se viu derrotado e logo se despediu de vocês dois, passando pelas enormes portas de correr feitas de vidro e adentrando de vez na casa. Se por fora já parecia grande, por dentro parecia ainda maior e com uma decoração tão linda que parecia casa de revista. Assim, a casa realmente já tinha sido assunto de matérias de revista e sites de fofoca, então Chifuyu não estava errado em pensar assim.
Passou pelas mais diversas pessoas, que dançavam e bebiam, e aos poucos foi reconhecendo alguns, como os outros integrantes do clube de ciências, mas nada de Baji. Então, ouviu um conjunto de gritos animados, que conseguiram, por alguns segundos, serem mais altos que a música que tocava, How Deep Is Your Love, Rihanna & Calvin Harris.
Virou a cabeça na direção do som e andou até lá, finalmente achando a mesa de ping-pong, que tinha sido colocada dentro da sala, onde antes tinha um conjunto de poltronas, já que Mikey sabia que se estragasse algum dos móveis de sua mãe, estaria completamente fodido. Chifuyu terminou de se aproximar, observando um dos integrantes do time voltar a encher os copos com cerveja e passou os olhos pelo grupo, logo encontrando Baji, que ria alto de alguma coisa que Draken falava pra ele.
Então, foi a vez de Keisuke de perceber quem estava ali.
Um sorriso enorme surgiu no rosto dele e não ligou se estava em um lugar cheio de gente ou até mesmo se estava trombando em alguém, só queria chegar em Chifuyu. O moreno também fez o que estava sendo quase que um hábito, analisar e descobrir qual era a cor e o modelo de tênis que o outro usava, sendo dessa vez um all star da cor branca, que combinava com a camiseta de manga três-quartos da mesma cor e a calça jeans de um azul bem escuro.
Lindo, simplesmente lindo.
Chifuyu não sabia muito o que como agir agora, com Baji se aproximando tão decidido.
Os últimos dias tinham sido quase que um sonho, saindo para jantar juntos e ainda com o fato de que parecia que uma barreira tinha sido removida entre eles, mas na verdade foi só Baji parando de sentir medo de ficar perto de Chifuyu. Isso mesmo, Keisuke Baji, uma das pessoas mais intimidantes da escola, tanto pela altura como pela reputação, com medo de ficar perto de alguém.
Porém, como Kazutora e você explicaram para o Matsuno, ele nunca se envolveu com alguém, nunca tinha sentido as tão famosas borboletas no estômago ou uma espécie de ansiedade só para poder ver a pessoa na escola. Nunca tinha sentido isso, até conhecer Chifuyu e essa última semana tinha sido tão perfeita, que Baji acreditava com toda a sua convicção que estava vivendo em um filme ou sonhando acordado.
— Achou que eu não ia vir? — o loiro perguntou e Baji logo percebeu que você e Kazutora já tinham o dedurado.
— Você tava demorando... — praticamente sussurrou, o que fez o outro rir.
— Aprecio a sua preocupação.
Baji riu fraco e levou os olhos para encontrar os de Chifuyu, nunca cansaria de encarar esse tom extremamente específico de verde, o qual acabaria se tornando a sua cor favorita.
— Você estava jogando? — o Matsuno perguntou, depois que caíram no silêncio, mesmo que a sala ao redor estivesse barulhenta.
— Na real, estava assistindo. Você não faz ideia do quanto que o Mitsuya é ruim nesse jogo e ainda arrasta a coitada da Yuzuha como dupla dele.
Indicou com a mão a dupla de amigos, que estavam mais no canto o da confusão, claramente alterados, já que a punição por perder no beer pong é tomar toda a cerveja que restar na mesa.
— Você sabe jogar? — Baji perguntou.
— Assim, saber as regras conta? — riu junto com o moreno da própria pergunta — Eu nunca fui de ir em festas, então não tive oportunidade de aprender.
— Bem, agora é o momento!
Antes que pudesse dizer qualquer coisa, sentiu os dedos de Baji se entrelaçarem com os próprios e ser puxado na direção da mesa ping-pong, sendo cumprimentado por boa parte das pessoas que estavam ali, inclusive Draken e Mikey, que estavam sendo a dupla vencedora da noite até o momento.
— Vai jogar, Baji? — o capitão perguntou, com um claro tom de desafio na voz.
— Com toda a certeza, e ainda vou tirar você e o Draken da mesa.
— Desafio aceito. Quem vai ser a sua dupla?
— O Chifuyu.
— Mas Baji... — o loiro tentou argumentar, mas recebeu um sorriso como resposta.
— Só confia em mim, da mesma maneira que confiei em você na prova.
Chifuyu se viu sem saída e respirou fundo ao se ajustar ao lado de Baji, encarando os adversários de frente. Observou a posição dos copos e respirou fundo ao ter o moreno lhe entregando a bolinha alaranjada.
— Você realmente vai me fazer jogar primeiro? — perguntou, desacreditado.
— Aham.
— Já te falaram que você tem ideias péssimas?
— Muitas vezes.
Chifuyu sabia que Baji estava se divertindo às suas custas, querendo que ele interagisse e participasse da festa, e inclusive se sentia grato por tal atitude. Além disso, mesmo que agora não estivessem mais de mãos dadas, sentia um toque leve da mão do moreno na base das costas, como uma espécie de apoio e até mesmo conforto.
O loiro respirou fundo antes de segurar a bolinha com mais firmeza e mirar em um dos copos mais ao fundo da mesa. Sentiu como se estivesse sendo o jogador mais importante de um time e que estava quase fazendo o gol da virada, as pessoas ao redor gritavam animadas, o que o inclusive o fez rir um pouco, mas o verdadeiro sorriso apareceu quando lançou a bolinha e conseguiu acertar um dos copos.
Nunca, em todos esses anos, Chifuyu pensaria que se divertiria tanto jogando um jogo que envolve ping-pong e bebida, mas claro que uma importante parcela de toda essa situação tinha sido a figura de Baji. Depois de acertar a primeira bolinha, o moreno comemorou como se tivesse sido o gol da vitória da final da copa do mundo, o que fez Chifuyu praticamente gargalhar, além de sentir o coração bater ainda mais rápido ao finalmente sentir o abraço do mais alto.
Se sentia perdido na hora de interagir com Baji, não são todas as pessoas que sabem o que está acontecendo entre eles, na verdade, nem eles mesmos tinham consciência do que eram ou do que estavam planejando ser. Somente se importavam com o fato de estarem se sentindo bem, completamente nas nuvens nos momentos em que tinham a sós.
Porém, parecia que Baji não estava ligando mais em esconder alguma coisa, Chifuyu não sabia ao certo, mas ele nunca reclamaria de ter tido um dos braços do jogador passando pela cintura dele durante todo o resto da partida.
Mesmo com o esforço, acabaram perdendo, Draken e Mikey tinham uma pontaria invejável, mas acabou que a diferença não foi tão grande. Só tinham deixado três copos, os quais Baji tomou dois e Chifuyu o outro que restou, já que nunca foi de beber e não queria exagerar logo na sua primeira festa na Califórnia.
— Quer pegar algo diferente pra beber? — Baji perguntou contra o ouvido do loiro, já que com o passar da festa, parecia que o volume da música só aumentava — O gosto dessa cerveja é muito ruim.
— Pode ser — respondeu, rindo da última parte, realmente a cerveja era muito amarga.
O moreno assentiu e voltou a entrelaçar os dedos com os de Chifuyu, começando a os guiar na direção da cozinha. O Matsuno estava até um pouco arrepiado, sentindo o calor da mão de Baji sendo transferido para a sua de forma tão direta, além de estar realmente se divertindo. Porém, o hábito, e até mesmo o trauma de certas situações passadas, o faziam observar, inquieto, as pessoas ao seu redor e não foram poucos olhares que sentiu serem direcionados para si.
Na verdade, para os dedos entrelaçados.
Não conseguia não se sentir meio culpado por isso, por Baji também estar, agora, sendo alvo desse tipo de olhar, mas é algo que Chifuyu, infelizmente, não tem controle.
É horrível saber que qualquer ato de afeto, ou amor, que um dia ele possa fazer por alguém seria olhado com estranheza, ou até mesmo nojo, por uma outra pessoa.
Tentou, ao máximo, não se deixar levar pelos próprios pensamentos, queria que a sua mente fosse calada pela música alta da festa, que esse tipo de sensação sufocante sumisse.
Ao chegarem mais ao centro da sala de estar, a situação pareceu melhorar um pouco, já que as pessoas estavam mais preocupadas em dançar do que qualquer coisa, inclusive, viram Senju praticamente no centro de toda a muvuca, com os cabelos platinados funcionando quase como um farol, mostrando como ela realmente é a princesa da escola.
— Finalmente um lugar que não seja tão cheio — Baji comentou ao entrar na área da cozinha, que também é simplesmente enorme, combinando totalmente com o resto da casa.
Eletrodomésticos de última geração, bancadas de quartzo branco e armários de um tom extremamente chique de cinza, com certeza uma das cozinhas mais bonitas que Chifuyu já tinha visto.
— As festas que o Mikey faz sempre são cheias desse jeito? — perguntou, enquanto se encostava de costas em uma das bancadas, observando Baji abrir a geladeira.
— Essa daqui tá até meio vazia.
Os olhos de Chifuyu se arregalaram pela resposta, fazendo com que o outro risse pela reação.
— O Mikey adora dar festas e sempre que ele tem oportunidade ele faz uma. Com certeza as melhores são as de halloween e as das finais do nacional.
— Vocês ganharam todos os nacionais até agora, né?
— Somos muito fodas.
Chifuyu riu da fala dita com orgulho, mas não teria como negar, tinha visto o jogo de mais cedo e o time realmente é bom, com claro destaque para três jogadores em específico, que no futuro se transformariam em uma das formações de ataque mais lendárias do futebol universitário.
Baji voltou a se aproximar do loiro com dois copos na mão, estendendo um para o mais baixo, em seguida.
— É o que? — perguntou, observando as bolinhas de gás da mistura estourarem.
— Sprite com vodka.
— Isso é realmente bom? — duvidou, o que fez Baji rir e tomar um gole largo do próprio copo.
— Só provando pra saber — sorriu de canto, o que Chifuyu achou muito atraente — Inclusive, não se preocupe, não coloquei tanta vodka no seu.
Assentiu e tomou coragem para provar a mistura, se surpreendendo com o fato de realmente ser bom, mas não duvidaria que tinha uma grande influência pelo fato de não ter tanto destilado na mistura.
— Até que é gostoso.
— Tá vendo?
Chifuyu balançou a negação, tomando mais um gole do copo e levantando o rosto para olhar o direito, encontrando olhos brilhantes já vidrados nele.
Em um ato de coragem, Baji andou poucos passos, mas foram os suficientes para quase grudarem os corpos de ambos, fazendo com que os corações se acelerassem um pouco. Porém, mesmo que estivesse achando que estava em um conto de fadas, uma parte traiçoeira do Matsuno não o deixava vivenciar totalmente o momento.
— Você não tem medo? — perguntou, conseguindo uma expressão confusa como resposta.
— Medo do que?
— De estar aqui comigo.
— Em que sentido, Chifuyu?
O loiro já segurava o copo com certa força, se sentia ridículo por estar falando isso, verbalizando em voz alta as próprias inseguranças, mas ele tinha que ser sincero com Baji, ele merecia essa sinceridade.
— Não é um segredo que eu sou homossexual — começou a falar, mesmo que o nervosismo queimasse na boca do estômago — E eu tenho certeza de que a escola inteira já sabe disso.
— Sim — Baji concordou com o óbvio — Mas o que isso tem haver comigo estando aqui com você?
— Tem tudo haver, Baji — conteve a vontade de suspirar — O que você acha que as pessoas vão pensar de você ao te verem assim comigo?
— E eu tenho lá cara de saber o que elas pensam? Pareço alguém que quer saber o que elas pensam?
— Você realmente não se importa?
— Por que me importaria?
Chifuyu realmente estava surpreso, não conseguia expressar a imensidão de pensamentos que borbulhavam em sua mente, em choque por não acreditar que pessoas assim poderiam existir.
— Se lembra de que eu falei que alguns jogadores de futebol não foram muito legais comigo?
— Sim, um bando de idiotas — Baji resmungou, o que fez com que Chifuyu sorrisse um pouco, mesmo com que estava prestes a confidenciar.
— Então...
— Espera, é o que estou pensando? — a expressão do mais alto estava, agora, completamente séria.
— Provavelmente — Chifuyu riu fraco, mesmo que os seus olhos demonstrem tristeza e desconforto.
Baji sentiu como se um poço de raiva tivesse sido descoberto dentro de si, realmente, seres humanos conseguem ser muito podres quando querem.
— Eu realmente não sei o que te dizer — falou, depois de alguns segundos em silêncio, somente absorvendo o que tinha acabado de escutar — Mas sinto muito por você ter passado por isso.
— Não se preocupe, já faz tempo e não tem...
— Não ouse falar que "não tem problema".
— Baji...
— Porra, Chifuyu... — resmungou, passando a mão livre pelo cabelo, que estava solto e jogado pro lado — Você não deveria ter sido tratado assim. Ninguém deve ser tratado assim.
— Eu sei, realmente sei...
Baji se viu frustrado ao ver Chifuyu assim, completamente irritado pelas coisas que o loiro já teve que passar, mas ele faria questão de fazer tudo diferente. Por Chifuyu, valeria a pena fazer qualquer coisa.
— Toma o resto da sua bebida — o moreno falou.
— O que?
— Tive uma ideia e preciso que você confie em mim.
— Eu confiei em você e perdi no beer pong — brincou e Baji riu, balançando a cabeça em negação.
— De verdade, confia em mim.
— Tudo bem.
Os dois logo tomaram seus respectivos copos, os colocando vazios em cima da bancada, e Baji voltou a entrelaçar os próprios dedos com os de Chifuyu, agora, o guiando na direção da pista de dança. O loiro já sentia um pouco do efeito do álcool, como não tem costume de beber, o corpo não está completamente acostumado, mas não chegava a ser um nível preocupante.
Assim, ao praticamente chegarem bem no meio, Baji falou contra o ouvido de Chifuyu que já voltava, desaparecendo pela multidão logo em seguida, não deixando que o outro argumentasse ou conseguisse dizer alguma coisa.
Foram somente instantes, mas para o Matsuno pareceram a eternidade, sentindo os olhares das pessoas sobre si, que mais pareciam navalhas.
No meio da espera pela volta de Baji, algo chamou a atenção do loiro.
A música tinha parado, foram poucos segundos, mas o suficiente para a multidão de pessoas reclamar.
Porém, ela logo voltou a ser ligada, mas já não era a eletrônica que estava tocando antes.
Agora, Sweater Weather, The Neighbourhood, tocava em todas as caixas de som espalhadas pela casa.
Chifuyu reconheceria a batida inicial a quilômetros de distância, simplesmente é um das músicas favoritas do loiro.
Então, como um passe de mágica, Baji voltou a aparecer no campo de visão dele.
All I am is a man
(Tudo que eu sou é um homem)
I want the world in my hands
(Eu quero o mundo em minhas mãos)
Foi aí que Chifuyu começou a entender o que tinha acontecido, Baji tinha trocado a música.
Mas por que?
I hate the beach, but I stand
(Odeio a praia, mas permaneço)
In California, with my toes in the sand
(Na Califórnia, com os meus dedos do pé na areia)
— O que você está fazendo? — perguntou, confuso e com certo receio, ao sentir ambas as mãos serem seguradas pelas do moreno e ser levado para ainda mais o centro da pista de dança, onde as pessoas começavam a notar a movimentação dos dois.
— Você sabe o que essa música significa? — Baji ignorou a pergunta de Chifuyu, enquanto passava a mão pela cintura do mesmo, praticamente colando os corpos.
— Baji, o que você está fazendo?
— Primeiro, responde o que te perguntei — o mais alto sorria, fazendo com que Chifuyu se distraísse e mal percebesse que tinha começado a dançar, com Baji, uma de suas músicas favoritas.
— Eu não sei. Talvez intimidade? — ele estava nervoso, começava a notar como as bocas estavam muito próximas, conseguia sentir o leve cheiro de álcool que saía da boca de Baji.
— Pra mim, ela narra a história de um casal. Os dois começam criando intimidade, se conhecendo e também começando a saírem em encontros. Então, é onde os primeiros toques e a atração também se instalam.
She knows what I think about
(Ela sabe o que eu penso)
And what I think about
(E o que eu penso)
One love, two mouths
(Um amor, duas bocas)
One love, one house
(Um amor, uma casa)
No shirt, no blouse
(Sem camisa, sem blusa)
Just us, you find out
(Só nós, você vai descobrir)
Nothing that wouldn't wanna tell you about, no
(Nada que eu não queria te contar, não)
Chifuyu sentia que o seu coração sairia pela boca, tudo estava quase como um frenesi e até os fios de cabelo em sua nuca estavam arrepiados.
— Sabe o que eu acho mais legal dessa música? — Baji perguntou.
O loiro negou com a cabeça, não conseguia dizer uma única palavra.
— Você pode considerar que ela não tem um gênero definido. Então, acho que com certeza é uma ótima música para um bissexual acabar falando sobre os próprios sentimentos.
Foi aí, que os olhos de Chifuyu se arregalaram, juntando as peças dentro da própria cabeça.
Baji estava se assumindo, no meio de uma festa, por ele?
Além de praticamente se declarar?
'Cause it's too cold
(Porque está muito frio)
For you here and now
(Para você aqui e agora)
So let me hold
(Então me deixe segurar)
Both your hands in the holes of my sweater
(Suas duas mãos nas mangas do meu suéter)
— Eu sei que tinha falado que se você quisesse, eu viraria uma tartaruga, mas eu passei a semana inteira querendo te beijar.
Chifuyu estava sem palavras, completamente desconcertado com tudo o que estava acontecendo nos últimos minutos. Algo gritava dentro da sua mente para que se afastasse, fugisse dali, sumisse da frente de todas aquelas pessoas, que os olhavam atentamente, vendo os dois balançarem no ritmo da música, que retumbava dentro do Matsuno.
Foram tantas experiências ruins e diversas vezes que tinha sido tratado somente como objeto, ou até mesmo como uma válvula de escape. Dentro de lugares pequenos e escondidos, Chifuyu servia para muitas coisas, mas em público e festas, era somente mais um colega de turma, ou nem isso, às vezes era um mero desconhecido.
Porém, ali estava Baji, com os olhos castanhos brilhantes, encarando Chifuyu com certa expectativa e admiração.
Não tinha planejado isso, estava, mais uma vez, agindo no impulso, como na vez que tinha o chamado para o primeiro encontro. Porém, ele não estava achando ruim, conseguia sentir os olhares de todas as pessoas da festa, até imaginava no que os próprios amigos poderiam estar pensando, mas ele só se importava com um olhar, que é o de Chifuyu.
— Chifuyu, eu... — Baji estava preparado para voltar a falar, talvez pedir desculpas, ele já não sabia.
Esse é o problema de se agir no impulso, às vezes não se tem um plano B.
Porém, o plano A tinha dado extremamente certo.
— Eu também passei a semana inteira querendo te beijar.
Foi o que Chifuyu disse, antes de segurar o rosto de Baji com as duas mãos e finalmente beijar quem seria o seu futuro namorado, quem o faria se sentir a pessoa mais sortuda do mundo.
Beijar a pessoa que o pediria em namoro duas semanas depois desse primeiro beijo, com um pedido sendo feito no restaurante favorito deles de Yakisoba, com uma reserva somente para os dois, além de um enorme buquê de peônias laranjas, as flores favoritas de Chifuyu.
Beijar a pessoa que curaria todas as inseguranças que desenvolveu em relação a si próprio.
Beijar a pessoa com que enfrentaria um mar de adversidades, como o pai de Baji não aceitando o namoro dos dois e realmente se transformando completamente perante o próprio filho, o que faria com que o moreno acabasse se mudando para a casa do namorado no final do ensino médio.
Beijar a pessoa que seria o seu parceiro de vida, fazendo planos e mais planos sobre as mais diversas coisas, como adotar um gato preto, viajar para a Tailândia e ir pular de bungee jump na Nova Zelândia.
Nesse dia, na primeira festa que foi depois de se mudar para a Califórnia, onde se permitiu sentir e se achar digno de poder se arriscar em busca da própria felicidade, Chifuyu beijaria e se declararia para a pessoa que seria o amor da vida dele, marcando o início de uma das mais lindas histórias de amor.
Oi de novo!
ELES, SOMENTE ELES!!!
Sério, eu COMPLETAMENTE rendida pelos Bajifuyu aqui na fic, tão perfeitinhos que chega a aquecer o coração 😭😭😭
Amei muito também trazer o pessoal no ensino médio, vivo falando de coisas que aconteceram no passado, mas nunca cheguei a mostrar como eles realmente eram e adorei ter a oportunidade de fazer isso por meio do especial!
(Nem escrevi 13k de palavras nesse capítulo...)
Bem, espero de verdade que tenham gostado! Não esqueçam de votar e de comentar (AMO ler o feedback de vocês)!
Até a próxima! ♥︎
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