Saudade: Azul.

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Escrevi dezenas de mensagens para você
Apaguei, escrevi de novo, apaguei, escrevi..
Eu te queria, deus como eu te quero
Nunca aprendi a deixar de te querer.

Você é meu "apesar".

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Estávamos juntos a dois anos e oito meses, quase fazendo três anos, estávamos planejando algo diferente, algo especial mas nada muito grande.

Hoje estávamos de folga, eu estava terminando de lavar a louça enquanto Namjoon lia algum livro no sofá da sala. Era um dia de verão, estava um clima muito agradável e poderíamos ficar o dia todo em casa se enchendo de carinhos e se enjoando um do outro (como se isso fosse possível).

Término de lavar a louça, seco minhas mãos e vou até a sala encontrando meu namorado completamente concentrado em algum livro sobre algum autor que morreu a milhões de anos luz que eu jamais conseguiria pronunciar o nome.

- eu estava aqui pensando "nossa porque meu namorado tão lindo e cheiroso não estava grudadinho em mim no seu único dia de folga da semana", aí eu venho aqui na sala e meu namorado lindo e cheiroso está paquerando seu amante com um nome ingemivel..

Faço uma leve birra enquanto me sento na ponta do sofá aonde estão seus pés, colocando-os em meu colo e massageando de vagar. Esperando alguma resposta de Namjoon, que não veio.

- mas tudo bem né.. eu também vou falar com meu amante então, já que pra namorado eu não to servindo mesmo.. - pego o controle da tv e ligo procurando um filme aleatório.

Novamente, sem resposta de Namjoon.

- amor! - falo um pouco mais alto o olhando com o semblante magoado, quase como um cachorrinho abandonado, um bico quilométrico nos lábios e os olhos grandes cheios de água. Um ator perfeito.

Finalmente recebo a atenção de meu namorado que ao ver meu rosto da uma risadinha leve e marca a página do livro, assim o fechando.

- oh minha vida, o que houve? - diz deixando o livro em seu peito coberto pela camisa do Theo Doors.

- "o que houve"? Ora o que houve! Meu namorado prefere um livro do que a mim!

- o que!? Claro que não bebê - ele sorri com a minha manha, conhece a peça de cabo a rabo.

- nem venha com esses apelidinhos não, você estava aí, me ignorando, me trocando por esse, Gosgoeviski aí

- KAKKAKAKKAK como é??

- para Nam! Eu não sei falar essa coisa! Esse nome horroroso!

- KAKAKAKA OH MEU AMOR - coloca a mão na testa rindo incrédulo - Dostoiévski, é Dostoiévski vida

- isso esse aí, esse nome ingemivel! Você prefere esse russo morto do que a mim!

- ingemivel!? Kkakakaka está para dicionário novo hoje amor??

- ah sai pra lá Namjoon! - me emburro mais já me levantando para sair do sofá quando sinto as mãos grande de Namjoon me puxarem pelo quadril para deitar do lado dele.

- nada disso, vem aqui bebê - da um selinho em minha bochecha - não estou te trocando nada, perdão demorar para te escutar.. eu realmente estava muito concentrado - acaricia meu bico emburrado e sorri bobo - não queria te ignorar, claro que eu prefiro você! Eu escolheria mil vezes você amor!

- escolheria nada, nem quer saber mais de mim, só quer seus livros, seu trabalho e suas aulas avançadas de inglês com aquele britânico metido..

- oh meu deus - ri baixinho.

- é tão verdade q esse russo tá ocupando meu lugar! Amor você dorme com ele no seu peito, as vezes de noite eu vou deitar no seu peito e sinto essa capa dura no meu lugar..

- meu amor você está com ciúmes de um livro? É sério? - disse tirando o livro de cima do seu peito e colocou na mesinha de centro.

- não é ciúmes.. mas o namorado é meu e eu quero poder tocar, deitar, beijar e falar com ele quando eu quiser sem um russo feioso no meio!

- oh amor.. - sorri e da selinhos pelo meu rosto e me puxa para seu peito com calma - perdão meu bem, você sabe que eu gosto de ler e me perco nas histórias, as vezes sem querer eu durmo.. e você acaba dormindo sempre mais cedo que eu, é sem querer amor, vou cuidar para não fazer mais ok?

- hum.. - o abraço e me aconchego em seu peito - acho bom viu? - passo a minha perna entre as dele e deixo uma das minhas mãos por baixo de sua camisa acariciando seu abdômen.

- prometo bebê - ele sorri todo bobo e acaricia meus cabelos com uma mão e com a outra acaricia minhas costas. - eu queria te contar que recebi uma proposta da quela editora Americana que eu estava tentando..

- sério!? - me levanto um pouco e olho para Namjoon com os olhos arregalados.

- uhum - sorri leve.

- amor isso é incrível! É.. é incrível mesmo! Parabéns!! - sorrio e dou vários selinhos em sua boca antes de finalmente nos beijarmos.

Quando separamos o beijo Namjoon me olha com o rosto feliz, mas com o olhar caído.

- o que foi? Não gostou da proposta? - acaricio seu rosto.

- não é isso.. bem.. mais ou menos..

- como assim? - me sento no sofá o olhando confuso, logo vendo Namjoon se sentar também e respirar fundo.

- é que.. para que eles possam lançar o livro eu tenho que me mudar para lá.. para participar de toda a organização.. eu já tenho cidadania norte americana por causa do meu pai, mas.. eu não sou Americano, não estou lá para participar ativamente da produção do livro, e eles também não podem publicar meu livro se eu não for americano..

- ... O que.. o que quer dizer? - sinto meu corpo ficando rígido, os batimentos cardíacos um pouco doloridos, não era bom. Eu tinha certeza que não era bom.

- Quero dizer que.. essa editora é muito famosa, é uma das editoras mais grandes do mundo, poderia alavancar minha carreira de um jeito que aqui na Coreia eu não conseguiria.. e.. para isso acontecer eu não posso ficar aqui..

- em média.. em média quanto tempo?

- bem.. mais ou menos... Um ano.. um ano e meio, talvez dois anos.. talvez mais..

- você não sabe?

- não tem como eu saber.. é todo o processo do Green card, moradia, iniciação da edição do livro, capa, divulgação.. tudo isso e..

- e os Estados Unidos é um sonho seu..

Nunca esqueci desse olhar, de quando nossos olhos se encontraram cheios de lágrimas, com as mãos tremendo, sabíamos o que significava.

- amor... Se você não quiser que eu vá eu não vo..

- não diga isso! Você não pode desistir disso por minha causa, não não... Claro que não Nam - toco sua mão com calma mas firmeza.

- eu não quero te deixar.. não posso, não sei lidar com isso..

- eu poderia tentar o Green card também..

- demoraria muito.. você sabe que é muito difícil e você não tem descendência, podemos... Podemos tentar relacionamento a distância!

- namu.. não vou fazer isso com você, vai ter uma diferença de horário imensa, uma diferença de vida, você vai estar focado na sua carreira, no livro, os relacionamentos criados, tudo isso.. se mudar, migrar, não é fácil.. relacionamento a distância é muito difícil, ainda mais de país.. não posso te privar de fazer as coisas lá, de conhecer as pessoas de lá, de.. - engulo a seco e respiro fundo tentando não explodir com as lágrimas.

- mas eu posso lidar com isso! Jinnie por você, por nós, posso fazer tudo! Podemos aguentar um ano ou dois distantes, voce pode ir me visitar lá também!

- com que dinheiro iria para os estados unidos Nam? E não sabemos quanto tempo você vai precisar ficar fora.. talvez vc nem queira voltar de pois de ir pra lá!

- eu.. eu..

- qual o prazo para você dar a resposta?

- hoje..

- h-hoje!? Você.. a.. quanto tempo você estava escondendo isso de mim!? - solto sua mão e o olho assustado.

Namjoon não responde, apenas desvia o olhar e mexe na barra de sua camisa.

- por que não me contou?.. eu achei que.. você sabe que eu sempre vou torcer por você, por tudo que fizer..

- e-eu sei que sim.. eu fiquei com medo.. eu fiquei com muito medo dessa ser sua resposta.. - as lágrimas dele caem sob sua camisa e ele funga baixo.

- amor.. - chego perto dele chorando também e o abraço sendo retribuído com rapidez, Namjoon me puxa para seu colo com necessidade, como se precisasse de mim colado nele, provando que estou ali. - mas você não quer ir?

- é claro que quero.. mas eu não.. não quero t-te deixar a-aqui.. se você falasse n-não eu não iria.. eu ficaria, se você me pedisse eu ficaria - me olha choroso e aperta minha cintura com força.

- Namjoon.. vida.. - acaricio seus cabelos e encosto nossas testas - jamais que eu iria te impedir de realizar um sonho desses, desistir de uma chance dessas..

Estava me controlando ao máximo para não transparecer meu desespero, senti minha ansiedade berrando, tudo queimava. Precisava me manter calmo por Namjoon, precisávamos de um de nós razoavelmente são ali.

- mas..você não pode ir, não tem um prazo, não.. não podemos terminar.. não tem nada, eu posso.. eu posso nunca voltar, e se eu ficar famoso? E se vc me odiar? E se eu esquecer você? E se você me esquecer!?

- não vamos nos esquecer um do outro, claro que não.. nunca jamais vou te odiar meu bem, você é a pessoa mais especial da minha vida.. e se você ficar famoso ou nunca mais voltar é um sinal de que tudo valeu a pena! De que cada passo seu até aqui valeu a pen..

Namjoon me beijou com necessidade, desespero, amor, nos abraçamos com força e tentávamos de alguma forma incomum e desencaixada se fundir um no outro. O sentimento avassalador de perda, era como se tudo fosse mentir ainda, a ficha não caiu, ficaria pendurada por um tempo, tudo ia perdendo o sentindo e aos poucos nos transformamos em um sexo violento, necessitado, erótico, cheio de sentimentos como um turbilhão de emoções rodando tudo. A incerteza, a raiva da incerteza e o medo, parecia o jeito certo de tentar "descontrair" ou "esquecer" que o mundo parecia desmoronar sob nossos pés.

-- 𔓕 --

Como se o tempo se dissolvesse de uma forma dolorosa.

No final da noite anterior você deu sua resposta para a editora. Lembro-me de estar sentado na cama vendo você escrever o e-mail e pensar que não sabia mais viver sem você, que estava perdido sem você, quando você enviou aquele e-mail e se virou na cadeira para me olhar, seus olhos tão lindo cheios de lágrimas encontrando os meus. Estávamos com o peito dolorido, tudo parecia uma turbulência.

Na semana que se passou organizamos suas coisas, suas documentações, procuramos apartamentos, convertemos dinheiro, arrumamos a casa. Aos poucos você estava saindo da minha vida, eu via, você via, aos poucos tudo o que construimos estava ficando menos "nós".

Passamos a semana toda chorando, nos beijando, transando, aproveitando cada segundo possível para nos termos mais um pouquinho. Sabíamos que era o final, sabíamos que estávamos nos despedindo de algo inesquecível, da juventude vivida junta, das memórias. Talvez fosse o turbilhão, talvez fosse por conta da idade ou do apego emocional de se conviver diariamente juntos, talvez fosse o amor, não sabíamos, simplesmente não sabíamos, mas tudo parecia ser o fim.

Não era o fim.

Duas semanas depois tudo estava pronto, suas malas, suas caixas, as lembranças, tudo, você iria se mudar, iria me deixar. Parecia irreal de mais, mas estava bem ali na minha frente para me lembrar que não era mentira.

Eu não quis te levar para o aeroporto, não suportaria, eu morreria se te visse partindo assim. Sinto que eu estava morrendo de qualquer modo, você era parte de mim.

Parece muito drama, parece muito exagero, mas quem amou conhece esse sentimento.

Era amor. É amor.

Você chamou o Uber, colocamos todas as caixas no carrinho para você descer com mais facilidade as coisas do apartamento, estava tudo na porta de casa esperando. Te esperando.

Eu lembro de estar vestindo uma camisa sua, velha, muito velha, era a camisa que você me deu quando ainda estávamos na faculdade, um mês depois de termos nos conhecido. Era do do Snoopy com fundo azul escuro, eu estava com uma calça de moletom preta e pantufas pretas também, meu rosto estava completamente inchado do choro, meus olhos e nariz vermelhos, minha boca inchada e trêmula, eu não conseguia parar de chorar. Você estava usando uma calça social preta, uma camisa branca, estava com seus tênis, um casaco nos braços, uma mochila cinza nas costas, estava limpinho e arrumado, mas também estava chorando muito.

Eu fui até você com calma e te olhei no fundo dos olhos, você sorriu de leve e me abraçou.

- eu sempre vou te amar, você sabe disso não é? Não importa aonde eu esteja, o que eu esteja fazendo, vou te amar, quando você precisar eu vou vir correndo, voando, não esqueça de mim, não precisa se afastar, não faça isso..

- eu te amo... Eu te amo tanto - só consegui pronunciar essas palavras e apertei sua camisa com força chorando.

- eu também te amo.. - levantou meu rosto com calma e me beijou, foi um beijo longo, calmo, demorado, elétrico, sentia tudo queimar, faiscar, era como se fogos de artifício explodissem ao redor do mundo todo. Você sempre me fazia sentir assim.

O aplicativo notificou no seu celular, o motorista estava lá, te esperando. Nos olhamos, não conseguimos falar nada, não nos mexemos por algum tempo, o aplicativo notificou de novo, só então você abriu a porta, você saiu, você apertou o elevador, entrou no elevador, nos encaramos de novo, e você foi embora.

Eu fechei a porta de casa, sentei no chão, e chorei, chorei e gritei, me debati no chão e me desesperei, tudo doía, era como se eu tivesse perdido tudo. Eu acho que perdi tudo.

Eu poderia ter mordido ali mesmo, mas não morri, deus.. como eu tive forças para continuar?

Kim Namjoon era uma pessoa incrível, um homem cheio de palavras e ações, um amor intenso, inexplicável, inesquecível, imperdoável. Era único.

Fiquei sentado na quele chão de madeira olhando para a casa, ainda parecia mentira, não sei quanto tempo fiquei em estado de choque, no transe, foi o suficiente para o céu escurecer e eu sentir frio.

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Não sei exatamente quanto tempo demorou, acho que fiquei duas semanas inteiras cheio de sequelas pela falta de Namjoon.

O tempo é definitivamente rápido, dolorido, os dias passam como se não fosse nada, mal pude contar os dias corretamente, os anos não pareciam tanta coisa quanto realmente eram. Era nos detalhes que eu percebia a diferença, a distância, as vezes eu tinha medo de que você me esquecesse.

O sono era ruim, a comida era ruim, levantar da cama era ruim, trabalhar era ruim, andar pela casa era ruim, ver nossas fotos era ruim, ver seu Instagram era ruim, ver suas mensagens era ruim, tudo era ruim. Tudo era péssimo, eu não sabia viver mais, era como se tivesse desaprendido a andar.

No primeiro ano, conversamos quase que normalmente, gradativamente foi diminuindo, acompanhávamos um ao outro e tentávamos nos incentivar a continuar tudo.

No segundo ano, eu já tinha me mudado, era tortura de mais morar no mesmo apartamento, me mudei para um menor já que estava sozinho, guardei todas as nossas coisas em uma caixa e a deixei em cima do armário, para evitar de ver, já nos falávamos bem menos, mas ainda nos procurávamos. Você não havia ido visitar a Coreia nenhuma vez.

No terceiro ano, as coisas pareciam melhores, mas ainda te amava, te amava como se nunca tivesse ido embora, eu nunca soube se você sentia o mesmo até ler seu último livro, o livro que você foi publicar na editora estado unidense, era sobre nós.. agora fazia sentido você nunca ter me deixado ler nada. Você publicou o livro no dia que começamos a namorar, colocou uma dedicatória no início e uma no final, você não contou que era para mim, bem.. não para os outros, mas você me mandou um áudio no dia que contei que comprei o livro e que li, mandei um texto enorme e vários áudios falando de como eu tinha amado o livro, e então você mandou um áudio dizendo "é você, é sobre você, é sobre nós, tudo se resume a nós, apesar de tudo".

Mesmo depois da publicação você não voltou para a Coreia, você não quis vir, o quarto ano foi quase como um raio, eu não vi passar. Lembro-me de ter rezado um dia, eu nem sei de que religião eu sou, acho que não tenho nenhuma. Mas eu me perguntei se ainda era possível que você me amasse, se você ainda voltaria, e eu pedi por uma resposta, uma benção, alguma esperança.

E então, o quinto ano veio, e com ele a esperança.

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Apesar de tudo vou te amar como um dependente, seu amor é minha droga, eu mergulharia e teria uma overdose em seus braços, morreria por você.

Apesar de tudo, você não está mais aqui, não estamos mais juntos.

Apesar de tudo, eu te quero, te quero como se pudesse morrer a cada instante que não te tenho. Penso como um louco se você me queria assim, se me quer assim, se você desistiria de tudo por mim.

Apesar de tudo, se você voltasse, meu coração se derreteria como mel e eu me fundiria nas lágrimas do medo. Você ainda vai me amar do mesmo jeito da qui alguns anos?

Você é minha perdição, tudo começa e termina com seu nome, me sinto doente por você. Eu deveria parar por aqui.

Como posso amar alguém tanto assim?

[Apesar - Kim Namjoon]

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A quanto tempo não é? Eu achei que eu iria postar isso rápido, o plano era ter escrito outro capítulo ao invés desse, mas eu percebi que eu não iria ter tempo e nem como me dedicar a escrever o que eu tinha planejado para ser o capítulo publicado no lugar desse.

Irei publicar o capítulo planejado outro dia, talvez o próximo capítulo seja esse, veremos.

Peço mil desculpas pela minha demora, espero não demorar para escrever o próximo capítulo.

Espero que tenham gostado!

Sem revisão!

Votem!

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