𝐄𝐍𝐓𝐑𝐄 𝐎 𝐈𝐍𝐅𝐄𝐑𝐍𝐎 𝐄 𝐀 𝐋𝐔𝐙 - 𝐏𝐀𝐑𝐓𝐄 𝟏 (+𝟏𝟔)
Atenção: Esse capítulo contém menção à violência, tortura, suicídio e tentativa de estupro. Caso seja sensível aos temas acima, pode pular o capítulo.
E recomenda-se ler o capítulo no tema claro.
E é a continuação do ponto de vista do Baji.
Música: Panic Room - Au/Ra
"Lidar com traumas é como tentar consertar um vaso quebrado. Mesmo que possa ficar melhor, nunca será exatamente como antes."
5 anos atrás...
Eu tinha 12 anos quando começou meu inferno...
Eu estava completamente desorientado, tentando me lembrar do que havia acontecido após ser pego pela equipe de segurança do governo. Fui arrastado para um carro escuro sem janelas, e então tudo ficou embaçado.
Me lembro que a casa humilde em que vivia com minha mãe pegou e eu nunca soube se ela havia morrido ou não. Minha mãe era uma boa enfermeira, me ensinou a cuidar, a respeitar e a amar o próximo como a si mesmo.
Se dizem que devemos amar o próximo como a si mesmo, por que existem pessoas que odeiam seu próximo e rejeitam se somos da mesma espécie?
Quando finalmente acordei, estava deitado em uma cama em uma sala escura, cercado por equipamentos médicos e preso numa mesa com correias de couro, incapaz de me mexer e de escapar.
Fui levado para um laboratório clandestino do governo, onde eles faziam testes em humanos para criar super soldados para "proteger a sociedade".
Uma jogada de manipulação.
Eu me sentia sozinho e com medo.
Onde está minha mãe?
Por que estou aqui?
Sem dúvida para uma criança de 12 anos é assustador.
O medo e a incerteza tomaram conta de mim no mesmo instante. Me debati e me sacudi desesperadamente tentando descobrir como escapar dessa situação horrível.
Sem contar, que o ar daquele quarto estava impregnado com um cheiro ácido, queimando minhas narinas e fazendo meus olhos lacrimejarem.
Tudo doía... Meu corpo, minha mente e minha alma.
Eu tentava gritar por ajuda, mas minha garganta estava seca e arranhada.
Eu sabia que precisava encontrar uma maneira de sair dali, mas não tinha ideia de como.
Minha mente estava em branco.
Eu só queria voltar para casa, para minha vida normal. Mas agora, isso parecia impossível.
Eu estava preso, sozinho e à mercê desse lugar.
Logo a enorme porta de ferro que estava na sala se abre, revelando dois médicos.
Médico 1, com a expressão neutra.: Seja muito bem-vindo, meu caro. Vejo que acordou. Espero que esteja se sentindo bem...
— O que vocês querem de mim? Por que estou aqui!? — Berrei nervosamente, tentando me soltar.
Médico 2: Ah, não é nada de mais. Apenas alguns testes, experimentos para avançar a ciência e proteger nossa sociedade. Você é um dos sortudos escolhidos para participar desse projeto. Parabéns. — O médico sorri sarcasticamente.
— Eu não quero participar de nenhum projeto. Quero sair daqui! Vocês não podem fazer isso!
Médico 1, logo acha graça do que falo e segura para não rir: Não pode. Você foi escolhido, e agora faz parte disso.
— Mas eu não consenti com isso. Vocês queimaram meu lar, me separaram da minha mãe e sequestram-me! CADÊ MINHA MÃE!? — Grito exaltado e segurando minha enorme vontade de chorar.
Médico 2, acaricia meu rosto com um sorriso maldito: Por favor, não se preocupe com isso, criança. Isso é para o bem da sociedade. Queremos criar supersoldados, seres humanos com habilidades especiais que possam proteger nosso país. Você será um herói, um símbolo de esperança para o futuro.
— EU NÃO ME IMPORTO COM ISSO! EU QUERI IR EMBORA!
Médico 1, logo ele aperta minha garganta me impedindo de respirar plenamente: Não é assim que funciona, pirralho! Você é nosso prisioneiro agora... Mas não se preocupe, cuidaremos de você e faremos com que esses experimentos sejam indolores e seguros.
— Vocês não podem fazer isso comigo. Eu tenho direitos. — Indago com dificuldade, sentindo meus pulmões doerem com a falta de ar.
Médico 2, para de apertar meu pescoço com seriedade: Desculpe, mas no momento, você não tem nada além de uma escolha: cooperar ou sofrer as consequências. Mas lembre-se, tudo o que estamos fazendo é pelo bem da sociedade. Vai nos agradecer depois.
Eu senti minha pele arder enquanto eles injetavam uma substância desconhecida em meu braço. Minha cabeça girava enquanto meus olhos tentavam se concentrar no teto em cima de mim.
Uma onda de dor percorreu meu corpo enquanto minha respiração ficou ofegante. Eu podia sentir minha pele vibrando e meus músculos se contraindo involuntariamente. Parecia que meu corpo estava se rasgando por dentro.
Comecei a me contorcer na cama enquanto os médicos realizavam seu primeiro experimento em mim. A dor era agonizante, como se meu corpo estivesse em chamas. Tentei lutar contra as correias que me prendiam, mas eram firmes demais.
Eu gritei e chorei, pedindo para que parassem, mas eles simplesmente me ignoraram com suas expressões frias e continuaram a injetar coisas em mim.
Eu sentia como se estivesse perdendo minha sanidade aos poucos.
A maldita agulha entrando na minha pele, a sensação de calor e frio se alternando pelo meu corpo, e a náusea que parecia nunca desaparecer.
Eu queria desmaiar, queria que tudo acabasse, mas a dor só piorava.
Eu me sentia como um rato de laboratório descartável, sendo torturado por esses homens que estavam brincando com minha vida.
Eu queria morrer, queria que tudo acabasse. Mas, infelizmente, o que eu não sabia era que isso era apenas o começo.
Logo seria submetido a mais testes a serem feitos, mais dor a suportar. Eu estava nas mãos desses loucos, sem esperança de escapar.
Finalmente, depois do que me pareciam dias, a dor diminuiu e a injeção parou de pulsar em meu braço.
Fiquei ofegante e suando, ainda sentindo as últimas ondas de dor passando pelo meu corpo.
Era como se tivesse uma overdose, sem ingerir a droga pela boca.
Ao fim do primeiro experimento, os médicos se afastaram, conversando entre si, como se eu fosse apenas um objeto que tinham acabado de testar.
Logo, sem mais explicações, fui solto e arrastado por longos e sinuosos corredores sombrios e frios.
Me jogaram em um quarto frio e sem cor.
Não havia janelas, apenas uma cama, uma privada e uma pia. Eu me levantei com dificuldade, minhas pernas tremiam e ouvir a porta grossa de ferro do quarto ser trancada.
As paredes eram de concreto sólido, sem aberturas.
Me senti como um animal enjaulado, preso sem saber por quanto tempo.
Eu não tinha ideia de quanto tempo eu estaria preso ali ou o que viria a seguir.
Tudo o que eu sabia era que minha vida havia mudado para sempre e que eu estava completamente à mercê desses médicos e do governo que os havia contratado.
Eu perdi tudo... Minha vida... Minha família... E estava prestes a perder minha alma.
Diante de tanta dor, tive que me encostar na parede para me apoiar. Aquilo doía tanto.
Por que eu? EU SOU HUMANO, PORRA!
PORQUE EU TENHO DE SOFRER!? POR QUE ARRANCARAM A FELICIDADE DO MEU PEITO?
EU SOU UMA CRIANÇA QUE PERDEU A PORRA DA LIBERDADE! A PORRA DA INOCÊNCIA! E O MEU CORPO... NÃO É MAIS MEU...
Cadê o cuidado que minha mãe ensinou? Eu queria tanto seu carinho e seu amor agora comigo e curar meu peito dilacerado de dor...
Sem aviso, eu caí na cama e comecei a chorar copiosamente.
A dor ainda pulsava em minha pele e em minhas veias, mas era minha alma que doía mais.
Acabei de perder tudo o que amava - minha liberdade, minha família, meu futuro. Em um instante e sem aviso, arrancaram tudo de mim.
Eu me sentia vazio...
Sem propósito, sem esperança...
Eu chorava em silêncio, sem saber o que fazer a seguir, como sair dali e quanto tempo ia durar.
Tudo o que eu sabia era que a dor física era a menor das preocupações agora.
Eu precisava encontrar uma maneira de sobreviver, de escapar desse inferno e encontrar um novo propósito, agora que estava sozinho.
Mas, por enquanto, tudo o que eu podia fazer era chorar e sentir a dor queimando em minha pele.
O efeito das substâncias desconhecidas afetam meu cérebro e adormeço. Desejando nunca mais acordar...
De repente, um sonho começou a se desenrolar diante dos meus olhos.
Eu estava em uma floresta escura e com as estrelas.
Era noite.
O chão estava coberto de folhas secas e o ar frio e úmido.
A luz graciosa da luz era a única fonte de luz do lugar e ela me conduzia.
Fui movido por um instinto de seguir em frente.
E assim fiz.
Mas assim que andei alguns metros, ouvi rosnado baixo vindo de algum lugar à minha frente e me virei para ver uma pantera-negra parada na minha frente, me encarando intensamente.
Seus olhos eram amarelos como o sol, e ela rosnou novamente, mostrando suas presas afiadas.
Logo percebi o pânico percorrendo meu corpo, mas não pude me mover.
Então, de repente, senti algo estranho acontecendo comigo. Um calor e arrepio intenso.
Minhas mãos se contorcem e minhas unhas cresceram.
Minha pele queimava, como se fosse um fogo interior.
Quando eu olhei para baixo, eu vi que minhas pernas estavam se transformando em patas peludas.
Eu estava me transformando em uma pantera, assim como a que estava me encarando.
Eu senti o medo e a excitação correndo pelo meu corpo enquanto a transformação terminava. Eu abri a boca para rosnar, e então acordei, suando e ofegante.
Com o ato de pânico, eu acabei caindo na cama com a imagem da pantera-negra em minha mente.
Inicialmente, eu não entendi aquele sonho... E demorei para entender seu real significado.
Os dias se transformaram em semanas, semanas em meses, e meses em anos. Eu perdi a conta de quanto tempo havia se passado desde que fui trazido para o laboratório.
Acredito que tenha sido 3 anos, eu já estava com 15 anos.
Mas, uma coisa era certa, os experimentos não cessavam. Cada vez que eu pensava estar terminando, eles encontravam uma nova maneira de me testar, de me desafiar, de me ferir.
Eles não se importavam comigo como pessoa, apenas como um objeto para ser usado em seus experimentos.
Eu era um rato de laboratório, sem voz, sem vontade própria, sem esperança de escapar.
E, sempre que eu tentava resistir, sempre que eu tentava desobedecer, eles me torturavam: me batendo, me dando choques, fazendo ficar longos dias sem comida e bebida...
Eles encontravam maneiras de me fazer sofrer ainda mais, de me mostrar que não havia escapatória e de que eram os poderosos no controle.
Mas tudo mudou quando Chifuyu Matsuno apareceu na minha vida. Eu estava com 15 anos na época e Chifuyu tinha a mesma idade que eu.
E então, o trouxeram para o laboratório.
Eu o vi sendo arrastado pelos guardas, enquanto lutava e gritava em um idioma que eu não reconheci imediatamente.
Ele era alto, loiro e tinha olhos azuis que pareciam brilhar na escuridão do laboratório. Seu nome era Chifuyu Matsuno e ele era um imigrante ilegal, capturado quando estava quase chegando ao país pelo mar.
Ele não sabia onde estava, não sabia o que estava acontecendo e o que aconteceu com os outros que estavam no barco.
Ele estava tão assustado quanto eu estava no primeiro dia em que fui levado para o laboratório, afinal, além de estar em país desconhecido, ele estava em um lugar que não conhecia a existência.
Mas logo descobrimos que ele era diferente de todos nós.
Ele parecia resistir aos experimentos, suportando a dor com uma força que nunca tínhamos visto antes. Eu soube que em seu primeiro experimento, ele lutou com todas as forças e resistiu o máximo que podia.
Ele não aceitava seu destino como um rato de laboratório. Ele era corajoso, determinado, e isso fez com que os médicos gostassem dele.
Ele era forte, resistente e parecia não ter medo de nada. Eu sabia que ele tinha algo especial nele, algo que nos fazia diferentes.
Mas infelizmente viram em Chifuyu um potencial ainda maior do que em mim, um potencial para ser moldado, para ser transformado em algo ainda mais poderoso.
Mas, ao mesmo tempo, eu vi nele a esperança de uma saída, a esperança de alguém que pudesse ajudar a encontrar um caminho para escapar.
No entanto, segundo as "supostas leis" naquele inferno, os médicos não permitiam interação entre as cobaias do laboratório, com medo de que conspirássemos entre nós e elaborássemos um plano de fuga.
Eles nos mantinham separados e monitorados constantemente, garantindo que não houvesse contato entre nós até mesmo nas refeições.
Eu me questionava se isso era para nossa própria segurança ou se era apenas uma forma de mantê-los no controle. Mas, mesmo assim, eu sabia que havia algo especial em Chifuyu. Eu só precisava encontrar uma maneira de contatar com o Chifuyu sem que os médicos soubessem.
Só que 3 dias depois de sua chegada, o quarto ao meu lado ficou vazio. Pois a pessoa que estava aprisionada ao quarto ao lado não aguentou a dor e se suicidou com o lençol disponível no lugar. Suicídios eram bem frequentes em minha estadia, já perdi as contas de quantos tiraram a vida por não suportar o inferno.
O suicídio não é uma escolha, é uma resposta desesperada a uma dor insuportável... A cada dia que estava aqui, eu lutava para manter minha sanidade e não me sucumbir a essa obscuridade. Acredito que isso me fez mais forte.
O novo hóspede do quarto era justamente o Chifuyu. E justamente um milagre aconteceu...
Ao longo dos anos que estava, a parede do meu quarto se desgastava mais que era feita de tijolos velhos e os médicos jamais me trocaram de quarto e nesse dia um tijolo caiu da parede que separava dos nossos quartos e percebi poder ouvir a voz de Chifuyu pela primeira vez.
Uma voz firme com toque de serenidade. E ele estava sussurrando no meu idioma.
Chifuyu, sussurrando nervosamente: Ei, você está aí? Eu posso ouvir você. Entende o que falo?
Não consigo disfarçar minha surpresa.
— Sim, eu estou aqui e consigo te entender. — Sussurro nervosamente. — Quem é você? Como você chegou aqui? Qual seu nome? — Não consegui evitar os questionamentos.
Chifuyu, ainda sussurrando: Meu nome é Chifuyu Matsuno, eu fui pego pela polícia e trazido aqui contra minha vontade. Estava vindo ao seu país ilegalmente para escapar da guerra e da pobreza do meu vilarejo. E você?
— Eu sou Keisuke Baji— Me encosto mais na parede e, por estranho que pareça, estava me sentindo confortável com Chifuyu. — Armaram uma emboscada na casa que morava com minha mãe. Colocaram fogo no meu lar e mataram minha mãe. — Tento sussurrar firmemente tentando disfarçar a dor das amargas lembranças de minha vida antes de estar no laboratório.— Agora, estou preso neste lugar terrível. Você é bem resistente, Chifuyu.
Chifuyu, suspira cansado: Eu vivi e vi de tudo nessa vida. Guerra, forma, perseguição, violência em massa, negação dos direitos... Sim, eu tento não sucumbir a essa dor. Eles realmente querem nos matar por dentro e assim nos manipular... É uma loucura. Eles querem nos transformar em super soldados. Mas eu não quero ser um soldado. Eu quero escapar daqui. Respirar o ar mais puro que eu puder... Você sabe de alguma forma de escapar daqui?
— Eu não sei ainda, mas eu também quero escapar. Estou há três anos aqui— Percebo o olhar de espanto de Chifuyu. — Eu não posso mais suportar isso aqui. Eu sinto falta da minha liberdade.
Chifuyu, concorda com a cabeça: Eu entendo. Sinto falta da minha família. Mas nós temos que ser cuidadosos. Eu percebi que os médicos não permitem que falemos uns com os outros.
— Eu sei. Eles têm medo de que conspiramos e tentemos fugir juntos. Mas nós precisamos fazer algo. — Começo a rir baixo e de um jeito debochado. — Nós não podemos ficar aqui para sempre.
Chifuyu, me encara com um sorriso: Eu concordo. Vamos tentar descobrir uma maneira de escaparmos juntos. Eu sinto que podemos confiar um no outro.
E assim continuamos nosso diálogo, descobrindo que tínhamos muito em comum.
Ambos fomos levados para o laboratório contra a nossa vontade, ambos sentíamos falta de nossas famílias e ambos queríamos escapar deste lugar terrível.
A parede podia nos separar, mas encontramos um meio de nos comunicar e de nos confortar mutuamente.
Uma lufada de ar fresco em meio ao inferno em que estávamos presos.
Conversamos por horas, compartilhando histórias sobre nossas vidas antes de sermos levados para este lugar horrível.
Ele me contou sobre sua família e sua vida no país de onde ele veio, enquanto eu compartilhei com ele sobre minha paixão pela cidade, pela minha mãe e as pessoas que eu amava.
Pela primeira vez em anos, senti como se não estivesse sozinho neste lugar.
Chifuyu me deu esperança, ele me fez acreditar que ainda havia uma chance de escapar deste lugar.
Era uma conexão humana em um lugar onde a humanidade era suprimida e esquecida.
A partir desse momento, Chifuyu e eu nos tornamos amigos.
Nos ajudávamos nos momentos de dor e desespero, dividíamos nossas comidas secretas e trocávamos conselhos sobre como escapar daqui.
Mesmo com o risco de sermos descobertos, nossa amizade só cresceu a cada dia. E tudo isso graças a um simples tijolo que caiu entre nossos quartos.
Logo se passou uma semana que Chifuyu chegara no laboratório e nesse meio tempo, elaboramos um plano de fuga. Havia um dia no mês onde todo o laboratório se preparava para a visita de políticas para mostrar os avanços de suas cobaias e os vender como empregados, soldados ou até escravos sexuais.
Infelizmente, abusos sexuais eram frequentes neste lugar e eu tive essa sorte de nunca encostarem em mim para atos libidinosos. Alguns infelizmente não tiveram essa sorte e às vezes era outro motivo para se suicidar.
E por causa desse fator que eu e Chifuyu tivemos que adiantar nosso plano de fuga...
Na véspera do dia do nosso plano de fuga, era madrugada quando eu ouvi a porta do quarto de Chifuyu ser aberta e em seguida ouvi um choro desesperado de Chifuyu.
Chifuyu, desesperado: PARE COM ISSO!
Médico, irritado: Cala a boca, loirinho!
Eu ouvi os gritos abafados de Chifuyu, parecia luta corporal.
Rapidamente me levantei da cama e fiquei desesperado, tentando chutar e derrubar a parede.
Eu comecei a ficar desesperado e nervoso. Não! Eles não podem fazer com Chifuyu! Não vou deixar que violem a pessoa mais doce e incrível do mundo.
Em meio ao desespero eu fechei os olhos, tentando pensar em algo.
E novamente eu vi a pantera-negra. A mesma pantera que sonhava toda noite nesses 3 anos.
Ela me olhou profundamente, percebendo o meu desespero e meu desejo de proteger aquilo que amava.
Eu tinha certeza... Eu amo aquele loiro e não vou deixar que o violem!
A pantera se aproximou de mim e pulou em cima do meu corpo, me deixando surpreso. Nossos corpos se fundiram e senti um calor intenso em meu corpo. O meu corpo se contorceu de dor, mas consegui resistir. E quando me dei conta, eu estava enfiando consecutivas vezes as garras daquele que ousou tentar abusar do Chifuyu.
Meus pelos pretos entravam em contraste com o vermelho do sangue do médico. Meus olhos amarelos estavam cheios de raiva e meus caninos afiados. Me sentia no controle de tudo.
Um cenário bem assustador.
Chifuyu, pálido e nervoso: BAJI! ACORDE! POR FAVOR... — Ele suplica choroso ainda na cama.
Finalmente, com o grito de Chifuyu eu percebi o estrago que havia feito.
Eu derrubei a parede que dividia os quartos.
Chifuyu estava na cama em prantos me olhando assustado.
Eu estava em cima do corpo do médico que estava só de cueca e que tentou abusar de Chifuyu.
Ele estava morto. E o assassino sou eu.
Eu fico desesperado com o que fiz. Minha raiva me dominou e eu acabei com uma vida.
Amar o próximo como a ti mesmo? Como vou amar alguém me machuca?
Logo volto a minha forma humana desesperado e choro copiosamente, me deixando levar pelo desespero e o choque? Quando descobrirem que matei o médico, é o fim para mim. Eu quero morrer...
Mas logo senti o abraço de Chifuyu. Um abraço de consolo, misturado com medo. Chifuyu sentia que eu precisava mais de consolo que ele...
Chifuyu, em lágrimas, sussurrou em meu ouvido: Baji-san... Não foi sua culpa... Eu estou bem... Você me protegeu... Se tivesse concretizado o ato, era eu... — Ele não ousou continuar e aperta mais o abraço.
Finalmente, eu chorei. Deixei meu medo se manifestar em lágrimas. Desde o primeiro experimento que sofri, eu jurei não chorar nunca mais... Mas não consegui aguentar... No fim das contas, eu sou humano...
E foi assim o início de nossa fuga eletrizante...
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