4⚡CHAPTER TWELVE: UM MUNDO SEM O FLASH
Chapter Twelve; Um Mundo Sem O Flash
E ali ela estava mais uma vez. Podia ver o céu estrelado. Cada estrela tomando sua forma no céu. Papeis jogados, cama desarrumada. Eram características conhecidas na palma da mão de sua versão mais jovem. A loira visitava seu velho quarto, na casa de seu pai. Ainda estava como ela deixou. Joe não havia mexido em nada, o que era impressionante devido seu inevitável gosto por arrumar as coisas. Ali era como um refúgio. Um ponto de fuga em meio a tanta confusão. Jane não conseguia dormir em seu apartamento. Estava tudo tão silencioso. Ela nem imaginava como Barry estava na prisão de Iron Heights. Apertado, sozinho, triste... Aquilo machucava o coração da loira de uma forma que nunca havia sido machucada antes. Ali ela via como DeVoe havia vencido. O Time Flash dançava como marionetes controladas por ele.
— Jane? — Uma voz ecoou por seus ouvidos, vindo de trás sorrateiramente.
— Oi, pai. — Ela o respondeu.
— O que está fazendo aqui?
— Só... Visitando memórias. Não consigo dormir no apartamento.
— Eu também demorei a conseguir dormir aqui sem você e a Iris... Mas com o tempo você se acostuma.
— Está bem tarde.
— Sim, está. Tenha uma boa noite, pai.
E saiu dali após abraçá-lo. Agora ela iria para um lugar onde tivesse paz. Após entrar, caminhou devagar pelo gramado. Agachou-se e viu o nome de sua irmã estampado na lápide. O cemitério estava escuro, mas Jane não o temia. Não tinha nada ali para ela temer. Ela já havia encarando o próprio mal várias vezes de maneiras diferentes, personificações ao longo de vidas... Thawne, Zolomon, Savitar, sua sósia e DeVoe. Não tinha o que temer no escuro. A loira deixou flores para sua falecida irmã e ficou ali parada, sorrindo, descansando. Iris não merecia o que tinha acontecido com ela. Depois de perder o amor de sua vida, Eddie, ela ainda tentou lutar contra seu próprio futuro pela felicidade de sua irmã para, no fim, ter seu coração atravessado. Ela havia se sacrificado. Havia escrito seu destino. E, nele, ela pelo menos era uma heroína. Jane, ao olhar para aquela lápide, sentia ainda mais saudade de sua irmã.
— O Barry foi preso. — Ela contou. — Injustamente, óbvio. Fomos marionetes de um novo vilão. Um vilão mais poderoso. Ele tem super inteligência. Iris, não sei se vamos conseguir. Pela primeira vez em toda a história do Time Flash, eu estou duvidando da nossa capacidade como equipe. Sem o Barry, não somos nada. Sei que sou a mais rápida e que somos inteligentes, mas Barry era a alma do time. Ele nos trazia esperança. — E olhou mais uma vez para as flores. Eram rosas. — Queria que você estivesse entre nós, irmã. Eu sinto saudades. Pelo menos agora você pode descansar.
⚡
— Aquelas pessoas poderiam ter morrido, Ralph. — Caitlin disse-o.
— Joe e os policiais também.
— Que nada, pessoal. — Ele disse em um tom irônico. — Eles estão me chamando de Homem Esticado na TV! Cisco, preciso de um nome. E de um novo traje também. Já estou te pedindo isso há dias, cara.
— Desculpe, Ralph, eu estive um pouco ocupado tentando raciocinar o fasto do Barry estar preso! — Cisco o disse, irritado. Somente agora a ficha de Ralph havia caído.
Jane, vendo tudo aquilo, não esboçou nenhum tipo de reação. Estava cansada emocionalmente. Não possuía forças para gritar. Ela apenas se sentou no córtex.
— Não se preocupe, Jane. — Caitlin disse-a. — Vamos tirar ele de lá. — Ela garantiu.
— O Barry já entrou em uma gangue? — Ralph perguntou à Jane. — Tenho uns amigos por lá. Posso fazer uns telefonema. Eles são especialistas em fuga.
Jane não poderia crer que ele havia dito aquilo. Precisava ter sido ironia.
— Cale a boca, Ralph.
Logo depois, a velocista deu as costas ao time e saiu dali correndo. Caitlin era a única que, de fato, a compreendia. De todos do Time Flash, Caitlin era a mais próxima à loira. Correu e correu. Seus raios percorriam toda a cidade, como o Flash, mas não era ele. E lá ela estava, Iron Heights. O lugar estava mais sujo desde a última vez em que ela fora. Cada vez mais ele ficava descuidado, sem tanta exigência de faxineiros. Barry estava acabado. Tadinho do meu garoto, pensou ela. Olhares fundos, olheiras evidentes, o cansaço estampado. Barry estava muito mal. Os olhos do velocista brilharam ao ver Jane.
— É tão bom te ver! — Ele disse quase chorando. Parece que já havia chorado tanto ao ponto de não ter mais lágrimas para expressar. — Eu estou tão, tão feliz...
— Eu também, meu amorzinho. Como está?
— Não é tão ruim quanto eu pensei. — Definitivamente estava mentindo.
— Tenho analisado todas as provas com meu pai. Vamos te tirar daqui, Barry.
— Sei que vão. — Ele disse em um tom garantido. Jane não poderia falhar com ele. — E como vai o resto da equipe? Eu vi o Ralph na TV.
— Ralph... — Repensou o que iria dizer. — Ele está ficando exibido, arrogante.
— É, eu também fiquei assim quando comecei. Acontece.
— É... — Ela disse tanto não prestar atenção em outra coisa se não no azul nos olhos de Barry perdendo seu brilho conforme mais ele ficava naquele lugar. Aquilo doía muito.
— Jane, está tudo bem.
— Não, não está, Barry. Eu não consigo acreditar que esse é a nossa nova rotina. Não quero que essa seja nossa vida!
— Você vai achar um caminho. Eu sei que vai.
E o tempo estava acabando. Logo, Barry teria de voltar para sua cela. O cheiro rústico daquela penitenciária incomodava o nariz de Jane
— Eu só queria poder tocar sua mão novamente...
— Você vai. — Ele disse encostando sua mão no vidro. — É uma promessa. — Ela encostou sua mão no outro lado do vidro que os separava. Ele ainda possuía brilho nos olhos. Ainda era otimista. DeVoe havia feito ele parecer alguém cruel, mas que mal aqueles olhos azuis poderiam fazer? — Te vejo amanhã de novo?
— Todo amanhã. Todos os dias eu virei até aqui, sem falta.
E sorriu ao ouvir a resposta de sua garota. Aquele sorriso era tão puro. Logo depois ela devolveu o telefone, que permitia a comunicação entre os vidros, ainda com um pesar em sua consciência. Ela não queria deixa-lo, mas não tinha opção. Logo depois, ela saiu dali. Sua vida havia perdido o rumo. Sua irmã estava morta, seu marido preso, o Time Flash estava em uma fase ruim, seu irmão não estava ali presente... Ela se sentia extremamente sozinha. Quando corria, livrava sua mente de seus piores pensamentos. Se sentia liberta. A dor ia embora conforme ela sentia o vento bater em seu rosto a medida que suas veias se eletrizavam. Foi quando percebeu algo que poderia fazer. Aquilo libertaria Barry da prisão e derrotaria DeVoe em um piscar de olhos. Ela já havia tomado uma decisão, e não voltaria atrás. Uma brecha se abriu e ela atravessou. Fechara seus olhos e imaginava o exato momento do natal. Ela iria mudar o passado, mesmo que isso significasse criar um próprio Ponto de Ignição. Ela podia sentir que estava conseguindo, quando mãos a tocaram e a puxaram. Onde estava? Parecia Central City, porém drasticamente diferente. Era como se a cidade tivesse sido estruturada inversamente. Seria uma cidade parecida? À sua frente estava a resposta. Roupas vermelhas com um gigantesco raio ao peito, aparência mais envelhecida e um elmo prateado na cabeça.
— Jay?
— Bem vinda à Terra 3, Fúria Escarlate. Venha comigo.
Ambos caminhavam até um restaurante daquele universo paralelo. Era bem elegante, pois se tratava de uma lanchonete temática dos anos 60. Até mesmo o cheiro de jornal velho era proposital. Jay e Jane se sentaram à uma das mesas. Ele a encarava como se nada tivesse acontecido. Afinal, por que ele me trouxe aqui? Pensou ela, confusa.
— Eu adoro este lugar. Sinta só esse cheiro.
— Jornal velho?
— Antiguidade...
— Jay, por que estou aqui, afinal?
— O que pensa que estava fazendo, mocinha? — Ela não o respondeu. — Se eu deixasse você fazer aquilo, sofreríamos grandes consequências.
— Me poupe. Eu estaria voltando para menos de um mês atrás.
— É o bastante. Barry criou o Flashpoint, se lembra?
— Ele viajou mais de uma década.
— Não importa. — Jay a disse. — Não devemos mudar o passado, nem que seja minimamente. Não se lembra das drásticas consequências dos atos do Barry? Ele mudou a filha do Diggle para filho, trouxe Julian como aliado de vocês, criou Savitar, mudou o jornal do futuro para pior...
— Eu já entendi, Jay. Não precisa bancar o papel de pai.
— Ainda por cima, o resquício do tempo do Flashpoint tentou dominar o universo. Os Lendas, por sorte, conseguiram detê-lo. Mas e se não tivessem conseguido? Entende a gravidade?
— Eu simplesmente não suporto mais. — Disse desabafando. — Eu amo ele, Jay. Eu realmente amo ele, totalmente. Vê-lo daquele jeito, perdendo seu brilho... Me dói. Na alma.
— Sei que vocês vão conseguir tirar ele de lá. No momento, você é a única que não pode perder as esperanças, Jane. Você carrega a luz. Você nos traz amor.
— Eu não suporto esse peso...
— É a maldição em ser quem você é. Deve abraçar isso e continuar lutando, continuar correndo. Então corra por ele. Corre, Jane, corre.
— Obrigada por isso, Jay. Foi importante.
⚡
— O que está acontecendo? — Jane perguntou à equipe, ao chegar no córtex.
— Um incidente no Jitters. — Informou Cisco. — As coisas começaram a levitar. Com certeza é um meta humano.
— Pode ser um do ônibus.
— Estou hackeando as câmeras... — O hacker disse. Logo, imagens se formaram nos monitores. Um homem encapuzado se levantava de sua mesa e todas as coisas à sua volta levitavam. Os cafés, mesas, cadeiras, relógios de pulso, todas as coisas eram controladas. — Deixe-me fazer um reconhecimento facial desse sujeito.
Cisco havia conseguido, e aquilo os surpreendeu. Principalmente Jane. Cabelos negros, olhos verdes, um gorro cinza na cabeça...
— Bryan?!
— O satélite não errou.
— O Bryan fez aquilo? — Jane o perguntou.
— Parece que ele mudou desde a última vez.
Jane lembrou da última vez. O meta que matava quem tocava havia tocado nela. Ela iria morrer se não fosse pela Nevasca. Bryan havia descoberto o segredo da loira da pior forma possível. Independentemente, ele disse que guardaria seu segredo. E agora ele havia se tornado um meta humano que levita coisas? Não pode ser ele, pensou ela. Jane, imediatamente, correu até a casa de seu velho amigo. Bateu três vezes na porta. Duvido que ele vai estar, mas por que não tentar? Para a surpresa dela, Bryan abriu a porta. A casa estava mais suja ainda.
— Jane? O que você...
— Bryan, você tem muito o que explicar.
— Do que você...
Antes que ele pudesse terminar a frase, ela o levou até os Laboratórios STAR em segundos. Seu estômago embrulhou no mesmo momento. Se esforçou para não colocar a comida do almoço para fora em forma de vômito. Após alguns segundos, se levantou fazendo força para respirar.
— Você está bem? — Caitlin o perguntou.
— O que está acontecendo aqui?! Jane, você me sequestrou?!
— Claro que não, eu só... Eu só... É, eu te sequestrei.
— Por que?!
— Por causa daquilo. — Cisco disse, já reproduzindo o vídeo. — O que tem a dizer sobre isso, playboy?
— Foi um acidente. — Ele respondeu. — Não foi por querer, certo? Não sei controlar esses meus novos poderes ainda.
— Como conseguiu?
— Não tenho a mínima ideia. Em um dia, eu estava normal. No outro, eu era uma dessas aberrações da TV chamadas meta humanos com poderes de controlar objetos.
— Deixa eu adivinhar... — Disse Jane. — Estava no ônibus 405 há seis semanas por volta do meio-dia?
— Essa pergunta é muito específica, eu não tenho certeza.
— Você tem o costume de pegar esse ônibus? — Caitlin o perguntou.
— Só peguei uma vez para ir para o meu novo trabalho como garçom em Keystone. Entretanto, eu me tornei um meta humano. As vezes eu tenho surtos de ansiedade e todos os objetos em minha volta começam a se mexer aleatoriamente, trazendo caos.
— Ele é um dos metas do ônibus. — Caitlin confirmou.
— Foi o ônibus que me transformou?
— Não, foi o Barry. — Jane o respondeu.
— O que?
— Barry acabou ficando preso dentro de algo que chamamos de Força de Aceleração.
— Força de Aceleração? — Bryan estava mais confuso do que nunca.
— É uma força cósmica baseada em velocidade e movimento que permite que os velocistas tenham super velocidade. — Harry o explicou. — Quando ele se libertou, trouxe com ele uma onda de matéria escura que, por acidente, passou por seu ônibus e transformou todos os que estavam dentro em meta humanos.
— Você e eu fomos premiados. — Disse Ralph entrando no córtex. — Ralph Dibny, prazer.
— Sou Bryan.
— Eu sou o melhor herói desta equipe, sou o... O... — E olhou para Cisco, pois não tinha um nome. — Sou o... Cisco, quem eu sou mesmo?
— Homem-Esticado! — Disse a Bryan em um tom de felicidade.
— Cisco! — Exclamou Ralph.
— Certo, Bryan. — Jane o disse. — Vamos ver como podemos te ajudar a controlar esses poderes. Assim, você não vai acabar machucando outras pessoas. Caitlin, o que fazemos?
— Vou fazer alguns exames. Venha comigo, Bryan.
⚡
E lá estava ela. Novamente, olhando para aquela matéria. Desde que haviam descoberto o Cofre do Tempo, aquele jornal havia se tornado sua principal base para descobrir sobre o futuro. Entretanto, era extremamente perigoso saber tanto sobre o próprio destino. Poderia gerar confusões extremamente sérias, e Jane sabia disso. Mas ainda assim, ela continuava olhando aquela matéria. Nada havia mudado. Céu vermelho, raios azuis, os heróis, Flash desaparecendo após lutar contra o Flash Reverso, o artigo escrito por uma mulher chamada Allegra Garcia. Estava tudo perfeitamente igual. Sendo assim, eles iriam vencer. Se em 2024 Barry estava agindo como o Flash e enfrentando seu rival, ele havia saído da prisão. Mas como? Jane precisava de respostas que nem mesmo Gideon possuía. Ela retornou ao córtex, onde o resto da equipe estava. Caitlin já havia terminado suas análises.
— Está tudo perfeitamente normal com ele, exceto a matéria escura. — Disse a doutora. — Assim como todo meta, ele tem uma certa quantidade de matéria escura presente no corpo, mas é diferente com o Bryan. Ele tem uma camada dessa energia quântica ao redor dos tecidos orgânicos dele, bloqueando e liberando seus poderes metas.
— E o que define quando essa camada vai os bloquear ou os liberar?
— Adrenalina.
— Isso se encaixa com o que eu sinto. — O rapaz disse, com medo dos danos que poderia causar com seus poderes. — No Jitters, eu fiquei desesperado em causar confusão e foi exatamente isso que eu fiz. Então como eu controlo esta droga?!
— Precisa de acalmar. — Disse Jane. — O que acha de meditação?
— Você, meu caro, é uma aberração. — Afirmou Ralph, assustando a todos. Não é possível que ele havia dito isso. — Eu também. Faz parte da vida...
Bryan o encarou com olhares desprezados. Logo depois, ele saiu do córtex. Jane fora até Ralph e o empurrara para trás, o seduzindo com seus lindos e sedutores olhos verdes. Ela estava raivosa. Ralph era imprudente, egoísta, infantil e imaturo. Ele, certamente, não havia mudado significativamente desde o passado. Jane havia se enganado.
— O que foi, loirinha?!
— Você é um idiota, Ralph! — Cisco o respondeu. — Um completo imbecil.
— Qual é o seu problema, afinal?! — Jane o questionou. — Se acha especial por poder se esticar? Se acha melhor que a gente? Você não é superior à ninguém, Ralph. O que está tentando provar?
— Claro que não. — Ele a respondeu. — Não fiz nada de errado!
— Você chamou o Bryan de aberração! — Retrucou.
— Porque é o que somos. Somos aberrações da natureza. Não somos humanos.
— Não foi isso que você quis dizer e todos daqui sabem disso. Você é um péssimo mentiroso.
— Ou você é apenas muito certinha, West. Você é linda, a mais gentil, a velocista mais rápida e a única opinião relevante aqui. Todos nós somos descartáveis se comparados à você! Essa é a verdade que ninguém quer admitir.
— Ralph, você está sendo ridículo. — Disse Caitlin, interrompendo a troca de olhares tensa entre ele e Jane. — Ninguém merece ser tratado como você tratou Bryan.
— E então o que? Vão me mandar pedir desculpas, tipo mãe?
Jane apenas saiu dali. Onde o garoto de gorro estava? Bryan era um dos ex-namorados de Jane, do ensino médio. Ele sempre sofreu muito bullying por conta de não conversar muito com as pessoas. O chamavam de esquisito. Jane fez amizade com ele na época. E quando Barry começou a namorar a terrível Becky Cooper, uma menina mimada que falava mal das pessoas, Jane começou a namorar Bryan. Terminaram depois que a loira percebeu que seu amor não era totalmente recíproco, o que o magoou bastante. Nessa mesma época, Iris e Melanie eram inseparáveis. Melhores amigas sempre. Nunca desgrudavam uma da outra. Fazia bastante tempo desde que Jane viu Melanie pela última vez. A velocista finalmente encontrara Bryan. Ele estava sentado nos arredores do Laboratório de Velocidade.
— Não liga para o Ralph, ele é um imbecil.
— Ele só disse verdades. Sou uma aberração, sempre fui.
— Bryan...
— Eu sempre estive com esse gorro idiota na cabeça, apenas porque ele me faz lembrar da minha mãe. Sempre fiquei quieto e nunca fiz amigos que realmente simpatizaram comigo e não foram mandados por pena pelo professor.
— Isso não é verdade. Eu fui sua amiga porque eu gostei de você.
— Depois namoramos... — Ele disse, pensativo. — Fico feliz que tenhamos terminado. Não sei como seria namorar a maior heroína da cidade e ter que vê-la todos os dias arriscando sua vida por uma cidade ingrata como Central City.
— Você viu nos jornais...
— Sim, vi. — Ele se referia à Barry ter sido preso. — Como puderam não enxergar o herói que o Barry é? Ele é o Flash! Salvou Central City mais vezes que se pode contar.
— Fomos todos manipulados pelo DeVoe.
— DeVoe? Quem é esse cara?
Jane não sabia como explicar aquilo à Bryan sem levar dias, então resolveu resumir.
— O novo meta que estamos enfrentando. Ele tem super inteligência. Intelecto avançado. Ele nos fez tirar Barry da Força de Aceleração, transformar os que estavam no ônibus em metas, prender Barry... É tudo culpa dele.
— Caramba, aconteceu bastante coisa desde a última vez que nos vemos.
— Bastante coisa. — Ela ainda percebia como o rapaz ainda estava abalado. — Olha, Bryan, você não é uma aberração.
— Eu gostaria de acreditar nisso, mas sou.
— Não, não é. Você é muito mais do que isso. Você é incrível. Ralph é um idiota.
— Obrigado, Jane... — E olhou para suas mãos. — Eu só queria não ter mais esses poderes.
— Você aprende a os controlar. Experiência própria.
— Para você é fácil. Seu poder é correr rápido. É fácil manusear.
— Pode ser fácil manusear, mas acha que é fácil fazer bom uso? Todo santo dia eu luto contra a vontade de voltar no tempo e mudar minhas escolhas do passado, isso porque a capacidade de moldar o futuro, passado e presente está em minhas mãos. E se eu não ser responsável, coisas ruins acontecem. Coisas muito ruins acontecem.
— Sempre existe uma parte ruim em ter super poderes, não é?
— Sim, sempre.
— Eu acho que vou sair de Central City.
— Por que?
— Preciso tirar um tempo para pensar e aprender mais sobre minhas habilidades. Obrigado por tudo, Jane. Barry tem muita sorte de ter você. — E saiu dali, mas antes que saísse da sala, se virou para dizer algo. — Vocês vão tirar ele de lá. Eu sei que sim.
Jane sabia que isso era verdade, afinal o próprio futuro dizia o mesmo. Mas cada dia, cada minuto, cada segundo sem Barry eram como séculos. A pior parte era saber que ele estava sofrendo em um lugar terrível. Um lugar também habitado por criminosos. Ele não se encaixava ali, mas precisaria tentar para sobreviver. Mais tarde, pela noite, Jane ainda estava nos Laboratórios STAR. Andava pelos corredores, procurando uma distração. Ela não poderia pensar em Barry, mas era impossível. Na oficina, estava um quadro. Cisco, Caitlin, Jane, Barry e o velho Wells, que secretamente era o Flash Reverso. Estavam sorrindo. Aquele quadro lhe trazia boas memórias. No tempo em que ela se preocupava se Barry iria se machucar ao enfrentar inimigos e não como tirá-lo de uma prisão. Olhando para Wells, ela sentia tanta raiva. O verdadeiro rosto da mentira e da manipulação. Ele estava lá em cada momento com eles, fingindo os ajudar. E era ainda pior saber que ele estava solto por aí. Ainda assim, ela tinha saudade de quando tudo começou. Sentia saudade daquele tempo. Uma voz ecoou por seus ouvidos, o que a assustou. Ela era a única que estava nos Laboratórios STAR tão tarde. Ao se virar, sentiu um imenso alívio.
— Ralph, o que está fazendo aqui? Você me assustou.
— Foi mal. Não era esse o meu objetivo. Eu falei com o Barry.
— Você o que?
— Eu consegui entrar sem que me vissem, certo? Não aconteceu nada de ruim. Ele abriu meus olhos. Pude perceber o quão imbecil eu tenho sido ultimamente. Me desculpe. De verdade.
— Tudo bem. — Ela o perdoou. — Ao menos, você se arrependeu.
— Eu fui muito infantil e tenho sido muito arrogante.
— O que o Barry te disse que te fez mudar tanto de ideia?!
⚡
— Seja lá o que você disse ao Ralph, acordou ele. — Jane disse à Barry. Novamente estava o visitando, dessa vez no dia seguinte. — Ele admitiu os erros.
— Eu só mostrei o que já estava dentro dele.
— Parece que você causa esse efeito em muita gente. — Barry sorriu. Aquele sorriso era tão lindo, pensou ela. — Só queria poder tocar em você novamente...
Barry averiguou se as câmeras estavam apontadas para ele. Por sorte, não estavam. Ele colocou suas mãos no vidro e as vibrou, assim atravessando-o. Cruzou seus dedos com os de sua esposa. Ela estava chorando. Podia sentir sua mão. E sorriram um para o outro. Jane iria tirá-lo de lá. Era uma promessa que havia feito a si mesma. Logo depois ela correu até o Jitters. Sempre passava lá antes de ir trabalhar na CCPD.
— Bom dia. — Disse a atendente.
— Bom dia. Eu vou querer o mesmo de sempre.
— Expresso com cappuccino?
— Isso, e coloca bastante caramelo.
— Aqui está. — Disse alguns minutos depois. Jane fora pegar sua carteira, mas ela não estava em seu bolso. Ah não, pensou. — Algum problema?
— Não, nenhum... — Disse olhando mais uma vez em seus bolsos. Realmente havia esquecido em casa.
Teria de correr para pegar, mas antes que pudesse fazer isso, uma garota pagou a bebida. Jane já havia a visto antes. Cabelos castanhos quase loiros, olhos verdes e pele branca como a neve. Era a mesma menina que viu em seu casamento. A mesma que ofereceu bebidas e adorava casamentos. De certa forma, ela havia agido estranho naquele dia.
— De nada.
— Espere, eu conheço você. Você estava no meu casamento, não é?
— Claro que n... Sim! Eu estava! Por pura coincidência, claro, eu passei por aqui e vi que você esqueceu a carteira. Aí eu resolvi ajudar. Sempre retribua, esse é o meu lema. Em qualquer momento, um de nós pode precisar de ajuda, como agora. —Jane estranhou muito aquilo. — Isso é mais do que carma, sabia? É o principio da consequência infinita trabalhando nas nossas vidas. E está sempre se expandindo criando coisas positivas de formas infinitas. Incrível, né?!
— É, incrível... — Disse fingindo que havia entendido o que ela disse. — Enfim, obrigada.
— De nada. — E a garota se sentou e começou a escrever em um caderninho.
Havia algo de diferente naquela menina. Jane podia sentir. Ela era estranhamente familiar, mas não porque ela já havia a visto antes. Logo na primeira vez que as duas se conheceram, Jane sentiu essa mesma sensação de familiaridade. Quem era ela, afinal?
PRCIOU_STILES ©
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