3⚡CHAPTER ONE: FLASHPOINT
Chapter One: Flashpoint
Era mais um dia na cidade de Central City. Estava muito quente. O sol estava mais forte do que estava em todos os outros dias do ano. Jane dormia confortável em sua cama, quando o despertador toca. Frustrada, se levanta e o desliga. Ela escova seus dentes e desce as escadas, onde encontra sua família toda na cozinha já acordada.
— Vocês já acordaram?
— Está mais tarde do que imagina. Aliás, bom dia. — Diz Iris.
— Bom dia Iris. Bom dia, Wally.
— Bom dia Jane. — Ele responde logo antes de comer seu cereal.
— Dormiu bem, querida? — A mãe de Jane pergunta terminando de preparar Waffles frescos. — Estou fazendo Waffles. Você prefere eles com chocolate ou com marshmallow?
— Chocolate. Eu dormi bem sim. Guarda os meus na geladeira. Eu não estou com tanta fome assim. Vou tomar um café no Jitters. — Jane diz saindo da casa dos West. Animada, ela caminha até a cafeteria. Estava bem lotada, mas a fila havia terminado. — Eu vou querer um café expresso com essência de chocolate caramelada, por favor.
— Certo. — A garçonete responde. Enquanto o café não ficava pronto, Jane observava o noticiário. Ele falava sobre um inimigo que atacava a cidade conhecido como o Rival. A cidade tinha um Flash. Ele usava um traje amarelo e vermelho. — Um minuto depois, ela trás o café até Jane.
— Obrigada. — Jane se senta em uma das mesas. Dá alguns goles no café, quando sente seus ombros sendo tocados. Um garoto de cabelos castanhos e olhos azuis estava ali. Devia ter mais ou menos 1,86 de altura.
— Com licença, isso é seu? — Ele pergunta com a carteira de Jane em mãos. — Acho que deixou cair. Talvez fosse seu, estava caída no chão.
— Puxa. Eu nem havia percebido que tinha caído. Muito obrigada. — Ela agradece segurando a carteira.
— Tudo bem. — Ele responde.
Jane tinha certeza que não deixou a carteira cair, então como estava no chão? Ela reconhecia o garoto, mas de onde? Ele era estranhamente familiar.
— Espere, eu já te vi antes?
— Na verdade, fizemos o ensino fundamental juntos. Lembra de mim? Primário 23. — Ele diz.
— Meu Deus! Eu me lembro! — Jane o achava bonito na época. — É Garry, né?
— Não, é Barry. Barry Allen.
— Barry. Desculpe. Nós fizemos aquela aula com o Senhor Hinkley.
— De matemática. Ele dava uns socos no quadro. — Ele diz rindo.
— Com os punhos. — Se lembrava bem dele, odiava aquele professor. — Levantando uma nuvem de giz. Ele parecia com o Chiqueirinho...
— Do Peanuts. — Ele responde rindo.
Jane solta boas gargalhadas.
— E como é que você tá?
— Estou muito bem. Sou perito da Polícia de Central City.
— Sério? O meu pai também trabalha lá. Ele é detetive. — Jane afirma.
— As vezes, eu o vejo. Não o conheço, mas o vejo passando de vez em quando.
— Legal, bem... obrigada de novo. Você é o meu herói do dia.
— Que bom que pude ajudar. — Ele se afasta, quando se vira novamente. Parecia nervoso. — Você quer tomar um café? Eu sei que você está tomando um agora, mas em outro momento comigo. Nem tem que ser café. Pode ser outra coisa. Vinho ou cerveja... Não que eu queira te embebedar. A gente pode beber um chá gelado? Você gosta de chá gelado? Porque se você gostar você toma um chá comigo. — Ele diz nervoso. Suas mãos tremiam.
Jane solta algumas risadas leves. Ela já havia entendido que Barry tinha interesse em nela, mas ela não imaginava em como ele era profundo.
— É... é claro. É claro. Eu adoraria tomar um chá gelado com você.
— Certo. — Ele diz sorrindo.
— Barry Allen, você é muito fofo, sabia? Mas eu acho que você deveria tentar falar um pouco mais devagar.
— Velocidade. Esse sempre foi um problema para mim. — Ele diz pensando em algumas lembranças.
Barry sai dali animado com um café expresso em mãos. Jane sentia algo. Parece que conhecia Barry a um bom tempo, mas não conhecia. Era como se tivesse algumas lembranças escondidas em seu subconsciente. Algo a impedia de lembrar e ela sentia isso. O noticiário havia acabado de relatar uma batalha entre o Flash e o Rival. A garota corre até onde Wally estava.
— Você está bem?! — Ela pergunta.
— Sim, estou. Sério, esse Rival tá começando a me encher o saco. Eu posso ser o Flash, mas ficar enfrentando um cara parecido com a malévola que só quer me vencer é muito chato. — Wally afirma.
— Wally, você é o Flash. Isso é um fato, mas nem por isso deve ficar se achando. — Jane afirma.
— Tanto faz. Eu estou cansado de ficar perdendo as batalhas. Só eu e você sabemos o meu segredo. A sua mãe e a Iris não fazem ideia. O papai nem se fala, acho que ele passou a madrugada toda bebendo. Por que eu não posso me achar um pouco por ser o melhor West?
Jane estava irritada. Wally era arrogante e rebelde. Estava cansada de sempre o dar sermões e nada adiantar.
⚡
Mais tarde, todos se reuniam pra jantar.
— Como foi o dia de vocês? — Eliza, a mãe de Jane, pergunta.
— Foi ótimo. Tô adorando escrever uma maneira específica sobre como a taxa de crimes continuou a mesma desde que o Flash surgiu. — Iris diz.
— Você é uma ótima jornalista, Iris.
— Obrigada, Eliza. Sabe, você é uma das melhores pessoas que já conheci. Desde que o Joe se tornou um alcoólatra, você nos acolheu. Obrigada.
— É verdade. — Diz Wally.
— E como foi o seu dia, Jane?
— Foi ótimo. Um garoto me convidou pra sair hoje. — Ela afirma.
— Sério? E o que você disse?
— Eu não podia negar. Ele é tão fofo.
— Quem é? — Iris pergunta curiosa.
— Ele estudou conosco no ensino fundamental. Barry Allen.
— Eu sei quem é ele! As vezes eu vejo ele passando na rua. Ele parece ser muito legal, Jane. — Iris diz.
— Ele também trabalha na CCPD.
— Nem sei se o seu pai ainda trabalha lá. — Eliza afirma.
⚡
No dia seguinte, Jane ia até a CCPD. Ela iria chamar Barry para sair. O lugar estava exatamente como da última vez em que a mesma foi. Joe estava conversando com Barry em seu escritório. Parecia estar irritado. Ela se aproxima sorrindo. Barry sorri.
— Já entendi tudo. — Joe afirma olhando para os dois. — Não aprovo.
— Oi Barry. — Ela diz sorrindo.
— Oi Jane. — Ele responde sorrindo também. Joe sentia muita raiva.
— Acha bonito isso, Jane? Sair com alguém do meu trabalho?
— É só um almoço. Eu nem sabia se você ainda trabalhava aqui. Vamos, Barry. Vamos sair daqui. — Os dois saem da CCPD. Barry pega seu casaco em seu Laboratório Forense e segue Jane pela cidade. Caminhavam conversando pelas ruas. — Olha, desculpe por aquilo com o meu pai. Aquela ceninha.
— Não se preocupe. Eu só me sinto mal por ele e por você, principalmente.
— Você mal conhece a gente.
— É que parece que eu conheço. Isso é estranho? É estranho dizer isso?
— Não. Pode ser estranho, mas sei o que você quer dizer. — Ela sentia a mesma coisa. Era como se o conhecesse, mas não conhecia. — Sabe, eu nunca aceito quando caras me chamam pra sair assim, mas eu aceitei com você. Por que eu fiz isso? — Os dois sorriem.
— Sei lá. Algumas pessoas estão destinadas a fazer parte da nossa vida.
— Mas e então, já falamos muito sobre mim. Me fala de você. Mãe e pai?
— Vivos e bem. — Ele diz sorrindo muito. Parecia até estar vivendo em um sonho, e por mais estranho que parecesse, era como se estivesse.
— Que bom. Vocês se dão bem?
— Sim. Muito. Não imagino a minha vida sem eles. São muito apaixonados. Eu espero ter o que eles têm um dia.
— Entendi. Você só não conheceu a garota certa. — Ela sugere.
— Esse é o lance. Ela está por aí, me esperando. Eu só tenho que ter sorte de encontrá-la. — Barry sorri como nunca havia sorrido antes.
— De onde você veio, Barry Allen?
— Eu sempre estive aqui, Jane. — Barry diz. Jane sentia que Barry havia dito aquilo para ela. O garoto muda sua expressão. Ele parece desorientado. Começa a ficar tonto e parado ofegante.
— Você está bem?
— Eu estava pensando em uma coisa e... eu esqueci. — Ele afirma. Diversas viaturas de polícia passam pela rua. Uma policial loira de olhos castanhos surge correndo. — O que houve?
— O Flash e o Rival estão lutando no prédio Wedder. Temos que evacuar a área. — A policial afirma.
— Me desculpe, mas eu preciso ir. É que eu preciso fazer uma coisa lá na... isso foi... depois a gente se fala. — Jane corre dali. Barry continua sorrindo. Era como se entendesse Jane, e entendia.
Jane corre até o esconderijo de Wally, onde ficava suas coisas e seu traje. Era um pouco longe, então demora um tempo para chegar. Ela se surpreende com Barry ali. Aquele lugar era extremamente secreto. Wally parecia apreensivo, ou confuso.
— Barry? O que tá fazendo aqui?
— Jane?! — Ele revira os olhos. Não esperava vê-la ali. — Eu não...
— Ele apareceu enquanto eu lutava contra o Rival. Sabia quem eu era.
— Por isso que me chamou pra sair?! Por que sou irmã do Flash?!
— Não, não! Isso é uma coincidência.
— Como sabia quem eu era debaixo da máscara? — Wally pergunta.
Barry precisava inventar alguma boa mentira, afinal não poderia dizer que é porque veio de outra linha do tempo onde era "irmão" de Wally.
— É que... eu... eu... eu sou um bom perito. Eu só liguei os pontos, sabe? O que eu não sei é como você conseguiu a sua velocidade. — Barry afirma.
— Então, antes de eu me tornar um herói eu costumava a participar de corridas de carro ilegais. Eu estava testando uma nova fórmula para turbinar o motor quando, uma noite, dirigindo em uma tempestade, meu carro foi atingido por um raio. Ele deve ter se misturado com à fórmula, porque... boom! Eu fiquei em coma por nove meses. Quando acordei, eu era o homem mais rápido do mundo, o Flash.
— Seria mais Kid Flash.
— Não me chama assim.
— Eu te chamo assim. — Jane diz.
— Beleza, e que tal ninguém me chamar assim? — Wally pergunta.
— E como você se envolveu?
— Eu sou uma investigadora. Não sou uma oficial da CCPD, mas investigo pessoas e casos para expor no blog da minha irmã e chegar na polícia. Eu acabei descobrindo que o Wally era o Flash e comecei a ajudar. Em vez de comunicar o crime, decidi fazer algo a respeito. — Jane afirma.
— Irmão e irmã combatendo o crime.
— O pai de vocês sabe?
— Você trabalha com ele. O que acha?
— Eu acho que a gente precisa deter o Rival. — Barry afirma.
— Bem, estamos abertos a sugestões. Tento isso há dois meses e nada. Ele é rápido. Talvez mais rápido que eu.
— Se quiser, talvez eu possa ajudar.
— Só tem uma pessoa que pode nos ajudar agora. — Jane afirma se levantando do sofá. — Cisco Ramon.
⚡
Os três chegam até as Indústrias Ramon. O prédio estava mais bonito do que o costume. O tom verde escuro nas paredes e computadores era lindo. Barry parecia confuso e admirava o lugar. Ele se sentia desajustado.
— Não eram aqui que ficavam os Laboratórios Star? — Barry pergunta.
— Por onde você andou nesses últimos anos? — Jane pergunta. — O Cisco Ramon ganhou bilhões com aplicativos dele e comprou o prédio.
— Bilhões? — Barry pergunta surpreso.
— É. O Cisco Ramon é o homem mais rico do país. — Wally afirma.
Cisco chega de elevador ao lugar. Usava um terno azul com uma gravata vermelha, cabelos presos e óculos. Estava acompanhado de uma bela mulher, bem mais alta que ele.
— Tem coisa melhor do que vir pro trabalho de helicóptero? — Um homem de cabelos brancos e terno se aproxima de Cisco. — Eu já te disse minha resposta, senhor Walter. N-A-O, til.
— A LogicFrame é uma pequena startup avaliada em um pouco mais de dez. — O homem insiste.
— Quer saber? Tanto faz. Ofereça 20 mil dólares. — Cisco anda até Jane, Barry e Wally. Ele faz um olhar de decepção. — Querida, eu tenho negócios a tratar. A gente cuida daquele outro negócio mais tarde.
— Não se eu começar antes. — A mulher abaixa e encosta seus lábios nos de Cisco, explorando cada lado de sua língua e seus lábios enquanto gemia de forma baixa em seus ouvidos.
— Mulher independente. Adoro, adoro! Bem... eu disse pra vocês nunca voltarem aqui. Eu faço um traje à prova de fricção para não pegar fogo em Mach 2 e em troca em vez de me deixar de fora dessa cruzada contra o crime vocês voltam ao meu laboratório?
— Ouça, Senhor Ramon. Precisamos da sua ajuda. Aposto que você viu o Rival no noticiário. Ele está aterrorizando a cidade para provar que é o mais rápido. Só Deus sabe o que ele ainda vai fazer e é capaz de fazer. — Jane diz.
— Então detenham ele. Vão com Deus e divirtam-se. Sabe o que acontece quando mexemos com um velocista? Você vê uma mão vibratória atravessando sua caixa torácica. Não, obrigado. Meu dinheiro precisa de mim. — Cisco afirma colocando algumas pastilhas de menta na boca.
— Cisco, você não vai mesmo nos ajudar? — Barry pergunta.
— Ah, isso me lembra uma coisa. Quem é esse cara? Hein? Vocês trouxeram um estranho ao meu laboratório e disseram para ele que ajudei o Flash?
— Cisco... — Barry tenta dizer algo.
— Não te conheço, cara pálida.
— Senhor Ramon...
— Ah... sim? — Ele pergunta.
— Eu sei que tipo de pessoa você é. No fundo, eu sei que se importa com as pessoas. — Jane e Wally ficam ainda mais confusos. Barry continuava a impressioná-los, mas não de forma boa.
— Uau! Continue. Estou realmente intrigado com sua história.
— Eu ouvi uma história de como aos 15 anos, seu irmão, Dante, devia a um apostador e não tinha como pagar. Você deu o dinheiro que ganhou entregando pizzas para ajudá-lo. — Jane e Wally ficam apreensivos. Cisco fica desacreditado. Como Barry sabia disso?
Essa é uma das coisas que acontecessem quando alguém muda a linha do tempo e começa a agir como tal sem que os outros soubessem.
— Como sabe disso?
— Eu tenho a sensação de que a gente trabalharia muito bem como parceiros.
Detendo meta humanos juntos. É o que devemos fazer. — Barry afirma. — Somos uma equipe. Somos amigos.
A mesma coisa que aconteceu quando Jane e Barry estavam conversando acontece de novo. Barry começa a ficar tonto e ofegante quando volta ao normal. Jane sabia que tinha algo errado e não era por causa das péssimas mentiras que Barry contava. Ela sentia algo no fundo de seu coração.
— Ei. — Cisco diz.
— Estou bem, estou bem. É que... O que eu... O que eu estava falando?
— O que está havendo com você? — Jane pergunta notando a mudança de comportamento de Barry.
— Eu não sei. — Ele responde. — Quer saber? Eu preciso contar algo muito importante para vocês. — Barry corre em super velocidade e surge no córtex com o traje do Flash.
— Barry?! — Jane pergunta.
⚡
— Tá bom... da pra ver no rosto de vocês que não acreditam em mim.
— A gente acredita que você é um velocista, mas vai ter que explicar a parte do Flashpoint de novo.
— Certo. Olhem só. Vou tentar ser o mais simples possível. Eu vou usar essa lousa de vidro, viu Senhor Ramon?
— Folgado. — Cisco diz.
— Imaginem que esta linha é a linha do tempo. — Barry desenha uma imensa linha na lousa de vidro. — Eu voltei no tempo e impedi que o Flash Reverso matasse a minha mãe. Ao fazer isso, eu criei uma linha do tempo alternativa totalmente diferente da minha, onde o Wally é o Kid Flash, Jane é uma pessoa normal e o Cisco é bilionário.
— O Flash! — Wally afirma.
— Kid Flash. — Jane e Cisco dizem ao mesmo tempo, frustrando Wally.
— Espera, eu não sou humana na outra linha do tempo? — Jane pergunta.
— É uma humana sim, mas não uma pessoa normal e sim uma velocista.
— Então quer dizer que têm uma linha do tempo onde eu sou pobre? Nossa, Isso é uma falha no universo.
— Isso não me convenceu. — Wally afirma. — Não acredito nisso. A minha vida é a minha vida. Ela não começou a três meses. Eu sempre fui eu.
— É complicado, Wally.
— Eu acredito no Barry. — Jane diz.
— O que?! — Wally pergunta.
— Sim, eu acredito.
— Tá me dizendo que acredita que o cara que você está saindo a menos de dois dias é um velocista que mudou a linha do tempo para como ela é hoje. Ele tá literalmente dizendo que a nossa vida é um erro. — Wally afirma.
— Eu consigo acreditar. Tem uma parte de mim que lembra de tudo isso. As vezes eu tenho sonhos comigo mesma junta do Barry. Foi isso que me motivou a aceitar sair com ele. Eu pensava que era o universo me dizendo que eu tinha um futuro com ele, não que era porque eu tinha visões de outra linha do tempo.
— De qualquer forma, por que você está contando isso pra nós?
— Porque eu quero descobrir o que está acontecendo comigo.
⚡
— Por que estamos nessa fábrica antiga? Deve ter fechado há uns cinco anos. — Jane afirma.
— Porque é aqui eu mantenho o Flash Reverso preso. — Afirma Barry.
Os dois entram. Um homem de cabelos loiros e olhos azuis estava sentado dentro de uma cela. Ele tinha barba e estava sujo. Possuía um traje amarelo. Ao olhar para o rosto do vilão, Jane o reconheceu. Mesmo que nunca tivesse o visto antes, conseguiu o reconhecer.
— Ora ora, se não é a Fúria Escarlate.
— O que está acontecendo comigo?! Eu lembro de alguma coisa do passado e ela some. Eu não consigo recuperar. Por que isso está acontecendo?!
— Flashpoint. É um efeito colateral. Eu já disse que você não sabe o que está fazendo. Essa nova realidade que você criou está começando a sobrepor aquela que conhecemos. Sua vida original, seus amigos, sua família muito em breve, vão começar a desaparecer.
— Então por que isso que está acontecendo com o Barry não está acontecendo com você? — Jane pergunta. Thawne fica pensativo.
— Eu não sei. A não ser que...
— O que? — Barry pergunta. Ele já estava sem respostas. — O que?! — Thawne começa a dar gargalhadas.
— Vem cá, o que é tão engraçado?!
— Sua velocidade! — Ele responde dando ainda mais gargalhadas. — Quando mais você usa, mais rápido perde as memórias. — Thawne diz.
Isso faria sentido. Thawne estava preso ali desde o começo do Flashpoint sem usar velocidade. Por isso ele não estava perdendo suas memórias também. Por mais que fizesse total sentido, Barry se recusava a acreditar. Ele se recusava a acreditar no fato de ter que restaurar a linha do tempo e retornar à sua antiga vida rodeada de misérias e mortes.
— Não. Está mentindo. Só quer que eu te solte. Isso não vai acontecer.
— O você do futuro que eu conheço não é tão burro. Em breve, nem se lembrará que é o Flash. Quando isso acontecer, esse mundo será permanente. O tempo se sedimentará como concreto e nada poderá fazê-lo voltar ao que era.
— Por mim, tudo bem.
— Você sabe o que precisa fazer. Tem que me levar até aquela noite e me deixe terminar o que comecei.
— Vai pro inferno!
— Você está levando nos dois pra lá! Quem é o vilão agora, Flash?! Quem é o vilão agora?! — Ele pergunta gritando.
— Barry, o que você vai fazer? — Jane pergunta já do lado de fora.
— Vamos nos concentrar em deter o Rival. — Ele afirma. — Antes, eu preciso reunir todo a equipe.
— Aquela coisa que você falou pro Cisco tem haver com a sua linha do tempo? — Jane pergunta.
— Sim. Nela, eu, você, o Cisco, o Wally e até a Iris somos uma equipe.
— Não conta pra minha irmã. Ela vai enlouquecer. — Afirma Jane.
— Isso não vai ser necessário.
⚡
— Tá legal pessoal. Vamos deter o Rival.
— Qual é seu brilhante e incrível plano, Senhor viajante do tempo?
— Eu não sei. Não posso pensar nisso sozinho. Somos uma equipe. Juntos podemos deter o Rival. Com a inteligência da Jane e do Cisco e a minha velocidade combinada com a do Wally podemos vencer esse cara.
— Eu consigo sozinho. — Wally diz.
— E por que não pegou antes então?
Wally fica em silêncio. Ele estava sem argumentos para discordar de Barry.
— Bom, eu não estou interessado. Não sei quantas vezes vou ter que repetir, mas eu já fiz a minha parte pela nação.
— Qual é gente, vamos! Precisamos pegar o Rival. — Jane diz.
— Qual é a sua com esse cara, Jane? Ele acabou de aparecer e parece que já confia nele há anos. — Wally afirma.
— Eu não consigo explicar. Eu consigo sentir que conheço ele. É mais como memórias escondidas na minha mente que eu não consigo acessar por causa desse bloqueio que o Flashpoint causou.
— Esperem, está faltando alguma coisa. Dá licença. — Barry usa o computador de Cisco para localizar alguém.
— O que está fazendo?! Não toque nisso! — Cisco afirma. — Folgado!
— Achei. — Barry afirma. Ele corre em super velocidade e em alguns segundos trás uma mulher ao lugar. Seus cabelos eram castanho claros, quase loiros e seus olhos castanhos escuros.
— Para de trazer estranhos pro meu laboratório! Quem é ela?!
— Ela é a Doutora Caitlin Snow. Na minha linha do tempo ela faz parte da equipe. — Barry afirma.
— Você sequestrou essa mulher?!
— Não, eu... Bem, eu acho que eu... Ela é cientista. Precisamos da ajuda dela.
— Eu não sou cientista.
— Você não é? — Barry pergunta.
— Sou oftalmologista.
— Médica de olho?
— Pediátrica. — Ela responde.
— Eu desisto. — Cisco sentando em sua mesa e colocando aos mãos em sua testa. — E... acabamos.
— Com licença. — Caitlin se aproxima de Jane. — Eu fui sequestrada?
— Eu não sei bem. — Ela diz. — Barry, posso falar em particular com você?
Os dois andam até os corredores.
— Eu sei que é difícil de acreditar e eu lancei essa bomba toda de uma vez e...
— Essa é a questão, Barry. Eu acredito em você. Não é por que confio em você e sim porque sinto que conheço você. Escuta, eu tenho uma vida perfeita. Eu amo a minha mãe, amo minha irmã, amo meu irmão, amo minha vida. Mas eu sempre senti uma coisa. Eu senti que tinha algo faltando e eu tinha esses sonhos com você e com outra vida que eu sabia que não era minha, ou pelo menos não minha nessa linha do tempo. Esse vazio estranho na minha vida sumiu no momento que eu te conheci. Foi mágico, Barry.
— Eu não sei como você tem essas memórias. — Barry afirma.
— Nós somos algo a mais um pro outro de onde você vem, não somos?
— Sim, somos.
— O que? — Ela pergunta.
— Foge de toda a definição.
— Mas é amor, não é? Porque está parecendo que é amor. — Jane diz.
— Desde o dia que eu te conheci.
— Aí, achamos algo. — Diz Cisco. — A médica de olho infantil realmente teve uma boa ideia. — Cisco afirma.
— Sempre me perguntei por que não usam as câmeras de trânsito para registrar velocidades ultrassônicas. Parece um sistema perfeito de alerta.
— Por isso, reprogramei as câmeras e pronto. — Cisco diz olhando seus computadores. — O Rival está perto da velha serraria perto de Williamson.
— Só me seguir. — Diz Barry.
— Eu não sigo ninguém. — Wally afirma. Ele estava irritado com o fato de não ser o Flash e sim o Kid Flash.
— Escute-o Wally. — Jane se aproximando dos monitores que mostravam a localização do Rival em tempo real. — Ele é o Flash.
— Olha, você seria um ótimo candidato para um Lasik. — Caitlin afirma olhando para Cisco, que a olha com um olhar de indignação. Barry e Wally correm até a velha serraria.
— Você sabe flanquear?
— As pessoas sempre falam isso nos filmes. Isso existe? — Wally pergunta.
— Sim cara. Flanquear existe. Escuta, eu vou atacar de frente e você ataca em um ângulo de 90 graus. Se ele se virar para você, fica vulnerável pra mim. Quando se virar para mim...
— Já entendi exatamente como vai ser.
O vilão surge no lugar com raios vermelhos. Usava uma máscara preta com duas grandes orelhas, lembrando um elfo. Tinha um gigante raio dourado estampado em seu peito.
— Como achou esse lugar, Flash?
— Eu vou acabar com a sua raça!
— Espere, tem dois de você agora? Certo, isso aí é pra me assustar?
— Tremer na base até que não seria inapropriado. — Wally afirma.
Jane estava cada vez mais preocupada com Wally. Ele estava se achando muito. Se continuasse com tanta autoconfiança, poderia morrer.
— Vou mostrar pra vocês o quanto estou assustado. — O vilão tira sua máscara, revelando um rosto mais humano possível. Era jovem e tinha cabelos curtos. — Meu nome é Edward Clariss. Rivais tem que saber o nome um do outro. Podem se apresentar já que não sairão daqui vivos. Quem é você mesmo? — Clariss pergunta apontando seu dedo para Barry.
— Eu? Sou o Flash. Isso é tudo que você precisa saber. — Barry diz.
— Quando eu arrancar o capuz do seu cadáver, saberei quem é. Mais um impostor que pensa que pode me encarar. — Clariss coloca sua máscara. — Agora vocês vão entender que eu não tenho nenhum Rival!
— Eu dou conta dele. — Wally diz sorrindo. Ele começa a lutar contra o Rival com socos e chutes eletrizados.
— Wally! — Jane grita ao microfone.
— Relaxa maninha, eu vou acabar com esse cara! — Wally continua lutando. Ele consegue derrubar Clariss e se vira sorrindo para Barry, quando o Rival atravessa o estômago de Wally com um pedaço de madeira. Sangue se espalha pelo chão. O Rival foge dali em raios vermelhos, deixando Barry sozinho segurando Wally em seu colo.
— Wally! Não! Não! — Jane grita ao ver o status do irmão nos monitores.
— Os monitores dizem que ele ainda está vivo. — Cisco afirma.
— Por um fio. — Caitlin diz.
— Ele nunca foi meu Rival, sabia? Mas você pode ser. Me derrote e deixarei que busque ajuda para seu amigo.
— Não. É você que vai precisar de ajuda. — Barry afirma.
Os dois começam a lutar em super velocidade. Barry está quase vencendo Clariss quando ele começa a perder mais memórias. Momentos inesquecíveis com Jane e o Time Flash desaparecem em questão de segundos. Aproveitando, o Rival o dá um enorme soco eletrizado ao queixo, derrubando Barry contra o chão da serraria.
— Droga, Barry! — Diz Jane.
— Adeus Flash! — O Rival começa a correr em voltas, criando um enorme tornando. Exatamente como o Clyde Mardon fez na antiga linha do tempo.
— Meu Deus. É como Twister lá. O filme, não o jogo. O satélite está registrando dois funis diferente. Tornados F3 na escala Fujita. Esse cara é tipo um Mago do Tempo. — Cisco diz.
— Pessoal, eu não consigo deter isso!
— Você consegue, Barry! Escuta, você disse que nos amamos na outra vida. Eu consigo sentir todo o afeto e amor profundo que sinto por você dentro de mim escondidos pela nova linha do tempo e por isso não sei o que dizer. Se eu fosse a sua Jane, talvez eu soubesse. Tudo que eu posso dizer é que acredito em você e que você pode deter esse tornado e esse cara. Você é o Flash, Barry. Você é o Flash! — Jane diz.
— Eu sou o Flash! — Barry corre em volta do tornado da forma mais rápida que consegue. Aos poucos, ele consegue desfazer o tornado. Com um grande impulso, Barry derruba Clariss em um grande soco. — Eu consegui!
— Eu admito. Você é realmente o homem mais rápido do mundo, mas eu irei te derrotar! — Até que Clariss é acertado com um tiro. Era Joe. Barry tira sua máscara, surpreendendo Joe.
— Joe, é o Wally! Ele precisa de ajuda!
⚡
— Os sinais vitais do Wally estão fracos e ele perdeu muito sangue.
— Deve estar se curando rápido. — Jane afirma. — É um dom da velocidade.
— Eu sinto muito, mas ele não está e provavelmente não vai. Eu sinto muito.
— Joe sai dali com a cara fechada. Estava triste e decepcionado consigo mesmo. — Eu posso ir embora?
— Pode. — Barry diz.
— É por isso que eu não queria me envolver. A luta contra o crime é um saco. — Cisco diz saindo do lugar.
— Achei que podia melhorar as coisas, mas todos têm pago pela minha felicidade. Jane, vai me ajudar?
— A fazer o quê?
— Consertar as coisas.
⚡
A casa dos Allen era linda. Coberta de paredes de mármore e luminárias lindas com tons amarelos e vermelhos. Nora e Henry estavam sentados no sofá conversando e rindo lendo uma revista.
— E aí, campeão. — Diz Henry.
— Quem é essa? — Nora pergunta guardando sua revista na mesa.
— É a Jane. — Afirma Barry.
— Muito prazer, Jane. Quer beber algo?
— Não, obrigada, Senhora Allen.
— Você está bem, Barry?
— Sim, só queria vê-los mais de uma vez. — Barry afirma.
— E o que isso quer dizer?
— Nada. Nada, eu... — Barry olha para Jane e limpa parte de suas lágrimas enquanto sorri para ela. — Os últimos meses tem sido incríveis. Só queria que soubessem o quanto sou grato por ser filho de vocês. — Barry afirma.
— Barry, você está me assustando.
— Não. Não há o que temer. — Barry abraça os dois. — Eu prometo. Só saibam que eu amo vocês dois.
Os dois saem da casa. Quando estão descendo as escadas, Barry perde mais de suas memórias. Dessa vez, ele esquece tudo sobre seu passado sombrio com seus pais. Se eles não se apressassem, Barry iria esquecer tudo.
— Está piorando. Temos que ir antes que seja tarde demais.
Os dois andam até a velha fábrica, onde encontram Thawne em sua cela. Barry ainda estava tonto e ofegante.
— Dia ruim, Barry? — Thawne pergunta. — Já imagino o motivo de estarem aqui. Eu sou a reposta a todas as suas preces. Você só precisa me pedir, Barry. — Thawne diz.
— Precisamos voltar no tempo para aquela noite. Você sabe o que eu preciso que você faça. — Barry diz.
— Sei, mas eu quero ouvir de você.
— Eu preciso que você mate a minha mãe. — Barry diz com raiva.
— Com todo prazer. — Ele responde com um sorriso satisfatório e maligno.
Barry e Jane não podiam descrever o tamanho ódio que sentiam por Thawne. Jane não possuía lembranças da outra linha do tempo, mas o sentimento de desprezo e raiva pelo velocista de amarelo retornou em poucos segundos após o ver sorrindo daquela forma. Ele era arrogante e maligno. O que poderia levar um ser humano a ser tão cruel? Qual o motivo de tanto ódio pelo Flash e pela Fúria Escarlate? Essas eram perguntas que provavelmente nunca seriam respondidas, ou seriam?
— Eu te odeio. — Barry diz levantando seu rosto com uma expressão de desprezo e ódio profundo.
— E eu te odeio. — Ele responde. — As vezes me pergunto qual de nós está certo. — Thawne afirma ainda sorrindo. Barry abre a cela. Eobard anda lentamente até a parte de fora, onde respira o ar puro lentamente.
— É estranho te desejar boa sorte.
— Eu sinto muito por tudo isso, Jane.
— Eu vou saber quando as coisas mudarem? Eu vou sentir?
— Vai ser como se nunca tivesse acontecido. — Barry afirma. Jane se aproxima do rosto de Barry e encosta seus lábios nos dele de forma calma e suave, o dando um beijo silencioso. Ela sentia que precisava fazer isso.
— Eu te vejo logo logo. — A garota loira diz arrumando o casaco de Barry com um grande sorriso no rosto enquanto seus olhos se enchiam de lágrimas.
Barry caminha até Thawne, quando começa a perder mais memórias. Ele cai ao chão ofegante e desorientado.
— Para trás! Deus, como eu queria te matar agora, mas hoje eu posso ser o herói. — Thawne segura Barry pelos braços e corre pela cidade até abrir um portal. Os dois viajam até o passado. Thawne surge na sala de estar, onde Nora estava sentada chorando.
— Não me machuque, por favor. — O vilão segura uma faca prateada que estava à sua direita e a usa para esfaquear Nora Allen no coração. Ela cai ao chão morta. Naquele momento, a linha do tempo se restaura. Thawne cria um resquício do tempo, esse resquício leva Barry até os dias atuais.
— Pronto. As coisas voltaram a ser como deviam. — Thawne diz. — Para mim, pelo menos. Já para você... Bem, vai ter que esperar para descobrir.
— O que? O que isso quer dizer?
— Nos vemos em breve, Flash.
O resquício do tempo estava livre. Enquanto o Thawne original ficava preso no passado e seguia os eventos de 2014 e 2015, onde se passou por Harrison Wells e mais tarde foi apagado da existência, seu resquício faria o possível para se manter na linha do tempo. Isso não era um problema para Barry, e sim para outros heróis que viajassem pela história. Barry abre a porta. Ninguém estava lá além de Wally e Joe, o que era estranho afinal ele havia voltado no momento em que saiu, onde estava tendo uma reunião de toda a família junta conversando e rindo.
Ao ver Wally bem e vivo, Barry corre e o abraça da forma mais forte possível. Wally fica confuso sem entender nada, assim como Joe, que estranha aquilo.
— Por que? Por que fez isso?
— Que bom que está aqui.
— Você está bem? — Joe pergunta.
— Agora, sim. — Barry afirma sentando no sofá com uma expressão de alívio.
— Acabou de perder seu pai, Barry. Não tem que estar bem. — Joe afirma.
— Na verdade, eu me sinto mais próximo dos meus pais do que nunca.
— Que bom. — Joe diz entregando uma garrafa de cerveja nas mãos de Barry.
— Ao seu pai. — Wally diz.
— Ao Henry. — Joe diz.
— Ao meu pai. — Barry diz. Os três brindam as bebidas logo antes de bebe-las. Estava tarde, muito tarde. Talvez a reunião tivesse acabado. Talvez Thawne tivesse viajado para um pouco depois do esperado. Isso explicaria o porque de ninguém estar ali, diferente de antes. — Cadê a Jane?
Joe e Wally mudam sua expressão rapidamente. Pareciam desapontados e ao mesmo tempo tristes.
— Não tem graça. — Joe diz irritado colocando a garrafa à mesa. — Vou culpar o seu luto. Vejo-os de manhã.
— O que foi isso? — Barry pergunta após Joe subir as escadas.
— Está falando sério? Sabe que a Jane não está aqui. — Wally afirma.
— O que? — Barry estava confuso.
— Eles não se falam, Barry. Você sabe disso. — Wally sai dali subindo as escadas. Barry se senta nas escadas. Sente um enorme peso nos ombros. Parece que as coisas estavam diferentes, mas não de forma boa.
— Meu Deus, o que foi que eu fiz?
PRCIOU_STILES ©
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top