𝐟𝐨𝐮𝐫, red carpet


❝ Ooh, now I know what love is
And I know it ain't you for sure
You'd rather something toxic
So I poison myself again, again
'Til I feel nothing ❞

━━━ I WAS NEVER THERE,
THE WEEKND




🏁




Às vezes, dependendo do momento, Pandora se sentia mais uma atriz do que propriamente uma modelo.

Tudo que fazia parecia ter que ser planejado nos mínimos detalhes, a postura, o sorriso e até a forma de andar, nem um único fio de cabelo poderia estar fora do lugar. Em alguns momentos ela até entendia tais pressões, afinal, é uma pessoa famosa e sempre teve uma vida pública, uma das consequências de ter nascido em uma família extremamente influente em um dos maiores esportes do mundo.

Porém, existem momentos que ela não compreendia porque tanta pressão pra cima dela, ou o porquê do mundo ter expectativas logo sobre ela. Claro que conseguiria achar justificativas para tais questionamentos, foi criada para aceitar tais coisas e se portar da melhor maneira possível, mas nada tiraria a inquietação que sempre atormentava a mente de Pandora.

Respirou fundo ao sentir o carro parando aos poucos, ainda não abrindo os olhos, talvez imaginasse que se acabasse dormindo não teria que ir ao evento e ser sobrecarregada pela milésima vez na semana.

Ela sabia que as semanas de moda estavam se aproximando, ela sabia das inúmeras viagens que teria que fazer, ela sabia que o mundo estaria olhando para ela, simplesmente sabia.

Mas existe uma enorme diferença entre saber sobre algo e querer tal coisa para si.

Foi forçada a abrir os olhos ao ter uma mão um pouco pesada sobre o seu ombro esquerdo, logo encontrando o rosto de Jean, seu agente pessoal, que organiza tudo que envolve sua vida profissional há anos. Pela expressão dele, percebeu que ainda estava irritado pelo atraso na produção, em teoria, teria que ter chegado junto com o outro embaixador da marca, mas não é culpa dela que tudo tinha dado errado quando a roupa que tinham separado para ela estava um número maior.

Assim, estava no tamanho certo, era a numeração que estava nas informações de semanas atrás, mas atualmente a situação já é outra.

Pandora simplesmente desviou o olhar e aceitou a ajuda de um dos seguranças do evento para sair do carro e entrar de uma vez no tapete vermelho.

Colocou o melhor sorriso que conseguiu, atendeu alguns fãs porque sabia que Jean brigaria com ela caso "perdesse" tempo com isso e logo se prontificou a desfilar pelo tapete. As câmeras pareciam a seguir como moscas atrás de uma luz, cada mínimo movimento capturado com a maestria, mas foi quando ela parou de andar, apoiando a mão direita na curva marcada da cintura, que sentiu que estava enfrentando uma explosão solar de flashes.

Todo o evento já é grande por si só, afinal, até aquele presente momento, a YSL não tinha um embaixador global, que dirá dois.

Dois.

Uma dupla de embaixadores.

Pandora se viu contendo um suspiro ao pensar sobre isso novamente, afinal, não tem como simplesmente esquecer Satoru Gojo.

A modelo continuou com um sorriso no rosto enquanto se aproximava do piloto, conseguindo com que o platinado finalmente virasse o rosto em sua direção, mesmo que já sentisse o olhar dele sobre si.

— Serão só algumas fotos, você poderá continuar me odiando depois — sussurrou em japonês perto da orelha do platinado, enquanto fingia que o cumprimentava.

— O que você quer dizer com isso? — respondeu, enquanto ainda sorria e colocava uma mão sobre a cintura de Pandora, a envolvendo com o braço.

— Você pode até estar sorrindo pra mim, mas o seu corpo passa uma mensagem diferente.

Satoru odiou com todas as forças o fato de que ela conseguisse o ler. Talvez fosse a questão de que ambos estão nesse ramo de mídia há muito tempo e já conseguem interpretar certas coisas, mas logo ela saber algo sobre ele ateou fogo em um terreno completamente inflamável.

Posou para as fotos sentindo a irritação quase que vibrar dentro de si, mesmo que de certa forma sentisse que Pandora também não estava muito confortável pela situação, como se ela não quisesse estar ali. Mas assim, como logo alguém como ela não gostaria de estar em um evento como este? Uma linha de raciocínio falha e ilógica por essência na opinião dele.

Quando se separaram, Satoru quase sentiu uma espécie de alívio bater e por um único momento se permitiu admirar a mais nova, não conseguiria negar o tanto que ela é bonita.

O macacão que usava é do mesmo material de sua camisa, uma espécie de tule transparente, expondo toda a pele da garota, incluindo sua roupa íntima, com alguns pontos brilhantes, pela aplicação de cristais ao longo do tecido. Os clássicos saltos com a logomarca da YSL completavam o look com maestria, sem falar que o rabo de cavalo alto valorizava o longo cabelo loiro da modelo, alguém que simplesmente poderia ser facilmente confundida com uma barbie.

Mas o que realmente acabou chamando atenção de Satoru, depois de uma olhada rápida, foram os olhos de Pandora.

Um tom tão específico de castanho que seria difícil definir com exatidão, é algo puxado para o mel e dependendo da luz alguns pontos de verde apareciam, algo completamente único, mas que ela divide com uma só pessoa, o seu irmão mais velho.

Naoya Zenin.

Satoru não conseguiu continuar olhando por muito tempo e aproveitou para criar uma deixa e logo sair do tapete vermelho, estava ali há uma boa quantidade de tempo e tomou para si o fato de imaginar que já tinham tirado fotos suficientes. Suspirou ao entrar dentro do local do evento, empurrando os óculos de sol para o topo da cabeça, segurando alguns fios de cabelo no processo.

Passou os olhos pelo lugar e pela milésima vez no dia desejou que pudesse simplesmente desaparecer.

Cumprimentou todos que foram até ele, não demorando a aceitar com rapidez a primeira taça de champagne da noite, sabia que não aguentaria ficar ali completamente sóbrio. Tirou ainda mais fotos e se sentiu a pessoa mais simpática do mundo ao conversar com os maiores representantes e sócios da marca, a parceria é uma via de mão dupla e Satoru não poderia simplesmente jogar tudo para o alto, pelo menos não mais.

Pelo canto de olho, notou quando Pandora verdadeiramente adentrou a Galeria, que estava lindamente decorada com as cores preto e dourado, trazendo um ar ainda mais intimista para o evento. A modelo parecia ser quase como um imã para os olhos, como se fosse quase que impossível desviar a atenção dela, e Satoru bem sabia disso, algo que ele particularmente está achando extremamente irritante.

Eles se conhecem há anos, mas não é como se fossem próximos ou tentassem se aproximar também. Fazem parte de mundos diferentes, mesmo que existam alguns encontros e conexões, afinal, Toji é primo e padrinho da modelo.

Satoru lembra um pouco do momento em que se conheceram verdadeiramente, bem no dia da corrida que marcaria a conquista de seu primeiro campeonato mundial. Na época, tinha 21 anos e estava se sentindo um poço de ansiedade e conversava com Toji quase como se de alguma forma isso pudesse ajudar. Chega até ser estranho como tinha ido até ele para pedir conselhos, já que estavam competindo um contra o outro pelo título, mas naquele momento eram só bons amigos.

No meio da conversa, Pandora apareceu na garagem da Ikari, com os fones nos ouvidos e uma certa expressão emburrada, clássica para uma garota de 15 anos que genuinamente não queria estar ali, mas não é como se pudesse simplesmente não ir na corrida que determinaria o campeão mundial. Estava preparada para se isolar em algum canto, passar horas mexendo no celular e fugir do irmão, que estava insuportável depois de ouvir que ocuparia o lugar de Toji na equipe no ano seguinte.

Em momentos assim, Pandora simplesmente desejava ter nascido em outra família.

Porém, ouviu o seu nome ser chamado, levemente abafado por causa do volume da música que estourava em seus ouvidos, mas logo reconheceu que era o padrinho a chamando.

— Vai ficar com essa cara emburrada até quando, pirralha? — o mais velho a provocou, o que a fez revirar os olhos e só tirar um lado do fone da orelha.

— Até alguém sumir com o meu irmão da face do planeta, juro, que ser humano insuportável.

— Eu te garanto que não mais que o Megumi, ele chegou na fase de questionar qualquer decisão que eu ou a Emi tomamos.

— Você não pode julgar ele, as suas decisões são quase sempre péssimas — Satoru falou, conseguindo a atenção de Pandora.

— Acho que a de escolher você como o padrinho dele também foi uma.

— Não pode ficar mentindo assim, velho. Você se tornaria um péssimo exemplo para a juventude.

Pandora tentou conter a risada, mas falhou miseravelmente, conseguindo um olhar levemente irritado do padrinho, que bagunçou o cabelo da mais nova.

— Agora você compactua com o inimigo?

— Só quando ele tira sarro de você.

Toji simplesmente balançou a cabeça em negação, mas não conteve um sorriso leve que surgiu em seus lábios.

— Bem, acho que não preciso apresentar vocês, né?

— Também acho que não — Satoru respondeu, sorrindo simpático como sempre, e estendeu a mão na direção da loira — Satoru Gojo.

— Pandora Zenin — aceitou o aperto de mão e sorriu de volta, mesmo que o seu sorriso em si fosse bem menor.

Não é como se não tivesse gostado da presença do platinado, assim, ele parecia ser alguém engraçado e já tinha escutado muitas histórias dele das bocas de Toji e Megumi, mas o ambiente da Fórmula 1 em si nunca seria algo em que ela se sentiria plenamente confortável.

— Eu preciso ir — anunciou, enquanto mexia no fio do fone levemente inquieta — Boa sorte na corrida. Mesmo que você esteja correndo contra o meu padrinho, sei que você tem mais chances de ganhar do que ele.

— O que nós já conversamos de confraternizar com o inimigo, Pandora?

— Sou sua fã número 1, mas não me peça para ser uma ignorante.

— Por que acha isso? — a voz de Satoru chamou a atenção da loira, que ficou pensativa por uns segundos antes de responder.

— Talvez um pouco de tudo? A diferença de pontos, o seu estilo de pilotagem, o seu tempo nas qualificatórias e olha que nem vou entrar no mérito do circuito em si, porque é como se Interlagos tivesse sido feito pra você.

— Você entende de Fórmula 1 — constatou e Pandora não soube decifrar o que aqueles olhos azuis queriam transmitir, mas com certeza tinha ali um pouco de surpresa.

— Se eu não entendesse, seria deserdada da família.

Os três acabaram rindo da última fala da garota e até que foi difícil para a loira simplesmente se afastar, mas sabia que os dois pilotos tinham que se preparar e ela estava mais do que pronta para ficar fora de vista de pelo menos metade da sua família que tinha ido até São Paulo só para poder ver essa corrida. Muitos ainda acreditavam que Toji poderia conseguir mais um campeonato, mas como Pandora tinha falado, tudo parecia convergir para que Satoru Gojo entrasse para a história.

E ele realmente entrou.

Muito tempo tinha se passado desde o primeiro encontro e muitas coisas tinham acontecido também.

Pandora tinha entrado de vez no mundo da moda e se distanciado quase que completamente da Fórmula 1, aparecendo somente no GP do Japão porque é a corrida "em casa" da Ikari e nas corridas que determinavam os campeões mundiais, mas além disso? É como se para ela o automobilismo não existe e, por consequência, Satoru Gojo também desaparecesse.

Sem falar que Naoya Zenin é uma figura crucial em meio a tantas turbulências e não só na vida de Satoru, mas também na de Pandora.

— Nunca vai aprender que é pra me atender quando eu te ligar?

— E quando que você vai aprender que eu também tenho uma vida? Estou literalmente trabalhando, Naoya.

Pandora controlou com toda a vontade que tinha em seu ser a vontade de começar a xingar o irmão bem ali, mas ela não podia. Então colocou em seu rosto mais um de seus inúmeros sorrisos falsos e se afastou levemente das pessoas que circulavam pelo evento para tentar qualquer conversa que poderia ter com o mais velho.

— Vai começar de novo com essa ladainha?

— "Ladainha"? Me poupe, Naoya! Você sabe muito bem o que esse evento significa pra mim.

— Claro, você só tá aí por minha causa.

Seria mentira dizer que Pandora é confiante o suficiente para não acreditar nas falas do irmão, mas no final do dia ela é uma Zenin e só quem carrega esse sobrenome sabe o peso que ele significa. Não só por serem uma família colocada quase que em um pedestal nas mais diversas áreas, mas principalmente por terem que conviver uns com os outros, o que é quase que sufocante por si só, algo que a modelo aprendeu de uma das maneiras mais difíceis.

Afinal, quando se é a filha da segunda esposa do patriarca, já não se pode esperar muita coisa de uma família extremamente conservadora e tradicionalista, mas não é como se eles próprios fossem em algum momento abrir os olhos para a própria hipocrisia. É complicado até demais viver em um ambiente tão tóxico e diferentemente de Toji, que conseguiu se afastar, criando sua própria família, Pandora sempre se viu presa e praticamente sem escapatória.

Criada em meio a uma infinidade de críticas não construtivas, vindas de pessoas que deveriam a apoiar, é pedir muito para que a mente dela não fosse tão rachada quanto um espelho antigo.

— O que você quer? — desviou o assunto, sentindo quase como se fosse murchar contra a parede.

— É assim que você fala comigo agora?

— Só quero voltar logo pro evento, Naoya.

— E eu só quero conversar com a minha irmã, não aja como se isso fosse um problema.

A manipulação estava bem ali e talvez aceitar logo a derrota fosse mais fácil, simplesmente deixar com que Naoya contasse o que quisesse e passasse o tempo que achasse necessário falando sobre o assuntos mais inúteis do mundo. Pandora só prestou atenção na parte em que ele disse que tentaria ir em algum dos próximos desfiles que ela participaria e só de ter essa nova informação em seu cérebro foi o suficiente para que um gosto ruim se instalasse em sua boca.

Ela precisaria, definitivamente, beber muitas taças de champanhe.

Quando a ligação finalmente acabou, Pandora não se viu com vontade de sair do lugar, com os olhos castanhos fixos em uma das inúmeras vitrines da Galeria. Por um instante, até se permitiu encostar a testa contra o vidro gelado e fechar os olhos nem que se fossem por dez segundos, mesmo que de verdade não gostaria de os abrir novamente.

Porém, se afastou da vitrine e balançou a cabeça em negação suavemente, não deixaria que a sua própria mente flutuasse e voltasse a ter esse tipo de pensamento.

Voltou a abrir os olhos e logo se virou para sair dali, mas a presença de uma outra pessoa fez com que parasse de andar.

— Você também não queria estar aqui? — a voz de Pandora chamou a atenção de Satoru, que simplesmente estava agachado, com a parte de trás da cabeça encostada na parede oposta em que a modelo estava.

Já tinha um certo tempo que se "escondeu" ali, mesmo que não quisesse usar essa palavra porque se sentia meio rídiculo ao lembrar que é um adulto e que uma situação como essa, se esconder em festas "chiques", era algo que fazia quando criança. Porém, realmente não estava sendo um bom dia e uma parte de si sabia que algo parecido acontecia com a modelo a poucos passos de distância. Não tinha escutado necessariamente a ligação, mas a expressão no rosto dela denunciava o suficiente.

— Só não está sendo um dia muito fácil.

— Posso dizer a mesma coisa — a loira soltou uma risada fraca, cruzando os braços na altura do peito, enquanto levava o olhar para a direção da festa, com um claro conflito dançando nas irises castanhas.

O silêncio caiu pelos dois, somente a música abafada do evento ressoando pelo corredor e de certa forma, ambos se sentiram confortáveis ali, longe da muvuca, dos flashes e de conversas tão superficiais que irritariam qualquer um. Pandora até queria ficar mais ali, no refúgio do silêncio, mas sabia que tinha que sair e voltar a ser uma das modelos mais famosas do mundo.

Então respirou fundo e começou a andar em direção a saída do corredor, até que parou de repente, virando a cabeça na direção de Satoru.

— Quero que você saiba de uma coisa — falou, chamando a atenção do piloto.

— O que?

— Eu... Eu não sou o meu irmão. Sei que devido às circunstâncias você deve tá odiando praticamente a minha família inteira, mas não sou ele e pretendo nunca chegar perto de ser. Inclusive, sinto muito por tudo que aconteceu em Abu-Dhabi.

Satoru não soube o que dizer, genuinamente não soube, só conseguindo sustentar o olhar com Pandora em silêncio.

Ela sabia que não receberia uma resposta, nem esperava por uma, mas precisava deixar isso claro. As pessoas poderiam pensar o que quisessem dela, de verdade, realmente poderiam pensar e dizer qualquer coisa que ela não ligaria, já tinha passado da fase de se importar com a opinião de estranhos, mas isso? Ser comparada ao irmão?

Não.

Pandora definitivamente não suportava essa ideia.

E mesmo com isso, não poderia julgar o piloto por fazer essa associação, ela mesma faria, caso algo parecido acontecesse. Não conseguia mensurar o que ele e Suguru estavam passando, principalmente o moreno, com a vida praticamente virando de cabeça pra baixo por causa de segundos e do estilo nojento de pilotagem de Naoya. E em todas as vezes que tinha em sua mente aquele acidente horroroso, tanto por ver algo sobre o ocorrido na internet, ou até mesmo quando se lembrava da cena que presenciou, se forçava a tentar esquecer que o seu sobrenome também é "Zenin".

Sustentou por mais cinco segundos o olhar até que se virasse e rumasse para a festa, deixando um Satoru pensativo para trás, alguém que não estava esperando por algo assim.

Talvez fosse o fato de não serem próximos, ou até mesmo a questão de que pelas redes sociais Naoya e Pandora parecessem ser os "irmãos perfeitos", mas o platinado nunca esperaria escutar algo assim vindo dela.

A probabilidade de ter criado uma visão completamente errada da garota só aumentava com o passar dos segundos em sua mente agitada e se sentiu meio babaca por isso, afinal, se deixou levar por sentimentos que ainda não soube lidar e nem saberia se conseguiria.

Ainda não tinha tirado da mente a cena do sangue de Suguru manchando suas mãos e com certeza o cheiro de fumaça parecia o perseguir dependendo do momento.

De verdade, poderia pensar em todas as inúmeras alternativas para justificar a forma com que tratou Pandora, mas não é como se fosse achar alguma delas boa o suficiente.

Suspirou cansado e se forçou a levantar do chão, contando um minuto na própria mente antes de sair do corredor para também voltar a encarar o evento.

Talvez devesse se desculpar com a modelo.

Talvez devesse ir atrás e tentar ter uma conversa decente com ela.

Porém, algo o segurou, algo que ele não conseguiria explicar.

Mas não é como se essa fosse a última vez que se veriam, Satoru sabia disso, e talvez tal certeza fosse o suficiente para tranquilizar, nem que seja um pouco, a inquietação interminável de sua cabeça, principalmente com o nome dele, agora, sendo oficialmente atrelado ao da modelo.

Assim, não é como se não esperasse por isso, o evento tinha causado o impacto que a marca queria, com as mais diversas fotos e vídeos circulando nas redes sociais, mas é claro que o auge de tudo tinha sido Pandora e Satoru aparecendo lado a lado. Com o acidente de Suguru ainda sendo algo considerado recente, não foi muito difícil para que as "fofocas" do automobilismo começassem a se misturar com as do mundo da moda, e a aparição "surpresa" de Naoya em um dos desfiles da irmã, na semana de moda da alta costura em Paris, uns dias depois, foi o suficiente para deixar o assunto em pauta por mais tempo que Satoru poderia imaginar.

Tem certos momentos que ele realmente esquece do tanto que é relevante.

Acompanhou por cima as reações das pessoas, sinceramente só queria descansar até a próxima temporada, curtir o fim da semana de moda para poder voltar para casa e passar mais tempo em Tóquio, aproveitando a companhia de Suguru até que não desse mais por causa da rotina exaustiva de viagens para as corridas.

Porém, parecia que o algoritmo das redes sociais não estava lá muito a seu favor.

Vídeos e inúmeras fotos de Pandora praticamente bombardearam seu telefone, ao ponto de genuinamente pensar que tinham hackeado o aparelho para que tantas coisas da modelo aparecessem. Entretanto, mesmo que estivesse reclamando, toda vez que aparecia alguma coisa sobre ela, parava para assistir ou no mínimo observar, até mesmo se pegou, durante um período de tempo relativamente humilhante, preso quase que em looping contemplando um vídeo dela desfilando para a Schiaparelli em Paris.

Já tinha a visto atrair todos os olhares de uma passarela antes, nos mais diversos desfiles que tinha sido convidado a assistir, mas nunca tinha se colocado a realmente ver Pandora desfilando e com certeza é algo único de presenciar, principalmente por ela conseguir colocar personalidade no próprio andar. Muitos dizem que o ato de ser modelo de passarela é só colocar uma perna na frente da outra, mas quem é da indústria sabe que não é só isso, são as roupas diferentes e desconfortáveis até demais, dependendo da situação saltos altíssimos e até mesmo um chão que não facilita em nada no processo, de maneira que tudo, absolutamente tudo, pode dar errado em um desfile por um pequeno detalhe.

Realmente o fato de ser filha de Genevieve Biancheri já facilitou muitas coisas pra ela, tendo o legado de uma das maiores modelos da década de 90 e início dos anos 2000 nas costas e um sobrenome que com certeza consegue oportunidades únicas em um simples piscar de olhos. O ponto fica no fato de que, mesmo com tudo isso, Pandora não se deu por satisfeita e quis mostrar que ela é muito mais do que qualquer rótulo que colocaram sobre ela por causa de sua família, e o esforço vem dando resultados.

Afinal, não é todo mundo que estampa a capa da Vogue dos Estados Unidos aos 23 anos.

Satoru sabia de certas coisas sobre a modelo, a maioria tendo como fonte as informações que recebeu de Toji ao longo dos anos, mas também acaba absorvendo o que a mídia fala sobre ela.

Entretanto, algo estava o incomodando dentro de si.

Na verdade, "incomodar" talvez nem seja o verbo certo pra isso, "atiçar" pode acabar sendo mais apropriado, mas a questão é a de que mais uma vez Pandora estava ali fazendo com que a curiosidade do piloto voltasse a borbulhar, quase da mesma maneira de quando se conheceram.

Claro que na época o contexto era outro, principalmente pelo fato de que há anos atrás tudo não se passava de algo meramente do momento, até porque não é todo dia que alguém fala pro rival do próprio padrinho que acha que o "inimigo" vai vencer. Pandora tinha sido marcante a sua própria maneira, participando em um dos dias mais importantes da vida do pentacampeão, e acaba que o fato de ter se afastado quase que de maneira completa do automobilismo, um mundo de que genuinamente gostava, coloca tal "reaproximação" entre os dois em uma posição interessante na vida de ambos.

Em meio a tudo isso, uma coisa é certa, Satoru pode até não querer admitir para ninguém, e muito menos para si mesmo, mas é inegável como está levemente ansioso para poder a ver de novo e essa sensação não é única para o platinado.

Afinal, em meio a uma das inúmeras crises de insônia, em que resolveu mexer mais do que deveria no Instagram, resolveu seguir Pandora, e uma sensação boa de surpresa o preencheu quando não demorou para receber a notificação de que ela tinha o seguido de volta. Porém, ao mesmo tempo, não sabia de onde tal sensação vinha, e se viu em busca da melhor solução para esse tipo de situação: pedir ajuda aos universitários.

No caso, uma universitária em específico.

É claro que em plena quarta-feira Tsumiki já deveria estar dormindo em um horário tão bom quanto esse de duas da manhã, mas Satoru a conhecia bem demais, então não demorou a ligar o MacBook para realizar uma "ligação de emergência" por chamada de vídeo.

— Quem que você quer que eu stalkeie? — Tsumiki logo perguntou, arrancando uma risada alta do platinado.

Em outras vezes, já se safou de vários problemas pelas capacidades impressionantes da mais nova de descobrir e coletar informações na internet, inclusive evitando sair com pessoas que conseguiam ser bem mais problemáticas do que ele. Porém, é aquela velha história, as pessoas dão palco para quem querem, não é sem motivo que as pessoas mais aleatórias ficam "famosas" e conseguem dinheiro de maneira fácil.

— Ninguém — respondeu, depois que conseguiu parar de rir e se ajeitar na cama king size — É mais uma dúvida.

— Pode mandar.

— O que significa você ficar animado por alguém te seguir em uma rede social?

— Quem é você e o que fez com o Satoru?!

— Estou falando sério!

— E o que deixa tudo mais estranho.

— É só uma pergunta.

— Uma pergunta pra uma pessoa "emocionada" fazer, não alguém como você.

Satoru suspirou, conseguia compreender a lógica que Tsumiki estava seguindo, afinal, o último lance "sério" que teve foi há mais de dois anos e olha que nem foi ele quem tinha mandado a primeira mensagem.

— Eu sei, acho que é até por isso que estou te fazendo essa pergunta.

— Olha, acho que depende do contexto.

— Como assim?

— Você quer sair com essa pessoa ou só a acha atraente?

— Não sei? Assim, ela é linda pra caralho, mas não somos próximos ou algo do tipo.

— Então por que está desse jeito por causa de um "follow"?

— Eu fui meio babaca com essa pessoa...

— Me diz uma novidade.

— Ei! — reclamou e Tsumiki só riu, enquanto conferia a máscara de skin care que cobria o rosto.

— Continua.

— Enfim, fui meio babaca, mas acabou que ela é uma pessoa bem legal.

— Pediu desculpas?

— Acabou não dando tempo.

— Bem, talvez seja por isso então, tipo, você quer no mínimo demonstrar que é uma pessoa até que decente.

— "Até que decente"?

— Estou tentando ser legal!

— Imagina se não estivesse...

Os dois acabaram voltando a cair na risada, mas Satoru não demorou a se ver pensativo, refletindo sobre as palavras da mais nova, percebendo como elas são bem verdadeiras.

Ficou surpreso demais pela fala e atitude de Pandora e não poderia negar e dizer que não está se sentindo curioso em relação a ela. Pegou o celular que estava largado no colchão e voltou a entrar no perfil da modelo, observando as fotos, que em sua maioria seguiam um mesmo padrão, uma mistura de tons metálicos, preto e poucos pontos de cores, um perfil coeso e que combinava com a figura de uma super modelo.

Combinava com ela.

Soltou um suspiro ao bloquear a tela do celular e se deixou ser guiado por Tsumiki para que a conversa acabasse indo para outro assunto, realmente não sabia o que pensar sobre Pandora, o que de certa forma o animava, mesmo com uma espécie de ansiedade, diferente da que ele sente na normalidade do dia a dia, começando a se condensar dentro dele.

Afinal, quanto mais curioso Satoru fica, tudo se torna ainda mais interessante.









Oi gente!! Tudo bem com vocês?

TANTO TEMPO QUE NÃO ATUALIZO 😭

A vida tava meio corrida com a faculdade e o trabalho (agora eu tenho emprego gente KKKKK), mas aos poucos tudo vai voltar a dar certo por aqui tbm!!

E FINALMENTE PANDORA APARECEU!! O que vocês acharam da minha diva?! Juro que ela é uma das minhas personagens favoritas

Enfim, espero que tenham gostado! Não se esqueçam de votar e de comentar (eu AMO ler o feedback de vocês)!

Até a próxima ♥︎

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