𝐏𝐑𝐎𝐋𝐎𝐆𝐔𝐄
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O fim de tarde em Roma era algo lindo de se ver e apreciar.
A luz do sol batendo no meio da mistura de construções novas e antigas, famílias andando pelas ruas e os restaurantes já começando a encher. Amaya adorava ver isso, pessoas transmitindo sentimentos bons, sorrisos e risadas, mas não era algo que ela costumava a lidar no seu dia a dia.
A mulher de longos cabelos de um azul tão escuro, que facilmente poderiam ser considerados pretos, suspirou ao sentir o vento bater contra o rosto sabendo que teria mais um trabalho para fazer. Ela se levantou da mesa da cafeteria em que se encontrava deixando a quantia de dinheiro necessária para pagar o que tinha consumido.
A xamã de Grau Especial se misturou pela multidão andando pelas calçadas que se habituou a andar durante os últimos cinco dias que passou na capital italiana. Amaya chegou em seu destino parando em frente ao imponente Coliseu, um local com uma boa quantidade de energia amaldiçoada por causa da enorme quantidade de sangue que já foi derramada ali.
Ela revirou os olhos ao ter que se aproximar das autoridades italianas, que a olhavam com um claro preconceito no olhar.
É raro tanto quanto xamãs ou maldições aparecerem em outros lugares do mundo além do Japão, já que no país tem a barreira de Tengen que permite que a energia amaldiçoada seja otimizada. Logo, situações como aquela não são nem um pouco comuns, o que causa estranhamento, principalmente em um país que segue majoritariamente o catolicismo.
A feiticeira passou reto pelos policiais, cruzou os dedos e os ergueu, fazendo uma cortina aparecer e isolar o que aconteceria dentro do monumento do lado de fora. Ela começou a andar pelas ruínas de pedra se concentrando e pouco tempo depois identificou onde seu alvo está.
Se fosse em outro momento, a dona dos perigosos olhos azuis incandescentes adoraria visitar o Coliseu.
A quantidade de história e valor que a construção de pedra têm, uma das sete maravilhas do mundo, era algo que ela simplesmente acha maravilhoso. O passado sempre parecia atrair a xamã, como se a chamasse.
A maldição logo entrou no campo de visão da feiticeira e Amaya suspirou cansada, completamente de saco cheio do mundo Jujutsu.
— Não quero ter muito trabalho em lidar com você — a voz melodiosa e cansada de Amaya ecoou fazendo a sua oponente chiar ainda mais — Vamos logo acabar com isso.
A maldição era de nível 1 e com uma forma humanoide esverdeada e com dois rostos, tendo um deles saindo da barriga, uma visão realmente nada agradável. Ela avançou com velocidade em direção a Amaya, mas a mulher foi para a lateral desviando do avanço e desembainhou a katana prateada.
Girando em torno do próprio eixo e deixando a sua energia amaldiçoada fluir pela espada, a feiticeira decapitou a maldição o que fez o sangue arroxeado sair do pescoço da maldição. O corpo caiu no chão e a xamã não esperou muito para fincar a katana bem no meio do segundo rosto, causando um chiado extremamente alto do alvo.
— Eu disse que ia ser rápido - a mulher suspirou deixando a sua energia amaldiçoada fluir novamente para a katana — Chamas Infernais.
Ativando sua técnica amaldiçoada, chamas azuis surgiram queimando tudo o que restou da maldição, não deixando um resquício sequer para trás, também indicando o fim de mais um trabalho. A feiticeira desfez a cortina guardando de volta a katana na bainha e se dirigiu até a saída do Coliseu.
— Já terminou? — um dos policiais comentou com o parceiro ao ver a mulher vestida totalmente de preto passar na sua frente.
— Óbvio que já, isso é só coisa de gente doida. Quem que em sã consciência acreditaria que as paradas cardíacas daquelas duas senhoras tem algo a ver com feitiçaria? - o outro respondeu debochando da situação.
Porém, ao voltar o seu olhar para a mulher, o policial se assustou.
Era como se os olhos dela estivessem em chamas.
— Você pode ver, não é? — a mulher perguntou em italiano, mostrando que tinha escutado o que eles tinham falado — É engraçado como os humanos só acreditam nas coisas quando enxergam, a necessidade de saber tudo o tempo todo — a mulher encarou o céu — Patético.
A mulher voltou a se afastar deixando os dois policiais assustados para trás e começou a fazer o caminho de volta para o hotel que estava hospedada, cansada da mesma ladainha de sempre. Desde que saiu do Japão, era a mesma rotina, pulando de país em país e fazendo alguns trabalhos no meio do caminho.
Fugir era algo extremamente cansativo.
Alguns minutos depois, algo começou a incomodar a xamã, a sensação de ter uma presença perto de si. Ela continuou o seu caminho e poucos metros depois confirmaria o que sentia.
Estava sendo seguida.
Amaya não era burra em não perceber o homem de terno preto e óculos de grau que, mesmo estando a uma certa distância, ela conseguiu sentir energia amaldiçoada emanando dele. A feiticeira revirou os olhos antes de entrar no primeiro beco que encontrou e esperar o homem aparecer.
— Se você acha que eu não ia perceber que estava me seguindo, saiba que está completamente enganado — a mulher disse apontando a katana na direção do pescoço do homem.
— Eu não poderia esperar nada diferente de uma das únicas cinco pessoas que são consideradas xamãs de Grau Especial.
— Quem é você? — ela pressionou a katana mais um pouco.
— Kiyotaka Ijichi, assistente da Academia de Jujutsu de Tóquio.
— Os superiores que mandaram você aqui?! — Amaya perguntou sentindo uma certa quantidade de raiva queimar dentro de si.
— Não, foi o diretor Yaga Masamichi.
Amaya retirou a katana do pescoço do homem, praticamente na hora que ouviu aquele nome.
Enquanto Ijichi respirava aliviado por não ter mais a sua vida nas mãos da mulher que ele teve que viajar horas e horas para encontrar, já que a mulher à sua frente nunca ficou em um mesmo país por muito tempo. A Okumura tinha agora uma expressão confusa no rosto ao ouvir o nome do seu antigo professor enquanto ainda era aluna na escola em Tóquio.
— O que de tão importante aconteceu para ele te mandar vir atrás de mim? — a mulher perguntou guardando a katana de volta na bainha.
— Ele a quer de volta no colégio. Aconteceram algumas coisas que ele quer que a senhorita esteja perto, caso algo aconteça fora dos eixos.
— Ele sabe muito bem que eu não volto pro Japão tão fácil assim.
— Tenho plena certeza disso, senhorita Okumura. Porém, se envolver a possibilidade da existência de um hospedeiro de Sukuna, acho que essa realidade mudaria, certo?
— Isso só pode ser brincadeira — Amaya disse irritada.
— Temo em lhe informar que não. Realmente existe um hospedeiro de Sukuna e tanto o diretor Yaga quanto Gojo Satoru querem você na escola.
— O que Gojo Satoru tem a ver com isso? — Amaya perguntou colocando a mão involuntariamente no cabo da katana.
— O hospedeiro é um jovem que vai começar a cursar o primeiro ano no colégio e Gojo Satoru é o professor da turma dele.
— Então ele realmente virou um professor — a feiticeira disse em um tom de voz mais baixo.
— O diretor Yaga me afirmou que talvez não quisesse voltar, mas é uma situação extremamente delicada.
— Eu entendo — a mulher passou as mãos pelo rosto frustrada, sabendo que era uma situação que ela não tinha controle nenhum — Só tenho uma dúvida, como esse garoto ainda está vivo? Porque pelo o que eu conheço dos superiores eles já teriam o matado.
— Gojo-san interviu diretamente no julgamento dele e conseguiu mudar a situação.
— Entendi — a mulher respirou fundo e levantou o rosto vendo o céu adquirir a coloração escura da noite — Ele quer que eu esteja no Japão quando?
Kyotaka sorriu ainda mais aliviado ao ouvir a pergunta da xamã e pegou um envelope de dentro do terno o entregando para Amaya, que arqueou uma das sobrancelhas ao ver o conteúdo.
— Passagens para amanhã?
— Gojo-san assegurou que a senhorita aceitaria voltar, então ele mesmo já comprou as passagens para a sua volta.
— Ele continuou sendo um prepotente — Amaya resmungou.
— Encontro a senhorita amanhã no aeroporto?
— Acho que sim - ela deu de ombros — E desculpa por ter quase cortado o seu pescoço.
— Sem ressentimentos — o homem sorriu de leve — Até amanhã, Amaya Okumura.
— Até.
O homem se curvou levemente para a mulher e saiu do beco já pegando o celular para realizar uma ligação para o diretor avisando que Amaya tinha aceitado voltar. Já a xamã respirou fundo segurando o envelope que a levaria de volta para a terra natal, onde não pisava a mais dez anos.
Os olhos azuis tiveram sua atenção roubada por um pequeno papel também azul dentro do envelope e Amaya mordeu o lábio inferior ao reconhecer aquela letra, a letra da pessoa que a fazia duvidar todos os dias se tinha valido a pena ou não ter ido embora.
"Sempre soube que te veria de novo, Flame Queen"
— Você realmente não toma jeito, Infinite King — a mulher balançou a cabeça em negação guardando o envelope dentro da jaqueta de couro que usava e começou a andar em direção a saída do beco.
Amaya mal sabia o que aconteceria quando voltasse à terra natal ou, mais especificamente, quando voltasse a encontrar aqueles olhos infinitos.
Oi gente! Tudo bem com vocês?
Esse foi o prólogo e eu tô MUITO curiosa para saber sobre as primeiras impressões de vocês da Amaya! E tbm quero saber quais as teorias de vocês sobre o fato dela estar "fugindo"!
Bem, espero que tenham gostado e não se esqueçam de comentarem o que acharam (amo ler o feedback de vocês) e de votarem no capítulo!
Até a próxima! ♥︎
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