𝐁𝐈𝐓𝐄𝐋𝐋𝐎, ᴅɪɴᴀᴍᴏ


S / N SACRAMENTO

O relógio marcava quatro horas da tarde e a praça estava começando a ficar mais cheia.

Eu gostava de observar as pessoas sendo humanas das formas mais bobas possíveis. Crianças corriam, pediam balões de desenhos animados de seus pais, soverte ou outras guloseimas que estavam sendo vendidas. A zoada das pessoas na praça eram abafadas pelos headfones que estavam em meus ouvidos emitindo música.

O vento que varreu a praça era um pouco gélido e ao mesmo tempo caloroso, trazendo o aroma das Jasmins que estavam expostas na floricultura, ao lado da cafeteria ao qual eu estava. O cheiro forte de café puro era característico do lugar, mas não era nada enjoativo.

Enquanto meu café não chegava, eu me distraia escutando música e desenhando no caderno da capa de couro. Observei os arredores do café, as mesas estavam todas cheias de pessoas, rindo e conversando animadas, enquanto eu estava sozinha e olhei para frente, vendo apenas uma cadeira vazia, a minha mesa parecia mais afastada das demais. Fechei meus olhos e suspirei, inspirando e expirando o ar dos meus pulmões.

Mas meu momento de paz se foi assim que senti um toque em meu braço. Abri os olhos e retirei o fone de meus ouvidos, corrigindo minha postura na cadeira.

— Perdão, não queria assustar você. – Um rapaz disse, parado ao meu lado. –

Observei sua fisionomia. Seu rosto era fino, mas seus olhos e sorriso tímido eram lindos. Mesmo que estivessem escondidos pelo capuz de seu casaco, os cabelos encaracolados tinham luzes, o que o deixava mais atraente. Olhando todo o seu físico, ele era perfeitamente lindo.

— Não, tudo bem. – Devolvi o sorriso tímido. –

— Eu espero não estar incomodando, é que as outras mesas estavam ocupadas e você tava sozinha, aí eu pensei: "porque não juntar o útil ao agradável?" e me sentar aqui com você. – Ele disse coçando a nuca, nervoso. — Ao menos que você já esteja com alguém ou queria ficar sozinha, não quero incomodar e nem nada...

Ele ia continuar falando, mas eu interrompi:

— Não tem problema, pode se sentar, eu estou sozinha. – Sorri mais amplamente e vi que ele ficou menos nervoso, e sorriu também. –

— Tá bom, muito obrigado e desculpa incomodar.

— Não precisa se desculpar. – Esclareci. –

— Tudo bem, essa já é a segunda cafeteria que eu vejo que tá cheia. Eu só queria tomar um café. – Ele se sentou, fazendo uma careta. Seus olhos ficaram ainda mais bonitos com a luz alaranjada do pôr do sol em seu rosto. –

— Sim?! É segunda-feira, eu sempre venho nessa cafeteria e nunca vi ela tão cheia quanto hoje! – afirmei, fechando meu caderno. –

— Já que você sempre vem aqui, poderia me indicar o que comer, são muitas opções. – Ele disse olhando o cardápio. –

— Hum, deixa eu pensar... – ele olhou em meus olhos, encarando-me esperando minha resposta. Mas eu não consegui dizer nada, pois me distrai nele. — É- é, eu gosto do sanduiche integral completo e café da casa.

Respondi um pouco nervosa por ter passado mais tempo o admirando do que pensando em uma resposta. Ele sorriu e deixou o cardápio sobre a mesa.

— Vou confiar na sua sugestão... – ele umedeceu os lábios com a língua e eu acompanhei cada movimento seu com os olhos. — Percebi que eu não perguntei teu nome.

— Meu nome é S / N. – Sorri e o rapaz sorriu ladino. –

— S / N ... interessante...

— E aí? – perguntei. –

— E aí, o quê? – ele perguntou. –

— Não vai me falar o seu? – ele rolou os olhos, de forma divertida, reprimindo um sorriso provocador e deu de ombros. Uma garçonete se aproximou e anotou o pedido do misterioso à minha frente –

— Não sei. – Ele respondeu e eu fiz uma expressão de choque um pouco exagerada. –

— Qual é? Eu te falei o meu!

— Vou pensar no seu caso... – ele riu quando me viu bufar. — Assiste futebol?

— Não, prefiro tênis. – Respondi. –

— Como assim você nasceu no país do futebol e não assiste futebol? Em que caverna você vive? – ele retrucou. –

— Vai me julgar por isso?

— Sim. – Ele respondeu simples. –

Peguei dois pedaços de papel e fiz uma bolinha, atirando-a nele, que riu.

— Por mais que eu não assista futebol, meu pai é louco pelo Grêmio. – falei. –

— Pelo menos ele tem bom gosto. – O rapaz arrumou o casaco na cabeça. Mesmo que estivesse sol, não estava quente, mas também não era necessário usar casaco. –

— Por que você tá de casaco, tá fugindo dos pais? – perguntei humorada. –

— Quem me dera, é bem pior do que os meus pais. – Ele respondeu, desviando o olhar. –

— Você é o quê? Foragido da polícia? – ele riu alto e eu ri também. — Meu pai é tenente do capitão da marinha. Se você der um sumiço em mim, nem vai ser mais da polícia que você vai fugir.

— Eu também não sou foragido da polícia pra sua informação, princesa. – Sorri tímida com o apelido. — Quem deveria ser procurada pela polícia era você.

— Eu?! Por que eu?! – perguntei. –

— Roubou toda beleza do mundo. – Ele piscou um olho e eu virei o rosto, rindo tímida, para que ele não visse meu rosto corando, mas não adiantou. O garoto riu, uma garçonete chegou com o meu pedido e eu agradeci. Depois que ela foi embora, o cacheado disse: — Iiiih, ficou com vergonha, linda?

— Ai, cala a boca! – ri, antes de beber o café quente. — O que você faz da vida, senhor mistério?

— Vish... – ele coçou a nunca e sacodiu a perna, parecendo desconfortável. –

— Eu tô realmente começando a achar que você é foragido da polícia.

— Eu não sou. Eu sou atleta. – Ele respondeu. –

— Atleta de quê?

— Já não posso responder.

— Quando eu acho que vou saber algo sobre você, você corta a minha onda. – Ele riu, corrigindo a própria postura. –

— E você? que você faz da vida? – ele perguntou. –

Comi mais um pedaço do meu sanduiche de carne e, assim que terminei de mastigar, respondi:

— Eu estudo Artes e faço estagio em uma escola voltada somente para Artes. – suas sobrancelhas se erguerem em surpresa. –

— Uau, estou conversando com uma artista. – Confirmei sorrindo. — Já vou até pegar seu número pra pintar uns quadros pra decorar a minha casa.

Eu ia responder sua provocação, mas meu celular começou a receber uma chamada.

— Estão me ligando, tem problema eu atender?

— Não, logico que não. Fica à vontade. – Ele respondeu prontamente. –

Enquanto eu atendia, outra garçonete chegou com o pedido do rapaz.

— Alô? – perguntei. –

Alô? Eu falo com S / N Sacramento? – a pessoa no outro lado da linha perguntou. –

— Sim, sou eu sim.

Pois bem, meu nome é Henrique Montes, eu sou dono de uma galeria e nós, direção da galeria, estamos planejando uma exposição daqui a três meses. – Ele continuou a falar e eu ouvia tudo atentamente, sem pede um detalhe sequer. — Nós estávamos buscando artistas para essa exposição e você foi indicada para mim pelo pintor Arthur Chaves, um antigo amigo meu e você também deve saber quem é.

Sei sim, somos amigos também. – Eu tentava controlar a entonação da minha voz, para que ela não vacilasse. Minhas mãos tremiam de nervosismo, eu estava muito emocionada e pensar que ele havia pensado em mim era muito impressionante. –

Eu vi algumas de suas obras e ele realmente não errou em indicar você. Suas pinturas e escultura me agradaram muito! – Henrique disse e eu ri tímida, espantando um pouco do nervosismo. — Você pode vir aqui para termos uma reunião de como vai ser a exposição.

Claro, quando pode ser?

Agora, pode ser? Quanto mais rápido melhor.

— Agora...? – olhei para o rapaz a minha frente, ele estava com uma expressão de dúvida. –

Sim, ou você está ocupada?

Não. É... Pode ser agora. – Respondi. –

Tudo bem então. Estou no aguardo, e não se preocupe com a localização, eu enviarei para você pelo e-mail. Até daqui a pouco! – o saudei também e o homem desligou. –

Eu ainda estava em choque que mal conseguia respirar.

Eu vou expor meus quadros. Puta que pariu!

Tudo bem, S / N? – o rapaz me chamou e eu voltei a terra. –

Eu sorri. Pode ser impressão minha, mas eu jurei ter visto seus olhos ganharem um brilho diferente.

— Ah, tá tudo bem sim. Eu só recebi uma notícia muito boa. Eu vou expor meus quadros em uma galeria!

Suas sobrancelhas se ergueram e ele abriu um sorriso lindo.

— Que foda! Parabéns! – eu agradeço. — Quero ver seus quadros, hein. Me chama quando acontecer a exposição.

— Claro, mas como que eu vou falar com você?

— Não seja por isso.

Ele se esticou e pegou meu caderno, que estava na mesa, e pediu uma caneta. Entreguei e o mesmo anotou alguma coisa no caderno.

— Agora você tem meu número. – Ele piscou e eu tive a certeza de que meu rosto estava corando. –

— Ah, eu preciso ir. O dono da galeria quer uma reunião agora. – Comecei a recolher minhas coisas. –

— Poxa, mas foi ótimo passar essa tardezinha com você, você é uma ótima companhia. Muito obrigado! – o garoto sorriu e eu sorri de volta. Nos levantamos e ele me puxou para um abraço. –

— Eu que agradeço, você também é uma ótima companhia! – sorrimos um para o outro novamente e eu não pude deixar de admirar seus lábios, meus pensamentos logo viajaram para cenários onde eu grudava meus lábios nos dele. Afastei os pensamentos depressa e antes que eu me distanciasse, ele me chama:

— S / N! – me virei para o garoto. — Meu nome é João Bitello.

Ri e falei.

— Foi um prazer te conhecer, João Bitello. – Acenei e fui embora. –

[...]

As semanas seguintes foram completamente malucas. Eu imaginei que Bitello e eu não manteríamos mais de três dias conversando, mas conseguimos perdurar os diálogos, e até quando estávamos muitos ocupados ligávamos um para o outro por chamada de vídeo e ficávamos conversando por horas.

Sempre tentei tirar alguma informação sobre o que ele trabalhava, mas ele nunca me disse. João parecia saber dos meus truques para tentar suborna-lo a contar. Ele dizia que eu era boa de lábia, mas ele conseguia saber nas entrelinhas as minhas intenções.

Você fica linda concentrada. – João disse como metade da cara enfiada no travesseiro, sua voz estava mais rouca que o normal, e sua fala quase saiu como um murmuro. –

Me afastei da tela e encarei o celular no suporte, admirando a beleza escultural na tela. Sorri tímida, não sabendo como reagir.

— Você está sendo modesto. Eu tô' toda jogada! Esse cropped é velho e essa calça moletom é mais antiga que a minha vó, sem contar que tá toda suja de tinta... e o meu cabelo? Meu cabelo tá terrível! – pontuei e João riu, discordando de cada ponto que eu apresentava. –

— São as pequenas coisas que te fazem perfeita, até seus defeitos te tornam maravilhosa. Porque tudo o que te compõe é perfeito. – Me afastei da tela novamente, com o queixo caído com suas palavras. Ele realmente havia me pegado, eu não estava esperando por isso. — Oh, filosofei né?

Uau, acho que vou tatuar isso. – João riu, mexendo-se em sua cama. Inclinei meu rosto levemente para a esquerda e estreitei os olhos, admirando-o novamente, estudando seus traços e perfil. — Eu deveria te colocar em um quadro.

Me senti lisonjeado, eu vou ter que ficar nu igual aqueles quadros antigos? – Bitello disse brincalhão, e eu ri alto de sua brincadeira. –

— Só se você quiser, eu ia adorar. – Voltei minha atenção para o quadro quase completo em minha frente. –

Opa, mas cê sabe que eu só fico nu pra você fazer outra coisa né? Já vi que você é ótima com as mãos fazendo esculturas e pinturas, será que é boa em outra coisa também? – João disse em tom malicioso. mordi os lábios, entrando em seu jogo. –

— Porque não vem aqui experimentar? – sugeri e Bitello pareceu gostar da minha resposta. Suspirou e olhou para cima, observando o teto. –

Queria ver você, mas essa semana tá muito apertada. Não aguento mais! – Bitello exclamou. Era verdade, eu estava surpresa que ele ainda estava acordado conversando comigo. As cinco da tarde, Bitello me mandou mensagem dizendo que voltou de seu "trampo" extremamente cansado. –

Achei que ele iria descansar, mas sua ligação por vídeo me impressionou. Seu desejo por me ver e conversar comigo superou seu cansaço, e nem a distância impediria seu desejo.

— Não que eu queira isso, não me entenda mal, eu adoro conversar com você, mas você não quer dormir? – perguntei atentamente. –

Já te falei e vou falar de novo: tô' com saudade de você. Essa é a única forma de te ver, eu e você vamos estamos sem tempo. – Ele se justificou. –

— Também tô' com saudade.

Eu falei que a gente deveria estar namorando, mas você não quer, o que eu posso fazer? Só tá faltando o seu sim e a gente se assumir, porque eu já tô te namorando desde que a gente se conheceu.

Parei mais uma vez para sorrir boba. Esse garoto não tem noção do quanto mexe comigo.

Os últimos encontros, quase toda semana, no último mês, me fizeram ficar cada vez em sua mão. Eu sou uma pessoa que se entrega muito, mas é muito difícil isso acontecer. Porém, eu vi a sinceridade em seus olhos, eu vi que ele me queria tanto quanto eu o queria. E não eram só os olhos que o entregavam, o sorriso, as ações, as palavras, tudo entregava seu estado. Você sabe quando uma pessoa está mesma vibe que você pela forma como ela te trata, e eu sou muito boa em ler isso também.

Acho que já deu de trabalho por hoje, né? Te liguei cinco horas e cê' disse que tava' trabalhando desde meio-dia, já são quase onze horas. – Bitello avisou. Ele tinha razão, eram 22:17 e eu quase não parei para descansar, mas pelo menos eu estava quase para finaliza-lo. Eu nunca percebo o tempo passar quando estou pintando quadros, fazendo esculturas ou qualquer coisa que envolva arte. –

— Você tem um ponto, eu vou tomar banho, comer algo e ir dormir.

Assim espero, quero ver você fazendo tudo isso. – Bitello disse autoritário, eu soltei uma leve risada com a forma com a qual ele falou. –

— Sim, senhor. – Bati continência. João sorriu. –

Fui guardando meus materiais em meu ateliê – um quarto minúsculo cheio de caixas e tinta sujando as paredes, pinceis, gizes e outras coisas que eu iria arrumar outro dia. Meu apartamento era pequeno, mas era suficiente para mim. Parti para o banheiro, tirando minha roupa, sem Bitello ver – mesmo com seus protestos, querendo me ver –, e tomando banho, continuando a conversa.

Comi e fui para minha cama. Estava quase tudo escuro, se não fosse por uma luminária de luz amarela. Bitello lutava para deixar seus olhos aberto, mesmo sendo terrivelmente vencido pelo cansaço.

— Vai dormir.

Quero ficar mais um pouco com você.

— Eu vou continuar com você quando você estiver dormindo. – Bitello sorriu de olhos fechados, se dando por vencido deixando o sono leva-lo. –

Eu te amo, e tô com muita saudade.

Eu fiquei estática com suas três primeiras palavras. Estávamos nos encontrando a mais de um mês, mas nunca tínhamos falado nada desse tipo um para o outro. Nada além de flertes e elogios.

Não consegui nem o responder, já pude escutar seus leves roncos. Fiquei um tanto confusa. Meu coração estava acelerado e meu rosto estava inexpressivo.

Ele me ama? Porque se sim, eu também amo ele.

[...]

Eu andava de um lado para o outro, organizando tudo para agilizar a finalização da exposição. Os dois meses passaram voando, e quanto mais a exposição se aproximava, mais meu tempo se tornava curto e eu não conseguia fazer mais nada a não se projetos para a exposição.

Hoje era o dia tão ansiado por mim e por outros artistas. Eu estava nervosa, mesmo satisfeita com meus quadros e esculturas eu espero que gostem do que fiz.

Aos poucos a galeria foi ganhando a presença de críticos, admiradores e outros artistas. Passei a me movimentar pela galeria, cumprimentado os pintores e escultores que estavam lá. As obras eram impecáveis, eu não conseguia olhar para os projetos sem deixar de me apaixonar. Em meio de tantos quadros lindos, comecei a achar os meus simples e modestos, algo que estava me causando uma agonia e ansiedade.

Enquanto eu comtemplava mais um quadro, estava tão imersa que nem percebi que tinha alguém atras de mim.

— Quadro interessante, mas prefiro as obras daquela artista chamada S / N Sacramento. – Me virei subitamente para minha esquerda ao escutar a voz e ver o rosto de quem a possuía. –

Lá estava Bitello com seu sorriso perfeito. Me joguei em seus braços o apertando fortemente, bitello deixou um beijo em minha bochecha, acariciando minhas costas. A saudade foi aniquilada e agora eu sentia que as preocupações foram embora.

O que você fez comigo, João?

Ele se afastou um pouco e colou nossos lábios rapidamente, mantendo-me sob seu aperto. Eu não queria sair dali e encarar a realidade de diversas pessoas nos observando, os cochichos aumentaram gradativamente.

Nos separamos, sem abrir nossos olhos, apenas desfrutando do calor que os nossos corpos irradiavam, contrastando o ambiente frio. Ao fim do beijo, alguns assovios soaram pelo ambiente e eu fiquei tímida, eu não era familiarizada com ambientes onde a atenção estava sobre mim.

— Que coisa, senhor Bitello. Esse é o motivo pelo qual você sempre dá uma desculpa esfarrapada pra sair voando dos treinos? – os olhos de Bitello arregalaram e ele se virou rapidamente. –

— Professor? – ele perguntou, surpreso, até incomodado, eu diria. — O que o senhor está fazendo aqui?

— Acompanhando minha esposa. Uma amiga dela nos convidou para dar uma passadinha aqui porque um amigo em comum ia expor alguns quadros e blá blá blá. – O homem de cabelos grisalhos disse em um tedioso que quase me fez rir. –

— Eu sei quem é você! Você é o Renato Gaúcho! Meu pai tem um quadro seu de quando você jogava. – Eu sorri. O mais velho sorriu minimamente também. –

— Pelo menos seu pai tem bom gosto. Deixa eu só te fazer uma pergunta, quando você conheceu o Bitello, não tinha garoto melhor não? – Renato perguntou irônico. João o encarou de modo desafiador e negou com a cabeça. Eu ri antes de responder. –

— Mesmo que tivesse, o João é suficiente para mim, eu não iria querer, e nem quero nenhum outro se não for ele. – Olhei para Bitello, que me encarava com um pequeno sorriso bobo nos lábios e deixou um selar na minha testa. –

Renato fez uma expressão de impressionado meio exagerada.

— Você acertou quando conheceu essa garota. Boa sorte para vocês, principalmente pra você, aturar ele não é fácil. – Renato disse, e alguns tapinhas no ombro de Bitello, que parecia indignado com as alegações de Renato. –

— Eu vou ter que concordar com você no quesito de aturar ele. – Renato riu da minha fala e se despediu, começando a andar para outra parte da galeria. –

Bitello estava com uma expressão engraçada: seu queixo estava caído e suas sobrancelhas arqueadas, expressado sua indignação com minha fala.

— Em que momento isso se voltou contra mim? – ri e passei meus braços por seu pescoço enquanto seus braços rodearam a minha cintura. –

— Em momento nenhum, eu apenas disse a verdade. – Ele me olhou bravo, ou fingiu. –

João suspirou e disse:

— Acho que agora eu te devo um esclarecimento sobre a minha vida, não é?

— É, você deve!

— Eu te explico tudo, prometo, mas prefiro em um lugar privado.

— Vamos pro' meu apartamento. – Sugeri e João pareceu gostar da ideia. –

Foi difícil despistarmos a vista das pessoas sobre João, os jornalistas estavam surpresos com a presença dele ali e queriam falar com ele, mas o mesmo negava todas as perguntas. Alguns tentavam se dirigir a mim perguntando "se tínhamos algum tipo de relacionamento" ou "o que eu estava fazendo com Bitello", mas João, grosseiramente, dizia que não estávamos à disposição de dar entrevistas.

O trânsito não estava tão pesado, então o caminho até meu apartamento foi mais rápido que o de costume, mesmo a galeria e meu apartamento sendo bem distantes um do outro – se Bitello pudesse colocar asas no carro e transforma-lo em jatinho, eu acho que ele o faria.

O rapaz adentrou meu apartamento, segurando minha mão e suspirou, sentando-se no sofá junto de mim.

— Tá... por onde eu começo...

João começou contar sobre a sua infância e em como entrar para uma escolinha de futebol mudou sua vida completamente. Bitello demorou a convencer seus pais de que era aquilo que ele queria viver. O sonho de criança amadureceu e se tornou o que é hoje: um jogador de futebol do Grêmio. Ele contou sobre sua trajetória nos últimos meses até chegar no evento da cafeteria, onde nos conhecemos.

Fiquei surpresa comigo mesma por não ter percebido nenhum indicio se quer disso. Ele conseguiu esconder bem de mim.

— E é isso. Eu não contei desde o início, que eu era jogador de futebol, porque eu queria que você me conhecesse pelo que eu era de verdade, e não pela minha profissão. Eu gostei de você no momento em que eu olhei nos seus olhos, eu tive certeza de que queria conhecer você. – João continuou dizendo. — Eu consegui te mostrar quem eu era de verdade, sem precisar do meu eu profissional. Você viu e vê quem eu sou de alma e coração.

Meus lábios se moviam, mas não saia som qualquer de dentro dele.

— Me desculpa se você ficou chateada por não ter te contado sobre isso. Parece algo idiota. Dá pra sentir a diferença na forma que as pessoas te tratam, e você me fez eu me sentir tão bem. E foi até divertido ver você tentando adivinhar com o que eu trabalhava. – Ele riu e eu também. Mordi meus lábios, prendendo-os em um sorriso e desviei meus olhos para a xicara de café vazia entre minhas mãos. –

O jogador escovou meu cabelo para trás e segurou meu rosto com as duas mãos, me obrigando olhar em seus olhos. Ele me olhava com amor e adoração, e também imploravam por alguma resposta ou ação.

Mas eu não conseguia me expressar através das palavras. Algo me impedia de falar, nada mais do que suspiros saiam minha boca e meu silencio estava o deixando mais nervoso ainda.

Fechei meus olhos e apenas deixei meus sentimentos tomarem conta dos meus atos. Quando eles assumiram o controle, tomei os lábios de João para mim e tudo perdeu o significado, nada importava mais do que o nosso momento.

Suas mãos foram para meu cabelo e cintura. Eu beijava seus lábios carnudos e macios como se fosse a primeira vez e ao mesmo tempo como se fosse a última. Eu o beijava como se ele fosse meu primeiro amor e estivesse entregando meu coração e alma.

Era esse garoto ao qual eu passaria minhas ultimas noites e esperava que ele desejasse o mesmo. O jeito que ele se entregava para mim era diferente de tudo o que eu já tinha visto, e tudo o que eu sinto, não senti por outro ninguém. Eu mentiria por ele e isso era insano. Talvez eu ame e um amor insano.

Demorou para que entrássemos em consenso de que era hora de pararmos e deveríamos buscar por ar. Minha respiração descompassada não significava apenas que Bitello havia me tirado o folego, eu estava começando a ficar excitada e ele sabia disso.

Começou a tocar nos meus pontos fracos para me atingir e fazer-me com que eu me rendesse, mas minha guarda já havia ido com Deus nessa altura do campeonato.

Suas táticas de sedução estavam funcionando muito bem. Quando me vi, já estava deitada no sofá com a blusa bem longe de mim e Bitello beijava calmamente meu abdômen.

— João. – Seu nome saiu como um sussurro de um suspiro delirante. –

Seus olhos se fixaram em mim e ele sorriu, levantando-se e se direcionando até meu ouvido.

— O que foi, meu amor? – João sussurrou. –

Mas eu não consegui a reagir, abri minha boca, mas nada saiu. O poder que João Bitello tinha sobre mim. Era como se eu estivesse prestes a ter um orgasmo sem nem ter sido estimulada.

— Fala, meu amor. – Sua voz suave me fez voltar a realidade, mas eu continuava área e Bitello achava graça da minha situação. -

Dei minha resposta empurrando seu corpo e o fazendo ficar sentado no sofá. Subi em seu colo, envolvendo seu pescoço com meus braços e movendo meu quadril fortemente contra o seu.

— Hoje você é minha, S / N. – Ele disse fraco, quase fechando os olhos por conta de meus movimentos. –

Sempre fui.

NOTA DA AUTORA

Oi, oi, pessoal! Perdão pelo sumiço, a escola tá sugando muito meu tempo e, muita das vezes, eu não consigo escrever, mas enfim! Queria ser mais ativa aqui, porém nem sempre as coisas saem como a gente quer.
Eu tava com muita saudade de escrever e consegui finalizar esse capítulo do Bitello
Espero que vocês tenham gostado e um beijão!
(Spoiler: em breve teremos um Hot do Matias Rojas e Piquerez)
Inclusive, hoje é aniversário da autoraaa!! Mais um ano completo!

Obrigada por ler até aqui! Até a próxima!

___________________________
Sir Ariella, Febre90's
Imagine©

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top