𝐃𝐎𝐈𝐍' 𝐓𝐈𝐌𝐄 | 𝐀𝐫𝐦𝐢𝐧 𝐀𝐫𝐥𝐞𝐭 [+18]

Evil, I've come to tell you that she's evil, most definitely
Evil, ornery, scandalous and evil, most definitely
The tension, it's getting hotter
I'd like to hold her head underwater

Summertime, and the livin's easy
Bradley's on the microphone with Ras MG
All the people in the dance will agree that we're
Well-qualified to represent the L.B.C
Me, me and Louie
We gon' run to the party and dance to the rhythm
It gets harder

– Doin' Time - Lana Del Rey







DOIN' TIME





Existem certas coisas sobre a vida que Armin sempre se questionou ou, no mínimo, contemplou, mesmo que, dependendo do assunto, sejam perguntas que não possuem uma resposta completa, ou exata. A vida e o mundo são muito relativos, dependem diretamente das peculiaridades de cada um para plenamente existirem e no caso, em um planeta com quase 8 bilhões de pessoas, nada vai ter uma respostas consensual.

Isso sempre foi algo que o encantou, como o ponto de vista sempre acaba sendo diferente ou somente "relativo" e se formos parar para pensar, acaba sendo quase impossível as pessoas concordarem completamente entre si, sempre vai existir nem que um ponto ínfimo de discórdia. Claro que existem os momentos que a maioria vence, na maior parte do mundo e das relações pessoais é assim que funciona, mas existem situações em que a minoria consegue ser, até mesmo, muito mais importante.

Quando a sua vida é baseada no que é considerado "errado'', isso fica muito mais evidente e claro, como tudo depende do ponto de vista.

O loiro refletia sobre tais questões enquanto observava mais uma das várias chuvas de verão se chocar contra o vidro de uma das enormes janelas que decoram sua mansão, que é localizada em uma área mais escondida e privada do subúrbio norte da cidade de Paradis. A tempestade castigava a noite e trazia um ar quase abafado, somente sendo quebrado pelos raios e relâmpagos que cortavam o céu com eletricidade.

Um suspiro saiu dos lábios de Armin quando ouviu batidas suaves na porta dupla de seu escritório, o som quase tinha sido sobreposto pelo barulho da chuva. Andou devagar até o outro lado do ambiente e abriu a porta de madeira escura, encontrando Mikasa, completamente ensopada e no meio do corredor.

— Por que está aqui, Mikasa? — perguntou, curioso, e se encostando no batente da porta, enquanto encarava a situação da amiga. — De acordo com a minha memória, tinha lhe dito que hoje é seu dia de folga.

— Posso te garantir que eu sei disso, estava muito feliz dividindo uma garrafa de vinho com o Eren até me mandarem lhe dar um recado.

— Como assim te mandaram fazer algo?

O tom de voz, agora sério de Armin, fez Mikasa respirar fundo, ouvindo mais um trovão que reverberou pelos céus.

— Reiner foi até a minha casa, com esse envelope em mãos, dizendo que eu tinha que o entregar para você o mais rápido possível.

— É tão importante assim? — voltou a se ajeitar e pegou o envelope que, por estar até então dentro da jaqueta de couro da Ackerman, só tinha algumas poucas gotas de água em cima da superfície amarelada.

— Assim, ele estava armado e o Eren sentado no sofá do meu apartamento, não tive muito escolha a não ser acatar o "pedido".

Armin assentiu, sabendo o tanto que esse tipo de situação incomodava Mikasa, alguém que profundamente não queria que a vida profissional se misturasse com a pessoal.

— Muito obrigado por trazer isso — disse, indicando o envelope — Espero que ainda consiga curtir um pouco mais da sua noite.

— Também espero — suspirou, cansada, e tentou prender melhor o cabelo molhado — E olha, vou reclamar de novo por você morar tão longe da cidade.

— Vai mostrar de novo aquela palestra de powerpoint para tentar me convencer a me mudar?

— Óbvio — revirou os olhos, cruzando os braços na altura do peito — Sei dos seus motivos de morar tão longe quando eu te vejo como o meu chefe, mas quando olho toda essa situação como sua amiga, fico irritada.

— Pelo menos de alguma maneira você entende.

— Eu seria burra se não entendesse — deu de ombros e não demorou a se afastar pelo corredor, não precisando se despedir propriamente, ela e Armin eram próximos o suficiente para nem precisarem mais disso.

O envelope, mesmo que fino, parecia levemente pesado em suas mãos, podendo sentir que ali tinha uma boa quantidade de papel, o que o fez ficar ainda mais curioso, principalmente por ter sido logo Reiner a procurar Mikasa para essa entrega. Afinal, se o traidor estava fazendo algum serviço, tal ação, de forma obrigatória, tinha sido decidida por você.

Voltou a entrar no escritório e fechou a porta, andando pelo ambiente amplo e bem decorado com uma certa pressa, com a mente já trabalhando nas possibilidades do que isso poderia ser. Sentou-se na cadeira de couro preto e abriu o envelope, logo puxando a pilha de papéis que estava em seu conteúdo.

Em um primeiro momento, não identificou o que estava documentado ali, muitas fotos e textos se emaranhavam pelas mais diversas folhas, mas logo as informações se conectaram e somente uma noção mínima do que tinha ali fez com que Armin, um dos maiores criminosos da cidade de Paradis arrepiasse.

— Isso não é possível... — resmungou enquanto revirava cada folha, observava cada foto e anotação que se emaranhavam ali.

Você tinha descoberto.

Descoberto que ele estava de olho em você, observando cada passo e atitude, esperando e preparando um golpe para tomar o controle e poder ter toda a cidade na palma da mão. Um plano que já durava muitos meses, com frutos positivos, como a descoberta de fornecedores ainda melhores para colocar as drogas em circulação no seu lado da cidade, mas também negativos, o maior exemplo é uma das fotos que estavam espalhadas nos documentos.

Armin conhecia muito bem quem estava na foto e isso não significava nada que pudesse ser bom.

Voltou a procurar dentro do envelope, ficando ainda mais preocupado, não poderia deixar nada passar batido, não queria ter que acreditar que a última foto que tinha visto era real. Porém, só encontrou um pequeno papel, que tinha algo escrito com uma letra que ele sempre reconheceria.

"Você ainda me subestima, amor".

Ao ler, Armin conseguiu quase que ouvir a sua voz ecoando na cabeça dele, imaginou perfeitamente o seu sorriso ao escrever o pequeno bilhete, ao guardar os documentos no envelope e ainda escolher logo Reiner para ir atrás de Mikasa, porque uma das poucas coisas que você não sabia sobre ele é onde ele mora.

Armin tentou respirar fundo, se acalmar por alguns segundos, tentando colocar os pensamentos de uma maneira racional, mas não estava conseguindo, principalmente pelo fato dele saber que você é uma das pessoas mais malvadas que ele já teve o prazer de conhecer. Ele sabia dos seus motivos, sabia do seu passado, sabia de tudo que fez te transformar na maior inimiga dele, mas, mesmo assim, ele não queria aceitar que hoje estão em lados contrários de uma mesma moeda.

Levou a mão direita até uma das gavetas da escrivaninha, pegando um celular descartável muito específico, enquanto a esquerda segurava a maldita foto, que estava aos poucos se tatuando na mente do criminoso.

— O que você quer, [Nome]? — ele disparou, ao ouvir a chamada ser completada.

— Muitas coisas, Armin. Definitivamente quero muitas coisas... — a sua voz entrou tão suave na cabeça dele que por um momento ele esqueceu o verdadeiro porquê dele ter te ligado.

Ele odeia isso.

Ele odeia o efeito que você tem sobre ele, mesmo sendo quem é.

Má, teimosa, escandalosa e má, definitivamente...

— Como descobriu?

— Não vou revelar todos os meus truques, amor. Você sabe disso melhor do que ninguém.

Um suspiro escapou dos lábios de Armin, que se viu levantando da cadeira e andando rapidamente pelos inúmeros corredores da mansão, querendo chegar o mais rápido possível no próprio quarto.

— Não vai perguntar sobre o seu amigo? — você o questionou, com um sorriso fino nos lábios.

— Não sei, vai me responder?

— Depende do que você perguntar.

— É a vida dele que está em risco, [Nome]. Não tem essa de "depende".

— Claro que tem, amor. Afinal, ele está aqui bem na minha frente.

Jean te olhava com os olhos ardendo de raiva, frustração e talvez ódio.

A culpa não era sua que ele tinha sido burro o suficiente para ser pego tentando espionar uma transação de um novo carregamento de armas, então acabava que estava se divertindo com isso, com a mordaça firmemente o impedindo de falar e as cordas predendo os braços e pernas ao banco de concreto, que foi construído junto da sala, sendo fixo ao chão.

— Foi você? — a voz séria dele te fez arrepiar e sorrir ainda mais, aproveitando para ousar passar as mãos pelos fios longos do cabelo de Kirstein.

— Claro que sim, afinal, ele é um amigo tão querido pra você. Tive que cuidar dele pessoalmente.

— Por que isso tudo [Nome]?

— Pra você aprender o seu lugar, Armin.

— Esqueceu que sou um pouco cabeça dura?

— Só um pouco? — perguntou, tentando controlar a vontade de querer rir e se afastou de Jean, enquanto escutava alguns barulhos no fundo da ligação.

— Não vou tentar argumentar com você sobre isso — disse, enquanto colocava uma camiseta — O que quer em troca da liberdade de Jean?

— Só vou te dizer quando vier aqui.

— Por que não estou surpreso com isso?

— Porque gosto de ser previsível em relação a alguns assuntos.

— Poderia ser em mais alguns.

— Se fosse assim o nosso joguinho não teria graça, Armin.

— Joguinho?

— Genuinamente pensou que estava levando a sério as suas tentativas de me derrubar? — não conseguiu conter a risada, andando pelo cômodo com o barulho dos saltos de sua bota ecoando — Você é ingênuo demais para o mundo.

— Sempre falaram que isso é uma qualidade.

— Mas seria para alguém que não faz o que nós fazemos para sobreviver, e essa sempre foi a maior diferença entre nós.

Armin suspirou enquanto se sentava na cama, sentindo a maciez do colchão com a mão. Sempre soube que mesmo que tentasse o possível e o impossível para crescer no mundo do crime, sabia que tinha um penhasco entre você e ele, até por isso tinha decidido começar a espionagem, tentar aprender a sua arte de fazer as "coisas erradas", a arte de ser , a que você é especialista. Porém, nunca seria suficiente e ele sabia disso, porque nada no mundo conseguiria de forma plena o destruir ao ponto de parar de ser uma boa pessoa.

Você se perdeu ao longo dos anos, mas Armin continuou sendo a única pessoa que ainda conseguia enxergar alguma coisa boa, mesmo que todos se referissem a você com as mesmas palavras de sempre: "Má, teimosa, escandalosa e má, definitivamente...".

E mesmo que fosse óbvio o fato de você o tratar mal nas mais diversas vezes, já até mesmo ter o baleado enquanto suas respectivas gangues se encontravam, ele continuava, continuava a tentar a ter você de volta. Afinal, há muito tempo atrás, quando a vida não era tão complicada, vocês dois já fizeram parte do mesmo time.

— Eu sei, [Nome]. Pode ter certeza de que eu sei.

Agora, foi você quem suspirou.

— Você tem uma hora para aparecer sozinho aqui, Armin. Caso contrário, Galliard vai vir aqui ter uma conversa muito interessante com Jean.

A ameaça velada foi a última coisa que Armin ouviu antes de você acabar com a ligação. O loiro se viu, por alguns segundos, somente encarando o chão de madeira escura do quarto e sentindo o cansaço de tudo o atingir, às vezes, ele desejava nunca ter conhecido Erwin e acabar não tendo que assumir a máfia após a morte do antigo líder. Porém, ele sabia que poderia muito bem estar morto se o antigo comandante não tivesse resolvido ajudar mais um órfão que vivia nas ruas.

Bateu as mãos contra as próprias bochechas para despertar do transe e rumou até o closet para calçar um par de coturnos e pegar um sobretudo preto, jogando por cima da roupa também completamente preta. Segurou o celular descartável com força enquanto saia do carro, andando até o elevador da mansão, que ficava no final do corredor, e apertou o botão que levava até o subsolo, mais especificamente para a surpreendente garagem de Armin.

Os mais diversos carros estavam dispostos e não demorou para que um dos guarda-costas do loiro aparecesse, perguntando se poderia organizar o esquema para escoltá-lo até onde desejasse ir, mas o pedido foi prontamente negado pelo chefe, ele bem sabia como você é muito ligada a palavras e promessas. Como você tinha pedido para que ele fosse sozinho, ele teria que aparecer sozinho, se não Jean cairia nas mãos de uma das pessoas mais perigosas da cidade.

Afinal, você tinha conseguido aliados muito poderosos ao longo dos anos.

Escolheu um carro específico, um que ele sabe que os seus seguranças claramente reconheceriam e logo deu partida no veículo, entrando na estrada que levaria até a cidade com velocidade, não ligando para a chuva que ainda castigava Paradis. Muitos reclamam das chuvas de verão, mas Armin as adora, afinal, no dia seguinte, o céu estaria maravilhoso.

Adentrou os perímetros da cidade com determinação, fazendo caminhos extremamente específicos, afinal, não era só os seus seguranças que sabiam da existência desse carro, a polícia também e Armin com certeza não queria lidar com o chefe da polícia, Levi Ackerman, alguém que conseguia ser muito assustador quando queria.

A chuva não diminuiu a movimentação da cidade e por um momento se permitiu só observar as luzes dos prédios e lojas, além de ver as pessoas andarem pelas ruas com os seus guarda-chuvas, um certo cenário de paz, mesmo que Armin não conseguisse explicar porque gostava de tal cenário. A realidade do que estava fazendo bateu quando chegou do outro lado da cidade, no clássico subúrbio rico, com casarões e as famílias mais tradicionais ostentando propriedades, compradas e usadas a partir de dinheiro sujo.

"Paradis" pode até significar paraíso, mas sinceramente, a cidade é o verdadeiro inferno.

Armin respirou fundo quando o portão de uma das maiores casas do bairro se abriram para ele revelando a ostentação que você também esbanjava e ele não te julgava, a casa dele é só um pouco menor do que a sua. Aceitou um dos seus funcionários o guiar para dentro da casa com um guarda-chuva, entregando a chave para o manobrista antes de desaparecer por detrás das enormes portas de entrada da casa.

Não demorou a dispensar o funcionário, já sabendo para onde ir, entrando no escritório e abrindo a porta falsa atrás de uma das inúmeras estantes que decoram o lugar. Atrás da passagem uma escada de concreto levava até o subsolo, onde boa parte das suas operações aconteciam e lá estava Armin, descendo os degraus com o barulho da chuva ficando cada vez mais distante.

Ao finalmente chegar ao nível mais baixo, encontrou uma certa quantidade de seus homens bem ali, sabendo que seria revistado se quisesse avançar mais e assim permitiu que tirassem o sobretudo que vestia, além da arma que sempre tinha na cintura. Com um aceno curto de cabeça foi autorizado a continuar e assim o fez, com o barulho dos coturnos sendo sua companhia naquele corredor de concreto, sendo o seu objetivo a porta metálica no final do mesmo, e não hesitou em a abrir de uma vez, não viu necessidade em bater ou se anunciar.

Os olhos de Armin logo encontraram Jean que o olhou com uma mistura de alívio e culpa, mas não é como se o Arlert fosse fazer alguma coisa sobre o que tinha acontecido, pelo menos não agora, não com você o encarando como se fosse a próxima presa.

— Sempre foi bom em obedecer ordens, não é, Armin? — você disse, enquanto estava encostada na parede oposta da pequena sala, o olhando com os olhos brilhando de diversão.

— Solte-o — demandou e você riu, se desencostando da parede de forma lenta.

— Mandão e obediente... — divagou enquanto andava até Jean — Você sempre foi uma combinação intrigante.

Uma espécie de nostalgia tinha tomado a sua voz e isso fez com que o peito de Armin afundasse um pouco, ele não queria voltar para as memórias boas que cercavam o passado de vocês. Se permitiu somente te observar pegar uma faca bem afiada para cortar as cordas que prendiam Jean ao banco de concreto, e de forma praticamente cronometrada, seus homens apareceram para tirarem Kirstein, que só teria a mordaça removida depois de ser colocado para fora da propriedade.

Foi assim que você e Armin ficaram sozinhos naquela sala de concreto, utilizada normalmente para interrogatórios e afastada do mundo, quase como uma bolha particular.

— Quer me dizer alguma coisa, amor? — perguntou, com diversão ainda brilhando em seus olhos, enquanto Armin começava a andar pela sala.

— Como você descobriu que estava te espionando?

— Já te respondi essa pergunta, não vou contar os meus segredos.

— Mais algum traidor? — a voz dele estava completamente séria, agora te olhando por cima do ombro — Colocou outro Reiner no meu caminho?

— Não, você sabe que não sou de repetir as coisas.

— Não repete? — agora, era ele quem estava com o brilho no olhar — Agora é você quem está se contradizendo, amor.

Tentou manter a expressão neutra, inabalada, mas ouvir Armin te chamar assim sempre seria uma das suas maiores fraquezas.

— Estou? — tentou se fazer de desentendida e Armin riu, uma risada gostosa de ouvir.

Às vezes, tinha momento como esses, com só vocês dois, que o mundo do lado de fora não importava, os erros de vocês não importavam, simplesmente nada poderia ficar acima do que acontecia quando os olhares de vocês se conectam, quando parecia que voltavam no tempo para uma época muito mais fácil, sem conflitos, drogas, sequestros, traições, tiros e crimes.

Uma época em que vocês não tinham que lutar por poder.

Engraçado, não é? Como tudo pode mudar.

Armin suspirou ao andar na sua direção, diminuindo cada vez mais a distância, o que fez o seu coração errar uma batida e o nervosismo começar a dominar cada célula do seu corpo, porque mesmo que fossem "inimigos" e vivessem em lados contrários da cidade, se viam com uma certa frequência. Afinal, não é sem motivo que os seus seguranças sabem que aquele carro em específico, o Ford Maverick 1979 de um tom escuro de azul é do loiro.

Um suspiro escapou dos seus lábios quando ele se aproximou de vez, conseguia sentir a sua respiração se misturando com a dele, os olhos azuis brilhantes como o céu, mas também profundos como o oceano, a combinação perfeita, como o próprio dono, a mistura balanceada do que é bom e do que é ruim, como se fosse o equilíbrio em formato de pessoa, o equilíbrio da sua vida.

— Sempre acabamos desse jeito, não é? — sussurrou, mesmo que só tivessem os dois dentro da sala e a porta estivesse fechada.

— Sempre — ele soltou uma risada fraca, levando uma das mãos até a lateral do seu rosto, acariciando a sua bochecha com o polegar — E com certeza não é algo ruim.

— Com certeza não é algo ruim — foi automático confirmar o que ele falou, confirmar o que pairava sobre vocês como segredos velados.

Ninguém sabia das "escapadas" de vocês.

Ninguém imaginava que Armin morava longe da cidade não só por causa da própria segurança, mas também para ficar longe de você, longe da atração que sentia por você.

Longe da garota que conseguia o fazer querer queimar até sobrar nada.

Armin respirou fundo ao inclinar o rosto e juntar a testa dele com a sua, com os fios finos do cabelo loiro fazendo cosquinhas na sua pele. Um sorriso suave, raro e genuíno surgiu no seu rosto quando sentiu a outra mão dele segurar a sua cintura, tão suave quanto o inicial selar do beijo.

Era como se pudessem quebrar, a suavidade do beijo como plumas, os toques quase como se ambos fossem de porcelana, uma lembrança eterna do que um dia já foram.

Os seus braços subiram, passando pelo pescoço dele e juntando ainda mais os lábios, o contato ficando mais forte, mais firme e mais possessivo.

Mesmo com tudo que os envolvia, sabiam muito bem que eram um do outro.

Armin foi quem pediu passagem com a língua, enquanto a mão que estava em sua cintura agora descesse para o seu quadril, passeando pelas suas curvas como se nunca estivesse estado ali, o que é uma completa mentira. Esse pensamento te fez sorrir por um instante, enquanto as suas unhas agora passeavam pela nunca de Armin e sentia a sua língua entrar em contato com a dele.

E foi como se estivessem sendo o olho da tempestade de verão que assolava Paradis, como se a energia elétrica dos raios que cortavam o céu estivesse vindo de vocês, fruto de uma necessidade quase que avassaladora.

As mãos de ambos passeavam pelos corpos, querendo sentir tudo, absolutamente tudo.

Os arrepios viraram algo constante enquanto o beijo se aprofundava, as mãos tomavam ambos os corpos e você se via completamente derretida nos braços de Armin, completamente entregue ao homem que diz aos quatro ventos e ao mundo que é o seu pior inimigo, o maior rival. Você definitivamente gosta da ironia que faz parte da vida, acredita que ela deixa tudo um pouco mais interessante.

Os seus dedos foram rapidamente na direção da camiseta de Armin, que foi logo retirada e caiu no chão ao de seus pés. As bocas não demoraram nem um segundo para voltarem a se encontrar, quase como se fosse impossível ficarem completamente separadas. Você arfou em meio ao beijo ao sentir as mãos do loiro finalmente saírem do seu quadril e chegarem na sua bunda, apertando a região com posse.

— Minha. — ele sussurrou contra a sua boca, os lábios se encostando suavemente.

O seu peito subia e descia pela adrenalina que tudo isso significava, como o seu envolvimento com ele conseguia ser bom e perigoso ao mesmo tempo.

— Meu. — sussurrou de volta, mordendo o lábio inferior dele com suavidade, uma suavidade que o fez arrepiar.

Inclinou a cabeça para trás para ter Armin afundando o rosto no seu pescoço, explorando a sua pele como se fosse a primeira vez. A sua pele estava quente, na verdade, a pequena sala estava quente e isso te deixava ansiosa, ansiosa para sentir tudo o que Armin te proporciona. Ele traçava beijos e chupões pelo pescoço, descendo para a região dos seus ombros e depois do colo, deixando futuras marcas, marcas que você sabia que ficaria encarando no espelho com um sorriso bobo no rosto, como se fosse uma adolescente apaixonada.

As mãos dele subiram rapidamente para somente chegarem nas alças finas do vestido preto que você usava, as deslizando pelos seus ombros e se permitindo contemplar a visão do tecido caído nos seus pés. Logo voltou a tomar o seu corpo, mal conseguindo se concentrar com você por perto, como se fosse impossível ser racional, o cérebro se perdendo no penhasco de sensações e sentimentos.

Ele não hesitou em puxar vocês dois na direção do largo banco de concreto e se sentar nele, fazendo com que você ficasse no colo dele, com uma perna de cada lado. Armin segurou com força o seu cabelo ao juntar mais uma vez as bocas de vocês e um gemido se perdeu no meio da sua garganta, pela força que ele segurava os fios como também apertava a sua bunda, fazendo a sua intimidade roçar contra a dele, ambas ainda cobertas por camadas de roupa. Você também não deixaria barato, claro que não, movendo o seu quadril em um ritmo torturante para ambos, sentindo o calor e o desejo se espalharem pela sua pele como uma sensação fantasma.

Armin largou a sua boca para logo voltar a dar atenção para o seu pescoço, descendo até a região dos seios, completamente sensíveis e arrepiados, o que o fez sorrir, levando aquele os olhos azuis até os seus, o que te fez morder o lábio inferior. Afinal, nada no mundo se comparava com o jeito que Armin te olhava, como se fosse a única coisa que pudesse sequer ser importante.

— Já está assim por minha causa? — a voz dele estava levemente rouca e isso te fez conter um suspiro, principalmente com, agora, as duas mãos dele passeando pelas laterais do seu corpo.

— Uma situação trágica, não acha? — ele riu contra a sua orelha, depois de se inclinar na sua direção.

— Talvez, mas acho que gosto de tragédias.

— Nós somos uma bela tragédia, amor — a sua resposta sussurrada foi tudo o que ele precisava para morder suavemente o lóbulo da sua orelha e levar uma das mãos até onde você queria.

Ele conhecia o seu corpo como ninguém, mesmo sendo seu completo inimigo e rival, algo que, ironicamente ou não, nunca te incomodou. A sua respiração falhou quando sentiu o polegar dele pressionar a sua intimidade, espalhando a sua excitação que já molhava o tecido.

— Armin... — disse o nome dele em forma de advertência, pela demora, pela lentidão, mas ele só estava se divertindo, te fazendo sentir o que você fez com ele ao rebolar tão devagar no colo dele.

— O que foi, amor? — ele inclinou a cabeça suavemente pro lado e por um momento ele até pareceu ser um angelical, mas só um pouco, porque a profundidade daqueles olhos azuis só demonstram o contrário — Algo de errado?

— Desgraçado — murmurou, frustrada, com a sua excitação começando a se transformar em ansiedade.

A risada dele se reverberou pelos seus ouvidos e o sorriso que ele te direcionou fez a sua mente nublar, porque Armin até poderia ser quem é, alguém que você divide um passado, alguém que te estressa por te atrapalhar no trabalho e alguém que ainda tenta ver algo bom em você, mas além disso tudo ele é gostoso pra caralho.

E a pior parte é que ele sabe disso.

O seu fôlego foi roubado quando ele finalmente colocou a sua calcinha para o lado e o polegar dele encontrou o seu clítoris, o massageando não com a lentidão de antes, mas na velocidade que o seu corpo queria e necessitava. As suas costas arquearam suavemente e gemidos escaparam dos seus lábios ao ter agora os dedos médio e indicador dele deslizando para dentro de você.

Os seus gemidos soavam como música para Armin e o faziam sentir que o mundo era só aquilo que estava acontecendo entre vocês dois, que tudo fosse resumido a vocês dois e mais nada. A mão livre dele foi até o seu rosto, o segurando pela mandíbula com força, para que o olhasse nos olhos e que ele pudesse ver toda e qualquer expressão de prazer que faria. Ele te penetrava e sua mente viajava nas sensações que invadiam o seu corpo, estava tão molhada que os dedos dele saiam e entravam com facilidade, o que te fazia ter dificuldade em regular a respiração.

As suas mãos estavam nos seus seios, os apertando com força e se entregando ao prazer que inundava cada célula e essa visão fazia Armin beirar o que ele chamava de insanidade.

Porque não é possível ele ser considerado "são", se ele fosse tão maluco por você.

— Você ainda vai ser a causa do meu fim, amor — ele disse como se fosse o maior segredo do mundo e a sua risada preencheu o ambiente.

— Ainda tinha alguma dúvida sobre isso? — a sua pergunta o fez sorrir, segurando o seu rosto com mais força, além de parar os movimentos com os dedos, somente deixando o polegar massageando o seu clítoris com intensidade, conseguia sentir o corpo reagir a cada movimentação, implorando por mais.

— Nunca tive dúvidas sobre isso.

Você nunca tinha se sentido tão satisfeita ao ouvir uma resposta.

Um grito suave de surpresa saiu dos seus lábios quando sentiu Armin se levantar, levando você no colo. Ele se agachou somente para pegar as peças de roupas de vocês que estavam no chão e logo rumou na direção da saída da sala.

Arlert sabia que não teria nenhuma segurança ali embaixo, sabia das ordens que você sempre dava em relação à privacidade de vocês. Nem que o mundo estivesse acabando eles poderiam sequer pensar em interromper qualquer uma das coisas que faziam quando estavam sozinhos.

Saíram do subsolo e foram na direção do seu quarto, um caminho que Armin sabia decorado.

Sentiu o seu corpo ser jogado contra a maciez do seu colchão e um sorriso estampou os seus lábios ao ver o desejo arder nos olhos de Armin, uma imagem e semelhança do que você mesma sentia. As mãos dele logo voltaram para o seu corpo, fazendo uma parada rápida nos seus tornozelos para tirar as suas botas e meias, as deixando no chão junto com o seu vestido, além de tirar de vez a sua calcinha. Segurou as coxas com posse, abrindo as suas pernas e as colocando sobre os seus ombros para ter mais espaço.

O seu corpo tremeu em expectativa quando sentiu a respiração dele bater contra a sua intimidade e mordeu o lábio inferior com força quando a língua dele finalmente tocou o seu clitóris. Gemidos escapavam da sua boca, as suas costas arqueadas e suas mãos se perdendo contra o cabelo dele, praticamente rebolava contra o rosto de Armin, em um transe completo pelo homem que um dia quase matou.

Armin segurava com força o interior das suas coxas, mas não hesitou em voltar a levar uma das mãos até a sua intimidade, coordenando o movimento do polegar com a língua, querendo também te deixar maluca, maluca por ele. Mal sabe que isso já é a mais pura verdade, você gemendo o nome dele deixava tudo ainda melhor, principalmente enquanto se desfazia em um orgamos contra a boca dele.

Arlert sorriu ao voltar a se erguer, ficando por cima de você, contemplando o seu rosto levemente avermelhado e a sua respiração descompassada, completamente hipnotizado. As suas mãos passeavam pelo peitoral dele, as suas unhas fazendo caminhos suaves, como se também estivessem o descobrindo pela primeira vez.

Não hesitou em voltar a passar os braços pelo pescoço dele e juntar as bocas em um beijo afoito, quase que desesperado, e cheio do desejo que ainda se acumulava em vocês. Uma das mãos de Armin desceu até a própria calça desabotoando o botão e abrindo o zíper, o trazendo pelo menos um pouco de alívio pela rigidez em que o seu membro se encontrava.

O loiro arfou ao ter as suas unhas descendo pelas costas dele, as arranhando e sabendo muito bem como ele gostava disso, você também conhecia o corpo dele como ninguém e isso também o enlouquecia. Se afastou de você somente para poder tirar de uma vez a calça e a cueca, a ansiedade agora também se espalhava por ele.

Os olhos olhares de vocês se encontraram quando Armin voltou a ficar por cima, com ele fazendo a sua intimidade roçar contra a dele, aumentando as expectativas de vocês de forma torturante.

— Você sabe sobre o efeito que tem sobre mim, não sabe? — a sua pergunta se misturou ao som da chuva e fez Armin levar a mão direita até o seu rosto, tirando dali uma mecha de cabelo que cismava em ficar caindo sobre o seu olho.

— Sei — ele respondeu, passando o polegar sobre os seus lábios, levemente inchados pela quantidade de vezes que já tinham se beijado — Você sabe sobre o efeito que tem sobre mim, não sabe?

Ele devolveu a pergunta e você sorriu, o sorriso que faz todos os sentidos de Armin ficarem em alerta, o sorriso da mulher mais perigosa da cidade.

— Sei — respondeu, não hesitando em juntar os lábios de vocês mais uma vez em um beijo perigoso, tão perigoso quanto vocês.

Gemeram contra a boca um do outro quando Armin deslizou o membro para dentro de você, com as mãos dele segurando o seu quadril com força, como se tivesse medo que você pudesse sumir ou simplesmente desaparecer, você o abraçava pelo pescoço da mesma maneira. Os movimentos começaram lentamente, somente para vocês sentirem o encaixe perfeito, o equilíbrio perfeito que existia entre seus corpos, o qual os faziam sentir como se nada pudesse se comparar ao o que tinham.

— Mais rápido, amor — você quase implorou, descolando os lábios minimamente para somente poder pedir para o sentir mais.

— Como você desejar — a resposta veio instantânea, ele também queria mais.

Ele sempre queria mais quando se tratava de vocês.

Apertou ainda mais os dedos contra a sua cintura e empurrou o membro com força contra o seu interior e um gemido alto escapou dos seus lábios, mas que logo foi suprimido pela boca de Armin. A cada estocada ele deixava ainda mais mercê dele, a cada estocada o som dos corpos de vocês se chocando aumentava dentro do quarto e a cada estocada vocês se viam cainda ainda mais no penhasco que a relação de vocês tinha se tornado ao longo dos anos.

Mesmo que sendo enorme, o quarto parecia minúsculo de tão quente, o seu interior formigava por tudo que sentia, a força, a velocidade e a precisão das estocadas te faziam revirar os olhos e teve um momento que tiveram de para de se beijar, a falta de ar não permitia mais. Não conseguiam desviar o olhar um do outro, como se um fio invisível estivesse ali e não permitisse que olhassem para qualquer outra direção sem ser o rosto do outro.

Armin ergueu uma de suas pernas, a colocando de volta em cima do ombro dele, e as estocadas continuaram rápidas e constantes, ele poderia dizer que estava ficando maluco. O calor do quarto, a visão do membro dele entrando e saindo da sua intimidade, o seu interior o comprimindo e o prazer que se espalhava o deixavam sem qualquer pensamento concreto na mente dele, só uma coisa ficava em foco em meio a tantas coisas.

E essa coisa é um alguém.

E esse alguém é você.

Uma corrente de prazer se espalhou pelo seu corpo e você se controlou para não gritar ao ter mais um orgamos corrompendo o seu corpo, uma explosão de prazer que continuaria e se propagaria porque Armin ainda estava estocando contra a sua intimidade, prolongado o seu desejo para também alcançar o dele.

A sensação para ele foi quase surreal, ele não conseguiria descrever de forma concreta, se entregando ao prazer com um gemido rouco, grave e profundo que te fez suspirar, completamente entregue ao homem que um dia já tinha sido seu aliado.

As respirações ofegantes quase se completavam, enquanto se encaravam em silêncio.

Armin suspirou ao sair de dentro de você, com um cuidado que não necessariamente poderia combinar com ele, mas ele tinha essas dualidades, o equilíbrio que te deixava completamente maluca.

Ele se deitou cansado ao seu lado, o peito subindo e descendo enquanto ainda encarava o seu rosto.

Você se aproximou o máximo que pode e juntou os lábios de vocês mais uma vez, mas, agora, é um beijo completamente diferente.

Lento, sem pressa alguma, e simplesmente bom.

Estavam se beijando por simplesmente ser bom, por simplesmente gostarem de se beijar, gostarem um do outro.

Ele te puxou com cuidado, a colocando por cima dele, de forma que se apoiasse nos cotovelos para poder o encarar no rosto e ele sorriu, ao novamente colocar para trás da sua orelha a mecha que cismava em cair por cima do seu olho, o que te fez soltar uma risada baixa.

Foi assim, em meio essa paz momentânea, que notaram que a tempestade tinha parado e que Paradis tinha voltado a ser silenciosa.

— Quando o Sol sair, vai ser o início de um dia perfeito de verão — ele disse, passando as mãos pelas suas costas.

— Vou ter que concordar — falou, passando as unhas pelo peitoral dele — Mas sinto que você quer me dizer algo com isso.

— Não posso fazer um simples comentário? — perguntou, fingindo estar ofendido, o que te fez rir.

— Eu te conheço, amor.

Ele revirou os olhos por ter a verdade jogada contra a cara dele e segurou o seu rosto com a mão que não estava fazendo carinho nas suas costas.

— Essa é a minha tentativa de te chamar para ir à praia comigo.

— Uma tentativa ousada.

— Vai me dispensar? — perguntou, arqueando uma das sobrancelhas e você sorriu maliciosa.

— Talvez.

— Você é .

— Eu sei — o sorriso se manteve no seu rosto, enquanto no dele uma expressão irritada se formou, o que claramente foi mais um motivo para que você voltasse a rir. — Vou pensar no seu caso, amor.

— Mesmo?

— Mesmo.

Para Armin, isso bastou.

Afinal, ele também te conhecia e sabia que se você falasse que ia pensar sobre algo, realmente iria.

Os braços dele envolveram o seu corpo em um abraço apertado e você se permitiu derreter ali, derreter nos braços do homem que não odeia, mesmo sendo seu inimigo e rival.

Derreter nos braços do homem com quem iria curtir um dia perfeito de verão daqui algumas horas.

Vocês poderiam ter suas diferenças, problemas e questões. Assim, mais cedo você mesma tinha simplesmente sequestrado um dos homens de Armin, mas nada podia se comparar o que acontecia entre vocês, nada se tornava um obstáculo ou algo que pudesse sequer atrapalhar o que sentiam um pelo outro, mesmo que nunca falassem em voz alta ou se submeterem a reduzir tudo o que tinham em uma simples mistura de letras.

Sempre seriam mais do que tudo.

E mesmo que vocês tivessem essa relação estranha, que tivesse momentos que você o tratasse como um merda e que você fosse má, teimosa, escandalosa, e definitivamente má, Armin sempre voltaria para você, da mesma maneira que você sempre o encontraria.

Afinal, vocês pertencem um ao outro, como o Sol que sempre encontra o mar no final do dia.








Oi gente! Como vocês estão?

Desde o momento em que o Armin tinha sido determinado como meu personagem nesse desafio eu queria fazer ele um pouco diferente do que a maioria das histórias que eu vejo e ele criminoso foi uma versão que eu gostei MUITO de fazer

Sem contar que essa [Nome] é um absurdo também, que mulher meus amores

Não se esqueçam também de conferir os outros desafios! Os @ de cada uma estão no capítulo anterior, mas vocês também conseguem encontrar as outras obras no meu perfil na lista de leitura intitulada como "Griffith | rebellion", além do próprio perfil do desafio aqui na plataforma, o rebeliaodosautores !

Bem, espero MUITO que tenham gostado dessa one-shot da mesma maneira que eu! Não se esqueçam de votar e de comentarem (eu AMO ler o feedback de vocês)!

Até a próxima! ♥︎

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