𝟎𝟒. 🇲🇫𝐉𝐔𝐋𝐄𝐒 𝐁𝐈𝐀𝐍𝐂𝐇𝐈 🖤🕊
Hoje completa oito anos da morte de Jules Bianchi e sim, eu chorei como todos os anos
Your point of view
Um dia chuvoso e você estava no box da Marussia vendo seu noivo correndo. Você fez um carinho na sua barriga de quatro meses, era o sonho do seu namorado.
Naquele dia uma sensação muito ruim te atormentava, mas podia ser apenas ansiedade. A chuva de Suzuka te deixou ainda mais agoniada, mas Jules estava correndo bem. Ao menos era o que te tranquilizava.
Seu coração acelerou quando um carro da Sauber bateu e o safety car foi chamado para a pista. Um suspiro escapou dos seus lábios quando viu que o tal piloto estava bem. A FIA mandou um trator para retirar o carro.
Alguns pilotos alegaram a baixa visibilidade por conta da chuva intensa, aquelas falas fizeram seu coração acelerar e você chegou a sentir seu filho chutar.
Em uma das curvas, você não decorou exatamente qual, mas foi a última imagem de Jules vivo. Ele havia batido em um trator que estava no meio da pista, seu coração parou naquele momento.
O seu corpo paralisou, seu mundo havia desmoronado e nada podia ser feito. Jules não voltaria para você e nem para o filho que você estava esperando...
― Mamãe, mamãe ― você sentiu alguém te chacoalhando ― Acorda, mamãe.
Você acordou assustada e suada, seu coração acelerado. Ao seu lado o pequeno Adônis te olhava atentamente.
― Você está bem, mamãe? ― o pequeno perguntou.
― Estou, a mamãe só teve um pesadelo ― você sorriu fraco.
― Quer que eu te abrace? ― você assentiu.
O pequeno era uma cópia de Jules, o garotinho de oito anos era o xodó das duas famílias. Jules estaria orgulhoso da família que vocês construiriam.
― Eu sonhei com o papai essa noite ― o pequeno disse.
― É? E como foi? ― seus olhos se encheram de lágrimas.
Por mais que Adônis não tenha conhecido Jules, você sempre falava dele. Havia fotos espalhadas, vídeos dele correndo e a figura do francês era muito presente na vida de vocês.
Nunca houve uma outra figura paterna para o pequeno, você não casou novamente e nem ao menos se relacionou com alguém nesses nove anos.
― Ele estava correndo na Ferrari, mamãe ― suas lágrimas caíram ― Ele estava tão feliz, ele estava leve e suave como você disse que ele era.
― É, meu amor ― você segurou a enorme vontade de chorar ― E ele falou algo?
― Não, ele sorriu ―você apertou o pequeno nos seus braços ― E ai eu acordei, mamãe.
― Que sonho lindo ― você deixou um beijinho no topo da cabeça dele ― Eu sonhei com o seu papai também e ele estava fazendo aquilo que tanto amava.
― Eu queria tanto ter conhecido ele, mas ele agora é uma estrelinha, não é? ― seu coração apertou.
― É sim! E você sempre pode falar com ele ― o pequeno assentiu.
Não demorou muito para o pequeno dormir, mas você não conseguiu dormir mais. Hoje faz oito anos da morte de Jules e o tempo parece ter parado desde aquele dia.
O dia amanheceu ensolarado, mas o seu coração estava nublado. Sua mãe tinha chegado para ficar com o pequeno, nos dias de hoje você ia ao túmulo de Jules para conversar com ele.
Você estacionou na frente do cemitério e foi em direção ao túmulo dele. Você esbarrou com o seu sogro e ele estava tão desolado quanto você. Ele apenas sorriu triste e saiu te deixando sozinha.
― Eu pensei em falar em francês, mas você simplesmente amava ouvir o meu sotaque ― você sentou de frente para o túmulo ― Fico me perguntando se você teria aprendido a falar português fluentemente.
Uma pequena brisa bagunçou o seu cabelo.
― O nosso filho fala francês e português ― você sorriu ― Ele é a sua cara, até a personalidade é a sua ― lágrimas se aglomeraram nos seus olhos ― E ele sonha em correr na fórmula 1.
― Amor... ― você fechou os olhos com o sussurro carregado.
― Faz oito anos, Jules ― você negou com a cabeça ― Oito anos que eu choro por não ter você comigo, eu tento sempre me manter bem pelo nosso pequeno, mas tem dias que são insuportáveis. Tem dias que eu só quero desistir ― suas lágrimas caíram com força ― Não é justo isso, era para realizarmos esse sonho juntos. Era para você estar sendo campeão do mundo, era... ― sua voz falhou.
― E estamos juntos ― você sentiu um beijinho na sua testa.
― Eu só quero que essa dor passe ― você sussurrou ― O nosso filho sonhou com você, ele disse que você era leve e suave. E eu acredito que você seja leve como essa brisa que estou sentindo. Eu te amo ― você disse.
― Eu te amo, brasileira ― você ouviu o sussurro.
E oito anos...
Votem e comentem
Até a próxima
Beijinhos, amoras
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