² Ambição

Eu nunca confio em um narcisista, mas eles me amam
Eu os manipulo como um violino
E eu faço parecer tão fácil.
Agora ele só pensa em mim...
I did something bad - taylor swift





Ambição.
substantivo feminino

1. forte desejo de poder ou riquezas, honras ou glórias; cobiça.

2. anseio veemente de alcançar determinado objetivo, de obter sucesso; aspiração, pretensão.







Comentem nos melhores parágrafos, sim? 💎


A ambição é como uma escada: Se você estiver disposto a escalar os gigantes degraus para alcançar aquilo que você deseja, a sua recompensa vai ser, possivelmente, satisfatória.

Mas, a ambição também pode ser uma borda: Se você estiver disposto a ficar na ponta de um abismo rochoso para se lançar de cabeça em um possível "paraíso", a realização de voar pode ser indescritível... Porém, não são todos que se lançam do precipício da ambição. Os mais medrosos ficam apenas na borda, no quase, no "e se?".

Kim Taehyung, melhor do que ninguém, conhece os efeitos irreversíveis de sempre ficar na borda, nos "e se?". E de tanto ter ficado atado à borda, ele decidiu se libertar das várias amarras egoístas e mesquinhas que impuseram sobre ele.

Claro, isso é bom, é ótimo! O Kim se opondo e se lançando de cabeça em todos os abismos da ambição que via pelo caminho foi satisfatório!
O problema foi quando ele começou a perseguir ㅡ sem pausas ㅡ os desafios da ambição, se tornando um jogador implacável e insaciável. Acreditando que todos os fins justificam os meios, acreditando que todos os fins e meios, devem, absolutamente, curvar-se aos seus desejos, caprichos.

Stop, stop.

Um alarme às vezes soava em sua cabeça, avisando que as suas escolhas ambiciosas estavam erradas, arriscadas. Mas de nada valia; O Kim queria mais, queria sempre mais. Queria tudo para si: Queria o belo e o feio, o justo e o injusto, o lícito e o ilícito, o devasso e o vício.

A ambição, às vezes, é como um vício.

E perder não é uma opção.

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ㅡ Por que o faturamento de lucros do último trimestre teve uma queda de 16,4%? ㅡ questionou o presidente da Crystal Company à sua equipe. A reunião era quase como uma guilhotina; o sufoco que os funcionários sentiam em estar perante ao presidente Kim numa sala tão minúscula carregada de tensão e cobranças... Era difícil até mesmo respirar.

ㅡ Houve uma queda no dólar estrangeiro. As ações do mercado da Moda estão em crise. É um reflexo nacional, presidente Kim. ㅡ uma das diretoras responsáveis pela estatísticas de relações internacionais da empresa afirmou.

ㅡ Sei disso, mas há reflexos dessa queda de lucros que possuem origem interna: Qual foi o setor com mais gastos no último trimestre? ㅡ questionou.

ㅡ Arte Audiovisual. Houve uma rotatividade considerável nos últimos meses que fez o setor de RH arcar com despesas de demissão, admissão, treinamento e afins. Aparentemente, não há diretor de audiovisual que demore muito no cargo... isso acaba refletindo diretamente no setor de Arte Final: Como podemos lançar material de campanhas sem um diretor fixo? ㅡ um dos acionistas argumentou.

Faz sentido. O presidente assentiu: ㅡ O setor Audiovisual é responsabilidade do setor de Arte Final, e isso tem que ser corrigido e estabilizado, só assim podemos- ... Onde está o diretor Park? ㅡ o Kim bufou irritado. Park Jimin não estava na reunião. Aquele irresponsável.

ㅡ Não tenho conhecimento, senhor.

ㅡ Ok. Reunião encerrada, senhores. Eu mesmo me encarregarei de estabilizar o setor de Arte Audiovisual e Arte Final. ㅡ em outras palavras, "Eu mesmo irei caçar o diretor Park".

E assim foi feito: Taehyung se levantou numa saudação breve e saiu da sala como um raio, como um "rastreador profissional de Park Jimin".
Não demorou a encontrá-lo.

O diretor de fios loiros estava na recepção da empresa conversando distraidamente com alguns funcionários quando, então, foi abordado por um presidente irritado.

ㅡ Diretor Park, por quê faltou a reunião de acionistas hoje?

ㅡ Bom dia para você também, Kim. ㅡ reclamou o de fios loiros, se desencostando do balcão: ㅡ E era hoje?

Insultante.

ㅡ É "presidente Kim" pra você também, e sim, era hoje. Recebi uma demanda que os setores de sua responsabilidade estão em falta, por isso você deveria estar na reunião.

ㅡ Bando de fofoqueiros... ㅡ Jimin desdenhou. A recepcionista arregalou os olhos. ㅡ Ah, não você, querida! Você é um amor de pessoa!

Falso. Taehyung revirou os olhos. ㅡ Em minha sala, em menos de cinco minutos. Fui claro?

ㅡ Entendido.

O presidente seguiu para a sala dele.

Minutos mais tarde, Jimin foi em busca do novo funcionário ㅡ havia deixado Jungkook se familiarizar com os demais funcionários e informou:

ㅡ Senhor Jeon, há uma pessoa a quem preciso apresentar o nosso mais novo diretor de Arte Audiovisual. Venha comigo.

Jeon seguiu o Park, que adentrou no elevador do prédio e depois bateu em uma porta com o nome "Presidência". Jimin entrou sozinho primeiro e Jeon o seguiu logo atrás em silêncio.

Ao adentrar, Jungkook reparou em como a sala era grande: Estantes e obras de artes, ambas caríssimas, ornamentavam as paredes. Havia uma segunda porta dentro da sala com a chave pendurada sob a trinca; fácil acesso. Nas estantes haviam dezenas de pastas de arquivos e algumas estatuetas de arte contemporânea.

O brilho dourado da placa de apresentação "Presidente Kim" centralizada sobre a mesa chamou a atenção de Jungkook.

O Kim estava em pé de costas a si, atrás de sua mesa, procurando algum arquivo físico por entre as lacunas de sua estante de arquivos. Logo à primeira vista, Jungkook viu apenas um homem de terno preto e listras finas resmungando impacientemente: "Onde está o documento de planejamento anual?". Taehyung estava tão concentrado que o Park precisou emitir um pigarro.

Taehyung continuou de costas, alheio e desinteressado: ㅡ Trouxe café, Park? ㅡ um insulto quase palpável.

ㅡ Não sou seu empregado de cafezinhos. ㅡ cortou Jimin, sem se importar com a postura profissional.

ㅡ Que bom que sabe o seu lugar, diretor. ㅡ retrucou o Kim.

Em algum momento, finalmente, percebeu que havia uma terceira pessoa presente na sala (Jeon), mas Taehyung continuou alheio. Azedo.
ㅡ Ah! ㅡ apontou para o "alguém qualquer" ali. ㅡ Você: Traga uma xícara de café expresso sem açúcar para mim, okay? ㅡ indiferente e autoritário. Amargo, assim como o café que pedira.

Jimin piscou confuso; "agora ele exige que qualquer um esteja aos pés dele?".
ㅡ Presidente, este é o nov-

ㅡ Ca.fé. ㅡ ditou sem deixar brechas para demais interrupções.

Jimin sentiu-se constrangido e virou para Jeon. ㅡ Me desculpe, ele não sabe que-

ㅡ Não, tudo bem. Eu faço. ㅡ Jeon saiu.

Taehyung não poderia se importar menos.

Inconformado, Jimin reclamou: ㅡ Sabia que o mundo não gira ao seu redor? Pare de tratar as pessoas como capachos!

O Kim pegou a pasta arquivo e se sentou em sua poltrona à mesa. Longos dedos folheando as páginas de planejamento, olhos fixos em números de contabilidade.

ㅡ Não tratei ninguém mal, apenas pedi meu café. Vai me ensinar agora como tratar meus funcionários, diretor?

ㅡ Aquilo não foi um pedido, foi uma ordem sem o mínimo de senso! Trate as pessoas como pessoas e não como números!

ㅡ Minha empresa, minha sala, minhas regras. Park Jimin. ㅡ desafiou fitando-o.

Jimin se aproximou da mesa, lábios serpenteando as palavras numa cadência baixa e áspera: ㅡ Olha, Taehyung... Você pode até governar a presidência com o seu cetro de ouro, mas não se esqueça que quem governa esta empresa com punhos de ferro e mãos de veludo, sou eu. ㅡ relembrou com um gosto amargo para ambos: ㅡ Não manche a reputação da Crystal Company com as suas arrogâncias. Não irei tolerar isso.

O presidente trincou o maxilar, as palavras seguintes seguiram na mesma aspereza e tom: ㅡ Seja se tratando de cetros de ouro ou de veludos baratos, faça o seu trabalho na Crystal Company como lhe é exigido.

ㅡ Justo. ㅡ o diretor de fios loiros assentiu.

Jimin é muito bem capaz de se curvar, mas nunca de ceder.

Dito isto, Taehyung voltou a analisar os arquivos. Os olhos faiscando em raiva naquele "cessar fogo" precisavam se focar em qualquer outra coisa que não fosse Park Jimin. Às vezes, o Kim precisava se lembrar que a recompensa de seu trabalho não era sobre guerras, e sim, estatísticas.

Batidinhas na porta foram ouvidas: ㅡ Com licença. ㅡ retornou Jeon como se nunca tivesse ouvido nada, afinal, não era da sua conta.

Mas sondar o terreno que está pisando é sempre útil.

Propositalmente, Jungkook passou reto por Jimin e se dirigiu a mesa da presidência, seu dono ainda afundado em uma arrogância palpável. Taehyung sequer levantou a vista quando a xícara de café foi posta à sua frente. O moreno ainda mantendo os dedos firmes ao pires da xícara.

Jeon não gosta de pessoas narcisistas. ㅡ Seu café, senhor.

Quando Taehyung estava prestes a pegar a xícara, Jeon foi mais rápido, puxando sutilmente o pires para longe dos dedos do Kim. A ação imediatamente tomou a atenção do presidente.
Taehyung ergueu os olhos: Havia um par de orbes brilhantes como ônix lhe fitando convictamente, nunca havia visto tal homem em sua vida antes e nunca viu tal olhar tão penetrante mostrando presença e pretensão.

Foi inevitável não questionar: ㅡ Quem é você?

Taehyung estava exalando visível dúvida e irritação, o arco das sobrancelhas franzindo numa expressão de inquietude agressiva enquanto devolvia o olhar na mesma medida.

Aquele embate visual balançou Jeon.

O embate também alcançou o Park. A inesperada tensão saturava o ar. Todavia, Jimin não temeu. A dominância do Kim deixou algo bagunçado, irritado, em si mesmo; questões proibidas envolviam sua mente.

Jungkook aproximou-se da borda. ㅡ A pessoa que trouxe o seu café expresso e sem açúcar. Está de seu agrado, presidente?

O Kim ergueu uma das sobrancelhas: ㅡ Saberei agora. ㅡ pegou a xícara enquanto o "desconhecido" se erguia e se afastava da mesa; e não era submissão, era completamente consciente de cada ação. Taehyung era capaz de perceber todas.

Experimentou longos goles sem reservas. ㅡ Está morno.

ㅡ Não me disse a que temperatura queria, senhor, apenas o sabor.

Arrogante. Taehyung percebeu que estava de frente a um arrogante, porém, um arrogante justo.

ㅡ Ok... justo. O que faz aqui na minha sala então?

Finalmente. O moreno pensou. ㅡ Sou Jeon Jungkook, o novo diretor de Fotografia e Arte Audiovisual. Vim a convite do diretor Park. ㅡ se apresentou cordial, postura confiante.

Isso agradou à Taehyung, há tempos ele não via alguém assim na empresa. ㅡ Hmm, ele foi a sua escolha pessoal da entrevista de ontem? ㅡ tocou o queixo, a pergunta sendo direcionada ao Park.

ㅡ Sim. Acredito que o senhor Jeon possui todas as competências que a nossa empresa precisa. ㅡ garantiu Jimin.

Taehyung tocou o queixo novamente - uma mania sua quando quer questionar algo -, Levantou-se de sua poltrona e contornou a mesa.

ㅡ Então, senhor Jeon, você acredita que tem competências o suficiente para ser um diretor de produção primária numa empresa de comunicação visual e moda? Precisa ser mais do que um novato que tira fotinhas e serve cafezinhos por aí. A Crystal Company só mantém dentro do jogo os mais resilientes, sabe? ㅡ riu por fim.

Arrogância, sempre uma pitada de arrogância. Destes, Jungkook já estava farto: ㅡ Com toda sinceridade, senhor presidente, eu não trilhei uma carreira solo de campanhas publicitárias e não cursei quatro anos de Fotografia e especializações para simplesmente chegar aqui e servir cafezinhos. Considere a minha oferta de servir aquele café, ㅡ apontou com o olhar altivo para a xícara esquecida em cima da mesa. ㅡ Como uma oferta de "boas vindas" minha. Posso ser um novato em seu primeiro dia de trabalho nesta empresa, mas sei do meu valor. Servir cafezinhos à presidência não está dentro da minha grade de serviços à empresa, senhor. Contudo, foi uma experiência excelente.

Havia um brilho altivo nas orbes ônix enquanto Jungkook discursava, Taehyung era capaz de ver isso: Essa fortaleza, essa arrogância, essa ambição borbulhante e consciente. Não aquela ambição de quem morde mais do que pode, e sim, aquela ambição de quem sabe o que está fazendo porque sabe o que vai conquistar.
Jungkook era desafiador, um amante de ambições e conquistas. Isso era bem visível.

Taehyung estava, enfim, surpreso: ㅡ Ambicioso... gosto de pessoas assim. ㅡ falou em aprovação. ㅡ Agora, vamos aos fatos? ㅡ questionou retoricamente.
Pegou em mãos o arquivo de momentos atrás e começou a ditar:

ㅡ Veem essa pasta? É o Planejamento Anual. Acabei de vir de uma reunião de acionistas e eles me informaram que os setores de Arte Audiovisual e Arte Final estão com demanda excessiva de gastos, isso se deve porque há uma rotatividade desnecessária no setor Audiovisual. Como uma empresa se mantém de pé se os seus setores primários e finalistas estão em déficit? Então, a partir de hoje, quero resultados sólidos.

ㅡ E o que sugere? ㅡ Jimin perguntou.

ㅡ Estabilidade. Quero que o senhor Jeon permaneça, no mínimo, por seis meses na empresa e que ele nos dê o seu melhor. O senhor pode fazer isso pela Crystal Company? ㅡ comentou para Jimin e depois se direcionou à Jeon.

ㅡ Estou aqui para isso, senhor. ㅡ o moreno respondeu.

ㅡ Contarei com isso, diretor Jeon ㅡ reforçou: ㅡ Tudo o que o senhor produzir será monitorado e autorizado pelo diretor Park na Arte Final, pois o seu setor primário é responsabilidade dele. E por último, a soma dos esforços dos dois setores passarão por mim e por minha decisão. Compreendem?

ㅡ Sim, senhor.

ㅡ Ok. ㅡ irreverente, Jimin não possuía necessidade de responder pólido como os demais funcionários. Isso fez Jungkook se lembrar do que ouviu atrás da porta.

O presidente prosseguiu: ㅡ Contudo, não pensem que podem fazer qualquer porcaria e me entregarem como campanha. Qualquer portfolio, por mínimo que seja, que eu perceba que foi feito de forma desleixada ou enfadonha sem criatividade, eu mesmo os farei trabalharem novamente sem pausas até que desejem ir embora daqui pra morar na roça. E senhor Jeon, não pense que, por possuir aval de estabilidade durante este semestre que não será cobrado, porque será. Caso o seu trabalho seja uma porcalhada como os dos últimos diretores, eu mesmo me encarregarei de garantir de que não haja boas referências na sua carta de demissão. Fui claro?

Ok. Jungkook estremeceu. Querendo ou não, era a sua primeira experiência como diretor.
ㅡ Sim, presidente Kim.

Paradoxalmente, após o discurso tenso, o presidente sorriu amigável: ㅡ Obrigado senhores. Conto com as competências de vocês para erguermos a Crystal Company na indústria da Moda. ㅡ apontou o indicador em sentido horário, apontando para os três num círculo, e por fim, apontou para um broche em seu paletó, dizendo: ㅡ Somos oficialmente os três pilares de que a empresa precisa, e não há necessidade de falhas.

Jungkook assentiu em silêncio, se pegando a admirar com atenção o pequeno broche em níquel; era o desenho em alto relevo de um diamante na cor vermelho, muito semelhante com a logomarca oficial da empresa... "Diamante vermelho? Não deveria ser um rubi? Por que então a empresa se chama Cristal?"
As perguntas curiosas pairavam na mente do moreno. De qualquer forma, o broche era muito bonito. Um ponto de brilho vermelho sob o terno preto.

Era tão bonito, que parecia... quase... inalcançável.

Jungkook despertou de seus pensamentos quando o Park arrulhou:

ㅡ Maravilhoso! Agora se me permite, Kim, os diretores de Artes irão se retirar para trabalhar. Bom dia. ㅡ e saiu.

Jeon fez uma breve saudação de saída; observando que o Park nunca fazia saudações polidas ao presidente. Por quê nunca o faz? ㅡ, e se aproximou da porta para ir embora.

Prestes a sair, foi chamado pelo o Kim: ㅡ Senhor Jeon.

ㅡ Pois não?

ㅡ Obrigado pelo o café de "boas vindas". Seu café estava no ponto certo do sabor. ㅡ Taehyung cedeu à um elogio.

Jungkook abriu um sorriso convencido. ㅡ Claro! ㅡ e saiu.

Muito convencido mesmo. Taehyung concluiu.

Realmente, um ambicioso reconhece o outro.

ㅡ 💎 ㅡ

Ao final daquela semana, Jungkook sentia-se exausto, mas revigorado. A experiência de finalmente colocar em prática tudo o que aprendeu na faculdade e possuir sua própria equipe para coordenar projetos de curto e médio prazo era incrível.
No final da noite, o moreno abriu o seu closet para guardar seus pertences; óculos de grau, carteira, brincos, e... a caneta. Guardou sua nova reivindicação junto à gaveta especial de pertences.

Não sentia qualquer culpa.

Porque aquela caneta preta com detalhes dourados era muito bonita para não ser sua.

Fechou a gaveta e se preparou para dormir.

Naquela noite, Jungkook sonhou com coelhos, portfólios, xícaras de café e um broche vermelho. Dormiu perfeitamente bem.

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