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[ai gente, esse capítulo é TÃO-KKKKKKK
eu preciso muito ler as reações de vocês MUITO MESMO]
E já tão cedo pela manhã, Jungkook estava frustrado pelo seu pai, precisando descontar a sua raiva em alguma coisa. Decidiu-se então, pegar o machado largado ao lado de um antigo "projeto de canoa" e começou a dilacerar golpes no grosso tronco de carvalho que há anos estava parado lá, no mesmo lugar.
Porque há anos, Jungkook estava longe de casa e nunca mais precisou descontar suas frustrações em força bruta naquela canoa, mas agora, era o que ele precisava.
Após os primeiros golpes de machado, o moreno lembrou-se de seu celular e fones de ouvidos no bolso da calça e os conectou no aparelho a fim de se desligar do mundo. Escolheu uma mixtape de um famoso rapper, Agust D, que combinava naquele momento com o seu estado de espírito, raivoso, e se pôs novamente a lançar golpes irregulares sob a madeira.
Enquanto Jungkook trabalhava na força do ódio no velho pedaço de carvalho, Hyejin observava o filho ao longe. Ela sabia o quanto Jungkook estava com raiva, pois era somente sob estresse bruto que o filho insistia em massacrar o tal carvalho. Aquilo não iria ficar assim, ela iria falar com Jonh e perguntar o que o pai tinha dito ao filho dessa vez, pois ela sabia melhor do que ninguém que somente o pai do garoto o fazia chegar naquele nível de estresse e frustração.
Quando o Jeon mais velho adentrou a sala, a esposa logo o chamou a atenção: ㅡ Por que o Jungkook está trabalhando, de novo, com um machado naquela porcaria de canoa, Jonh?
ㅡ Ah, Hyejin faça-me o favor! Jungkook já está muito grandinho pra se comportar como um adolescente rebelde sem causa! Eu não vou ligar pra isso.
O tom alto das vozes dos pais de Jungkook discutindo, inevitavelmente, era audível para Taehyung que ainda estava na cozinha beliscando alguma comida ㅡ mesmo após quando todos haviam feito o café da manhã há tanto tempo.
ㅡ O que você fez, Jonh? O que você disse a ele? ㅡ a mãe insistiu.
ㅡ Nada. Eu só tive uma conversa franca sobre o futuro que eu espero que ele tenha, que ele assuma os negócios, mas ele não quer.
ㅡ Nossa, mas que ótima conversa! Que ótima ideia! Porque agora, ele nunca mais vai querer voltar para casa! Ele é o nosso filho, Jonh, mas só o vejo a cada três anos por sua causa! Já chega disso... Você vai apoiá-lo nesse casamento porque ele é o seu filho e ele espera isso de você, ele precisa do nosso apoio. Se não tomarmos cuidado, você e eu iremos acabar sozinhos nessa mansão, e tomara que Jungkook e o noivo dele nos visitem uma vez ao ano em cada natal. E imagina se eles quiserem adotar filhos? Nossos netos nunca irão querer conhecer os avós que chutaram Jungkook daqui... Ele é o meu filho e o seu filho também Jonh, ele precisa seguir o caminho dele. Mas eu sou mãe, eu sinto falta de Jungkook.
E enquanto Hyejin e Jonh discutiam na sala de jantar, Taehyung estava quieto em silêncio, envergonhado na cozinha. Ele não queria ouvir a conversa, mas não havia como sair do cômodo sem ser percebido. Então, seu silêncio foi ao chão quando Kevin apareceu na cozinha e começou a esganiçar puxando a barra da calça de Taehyung. Obviamente, o pato não gostava do convidado da mansão Jeon.
ㅡ Shhii! Sai seu pato ridículo! Sai! ㅡ Taehyung sussurrou irritado na tentitiva de calar e afastar o animal.
Infelizmente, Hyejin e Jonh perceberam a presença do mais novo, que logo baixou a vista e se curvou brevemente num pedido de desculpas.
Após isso, Taehyung subiu para o quarto deixando os sogros discutirem sobre seu filho a sós.
Já dentro no quarto, Taehyung decidiu entrar no banheiro para respirar fundo, iria tomar um banho; isso iria relaxar a sua mente. Sequer havia levado toalha ou muda de roupa para o pós banho, ele queria apenas se livrar daquela sensação agoniante de ser um intruso.
Ele era um intruso, ele sabia disso. Porque, além de ser pego ouvindo uma discussão pessoal da família Jeon sobre Jungkook (mas obviamente, isto foi sem querer, sem intenção), Taehyung se sentia um intruso na casa, pois sabia que os pais estavam discutindo sobre o futuro casamento de seu único filho.
Um casamento farsante. Para ressaltar.
Taehyung compreendia os fatos: Por causa de um casamento não aprovado, Jungkook estava enfrentando uma situação delicada com sua família. E Jeon ainda teria que levar todo o plano desse casamento falso até o fim também, fingindo estar casado e apaixonado com alguém que não ama.
E pela primeira vez, de certa forma, Taehyung se sentia mal em fazer Jungkook se submeter a uma situação tão ruim, por algo tão delicado, àquilo. Por sua causa.
Taehyung não tinha família, ele não tinha mais sua família consigo. Mas o Kim sabe: Família é a base mais importante na vida de uma pessoa; e saber que Jungkook estava em maus lençois com a sua, por um motivo falso e fútil, lhe incomodava.
No banho, Taehyung refletiu e relaxou. A visível camada de água e vapor se condensava sob o pequeno cômodo do box do banheiro como uma manta de calor agradável, mas não estava tão quente por completo, pois o acastanhado deixou uma fresta de porta aberta apenas para que o calor fosse se dissipando aos poucos. Os aromas de sabonete, óleos florais, sais de banho e vapor concentrado acalmavam a mente de Kim como um ritual de reflexão. A pele bronzeada ficava ainda mais ruborizada e brilhante em contato com a água quente da ducha. Relaxante.
Terminado o banho, Taehyung percebeu que havia esquecido a toalha e roupas, e decidiu "chamar" do banheiro por alguém para "testar" se havia alguém por perto ou no quarto para lhe dar uma toalha. Como ninguém "respondeu", o Kim começou a cogitar se deveria sair do banheiro sob tal privacidade para buscar algo no guarda roupa.
Enquanto isso, Jungkook, exausto do trabalho braçal desnecessário que exerceu sobre a obsoleta canoa, decidiu largar o machado e subiu para seu quarto; iria tomar um banho para se livrar do suor e stress. Seus fones de ouvidos ainda estavam tocando uma música viciante de hip hop no último volume, tão alto que Jeon não poderia ligar menos para o ambiente ao seu redor.
Entrou no quarto acompanhado por Kevin e fechou a porta sem se incomodar com o pato dentro do cômodo.
Jeon começou a relaxar em privacidade, tirando de si todas suas peças de roupas impregnadas de suor ㅡ exceto o celular e os fones de ouvidos. Manteve o celular preso a boca ainda tocando a sua playlist no último volume. Nem ouviu quando Taehyung "chamou" no banheiro. Estava totalmente alheio.
Jungkook apenas viu quando Kevin entrou pela a fresta da porta no banheiro, mas também não havia se importando com isso, ele gosta de animais e vê-los passeando pela casa é agradável.
Taehyung, meio escondido no banheiro, ouviu barulhos de movimentação do lado de fora, mas como não era respondido por nada e nem ninguém, abriu apenas a porta do box: E lá se estava Kevin, o ganso esganiçando alto e estridente contra os sensíveis ouvidos do Kim que percebeu então que havia caído água neles.
ㅡ Inferno! Para de me perseguir seu cão! ㅡ bufou sendo encurralado pelo o animal ainda dentro do box. ㅡ Sai daqui!
Momentos de desespero: Perseguido por um pato feroz, e ainda mais naquela situação; pelado, Taehyung saiu correndo do banheiro ㅡ de costas. Sem medir seus passos e sem ver por onde andava em seu caminho pelas costas, ele apenas correu e se virou de frente no último segundo.
Neste mesmo momento, Jungkook em seu total desconhecimento da cena que se desenrolava em sua retaguarda, retirou sua última peça de roupa de si; a cueca boxe.
E, assim que ele ficou de pé e se virou em direção ao banheiro, deu de cara com um Taehyung, também pelado, colidindo com força contra a si: Os dois corpos masculinos se chocaram frente a frente num baque forte e seco, com um Taehyung caindo por cima de um Jeon surpreso. Um emaranhado de pernas e braços se tocando numa desesperada tentativa ㅡ falha ㅡ, para não cair juntos ao chão gerou gritos logo em seguida.
ㅡ AI MEU DEUS! ㅡ Taehyung gritou, quase mortificado em susto, encarando o rosto Jungkook. Oh céus! Jungkook estava de corpo inteiro nu abaixo de si?!
ㅡ PUTA QUE PARIU SAI DE CIMA DE MIM, TAEHYUNG! ㅡ o moreno também gritou lhe empurrando com desespero. Em algum momento do tombo, seu celular e fones caíram ao chão, mas Jeon não ligou: Inferno, ele estava nu! Taehyung estava nu! Essa é a maior vergonha que ele passou na vida!
ㅡ QUAAAÁ ㅡ Kevin esganiçou ao lado deles. Até o pato gritou.
Os dois homens estavam desesperados, tentando desvencilhar pernas, braços e quadris entre si em fuga e vergonha, ambos correndo para lados opostos do quarto para se esconder em algo que cobrisse a sua nudez.
Mas é aquela coisa... esconder o quê se os dois têm pinto né?
ㅡ O que você que tá fazendo aqui, Taehyung?! ㅡ Jeon questionou buscando cobrir sua nudez com a sua própria blusa suja jogada ao chão.
ㅡ O que EU tô fazendo? Eu tava tomando banho! ㅡ se escondeu detrás da cama e pegou um cobertor jogado no chão para se encobrir. ㅡ Ai meu deus! Eca! A manta de "fazedor de bebês" não! ㅡ largou o edredom errado no chão e se agarrou em um outro lençol.
ㅡ Tomando banho? Você é um pervertido, você me atacou agora! ㅡ Jungkook acusou.
ㅡ Eu não sou um pervertido! Eu não vi você aqui porque eu estava de costas fugindo desse cão! ㅡ disse apontando para Kevin. O pato, agora, estava em silêncio, apenas beliscando delicadamente algumas de suas penas.
O animalzinho fazia a confusão toda, e depois, apenas fazia a sonsa. Atentado.
ㅡ Oh meu deus! Fujam para as montanhas, tem um animal asqueroso e sanguinário à solta, ele vai matar à todos nós! ㅡ Jungkook debochou com raiva, agarrando também um outro lençol da cama para se cobrir mais e se levantou para ir tomar banho.
Taehyung xingou: ㅡ Sai daqui seu imundo! Você tá todo suado, eu vou ter que tomar outro banho de novo.
ㅡ Problema SEU. ㅡ Jeon gritou e entrou no banheiro batendo a porta com força na parede, trancando-a.
ㅡ CALA A BOCA E VAI EMBORA! Ai não, não não! ㅡ uma crise negacionista se iniciou na mente do Kim: ㅡ ELE VIU TUDO?!! ㅡ Taehyung se lastimou enfiando a cara em um travesseiro. Quem sabe uma morte por asfixia seja menos dolorosa do que àquela vergonha?
"Aqui jaz Kim Taehyung, que morreu pelado e constrangido. Que esta alma descanse em paz, ao menos na vida após a morte. Amém."
Rapidamente, Taehyung vestiu uma muda de roupa qualquer do guarda roupa. Ele também pegou uma toalha e uma nova muda de roupa, e seguiu sozinho para o banheiro de hóspedes da casa para tomar um segundo banho. Afinal, ele ainda teria que sair para visitar a cidade com Hyejin e a vovó, e precisaria de outro banho para "tentar" relaxar, de novo.
Dessa vez, Taehyung trancou a porta para garantir a sua total segurança.
Alguns minutos depois, estavam ele, vovó Ellen e Hyejin indo em direção à cidade. Taehyung não se preocupou se Jungkook iria ou não com eles, pois não queria vê-lo tão cedo.
Pelado ou não.
As anfitriãs passearam com ele por várias lojas de Sitka, que na verdade não eram muitas, a fim de conhecer a pacata cidade. Almoçaram no melhor restaurante, que também pertencia aos negócios JEON, e visitaram o museu local que abrigava alguns livros, artigos e objetos que contavam a história da pequena cidade do Alasca e suas origens indígenas dos índios do Norte miscigenados com Forasteiros Imigrantes do Sul do país. Eram povos e culturas divergentes, que por séculos se dizimaram na luta de terras, até que a paz se solidificasse então.
Vovó Ellen explicava a história de seus antepassados e etnias mistas com uma saudosa alegria numa pitada de magia e suspense. Taehyung estava encantado pelo o jeito adorável da mais velha, reconhecendo-a como uma ótima contadora de histórias, a senhorinha Jeon encantava facilmente a todos com seu sorriso gentil e rugas do tempo. A pele era tão alvina quanto os cabelos brancos, ela parecia uma boneca de tão adorável.
Quando já estava chegando o horário da "noite" ㅡ pois no verão do Alasca, somente faz sol e dia ㅡ, Hyejin e Ellen ficaram ainda mais animadas, e em segredo, cochichavam algo inaudível para que Taehyung não ouvisse enquanto o guiava pela cidadezinha.
ㅡ Chegamos! ㅡ Hyejin falou contente, estacionando o carro em frente ao que parecia um estabelecimento comercial, porém era um local muito grande e sem janelas, possuindo apenas uma porta de entrada. Estranho.
ㅡ Que lugar é esse? O que viemos fazer aqui?
ㅡ É surpresa! Vamos entrar.
Quando adentrou pelas portas, Taehyung percebeu do que se tratava: Hyejin e Vovó Ellen estavam entrando num bar. Um enorme bar.
Quê??
ㅡ Vamos, Taehyung! Essa é a nossa surpresa, vamos relaxar e aproveitar o show da noite. ㅡ Hyejin encorajou-o.
ㅡ Céus! Hyejin?! A vovó Ellen está de acordo com isso?
ㅡ Estou sim! Vamos meu querido, há muitos anos eu não venho ao Night Bar Club e quero relembrar os bons tempos!
Que vovó mais alegre!
ㅡ Okay... vamos.
Sentaram em uma das mesas frontais ao palco, especialmente reservada para eles, e curtiram uma rápida apresentação de música country ao vivo. Vovó Ellen até queria dar uma "molhada no bico" com bebidas alcoólicas, mas Hyejin não a permitiu; sensata. E a própria não iria beber, pois era ela quem estava dirigindo. Taehyung aceitou, após muita insistência delas, experimentar uma bebida de frutas tropicais adocicada com baixo álcool.
ㅡ Atenção senhoras e senhores ㅡ uma voz ao microfone anunciou quando as luzes do palco apagaram: ㅡ A atração principal da noite vai começar, então damas, controlem os seus hormônios. E rapazes, sosseguem o facho, pois vem aí: J-HOOOOPE!
ㅡ Ai, meu deus! Vai começar o show, Taehyung. ㅡ Hyejin exclamou animada acima dos aplausos e assobios que ecoavam no bar.
ㅡ O que vai começar? ㅡ perguntou.
ㅡ O show da sua surpresa! Essa vai ser a sua despedida de solteiro. Aproveita!
De repente, as luzes foram acesas em foco único direcionadas ao palco, que continha uma cadeira ao centro, e por detrás das cortinas, saiu um homem vestido de terno e cabelos alaranjados como fogo.
ㅡ HOBI!! J-HOPE EU TE AMO! ARRASA! CASA COMIGO HOSEOK ㅡ várias vozes diferentes clamavam descontraídas no salão e os assobios eram eufóricos.
Ao som de SexyBack, o dançarino fazia movimentos sensuais, porém, ainda um pouco desengonçados. Não era algo com caráter explicitamente sexual, percebia-se esse ponto, mas a diversão dessa apresentação não era nenhum desperdício, todos os expectadores da plateia estavam envolvidos no clima descontraído. Os cabelos em laranja vívido, eram a segunda coisa que mais chamava a atenção no dançarino, pois a primeira era o largo sorriso que ele exibia, mostrando que realmente se divertia enquanto dançava.
ㅡ Vocês querem um showzinho de strip-tease? ㅡ o dançarino questionou à plateia.
ㅡ SIM! ㅡ um coro de vozes se elevou.
ㅡ Então eu vou querer o meu convidado de honra desta noite. Onde está o noivo?
ㅡ AQUI! AQUI ㅡ Hyejin gritou apontando para o futuro genro.
ㅡ Ah, não! Não, por favor! ㅡ se Taehyung já estava atônito de ver tanta maluquice desde que chegou naquela cidade, imagina agora.
KKKKKK É SÓ LADEIRA ABAIXO.
Hoseok desceu do palco e guiou o Kim para lhe seguir de volta ao palco ㅡ à total contra gosto de Taehyung, claro. O dançarino o fez sentar na cadeira e deu uma piscadela. Os olhos assustados de Taehyung sequer piscavam, ele tentava a todo custo se manter longe do alaranjado. O que foi inútil, pois J-hope começou a dançar perto de si e tirar suas próprias peças de roupas, insistindo que Taehyung lhe tocasse nos braços e ombros
Mas que pouca vergonha!
Vergonha era pouco, pois ser alvo de uma dança de strip-tease de um estranho, na frente de uma multidão de pessoas num bar desconhecido, era no minimo, um King Kong vergonhoso. E ter as suas possiveis futuras sogras assistindo a tudo, além de serem as mentoras do show, era o cúmulo do vexame.
O corpo franzino do dançarino e suas aproximações forçadas, fizeram Taehyung se fundir na cadeira num misto de frustração e vergonha que nunca experimentou antes. Tudo o que ele desejava era sair daquele palco o mais rápido possível.
ㅡ Eu quero sair daqui!
ㅡ Não vai sair não, docinho. ㅡ J-hope riu, atrevido.
ㅡ Me deixa ir embora.
ㅡ Só quando você me der um tapinha!
ㅡ O que?
ㅡ Dá um tapinha aqui. ㅡ J-hope empinou o traseiro, sugestivo. Outra piscadela voou.
ㅡ QUÊ? ㅡ Taehyung gritou, perplexo. Mas que raios de hospício ele tinha se metido naquele fim de mundo? Como assim tocar no traseiro de um estranho?!
ㅡ Só um e estará liberado! ㅡ o dançarino reafirmou.
E com muito, mas muuuuito, desgosto e constrangimento, o Kim deu um estalar na bunda alheia e se encolheu sobre o próprio corpo na cadeira.
Gay panic?
ㅡ Ah, que menino mau! Na próxima vez você será castigado. ㅡ Hoseok deu uma risadinha sapeca.
ㅡ Deusmidefenderay! ㅡ Taehyung saiu correndo do palco assim que o outro lhe deu passagem.
Coitado. Ele só queria se enfiar num buraco abaixo da crosta terrestre e nunca mais ser avistado sob a face da terra.
Uma salva de aplausos e assovios ecoou da plateia, mas Taehyung se contentou em se esconder no banheiro por enquanto... Quem sabe sairia de lá em 2025?
Após lavar o rosto na pia ㅡ embora água potável não lave pecados e vexames ㅡ, o Kim saiu do banheiro depois de vários minutos. Ele foi direto para o balcão do bar e pediu ao barman uma dose daquele coquetel de frutas doce com mais teor de álcool dessa vez. Bebeu e logo em seguida, pediu uma dose dupla de whisky. Nada restaura a dignidade de um homem mais do que doses de bebidas! Esquecer seus problemas e micos no álcool é a ordem da vez.
DOENTE DE AMOR PROCUREI REMÉDIO NA VIDA NOTURNAaaa
Entre um gole e outro, Taehyung tentava escapar de sua própria mente que reprojetava em um filme todas as imagens daquele dia e seus problemas: Iria casar para não ser deportado, um casamento falso, a editora não pode lhe demitir assim, a família de Jungkook era doida, Jonh não aprovava o casamento e nem apoiava o filho em suas decisões, a família de Jungkook era muita doida, Hoseok rebolando no palco, um casamento forjado, Jungkook estava frustrado, Jungkook pelado, ele estava pelado e a pele dele era tão alvinha, a cintura tão fina, ombros tão largos e... eㅡ
ㅡ Mas que porra é essa, Taehyung?! ㅡ xingou a si mesmo ao perceber que agora a bebida já lhe fazia efeito. Na verdade, o efeito contrário de esquecer...
ㅡ Taehyung, já está ficando tarde, vamos? ㅡ Hyejin sugeriu se aproximando.
ㅡ Pra onde? Pra casa? Peloamordideus vamos! Eu não aguento mais viver, me leva pra casa.
ㅡ Sim, pra casa, vamos.
Pagou a conta se embolando entre algumas notas de dinheiro na carteira e decidiu deixar qualquer que fosse a nota com troco e tudo para o barman.
Hyejin e Ellen estavam sóbrias, mas não pararam de conversar e rir durante todo o trajeto de volta para casa, comentando como há anos não se divertiam, enquanto um Taehyung emburrado estava encolhido no canto do banco do carona.
Se o mau humor era a personalidade exacerbada do Kim ainda sóbrio, imagine ele semi bêbado? Oras, ele não estava alcoolizado ao ponto de tropeçar no próprio pé, mas com certeza, qualquer bêbado que se preze tem algum sintoma característico, e os de Taehyung eram mau humor e impulsividade.
Se despediu de suas sogras agradecendo pelo o passeio e noite "uau, maravilhosos", e subiu as escadas direto para tomar um banho a fim de tirar um pouco do efeito de álcool de si.
Quando chegou ao quarto encontrou o banheiro trancado, Jungkook estava tomando banho. De novo.
ㅡ Droga. Termina logo isso ai, Jeon. Quero tomar banho.
ㅡ Sai daqui seu pervertido! ㅡ Jungkook gritou com a voz sendo abafada pelo cômodo trancado e barulho de água corrente.
Mesmo impaciente, Taehyung esperou pela saída de Jeon enquanto encarava a parede oposta, de costas ao banheiro. E, assim que Jungkook saiu ㅡ vestido em uma blusa folgada de algodão e moletom, um pijama completo ㅡ, o Kim se enfiou no banheiro sem nem olhar para o lado. Dessa vez, ele não iria cometer o erro de mais cedo, já levando consigo com toalha e muda de roupa em mãos.
Sequer olhou na cara do mais novo. Ainda estava de mau humor... ou talvez vergonha daquele esbarrão de mais cedo.
O moreno percebeu o silêncio total do Kim e a sua pressa aborrecida de entrar no banheiro, mas pouco se importou, ainda estava puto com a memória de mais cedo. Aquilo foi completamente inesperado; Kim Taehyung tombando e caindo acima de si, todo molhado e corado, pele morna, quente e aromatizada de sais de banho. Foi inevitável perceber tanta pele exposta, mas foi impossível desviar os olhos do desenho bonito nas costelas do Kim: A tatuagem que ele sempre suspeitou da existência, era na verdade, um majestoso lobo solitário uivando ao luar. Uma tatuagem tão grande, mas ao mesmo tempo tão escondida... uma arte de linhas sinuosas enfeitando pele dourada.
Mas que merda! Era apenas o seu chefe ali! Ele não podia se pegar frustrado em observar detalhes tão... obscenos. Havia um acordo entre ambos! Um acordo profissional que iria beneficiar os dois lados. Não havia nada "acordado" sobre ver um ao outro pelados.
Nera?
Aquilo foi apenas um acidente! Não; Um tombo de azar!
Sozinho, o moreno se punia e se defendia de seus próprios pensamentos.
Jungkook, irritado em seus pensamentos acelerados sobre o péssimo dia, simplesmente decidiu se deitar em sua própria cama, pois estava exausto mentalmente e fisicamente do trabalho braçal desnecessário que fez com a canoa mais cedo.
Estava cansado e ponto final.
Iria dormir em sua cama. Foda-se aposta de joquempô. Se o Kim viesse lhe expulsar, ele mesmo iria chutar seu chefe da cama. Da sua cama. Fechou as cortinas das janelas, desligou as luzes do cômodo e se deitou.
Um dos defeitos da personalidade de Jeon era ser ciumento. Não tanto de pessoas, mas sim, de seus pertences. Admitir que perdeu a sua cama para uma aposta infantil era o cúmulo. Ele iria resgatá-la.
Quando Taehyung saiu do banho ㅡ vestido somente de calça moletom, pois estava muito impaciente e quente para pôr um pijama completo ㅡ, ele se deparou com a escuridão do quarto, mas não reclamou, apenas se jogou debaixo das cobertas da enorme cama sem em nenhum momento perceber companhia.
Como de sua rotina de preparação do sono, Taehyung procurou abraçar um travesseiro qualquer para dormir, porém, ele notou que abraçou algo mais sólido do que um travesseiro. Abraçou alguém.
ㅡ O QUE É ISSO? JUNGKOOK? O que você tá fazendo aqui na cama?! ㅡ questionou assustado, pulando e sentando na cama.
ㅡ Para me de me abraçar, porra! Taehyung sai daqui da minha cama agora! ㅡ xingou, quase dando um soco no Kim. Jeon se recusava a sair da cama ou sequer se sentar sob os edredons macios, evitando encarar o outro sob as circunstâncias de tanta proximidade indevida.
A visão de ambos os homens era quase um breu, apenas silhuetas e curvas de suas faces sendo iluminadas por uma pequena fresta de raios solares que insistiam em atravessar a grossa cortina das janelas.
Taehyung recusou: ㅡ Eu não vou sair daqui. Eu ganhei no joquempô ontem!
ㅡ Você tem quantos anos? Cinco? Larga de ser otário dessa aposta idiota e vai dormir no chão. Eu tô muito cansado hoje e eu não vou dormir no chão duro.
ㅡ Eu não vou a lugar nenhum! ㅡ Taehyung desafiou se sentando de frente à Jungkook, tentando o intimidar. Jeon não o encarava de volta.
ㅡ Você bebeu? ㅡ o mais novo indagou quando sentiu o leve exalar de teor alcoólico do outro. A voz irritadamente pesada do Kim também evidenciava isso.
ㅡ Bebi e daí?
ㅡ E daí, que eu não vou dormir do lado de um cara que bebeu. Não mesmo!
ㅡ Eu não estou bêbado! E até parece que você nunca bebeu. Woah! Jeon Jungkook tão certinho!
ㅡ Claro que sim, mas eu nunca mais pude porque eu tô sempre sendo um escravo disponível à sua mercê! ㅡ despejou em completa irritação elevando o tom de voz ao Kim e virando parcialmente de lado para encará-lo.
ㅡ Para de me gritar seu insolente! Eu sou o seu chefe.
Kim estava perdendo a paciência.
ㅡ Mas aqui na minha casa, você não é o meu chefe!
ㅡ Ah, é? Então, eu sou o quê na sua casa? Eu fui convidado, especificamente por você, Jeon, para ser o que mesmo, hein? O que eu sou aqui?
ㅡ Você é- Você, é... é... ㅡ desviou o olhar. Droga, pego na volta!
Taehyung estava irritado com o fato de Jungkook discutir consigo e não lhe encarar de volta.
O Kim se aproximou com um ar desafiante, e Jeon pôde ver, mesmo no escuro, que o mais velho havia mudado completamente de semblante em um segundo; as grossas sobrancelhas emolduravam um olhar inquisitivo e felino, e lábios exibindo um ligeiro sorriso lateral de presunção. Não havia dúvidas que Taehyung estava se portando de forma autoritária, tal como ele se comporta na Golden Books... mas, o assunto ali não era a editora, e o Kim ali, no seu quarto, não era o editor chefe. Então, que tipo de aproximação e exigência era aquela?
ㅡ Diga, Jungkook. Diga o que eu sou aqui? ㅡ a voz profunda soou de uma forma tão...
ㅡ Meu... noivo. ㅡ Jungkook balbuciou o fato, a palavra deixando a língua com dificuldades; acuado e afetado, mas se arrependendo em seguida.
A reação de Taehyung lhe surpreendeu. O acastanhado ㅡ que ainda estava levemente alcoolizado e muito, muito frustrado ㅡ, se levantou sobre os calcanhares, e num ímpeto, se lançou sobre o corpo de Jungkook, colocando suas pernas em cada lado da cintura do moreno e encurralando-o na cama abaixo de si. Virou o corpo de Jeon com a destra para lhe encarar de frente e manteve o peso do seu corpo sustentado pelos joelhos sob o colchão.
ㅡ Sua cama, sua casa, suas regras, Jeon. Meu assistente, meu noivo, minhas regras, Jeon.
ㅡ Taehyung- ㅡ o moreno não conseguiu terminar a sua fala, pois logo foi calado por um beijo inesperado.
Taehyung era pura impulsividade.
Afoito, o Kim atacou os lábios de Jungkook, que de alguma maneira, correspondeu inconscientemente a ele. No mesmo calar e no mesmo ritmo: Urgente, duro, intromissão de línguas inconsequentes, fugaz e bagunçado, quente e tátil. O silêncio do quarto foi presenteado com sons estalados de beijos vorazes, nada além da suave escuridão do cômodo sendo testemunha e cúmplice da cena.
Magnetismo tão pesado e palpável que era possível tocar com as digitais: As mãos do Kim se apossaram do maxilar marcado de Jungkook, aprofundando o beijo e mergulhando o peso de seu corpo sob o outro. O moreno também usou de suas mãos e percorreu trilhas táteis sob a tez dourada, se certificando de tocar aquela tatuagem com afinco, pois antes, nem havia percebido que Taehyung estava sem camisa, desfrutando do calor do corpo do Kim pela segunda vez naquele dia, agora, de uma forma mais instigante do que jamais imaginou.
Respirações ofegantes em beijos profundos, pausas curtas. Taehyung nem se lembrava da última vez que esteve tão inebriado no calor de toques possessivos e quentes de alguém junto a si, mas era isso que ele queria, só continuar assim; envolvido e envolvendo em calor recíproco.
Jungkook buscava a todo custo tragar o misto de sabores que habitavam na boca do Kim naquele momento: Whisky, coquetel de frutas, pasta de dentes; amargo, adocicado, menta, Taehyung... este último sendo o mais viciante.
O acastanhado arfou em deleite: Jungkook era pura intensidade.
Taehyung desceu uma das mãos do rosto de Jeon para a cintura, o encaixe na palma parecia tão surreal... ele queria descobrir se a pele da cintura curvilínea era tão macia e quente quanto os lábios do moreno, e droga, era exatamente o que imaginou quando dedilhou por baixo da camisa de Jungkook.
E mesmo com o tamanha frenesi daquele momento de loucura e magnetismo, eles precisaram se separar dos beijos para respirar novamente e os olhares se conectaram no escuro. Os olhos de Jungkook eram tão profundos e abismais, nem a escuridão era capaz enfraquecer o poder daquelas orbes. Era tudo tão inacreditável... tudo tão...
Tão...
Errado.
E então, a realidade bateu em Taehyung.
ㅡ Meu deus, Jungkook! Eu- eu, me desculpa! Desculpa! ㅡ Taehyung pediu sinceramente e mordeu os próprios lábios em arrependimento, fechou os olhos querendo, definitivamente, apagar o tremendo erro que cometeu. Ele se afastou rapidamente de Jeon como se o moreno estivesse pegando fogo se sentando na borda da cama o mais longe possível.
Taehyung nunca havia ido tão longe ao beijar um homem, nunca se sentiu tão imediatamente atraído por alguém assim, fosse homem ou mulher. Não era questão de auto aceitação, era a questão de entrega, o acastanhado estava ciente disto. E assustado.
Ele havia beijado, tocado e abraçado a Jungkook tão voraz e tão entregue, e isso era tão errado porque Jeon não era... não era seu, Jeon Jungkook era apenas o seu assistente! Eles têm um acordo! Como isso aconteceu?
ㅡ Me desculpa por isso! Isso foi errado! Não estamos noivos na verdade, não somos nada disso, eu nunca devia ter te beijado assim, Jungkook. Eu ultrapassei todos os limites entre a gente!
Jungkook gostaria de ter tido uma reação naquele momento, qualquer uma, mas ele ainda estava processando o turbilhão de emoções em si, enquanto o acastanhado ainda falava arrependimentos sem freios. O Kim se levantou num pé só, tropeçando e fugindo, e seguiu em direção ao pequeno amontoado de edredons que estavam no chão aguardando quem quer que fosse lá os assumir para dormir.
Jeon, ainda atônito, apenas observou a reação de fuga do outro ㅡ ainda não tinha chegado a nenhuma conclusão própria sobre si: Ele estava arrependido também? Ele estava com vergonha? Ele havia gostado? Bem... ele até correspondeu tudo, ele correspondeu a todos os beijos de seu chefe, mas, ele estava arrependido também?
Esse era o fato: Ele havia beijado o seu chefe.
ㅡ Eu, eu acho que- ㅡ o moreno tentou verbalizar algo, mas tudo parecia tão incoerente e errado...
ㅡ Jungkook, escute: Vamos fingir que isso nunca aconteceu, isso nunca mais vai se repetir. Nós não somos um casal de verdade e não temos nada além de um relacionamento de fachada, e eu quero que permaneça assim. Qualquer coisa que passe do nosso acordo será um erro. Foi apenas, apenas... foi apenas um impulso meu, fui desrespeitoso e burro com você. Nunca mais vou fazer isso.
ㅡ Mas, Taehyung-
ㅡ Mas nada! Esqueça isso, Jeon Jungkook. Eu não quero falar sobre isso nunca mais!
Jungkook se sentiu ofendido, as palavras do Kim estavam fazendo sentido real em sua mente conturbada, processando as coisas de forma confusa e irregular... ele apenas teve que concordar, afinal, seu chefe tinha razão, foi um erro, aquilo- eles, eram um erro. Havia um acordo naquele "noivado", e nada além da relação restrita de chefe-empregado deveria acontecer ali.
Nada além de dois profissionais adultos que seguem seus objetivos em linhas retas e em paralelo, linhas que nunca devem se emaranhar em sentimentos. Há uma linha limite para aquilo, e eles nunca devem cruzar a linha. Eles devem seguir o plano, a estabilidade profissional deles ainda está em alto risco e eles precisam de seus empregos na Golden Books. Não há porquê misturar as coisas, não se pode cruzar a linha.
Nada além disso.
E assim, uma noite de completo silêncio e constrangimento se passou com um Jungkook frustrado na cama e um Taehyung se auto amaldiçoando abaixo de edredons no chão duro. Ambos muito confusos em auto negações constantes, mas muito convictos em encerrar o assunto, convictos em levar o plano até o fim.
Difícil.
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5,5K de palavras em 2021, uau,
esse foi o cap mais longo até agora. Vocês se divertiram?
enfim galeris, eis aqui uma adição minha de cena inédita (esse beijo no quarto), MAS PERA
NÃO ME MATEM
nosso Taekook ainda precisa se compreender: São muitos dilemas e vertentes, e agora, sentimentos inesperados colocados em jogo. Lidar com estes últimos, sempre é mais complicado.
No filme original não há cenas de envolvimentos sexuais e pretendo seguir esse roteiro, estou escrevendo essa comédia romântica em slow born; o foco é o desenvolvimento dos personagens. estou me dedicando muito nesta fic e garanto que vai valer a pena!
Já bebeu água, ami?
Saranghae💜 I purple u
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