Cap.6 - A busca de esperança

Dois dias depois...

 — O tae ainda não acordou... — O anjo suspira se sentando no sofá.

— Se ele não acordar hoje... Ele pode estar em grandes apuros... — O demônio fala apoiando um de seus pés em seu joelho, balançando seu pé ansioso.

— De qualquer forma não podemos fazer nada a não ser esperar de toda forma... — O maior se levanta inquieto indo tomar um remédio para gripe.

— Ei... Eu nunca perguntei, mas... Como é o reino dos céus? Você deve ter vivido lá por um bom tempo então... Sei lá, pode-me dizer como funciona... É tão bom quanto dizem? — O demônio indaga, relaxando no sofá.

— Bem... Em partes é... Bom... Antes da guerra se assim podemos dizer, era realmente um paraíso... — Diz nostálgico.

— Como seria um paraíso então?... — O moreno fala com um pequeno sorriso ao ver a cara de bobo do mais novo.

— Bem... Quando você entra no mundo dos céus você é recebido por um arcanjo... Que vai te guiar pelo caminho do Rio do Esquecimento, onde você vai esquecer sobre toda sua vida passada para não ter mais sofrimentos e nem arrependimentos... A partir daí você começa a ser feliz e poder viver como quiser, reencontrar seus amigos e parentes que haviam morrido antes e criar novos laços com eles, mesmo que não se lembre deles antes de morrer... — Explica ainda nostálgico.

— Entendi... E como o reino dos céus é? Já que dizem que é tão bom... — Pega uma almofada colocando em seu colo para continuar ouvindo o anjo explicar sobre o reino dos céus e dos anjos.

— Bem... O tempo nos céus é diferente do tempo vivido em terra... A cada semana vivida na terra é um dia no céu, já que os sete dias, o sábado é o dia do descanso, acaba sendo à noite no Reino dos céus, onde podemos finalmente descansar, sem ter que trabalhar ou algo do tipo... Acho que até mesmo em tempo de guerra os anjos respeitam isso dando uma trégua à guerra... — Fala se sentando no sofá ao lado de Park que o observava atentamente.

— No céu as pessoas não se cansam... Não precisam dormir se não quiserem... Mas gostam de manter os costumes de comer, dormir, trabalhar... Cada humano no céu trabalha de acordo com a patente do arcanjo que a acolheu para a sua vila. Eu por exemplo fui acolhido pelo arcanjo Miguel, então se eu algum dia fosse renascer eu trabalharia como cuidador dos humanos da vila ou de outra vila... — Suspira pensando em todo o seu tempo vivido como anjo guardião.

— ... Parece ser legal... E pacífico... Nunca... Soube o que era isso... Mas deu para sentir a liberdade e a paz em suas palavras... — O demônio fala com melancolia ao seu fatídico destino ao inferno.

— As vilas não são tão distante umas das outras... Para poderem se ajudar melhor... Além de que nós anjos podermos ver os humanos na terra através de lagos ou rios... Não existe estradas de piche no céu... Apenas estradas de terra, pedra ou flores... É realmente bonito... As pessoas podem se dar bem com qualquer tipo de animal e é proibido comer qualquer tipo de carne a não ser de peixe... — O anjo diz com um pequeno sorriso que logo se desfaz ao ver a cara do demônio. — E... Como é o reino dos demônios?... O... Inferno?...

— Você realmente quer saber?... — O demônio melhora sua postura olhando desanimado para o anjo.

— Eu contei minhas experiências e como era o lugar de onde eu vim... Gostaria de saber sobre você também... — Olha o demônio mostrando certeza do que queria.

— Tá bem... Quando você morre e comete diversos pecados... Ou até mesmo pecados imperdoáveis e você vai para o inferno, você é recebido por um banho de fluído de magma misturado com enxofre... Que faz todo seu corpo se desfigurar e arder em chamas... Após isso... Você se torna uma figura desconexa com a realidade que os humanos estão acostumados, assim ganhando um título de demônio inferior... Bom... Existe outros tipos de boas-vindas isso depende do tipo de pecado que você cometeu... Mas para mim foi assim... — Fala se lembrando de todo sofrimento de inicialização como um demônio.

— E o que acontece depois?... — Engole a seco ao tentar imaginar o tamanho sofrimento de Park.

— Depois disso você serve como carrasco para os diabos e demônios superiores e inferiores mais antigos... Eles realizam diversos tipos de torturas para ganharem pontos para subir de ranking ou ganharem mais fama ou mais forma como demônio... Nisso você tem que aprender a revidar pouco a pouco a essas torturas ou apenas aprender a resistir a elas... Com o tempo eu aprendi a resistir e encontrei alguém que eu podia chamar de amigo... Mas... No inferno não existe amizade... Apenas aliados... Que podem acabar te traindo... — Suspira tomando fôlego e então logo continua a contar sobre o seu lar novamente.

— Quando eu perdi esse amigo... Comecei aprender a revidar, não só resistir... Assim consegui cada vez mais uma forma mais humana, ainda que demoníaca, com chifres, garras e cauda... Tive que fazer outros demônios e humanos recém-chegados sofrerem para estar aqui onde eu estou... No inferno não é um lugar nada legal, não existe sentimentos bons... Apenas gritos e barulhos horrendos o tempo todo... — Jimin abraça seus ombros se encolhendo, sentado no sofá.

Jeon ao perceber o quão era difícil para Park falar sobre o inferno apenas acaricia o ombro do mesmo, como uma forma de reconforto.

— Nós anjos guardiões não protegemos apenas nosso humano destinado... Mas... Também tentamos os guiar para que tome escolhas boas e não acabe indo para o inferno... Mas nem sempre conseguimos, tem toda uma base de caráter desde a infância que impede às vezes que sejamos úteis para impedir decisões ruins dos humanos...

— Acha que no passado eu não tive uma construção de caráter e por isso eu vim parar no inferno? — Encosta suas costas no sofá deixando seus ombros caídos enquanto olhava o anjo.

— É uma hipótese... Mas nem sempre é por isso... Já que faz bastante tempo... Deve ter outros motivos... Não acho que você seja uma pessoa ruim de caráter... Se não seria mesmo sendo um demônio... — Jeon fala logo olhando a palma da mão de Park que havia um símbolo de promessa de sangue.

Jimin ao perceber a onde Jeon olhava cruza os braços.

— Talvez... Para onde acha que o seu humano vai?... — Olha sério para o anjo.

— Não sei... Ele está sem proteção alguma agora... — Fala decepcionado consigo.

— Ele tentou se matar... — Park fala diretamente chamando a atenção do anjo que agora arregalava os olhos.

— O... Quê? Como?... Como você sabe? Você viu algo?... — Indaga confuso, ainda que nervoso.

— No primeiro dia que viemos aqui... Eu vi uma corda com um nó presa ao teto e uma cadeira do lado, na lavanderia... Talvez apenas não tenha tido coragem... — O demônio diz desviando o olhar, sem muita importância.

— Mas... Por que... O que o levaria a isso? E os amigos dele?... Ele perdeu contato com eles?... A morte dos pais também... Céus... — Passa a mão pelos cabelos sem saber o que fazer.

— Ele não estava roubando atoa... — Park fala friamente se levantando e então logo que se levantam as luzes da casa se apagam.

— O que- por que fez isso? — Olha confuso para Jimin.

— Fez o quê? Eu não fiz nada... — Park ia pegar algo na cozinha quando ouve Kwan o chamando.

— Demônio! O garoto tá acordando! — Assim que avisa sobre Taehyung, Kwan volta a sumir em direção ao quarto.

— A arara azul tá acordando... — Diz simples.

— Sério?! — Jeon se levanta ansioso indo até o quarto de Taehyung vendo o mesmo franzir o cenho, mexendo o rosto levemente acordando aos poucos.

— O... O quê?... O que aconteceu?... — Abre levemente os olhos olhando em volta.

— Você está bem?... Como se sente? Consegue lembrar-se de algo? — Jeon senta na cama ao lado do mais novo e então se inclina levemente na direção do mesmo ajudando Taehyung a se sentar.

— Eu... Lembro-me de estar pagando o sorvete... E... Eu simplesmente ver tudo ficando preto e... Depois não me lembro de mais nada... — Toca a cabeça sentindo uma leve dor e então olha o anjo e logo olha para o lado percebendo uma outra presença e se assustando.

— O que!- Quem- Como você entrou aqui?! Ei Jeon, quem é ele? — Aponta para Kwan que se encontrava confuso por estar sendo visto.

— O quê? Quem Tae?... — Olha para onde Taehyung apontava sem conseguir ver algo.

— Tá cego?! Quem é esse garoto albino aqui? Você não o conhece?! — Pergunta nervoso.

— Ele é uma alma penada, por culpa dele você apagou por três dias! — Park diz friamente enquanto se encontrava encostado no aro da porta de braços e pernas cruzadas.

— QUÊ?! COMO ASSIM?! ALMA- PUTA MERDA! — Dá um sobressalto da cama se escondendo atrás de Jeon.

— Eu não morri não é? Ai caralho... Puta merda... Não acredito que agora vejo assombração... Eu juro que nunca mais roubo, mas isso não... — Agarra as roupas de Jeon encostando a testa nas costas do mesmo.

— C-calma... Ele não é do mal... Na verdade ele... Está entre a vida e a morte... Não pode te fazer nada... — Jeon tenta reconfortar Taehyung.

— É... Ele não pode fazer nada de mal... Ao menos que queira. — Park ri da situação, debochando do medo do humano.

— Como isso foi acontecer?! — Fala tremendo de nervoso.

— Desculpa... Eu não queria que você ficasse assim... Ou com medo... Eu... Na verdade só queria ver uma pessoa novamente e agradecer a ela por tudo que fez comigo... Mas... Acabou que acho que fui longe demais e agora você consegue ver o segundo plano... — Kwan se mantém longe enquanto se desculpa.

— Nah... Tá neh... Até que você é uma assombração bonitinha... Mas agora se aparecer uma criatura bisonha eu vou surtar! Não respondo pelos meus atos! Olha que eu me cago todinho! — Diz ainda escondido atrás do anjo, logo recebendo um tapa na nuca.

— Se recompõe arara azul, nada vai te acontecer, só aprenda a conviver vendo essas coisas. — Fala simples e impaciente e então logo se retira dali.

— Tá tudo bem Tae... Aliás... Como se sente? Não está com fome?

Logo que o anjo termina de perguntar ao humano como se sentia o estômago do mesmo faz um grande barulho mostrando estar vazio.

— Dor... Preciso responder a última pergunta?... — O garoto de olhos azuis pergunta abraçando seu estômago que doía por não comer a três dias.

— Tem algumas coisas na sua casa... Vamos fazer alguma coisa para você comer! Vem! — O anjo sorri se levantando o pegando pela mão e o guiando para fora do quarto.

— Tá... Mas ele... Ele vai ficar ali? Pra sempre? Ele pode se mover?

— Eu... Posso ficar pelos cantos... Até você se acostumar com minha presença... — Kwan da um pequeno sorriso sem jeito e tímido, arrumando seus óculos.

— Olha que alma penada assustadoramente fofa... — Fala ainda nervoso, saindo do quarto e então passando os dedos pelo interruptor, vendo que não havia feito efeito nenhum e então mudou sua expressão, para uma expressão seria.

— O que quer comer? — Jeon fala enquanto mexia na geladeira.

— ... Nada...

Taehyung segura o braço enquanto mordia o lábio ansioso, com o olhar baixo que logo se foca no calendário acima da bancada da cozinha.

O que foi?... Qual o problema?... — Jeon olha preocupado para o mais novo.

— Isso aqui? — Park joga sobre a mesa de centro da sala, vários envelopes e cartas de avisos de contas e pagamentos atrasados e vencidos.

— ... Isso é... — O semblante do humano muda para um estado sombrio de extrema ansiedade e nervosismo.

— Tae... É... É por isso que você está roubando?... Não tem dinheiro para pagar as contas... E nem pra se alimentar?... — Ao mesmo tempo que o anjo perguntava preocupado, estava desacreditado com a situação que seu humano havia ficado em tão pouco tempo que havia sumido ocupado com a guerra nos céus.

— ... Eu... Estava esperando o dia em que as coisas apertassem ainda mais para... Me... Suicidar... Eu... Não consigo falar com o Baekhyun nem o San já faz um tempo... Eu... Só... Com a morte dos meus pais me sobrou pouco dinheiro para conseguir pagar o apartamento e tudo sozinho... Eu... Tentei enviar currículos... Mas... Ninguém me chamou... Comecei a ficar desesperado conforme as contas vinham vindo... E então tive que... Dar o meu jeito para sobreviver... — Taehyung fala com os olhos cheios de lágrimas, olhando para o anjo enquanto tremia e quase arrancava pele de seu pulso, de tanto apertar e arranhar o mesmo o segurando.

— Céus Taetae... — Jeon corre até o garoto o abraçando. — Vai... Vai ficar tudo bem... Não precisa se preocupar... Nós... Vamos dar um jeito em tudo... Só por favor... Não tente se suicidar novamente... Eu... Não sei o que faria se você fizesse isso... — O anjo o abraça fortemente enquanto o humano chorava abraçado em si.

Park suspira vendo a situação toda, ao mesmo tempo que era irritante, se sentia incomodado por não poder fazer nada e ainda mais por algum motivo sentia angústia por ter que ver a cara de perdido do anjo que assim como humano, não fazia ideia do que iria fazer naquele momento.

— Pelo jeito... Temos que começar a pensar no que vamos fazer em relação a esse monte papel... Mas... Acho melhor encher o bucho primeiro não? Pensar de estômago vazio é um porre! — Park vai para a cozinha, tomando a frente de preparar algo para o humano comer.

Uma hora depois...

— E então? Como está? Tá bom? — Park falava enquanto esperava a aprovação do garoto que ainda chorava um pouco.

— Isso aqui... Está igual a sua cara...

— Eu sei que eu sou lin- — É interrompido.

— Horrível... — Taehyung falava enquanto comia, ainda que algumas lágrimas escorressem pelo seu rosto.

— Seu mal agradecido- — Jimin levanta a mão para bater em Taehyung quando Jungkook se mete na frente impedindo o demônio.

— Sai da frente! Vou dar uma lição nesse piralho! Quem ele tá pensando que é pra me tratar desse jeito?!

— Calma! Calma lá! Ei!

Os dois param de brigar ao ver Taehyung rindo ainda que estivesse chorando.

— Sabe... Esses dias eu estava me sentindo tão sozinho e perdido... Mas... Assim que encontrei vocês é como se eu nunca tivesse estado sozinho... É estranho dizer isso... Mas a companhia de vocês dois me faz melhor do que com qualquer pessoa que eu já estive... — Taehyung fala ainda comendo a comida, mesmo que estivesse ruim não se importando com o gosto, sua fome era maior que seu paladar exigente.

— Claro! — Coloca a mão em frente à boca para não falar de boca cheia. — Sua presença também não é ruim assombração bonita, obrigado por estarem aqui...

— Kwan sorri animado. — Me chame de Kwan! Park Kwan! É um prazer conhecê-lo! Esses dois aqui se importam com você! Principalmente esse carinha de branco aí! Ele realmente gosta muito de você! Então não faça coisas que vá o preocupar hein! — Kwan se sente orgulhoso do que fala.

— Taehyung sorri. — É... Eu sei... Me faz-me sentir... Amado... — As lágrimas novamente surgem no rosto de Taehyung, quando o anjo ia falar algo, Tae volta a comer com vontade, mostrando não querer ser interrompido.

O anjo sorri doce encantado com o humano, por mais doloroso que fosse e que aparentava ser, dava para ver que estava se esforçando para ser forte e aproveitar cada bom momento que tivesse como se fosse o último.

— Come tudo! Da próxima eu preparo uma coisa boa para você comer! Mas agora só se alimente! — Jeon sorri orgulhoso de seu pequeno, grande humano.

— Essa arara azul realmente consegue me surpreender... — Park ri e então se afasta dali, no fundo orgulhoso pelo humano.

(Algumas horas depois - 18:47)

A campainha do apartamento de Taehyung é tocada.

— Quem deve ser?... — Jeon que assistia Taehyung, Jimin e Kwan brincarem com algumas tampas de garrafas na mesinha de centro se levanta indo até a porta olhando pelo olho mágico.

— Quem é? — Park olha para Jeon percebendo um leve espanto, misturado com medo no rosto do mesmo, já entendendo a situação.

— Tae... É... Pra você... — Jeon se afasta da porta se aproximando até a mesinha de centro, logo ouvindo novamente a campainha.

O garoto de olhos azuis percebe o nervosismo na expressão do anjo e então apenas concorda com a cabeça se levantando e indo atender a porta.

Assim que Taehyung abre lentamente a porta o cara que estava em frente à mesma mostra uma folha para o Kim, já entrando em seu recinto sem deixar o mesmo falar, juntamente com alguns outros caras.

Por seu pagamento estar atrasado e você ter ignorado todos os nossos avisos, estaremos recolhendo suas coisas como uma forma de pagamento ao que você deve, além de você ter que se retirar do apartamento imediatamente, você tem 10 minutos para pegar algumas coisas e sair daqui.

— Eu... Eu entendo... — Taehyung suspira já vendo seus móveis sendo retirados do apartamento e então apenas abaixa sua cabeça e corre para pegar o máximo de roupas que conseguia para sair dali.

Em menos de uma hora seu apartamento estava vazio e Taehyung estava apenas com algumas sacolas de roupas em mãos, novamente cabisbaixo por toda a situação.

— Para onde você vai agora?... — Kwan pergunta preocupado com o humano.

— Não sei... — Diz fungando, enxugando suas lágrimas para não chorar novamente.

— Eu sei para onde devemos ir... — Park fala logo tomando rumo. — Me sigam.

— Para onde vamos? — O anjo indaga.

— Apenas me sigam e vocês virão. — Fala e continuando a caminhar despreocupado, logo os outros começam a o seguir.

(Na boate...)

— Aff! Já faz praticamente três dias! Eles nunca vão voltar? Aliás, para onde podem ter ido? E se aconteceu alguma coisa ao Jungkook?! — Seokjin fala se levantando impaciente da onde estava sentado. — Não aguento mais ficar aqui...

— Até que eu gostei daqui... Tem festa toda noite... — Yoongi fala concordando com a cabeça, familiarizado com o lugar.

— Se algo tivesse acontecido com aquele anjo, já teríamos descoberto... Tudo o que está acontecendo está girando na volta dele e daquele demônio superior mesmo... — Namjoon fala acendendo um charuto.

— Sinto que não demorará muito até eles aparecerem... — Félix fala plenamente sentado no palco da boate.

— Como você pode ficar tão tranquilo com tudo o que está acontecendo?! Sua tranquilidade me deixa ainda mais nervoso! — Seokjin fala apontando para Félix que usava seu capuz que quase não dava para ver seus olhos.

— E ficar ansioso vai os fazer aparecerem mais rápido ou de repente? Tudo está acontecendo como tem que acontecer, você deveria confiar mais na linha do destino às vezes... Nem parece que é um anjo da patente dos anjos do ciclo da vida...

— Você- É... — Seokjin fica sem palavras se sentando novamente no sofá.

— Dessa vez ele te pegou de jeito... — Yoongi fala rindo da cara de Seokjin.

— Cala a boquinha vai! Se sua boca ficasse fechada eu me sentiria bem melhor! Você já me trouxe bastantes problemas! — Cruza os braços suspirando.

— Pois é, só não vai esquecer do nosso acordo viu? Se quer tanto que eu fique de boca fechada não fique me fazendo te relembrar do nosso trato... — Yoongi mostra seu pulso para Seokjin, que esconde o próprio para não ver a marca da promessa de sangue que havia feito com o demônio.

— Namjoon arranha a garganta interrompendo o assunto de ambos, por não gostar da situação. — Estão chegando...

As portas da boate se abrem revelando a figura do anjo da patente dos anjos da guarda, o demônio superior, subordinado de Laught, uma alma penada e um humano rebelde.

— Jungkook! — Seokjin se dirige imediatamente até o mesmo o abraçando e olhando torto para o demônio que logo se afasta.

— Quem são esses? — Park se refere aos dois anjos e ao demônio que se encontrava ali.

— Novos hóspedes se assim podemos dizer... — Namjoon responde enquanto fumava seu charuto e tinha seu guarda-chuva sobre suas pernas.

— Que interessante... — Diz olhando com nojo aos desconhecidos.

— Você parece ser bem arrogante... Subordinado do Laught? — Yoongi que estava quieto em um canto se levanta indo até Jimin, com as mãos no bolso de seu casaco.

— Ah... Sim... E você era o demôniozinho apaixonado? Belo fracassado... Nem parece subordinado de um diabo prodígio... — Park fala debochando de Min.

— É... Esperado de um arrogante sem causa... Pensei que seu desafio com o Laugth era provar que o amor era algo bom... Você tá num ótimo caminho... Deveria aprender mais comigo sabia?... — Yoongi se aproxima de Park, diminuindo seu espaço o encarando com desgosto.

— Aprender com você?... Achei que seu querido anjinho havia sido morto por sua causa... Além de você ter sido subjugado como um perdedor por não conseguir ter feito um simples trabalho de o corromper... Belo jeito de mostrar que o amor é bom, causando sofrimento a quem você ama... — Park o encara da mesma forma com as mãos também nos bolsos.

Yoongi pega Park por suas roupas que não reage, esperando o mesmo se pronunciar.

— Sua arrogância te cega tanto que mesmo fazendo merda você acha que está certo! Fala de eu ter sido um fracassado por não ter o corrompido... — Ri em deboche de Park o largando. — Pelo menos fiz o que você nunca conseguiria fazer por aquele anjo... — Aponta para Jungkook que conversava com Seokjin. — Sacrifiquei minha vida e existência invadindo o reino dos céus para o proteger e tentar tê-lo de volta... Enfrentei um reino inteiro apenas para provar meu amor por ele... E o que você fez até então? Se controlou para não o deixar impuro?

Park cobre sua mão que havia o símbolo de uma promessa de sangue com uma de suas luvas, logo voltando a encarar Yoongi, com seu ego inflado.

— Você é patético Park... Deveria desistir logo, você nunca vai conseguir amar aquele anjo enquanto continuar com essa sua atitude infantil e egocêntrica... — Yoongi se afasta de Park voltando a ficar em seu canto, vendo Park se remoer de raiva.

— Bom... Já que a briguinha tosca acabou... Devo dar a notícia para ambos que Debauch não é mais o demônio do deboche... Ele sacrificou seus poderes e status por sua amada Aimi que se suicidou alguns anos atrás... Ele está pagando por os 200 anos de punição no lugar dela pelo túnel do arrependimento... — Assim que Namjoon da à notícia para ambos, o clima tenso se desfaz e então uma breve melancolia cai sobre o lugar.

— E... Quem é você?... — Jeon que estava conversando com Seokjin, percebe a presença do outro anjo que ainda estava sentado sobre o palco e então sai de lá se aproximando dos mesmos.

— Me chamo Lee Félix, ou Lee Yongbok, como preferir... Sou um anjo da patente dos anjos mensageiros... Da patente de Gabriel. — Félix levanta sua mão cumprimentando Jeon.

— E... Por que você está aqui?... — Jeon pergunta confuso olhando Seokjin.

— O mais importante agora é... — Aponta para Taehyung que estava parado ainda na porta do local, boquiaberto com tudo que estava ouvindo. — Explicar para ele sobre tudo o que podemos sem expor sobre ambos mundos... Quando voltar ao reino dos céus você será punido por isso Jeon...

— Droga... Eu esqueci... — Aperta os olhos e encolhe os ombros olhando para Taehyung que apenas larga as malas no chão e sai do local apressado.

— É... Acho que seria melhor você falar com ele Jeon... — Seokjin fala engolindo a seco a situação, logo percebendo a alma penada bem plena ali. — Aliás... Quem é esse?...

— Park Kwan, sou um suicida... Mas consegui fugir antes que me escoltassem para um dos lados. — Fala diretamente sem rodeios.

— Ata bom... — Seokjin da de ombros, não poderia fazer nada a respeito.

— Não... Seria melhor você falar com ele?... Você é um mensageiro você sabe usar melhor as palavras que eu... — Jeon fala reprimido pelo erro que havia cometido, os humanos não deveriam saber sobre nenhum dos planos.

Félix suspira tirando seu capuz olhando Jeon nos olhos, logo tocando seu ombro.

— Caso as coisas saiam do controle eu apago a memória dele sobre nós... Mas infelizmente não posso fazer nada a respeito sobre explicar para ele, pois isso foi um erro cometido por você, então você deve resolver da melhor maneira pra que ele não se traumatize e nem saiba além do que deve... — Fala amigavelmente recebendo um olhar surpreso do maior.

— Eu te conheço?... — Jeon fala ainda impressionado com as características físicas e vocais do mensageiro.

— Eu era seu ministro de finanças em sua vida passada... Então sim e não, nos conhecemos... — Fala rápido para pequena compreensão do ouvinte e então logo sai da conversa colocando seu capuz e se afastando.

— A... Ah?! Mas- enfim... — Jeon sem conseguir processar a informação direito, corre atrás do humano para fora da boate.

Quando o anjo alcança o seu humano o segura pelo braço para que pare de caminhar apressado.

— Ei! Tae! Espera... Deixa-me explicar... Vai deixar suas coisas lá e ir pra onde?... — Fala calmo, ainda que nervoso pela reação que o garoto de olhos azuis poderia ter.

— Olha... Desde o início... Eu sabia que vocês não eram normais e talvez até perigosos... O Park... Aquele... Demônio... Matou uma pessoa na minha frente, tão facilmente como se estivesse quebrando um graveto podre! Ele via aquela alma penada naturalmente e você nem se assustou com o fato de ser rondado por uma! Eu esperei esse tempo todo para que um de vocês me falasse o que realmente estava acontecendo e o porquê estão aqui... Mas não, olha o jeito que eu tive que descobrir o que vocês são! Vocês literalmente me arrastaram para o covil de vocês! — Fala completamente indignado, ainda tentando não ser ofensivo.

— Tae... Olha... Eu não posso te contar tudo pois isso vai contra a regra do reino que eu e os outros viemos... Mas está tudo um grande caos, por isso estamos espalhados pela terra como formigas... Eu, o cara de capuz e o cara de cabelos rosa somos anjos, os outros são demônios... — Tenta explicar resumidamente a situação.

— Parece que eu estou num circo... Não que eu não acredite em criaturas como vocês... Mas o fato de anjos e demônios estarem juntos em um mesmo ambiente e não estarem se matando, é algo que eu realmente nunca imaginei na minha vida... Vocês parecem... Bem humanos... Em algumas partes... — Cruza os braços suspirando ainda incrédulo com tudo que estava ouvindo.

— Apenas... Temos... Interesses em comum... Que... Fazem com que não criemos uma guerra em nosso meio... E... — Jungkook é interrompido por um todo sarcástico de Tae que estava com os olhos cheios de lágrimas, decepcionado.

— Sabe... O pior de tudo nem é quem ou o que vocês são... E sim... O fato que... No fundo eu queria acreditar... Em tudo aquilo que você havia me dito... — Taehyung olha para Jungkook com um sorriso fraco e inocente, logo abaixando o olhar segurando o choro.

— Você... Me disse que sempre me observava... E que sempre queria chegar em mim e falar o quão incrível e forte eu era, mas... No fundo... Era mentira... Você é um anjo... Nunca olharia para um ser humano e teria "pena" ou remorso por o que ele passa, você faz o que tem que fazer e nós humanos, nos fodemos como temos que nos fugir... Nunca achei que um anjo seria capaz de mentir... Achei que isso não existia na concepção de pureza de vocês... Foda... — Ri limpando as lágrimas que escorriam em seu rosto.

— Tae... Nada do que eu falei era mentira... Eu juro... — Tenta se aproximar do mais novo que se mantém distante.

— No fim você é igual a todos... — Ri alto enquanto chorava, logo se abaixando.

— Anjo da guarda... Eu... Sou o seu anjo da guarda... — Jeon fala embora temesse a consequência de sua revelação.

Taehyung ao ouvir Jungkook levanta a cabeça para o mesmo.

Desde o seu nascimento... Desde seu primeiro tombo... Desde quando você perdeu seu primeiro dente de leite, suas primeiras palavras... Eu estava lá o tempo todo... Sempre estive Tae... Se sua vida tem ido de mal à pior agora a culpa é toda minha que estive afastado de você por problemas celestiais... Me perdoa... Eu não queria que tudo tivesse saído como está... Seus amigos... O San e o Baekhyun... Os seus pais... Eu... — Suspira engolindo a seco tudo o que sentia. — Eu fracassei como o SEU ANJO da guarda... Realmente... Não queria que fosse assim... Eu queria poder falar com você todas as vezes que você chorava baixinho no seu quarto abraçado em um travesseiro, queria poder te reconfortar todas as vezes que você se trancava no banheiro da escola por problemas que pareciam impossíveis de resolver... Desculpe Tae... Eu... Eu deveria ter feito mais... Eu deveria... Ter sido melhor...

O anjo cai de joelhos na frente de Taehyung abaixando a cabeça e se curvando ao humano.

Por favor... Por favor me perdoe... Não pude te proteger antes... E nem quando você foi possuído... Por favor me desculpe... Me desculpe Taehyung... — Fala com a voz embargada pelo choro.

— Se levante... — Uma voz grave se é ouvida atrás do anjo.

— Anda! Se levante! Você está se rebaixado ao nível de uma miséria... É deprimente... Então se levante!

Jeon se levanta imediatamente e então olha lentamente para trás vendo Jimin o olhando sério e com um pequeno desprezo pela cena que teria presenciado.

— Você não tem que se justificar para esse humano... Você fez o seu melhor para protegê-lo até aqui, porém agora tem responsabilidade maiores com o celestial! Você não é mais babá dele, se ele não cresceu com tudo o que passou até aqui, então esqueça! É um caso perdido! Mas nunca mais faça isso por ninguém... Ao menos que querem que pisem em você... E pode ter certeza... Da próxima vez eu vou ser o primeiro a pisar com gosto em você! Mostre que é mais que um miserável anjo da guarda! E pare de chorar e se desculpar por cada erro da vida que você cometa porra! — Park fala bufando logo passando sua mão direita que estava sem a luva em seus cabelos.

— Park... — Jeon olha admirado pelas palavras de Park, ele passava uma força e autossuficiência impecável.

— Que foi? — O demônio indaga irritado.

— Eu gosto de você... Gosto dessa sua pose e atitude... — Os olhos do anjo brilhavam ainda mais pelas lágrimas restantes que habitavam em seu rosto, seu sorriso era doce e esperançoso.

Park olha completamente perdido para a expressão pura e tranquila que o anjo transmitia, se perdendo na imensa paz que o mesmo podia passar, porém essa clima logo é cortado com um grito de dor do demônio à sua palma da mão coberta pela luva de couro.

— Argh! Ah... Merda... — Park segura seu antebraço firme, percebendo que sua marca de sangue estava se espalhando pelo seus dedos e pulso, como uma infecção.

— Você está bem?... — Jeon tenta se aproximar de Park que se afasta.

— Sim... Só... Essa sua cara de garotinho ingênuo que me dá náuseas... Francamente... Você é muito idiota... — Jimin se retira dali, deixando o anjo novamente sozinho com o humano que observava tudo perdido em pensamentos.

— Ei... Não fique assim... Por favor... — Jeon estende a mão para Taehyung que volta a o olhar nos olhos e então segura a mão do mesmo.

Jungkook o tira do chão limpando as lágrimas do mesmo, com a manga de sua camiseta.

— Vai ficar tudo bem! Confie em mim! — Sorri positivo.

— Vai?... — Suspira. — Talvez algum dia fique... — Passa por Jungkook, esbarrando em seu ombro voltando para a boate arrumar suas coisas.

O anjo fica mexendo em seus dedos nervoso, não queria que as coisas tivessem acabado daquele jeito, porém acabou sendo melhor do que o esperado, então logo volta para a boate.

(Com Jimin...)

O demônio entra na boate apressado indo até o banheiro mais próximo e então tirando sua luva a jogando no chão segurando seu pulso com uma grande dor.

— Hm... Porra... ~ Caralho essa merda dói... Cacete... — Park liga a torneira da pia do local tentando lavar a marca com água, porém em vão, nem mesmo a marca ou a dor sumiam.

— Você deve se arrepender bastante dessa promessa de sangue não? — Namjoon olha Jimin que gemia de dor a marca.

— Não... Capaz... Isso aqui... Foi... Necessário... Só... Fui impulsivo e fiz merda sem... Colocar um limite... Bosta... — Sorri logo mordendo seu lábio, sentia como se pudesse perder sua mão a qualquer momento, a mesma estava roxa e com as veias ressaltadas e se espalhava aos poucos.

— O que você prometeu? Já que pelo visto não se arrepende... — Olha a marca com atenção. — Se não cuidar e resolver isso logo você pode acabar morrendo...

— É... Eu to ligado... — Park seca sua mão e braço com cuidado e então volta a vestir a luva que agora não era o suficiente para esconder aquela suposta "infecção".

— Eu... Fiz isso para não o tocar indecentemente ao menos que ele queira... Porém... Toda vez que... Eu paro para o olhar eu... Sinto uma grande malícia dentro de mim e isso... Acaba saindo de controle e afetando minha marca... Não sei se isso se resume a eu ser um demônio ou... Apenas... Sei lá... — Cruza os braços sem saber o que pensar ou fazer a respeito.

— Eu também fiz uma marca em mim... Essa é uma das maiores provas de um amor que um demônio pode fornecer a alguém com quem se importa e ama... Escolher a dor para si, para não machucar o outro... — Namjoon observa sua palma da mão que também tinha uma marca que havia feito em um laço de sangue a Seokjin com orgulho.

— E... O que você prometeu?... — Park fala curioso, sentia seu coração acelerado e não sabia o porquê.

— Eu prometi não iria o machucar e nem o tocar, ao menos que ele quisesse... — Namjoon mostra a marca para Jimin e então o mesmo fica pensativo.

— Mas... Mas... Como? Como você consegue? Você... Não o ama? Não ama aquele anjo? Como consegue deixar de tocá-lo e apenas o admirar de longe?... Isso é... Eu não... Não consigo parar de cutucar ou empurrar... Ou até mesmo dar tapinhas bobos naquele anjo da guarda... Ele... Ele me tira do sério... — O demônio superior se mostra incrédulo.

— Você já deveria saber... Que por amor a alguém somos capazes de tudo para ver a felicidade da outra pessoa... Isso significa mesmo que tenhamos que matar nossos desejos mais profundos de o ter por perto e até mesmo o tocar se necessário... Amar... É querer ver o bem da outra pessoa acima de qualquer outra coisa... É querer vê-la sempre sorrindo, pois isso aquecerá seu coração... É querer a proteger e cuidar, mesmo quando você não consegue fazer isso por si mesmo... Você sente isso pelo anjo não é?... — Namjoon faz o menor se questionar sobre seus sentimentos e o que realmente sentia pelo anjo, apenas um desejo de o ter para si ou se tinha o desejo de tê-lo ao seu lado para sempre.

— Eu... Eu não sei... Eu não sei o que eu sinto exatamente sobre ele... Mas... Gostaria de descobrir junto com ele... — Park olha para o nada perdido e então quando ia passar por Namjoon o mesmo toca seu ombro.

— Já é um bom começo... Porém não apresse as coisas... Podem acabar saindo do controle...

Os mesmos se entreolham e então Park apenas concorda com a cabeça e se retira dali.

Quando Namjoon vai até o centro da boate e vê que todos estavam reunidos ali, embora que cada um em seu canto percebe o momento perfeito para fazer um anúncio.

— Bom, já que estamos todos aqui reunidos em um mesmo lugar, receio que seja o momento perfeito para fazer um anúncio! — Diz com um copo de bebidas em mãos.

— Hum... Comparando o lugar onde estamos... Coisa boa não vem para o nosso lado... — Félix fala cruzando os braços se pondo ao lado de Jungkook que ainda estava perplexo com o que o loiro havia dito mais cedo.

— Como estamos em uma boate, não seria mais e nem menos empolgante que darmos uma festa, todos os gastos serão por minha conta, esses últimos dias na terra tem sido de bastante estresse e tensão, gostaria que todos pudéssemos relaxar juntos, claro, anjos, de sua forma... Sem discriminações raciais aqui, alma penada também, sinta-se a vontade para fazer o que quiser! — Namjoon levanta o seu copo a cima de sua cabeça, logo o virando.

— Essa vai ser uma grande noite... — Yoongi sorri olhando o local e imaginando o tipo de coisa que poderia presenciar.

— O que esse lunático pretende afinal? Que nos divirtamos nesse cabaré? Que imundo... — Seokjin fala revirando os olhos, tudo que envolvia aquele diabo o causava náuseas, não gostava e não queria aceitar que de alguma forma tivesse uma ligação com o mesmo.

— O que pretende fazer então? Nada de bom vai vir para nós se ficarmos aqui essa noite... — Félix fala olhando Seokjin ainda de braços cruzados e como de costume, com seu capuz sobre sua cabeça.

— Qualquer lugar vai ser melhor que aqui... Mas... Acho melhor não ficarmos longe... Temos que ficar de olho no Jungkook... — Seokjin fala como se o mais novo não pudesse o ouvir.

— Não precisa se preocupar comigo... Não vou fazer nada demais... Tenho que ficar de olho no Taehy... — Olha Taehyung que conversava com a alma penada como se fossem bons amigos.

— Você não é babá dele Jungkook... Se importe mais consigo! — Seokjin fala fazendo drama.

— E você não é a minha babá... Por favor se importe mais consigo! — Por uma primeira vez o anjo da guarda deixa sua doçura de lado sendo frio com meu amigo e então saindo de perto dos mesmos.

— Mas- mas... Mas o que deu nele?! Ah mas aquilo tem dedo daquele demônio... — Seokjin ia tirar satisfações com o demônio Park, quando o mensageiro segura seu braço o impedindo.

— Você não deve se intrometer na relação de ambos... Precisamos deles para acabar com tudo isso...

— Você vai mesmo ficar sentado em quando observa aquele demônio transformar o Jungkook em algo que aos poucos vamos deixar de conhecer? Ele nunca tratou nada nem ninguém com frieza antes! — Seokjin fala extremamente preocupado com o futuro do pequeno anjo da guarda.

— Isso não tem nada haver conosco... Apenas deixe as coisas fluirem do jeito que tem que ser, não atire pedra no rio tentando mudar seu curso... — Repreende o maior que suspira ansioso e então sai daquele local.

— Realmente... Essa vai ser uma longa noite... — O mensageiro vai atrás do anjo de cabelos rosados.

Mais tarde no horário da festa...

— Caramba! Você está bem arrumado Tae! Você realmente levou a palavra "festa" a sério! — Kwan observa Taehyung das cabeças aos pés, o mesmo estava vestido uma jaqueta de couro vermelha e calças pretas que eram coladas em suas pernas, claro, não podendo tirar sua bandana em sua cabeça, o que já fazia parte de todos os seus estilos e era seu maior charme.

— Obrigado. Eu pretendo fazer como aquele demônio falou relaxar hoje... Desde que acordei eu não tive paz... Acho que era melhor eu ter ficado adormecido... — Taehyung fala já pegando uma bebida para si e virando o copo.

— É... Pelo jeito eu quem vou ter que ficar de olho em você... — Kwan fala observando as pessoas chegarem na boate e pouco a pouco começar a encher a mesma.

Seokjin que estava num canto da boate de braços causados acaba chamando Félix para sair daquele montinho de pessoas, o arrastando para o lado de fora que era mais calmo e a música mais baixa.

— Para quem não queria nem saber da festa, você até que está bem arrumado... — Félix cruza os braços batendo com seu cotovelo no braço de Seokjin que estava emburrado.

— Eu tenho que ao menos estar apresentável não acha?... De todo modo... É uma festa... Uma festa bem carnal, mas ainda assim uma festa... — Seokjin vestia um longo casaco da cor bege, com uma camisa de botões bordados e uma calça jeans larga em suas canelas, em um tom azul claro.

— Você não se arrumou tanto... — Observa o estilo de Félix que não havia mudado muito de quando chegou.

Félix estava vestido com um suéter largo em um tom de amarelo claro (Maize) e uma calça jeans simples clara, com detalhes florais nos bolsos e claro, Félix como de costume estava vestindo sua capa também, porém sem capuz e apenas presa em um de seus ombros.

Não acho que estou tão ruim assim... — Félix observa seu estilo.

— É... Tá bom, não acho que precise de tanto também... — Seokjin suspira, vendo algumas pessoas da boate saírem da mesma para se comerem ali fora.

— É... Quer alguma coisa para beber?... — O loiro pergunta na intenção de desviarem a atenção de ambos para outra coisa e ignorarem seu are dor.

— Sim, com certeza... — Seokjin responde já nervoso e ansioso.

— Vinho?

— Sim, óbvio. — O mais alto responde por ser a única bebida alcoólica que tomam no Reino dos céus.

— Está bem já volto... — Félix se retira entrando na boate novamente para pegar duas taças e uma garrafa de vinho.

Seokjin segura seus braços os esfregando, não que estivesse com frio, mas aquele lugar lhe ta zia uma grande tensão, já que sua patente trabalhava com o ciclo da vida.

Seokjin é tirado de seus pensamentos quando Namjoon se aproxima com uma taça de vinho.

Aposto que você precisa beber, não? — O olha gentil oferecendo a taça.

Seokjin segura à mesma e leva até seus lábios, logo recuando.

— Como vou saber que não está tentando me drogar? — Seokjin empina o seu nariz logo oferecendo a taça de volta.

Namjoon já imaginando que o mesmo diria isso, mostra à Seokjin sua marca de sangue, que havia feito ao mesmo prometendo que não iria o machucar e nem o tocar se o mesmo não quisesse.

— Se eu aceitar, vou inconscientemente aceitar que você está me machucando... — Seokjin cruza os braços ainda com a taça em mãos querendo a devolver.

— Prometo que não há nada aí que fará efeito colorateral em você, além do álcool... — Namjoon pega a taça bebendo um gole do vinho, logo devolvendo a taça a Seokjin.

— Não confio nenhum pouco em você... — Seokjin bebe do vinho.

— Eu ainda gostaria de tratar com você sobre aquele assunto... — O maior se dirige entre linhas sobre o assunto de como ambos se conheceram.

— Bom, então comece, mas duvido que mesmo depois de me falar eu vou acreditar e ainda mais, confiar em você... — O menor vira a taça logo devolvendo a mesma vazia a Namjoon, logo se pondo de braços cruzados novamente, como uma forma de defesa e distância.

— Gostaria de falar em um lugar com mais privacidade... Poderia me acompanhar até meu quarto?

— Uau, mal começamos a nos falar e você já quer me levar pro seu covil, que forma intrigante de querer conquistar a confiança de alguém. — Seokjin ri e então nega com a cabeça desviando olhar.

— Você não é diferente do que qualquer puta dessa boate... — Namjoon fala friamente, chamando a atenção do menor.

— O que você quer dizer? Estou no céu e sou um anjo por engano agora? — Diz irônico.

— Você nasceu em 1650... Em período da Idade Moderna e também em período de colonização... Você foi vendido por seus pais quando você tinha completado 19 anos como uma prostituta. Quer saber o resto da história?... — Namjoon fala tranquilamente como se todos aqueles fatos não fossem nada.

— ... Quero mais vinho... — Seokjin fala em estado de devasso.

— Vamos até o meu quarto... — Namjoon sai andando na frente logo seguido de Seokjin.

Félix chega ao local poucos minutos depois com o vinho percebendo que estava sozinho e que Seokjin já havia sumido de sua vista.

— Ah... Tá... Pelo jeito terei de beber com os pássaros...

Uma pessoa que saia da boate acaba esbarrando em Félix derrubando uma de suas taças de vinho no chão.

— Ou talvez com os miseráveis... — Suspira cruzando os braços e bebendo um pouco do seu vinho enquanto observava o céu. — O... Noite...

Chegando ao quarto de Namjoon Seokjin se senta em uma das poltronas que havia no quarto já enchendo uma taça de vinho e virando a mesma.

— Vai com calma... Se não você não vai se lembrar de nada do que eu tenho para te contar... — Namjoon fala se sentando na outra poltrona ao lado da de Seokjin que eram separadas por uma mesinha de vidro.

— Não sei nem se realmente quero continuar ouvindo... Mesmo que seja uma mentira... Pensar nisso é... Difícil... — Suspira passando o dedo pelo vidro da taça, a olhando completamente perdido e absorto em seus pensamentos.

— Bom... Você ficou um ano inteiro servindo como escravo de um rico burguês... Você fazia todas as tarefas domésticas e ainda mais do que era pedido, até mesmo coisas que exigiam uma força física que você era incapaz de fazer acabava saindo bem machucado por tais tarefas... Quando não fazia um bom trabalho apanhava e era machucado por isso... — Namjoon falava calmamente observando a cada expressão do pequeno anjo que ia murchando cada vez mais que ouvia sobre sua suposta história do passado.

— Pode prosseguir... Eu estou bem... — O anjo diz, novamente enchendo mais um pouco da sua taça de vinho e dessa vez bebendo aos poucos com uma grande melancolia.

— Quando você tentava se rebelar e lutar contra a vontade do seu dono você era severamente punido, com queimaduras, chicoteadas e até mesmo era marcado igual a um simples cavalo... Quando o comércio do burguês começou a ir a falência ele resolveu vender você em um leilão, sabia que ganharia muito dinheiro com você por ser virgem, mesmo que seu estado físico não tivesse nos melhores estados por ele não te alimentar direito e ainda te torturar... Por uma coincidência do destino eu estava naquele leilão... — Namjoon sorri leve ao falar sobre "destino".

— Devo agradecer ou chorar por essa coincidência do destino?... Pior do que já estava duvido que fique... — Fala terminando de beber mais uma taça de seu vinho.

— Naquela época do leilão eu já era um demônio, tinha 827 anos... Também já tinha meu status como diabo... Eu nasci no ano de 800, em plena época Viking... — Diz tentando relembrar do seu passado como humano, mas tudo era apenas um borrão.

— Você nunca chegou a renascer?... — Seokjin levanta o olhar até Namjoon que logo encontra o olhar do anjo, desviando logo em seguida.

— Não sei... Talvez tenha... Mas não acho que isso importe muito... — Namjoon se levanta pegando outra taça para acompanhar Seokjin.

— Bom... Quando eu te vi pela primeira vez eu vi um corpo sem vida, olhos mortos piores que de um peixe morto, você já não tinha esperança na vida e nem queria acreditar que as coisas poderiam melhorar, já que em sua concepção você havia deixado de ser um ser humano, eu no início também o via como um nada, eu confesso, mas por ser virgem eu o comprei, confesso que você foi bem caro, mas eu sabia que no fundo valeria apena, mesmo todo machucado, maltratado e desnutrido, seu rosto era bonito. — Diz sincero, logo virando a taça de vinho e a enchendo de novo.

— Quando eu te comprei, eu te levei diretamente para minha casa, eu deixei você ficar aonde quisesse para se acostumar ao novo ambiente, você era quieto e não me dirigia uma palavra, nem mesmo quando eu falava diretamente com você... Você no fim preferiu ficar em um canto da sala encolhido, abraçado em suas pernas, eu no início não liguei e fui dormir, no outro dia, quando acordei percebi que você continuava no mesmo estado imóvel, como se tivesse morrido passei o dia todo esperando você fazer algo, porém nada, até mesmo tentei o atrair com comida, ouvi seu estômago anunciar fome, mas você não se moveu, percebi que você só iria fazer algo se eu mandasse, como um animal. — Namjoon fala observando sua taça, logo ouvindo uma risada irônica de Seokjin.

— Acho que deus não me deixou reviver por pura pena de mim... Ter uma vida assim... Era realmente melhor estar morto... — Seokjin bebe mais um pouco do vinho, logo largando a taça e se curvando assim, parando de beber por conhecer seu limite.

— Eu já estava irritado com tamanha inutilidade que você me demonstrava, porém só fiz algo realmente quando você acabou por urinar no seu canto e por pura normalidade tentar beber da sua própria urina... Eu o parei e o peguei no colo o levando para um banho, novamente tentei criar um diálogo com você, mas em completo em vão, você não respondia, no banho pude observar melhor suas cicatrizes e marcas que o seu antigo dono havia e deixado, era realmente cruel, até para mim que era um diabo... Depois de te dar banho eu te levei a cozinha e ordenei que comece comigo... Nunca vi alguém devorar tão rápido um alimento em minha vida... Eu te servi, mais e mais vezes, também ordenando que comesse, no fim você acabou vomitando por não estar acostumado a comer tanto, lhe dei outro banho e te coloquei para dormir no sofá, depois de limpar o xixi na sala.

— Me sinto um lixo ouvindo tudo isso... Mas... Eu ainda assim... Quero que continue... Quero poder ouvir algo bom no final de tudo... — Seokjin fala olhando Namjoon que suspirava ao ver a expressão de desamparo do mesmo.

— Demorou dois anos até que você se acostumasse a fazer as coisas sem eu mandar e mais um ano para conseguirmos conversar normalmente como dois "seres humanos"... Nesse meio tempo todo eu me apaguei a você... Me apaixonei... Ver a esperança e a vida voltando ao seu corpo foi algo mágico e surreal para mim... Acho que no fundo nem eu mesmo acreditava que eu estava fazendo tudo aquilo... Até porque eu era um diabo... Fazia coisas horríveis por baixo dos panos, não podia me revelar como realmente era para você... Um ano depois disso tudo, em seu aniversário de 24 anos, eu te pedi em namoro... Você ficou perplexo de primeira e acabou recusando, fiquei um mês inteiro te convencendo... — Namjoon ri ao lembrar da grande surpresa do anjo ao pedido de namoro.

— Aquele ano foi incrível... Te levei a tantos lugares... Conhecemos tantas coisas juntos... Nem parecia que estávamos em um período colonial... No dia de meu aniversário... Eu havia dito para você que te comprei no dia do meu aniversário... Você fez uma surpresa para mim... Eu cheguei em casa tarde da noite após meu serviço... E encontrei você seminu em minha cama... Aquilo havia me impressionado muito, eu não entendia o porquê você estava fazendo isso... Embora que eu tivesse comprado você pela sua virgindade, aquilo foi perdendo o valor a cada dia que passava e que eu cuidava de você... Com o amor, aquilo foi se tornando ainda mais insignificante desde que eu pudesse o ter ao meu lado o tempo que eu quisesse... — Namjoon fala com um sorriso bobo apaixonado no rosto, parecia mais humano.

As palavras do diabo fizeram o anjo dar um pequeno e fraco sorriso, as palavras do mesmo eram acolhedoras em meio a toda sua trágica história.

— Eu o perguntei o que estava acontecendo e o porquê estava fazendo aquilo, você humildemente me respondeu que queria retribuir o que eu estava fazendo por você, entregando seu corpo a mim, como era para ter sido desde o início... No momento eu não soube o que responder de primeira, mas eu suspirei fundo e me sentei ao seu lado acariciando o seu rosto e disse que aquilo não era importante e que você não deveria se sentir obrigado a nada que não quisesse fazer, você ainda assim insistiu dizendo que queria e que estava pronto para aquilo... Me lembro que a todo momento eu te perguntava se estava tudo bem, se realmente queria aquilo, se eu estava te machucando e se queria que eu parasse, você sorria bobo a toda vez que eu perguntava, eu sentia sua felicidade transbordando cada vez que me respondia que estava tudo bem e que eu podia prosseguir... — Logo que termina de falar sobre, toma um pouco de vinho para desvirtuar de seus pensamentos maliciosos.

— Parece ter sido incrível... Quando... Quando foi... A primeira vez?... — O anjo pergunta sutilmente, ainda que vago.

— Oi?... Como assim? — O olha confuso.

— O... O nosso primeiro contato físico... é... Abraço... Beijo... — Desvia o olhar levemente tímido.

— Ah... Nosso primeiro abraço foi um dia que você havia se machucado fazendo a comida... Eu fiquei extremamente preocupado, não consigo nem entender o porquê eu fiquei tão preocupado com um pequeno corte... Acho que eu não conseguia aceitar nada que pudesse te machucar... Você acabou tendo que me consolar e para ser sincero... Foi você quem me abraçou primeiro... Nunca havia sentido tamanho calor em um só momento... Isso foi antes de começarmos a namorar para ser mais exato... Mas foi ali que eu tive certeza que estava apaixonado por você... Nosso primeiro beijo foi após uma pequena discussão de opiniões sobre como cuidar melhor de um cacto. Resumindo você estava ficando estressado sobre a minha burrice sobre o assunto e então eu simplesmente calei a sua boca com um selinho, você ficou me olhando surpreso, porém logo ficou emburradinho fazendo bico e deixou o assunto quieto voltando a ler seu livro.

— Quantas vezes brigamos?...

— Nunca brigamos, éramos um tipo de casal perfeito que mesmo tendo algumas opiniões diferentes, respeitávamos os gostos um do outro sem causar guerras por causa disso, tínhamos apenas discussões bobas em como qual era o corante mais bonito para se pintar um quadro, ou, qual tecido era mais gostoso de usar, qual móvel era mais refinado e coisas assim, mas no final sempre acabávamos rindo da situação e deixando de lado quando percebíamos que não íamos chegar a lugar nenhum com as nossas discussões... Tivemos quatro anos de pura paz e conforto... Até um dia quando eu menos esperar um de meus inimigos tirar você de mim te assassinando... Esperei anos para você reviver, até descobrir que você havia sido escolhido para ser um anjo... Então esperei até aqui pacientemente para te reencontrar e poder continuar a nossa história que nunca pode ter um fim... — Namjoon termina de contar sobre o passado de ambos cruzando os dedos e as pernas esperando uma atitude ou uma palavra final do anjo que escutava tudo imóvel.

— ... Realmente só cheguei ao céu por pura pena... E pena maior ainda de terem me escolhido para ser um anjo pelo meu passado... Sabe... Nunca achei que eu poderia dizer isso... Mas com tudo o que vem acontecendo, posso confirmar cada vez mais que o céu não é o meu lugar... Já houve momentos em que eu pensava isso, mas queria acreditar que aquele era o meu lugar, mas casos como isótropos, pedofilia, tráfico de mulheres, sempre foram assuntos sensíveis para mim que eu odiava ter que lidar... Agora eu acho que eu entendo um pouco o porquê... — Fala se levantando e tirando seu casaco, deixando sobre a poltrona e se sentando na cama de Namjoon.

— Eu... Quero poder sentir... O que eu senti no passado, passando aquele tempo com você... Quero poder me sentir cuidado e protegido, amado... Tinha tanta inveja dos humanos por poder experimentar dessas coisas e eu só ali... Vendo-os nascerem, formarem seus laços, pracearem querendo ou não e depois falecerem algumas vezes como se não fossem nada... Sei que não sou o centro disso tudo como o Jungkook... Mas... Eu quero poder sentir o que realmente é o amor... Por mais que isso doa... Eu quero poder experimentar desse sentimento humano tão difícil de explicar... — Fala olhando no fundo dos olhos de Namjoon que se levanta indo até a frente do mesmo.

— Acha que eu menti em alguma coisa que eu disse?... — O olha tocando os cabelos rosados do anjo, que não nega o toque do mesmo.

— Não... Foi bastante detalhado para ser uma mentira... Pude sentir o sentimento em suas palavras... Embora que você tenha bastante anos de experiência com a mentira e deve ser um excelente mentiroso... Quero acreditar em tudo o que disse seja verdade... — O anjo não desvia por um segundo o olhar do diabo, podia dizer que estava submisso às palavras do mesmo e não negava isso.

— Se eu dissesse que eu te amo... Você acreditaria nisso? Mesmo tendo se passado 342 anos desde sua morte? — Namjoon desce sua mão até o rosto do anjo.

— Não acredito que o amor seja limitado pelo tempo... Acredito que ele ultrapasse o tempo, à distância e até mesmo a morte... Então... Sim... Eu acredito em você...

Com aquelas palavras o diabo então aproxima seus lábios dos do anjo em um selar que logo por iniciativa do anjo acaba se tornando um beijo.

Seokjin segura a nuca do maior aprofundando o beijo, sentindo sua pureza sendo deixada de lado, embora que não ligasse mais para isso.

O diabo pega Seokjin no colo o trazendo para mais para cima da cama, separando seus lábios.

— Você... Confia em mim?... — Namjoon olha carinhosamente o anjo.

— Sim... Confio... Sinto que... Você é a pessoa... Em que eu mais posso confiar agora... — O menor segura o rosto do diabo com as duas mãos passando segurança ao mesmo.

— Obrigado... Obrigado mesmo... — Namjoon abraça o delicado corpo do anjo embaixo de si, senti asse completo novamente.

Seokjin abraça o corpo do maior acariciando seus cabelos como se estivesse lidando com uma criança, porém não podia negar que embora seu passado tivesse sido tão doloroso, não podia estar mais feliz que nunca.

(Com Jungkook...)

O anjo observava à espreita o seu humano rebelde, estava se divertindo com Kwan em um canto que não chamasse muita a atenção para não parecer um esquizofrênico.

Park chega até o Jeon que estava perdido em pensamentos olhando o humano Kim, logo tocando seu ombro.

— Você realmente vai ficar vigiando ele a festa toda?... Que chatice... Se eu fosse ele viria aqui te xingar por isso... — O moreno chacota do quão patético Jeon estava sendo vigiando o Kim como se fosse pai do mesmo.

— Você... Argh... Está bebendo... — Jeon reclama do cheiro a álcool que o demônio emanava.

— Sim, estou, é uma festa, uísque, aceita? — Oferece um gole ao anjo.

— Não obrigado... Só bebo vinho... — Suspira fundo desviando o olhar de Taehyung finalmente.

— Você é chato... — Diz observando o mesmo, percebendo o quão desconfortável Jeon se encontrava por causa daquele lugar.

— Ei... Vem... Vamos sair daqui... 'Tá chato pra caralho... — Park diz virando o copo e largando sobre o balcão que estava atrás dos mesmos.

— Para onde vamos?... — Jeon diz seguindo o mais velho.

— Para um lugar mais calmo...

Jimin leva Jeon até o quarto onde os mesmos haviam discutido pela primeira vez.

— Que familiar... Devo acertar um vaso na sua cabeça dessa vez e te esfaquear novamente? — Diz revirando os olhos e se emburrando novamente.

— Por que você está assim? — Fala se dirigindo a uma estante de bebidas servindo mais uísque para si.

— Sei lá... Acho que... Eu tenho que mudar o jeito que eu sou... 'To cansado de ser pisado por qualquer um e chorar sempre me sentindo o culpado de tudo... — O anjo se senta na cama de cabeça baixa.

— Você só é pisado porque deixa que te pisem e se você chora por culpa e porque no fim acha que realmente é o culpado de algo, mesmo que não seja e sim, isso é patético, ridículo, mude, eu apoio isso viu? — Diz virando o copo novamente e pegando um soju.

— Não sei mais o que é o certo e nem sei se quero saber... Achava que o Reino dos anjos era uma coisa e agora até mesmo acusado de malfeitos deus e os anjos estão sendo... Não sei como eu deveria reagir a tudo, não sei nem se ainda eu sou a chave para acabar com essa guerra toda... — Coloca as mãos sobre o rosto se sentindo cansado pelo peso que carregava.

— Bom, se quer realmente mudar algo, tem que começar por você, primeiro, essas roupas, na moral você parece um filho de Santo, nojento, segundo, aja como um humano, você está em um corpo de um, aproveite isso, terceiro, aprenda a dizer não, quarto, diga quando dói, por exemplo... "Porra você 'tá me machucando me pedindo pra fazer isso! Será que pode parar de querer fugir com a minha vida e me deixar ser eu mesmo? Não tenho culpa se vocês são um bando de panaca que não aceitam a realidade dos tempos atuais e estão presos a regrinhas do tempo de Noé!" Vamos, tente! Nem xingar você consegue! Vai se sentir muito melhor xingando alguém! — Park fala se aproximando do mesmo, tentando o incentivar a tomar uma atitude.

O mais novo olha o demônio com uma certa incerteza do que realmente deveria fazer, porém suspira e se levanta ficando de frente pro mesmo, logo o empurrando, o fazendo cair sentado numa das poltronas que também havia naquele quarto.

Você é um filho da puta sabia?! Desde o início você tem sido um arrombado comigo! O que eu te fiz caralho?! Na moral! Quero muito que você tome no cu! Seu demônio superior de merda! Fica aí se achando o melhor que todo mundo, como se sua opinião valesse ouro! Você não sabe calar a porra da sua boca não é?! Nem sempre alguém quer ouvir o que você tem a dizer seu merda! Você ao menos se importa com o que os outros sentem? Ou só sabe olhar para seu próprio cu?! Buceta! Você já me matou o suficiente para eu ter que ficar aceitando de bico fechado toda bosta que sai da sua boca! Tá doendo tanto? Não ligo! Tomara que você se foda em qualquer esquina! 'To de saco cheio dos seus pit de raiva! Seu peralvilho de merda! — O anjo liberta grande parte da aversão que tinha a Park por todas as coisas que o mesmo tinha feito e dito para si, surpreendendo o demônio que o olhava surpreso.

— Porra... Que boca suja... Não achei que tinha tanta coisa guardada aí! Que divertido... — Park ia tomar seu soju, que protegeu para que não derramasse ao empurrão do anjo, porém o mesmo pega o copo da mão do mesmo e o joga no chão o quebrando.

— Calma lá! 'Tá achando que é grande coisa por ter feito uns xingamentinhos baratos como esses?! — Park se levanta da poltrona encarando Jeon de frente, logo levando um tapa em seu rosto pelo anjo.

— E você? Se acha grande coisa por um arrogante do caralho? Você não é nada Park... Se paga de sabitu do e de forte, mas no fim você só é uma criança medrosa que não consegue aceitar os próprios sentimentos sem ter que passar por cima de alguém primeiro.

O demônio o olha assustado, não conseguia processar o fato de que aquele garoto frágil e indefeso que havia conhecido estava tão forte e destemido quanto ao que acreditava e sentia.

— Nunca mais... Nunca mais... Toca no meu rosto de novo... Se não eu te mato... — Ameaça o anjo que logo, bate no rosto do mesmo de novo, porém agora com sua outra mão.

— Hipócrita de merda... — Ri sarcástico. — Isso só confirma mais uma vez que você não se importa com o sentimento de ninguém... Amor? Não procure... Você nunca vai ter isso...

O maior ia passar pelo demônio quando o mesmo o segura pelo pulso.

O anjo olha com raiva para o mais velho, tentando soltar seu pulso, porém o demônio de cabeça baixa segura com força o braço do anjo que resmunga de dor, por estar sendo machucado.

— Park... Solta o meu pulso... Você 'tá me machucando! — O anjo fala tentando se soltar do demônio.

Jimin então usa sua força para puxar o anjo que o jogar contra a cama, o fazendo cair deitado sobre a mesma e então sobe em cima do mesmo, segurando os dois pulsos do anjo contra os lençóis da cama.

— Vá se fugir Park! Me deixa ir! É sério! Não quero mais fazer parte dos seus joguinhos! — Diz tentando se soltar, porém em vão.

— ... Eu gosto de você... — Park fala com o olhar baixo, logo encontrando com os olhos do anjo que para de se mexer para tentar se soltar.

A expressão do moreno era de desânimo, porém dava para sentir sinceridade em seu tom de voz.

Eu realmente gosto de você... Só... Me desculpa... Eu... Ainda não sei de mostrar isso direito... Sinto que tem barreiras em mim como um demônio que me impedem de demonstrar com exatidão o que sinto... Não queria te deixar puto dessa forma... Sério... Me desculpa... Eu realmente me importo com o que você sente... Achava esse tempo todo que mesmo sendo rude e frio, eu estava te ajudando com palavras... Eu queria acreditar nisso... Odeio o fato de você se preocupar tanto com os outros e excluir a si mesmo... Você não precisa carregar o mundo nas suas costas... E mesmo que precise deixe alguém te ajudar a carregar esse peso... Me deixe te ajudar... — Park fala com grande tristeza no olhar não queria que tudo tivesse chegado aonde chegou.

— Só quero que você seja sincero comigo com o que sente... É difícil lidar com sua troca de humor repentino... Se importa, não se importa, é gentil, é rude, é foda ter que lidar com isso como se não fosse nada... Eu já disse que quero descobrir isso que sentimos e descobrir sobre o nosso passado junto... O que é tão difícil pra você entender isso?... — Olha para o demônio indignado.

— Desculpe... Apenas me desculpe... — Park baixa o olhar, logo olhando o anjo novamente e então lentamente o beija.

Durante o beijo, Park solta aos poucos os pulsos do anjo que leva suas mãos até as costelas do demônio que segurava os lençóis da cama com força.

Logo o moreno se ajeita melhor entre as pernas do anjo separando o beijo e então desabotoando lentamente a camisa branca que o mesmo vestia.

Assim que a desabotoa por completo Park observa o torço definido daquele anjo em baixo de si, era realmente perfeito e disso não tinha a mínima dúvida, apenas o queria por inteiro.

— O que... Pretende fazer?... — Jeon o olha com carinho, descendo suas mãos até a cintura do menor acariciando ali sutilmente, sobre a blusa de mangas comprida e colada em seu corpo.

— Eu... Eu o quero só para mim... Eu... Quero o... Seu corpo... Sucumba a mim... — O demônio fala em um soro se perdendo sobre o que via e então logo uma dor imensurável toma conta de todo seu lado esquerdo de seu corpo o fazendo cair deitado ao lado do anjo.

— Park?! Park! Ei! O que houve?... Park! Me responde! O que 'tá havendo? Ei! — Jeon se levanta olhando o menor de cima, o mesmo gritava de dor enquanto segurava seu pulso firmemente, não conseguia falar nada pela dor que sentia.

O anjo não conseguia entender o que estava acontecendo com o mesmo, porém Park aos poucos tira a luva que cobria sua mão esquerda, mostrando a marca de sangue que estava brilhando em vermelho, sua mão estava completamente roxa e suas veias ainda mais ressaltadas que antes.

Jeon observa Park percebendo que o roxo estava se sobressaindo sobre seu pescoço também e então o mesmo em desespero tira a blusa que cobria o peito de Park vendo que o roxo estava se concentrando em volta do coração de Park.

Jeon apoia seu ouvido sobre o peito do mesmo ouvindo o coração do mesmo bater extremamente rápido, se o mesmo fosse um humano, já teria instantaneamente uma parada cardíaca.

O que... O que eu devo fazer?! Se continuar assim você vai morrer! — Jeon balança o corpo de Park em grande nervosismo.

— J-Jeon... — Park pronuncia quase que em choro o nome do anjo que estava completamente desnorteado com a situação, ainda mais pois Park não conseguia conter seus gritos de dor, era realmente insuportável.

— Você... Você... Você prometeu que... Não iria me tocar com malícia se eu não quisesse... Mas... Mas... Eu... Eu... Eu... — Jeon fala confuso sobre o que realmente queria.

Jimin o olha nos olhos com um pequeno sorriso de dor, já estava aceitando que iria morrer ali mesmo, então uma lágrima escorre pelo seu rosto.

— Tá... Tá tudo bem... Não se... Preocupe... Com... — Grita novamente, logo tentando se conter para terminar de falar. — Comigo... Tá tudo bem...

Jeon pega mão de Jimin colocando em seu rosto e então suspira, fechando os olhos tentando se acalmar.

— Eu... Eu vou fazer o que for preciso... Para te ter ao meu lado... Mesmo que isso signifique... Eu sacrificar minha pureza e dignidade como anjo... Mesmo que eu tenha que ir ao inferno junto com você, me tornando um anjo caído... Eu não vou deixar você ir... — Jeon fala decidido sobre o que dizia, fazendo o demônio chorar ao ouvir aquelas palavras.

Logo então, Jeon termina de se despir, fazendo o moreno desviar o olhar. Assim logo delicadamente Jeon também termina de despir o demônio.

— Você... Vai ter que confiar em mim agora... Mesmo que eu não tenha experiência alguma com isso... Apenas tendo experiência por observar... Eu... Vou fazer o melhor possível para que isso seja... Algo bom... Para nós dois... Eu prometo... — Jeon consegue uma troca de olhar com o demônio que mesmo que estivesse morrendo de dor, não parecia temer a nada daquela situação e então apenas concorda com um acenar de cabeça.

— Tudo bem... Eu... Irei começar...

End.

Capa feita por: gguukmong

Obrigado por ler!

Desculpe todo e qualquer erro de escrita!
Espero que tenham gostado e continuem acompanhando o meu trabalho!
Obrigado pelo apoio e por terem lido até aqui!

🦋 I Never Stop!🌹

AVISO:

O PRÓXIMO CAPÍTULO CONTERÁ E SERÁ SOMENTE HOT, PORTANTO TODOS AQUELES QUE NÃO CURTEM TAL CONTEÚDO POR FAVOR NÃO LEIA E SE VOCÊ TAMBÉM FOR MENOR DE IDADE (-18) RECOMENDÁVEL QUE TAMBÉM NÃO LEIA.

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