Capítulo 41

Faltava uma hora para o jogo começar. Eu estava com Heyoon e suas amigas, perto da arquibancada. Já Joshua e Lamar estavam conversando com alguns garotos do time.

- Eu acho que a dieta que eu fiz não serviu de muita coisa. Não estou tão bem quanto deveria nesse uniforme. - reclamou Nour, passando a mão sobre a blusa curta do uniforme de torcedoras.

- Você está ótima. - elogiei, franzindo a testa.

- Obrigada. Mas ainda sim eu não consigo acreditar que é verdade. - lamentou ela, soltando um suspiro.

- Talvez tenha sido aquela rosquinha que você comeu antes de virmos para cá. Eu disse para você manter a boca fechada até o fim da noite. - disse Any, verificando seu cabelo no espelho pequeno que tinha nas mãos e passando o dedo indicador nos lábios, para espalhar mais o batom.

- Eu havia tomado apenas uma vitamina de manhã e comi uma maçã no almoço. Eu estava morrendo de fome! - Nour se defendeu.

- Mesmo assim. Você precisa ter o controle de si mesma para não se acostumar a ficar comendo toda hora. - Any retrucou, guardando seu espelho em uma bolsinha pequena. Ela logo retirou um gloss da bolsa e encheu os lábios. Até pensei que ela fosse acabar com o frasco pequeno naquele momento.

- Você sendo grosseira com ela não está ajudando, Any. - Sina protestou. - Depois você fica brava quando as outras garotas não falam essas coisas de comer perto de você. Parece maluca.

- Eu não estou sendo grosseira! - Any fez uma careta. - Mas pensem o que quiser. Eu não ligo. - ela balançou os ombros e se sentou no espaço vago ao meu lado.

- Não se assuste, S/a. É sempre assim. - Heyoon disse para mim. Balancei a cabeça e sorri.

- Vou ficar um pouco com Josh, está bem? - disse para ela. Heyoon e as outras garotas balançaram a cabeça, menos Any, que balançou os ombros querendo dizer que não estava nem ai.

Me levantei da arquibancada e caminhei até Josh. Os outros garotos ficaram olhando para mim, o que chamou a atenção dele, que estava de costas. Josh estava de braços cruzados, me esperando chegar até ele.

- Mal ganhamos e você já quer um autógrafo? - Lamar perguntou de um modo engraçado. Revirei os olhos e balancei a cabeça.

- Está tudo bem? - Josh perguntou, colocando o braço em volta do meu ombro. Balancei a cabeça e ele me deu um beijo na testa.

- Está namorando mesmo? - o terceiro garoto, que foi o que chamou Lamar de manhã perguntou, surpreso. - Juro que imaginava de tudo. Eu imaginava até o Lamar ficando com a Heyoon, mas o menino Beauchamp namorando, não. Sem ofensas.

- Pelo menos isso. - Lamar reclamou, se referindo ao sem ofensas do garoto.

- O sem ofensas não é pra você não, cara. - ele gargalhou. - É para a namorada dele aqui.

- S/n. - falei, forçando um sorriso. - Todos zoam você por conta do seu lance com a Heyoon? - perguntei para Lamar.

- Você ainda não viu nada. - ele respondeu, balançando a cabeça.

- Nem lance existe. - o garoto zoou.

- Lucca, cala essa boca. - Lamar resmungou.

- Ih cara, ela tá olhando pra você. - Lucca apontou aonde as garotas estavam. Todos olharam para lá, mas não antes de Lamar, que foi o primeiro a ver que era mentira. - Tá todo apaixonado. - ele deu alguns tapinhas no braço de Lamar, que fez careta.

- GOL! - gritaram. Lucca olhou para trás e ficou procurando quem havia gritado. - CORRE AQUI, CARA.

- Some daqui. - Lamar falou, me fazendo dar risada.

- Vamos nós dois. Deixe eles sozinhos seu estraga prazeres. - Lucca empurrou Lamar, que não reclamou em ir, me deixando ali sozinha com Josh.

Puxei ele para outra parte do campo, e me encostei na parede, deixando ele na minha frente.

- Está tudo bem? - perguntei, passando a mão no seu rosto.

- Só estou pensando na "conversa"com o meu pai ainda. - ele soltou um suspiro e agarrou a minha cintura. - Mas vamos esquecer isso, de qualquer maneira. Daqui alguns minutos eu já preciso ir buscar a Giulia. - avisou. Eu balancei a cabeça e forcei um sorriso de lado. - Você está mesmo de boa com essa viagem? Da para você ir comigo. Sabe disso.

- Não se preocupa. Está tudo bem. - assegurei.

- Você vai para a festa pós-jogo? - perguntou.

- Eu não estou afim de ir em festa dois dias seguidos. - reclamei. - Heyoon vai tentar me convencer á ir, tenho certeza. Mas vou conseguir convencer ela do contrário.

- Mas se você não conseguir convencer ela do contrário, por favor, toma cuidado. - pediu, olhando fundo nos meus olhos.

- Não se preocupe. - dei de ombros, fazendo um biquinho. Josh aproveitou da situação para me dar um selinho demorado. Ele se afastou um pouco depois. Nossos rostos ainda estavam tão próximos que eu conseguia ver o brilho que os seus olhos tinham. Ele parecia encantado com o momento. Encantado de ficar olhando para mim.

Em questão de segundos, ele colou seus lábios nos meus novamente, me fazendo sentir sua boca macia, e sua língua em sincronia com a minha. Suas mãos agarravam a minha cintura com força, mas não o suficiente para me machucar, mas sim, parecendo transparecer que ele precisava de mim mais do que eu imaginava. Nestes momentos, eu conseguia descrever até um simples toque dele na minha pele.

- Ei - ele disse entre a minha boca, mas logo se afastou o suficiente para conseguir falar. - Eu posso te fazer uma pergunta? - quis saber, me deixando com receio do que ele perguntaria. - Eu não quero brigar com você. Só quero saber o motivo ...Sabe. Por tudo aquilo na praia.

- Pergunte.

- Por que você não quer namorar? - ele suspirou e olhou no fundo dos meus olhos. - Eu preciso de um motivo certo, S/n. Eu preciso saber.

- É mais complicado do que você pensa. - resmunguei, evitando olhar em seus olhos. - Você já parou para pensar, que, quando você começa algo com alguém, precisa estar pronta para se despedir dela? - questionei. Josh relaxou seu toque na minha cintura e levou uma das suas mãos para o meu queixo, levantando meu rosto delicadamente.

- Do que você tem tanto medo? - Josh franziu a testa. - Você tem medo que eu te magoe? - ele parece ofendido, eu me apressei em balançar a cabeça negativamente e suspirar.

- Não tem nada a ver com isso. - afirmei, tirando as mãos que estavam apoiadas no seu peitoral, o que também fez Josh recuar de vez suas mãos no meu corpo.
- Mas você não concorda comigo? Uma hora você vai precisar se despedir dela. Não existe um para sempre, Josh. O para sempre é dito tantas vezes entre os casais, que eles acabam acreditando que realmente existe. Mas não existe.

- Você não está querendo nem começar um namoro comigo, mas já está pensando em como seria se nós terminássemos? - ergueu as sobrancelhas. - Pra que isso, S/n? - ele pareceu confuso. - Você já disse que me ama duas vezes. Passamos praticamente o dia inteiro juntos. Por que rotular isso como um namoro é um problema para você? Pensar se vamos terminar sem nem começar um namoro, só está te atrasando.

Fiquei em silencio.

Encostei a minha cabeça na parede de cruzei os braços. Josh continuou me olhando, enquanto eu ainda evitava olhar fundo nos seus olhos, porque eu aposto que eles não estavam brilhando como minutos atrás.

Eu queria dizer para ele que o meu medo não era se magoada por ele, e sim, porque eu sabia que indo embora, iria magoa-lo profundamente. Eu estava com medo da minha própria sombra.

- Eu sempre tento te entender. Sempre tento pensar como se eu fosse você, e como estaria agindo a tal situação. Mas essa é a primeira vez que eu não consigo pensar como você. - disse, com calma. - Então, eu tendo entendido o seu lado por todos esses meses, por que você não pode tentar fazer o mesmo por mim agora? Por que você não pode tentar se colocar no meu lugar e pensar no que eu estou sentindo?

- Eu já disse que é complicado, Josh. - insisti, sem dar o que ele queria desde o começo desse assunto: um motivo convincente.

Um silencio se formou lá. Mesmo se os garotos do time estivessem gritando, ou as torcedoras estivessem ensaiando a sua rima e ouvindo a música, no último volume, eu estava concentrada demais ali para me importar com outros barulhos. Mesmo que aquele silencio estivesse me deixando desconfortável, parecia que tinha apenas nós dois ali.

Até o seu celular tocar.

Josh deixou tocar alguns minutos, até pegar no seu bolso da calça jeans e encarar o visor claro.

- É a Giulia. Eu preciso ir. - avisou, continuando a me encarar por mais alguns segundos.

- Tome cuidado. - pedi baixo, estendendo a minha mão para ele, que me deixou aliviada ao retribuir meu gesto.

- Nos vemos domingo? - perguntou. Balancei a cabeça em concordância e ele deixou um beijo na minha testa.

Vendo ele se afastar, junto com o cheiro do seu perfume viciante, fiquei o observando. Eu estava me sentindo tão culpada por saber que ia magoa-lo.

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top