Capítulo 37
Eu estava ajudando a mamãe a preparar alguns cupcakes. Ela disse que estava com vontade de comer, e isso era um bom motivo para passarmos um tempo juntas. Seu avental já estava sujo de cobertura amarela, e eu estava colocando estrelas coloridas em cima dos que já estavam prontos.
De vez em quando, eu levava algumas estrelas para a boca e saboreava o gosto que prevalecia em todas, que era de morango.
Eu lembrei de uma vez que a mamãe comprou um saco dessas estrelas para enfeitar o meu bolo de aniversário, mas eu escondi no meu quarto e comi tudo sozinha. Mais tarde, coloquei a culpa no Logan disse para mamãe não brigar com ele pois prometi que não contaria.
Até hoje ele não sabe sobre mamãe ter ficado estressada com ele por ter "comido" as estrelas. E eu espero que ele realmente nunca saiba.
- Nunca mais vi aquela garota aqui em casa.- mamãe comentou.
- Bem... - apontei para mim mesma, brincando. Ela deu risada e balançou a cabeça.
- Não essa garota. Aquela garota que uma vez esteve aqui. — ela disse. Eu sabia que ela estava falando de Joalin, mas era engraçado ver ela tentar lembrar. - Joana, não é?
― Joalin, mamãe. — corrigi, segurando uma risada. — Ela agiu como Noah quando soube que eu fiquei com Josh. Noah foi um idiota, o que significa que ela também foi.
— Eu não fico sabendo dessas coisas. — ela ergueu as sobrancelhas.
— Desculpe. — pedi, olhando para o seu rosto, que tinha atenção em colocar a cobertura em alguns cupcakes — Eu acabo ficando no meu quarto o tempo inteiro.
— Eu sei que fico muito ocupada na empresa também. A culpa não é sua. — corrigiu, olhando para mim e me enviando um sorriso de lado acolhedor.
Ficamos em silêncio. Ela ainda colocava a cobertura e eu colocava as estrelas coloridas por cima da cobertura. Mas por um momento eu me distrai e comecei a encarar o rosto da minha mãe.
Eu disse que ela me apoiaria sobre o assunto de me mudar para Londres no ano seguinte, mas isso não significava que ela não se sentiria sozinha. Sempre fomos apenas nós três, e eu apenas vou partir se ela me garantir que ficará tudo bem por aqui. Se ela ficará bem.
Jorge parece estar fazendo bem para ela. Ele parece estar dando a atenção que ela merece e o amor que ela deveria ter recebido por todos esses anos de um companheiro. Ela sempre teve o amor dos filhos, mas precisava de alguém que fosse tão legal quanto o meu pai. Pois mesmo não me lembrando de nada, eu sabia que ele fez um bem e tanto para ela. Eu queria que Jorge fosse esse parceiro para ela, e não a deixasse sozinha.
- O que foi? - ela perguntou para mim. Percebi que fiquei encarando ela por tempo demais. Balancei a cabeça e deixei as estrelas em cima do balcão.
- Eu volto já. — anunciei, não esperando que ela protestante. Eu corri para o andar de cima e me deparei com a porta do quarto de Noah fechada. Soltei um suspiro antes de dar exatamente três toques na madeira.
Ouvi sua permissão para entrar e levei a mão para a maçaneta. Quanto abri a porta por completo, vi que ele estava sentado na sua cadeira giratória e tinha o computador ligado. Sua cama estava desarrumada, e havia algumas camisetas espalhadas pelo quarto inteiro.
- Você precisa fazer uma faxina aqui. - falei com uma careta, olhando para o chão. Noah girou a cadeira na minha direção e franziu a testa.
- A princesa não estava brava comigo? questionou ele, me fazendo revirar os olhos.
- Eu vim conversar com você sobre um assunto, mas não significa que minha raiva por você tenha passado. — avisei, indo me sentar na sua cama. Noah logo se levantou da cadeira giratória. - Feche a porta. - pedi. Ele ia protestar, mas deu de ombros e fechou-a. Não demorou para que ele se sentasse ao meu lado da cama. - Você promete dizer o que acha com toda sinceridade?
- Se você veio falar que vai se casar, pode sair do meu quarto agora mesmo. - ele avisou, com os olhos arregalados. Bati no seu ombro e ele sorriu.
- Não é nada disso, idiota. - resmunguei. - É sobre Londres.
- Você não vai pedir para que eu fique, não é? - ele pareceu assustado. Balancei a cabeça e ele relaxou. Então ele ficaria se eu pedisse?
- Para de fazer suposições e me deixa dizer logo. - reclamei, fechando a cara. Ele revirou os olhos e ficou me encarando, esperando que eu falasse.
- Está demorando demais. - ele cantarolou.
- O que você acha de eu ir para Londres junto com você? - perguntei, olhando para o seu rosto e esperando uma expressão se formar no seu rosto. - Quero fazer faculdade lá. Eu quero ir com você.
- Espera. - ele falou, levantando a mão para que eu parasse de falar. - O que? - fez uma careta. - Você quer mesmo ir comigo?
- O que você acha? - perguntei baixo, incerta se deveria estar ali e se deveria ter dito isso para ele antes de qualquer outra pessoa. Mas além de tudo, eu estava curiosa para saber o que ele achava dessa ideia.
- Mas e o Josh? - questionou, balançando a cabeça e se levantando da cama. - E a mamãe? - lembrou-me, fazendo com que eu me levantasse também e parasse a sua frente. - Você já contou isso para ela?
- Eu queria saber o que você pensava a respeito primeiro. - inclinei a cabeça levemente para o lado e esperei com que ele dissesse alguma coisa.
Noah ficou me encarando por alguns segundos com a mão na cintura. Ele passou a língua nos lábios e olhou ao redor do seu quarto, tentando formar alguma coisa na sua mente para me dizer. Mas a única coisa que ele fez, foi abrir os braços, como se estivesse pedindo para que eu o abraçasse. E assim o fiz.
- Se é algo que você quer, tudo bem. Eu ajudo você á falar com a mamãe. - ele falou, me deixando aliviada. Sua mão acariciou meu cabelo e ele soltou um suspiro alto. - Só não posso prometer te ajudar a contar para o Josh. Tenho certeza que ele ainda não sabe.
Me afastei do seu abraço e franzi as sobrancelhas, encarando seu rosto novamente.
- Como você sabe que eu ainda não contei? - quis saber.
- Porque se não vocês estariam brigados, e ele estava aqui ontem. - balançou os ombros. Noah foi novamente para a sua cadeira giratória e se sentou lá, vendo que eu estava parada, no mesmo lugar de quando me separei do seu abraço. - O que você e a mamãe estão fazendo? - perguntou, fazendo um biquinho curioso.
- Eu ainda estou brava com você. - anunciei. Se quiser saber o que é, vá ver você mesmo. - dei de ombros e sai do seu quarto, escutando Noah repetir as minhas palavras tentando fazer uma voz afeminada. Sorri sozinha e fui para o andar debaixo novamente, mais preocupada do que estava quando subi.
Eu não queria brigar com Josh. Eu queria que ele entendesse que Londres é uma grande oportunidade para mim. É aonde eu posso fazer faculdade em uma das melhores universidades, e aonde podem me abrir muitas portas.
Eu o amava muito. Com certeza ele era o meu primeiro amor. Ele estava sendo o primeiro de muita coisa na minha vida. Ele estava sendo o garoto com quem eu quero estar 24 horas do meu dia a dia. Porém, eu não posso desistir de um sonho desses, sem garantia de que nosso relacionamento possa durar para sempre.
Mas na verdade, nem existe o para sempre.
Passamos praticamente o dia inteiro juntos na escola hoje. E, pela primeira vez, comemos no refeitório com Heyoon e Lamar. Eles me fizeram rir tanto pelo fato de Lamar ter derrubado iorgute no uniforme de líder da Heyoon mais uma vez.
- Estou começando a pensar que você faz essas coisas de propósito, babaca!
Essas foram as palavras de Heyoon, encarando seu uniforme manchado mais uma vez. Porém, deu para ver o quanto Lamar ficou chateado consigo mesmo por ter feito aquilo novamente.
Ele definitivamente não estava conseguindo fazer Heyoon se apaixonar por ele, de jeito nenhum!
E momentos como esse me fazem pensar: o que o ano seguinte irá me proporcionar de bom? Eu tinha criado tantos amigos que deixaria para trás. Eu havia criado sentimentos fortes por um garoto que também seria deixado para trás.
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