Capítulo 24


Naquela manhã, mamãe havia pedido para prepararem um café para comermos juntos. Noah, ela e eu. Eu não entendi o motivo da sua vontade repetina de fazer isso.

Coloquei ovos mexidos no meu prato e suco de uva na taça de vidro. Na mesa silenciosa, levantei o olhar para mamãe, que me enviou um sorriso de lado. Mesmo me servindo com o que havia na mesa eu não estava afim de comer nada.

Minha cabeça doía. Eu estava pálida. E com a consciência pesada.

— Como está indo com a Universidade de Londres, querido? — perguntou ela para Noah. Virei o olhar para ele, curiosa também para saber como tudo estava indo.

— Agora se interessa? — questionou ele. Arregalei os olhos pela maneira rude que ele respondeu. Ele nunca havia respondido mamãe ou até mesmo à mim, desta maneira.

— Noah! — chamei a sua atenção.

— Digo o mesmo para você, S/n. — apontou ríspidamente. — As duas andam tão ocupadas com sei lá o que, que nem ao menos, nesses 2 meses que eu estou completamente concentrado para entrar lá, me perguntaram como as coisas estão indo.

— Eu apenas...

— Apenas está concentrada com o que? O que a S/n sabe, que eu não sei? — ele a interrompeu.

— Você ainda não contou para ele? — perguntei, mas logo após todas as palavras saírem, percebi que deveria tê-la guardado para mais tarde. Olhei para Noah e percebi que já era tarde demais.

— Aquele dia no carro você disse que não sabia de nada... — lembrou, me olhando de uma forma decepcionante. — O que está acontecendo com vocês?

Ficamos em silêncio.

O que eu deveria falar? Meus assuntos, com certeza, não eram tão relevantes para ele quanto os assuntos da mamãe. Ela já deveria ter contato para ele, e a minha pergunta de segundos atrás, piorou tudo.

— Mãe?! — Noah chamou. — O que está havendo?

— Eu estou conhecendo uma pessoa... — ela revelou, tentando manter a calma para que Noah também mantesse a calma. Meu irmão franziu as sobrancelhas. — E ele trabalha lá na empresa. O nome dele é Jorge e...

— Era isso que estavam escondendo de mim? — Noah perguntou. — É por conta desse cara que você não se importa mais com os seus filhos?

— Noah, já chega! — alterei a voz, fazendo ele olhar para mim.

— Não venha querer me parar, quando você teve coragem de olhar no meu rosto e mentir para mim! — disse na mesma intensidade.

— Já chega! Os dois! — mamãe ordenou, impaciente.

— Vocês são duas mentirosas! — acusou, se levantando da mesa e jogando o guardanapo na mesa com força, mostrando a sua raiva.

— Não fale assim comigo! Eu ainda sou a sua mãe! — mamãe se levantou, indignada com a ação do Noah. Me levantei também, apoiando as mãos na mesa como suporte. Eu me sentia fraca.

— É mesmo? — questionou Noah. — Se manteve tão longe por um tempo, que esqueci que ainda tinha uma mãe.

— Nunca mais diga isso! — ordenou. — Eu ainda amo o seu pai! Mas com certeza, ele não gostaria que eu deixasse de ser feliz novamente. Eu nunca esquecerei ele. Mas eu preciso seguir em frente.

— Gente... — chamei baixo, franzindo a testa por estar me sentindo tonta.

— Eu não estou assim pelo fato de você ter conhecido alguém. Sei que papai queria que você fosse feliz — respondeu Noah. — Eu apenas estou desta maneira porque vocês duas mentiram para mim! Na minha cara!

— Gente... — chamei novamente, pela fraqueza, sem sucesso de me ouvirem. — Eu...

Ainda ouvindo minha mãe discutir com Noah, senti meu corpo perdendo forças para se manter em pé. Logo, meus olhos se forçaram a fechar quando senti minha cabeça batendo no piso do chão da sala de jantar.

— [...] ela vai ficar bem?

— A pressão da apenas caiu, rapaz. Mas ainda vou fazer alguns exames para ter certeza de que não há outro motivo pelo desmaio.

Pelo jeito de falar, deveria ser o médico.

Tentando me acostumar com a claridade da luz, meus olhos estavam se abrindo lentamente, enquanto minhas sobrancelhas estavam franzidas.

— S/a... — consegui assimilar que era a voz de Alex. Assim quando lembrei-me de ele acabar de perguntar ao médico se iria ficar bem. — Como você está? — senti ele pegar na minha mão. Ao virar o rosto para o lado, vi que ele se sentou em um banco muito próximo da maca, que deveria ter sido colocado ali por ele.

— Cansada. — respondi, soltando um suspiro pesado. — Minha pressão caiu? — perguntei para confirmar. Quando o médico falou, eu ainda estava meio dormindo.

— Sim. — respondeu ele, calmamente, a apertando a minha mão. — O que aconteceu nesses últimos dias? Aconteceu algo que você se estressou demais?

— Não. — menti. Não queria ter de explicar tudo o que aconteceu em apenas três dias. — Dormi por muitas horas?

— Desde que chegou aqui, por quatro horas. — contou. — Sua mãe e o Noah foram comer alguma coisa. Eles estavam abalados demais.

Lembrei-me da discussão. Será que já estava tudo resolvido?

— Só vocês três estão aqui? — perguntei curiosa.

Eu estava curiosa para saber aonde ele estava.

— Joalin está á caminho. Não consegui falar com o Bailey ainda. — respondeu.

Ele não estava aqui.

— Estava se referindo ao...

— Apenas queria saber da Joalin e do Bailey. — menti novamente, tentando parecer convincente.

— Eu sei que você está mentindo - afirmou, me deixando sem saída. Quando eu ia começar a explicar, ele me interrompeu. — Eu sei que aconteceu alguma coisa durante esses três dias. Mas se você não quer me contar, eu não vou força-la.

Suspirei.

Suspirei em saber que ele não havia descoberto a outra mentira.

Eu não gostava de mentir para o Alex, mas eu não estava tendo opções. Todas as perguntas, não estavam merecendo serem respondidas com a verdade.

— Vou poder sair daqui ainda hoje, certo?

— O médico apenas vai fazer mais alguns exames. Até o fim da tarde, você estará em casa. — garantiu, se inclinando para me dar um beijo na testa.

Apesar de tudo... Ele não estava aqui.

A porta do quarto foi aberta, fazendo com que eu e Alex olhasse para a mesma. Fiquei com uma pequena expectativa de que Josh estivesse mudado de ideia dm relação a vir me visitar, mas, Noah e mamãe atravessaram a porta.

— Podemos conversar? — perguntou mamãe, com uma cara de tristeza. A conhecendo bem, ela ficará se culpando por achar que estou aqui pela discussão que ela estava tendo com o Noah. Isso, na verdade, foi um dos motivos.

Balancei a cabeça positivamente.

— Vou esperar lá fora. — avisou Alex. Consenti com um olhar e, pela minha surpresa, ele se inclinou e me deu um selinho. Afinal, pensei que ele apenas daria um beijo na minha testa como fez á segundos atrás.

— Eu e Noah conversamos... — começou dizendo quando a porta foi fechada, se aproximando da cama de hospital assim como Noah. Quando meu irmão colocou o braço em volta do ombro da minha mãe, apenas com aquele gesto, soube que estava tudo bem.

Respirei fundo.

Pelo menos, uma das coisas já estavam resolvidas.

O meu quarto estava cheio.

O médico confirmou, com mais alguns exames que achou necessário, que havia sido apenas uma queda de pressão. Pediu para que eu evitasse me estressar nos próximos dias, caso contrário, teria que voltar para aquela cama de hospital novamente e quem sabe passar mais de um dia lá.

Todos estavam no meu quarto. Todos os meus amigos. Menos ele...

Sofya estava aqui. Não perguntei á ela sobre ele, e também, acho que ela percebeu que não deveria falar dele naquele exato momento. Mas ela percebia meu olhar de curiosidade.

— Eu vou falar com o Noah. — avisou Bailey, pulando da minha cama.

— Bailey — chamei-o, antes que pudesse sair. — Tente falar com ele. Ultimamente, não estamos tão presentes...

— Eu vou com você. — disse Alex, me dando um beijo apertado na bochecha antes de sair do meu quarto acompanhado de Bailey.

Fechei meus olhos por alguns segundos e abracei meus joelhos Joalin e Sofya me olhavam atentamente, enquando eu nem sabia por onde começar.

— Me desculpe por segunda-feira. — pediu Joalin, quebrando o silêncio que havia se formado no cômodo. — Deveria ter sido mais delicada em relação á esse assunto.

— O que aconteceu? — perguntou Sofya, confusa.

— Disse á ela de maneira rude sobre estar brincando com o Josh e com o Alex ao mesmo tempo. — contou a garota. — Mas eu sei que ela não está fazendo isso por querer.

— Pegou pesado, Joalin.

— Eu sei disso, garota! Não provoca não. — reclamou.

— Você está bem, S/a? — perguntou Sofya.

— Ontem ele pareceu se importar comigo até demais. Agora... Passei a manhã inteira no hospital e ele nem se quer deu as caras! — acusei indignada.

— Deve ter acontecido alguma coisa. Eu não estava em casa de manhã, nem vi a tia Úrsula e o Josh quando sai de casa — comentou. — Vou ligar para ele.

Sofya saiu da poltrona e foi para o corredor, me deixando sozinha no quarto com Joalin.

— O que aconteceu ontem que ele pareceu se importar com você? — quis saber, saindo da outra poltrona e vindo até a minha cama. Ela sentou-se na minha frente e me analisou com curiosidade e preocupação.

— Doeu tanto, Joalin. — contei simplesmente, fazendo uma careta e mordendo meu lábio inferior. — Por que dói tanto?

— S/n...

— O que eu estou fazendo? — a interrompi. — Por que isso está me deixando tão confusa? Por que... — uma lágrima escorreu pela minha bochecha, e a primeira, motivou as outras que vieram em seguida, sem remediar. — E se aconteceu alguma coisa com ele por minha culpa?

— Ele está bem, S/a! Acredite. — falou, tentando soar confiante. Joalin estendeu o braço para pegar na minha mão e apertou-a bem forte. — Me desculpe. Eu apenas não quero ver você dessa maneira... Não quero te ver magoada por estar se metendo casa vez mais nesse triângulo amoroso.

— Foi tudo sem querer... — suspirei, pelos soluços fortes que estavam saindo.

— Eu sei que foi, S/a. — ela se arrastou no colchão para me abraçar. — Eu sei que foi.

— Eu não posso gostar dele. Ele vai me magoar, Joalin — sussurrei. Ela se afastou de mim e encarou meu rosto. — Ele vai despedaçar meu coração. Mas eu ainda gosto dele. Eu gosto do Josh.

— Gente... — Sofya anunciou sua volta ao quarto. — O senhor Beauchamp traiu a minha tia!

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