Capítulo 12
O dia de hoje até que não estava tão ruim.
A aula de filosofia foi a única coisa que salvou o dia. Tivemos um ótimo diálogo sobre um filme que a professora havia passado, assim, querendo saber a opinião de todos. Eu fiquei feliz em poder falar tudo o que eu pensava sobre o filme, mas nem todos concordaram com o meu ponto de vista.
Estava saindo da escola, preparada para encontrar o Josh e irmos para a sua casa. Como não tivemos uma aula ontem, hoje eu teria que rezar para que ele tivesse com vontade de prestar atenção. Não vai demorar muito para que a sua prova venha, e ainda estamos em um assunto que eu já deveria ter terminado há alguns dias.
Antes que eu procurasse o carro do Josh pelo estacionamento, outra pessoa, em cima do capô de um carro cinza me chamou atenção. Alex acenou alto, para que eu pudesse vê-lo. Ele estava lá para falar comigo, ele não conhece outra pessoa nessa escola, a não ser eu e o Josh. Sem ter certeza se o assunto era mesmo comigo, comecei a desviar o meu caminho para aonde ele estava.
— Oi — cumprimentou sorridente. – Como você está?
— Muito bem — respondi, segurando as alças da bolsa que estavam nos meus ombros. — e você?
— Bem nervoso – ele esfregou as mãos e desceu do capô. – Posso te dar uma carona?
– Por que? perguntei, franzindo a testa.
— Eu queria falar uma coisa para você. Então eu poderia fazer duas coisas ao mesmo tempo: te levar para casa e conversar. – explicou.
– A carona não vai ser possível hoje. — avisei e ele concordou. — Mas eu ainda gostaria de saber o que tem para me falar.
Ele deu um sorriso nervoso e esfregou as mãos novamente. Eu não estava entendendo porque ele estava tão nervoso daquele jeito, que nem conseguia disfarçar. Ele ficou me olhando por um tempo, e eu estava em silêncio, esperando o que ele tinha para me dizer.
Certa parte do meu pensamento estava rezando para que o Josh não estivesse vendo o que eu estava falando com o Alex. Conhecendo sua curiosidade, tenho certeza de que ele faria perguntas.
– Eu queria te chamar para sair. – disse, me deixando bem surpresa.
Eu deveria aceitar?
Bem, eu não o conheço. Não posso dizer que seria bom ou ruim. Não posso dar uma redação específica sobre como seria aquele encontro. Até mesmo porque, eu não converso muito com ele quando estou com o grupo todo.
– Sei que você deve estar estranhando ele continuou. — Eu fiquei com receio de você não aceitar. Bailey me ajudou com alguns conselhos, Joalin também. Percebi que vocês estavam bem amigos e achei que seria legal pedir alguns conselhos. — eu continuei em silêncio, tentando digerir tudo e perceber que eu realmente não estava em um sonho. Então ele completou depressa: – Mas se não quiser aceitar, não se preocupe.
– Eu posso pensar? Mando uma mensagem para você o mais rápido possível. – avisei. Dessa vez, quem estava com um receio era eu.
– Claro. Claro. – ele repetiu, sorridente por não ter levado um não logo de cara. – Vou esperar sua mensagem então.
– Tudo bem. — falei, juntando minhas mãos atrás. Ele deu um último sorriso e caminhou para entrar no seu carro. Assim, acenei e segui para o estacionamento a procura do Josh.
Ele estava no seu carro, sentando no capô assim como o Alex estava. Ele usava seu óculos se sol, e por isso não dava para saber se ele estava me encarando. Mas quando eu me aproximei mais, pude ter certeza de que o seu olhar estava em mim o tempo todo, pois uma energia percorreu pelo meu corpo quando ele simplesmente saiu de cima do capô e entrou no carro, sem dizer uma palavra.
Quando eu entrei e coloquei meu cinto, ele deu partida. As únicas coisas que não deixavam o ambiente completamente silencioso era o barulho dos outros carros da pista. Ou quando tínhamos que parar no sinal, o som alto do outro carro ecoava por lá. Inclusive, quando paramos em um sinal, eu olhei para o lado e o cara que estava no outro carro piscou para mim.
– Ninguém está na minha casa. Hoje é folga dos empregados e meus pais estão trabalhando. – Josh finalmente falou. Eu juntei as mãos e de repente um nervosismo nasceu em mim. Talvez seja porque eu estaria em uma casa sozinha com Joshua Kyle Beauchamp.
– Alguém do colégio mora perto da sua casa? – perguntei, sem desviar o olhar das minhas mãos. A minha preocupação era as fofocas que poderiam acontecer nos dias que viriam. Eu não queria que meu nome ficasse na boca das pessoas de lá
– Não. – ele respondeu de maneira seca, eu acho que sabendo o porquê da minha pergunta. Às vezes, eu fico em dúvida se ele consegue mesmo saber o que eu estou pensando apenas pelo jeito de falar, ou se ele apenas da de ombros e responde minhas perguntas.
Quando ele estacionou o carro na garagem da sua casa, eu passei os olhos ao redor de lá. Haviam mais duas vagas marcadas com carros vazios, aposto que seriam dos seus pais que estariam trabalhando. E mais no final, havia um carro vermelho, que eu particularmente achei mais bonito do que o preto que o Josh vivia dirigindo.
Percebi que já estava sozinha na garagem, e apressei os passos para entrar na sua casa, que estava vazia e silenciosa. Às vezes, o silêncio me deixava mais incomodada do que o Josh me irritando. Eu acho que hoje, preferia que ele ficasse falando até não poder mais, do que ficar sem dizer nada parecendo que algo o incomoda. E eu, sem saber o que é que está o incomodando. Talvez, seja porque eu não quis dar aula para ele ontem.
– Daqui duas semanas estará livre de mim. – ele entrou no seu quarto, e eu demorei para entrar também, pelo seu comentário. Ouvi ele dar um sorriso abafado também. Logo, jogou sua bolsa em um canto do quarto e tirou seus tênis. – Não deve demorar.
– É, não deve. – falei baixo, caminhando para a sua cama e tirando meus cadernos da bolsa. – Eu fiz um tópico do que vamos precisar estudar nessas duas semanas. Se você quiser, pode escolher um. — arrastei um pouco o papel com a prancheta no colchão e levantei a cabeça para olhar o Josh, que estava em pé do outro lado da cama. – Só para relembrar. Eu ainda terei os meus pedidos de pé quando as aulas acabarem, certo?
Os olhos de Josh encaravam meu rosto com uma certa seriedade. Me mexi um pouco, incomodada com a intensidade que ele tinha no olhar e a maneira que meu coração estava acelerado, sem motivo algum. E novamente, um silêncio.
– Da para você falar alguma coisa? – pedi impaciente, desviando o olhar. Pensei que assim meu coração voltaria aos seus batimentos normalmente... Mas é claro que não, porque ele ainda me encarava.
– O meu próximo pedido vai ser: eu não quero que a gente brigue por coisas bobas, e para isso acontecer, você vai precisar ser sincera comigo. Assim como eu terei que ser com você. — aquela declaração valeu o silêncio.
Levantei o rosto para encara-lo de novo e sai da cama, dando a volta na mesma e parando na sua frente.
– Eu sou sincera com você o tempo inteiro — dei de ombros. — Você sabe disso.
– Tem certas coisas que você não admite, minha cara S/n. — ele sorriu de maneira divertida.
– Como o que por exemplo? – perguntei curiosa. Nem eu mesma fazia ideia do que não poderia ter sido sincera com ele.
– Com o fato de você ter ficado com ciúmes de mim ontem porque eu não fui na sua casa te buscar ele disse. — Apenas para constar, ela estava vindo para escola andando. Eu passei de carro. Ela me parou e perguntou se eu podia dar uma carona á ela.
— Então você já não ia passar na minha casa? – ergui uma sobrancelha e cruzei os braços.
— Ai que está, eu ia! — ele se jogou na cama, apoiando o cotovelo no colchão e a cabeça na mão. — Mas eu sabia que você não ia gostar se eu chegasse na sua casa com uma garota no banco da frente do carro. Vai falar que eu fiz mal?
– Eu sei como você é, Josh. Pode ter certeza, você levando uma garota no seu carro não seria uma surpresa. – ele levantou as duas sobrancelhas, como se estivesse surpreso com as minhas palavras.
– Você é uma mentirosa, S/a! – falou, levando a mão no peito e fazendo uma careta. — Mas então, está de pé o: não vamos brigar por coisas bobas? ele esticou a mão, esperando que eu a apertasse.
– Eu não brigo por coisas bobas. Você faz coisas idiotas e eu só comento. — balancei os ombros e ele sorriu.
– É disso que eu estou falando. Você adora me contrariar.
– Tudo bem, tudo bem. ― me rendi, e apertei sua mão. Antes que eu pudesse soltar a sua, ele me puxou, me fazendo cair no colchão e ouvir a sua risada de diversão. – Seu babaca! – tentei dar uma cotovelada nele, mas ele conseguiu se esquivar.
– O que você estava falando com o Alex? – ele me perguntou de repente. Eu parei de sorrir e encarei o teto branco, com as mãos na barriga. Soltei um longo suspiro e me virei para olhar o Josh, que ainda tinha a cabeça apoiada na sua mão e me encarava com curiosidade.
– Ele me chamou para sair. – eu apenas estava olhando o seu rosto para tentar ter uma noção de como seria a sua reação. Mas eu não consegui decifrar a sua expressão. – Eu disse que iria pensar.
Josh não disse nada, apenas levantou a cabeça em forma de: entendi. O silêncio voltou a se formar no lugar, e mesmo depois de muitos segundos, eu não tinha desviado o olhar do seu rosto ainda, mesmo que ele não estivesse olhando para o meu.
– Posso te fazer uma pergunta? – falei, fazendo-o me encarar. Ele acenou positivamente e eu me preparei para matar a curiosidade. – Sentiu ciúmes agora? Sobre o Alex me chamar para sair.
– Talvez – congelei com a sua resposta. – Vou preparar alguma coisa para comermos. – ele avisou e deu um pulo da cama, saindo do seu quarto.
Ciúmes nós temos quando é de algo que gostamos. Necessariamente, não precisa ser um gostar de mais do que amigos. Aliás, eu e o Josh até que poderíamos considerar estar criando uma amizade, que ela acabaria junto com os estudos. Mas isso vai durar até o momento de bipolaridade dele aparecer, e ai, vamos voltar a ser a mesma coisa que eramos. Porque é assim que as coisas funcionam com Josh.
Ainda na cama, peguei a minha bolsa e procurei meu celular, que estava em um dos bolsos da frente. Liguei a tela e procurei o contato do Alex.
Sim, eu aceito sair com você.
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