Capítulo 11
No dia seguinte, fiquei preocupada mais uma vez sobre o Josh não passar na minha casa para vir me buscar. Mas da última vez ele passou, mesmo eu já tendo saído achando a mesma coisa, ele não seria louco de não cumprir um dos meus pedidos.
Joalin me mandava fotos de suas expressões de tédio no trabalho. Ela estava, no momento, trabalhando em uma loja de roupas que até então era muito chique. Combinamos de nos encontrar hoje a tarde, e ela com certeza me contaria da sua experiência de trabalho.
A minha perna já estava se balançando em sinal de nervosismo. 10 minutos haviam se passado e o Josh ainda não tinha vindo. Eu até iria apé, mas chegaria atrasada novamente em apenas um mês, e, aquela escola é muito rígida pra aceitar alguma coisa do tipo pela segunda vez no mesmo mês.
Caminhei até o quarto de Noah e bati na porta de madeira branca. Após várias batidas ele finalmente abriu a porta e me encarou com a sua cara de sono e os cabelos totalmente bagunçados. Bem a vontade, sem camisa.
– Pode me levar para o colégio? – perguntei juntando as mãos e sorrindo de maneira fofa.
– O Josh... - ele parou para bocejar, e eu fiz uma careta pelo seu mau hálito. – Não estava vindo de buscar para irem juntos?
– É, parece que hoje ele se esqueceu que é o meu uber. – comentei baixo. Noah analisou meu rosto por alguns segundos e revirou os olhos.
– Me dê 5 minutos. — sorri. Antes que ele pudesse fechar a porta, fiz sinal com a mão para que ele parasse.
– Escova os dentes direito. A coisa tá feia ai. – dei uma gargalhada e ele fechou a porta na minha cara. – Besta.
– Não saiu pra ir à escola ainda, filha? Cadê o Josh? – minha mãe apareceu no corredor de repente, com a sua roupa social pronta para ir trabalhar. Mas ela estava diferente. Seus cabelos loiros caiam pelos ombros e belos cachos bem feitos com o babyliss. E, a maquiagem que ela não costumava se interessar muito passar, deixou seu olhar mais profundo e realçou seus olhos azuis. Ainda mais pelo batom vermelho.
– Parece que ele não vai vir hoje. – disse lentamente com a testa franzida. Ela percebeu a minha expressão e olhou para a sua roupa, preocupada.
– O quê? Tem algo errado? Minha maquiagem está exagerada? — suas perguntas são feitas rapidamente, e foi ai que eu percebi que tinha mais alguém em toda essa história.
Eu com certeza não acharia que ela estava se arrumando assim para impressionar alguém se não fosse pelo nervosismo nas suas perguntas. Eu ficava da mesma maneira quando na sétima série, era apaixonada por um garoto da minha sala. E claro, queria estar tão bonita quando todas as garotas de lá para impressiona-lo.
– Quem é o sortudo? – pergunto diretamente. Ela ficou em silêncio, com certeza tentando formular uma resposta na sua cabeça. – Você é a minha mãe, vou saber se você mentir.
– Tudo bem. Não quero afirmar nada, mas acho que tem um empresário da empresa que gostou do mim. – ela tentava manter a empolgação da sua voz, e eu sabia o quanto ela queria dizer aquilo pulando que nem uma adolescente quando é notada pelo garoto que gosta.
Sorri em animação.
Não tinha nada para dizer, e nem por isso queria que ela achasse que eu acho errado ela se envolver com alguém. Até porque, ela merece mais do que tudo ser feliz. Ficar anos relembrando a morte do meu pai deve ser tão difícil para ela, quanto é para Noah e eu.
– Não gostou da notícia? — seu sorriso de desmanchou aos poucos.
Dei passos na sua direção e a abracei forte, não demorou para que ela retribuísse o gesto.
– Vai lá e arrasa. – sussurrei apenas para ela. Quando nos separamos do abraço, um sorriso mais largo ainda tinha se formado no seu rosto. Antes de descer as escadas, ela me enviou um olhar tímido, mas o Noah abrindo a porta do seu quarto chamou a atenção do meu olhar.
– Vamos! — sua voz era rouca pelo sono e tediosa.
– Mas já? — questionei segurando um riso. – Então tá. Vamos!
——————————————
A aula de biologia estava um saco!
Tudo bem, eu amo essa matéria, mas essa nova professora não está ajudando. E tudo indica que ela será a nossa professora até o fim do ano, que o senhor Payne ficou doente e teve uma licença médica gigante.
Finalmente o sinal bateu.
Eu tenho certeza que não fui a única que agradeceu mentalmente.
Joguei a alça na bolsa sobre os ombros e coloquei meu cabelo para o lado. Joalin disse que havia conseguido sair mais cedo do trabalho, e que passaria aqui no colégio para vir me buscar.
Às vezes eu me sinto muito dependente das pessoas. Digo no sentindo de se eu preciso ir para um lugar longe, Noah quem precisa me levar, já que nem sempre minha mãe está disponível.
Eu não havia visto Josh o dia todo, a não ser no estacionamento. Mas ele não me viu. Então eu continuei meu caminho como se eu não tivesse o visto também. Tudo a base de reciprocidade.
Meus pensamentos travaram no momento em que eu senti um toque quente no meu pulso. Me virei calmamente para olha-lo. Pois, por algum motivo, eu já sabia que era ele.
Talvez foi pela forma de que o meu coração acelerou me deixando mais confusa ainda? Quem sabe.
Ou pelo seu perfume forte e único? Quem sabe também.
– Aonde está indo? – pergunta simplesmente. Analisando meu rosto com cuidado.
– Marquei de encontrar com a Joalin. Algum problema? – arqueio uma sobrancelha e espero pela sua resposta. Eu, normalmente não daria tão rápido satisfações para onde eu iria, até porque nem amigos somos.
– E as minhas aulas? – questiona, me fazendo sorrir exageradamente e jogar a cabeça para trás, levando a outra mão que ele não segurava para a barriga.
– Você não cumpre um pedido meu, e eu não cumpro um pedido seu. – o olho intensamente.
Eu poderia até considerar que ele estaria magoado por certas coisas que eu tenho dito para ele nessas últimas semanas. Mas, depois que cheguei na escola pela carona do Noah e vi uma garota morena, com roupas exageradas, saindo do seu carro, uma leve raiva me consumiu.
Ele queria jogar assim? Pois bem. Gosto de jogos.
– Se bem me lembro, você deixou de cumprir um pedido meu para dar carona á uma garota que nem faço o favor de saber quem é solto meu pulso da sua mão, já que ele o segurava levemente. – Então, não vou cumprir um pedido seu, já que tenho uma coisa importante para fazer.
– Eu não fiz aquilo de propósito – falou, revirando os olhos. – Você sabe que eu preciso das aulas, S/a.
– Pede para a garota que estava com você no carro. Ela pode até lhe das uns beijos de brinde – falei sorrindo, como se aquilo merecesse mesmo meu sorriso.
Comecei a andar pelo corredor para a saída da escola. Por cima do ombro, olhei para Josh e o vi no mesmo lugar, com o olhar fixado em mim. Dei uma piscadinha, que o fez sorrir e balançar a cabeça. Me virei para frente novamente e empurrei a porta de vidro.
———————————————
– Como está sendo a sua experiência lá? – pergunto animada, levando uma batata até a boca.
– Uma droga! – Joalin colocou a mão na testa e ficou de forma desajeitada no banco. – Você acredita que um vestido de lá, é a metade do meu salário? E fora que eu tenho que usar esse uniforme de gente com o nariz empinado.
– Pensei que gostasse de lá. Se não gosta, porque não se demite? – perguntei.
– Mas eu gosto de lá, só acho esse uniforme e o preço das roupas desnecessários. — ela confessou de forma engraçada, me deixando confusa. – Espero me acostumar. E você acredita que uma idosa foi lá e gastou dez mil reais? – arregalei os olhos e Joalin balançou a cabeça indignada.
– Sem comentários. – murmurei e bebi a coca cola. Eu já estava bem satisfeita, parece que ter pedido um segundo lanche foi um erro, mas eu o queria, mesmo sabendo que depois eu correria o risco de passar mal.
– Falando em comentários, fiquei sabendo que você e o Josh discutiram. — ela ajeita a postura rapidamente, me encarando pronta para saber a minha declaração. – E fiquei sabendo também que alguém não está sabendo controlar as palavras. – cantarolou
– Eu apenas questionei por ele estar saindo com uma garota que era quase namorada de um amigo dele. – contei simplesmente.
– Você não precisa se meter nisso,
S/n. Isso é coisa dos três e já causou desavenças entre você e o Josh. — ela avisa honestamente. – Além do mais, vocês dois tem o temperamento forte, não quero nem pensar no que você falou pra ele
– Eu? – questionei incrédula por ela jogar a culpa em cima de mim.
– Vai me dizer que ele disse algo que te magoou? – ela ergue uma sobrancelha e esperava pela minha resposta, mas nada saiu da minha boca. – Pois bem. Quando o Josh não se importa com alguém, as palavras saem de maneira tão fácil que você até estranha.
– Ele faz coisas idiotas!
– E você diz coisas idiotas. Ele faz o que faz, achando que de alguma maneira vai distrai-lo. – isso até que fazia sentindo, se eu parasse para pensar. Mas esse é o problema, eu não penso quando falo. – Josh não está acostumado com alguém na vida dele que causa sentimento de mágoa.
– Ele tem as garotas dele que podem distrai-lo. Tem até a mesmo a Giulia. – disse firmemente, e antes que ela pudesse voltar a falar e a interrompi. – Você acredita que ele deixou de ir me buscar para irmos ao colégio, para dar carona á outra garota? – disse, com a mesma raiva que estava sentindo quando vi aquela cena idiota. Joalin me olhava de uma forma como se estivesse tentando me analisar.
– Você...? Não. – ela sorri de forma divertida e da algumas batidas com a mão na mesa. – Você está com ciúmes do Josh – aquilo não soou como uma pergunta, e sim como uma afirmado.
– Não. O quê? — questionei com uma careta e a testa franzida. – Não fala uma coisa dessas, Joalin. Eu apenas fiquei brava por ele não ter cumprido um pedido meu e depois vir me cobrar sobre se íamos estudar.
– Você acha que me engana, garota? – ela sorriu. – Toda vez que vocês discutem ele fica pra baixo, com uma cara de quem comeu e não gostou. E ainda, praticamente dispensa a Giulia. Coincidência? Acho que não.
– O nosso acordo de estudos não passará disso, Joalin. – disse firmemente, sustentando seu olhar.
– Claro. E deixa eu perguntar, por acaso ele tenta se redimir com você quando discutem? – ela pergunta. Eu sorrio de forma vitoriosa e balanço a cabeça negativamente.
– Se ele não fizer algo até o fim de semana, eu retiro toda as palavras que eu disse. Todas mesmo.
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top