Capítulo 10
Eu vestia um vestido de flores amarelo e a minha jaqueta azul. Combinei com o Bailey de irmos esse fim de semana em um parque que eu conhecia, já que nós dois estaríamos no tédio. Ele avisou que passaria aqui pra me buscar, e assim que ouvi a buzina, sorri em frente ao espelho e sai de casa animada.
Me deparei com uma caminhonete bonita. O vidro estava aberto e pude ver Bailey com o braço encostado na janela, que deu um sorriso largo ao me ver.
– Dessa vez não vamos precisar ir andando. – diz quando eu já estou próxima o suficiente para ouvir o som da sua voz.
– Mesmo se precisássemos ir andando, não me importaria. – conto com uma seriedade e suavidade ao mesmo tempo. Ele sorriu e assim entrei.
– Meu pai me emprestou. – diz enquanto já dirigia, se referindo a caminhonete. — Disse que não usaria, então eu pedi emprestada.
– Hoje não está tão frio. O sol até que está esquentando um pouco então não seria ruim ir andando. – dou de ombros, tirando meus cabelos que voavam para o meu rosto pela janela aberta.
– Quando alguma coisa estiver te incomodando, seja por um vidro aberto fazendo seus cabelos voarem como agora, não hesite em me contar. – ele pede. Viro meu rosto para encarar o seu e ele estava parecendo um pouco envergonhado. — Nunca tive uma amiga assim, que não fosse a Joalin, então não tenho experiência em saber quando algo está ruim.
– Não se preocupe. Acho que quando se tem uma amizade com uma pessoa legal, não tem nada que possa incomodar o tempo inteiro. – tento acalma-lo.
– Mas eu tenho experiência para perceber quando alguém está incomodado – fala me fazendo ficar confusa por ele ter dito o oposto segundos atrás. —, com outra pessoa. - completa. - O que houve entre você e o Josh? Ontem, quando você não quis ir no café com todo o pessoal, ele estava bem humorado.
– Apenas tivemos uma breve discussão. Ou na verdade... Eu achei um incomodo ficar sabendo dos pensamentos que o Josh tinha sobre mim. – confessei com um nó na garganta. Uma pessoa achar mesmo que eu tinha uma vidinha perfeita não estava bem atualizado da situação.
– E qual era pensamento? –perguntou curioso. – Não quero me intrometer, mas se quiser me falar fique a vontade pra desabafar
— Ele acha que eu sou uma garota mimada e que tem uma vidinha perfeita, como se nada de ruim já tivesse acontecido e eu vivesse no meu mundo cor de rosa. — a cada palavra que eu soltava, meu coração acelerava. – Você acha que parte desse pensamento é verdade?
— S/n, uma coisa que você tem que saber é que o Josh, como eu, nunca teve amigas para saber lidar. – começa explicando com tranquilidade. – Então, provavelmente ele não está acostumado com tudo isso e também pode achar que o pensamento dele não vai afetar você.
– Mas então mesmo você não tendo tido amigas, não tem o mesmo pensamento sobre mim, e se tem sabe lidar muito bem em ficar em silêncio. – ele concordou, e por alguns segundos ficou em silêncio.
– A diferença é que o Josh não quer se apegar á uma garota. E pode até ser, que ele pensa que pode acontecer isso se vocês ficarem próximos demais. Tanto em amizade, quanto além disso. – poucas palavras que poderiam fazer um ótimo sentindo. Aliás, fizeram um ótimo sentindo na minha cabeça, porém, me deixando com novas perguntas.
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– Eu adorei essa. – disse enquanto olhava algumas fotos na câmera do Bailey, que eu apenas conseguia enxergar com firmeza quase colada no meu rosto. Olhei para o garoto a minha frente, que levou a sua xícara com cappuccino até a boca. – Seja lá o que você quer seguir com a vida, apenas quero dizer que, como fotógrafo você se daria muito bem.
– É apenas um hobby, S/a. – ele diz calmamente, colocando a xícara na mesa novamente. – Está esfriando. – desconversa, olhando através do vidro ao lado da mesa.
– Quer ir embora? – perguntei. Ele voltou a me olhar e fez uma careta, balançando a cabeça negativamente. Sorri e concordei apenas com um aceno.
Seu olhar rapidamente se desviou para trás de mim, e eu virei curiosa para saber o que ele tanto encarava. Josh estava dentro da cafeteria com a Giulia. O que era uma surpresa eles estarem lá, já que aquela era uma cafeteria um pouco mais distante do que á que costumávamos ir.
Mas por certo momento, minha preocupação foi sobre o Bailey ver os dois juntos. Como deve ser ver alguém que você gosta ficando com outra pessoa, e você não poder fazer nada?
Giulia desviou o olhar pela loja, e seus olhos pararam fixamente em nós dois. Josh não demorou muito para seguir o olhar de Giulia, assim como eu havia feito com o Bailey.
– Pensando bem – Bailey diz, fazendo com que meu olhar volte para ele. – acho que ir embora não é uma opção tão ruim.
– Tudo bem. — dei um sorriso de lado e tivemos uma breve discussão sobre quem iria pagar, até que consegui convence-lo de me deixar pagar apenas dessa vez.
Nos levantamos e pretendíamos seguir para fora da loja sem falar com os dois. Afinal, eu não queria falar com o Josh e o Bailey não queria falar com a Giulia. Nada melhor do que ignorar.
Respirei fundo e agradeci mentalmente por termos conseguido sair da cafeteria sem precisar falar com eles. James, acho que relaxou tanto quanto eu.
– S/n – parei de sorrir quando segundos antes havia tropeçado sem querer, ao ouvir a voz do Josh. Olhei para o Bailey com os olhos um pouco arregalados e ele apenas acenou com a cabeça, querendo dizer que eu deveria ficar e falar com ele. – Podemos conversar?
Bailey o cumprimentou gentilmente com um sorriso e murmurou que me esperaria no carro. Respirei fundo antes de virar e encarar o Josh, que tinha as mãos escondidas no bolso da sua jaqueta de couro e a sua expressão indescritível de sempre.
– O que faz aqui? – pergunta simplesmente.
– Acho que fazendo companhia para um amigo.
– Passei na sua casa no começo da tarde, sua mãe disse que você não estava. — contou calmamente, analisando meu rosto.
– E o que você queria? – minha curiosidade despertou.
– Nada demais. Apenas acho que estudar no clima pesado está um pouco estranho. – sua confissão me fez franzir a testa e prestar mais atenção na conversa. — Isso já está acontecendo há 1 semana.
– Não foi eu quem ficou com raiva e saiu descontando em quem viu pela frente. – murmurei.
– É disso que eu estou falando. Eu estou tentando resolver as coisas entre nós, e você sempre tem que estragar tudo como se a culpa fosse minha. – retruca. Minha consciência estava ficando pesada, de pensar que por ele ter me dito isso mais de uma vez, poderia mesmo ser verdade.
– É melhor você voltar, tem alguém te esperando. – olhei por cima do seu ombro e avistei Giulia de braços cruzados, esperando a boa vontade do Josh pra voltar. Seus cabelos balançam por conta do vento e seu olhar sobre mim é pesado.
– S/n...
– Nossos estudos são apenas estudos. Não estamos nisso para nos darmos bem e muito menos sermos amigos. – disse honestamente. Ou não... Talvez essas palavras não fossem tão honestas assim.
– Tudo bem. — disse firmemente antes de dar as costas e caminhar até a Giulia, determinado. Olhei para o Bailey, que me esperava em frente a caminhonete de braços cruzados, ele com certeza havia observado tudo e captado as expressões.
Precisaria de belos conselhos.
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