Capítulo 04
🥀𝙽𝚎𝚖 𝚝𝚞𝚍𝚘 𝚝𝚎𝚛𝚖𝚒𝚗𝚊 𝚌𝚘𝚖𝚘 𝚚𝚞𝚎𝚛𝚎𝚖𝚘𝚜.
— eu irei, não se preocupe.
Os dois concordaram, olhei ao redor e tudo estava normal, sem ninguém me olhando torto oh algo do tipo, não entendi aquela visão, nem se quer o clima que estava pesado, ainda mais aquela pontada em minha cabeça. Quando eu e os gêmeos terminamos de almoçar seguimos para fora da escola, Dongju trocou de número comigo e sorriu entrou no carro do pai deles.
— te vejo amanhã?
— sim, até amanhã!
Acenei sorrindo, minha primeira liberdade de expressão e segui um caminho aleatório pô não saber onde ficava a polícia da cidade. Meus pés apenas seguiam um fluxo, até que encontrei o táxi que me levou a escola. Não sei nem quanto tempo eu já ia andando.
— senhor. Licença. Poderia me dizer em que direção fica a delegacia de polícia?
— oh meu jovem, você agora quer se entregar é?
— quem sabe.
Acabamos rindo, ele apontou o indicador para o lado oeste da cidade.
— fica a duas quadras daqui, na terceira esquerda você vai ver o pavilhão bonito da polícia.
— muito obrigado.
Me curvei agradecendo e segui a caminhar, já me arrependendo internamente por isso, pus meu capuz e segui a passos rápidos, estava muito frio aquela tarde. Quantas horas de caminhada eu tive, com certeza já nem me lembrava mais, ao chegar em frente ao local, me senti uma onda de fúria e uma louça vontade de dar uns tapas no meu pai. Mas me segurei firme e entrei.
— crianças não são bem vindas aqui. O que quer?
— falar com o meu pai. Lee Junseo.
Ele me olhou e acabou gargalhando, mais um que não acreditava em minhas palavras e achou que meu pai não tinha filhos.
— Junseo? Ele não tem filho seu moleque metido.
— eu posso falar com ele senhor? Ou vai ficar difícil?
— olha aqui, tu me respeita seu nojento. Vaza daqui aberração.
Ouvir aquilo me deixou sem chão, nem tinha percebido que meu capuz estava caído e meu rosto mostrava bem minha fisionomia, meus olhos começaram a encherem de água por ter ouvido tais cruéis palavras. Quando ia me virar para sair a voz de meu pai ecoou.
— Seoho! Filho o que faz aqui?
O homem da recepção deve ter ficado completamente sem postura quando ouviu o homem mais velho ditar aquelas palavras.
— por que está chorando? Seoho?
— está tudo bem Junseo.
Minto, limpo minhas lágrimas e acabei escondendo meu rosto sobre o peito dele, o mesmo sabia que eu não estava bem, senti a cabeça dele virar para o lado, e mesmo que eu estivesse ocupado ouvindo o seu coração acelerado ele havia quase matado o cara com suas palavras.
— vem, vamos para dentro. Tenho que conversar com você.
Segui ele, claro que eu também tinha que matar senhor Park Junseo. Porém, eu queria ouvir as mil e uma desculpas dele. Vendo ele se sentar na cadeira e soltar seu suspiro e voltar a me olhar parecia que ia descarregar tudo em uma hora só.
— junseo. Calma que eu não sou aprova de balas. Vai devagar com as palavras.
— ah, sim. Desculpa. Primeiro eu errei com você essa manhã. Espero que tenha tomado café.
— não, eu não tomei. Por que um certo alguém me deixou sem endereço da escola, sem telefone de táxi. Revirei a casa para pegar um e ainda por cima me chamou de ladrão. Fui humilhado na escola, pelo lado bom eu fiz dois amigos. Tive que vim até aqui atrás de você para pegar dinheiro por que nem isso você me deixou. E ainda por cima sofri bullying na sua recepção. É senhor Junseo. Eu tive um dia de merda para ser bem carinhoso.
Eu tinha sido bem mal educado, mas eu estava com tanta raiva, e machucado com as palavras do policial que acabei agindo dessa forma. Fora uma bomba de sentimentos que não foi nenhum pouco fácil de reagir. Minha cabeça girava e eu só queria saber de chegar em casa ouvir música e chorar. Ele pegou a minha mão.
— filho eu sinto muito, de verdade. Eu acabei saindo as pressas quando me chamaram. Mas aqui está.
Me entregou o dinheiro, olhei para o tanto que tinha e suspirei, voltando a olhar ele.
— eu quero achar um emprego. Assim não vai mais precisar me dar seu dinheiro. E achar que eu sou um peso na sua vida.
— o que? Não repita mais isso Seoho. Se quiser achar um emprego não tem problema mas não quero que repita mais essas palavras entendeu.
— uhum, entendi. Então já aproveita e diga para seu policial de bosta lá na entrada que seu filho não é uma aberração.
— ele te chamou disso? Ah ele vai ver comigo.
Suspirei, até que era divertido ver ele bravo, logo me lembro do assunto que ele disse ter saído correndo.
— Junseo, o que está acontecendo? Meus amigos andaram ouvindo boatos de ataque a um homem.
— ah, eles ouviram na notícia. Teve um dos nossos pescadores que foi encontrado morto em seu barco no cais. Pelo visto foi um ataque de urso.
— urso? Eles a essa do ano estão hibernando, então não tem urso no inverno.
— e o que acha que pode ter causado esse ataque?
— acho que foi um lobo, e concertesa um bem selvagem.
— hum, vou pensar nessa hipótese. Pode ser que seja mesmo um ataque de urso.
Sorri em ouvir aquilo, estava me sentindo até mais alegre depois de tudo que passei essa manhã, suspirei e logo me levantei da cadeira.
— eu vou indo, quero fazer o nosso jantar.
— está bem eu estarei em casa às sete horas.
— está bem até mais.
— eu te acompanho até a saída.
Ele pegou meu ombro me abraçando e seguimos até a recepção onde estava o filho de uma mãe maravilhosa que me chamou de aberração, tudo bem que não é normal uma criança nascer ruiva a ponto dos cabelos serem laranjas, mas eu não sou diferente dele. Nem tanto somos todos seres humanos e possuímos o mesmo mecanismo que nos movimenta nessa vida terrestre. Meu pai segurou meu ombro me forçando a parar. Olhei para ele meio confuso por seu ato mas meus olhos se abriram assustados ao ver ele apontar a arma diretamente para o homem.
— então você chamou meu filho de aberraçã!
— o que? Não senhor!
— está dizendo agora que meu filho é mentiroso?
— não senhor. Eu não sabia que ele era seu filho senhor.
— ah, não sabia. Aí pra isso você chama ele de aberração? Você quer ver o que é aberração? É quando eu atirar nas suas bolas e tu andar com um saco faltando uma.
Juro, eu tentei não rir, mas aquela ameaça em fúria do meu pai acabou me fazendo gargalhar do homem.
— a partir de agora, ouviu bem. Apartir de agora mesmo você vai chamar ele de senhor Seoho. Meu filho possui o sobrenome Lee então ele é meu filho. Entendeu bem.
— sim senhor!
— e se chamar meu filho de aberração novamente eu juro que dessa sala você não sai mais vivo.
— perdão senhor. Perdão jovem Seoho. Prometo não fazer mais isso.
Eu concordei, até foi divertido ver ele desesperado daquela forma, me despedi deles ali e segui a caminhar, estava pensando na minha grande mente brilhante o que eu poderia fazer de jantar, até que resolvo fazer um dos meus pratos prediletos, segui a um armazém que tinha perto da estrada que ligava para a casa de meu pai. Entrei nele ouvindo o barulho de um sino.
— olá meu jovem. Boa tarde.
— boa tarde.
Caminhei procurando tudo que eu precisava, e assim que cheguei até no balcão a mulher me olhava de cima a baixo.
— eu não sabia que o filho do xerife Lee era tão lindo. Você é muito lindo.
— obrigada.
Acabei ficando corado, eu nem sabia como reagir a comentários tão bons assim.
— a senhora sabe quem precisa de alguém para trabalhar?
— olha meu jovem, tem o bistrô do senhor Kim, ele estava a procura de alguém para atender o pessoal. E como você é um jovem bonito quem sabe ele goste de você. Aqui.
Me entregou um papel com o a letra da mesma que era bem bonita.
— vai na loja dele e fale diretamente com ele.
— muito obrigada! A senhora é muito boa.
— oh meu pequeno. Lhe desejo sorte.
Eu acenei, paguei ela sobre as compras e segui caminhando pela estrada, estava frio, mas pelo visto não ia sentir tanto com a caminhada que eu ia fazer. E a vista que eu tinha da grande floresta era linda, nunca pensei que fosse ser tão bonito assim, mas ao mesmo tempo tão tenso. Porém meus olhos curiosos pararam em frente a uma pequena estrada já coberta de mato que ligava a uma casa de dois andares que estava no fundo da mata. Dava para ver somente seus detalhes, mas tinha algo muito mais além disso. Algo que me prendia olhando fixo para aquele ambiente, algo que estava a me chamar para dentro daquela casa. Eu não via nada, somente aquela sensação de caminhar até lá, porém, meu telefone quebrou esse clima estranho quando começou a tocar, levei a mão no bolso e vi o nome a brilhar na tela.
— Dongju, já sentiu saudades é.
— vai cagar Seoho. Onde estás?
— estou quase chegando em casa.
Menti, eu não ia dizer que tinha visto aquela casa estranha. Ainda que eu estava louco para ir vela, não tenho espírito de investigador, mas a curiosidade era bem forte em mim.
— está bem, queria perguntar a você, se não quer uma carona para amanhã. Meu pai disse que levava você.
— eu acho que não vai precisar. Mas eu fico grato.
— está bem. Qualquer coisa ligue para mim ouviu. Até se sentir sozinho.
— obrigada Dongju, eu ligarei sim.
Desliguei a chamada junto dele e assim percebi que já estava em frente a casa do meu pai, entrei na mesma seguindo para a cozinha e larguei as compras sobre o balcão. Conferi o horário para começar o jantar e vendo que ainda estava cedo girei meu corpo para subir as escadas e entrar em meu quarto para tomar banho.
Assim que tomei o banho, voltei a cozinha para comer alguma fruta enquanto ainda esperava o horário de começar o jantar, aproveitei e também fiz meus temas da escola e arrumei tudo para a aula seguinte, o que era bom, nunca tinha ficado numa escola que não teve um bullying no primeiro dia, não vou dizer que estou amando viver aqui com o meu pai. Mas acho que está sendo bom pra mim, mas não vou cantar antes da vitorio, vai que o dia seguinte seja pior que hoje.
Depois que fiz meu jantar, estava na hora de ele chegar, fiquei sentado na mesa esperando ele. O que me deixou desanimado um pouco era que o tempo estava passando, e passando. Uma, duas, quatro horas. Já estavam sendo onze da noite, eu estava realmente no chão, achei que ele não iria fazer isso comigo. Mas me deixou ali plantado com a comida dele servida, jantei sozinho, me entristeci a ponto que aquilo me doeu, chorando lavei a louça toda e sequei, guardei o prato dele no micro-ondas e escrevi em um papel colorido onde estava a comida dele. Limpei meu nariz e segui para o meu quarto. Me atirei na cama e pude despencar em lágrimas abraçado a mim mesmo. Nunca me senti tão magoado como estava naquela noite, que ele além de mentir me trocou novamente como fez dezessete anos da minha vida. Mas tudo acabou sendo entregue ao esquecimento quando acabei dormindo em meio aos prantos.
Junseo.
Quando me fraguei que as horas tinham passado me veio na mente o jantar com o meu filho, nessa hora sai correndo da delegacia, não respeitei nem os sinais vermelhos para voltar pra casa. Quando chego vi que estava tudo escuro, mas era óbvio que estaria já eram quase uma da manhã. Queria me matar por isso. Abri a porta de casa aquele cheirinho suave de comida, olhei a luz da cozinha acesa e no micro-ondas o bilhete de que ele havia deixado para mim que a comida estava servida.
Suspirei profundo, havia errado como pai com ele, esquecer que tenho filho já estava virando uma tolice para mim, subi as escadas enquanto esquentava meu jantar, me aproximei de seu quarto e levemente abriu a porta, vendo ele dormindo encolhido abaixo das cobertas e seus cílios molhados devia ter chorado até adormecer. Senti raiva de mim, desci as escadas e soquei minha cabeça. Eu tinha prometido que iria mudar. E olha o que eu estava fazendo. O mesmo erro que cometi durante a vida inteira dele, em vez de mudar continuava sendo um homem estupido. E novamente falhando com ele sabendo que no fim ele não ia mais ligar para as minhas palavras. Eu preciso mudar isso antes que eu perca realmente meu filho de meus braços.
Terminei meu jantar e segui para meu quarto, tomei meu banho e vesti minhas roupas de dormir, amanhã eu iria mostrar a ele que eu não ia mais cometer esse erro, iria fazer um belo café da manhã para ele me perdoar. Me deitei na cama determinado a mudar isso no dia seguinte.
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