𝘊𝘈𝘗Í𝘛𝘜𝘓𝘖 4

Quando seu Omar disse que ia fazer com que eu não conseguisse trabalhar em nenhuma empresa, ele não estava brincando. Eu já estava há mais de 1 semana entregando currículo em empresas e em nenhuma delas fui chamado.

Sabia que tinha dedo dele, eu era bom no que fazia, e não estava sendo esnobe e nem me achando demais, porque estudei muito para chegar onde cheguei. Então tudo o que eu tinha construído foi por mérito de todos os meus esforços. Mas nenhuma das empresas viram aquilo, todas as que passei estavam com as portas fechadas para mim.

Estava perdendo as esperanças e o medo tomando conta de mim.

Tereza ia descobrir sobre mim e me tomaria Aurora.

Pensando nisso, tentei mais uma vez contato com Laerte. Ele precisava me ajudar. Mas minha ligação caiu direto na caixa postal.

Então mandei uma mensagem.

Pedi que ele tentasse encontrar alguma coisa que provasse que eu não tinha sequer tocado em 1 centavo de Omar.

Laerte me devia aquela ajuda, era meu melhor amigo, graças a mim que ele estava naquela empresa. Eu o ajudei a entrar lá. Sempre o ajudei quando precisou.

Na faculdade, quando ele estava prestes a pegar uma DP, lá estava eu, praticamente fazendo o trabalho dele.

Fiquei decepcionado e ao mesmo tempo muito impactado por Laerte duvidar de mim, e nem sequer vir me perguntar a verdade. Ele fez justamente o que seu Omar fez. Me julgou e não me deu tempo para me defender.

O pior de tudo é que eu nunca esperava isso de Laerte. Nós éramos amigos desde os 13 anos. Só nos desentendemos uma única vez. Isso porque quando tínhamos uns 18 anos, bebemos demais em uma festa e eu transei com Magnólia, a garota por quem ele era apaixonado. Mas eu não fazia ideia daquilo. Ele nunca sequer tinha me dito.

E Magnólia e eu tivemos uma única noite. Não significou nada para mim. Eu não nutria nenhum sentimento por ela. Para mim foi apenas sexo. Ela era gostosa, não posso negar, mas era isso.

Me senti até um cafajeste por isso, mas ambos éramos solteiros e desimpedidos.

Depois de explicar para ele que eu realmente não sabia de seus sentimentos. Tudo ficou bem e nunca mais tivemos sequer uma discussão.

E pouco tempo depois conheci Samira, por quem me apaixonei imediatamente. Começamos a namorar, com pouco mais de 3 anos noivamos e logo em seguida nos casamos.

Samira foi a mulher da minha vida. Vivemos anos maravilhosos. E nesse momento eu a queria aqui comigo. Tenho certeza de que ela me ajudaria a manter a calma e pensar tranquilamente em uma forma de conseguir um novo emprego. E com ela viva, Tereza jamais pensaria que não éramos capazes de cuidar de nossa filha.

Deitei em minha cama exausto, eu ainda precisava buscar Aurora na casa da minha mãe, mas só ia fazer depois de tomar um banho.

Peguei o porta-retrato na mesinha de cabeceira ao lado da minha cama e alisei a foto que estava ali. Samira e eu quando nos casamos. Nosso casamento foi um dia muito importante na minha vida. Planejamos juntos aquele dia, detalhe por detalhe.

Meu peito ardia de saudades de Samira, meus olhos transbordavam em lágrimas todas as vezes em que eu parava e me lembrava dos nossos momentos juntos. Aurora era minha força para continuar vivendo, talvez se não a tivesse comigo, eu não teria conseguido viver esses 5 meses sem desmoronar.

— Eu não sei se de onde está, você me ouve amor, mas se consegue me ouvir, por favor, me ajude!!! Me ajude a ter forças, me ajude a não perder a nossa filha. Eu não saberia viver sem ela também.

Abracei o porta-retrato e chorei. Chorei por estar esgotado. Chorei pela perda da minha mulher, chorei pela possibilidade de perder a guarda da minha filha. Chorei por ter sido acusado injustamente e agora não ter um emprego para poder sustentar minha filha...

Fiquei por alguns minutos ali naquela mesma posição. Eu tentava ser forte por Aurora, mas tinha momentos em que eu não conseguia aguentar. Ainda mais com tudo o que havia me acontecido nos últimos tempos.

Decidi levantar e tentar mais uma vez procurar vagas de emprego. Dessa vez usei meu computador.

Fiquei cerca de 1 hora pesquisando e enviando meu currículo nos e-mails de empresas de contabilidade.

Logo depois tomei banho e dirigi até a casa da minha mãe. Chegando poucos minutos depois.

— E aí filho, como foi? — perguntou-me assim que abriu a porta para mim.

— Não consegui nada. Já estou entrando em desespero. Não sei mais o que fazer. Já faz uma semana que estou nessa e pelo meu currículo, pelo menos uma empresa me chamaria para entrevista. Mas até agora nada. Antes de vir aqui, resolvi procurar pela internet. Enviei para alguns lugares, mas até o momento em que eu saí, não obtive nenhuma resposta.

— Você só precisa ter calma filho, essas coisas demoram um pouco. Mas tenho certeza que logo você será contratado novamente. Não se preocupe.

— Eu realmente não consigo ter calma mãe, não enquanto tenho que me preocupar com Tereza. Jamais imaginei que ela se transformaria nesse tipo de pessoa. Essa mulher virou meu pior pesadelo. E meu maior medo nesse momento é que ela tire minha filha de mim, pois ela já acha que eu não sou capaz de cuidar de Aurora.

E sabe o que eu acho engraçado? É que Aurora já está com 5 meses, está perfeita e saudável. E todas as vezes que ela vai visitar minha filha, ela só abre a boca para dizer que Aurora parece anêmica, que se ela estivesse sendo cuidada por ela, avó materna, a menina estaria melhor. Porque ela cuidou perfeitamente bem de Samira e acha que Aurora precisa ser cuidada por uma figura feminina. Como se a sua ajuda no tempo em que eu estava no trabalho, não fosse nada.

Tereza conseguia me tirar do sério e eu nem ao menos podia expulsá-la da minha casa.

Estou esgotado, só queria paz para poder cuidar da minha filha tranquilamente.

— Vem aqui — chamou-me.

Fui ao seu encontro e ela me abraçou. Eu nem sabia, mas estava precisando muito daquele abraço. Do abraço reconfortante da minha mãe.

Deus, como eu era grato por tê-la em minha vida. Minha mãe era a melhor pessoa do mundo. Eu podia sempre contar com ela, porque ela sempre estava lá para me amparar.

— Obrigada, mãe! — falei e dei um beijo em sua testa.

Depois de me acalmar um pouco, fiquei conversando com minha mãe, sobre amenidades e sobre Laerte. Minha mãe também havia ficado chocada com a atitude dele. Ela, assim como eu, sabia que Laerte não era assim.
Pouco tempo depois, Aurora acordou da soneca da tarde e eu aproveitei para ir para casa.

Quando chegamos, dei um banho nela, já que estava bastante calor. Logo depois, fiz sua mamadeira com leite e dei-lhe, ela ainda não estava comendo comida. Isso só aconteceria dali 1 mês. E eu já estava me preparando para mais uma aventura daquelas.

Depois de alimentá-la, fiquei brincando com ela. Gostava daquele momento, quando estávamos só nós dois. Eu gostava de aproveitar todo tempo que eu conseguia com ela, porque sabia que aquela fase passaria, Aurora ia crescer e eu iria sentir falta.

À noite, fiz uma janta rápida para eu comer, fiz mais uma mamadeira para Aurora e logo depois coloquei-a para dormir. Aquela noite ela dormiria comigo, em minha cama, então coloquei ela deitada, com alguns travesseiros para que não rolasse e fui jantar.

Terminei alguns minutos depois, lavei as coisas que eu usei e fui para meu quarto. Liguei a TV e deixei baixo o suficiente para não despertar Aurora, mas que eu pudesse ouvir.

Zapeei até encontrar alguma coisa para assistir. Peguei o notebook para verificar se havia algum e-mail, mas nada. Então o desliguei e coloquei no lugar novamente.

Deitei-me e me aproximei um pouco mais de Aurora para sentir seu cheiro. Adormeci minutos depois e só fui despertar na madrugada, quando minha filha acordou com fome e a fralda suja.

Depois de limpá-la e dar seu leite, Aurora voltou a dormir novamente e eu logo em seguida. 

Olá amores!
Como vocês estão? Espero que bem.
Trouxe esse capítulo para vocês, em comemoração ao dia internacional das mulheres, espero que vocês gostem, votem e comentem.
E um feliz dia das mulheres, para vocês!
Beijão, até sexta-feira, amo vocês! 🥰😘

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