𝘊𝘈𝘗Í𝘛𝘜𝘓𝘖 3
Depois de dormir por sei lá quantas horas, acordei e percebi que o dia já tinha ido embora. Levantei e fui até o banheiro lavar o rosto.
Minha cara estava péssima e o espelho em minha frente me fazia lembrar disso.
Ouvi vozes vindo de algum cômodo da casa. E eu ainda estava meio desnorteado por ter acabado de acordar, então não sabia se elas já estavam antes mesmo de acordar ou começaram naquele instante.
Saí do quarto e fui atrás das vozes, encontrando minha mãe e minha sogra conversando. Tereza segurava Aurora em seus braços.
— Ah, oi filho, conseguiu descansar? — perguntou minha mãe assim que me viu parado olhando-as.
— Um pouco... — respondi somente.
— Te liguei várias vezes, e você não me atendeu, então fui até sua casa, mas você não estava lá, assim decidi vir até a casa de sua mãe. Eu queria saber como minha neta estava — disse Tereza.
— Eu saí do hospital e vim direto para cá, ouvi o celular tocando, mas estava dirigindo, não dava para atender — respondi.
— Certo, mas além de querer ver minha neta, também queria dizer que estou disposta a cuidar dela. Cuidei perfeitamente bem da minha filha, posso cuidar da minha neta também. E você poderá vê-la todos os dias.
Tereza só poderia estar brincando. Eu não acreditei quando a ouvi. Ela queria mesmo levar minha filha? Não, ela não ia. Eu era capaz de cuidar dela.
— Isso é sério? Você só pode estar brincando comigo, Tereza.
— Não Ian, não é nenhuma brincadeira.
— Pois você pode tirar essa ideia da sua cabeça, porque eu vou cuidar da minha filha. Eu sou capaz de cuidar dela. E eu não vou ficar longe da minha própria filha.
— Bom, não vou discutir com você agora, volto amanhã para saber como ela está. Aurora foi a única coisa que Samira deixou e para falar a verdade, não acredito que você seja capaz de cuidar da minha neta sozinho.
— Ei, Tereza. Pode parar por aqui, você não vai falar com meu filho de qualquer jeito. Ah, mas não vai mesmo. Ian será um pai maravilhoso para Aurora e eu como mãe e avó, vou ajudar no que ele precisar. Você não tem direito algum para falar essas coisas. Você também é avó? É. Mas Ian é o pai e é ele quem tem a guarda de Aurora.
— Até que ele cometa um único deslize, e aí quem terá a guarda da menina serei eu — respondeu com ar arrogante.
Cheguei perto dela e peguei minha filha de seu colo, não com brutalidade, não machucaria Aurora.
— Você nunca vai tirar minha filha de mim, a não ser que eu morra. Agora saia, não quero olhar na sua cara. Você perdeu sua filha e acha que pode me tratar assim? Não, você não vai, eu perdi minha mulher e minha filha perdeu a mãe, você não vai fazer com que ela não tenha o pai por perto também.
— Eu não disse que você nunca mais veria sua filha, só disse que eu cuidaria da minha neta.
— Eu sei o que você disse, não sou idiota. Você não vai levar minha filha, porque ela tem um pai que está disposto a cuidar dela. Porque é isso que um pai de verdade faz.
Sem querer dar mais atenção àquela mulher, voltei para o quarto com minha filha em meus braços.
Se Tereza queria tirar minha paz, ela conseguiu. O mais engraçado foi ver que só bastou a filha dela morrer, para que mostrasse a verdadeira face.
Nós nunca tivemos nenhuma desavença antes, ela sempre foi uma boa sogra. Mas agora quis mostrar suas garras.
— O papai não vai sair de perto de você, meu amor — sussurrei no ouvido de minha filha e beijei sua cabeça.
Eu poderia não ter experiência com um recém-nascido, mas isso não ia me impedir de cuidar dela. E eu tenho certeza de que Samira gostaria muito de que eu cuidasse de nossa filha em sua ausência.
Já se passaram 4 meses desde a morte de Samira e o nascimento de Aurora. Esses meses foram de longe os mais complicados.
No primeiro mês, fiquei na casa da minha mãe, para que ela pudesse me ajudar com Aurora. Depois disso, fui para casa e a adaptação — sozinho — foi bastante complicada. Eu não quis contratar ninguém para ficar com minha filha, não tinha confiança em ninguém que não fosse minha mãe quando o assunto era Aurora. E o fato de que minha licença passaria em um piscar de olhos e eu precisaria voltar ao trabalho, me fez querer passar o máximo de tempo com ela.
Meu desafio maior em cuidar de Aurora com certeza foram as cólicas constantes. Meu coração apertava sempre quando ouvia seu choro doloroso e sabia identificar o que era.
Tudo o que eu podia fazer para passar, eu fazia. Desde remédios específicos a massagens. Colocava também ela deitada com a barriga para baixo, em cima de mim e tentava niná-la.
E agora eu estava ali, olhando-a e com dor no coração por ter que voltar a trabalhar e ter que deixá-la. Para minha sorte não seria com uma estranha e sim com minha mãe. Aurora estava em boas mãos. Mas mesmo assim, não deixava de pensar que eu sentiria falta da minha princesa nas horas em que passaria dentro da empresa.
— Vai logo Ian, ou você vai se atrasar!! — disse minha mãe pela décima vez.
— Juro que se eu pudesse, ficaria em casa pelo resto da minha vida, só para poder ficar com ela o tempo inteiro. Mas, como infelizmente preciso trabalhar para manter os gastos dessa pequena, que não são poucos, eu vou. Porém, juro que não estou sabendo lidar com essa “separação” — respondi.
— Você está sendo tão dramático — debochou.
— Aposto que com você foi assim, agora está aí me julgando e rindo de mim — retruquei.
— Para de ser chorão Ian, vai logo, você quer mesmo chegar no primeiro dia de volta ao trabalho atrasado? Logo você que sempre foi o certinho?
— Tá, você venceu.
Antes de entregar Aurora, que estava dormindo em meu colo, deixei um cheiro em sua cabeça e um beijo na testa. A pequena se mexeu, mas não acordou.
Saí da casa da minha mãe com o coração apertado. Seria a primeira vez que ficaríamos tanto tempo separados um do outro, desde que ela nasceu. Mas no fundo eu sabia que aquilo era um bem necessário.
Quando cheguei na empresa fui bem recebido pelos meus colegas de trabalho. Alguns dos que não compareceram no velório de Samira, me deram os pêsames e parabenizaram-me pela Aurora. Agradeci e fui direto para o meu lugar, para começar a trabalhar.
Não foi difícil voltar com a minha função, mas foi estranho, depois de tanto tempo sendo pai por 24 horas.
Um mês depois da minha volta, pensei que continuaria tranquilo, assim como quando retornei. Ledo engano. Recebi uma bomba em meu colo.
Quando fui chamado pelo meu chefe, imaginei que fosse para falar sobre alguma promoção, ou relacionado ao meu desempenho. Mas não.
Além de ter sido acusado de algo que eu não fiz, jamais faria. Ainda fui demitido. Por justa causa.
Fiquei em choque com tudo o que seu Omar me disse.
— Eu nunca imaginei que você fosse tão sem caráter Ian, você era um dos meus melhores funcionários. Eu até estava pensando em te subir de cargo. E você faz o quê? Desvia dinheiro da minha empresa. Me rouba. E para quê? Gastar com mulheres? Você não tem vergonha na sua cara? Sua mulher morreu tem pouco tempo e você nem esperou para fazer esse tipo de libertinagem. Você tem muita sorte de eu levar em conta sua perda recente e você ter uma filha, caso contrário, ia sair daqui desse lugar escoltado pela polícia. Você me decepcionou muito, fique sabendo disso. E se depender de mim, não vai enganar mais ninguém. Não vou deixar que te contratem. Agora pegue suas coisas e saia da minha empresa.
Àquela altura do campeonato, seu Omar já gritava e com certeza era ouvido por todos lá fora. O que me fez ficar vermelho de raiva e vergonha. Estar passando por tudo aquilo, sem poder me defender. Porque de acordo com seu Omar, tinham provas de que todo o desvio estava sendo feito do meu computador. Como aquilo tinha acontecido? Eu não fazia ideia. Mas pela vida da minha filha, eu seria capaz de jurar que jamais seria capaz de roubar aquele lugar. Não foi a educação que eu recebi dentro de casa.
Saí da empresa com todos olhando para mim com o olhar atravessado. Inclusive Laerte.
Fiquei chocado por isso. Laerte era meu melhor amigo, ele sabia que eu jamais faria uma coisa assim. Ou ele achava que sim.
Quando cheguei na casa da minha mãe, desabei em seu sofá. Ela estranhou minha atitude e não me questionou. Esperou eu me recompor para depois perguntar o que havia acontecido.
Expliquei tudo e depois olhei para sua cara, para saber se ela também ficaria contra mim. Mas não, eu sabia que não. Minha mãe me conhecia bem o bastante para saber que eu jamais desviaria dinheiro da empresa, muito menos gastaria com mulheres. Deus sabia que desde que Samira havia morrido, eu não havia ficado com nenhuma mulher. Meu tempo era exclusivamente para Aurora. Ela era minha prioridade. Eu vivia por ela e para ela.
E pensar nisso, me fez entrar em desespero. Como eu iria conseguir sustentá-la? Se Tereza descobrisse aquilo, aí sim ela teria motivos para tirar minha filha de mim. Eu não poderia permitir aquilo. Não conseguiria passar por toda aquela situação e ainda não ter minha filha comigo.
Fiz minha mãe prometer que não falaria nada com ninguém. E mesmo a contragosto, porque de acordo com ela, ela não seria capaz de deixar minha sogra pegar a guarda da minha filha.
Eu também prometi que ia procurar outro emprego. Faria qualquer coisa para não deixar minha filha desamparada. Eu tinha umas economias, mas logo tudo acabaria.
Não tinha como provar naquele momento para seu Omar que o que aconteceu ali, não fui eu quem fiz e sinceramente? Naquele momento eu não fazia questão. Eu só precisava de um novo emprego e Tereza longe daquelas informações.
Quando ela chegou em minha casa no final de semana para ver a neta, agi tranquilamente. Mas só quando ela foi embora é que percebi que não estava tão tranquilo, já que voltei a respirar apenas no momento em que ela entrou em seu carro. E isso depois de umas 3 horas tendo que aturá-la.
Olá amores!
Como vocês estão? Espero que esteja tudo bem!
Trouxe capítulo novo e espero que gostem, votem e comentem bastante.
Beijão até sexta-feira que vem, amo vocês! 🥰😘
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