| 06. Você sabe o que é "Diversão"? |
[2018]
O que uma pessoa faz, em uma quinta-feira a noite?
Talvez ela coma alguma coisa em casa, ou em um restaurante, e se divirta pelas ruas de sua cidade. Talvez ela vá em um karaokê com os amigos, ou se ela for uma pessoa mais "séria", talvez ela possa ir ao boliche, e ainda sim, se divertir.
Mas quando se tem um namorado como o meu, você acaba aprendendo um novo conceito para "diversão".
Não é como se ele não gostasse de se divertir, ele só literalmente não sabia como se fazer isso.
E eu como um ótimo namorado - porque eu sou mesmo - vou mostrar para ele um pouco do que eu sei.
××××××××
Me aproximo do maior, que estava como em toda noite, em seu escritório. Ainda trabalhando.
Ele parecia um pouco nervoso, e eu acaricio seus cabelos, como fazia toda noite, mas não recebi seu sorriso fofo acompanhado por suas covinhas lindas, em resposta, como sempre.
"O que será que aconteceu?" - pensei - "Por que ele parece tão nervoso?" - engoli em seco - "Será que eu fiz alguma coisa errada, e não me lembro?".
Me posiciono a sua frente, e pego em uma de suas mãos, olhando em seus olhos.
— O que aconteceu, Nam? - pergunto.
Ele nega com a cabeça, e continua a olhar para sua mesa e seus papéis, me ignorando totalmente.
— Ei, olhe para mim! - digo um pouco frustado.
Ele solta minha mão e se levanta rapidamente, indo em direção a janela, mas novamente, sem olhar em minha direção.
— Nam, o que você tem? - digo e o encaro já preocupado.
Ele finalmente olha para mim, mas hesita em dizer algo, voltando para a janela.
— Sério que você vai continuar me ignorando? - eu já estava bravo, então, cruzei meus braços . — O que tem de diferente nessa janela? - perguntei, indo em direção a mesma.
Olho rapidamente para a janela, e através dela, não notei nada de diferente. Me viro em seguida para Namjoon, e acabo suspirando um pouco alto.
— Kim Namjoon, o senhor pode responder alguma das minhas perguntas, por favor? - o encaro já mais do que irritado.
Ele olha para mim, um pouco assustado, e depois, desvia para o chão.
— Discuti de novo com o meu pai... - diz ele meio baixo.
O olho um pouco surpreso, e faço com que ele olhasse para mim.
— Foi por minha causa de novo? - pergunto um pouco triste.
Ele nega com a cabeça, como em todas as vezes em que eu perguntava a mesma coisa, mas eu sabia que era mentira.
— Nam... me diz a verdade, pelo menos uma vez, por favor - digo cansado.
— Jin... meu pai e eu não concordamos em alguns pontos... não temos muitas coisas em comum, desde que eu me lembro. - ele olha para mim. — Eu sei que vocês dois não se deram muito bem desde o início, quando tive que os apresentar, mas confie em mim, nossa discussão não foi por sua causa. Nunca foi, e nem será, por sua causa.. eu te amo.
Eu o encaro, e engoli tudo o que ele havia dito, em seco. Não queria que começássemos a discutir, não agora. Tudo estava indo tão bem, durante esses dois meses que tivemos de namoro, não poderia acabar agora, e nem desse jeito.
— Ainda me lembro de quando você me surpreendeu, assinando aquele contrato.. - ele diz, e eu desvio o olhar.
— Eu precisava do dinheiro - digo um pouco mais baixo, do que tinha pensado em fazer.
— Eu sei, eu só... Não queria que pensasse tanto no meu pai. Quer dizer, fomos tão felizes juntos, durante esses meses, não acha? Eu só acho que devemos continuar assim, juntos. - eu o olho novamente, e sorri meio fraco.
— Eu disse que o amava, mas você não disse de volta... Você ainda me ama, Jin? - ele pergunta, e me olha um pouco inseguro.
— É claro que amo. - o abraço forte.
Eu sabia que uma situação como essa, poderia se repetir mais vezes do que eu gostaria, mas o que eu poderia fazer?
Namjoon sempre foi muito sozinho. Nunca teve amigos em sua vida, nunca soube em quem poderia confiar de verdade, e se alguém o entenderia alguma vez, e ainda assim, permaneceria com ele depois de tudo o que ele pudesse contar.
Porque ele sabia que, depois que se abrisse com alguém, essa mesma pessoa poderia fazer mal a ele, ou a sua família. Mas ele também sabia que, eu não seria capaz de fazer mal algum. Sabia que eu o amava, e não o deixaria por nada nessa vida, nem mesmo por causa do pai dele, seja lá o que ele fizesse.
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