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Eu te puxei para perto do meu peito
Eu quero ficar com você
até nós ficarmos bem velhinhos
Apenas diga que você não vai embora
Eu vou te acordar
com café da manhã na cama
Eu vou te levar café
com um beijo na sua cabeça
E você estava linda como sempre
E juro que todo dia você fica melhor
Estou tão apaixonado por você
e espero que você saiba
Querida, seu amor vale mais
que todo o ouro do mundo
Nós chegamos tão longe, meu bem
veja como nós amadurecemos
Eu vou te amar até que
meus pulmões parem de funcionar
Eu prometo, até que a morte nos separe
como em nossos votos
Então, eu escrevi essa música para você
agora todo mundo sabe
Say You Won't Let Go - James Arthur
☀️
Hye Ji Woo
Acordo de repente, tentando enxergar em meio a essa escuridão do quarto.
Jin está deitado ao meu lado, com o braço envolvido em minha cintura. Dou um sorriso de leve e me afasto contra vontade, indo sair da cama.
Calço as pantufas que minha sogra me deu — como presente de aniversário atrasado — e visto um casaco felpudo por cima da blusa do pijama.
Antes da festa começar, decidi contar a eles sobre a minha doença. Não queria correr o risco de acabar com toda animação.
De novo, recebi vários abraços e lindas palavras de apoio.
Vou descendo os degraus devagar, evitando ao máximo fazer barulho. Não quero me esbarrar em algo e acabar acordando todos.
No relógio antigo na parede da sala, vejo que passou de três da manhã.
Mesmo que os pais de Jin morem mais afastados da cidade, aqui é bem seguro. Existem algumas casas próximas e todos se conhecem.
Por isso, abro a porta da frente e sinto o vento frio da primavera. Percebo que aqui fora está levemente iluminado pela luz fraca.
Me sento nos degraus, deixando a porta encostada. Abraço meus joelhos junto ao peito, observando o céu estrelado, apesar das nuvens.
— Parece que vai chover. — Digo para mim mesma.
Longe dos altos prédios e dos brilhantes telões, as estrelas parecem mais fortes aqui.
Penso no quanto vivi nesses últimos meses. Noto que me dei um significado ao desenho de borboleta em minhas costas.
Sei que nunca vou esquecer a dor de perder meu pai, mas hoje, me libertei do abismo que tinha me acomodado. E me tornei feliz. Sinceramente feliz.
Jin foi uma peça importante nisso, jamais negaria. Em forma de analogia, ele foi responsável por jogar uma corda e me ajudar.
Quando aceitei aquela ajuda — quando segurei na corda — mais pessoas apareceram pra me puxar de volta ao topo.
De repente, ouço o barulho da porta e olho pra trás.
Como se soubesse que estou pensando nele, meu namorado aparece. Seu rosto sonolento e confuso me faz rir baixinho.
Seu cabelo está bagunçado e o pijama azul amassado. Jin me observa por curtos segundos, como se estivesse me conferindo.
— Está tudo bem? — Pergunta, sentando ao meu lado nos degraus.
Não digo nada por enquanto. Aproveito o silêncio, o vento fresco, o brilho das estrelas e a presença dele aqui comigo.
De fato, esse é um momento para ser guardado.
— Estou bem, não se preocupe. — Digo por fim, o tranquilizando.
— Pensei que tivesse ido beber água e logo voltaria, mas demorou e vim ver como estava. — Me conta, chegando mais perto e juntando nossas mãos frias.
— Ah, você acordou quando sai da cama? E eu achando que tinha sido discreta. — Ri sozinha, duvidando das minhas habilidades.
— Eu acordei assim que tirou meu braço da sua cintura. — Jin finge estar chateado.
Deito em seu ombro e olho para nossas mãos entrelaçadas.
— Nos acostumamos demais a dormir um com o outro. Antes, eu achava minha cama muito pequena, agora acho grande demais sem você.
Não pude ver sua reação, mas senti quando apertou minha mão mais forte.
— Ji, tem algo que quero te falar. — Chamou minha atenção.
Me afastei do seu ombro e encarei seu rosto sonolento, mas atento.
— Acha que somos um casal grudento? — Brinquei, fazendo-o rir. Ele concordou.
— Somos sim, e se quiser, seremos mais. — Começou a dizer. Franzi meu rosto, duvidando do que aquilo significava.
Jin pareceu pensar nas palavras que diria e me preparei para ouvir.
— Esse mês faremos seis meses e foram suficientes para saber que quero uma vida toda ao seu lado. Aprendi a ser sincero, mais paciente e bondoso. Nós sofremos tanto, princesa. Suportamos situações horríveis e sei que outras virão.
— Yaa, Seok Jin. — Respiro fundo, tentando acalmar meu pobre coração.
— Quero construir um futuro com você. E pra isso, que tal começarmos a dividir um apartamento? Vamos comprar um perto do seu emprego, escolher os móveis que queremos, pintar as paredes juntos e dormir de mãos dadas toda noite.
Desvio o olhar para o céu, notando as nuvens se formando e a chuva que virá. Pensar em um futuro assim ao lado dele parece ser lindo.
Não sou boba, sei dos problemas que iremos enfrentar com nossos trabalhos agitados e das nossas diferenças.
Não duvido que em algum momento vamos discutir pela toalha em cima da cama ou pelo guarda-roupa bagunçado.
— Eu não iria perguntar isso agora, era pra ser em um jantar, mas não me contive. — Murmura, parecendo envergonhado pela minha demora.
Jin tira o celular do bolso e me entrega. Vejo a foto de um quadro pronto.
— Pedi que um pintor fizesse essa pintura para nos representar. Um eclipse. O encontro do sol com a lua. Se você aceitar, podemos pendurar na parede da nossa sala. — Diz, tentando conter um sorriso. — Mas tudo bem se achar precipitado, vou saber esperar o seu tempo.
Em um impulso, seguro o rosto dele, lhe beijando devagar.
Jin conhece todas as minhas partes quebradas e ainda me ama, quer um futuro comigo.
— Óbvio que eu aceito, caladinho. — Confesso, finalmente.
Consigo perceber quando ele suspira aliviado, me beijando com mais intensidade após a resposta. Esse sentimento sempre se renova.
Quando nosso fôlego acaba, sorrimos um pra o outro. As palavras não são necessárias para explicar o que estamos sentindo.
Ele fica em pé de repente, segurando minha mão e me levantando.
— Quer dançar comigo? — Pede, tocando em minha cintura com firmeza.
Dou um aceno, concordando.
Coloco meus braços ao redor de seu pescoço, sem desviar nossos olhares. Começamos a movimentar nossos passos lentamente.
— Eu, com a sua doce essência, preencho com as rosas em meu coração. Você sempre me dá um pouco de calor. Minha carta de amor é para você. — Jin canta pra mim.
Reconheço a música que canta. Se chama Roses, do Choi Young Jae, membro do GOT7. Lembro que ele adicionou em nossa playlist.
— Meus ombros caídos todos os dias me dão asas quando você me toca. Você é como o meu luar, iluminando a noite. Vamos em algum lugar juntos. — Continua, subindo sua mão e acariciando meu rosto.
Fecho os olhos com seu carinho, sem parar nossos passos. Como eu esperava, começa a chover. As gotas leves de chuva caem sobre nós.
— Rosas sobre você, o seu perfume me envolve. A brisa leve parece mais forte. Nossas cores então se espalhando como brisa leve. — Sinto seus lábios próximos aos meus.
— Nós florescemos como rosas. Rosas bonitas que lembram você. Todas as coisas são melhores com você. A brisa leve parece mais forte. — Cantarolei pra ele de volta.
Abro os olhos, o encarando. Estamos ambos molhados pela chuva, mas continuamos a dançar. O cabelo dele gruda em seu rosto, gotas escorrendo pelo queixo.
— Eu andei além das nuvens em um dia nublado. Parei o tempo com você, pois gosto assim. Você deixa tudo melhor. Eu vou estar ao seu lado no fim do dia. Não solte a minha mão, amor. — Me declarei, ficando na ponta dos pés e encostando nossas bocas.
E bem naquele instante, eu soube que tudo ficaria bem. Havia entregado meu coração para o meu melhor amigo. Mesmo em quarenta anos, ainda estaria comigo.
Ele afastou minha franja delicadamente, me olhando daquela forma.
— Vamos nos enxugar e voltar pra o quarto. — Tive que pedir.
— Yaa, coitada. Você está tremendo muito. — Ele riu de mim.
— Apenas fique quieto. — Cerrei os olhos, reclamando.
— Pode deixar, pestinha. — Me provocou, entrelaçando de novo nossas mãos.
Saímos da chuva, que ficava mais forte.
— Você me ama assim, velhote. — Me gabei.
Antes de entrar na casa, Jin me olhou e sorriu largo.
— Tem razão, eu te amo assim. — Confirmou, fazendo meu coração bater com força.
— Eu te amo assim também. — Pisquei pra ele, sorrindo sem parar.
E como dizia o final da música, todas as coisas serão melhores de agora em diante.
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