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Não pudemos nos evitar por muito tempo
Nós vagamos sozinhos pelo universo
nos sentindo tão solitários
Mas algum dia, quando o Sol e a lua
se sobrepuserem
Nós poderemos entender tudo

Mesmo que ruas familiares
brilhem como espelhos
Mesmo que o gelo fino flutue
no café que você me deu
Eu sei que nós dois não vamos congelar
Vamos derreter até a areia do mar

Dançando juntos
vamos lutar contra o desespero
Sobre a cidade de asfalto congelado
Eu sei que não existe amor
que não mude com o tempo
Mas procuro alguém que espere
por esse amor
ANTIFREEZE - Yerin Baek

🌑
Kim Seok Jin

O cheio familiar de frutas frescas me traz paz.

Depois de uma rápida viagem de uma hora, chego na fazenda dos meus pais. Faz meses que não os vejo, mas tudo ainda parece igual.

Minha mãe confere minhas bochechas, se estão gordinhas e coradas. Enquanto meu pai pergunta se tive tempo para pescar.

Não demora muito para meu irmão mais velho e minha cunhada se aproximem. Dou um abraço apertado neles, ficando feliz em saber que estão bem.

Meu sobrinho vem cambaleando até mim, com um sorriso no rosto. É a criança mais linda de toda Coreia, exatamente por me ter como tio.

E ao meu lado, minha namorada extremamente ansiosa.

— E você deve ser Ji Woo-ssi. Bom te conhecer. — Meu pai toma a frente, estendendo a mão para que minha namorada o cumprimente.

Me fazendo segurar o riso, Ji Woo está envergonhada. Seu rosto parece um grande morango de tão vermelho que está, mas mantém um sorriso tranquilo.

— Olá, senhor Kim. Bom conhecê-lo também. — Ela se curva rapidamente. 

Essa situação me lembra como me senti quando conheci seu tio e sua mãe.

Yaa, filho. Ela é ainda mais linda do que na foto que me mandou. — Minha mãe vai até Ji Woo e aperta seu rosto avermelhado.

— Obrigada, senhora Kim. É bom te conhecer. — Ela se curva novamente.

Começo a dar risada quando minha namorada se remexe inquieta.

Eomeoni, está deixando-a constrangida. — Tentei salvá-la.

— Sim, honey. Deixe que a garota se sente primeiro. — Meu pai toca no ombro da minha mãe, lhe guiando para sala e continuando a conversa.

Sempre admirei a forma carinhosa como se chamam após anos de casados.

Faço o mesmo. Toco no ombro de Ji Woo, para que se acomode no sofá menor, ao meu lado.

Por essa casa ter passado por todas as gerações da família, foi aumentando de tamanho e se tornou enorme. É fácil qualquer um se perder aqui dentro.

— Vão dormir no mesmo quarto? — Minha mãe pergunta, sorrindo largo.

Ela esperou muito para me deixar envergonhado na frente de uma namorada.

— Não, eomeoni. As malas da Ji Woo vão ir pro quarto de visitas. — Lhe aviso.

Yaa, que pena. Não limpei o quarto de visitas. — Minha mãe suspira falsamente, colocando a mão no peito. — Está tudo empoeirado. Minha nora não pode dormir lá. 

Vejo meu pai, meu irmão e minha cunhada rindo discretos. Ao meu lado, Ji Woo percebe o que a senhora Kim está tentando fazer.

— Então, eu durmo no quarto de visitas e a Ji Woo pode... — Sou interrompido com o toque da minha namorada no meu braço.

— Não vejo problema em dividir o quarto. — Diz, parecendo decidida.

Me sinto surpreendido. Não esperava por esse golpe.

Daebak! Sabe onde deixar as malas, filho. — O sorriso da minha mãe parece ainda maior.

Ainda sem acreditar, me encosto no sofá, controlando meus pensamentos.

Não pensei que fossemos dividir um quarto nessa viagem.

— Os meninos estão vindo? — Meu irmão pergunta, iniciando a conversa.

Mudo o rumo dos meus pensamentos. Me concentro no assunto.

— Sim, logo vão chegar com mais comida. — Dou um sorriso satisfeito.

Vejo Ji Woo apertando os dedos de nervoso, sem saber o que falar ou fazer. Pego em sua mão discretamente e junto com a minha.

— Jin me disse que você também cozinha, Ji Woo. — Minha cunhada questiona, ajeitando a roupa de frio do filho que está sonolento.

— Sim, eu cresci ajudando no restaurante da família. — Falar disso a deixa mais calma.

— Oh, toda sua família é dona de um restaurante? — Minha mãe fica empolgada. 

Me preparo para interromper o assunto, não querendo que falar disso lhe incomode. Ela se remexe no sofá, apertando minha mão mais forte.

— Não, apenas o meu tio. Minha mãe é dona de uma empresa de cosméticos e meu pai faleceu tem alguns anos. — Explica, parecendo inabalável. 

— Eu lamento, pequena. Também perdi meu pai quando era bem jovem. O que me ajuda é lembrar dos conselhos e dos bons momentos. — Minha mãe sorri calorosa.

Ji Woo acena em confirmação, parecendo emocionada em ser compreendida e pelo seu novo apelido. Me sinto ainda mais feliz e relaxado.

E então, ouvimos batidas e a porta se abrindo. O barulho familiar de conversas e risadas altas invade a sala, como um furação. É fácil saber quem é.

— Nós chegamos! — J-Hope surge primeiro, mostrando as mãos cheias de sacolas e embalagens de comida do meu restaurante favorito.

— Com licença, senhor e senhora Kim. Peço perdão pela invasão e pelo barulho. — Namjoon aparece em seguida, carregando uma grande embalagem de presente e mais comida.

— Que bom que chegaram, pensei que tinham se perdido no caminho outra vez. — Minha mãe se levanta para abraçar a todos e levar a comida para cozinha.

— Isso quase aconteceu, mas Jungkook aceitou olhar no GPS. — Jimin quase desaparece carregando tantas caixas nos braços.

O mais novo vem direto até mim, me abraçando. 

— Não olhei nada, eu já sabia o caminho. — O maknae diz confiante, se gabando.

Omma, Yoongi está me ignorando de novo. — Taehyung vai direto para minha mãe, que ri dele e de sua típica expressão convincente.

— Senhora Kim, Taehyung me irritou a viagem inteira. — Yoongi diz confiante, ajudando com a comida. Ele sabe que é o favorito dela.

— Tae, o Yoongi é seu irmão mais velho, tem que obedecê-lo. — Ela defende, fazendo com que meu irmão e meu pai comecem a rir da cena.

— Espera um pouco, minha cunhada favorita está aqui! — J-Hope percebe a presença quieta de Ji Woo e vai até ela, lhe abraçando.

Isso faz com que todos os meninos a abracem também, principalmente Jungkook. Os dois começam a conversar e esquecem de mim.

Mas não reclamo, pois estou exausto não apenas pela viagem, mas por causa da live

Fiquei até um pouco mais tarde conversando com nossos fãs e agradecendo pelas mensagens de aniversário que enviaram com tanto carinho.

Quando passou de uma da manhã, me despedi e tive que desligar. Ainda haviam as mensagens que recebi dos meus poucos amigos e familiares.

E então, antes das oito horas, acordei para viajar até aqui. Por isso, quando fico bocejando, todos entendem.

Ajudo minha mãe a montar a mesa do almoço, participo do karaokê e brinco bastante com meu sobrinho. Amo esse clima de família reunida.

Com a comida preparada, todos se sentam na mesa gigante nos fundos da casa, com vista para a plantação de morangos.

Não está na época de colheita, mas continua com a vista bonita.

— E aqui está a sopa de algas para nosso aniversariante. — Meu pai coloca o prato na minha frente. Faço um aceno agradecido e olho em volta.

Há um ano atrás, nessa mesma mesa, sobrou uma única cadeira. Agora percebo que durante esse tempo, sempre havia um espaço na minha vida para Ji Woo.

— Espero que goste de ssambap, Ji Woo. — Minha mãe empurra o prato cheio de carne temperada com molho picante. 

— Ah sim, eu gosto muito. Obrigada. — Ela se serve, pegando os legumes crocantes também.

Tento esconder meu sorriso por vê-la tão tímida. Isso é raro. Pego um pouco do arroz e sirvo pra ela, junto com uma folha de alface.

— Depois te levo na estufa de morangos. — Lhe prometo, falando baixinho.

Vejo seu sorriso de covinhas mais lindo surgir e meu coração acelera. Sinto vontade de segurar seu rosto e beijá-la aqui mesmo.

Volto a me concentrar em tomar a sopa. Ainda bem que ninguém percebe, pois estão conversando sem parar e meu sobrinho brinca com a comida.

Terminamos de comer e minha mãe insiste que eu abra logo os presentes.

Então, me sento no sofá da sala, cercado de caixas e embalagens coloridas. Vou abrindo os presentes um por um, rindo muito da animação dos meus amigos.

J-Hope não para de tirar fotos e Jungkook está mais empolgado do que eu.

Pego uma grande caixa, embalada em um papel de presente preto com desenhos de lua. Não preciso pensar muito para saber de quem é.

— Espero que goste, Jinnie. — Ji Woo diz, parecendo nervosa.

Vou abrindo com cuidado, mas cheio de curiosidade. Percebendo do que se trata, fico sem reação. Como ela conseguiu isso?

Aigoo, Ji. — Minhas palavras desaparecem.

— Mostra logo! Estou curioso! — Jimin fica inquieto, querendo saber.

Começo a tirar os jogos da caixa, admirando.

— São jogos de colecionador limitados, extremamente raros. — Contei, olhando pra ela.

Seus olhos brilham de alegria, sabendo o que fez comigo.

— Gostou? — Me pergunta, cheia de expectativa.

— Se eu gostei? — Deve ser piada.

Fico de pé e a envolvo em um abraço apertado, sem me importar com todos ao redor. Ela é minha. Não preciso ficar envergonhado por expor isso aqui.

— Não conte a ninguém, mas esse foi o melhor presente de todos. — Murmuro, beijando de leve sua bochecha. Esse presente significa mais do que parece.

Assim que me afasto, escuto Taehyung cantando um música romântica junto com os outros e minha mãe ri feito uma boba em me ver apaixonado.

Ji Woo sorri radiante e se aproxima do presente.

— O colecionador que me vendeu iria se mudar para o exterior. Ele disse que os netos dele não queriam mais jogar e estavam ganhando poeira, então decidiu vender. — Me contou, mostrando o jogo Aventuras de Tintim, na versão ouro.

Tem a edição especial de Fallout 3The Last Of Us e Elemental Gearbolt. Deve ter custado uma fortuna e me sinto extasiado.

— Olha como o Jin não para de sorrir. Deve ter se apaixonado de novo. — Yoongi dá risada.

Realmente acabei de me apaixonar de novo por essa garota.

No meu último relacionamento, minha ex namorada — sim, aquela mesma que terminou comigo por dinheiro — disse que ficar jogando me tornava imaturo.

Parei de jogar por um tempo depois de tanto ouvir aquilo. As palavras não paravam de rodar minha cabeça, mas isso não durou. Ela terminou tudo e sumiu.

E receber esse presente de Ji Woo apenas prova o quanto se importa comigo. Quero mesmo continuar ao lado dela por muitos e muitos anos.

Então, quando termino de abrir todos os presentes e agradeço a cada um, pego na mão da minha namorada e a levo para a estufa, como prometi.

— Se não tem morangos aqui pra colher, porque me trouxe? — Ela fica confusa.

— Queria te beijar. — Digo com sinceridade. Ela ri disso.

Tiro uma mecha branca da frente de seu rosto e deixo minha mão na sua nuca.

— É a continuação do agradecimento? — Me provoca, ficando bem perto de mim. Sua mão passa pelo meu corpo, me dando arrepios.

— Sim, mas preciso te contar algo antes. — Dou carinho em sua bochecha. — Eu não agradeci apenas pelo presente, Ji. E sim por se importar de verdade comigo. 

— Por que não me importaria? Você cuida tanto de mim, estou só retribuindo. É assim que um relacionamento funciona. E quero de verdade fazer isso dar certo. — Confessou.

Meu coração batia com um novo som. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo.

— Minha princesa. — Ela trazia um novo brilho a minha vida.

— Me beije logo, Jin. — Pediu.

E eu beijei.

Esperava que ela conseguisse traduzir aquelas palavras que eu ainda não disse.

Era intenso e sentia meu corpo queimar. Fechei os olhos mais forte, não querendo que acabasse.

Me surpreendendo, Ji Woo pulou em meu colo e colocou suas pernas em volta da minha cintura. Lhe apoiei na mesa que tinha ali perto, sem parar o beijo.

— Nós vamos dividir um quarto. — Lembrei, adorando a ideia.

— Você está muito atrevido. — Ela suspirou quando beijei seu pescoço.

— Ainda vai querer dormir comigo, princesa?

— Vou. E vai se arrepender de ter me provocado agora.

Ela me desafiou e mundo ao meu redor brilhou. Eu a amava.

— Feliz aniversário. — Ji Woo sussurrou pra mim, dando seu sorriso.

Lhe dei mais um beijo. Nunca me esqueceria disso.

— Obrigado, meu amor. — Falei. Apenas nós dois ali, no nosso mundo.

Vi os olhos dela brilhando, com uma emoção não revelada. Pra minha infelicidade, tivemos que voltar antes que reclamassem do nosso sumiço.

Saindo da estufa e antes de voltar para dentro da casa, tirei meu casaco e coloquei nos seus ombros. O frio piorou e em breve começaria a nevar por todo o país.

Enquanto dava risada, Ji Woo ajeitou meu cabelo todo bagunçado pelo beijo. Tentei limpar seu rosto borrado pelo batom também.

Abri a porta e não me surpreendi com os olhares dos meus amigos e do meu irmão.

— Ei, parem de ficar fofocando, meninos. — Minha mãe protestou. — Se eles estão me proporcionando netos, ninguém tem o direito de reclamar.

Yaa, eomeoni! — Eu quis me encolher no chão.

Ji Woo deu risada, indo se acomodar no sofá entre J-Hope e Jimin. Era a pior coisa que ela poderia fazer, pois aqueles dois iriam lhe provocar bastante.

— Woo, pensei que fosse mais conservadora. — Jimin não perdeu a chance.

— Ei! — O interrompi, usando meu dom de ser o mais velho.

Ele se calou, mas sua cara de curioso e pervertido continuou.

— Jimin-shi, pelo menos o Jin é meu namorado. As garotas que você beija na balada nunca vão aparecer no dia seguinte. — Ji Woo declarou, sempre surpreendendo.

J-Hope caiu no chão, se embolando de tanto rir. Até mesmo meu sobrinho, que não entendia nada da situação, estava rindo.

— Precisava ser tão malvada? — Jimin cruzou os braços, revoltado. Isso me fez gargalhar ainda mais de toda situação.

Troquei um high-five com minha namorada. Ela tinha se superado de novo.

— Não provoque minha nora, Jimin. Ela não aceita perder pelo visto. — Minha mãe piscou pra Ji Woo, adorando conhecê-la mais.

— Woo é a melhor. — Jungkook sorriu, claramente orgulhoso de sua cunhada.

Conversamos até o sol sumir no horizonte. Cantamos parabéns, o bolo foi servido e bebemos muito vinho da adega.

Sentado nos degraus na frente da casa, abraçando Ji Woo, lembrei do que tinha planejado.

— Tenho algo muito importante pra te contar. Que tal um jantar quando voltarmos pra Seul? — Perguntei, ansioso pela sua resposta.

Ela afirmou, relaxando mais em meus braços. Fiquei alisando seus ombros e observando o céu cheio de estrelas.

Ao lado dela, todo cansaço ia embora e restava apenas nossos corações batendo forte.

🌑

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