05
Das pontas dos meus dedos
Todas as coisas fogem
rápido para longe
Minha vida antes de você
era uma bagunça
Não conseguia ganhar uma única
partida desse xadrez
No fundo desse buraco
Você é o único ouro que brilha
Agora não consigo parar
de pensar em você
Quando estou me afundando sozinho
Um anjo que apareceu
de repente para mim
Me leve para sua cidade natal
Eu sei que é real, consigo sentir
0X1 = LOVESONG - TXT
🌑
Kim Seok Jin
Na noite seguinte, estou mais um sábado em casa, fazendo um jantar especial.
Pra minha sorte, tinha todos os ingredientes da receita aqui. Para passar o tempo, me arrisquei em fazer um kimbap. Eu sabia que iria demorar para que o sushi coreano ficasse pronto.
Cortas as cenouras e cozinhá-las era o começo. Adicionar o espinafre, ovos e presunto. Depois, enrolar tudo no arroz.
Não vi o tempo passar enquanto me concentrava. Coloquei uma música tocando e por isso quase não ouvi as batidas na porta.
Olhei na tela da câmera de segurança e vi o rosto animado de Namjoon.
Digitei a senha e abri a porta pra ele, que me abraçou assim que tirou os sapatos na entrada.
— Jin hyung. Senti sua falta. Viu as fotos que te mandei? — Foi logo perguntando.
— Foi impossível ignorar aquelas quarenta notificações. Mas sim, eu vi todas. — Brinquei, abaixando a música e voltando para cozinha.
— Eu adorei a viagem. Espero conseguir voltar de novo algum dia. — Comentou. Ele tirou o casaco e pendurou no gancho da parede.
— Pensei que fosse passar mais tempo, já que era sua viagem de aniversário. Teve algum problema? — Comecei a montar o sushi coreano.
Nam se aproximou, sentando no banquinho alto da bancada.
— Não, deu tudo certo. Apenas fiquei preocupado, pois teve aquela foto que o Jimin me mandou. Ele perdeu muito peso. — Ficou explicando.
— Namjoon-ah, eu te disse pra não ficar preocupado com isso. Levei almoço e jantar para o Jimin todas as vezes que ele teve ensaio e gravação. Devia ter aproveitado mais a sua viagem. — Respondi. Coloquei o sushi nos pratos e lavei as mãos.
— Eu queria voltar logo e conferir. Você sabe como ele é teimoso quando quer. E ter perdido tanto peso não é nada bom. — Sabia que ia começar seu discurso sobre a empresa, mas esqueceu assim que viu o jantar.
— Pedi ao J-Hope para levá-lo numa festa. Assim ele se diverte um pouco. — Lhe ofereci os hashi e sentei ao seu lado no banco alto.
— Obrigado por isso, hyung. — Falou, oferecendo aquele sorriso. Eu não sabia se era por causa do jantar ou pelo que fiz com nosso dongsaeng.
Pensei que fossemos comer em silêncio, mas ele continuou as perguntas.
— Eu cheguei falando de mim e nem te perguntei como você está. Então? Como foi aquela festa da reinauguração do Restaurante Woo.
Coloquei um sushi na boca para atrasar aquele assunto ao máximo.
Namjoon continuou me olhando, esperando a resposta. Ele era muito observador e conseguiria perceber imediatamente algo diferente caso eu mudasse de assunto.
— Ah, foi tudo bem. Eu gostei de ter ido. — Digo, virando o rosto para meu prato.
Resmungo algo que nem consigo entender quando meu rosto começa a esquentar.
— Colocou muita pimenta no seu jantar? Porque está ficando vermelho? Suas orelhas parecem em combustão. — Ele levantou do banco e abriu meu armário, pegando um copo para encher de água.
Dei um gole rápido e ofereci um sorriso sem graça. O líder do grupo franziu os olhos, me observando curioso.
De repente, ele se virou e olhou para caixa de som na sala.
LOVESONG do TXT ainda estava tocando. Não era nada demais. Sempre escutava as músicas dos outros grupos da empresa.
Mas ele me lançou um olhar desconfiado, que me deixou ainda mais nervoso.
— Que bom que gostou da festa. O senhor Hwang é muito gentil. — Pensei que iria encerrar o assunto, mas continuou. —Não havia ninguém que você conhecia lá?
— Yaa, quantas perguntas. Diga de uma vez o que quer saber. — Retruquei, voltando a comer.
— Conheceu alguém novo? Me disse que ia ter muitos outros convidados. — Lembrou do meu antigo plano.
Pensei no que diria. Claro que poderia confiar nele de olhos fechados.
— O senhor Hwang me apresentou a sobrinha dele. Conversei com ela durante a festa. Como eu disse, foi bom. Trocamos nossos números e mando mensagem de vez em quando pra saber de alguma receita. — Respondi de uma vez.
O caso era que esse de vez em quando estava se tornando algo da minha rotina. E eu nunca perguntei receita nenhuma. Mas Nam não percebeu nada.
Ele sorriu feliz por mim e voltou a comer.
Até o celular tocar e o nome de Ji Woo aparecer na tela. Não o nome dela, mas o apelido que dei.
— Quem é Ji? — Ele questionou, se aproximando mais da tela.
Mudei o nome do contato para que ninguém soubesse de imediato quem era. Peguei meu aparelho e vi as horas no canto da tela, indicando quase dez da noite.
Ji Woo nunca se quer me mandou mensagem nesse horário, nem quando fazia seu plantão no hospital.
Atendi apressado, imaginando uma emergência ou que precisasse conversar comigo.
— Yoboseyo? — Lhe cumprimentei assim pois era a primeira vez que fazíamos uma chamada de voz.
— Jin, você atendeu. — Falou com sua voz bem arrastada. Havia algo estranho.
— Sim, você está bem? O que aconteceu? — Não consegui segurar as perguntas.
Sendo sincero, o motivo de decidir fazer um jantar tão complicado igual ao kimbap foi para evitar ficar pensando tanto nela.
Ou quando poderia vê-la de novo.
Não trocamos mensagens hoje e senti como se algo importante estivesse faltando a se fazer. Tentei colocar na cabeça que somos amigos e Ji Woo tem sua vida agitada também.
Não dava certo. A cada minuto me via voltando a pensar nela ou conferindo o celular.
— Não está nada bem. A culpa é toda sua! — Ela protestou. Conseguia ouvir o leve barulho de salto no fundo da ligação.
— Minha culpa? — Perguntei, tentando manter a calma. Não queria pensar no pior.
Namjoon me olhava atento, quase sem piscar. Como explicaria isso?
— Seok Jin, eu fui pra uma festa hoje. E sabe o que aconteceu? Tinha um montão de caras bonitos, um deles até deu em cima de mim. — Começou a falar.
Ficou difícil até de respirar. O meu coração ameaçou doer, mas lutei contra aquilo. Ela claramente estava bêbada e irritada comigo por algum motivo estranho.
Esperei que terminasse de falar.
— Mas não consegui nem manter uma conversa decente sem deixar de pensar em você. Isso tão injusto! Não devia ficar tanto na minha cabeça. Nós somos amigos. — Declarou confusa. Parecia que havia se jogado na cama ou no sofá.
Não consegui resistir. Comecei a rir daquilo mesmo sabendo que do outro lado da ligação tinha uma Hye Ji Woo furiosa.
Ainda assim, foi impossível. Ela estava irritada por pensar muito em mim, mesmo numa festa cheia de outros caras bonitos? Tem como ser mais fofo que isso?
Namjoon fez uma careta, sem entender. Eu sabia que teria que explicar tudo desde o começo agora que ele ouviu uma parte da conversa.
Faria isso depois. Fiz um sinal indicado que iria precisava sair.
Me levantei do banco alto da ilha e fui para o segundo andar do meu apartamento, me encostando na parede do corredor.
— Você também fica bastante na minha cabeça, sabia? Pensei que fosse ocupada, Ji. Pelo visto, gosta de passear nos meus pensamentos. — Acabei confessando baixinho, dando um suspiro.
— Então, o que fazemos? Eu gosto da sua amizade. Não queria estragar isso. — Foi direta como sempre.
Sua voz estava abafada, provavelmente com a cara amassada no travesseiro ou numa almofada.
— Não sei se você sabe, mas eu já namorei antes, Ji Woo. É uma tormenta sair para um encontro e ter medo de estar sendo perseguido, ou acordar todos os dias e imaginar que vazaram a notícia. — Expliquei baixinho.
Aproveitei o momento da sua falta de consciência para confessar. Ela ficou um tempo sem dizer nada e até cogitei que tivesse adormecido.
— Isso é cruel. — Resmungou, se irritando. — Quer que eu dê um golpe de taekwondo em alguém?
Dei um sorriso de leve, feliz que ela ainda continuasse tentando me defender.
— Não precisa bater em ninguém. Podemos continuar sendo amigos, não precisamos tentar nada romântico. O que acha? Eu gosto de verdade da sua companhia. — É difícil me expressar.
E eu também gosto dela e de como combinamos em muita coisa. Mesmo assim, é cedo pra dizer. E arriscado.
Dessa vez o silêncio durou mais.
— Não acho que penso em você de um jeito amigável, mas posso tentar. — Confessou, me deixando sem jeito.
— Como consegue ser tão direta sobre tudo? Deve ser um talento. — Comentei surpreso e sentindo meu rosto arder.
— E como consegue ser tão devagar as vezes? Aish, desculpa, não quis te ofender. Eu te entendo. — Ficou vagando.
Segurei uma gargalhada, tentando me controlar para que ela não se irritasse de novo.
— Entende? — Resolvi insistir, sabendo que Ji Woo não estava em seu melhor.
— Sim, quer dizer, é a fama. Se tornar conhecido no mundo inteiro. Ter uma boa reputação e fãs que se orgulham de você. Ainda assim, não poder expressar sua opinião ou quem é de verdade. — Continuou se embolando nas palavras.
Senti um frio na barriga ao ouvir aquilo.
— Vá dormir, Ji. Deve estar cansada da festa. Amanhã conversamos melhor sobre isso, ye? — Decido encerrar, sentindo um sorriso aparecer em meu rosto novamente ao imaginá-la caída na cama com o rosto amassado.
— Eu amo ir em festas, sabia? Mas essa foi tão chata. Você não estava lá e o Hyun ficou querendo me beijar. Minha amiga insistiu que combinamos, mas não quero vê-lo de novo. — Ficou murmurando o assunto anterior.
Afastei o pensamento de Ji Woo beijando outro cara. Estamos nos tornando amigos, eu sei. Amigos contam coisas assim, mas eu também não sei se quero saber.
— Me conte tudo amanhã, certo? Agora tome um banho, beba bastante água e vá se deitar. Está frio hoje, coloque um pijama e ligue o aquecedor. — Informei, falando com carinho.
— Não pode ficar cuidando de mim e me tratando dessa forma. É muito perigoso para o meu coração. Jal ja. — Se despede reclamando, me dando boa noite e encerrando a ligação.
Assim que desligo o celular e fecho os olhos para processar sua fala. Me sinto aquecido.
Sentado ali mesmo no chão encostado na parede, vejo Namjoon se aproximar, sentando ao meu lado.
— Estou ansioso para saber quem era. Não vai me dizer? — Perguntou logo.
Olhei um pouco para bela vista do meu apartamento na cobertura. As luzes da cidade de Seul acesas, brilhando sem parar. Dei um suspiro angustiado e comecei a falar.
— Era a sobrinha do senhor Hwang. O nome dela é Hye Ji Woo. — Confessei de uma vez.
— Eu sabia que não era a pimenta! Você ficou vermelho assim que falou nela. — Ele tocou em meu ombro, me balançando.
— Não fique empolgado, faz pouco tempo que nos conhecemos. Somos amigos. — Continuei. Nam mudou sua expressão na mesma hora.
— Esse sorriso no seu rosto diz o oposto. E afinal, ninguém começa um relacionamento com quem odeia. Tem que ser amigos mesmo. — Começou a me aconselhar.
Me calei, mexendo em minhas mãos. No fundo eu sabia disso. Olhei para meu melhor amigo.
Nosso pais também eram melhores amigos. Eu e Namjoon cuidamos de cada membro do grupo. Formamos uma ligação especial.
— Nam, e se existe realmente uma pessoa certa, que se encaixa, sabe? Eu tenho a impressão que talvez pode ser ela. Não sei, a forma como combinamos é... assustadora. — Fui sincero.
Estava aprendendo a ser assim como ela. Não esconder mais o que pensava.
Ele me observou e colocou a mão em meu ombro, sorrindo sem jeito. Nenhum de nós dois tínhamos como saber se era algo triste ou feliz.
Relacionamentos duradouros e carreira nunca combinam.
🌑
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