Capítulo 2: O mundo das fadas é diferente


                                              Maliciosa.

         Borboletas voavam pelo horizonte, se espalhando pelo céu como uma chuva passageira e levando com elas as cores da primavera, deixando a rosada um pouco desnorteada. Summer se levantou devagar, notando o vasto campo repleto de diversas flores de diferentes cores ao seu redor. Logo seus olhos encontraram uma garotinha mais a frente , sentada na grama e cercada por pequenas borboletas rosas. Ela possuía cabelos escuros e tão sedosos e longos para uma criança tão pequena. 

  

         Ela moveu sua mão suavemente como se estivesse formando um círculo no ar, mas Summer se surpreendeu quando as borboletas que voavam ao seu redor seguiram os movimentos feitos pela garotinha. A rosada se sentiu hipnotizada, como se aquilo fosse a coisa mais mágica do mundo e, naquele momento, sentiu-se confortável como a muito tempo não se sentia. Desejou mover seu corpo, queria ir até ela e dize-lá que eram iguais, que a garota morena não era a única que comandava aqueles insetos. 

          Porém ela não conseguia.

Não conseguia sequer mexer um único dedo e, aquela sensação faz um buraco se abrir dentro de si, como se sentisse falta de alguma coisa e de que necessitava chegar mais perto. E então, uma sombra caiu sobre a criança, fazendo os olhos verdes de Summer se arregalaram e ela não sabia o porquê de estar tão assustada e de se sentir tão impotente. 

A garotinha se assustou, enviando as pequenas borboletas para a escuridão que não se revelava para a fêmea. Com medo estampado no rosto delicado e pequeno, a garotinha olhou diretamente para Summer e esticou sua pequena mão em sua direção e, aquela cena, fez algo se partiu dentro da rosada, algo quebrou em pedaços dentro de si e pode então sentir lágrimas rolarem pela sua pele, fazendo a fêmea se arrepiar cada vez mais que ouviu a voz falhada da criança gritar ao ser sugada pelas sombras, tentando inutilmente rastejar para longe, enquanto a olhava esperando que a mais velha a salvasse. 

             — MAMÃE   — A garotinha gritou.

           Foi nesse momento que uma grande dor de cabeça nocauteou Summer, fazendo com que ela apagasse novamente enquanto sentia todo o seu arredor mudar e a sugar como se estivesse mudando de ambiente, como se tudo aquilo que havia presenciado fosse apenas uma ilusão criada por sua própria cabeça.

                                                          🦋      


        Completamente zonza e desorientada, Summer tentou abrir seus olhos com calma, mesmo com sua cabeça explodindo de dor e seu corpo sentindo um frio absurdo. A primeira coisa que notou foi suas mãos, que estavam sujas de uma mistura de  lama pegajosa e o sangue de fada, que brilhava graças à luz da lua. Aquilo a assustou, fazendo dar um impulso para trás, completamente assustada, se apoiou com ambas mãos na primeira coisa firme que sentiu. 

Olhando ao seu redor, notou as árvores fazendo uma passagem nada muito agradável ao olhar. Transferiu sua visão para baixo, vendo a enorme poça de lama em que estava. Se obrigando a mover o seu corpo e  arrastá-lo para fora dali, tudo feito com lentidão devido a dor de cabeça que continuava a lhe maltratar. 

       Ao colocar seus pés, um pouco dormentes, no gramado fora da poça,  sentiu sua dor de cabeça piorar, fazendo  sua visão embaçar, forçando-a e ter de se segurar em galhos de uma árvore velha, porém, logo se empurrou para trás ao ver uma lacraia saindo de um dos buracos na madeira. 

Levou sua mão suja até seu peito coberto pelo vestido verde, que estava igualmente coberto de lama e sangue. Ela foi se afastando, até sentir suas costas colidirem no tronco de outra árvore e ser pega de surpresa por pássaros que saíram voando de galhos, berrando por culpa dela. Sua respiração estava ofegante, mas logo olhou novamente para a passagem, apenas notando a borboleta azul voando em círculos. Por um momento, aquela menina voltou a aparecer na sua mente e Summer se sentiu mais tonta que o normal.

           — Você… Por que você sempre aparece?! — gritou

        Mesmo com dificuldade, caminhou para a passagem e, com suas mãos sujas, tentou pegar a borboleta, que ao invés de se afastar com o movimento bruto, pousou no topo de sua mão e logo voou para fora daquele lugar e Summer apenas a seguiu, engolindo seco ao perceber que aquela borboleta não a obedecia como as outra. Levou as mãos até a testa, tentando se acostumar com a claridade que vinha dos lampiões espalhados pelas estruturas que pareciam fazer parte de algum tipo de vilarejo. 

        Continuou andando, mesmo que sua visão ainda estivesse embaçada e suas vestes estivessem sujas como de uma escrava humana em fuga. Olhou as lojas, estranhando não ter nenhuma aberta em plena madrugada como  na província cauda da raposa. Sentiu um fio se passar por sua mente, dando a ideia de que talvez  onde ela estivesse fosse outro reino ou, outra província da Toca da Raposa. 

Passou as mãos pelos cabelos rosados, sujando as mechas de lama. Quando se deixou observar mais o lugar, viu um barril completamente cheio de água em um canto e então correu em direção a ele, limpando suas mãos e molhando seu cabelo. O vestido foi o último, mas a mesma parou quando notou que a adaga havia voltado para o mesmo lugar que estava antes de nocautear Shino.

         Shino. Como ela havia se esquecido dele por algum momento? Mesmo que tivesse o matado para se defender, ninguém se importaria com isso e a matariam assim que colocasse os pés naquele hotel novamente. Summer estava ferrada, completamente ferrada. A garota respirou fundo, se sentindo mais leve ao sentir a dor passar aos poucos e por conseguir se lavar, se livrando do sangue e se sentindo um tanto culpada por sujar a água potável de alguém. 

Finalmente encontrou um lugar aberto e viu a movimentação através da janela amarelada e a placa ao lado da porta fechada, forçando seus olhos a funcionarem e lerem onde estava escrito bar do povo serpentino. Estalou os dedos, tendo a confirmação de que certamente estaria em outro reino. 

         Tomou coragem para entrar, para lidar com pessoas de outro lugar que certamente iriam ignorá-la. Poderia passar o resto da noite ali, mas sabia que jamais estaria pronta mentalmente para lidar com pessoas novas. Após respirar bem fundo, sentindo forças entrando em si e a fazendo ter confiança, empurrou completamente a porta de carvalho e dando de cara com machos e fêmeas completamente nus, lhe causando total espanto, já que havia outro nome para aquele tipo de estabelecimento. 

Mais um ponto para lista de estar em outro país, pensou Summer. 

Mesmo que ninguém tivesse notado sua presença, e as gotas de água que caíam de seu cabelo e vestido, uma cena havia chamado a sua atenção enquanto se escorava no balcão feito de madeira e bem polido. 

         Uma fêmea de cabelos castanhos presos como dois chifres e com orelhas bem pontudas, abria as pernas de outra fêmea de pele verde e se abaixou até a altura da intimidade, dando um sorriso de canto e soprando em seguida a região, logo deu pequenas lambidas antes de chupar o clítoris amostra e levar um dos dedos até o botão feminino, circulando enquanto dava pequenos sorrisos ao ouvir a suposta amante gemer em puro prazer. As pernas de Summer  tremeram quando os olhos cor de canela a olharam, fazendo a castanha descer mais até a vagina e a lambendo ao redor de sua entrada, tudo sem desfazer o contato visual com a rosada. 

A última coisa que Summer viu antes do balconista a chamar, foi a fêmea enfiando dois dedos dentro da outra, como se fosse uma provocação.

         — Como posso ajudar a senhorita? — Uma voz grossa a despertou.

         Summer o encarou, notando o cabelo grisalho e as mãos fortes, mesmo que com um pano grosso em uma e uma caneca de vidro em outra. A garota suspirou, tentando voltar com seus sentidos e virou totalmente seu corpo para o homem, fazendo ele arquear uma de suas sobrancelhas.

         — Poderia me informar onde estou? — A voz, mesmo que baixa, mostrava sinais de que estaria rouca.

           O macho gargalhou, botando a caneca no balcão e pegando outra, fazendo todo o processo novamente.

         — Está em Buraco da Serpente, onde mais estaria? — Falou como se fosse uma piada.

         Por um momento Summer ficou pálida, em outro, surda. Apenas conseguiu olhar suas mãos fechadas em punhos sobre o balcão, em pura confusão.  As vozes e gemidos presentes do suposto bar voltaram a preencher seus ouvidos quando o macho a chamou novamente, fazendo a garota sair de suas paranoias. Respirou fundo, como havia aprendido e o olhou novamente, tentando dar um sorriso mesmo que falhasse. 

         — Como… Como arranjo moedas soberan aqui? — Engoliu seco.

        — Pode trabalhar como puta ou garçonete aqui, estamos precisando de ambos. — limpava outra caneca.

           Trabalhar? Machos se jogavam em seus pés só para que aceitassem um presente vindo deles e agora, precisaria trabalhar? Respirou fundo novamente, levando uma mão até o peito e olhando as canecas em aliamento no balcão. 

         — Puta não, m- 

        — Ah, por que não? — Summer havia sido interrompida e levando um baita susto, olhando para o lado e notando a mesma mulher da cena de minutos atrás. — Seria ótimo trabalhar com você.

        Gostaria muito de poder dizer o mesmo, mas foi interrompida novamente pelo homem do outro lado do balcão. 

       — Não devia estar trabalhando, Tenten? — exclamou irritado.

       — Já acabei com a senhorita Val. — Olhou Summer novamente, fazendo os olhos verdes encontrarem a cor canela e jurou de pé junto que viu a fêmea lamber seus lábios enquanto olhava os dela. — ela não aguenta muito, sabe?

           Summer abaixou um pouco o olhar, rindo sem mostrar seus dentes afiados e apenas esticou seus braços no balcão, olhando dessa vez para o macho que suspirava fundo e falava algo sobre desobediência, enquanto colocava mais uma caneca contra a madeira. Ela olhou ao redor, vendo aquelas fadas se divertindo e se sentiu um pouco leve, ao perceber que, diferente de onde habitava, não teria de agradar ninguém ali e ninguém iria a agradar, não como ela estava acostumada. Prestou novamente atenção na conversa dos dois, percebendo a interação próxima que eles passavam.

         — Mas de qualquer forma, seus pedidos foram realizados e agora tem uma ajudante.  — A fêmea, intitulada Tenten pelo macho, enroscou os braços morenos nos de Summer.  — Com um pouquinho de produção, ela será a mais bonita daqui.

          — Não quero fêmea bonita aqui no balcão, quero uma trabalhadora para dividir as tarefas comigo.  — O macho olhou sério para as duas garotas à sua frente. 

            Summer olhou para a castanha e viu um tipo de chama em seus olhos, como se estivesse em uma batalha por meses a fio. Se desvinculou da fêmea, que a olhou em seguida como um cachorrinho abandonado. Os olhos verdes encontraram os do macho, que o fez  largar a caneca, se apoiar com ambos os braços na madeira e aproximar seu corpo, ficando próximo dela.

          — Mas você tem coragem, não é?  — ele falou baixo, quase sussurrando enquanto ainda observava os olhos verdes que se mantiveram firmes. — Qual o seu nome, garota?

          — Summer, — corrigiu sua postura.  — Só Summer.

           Ele riu e se afastou, ficando ereto, fazendo em seguida um sinal com dois dedos  para uma fada, que tinha cascas de bode em seus pés e Summer olhou de canto, vendo a fêmea se aproximar e logo o macho atrás do balcão deu uma tossida, fazendo a garota o olhar novamente.

           — Tá dentro!  — Ele se virou para a fêmea que havia acabado de se encostar na madeira polida.  — Leva ela para um quarto lá em cima e explique como as coisas funcionam por aqui.

           A rosada de um sorriso sincero, já que sua sorte parecia estar no auge como nunca em  toda sua vida, mas isso também a assustava já que coisas conquistadas são rapidamente retiradas mais ainda. Sacudiu um pouco a cabeça, se lembrando novamente dos acontecimentos com Shino e que jamais poderia pôr os pés novamente no hotel. O homem bateu seu punho na madeira e isso assustou Tenten, que olhava a rosada havia um tempo.

             — Se você fizer alguma merda, eu irei te jogar na rua novamente — Ele olhava para a castanha, mas a rosada sabia que isso servia para ela também.

            Naquele momento, sentiu um calafrio passar por sua pele e ela sabia que devia ser esperta.

                                                                  🦋 

       O quarto era terrivelmente pequeno, sendo menor que seu banheiro no hotel. Suspirou, passando a mão ainda avermelhada pela nuca enquanto ouvia a fêmea falar seriamente sobre suas tarefas e como as coisas funcionavam naquele bar - que havia descoberto naquele mesmo diálogo que esse nome no reino que estava, era para aquele tipo de entretenimento a noite. -, afirmando da necessidade de contribuir com todos os funcionários. Summer passou sua mão pelo rosto, tentando agora mostrar sinais de cansaço para a fêmea mais velha que, se tivesse notado, escolheu claramente ignorar. 

       Ela respirou fundo, tentando não surtar e por mais que tivesse todos os motivos do mundo para aquilo, apenas sentou na cama e jogou seu corpo para o lado, deixando sua cabeça se chocar contra o travesseiro nada macio. Encolheu o corpo e levou as mãos até o ouvido, tentando impedir o som de chegar em sua mente completamente barulhenta. Fechou os olhos devagar, respirando fundo e se acostumando novamente com aquela sensação de tranquilidade.

        Se deixou ser levada pela escuridão, sendo esmagada pelo cansaço que há tempos não sentia. Sua respiração já voltava ao normal e tranquilizava todo o resto do corpo, fazendo tudo em si ficar mais leve e o redor menos sufocante. E então, sua mente se esvaziou pela primeira vez desde a madrugada.

                                                       🦋

         A água entrava pelas suas narinas e fazia a criança tentar lutar contra a correnteza, engolindo a água salgada e escura. Lágrimas que caíam de seus olhos se misturavam com a correnteza e por mais que sentisse seu corpo sendo puxado para baixo, seus instintos e unhas afiadas a aconselhavam agarrar em qualquer coisa que pudesse ver. Mas, algo na mente da criança desligou, como se ela tivesse apagado. Então, a criança mergulhou e todo seu corpo sumiu na água.

          Um pulo, foi isso que Summer fez ao acordar de seu pesadelo constante. Olhou para os lados, beliscando sua perna para que sentisse que agora estava segura e sem problemas. Sua respiração ofegante saia pela boca como uma prece de uma Kelpie para uma das mais rasas águas. Passou a mão por todo seu rosto suado, que transmitia dor e infelicidade.    

           Seu corpo doía pelo movimento brusco, fazendo com que a rosada precisasse se sentar na cama dura e desse tempo necessário para reconhecer todo o ambiente novamente, se adaptando àquele lugar pequeno. Fadas se acostumam muito rápido com ouro, mas demoram para se acostumar com cobre.       

              — Bom, acho que pior que isso não pode ficar. — a voz ofegante preencheu o ambiente.

          Com isso, um rangido estranho soou e, em seguida, a cama quebrou embaixo de si, fazendo com que a garota batesse a cabeça na parede cinza e, em seu rosto um lampejo de dor apareceu, fazendo com que um grito de susto saísse de sua garganta. Levou a mão para a cabeça, massageando com vontade de que a dor diminuísse. 

           Ouviu uma batida na porta coral, fazendo sua atenção ir para a mesma e de lá, uma Pixie morena saiu e Summer pode notar o cesto de palha cheio de roupas possivelmente sujas em um de seus braços. A rosada levantou uma sobrancelha, fazendo a fada rir. 

              — Acho que você precisa de um banho antes de começar seu trabalho aqui… — A fêmea com nuvens em forma de cabelo, pele morena e olhos escuros como a noite, admirou o céu completamente azul e vívido. — Trinta minutos. Se fosse você, não me atrasaria para o primeiro dia.

              — Onde posso achar roupas? E… onde posso me banhar? — A voz de Summer saiu fraca.      

              A menina com asinhas nas costas riu, revirando os olhos e pousando a mão livre na própria cintura. Summer não sabia se era só ela, mas estava sentindo um clima de desconforto pairando no ar e cercando aquele ambiente que ela devia estar querendo se familiarizar. Fadas eram problemáticas entre elas, mas o melhor de tudo é que pelo menos a rosada não era humana. 

           — Bom, acho que a Mamie devia ter te falado sobre isso, mas presumo que não deva ter ouvido. — A fêmea platinada olhou para a roupa ainda suja de sangue feérico. — me siga! Irei te ajudar, mas só dessa vez, porque acho que na próxima podemos barganhar. 

              A garota rosada levantou em um pulo, andando até a platinada enquanto ajeitava a roupa ainda suja de lama e sangue, seguindo a fêmea pela porta. Antes de fechar, olhou bem o novo quarto e evitou notar a cama recém-quebrada. Muito rápido e muitas novas escolhas.

                                                                     🦋

  

            — Eu espero que você tenha conseguido relaxar e se limpar. — O homem, que não parecia tão grande para Summer em plena madrugada, falou. — Me chamo Asuma e sou dono desse bar híbrido. 

               Ela respirou fundo, dando um de seus melhores sorrisos porque realmente se sentia mais leve depois de um banho completo e vestida com roupas novas, mesmo que ainda sentisse uma necessidade absurda de esfregar sua mão já vermelha devido ao atrito. Tudo estava acontecendo rápido demais, indo rápido e calmo demais, ela não sabia em quem confiar. Sua mente estava farta de pensar, já que no seu banho só se lembrou do corpo caído de Shino e das borboletas o cercando como se ele fosse uma carcaça.

               — Eu me chamo Summer, como havia falado mais cedo. 

               O homem deu uma boa olhada nela novamente, como se estivesse a reavaliando. 

Ele não iria me mandar embora — pensou a rosada— ele me contratou rápido porque certamente estava precisando. 

O cara abriu uma mini porta, que dava acesso para a parte de trás do balcão e onde ele estava limpando garfos daquela vez. Ele pegou uma toalha pendurada em uma parede no lado esquerdo, onde ela estava e deu para que a mesma segurasse, indicando com a cabeça alguns talheres faltando serem polidos.

                  A rosada, completamente desconfortável com o homem que parecia se fazer de mudo naquele momento, pegou o tecido áspero e úmido, levando em seguida sua mão até um dos talheres de cobre e o esfregando, olhando às vezes de lado para saber se estava fazendo corretamente. Algo na sua mente não a deixava descansar nem por um minuto, porque horas atrás ela jamais estaria fazendo isso.

Mas ela tinha que se adequar, afinal, o mundo das fadas mudava de um dia para noite e já havia acontecido algo semelhante com ela sobre mudanças radicais e, sobre o que havia aprendido sobre isso? Seja mais maleável do que aço em uma forja. 

                    — Ontem você estava completamente molhada e com sangue em suas vestes em plena madrugada. Posso saber o motivo? — o homem com orelhas pontudas e cabelos grisalho perguntou, quebrando o silêncio que ele mesmo havia criado.

                  Uma respiração ofegante, foi somente com isso que Summer havia respondido ele antes de engolir uma saliva rebelde. O homem soltou um riso nasal, fazendo a garota olhar de canto novamente e não conseguindo evitar a sobrancelha rosa levantada em pura desconfiança. Algo estava errado. 

                   — Aquela Pixie, Lamia, de cabelo branco e asas — ele apontou com a cabeça, indicando a fêmea que mais cedo havia mostrado os lugares que ela poderia se vestir e pegar mudas de roupa, que descobriu que iriam sair de seu salário futuramente. — Foi resgatada de uma canibal Kelpie.

                   Summer tentava se concentrar no seu trabalho, mesmo que jamais tivesse feito aquilo com suas próprias mãos. Ela realmente não queria saber da historia de vida de uma outra pessoa além da dela. já estava completamente sobrecarregada e gostaria de ter momentos leves antes da guarda central a encontrar e a decapitar em praça publica pelo assassinato de um lorde pequeno e insuportavel.  

   Ninguém iria lutar por ela, ninguém iria contra a corte Silvestre para a proteger. Kakashi, ela pensou, mas logo sacudiu um pouco a cabeça ao lembrar da corte que ele pertencia e de sua família insuportável. Ela estava sozinha, e pior? em um reino que nunca na vida esteve e nem esperava estar. Mas foi educada, respondendo de forma certa:

                   — Tomei atitudes erradas, só isso. — A voz dela realmente havia ficado rouca.

                   O macho a olhou por segundos antes de sacudir a cabeça em concordância. Naquele lugar, naquele mundo repleto de fadas e barganhas, ninguém podia confiar em ninguém, uma atitude errada e você pode virar uma escrava ou envelhecer 10 anos. Humanos normalmente viravam escravos, principalmente por sair de seu mundo através de portais que jamais deveriam ter sido abertos e barganhavam com Feéricos de alto escalão ou com qualquer um que tenha maldade na mente, sendo esta a grande maioria dos feéricos. 

                   — Tomar atitudes erradas causam um grande estrago, eu sei bem como é. — O grisalho passou as mãos pelo cabelo, depois de encarar seu trabalho bem feito em cima de uma madeira bem polida. — Às vezes você nunca se recupera.

                   Ela sabia bem disso, muito bem.

                                                                     🦋

                   Apesar dos comentários sarcásticos vindo da maioria dos clientes - que com isso,  novamente ela havia descoberto que aquele estabelecimento quando o dia raiava, era enchido por outros tipos de freguesia naquela parte da manhã, como se fosse uma pensão bem sucedida - e pelo silêncio desconfortável vindo de seu recém chefe, tudo caminhava de forma leve e amigável. Há tempos não vivia isso, não vivia sem uma pressão caindo em seus ombros. 

            Seus olhos verdes como a floresta que cercava a vila, rolaram pelo salão cheio, pelas canecas repletas de espuma e pela comida quente. havia humanos ali, humanos com seus cabelos loiros e ondulados, carregando espadas como se fossem algo de importante naquele lugar. Muitas das vezes teve de se segurar para não rir e levar uma bronca de seu chefe, mas ela realmente não conseguia entender o motivo daqueles seres saírem de seu próprio mundo para enfrentar problemas bem piores nos das fadas. 

                    — Por que você acha que eles vêm para cá? — A curiosidade havia vencido, deixando de lado as canecas já limpas e apoiando seu queixo em uma de suas mãos, enquanto jogava seu corpo ainda rígido pela madrugada para frente em busca de apoio no balcão.

                   Seu chefe teve que virar a cabeça em direção a alguns grupos de orelhas redondas, já que estava de costas para ela por causa da caneca de cerveja açucarada que enchia, e em seguida sacudiu os ombros, voltando a encher os copos para por em uma grande bandeja que uma feérica carregava para entregar alguns clientes. 

                    — Alguns precisam reviver de vidas infelizes, ou outros apenas são guiados pela aventura de descobrir algo novo. — Ele esticou o braço grande, colocando a caneca na bandeja e dispensando a fêmea para entregar. Summer a seguiu com o olhar. — Mas, o que realmente importa, é que eles pagam melhor até que muitas fadas.

                    Ela riu, voltando a postura firme quando um feérico bem bonito de cabelos escuros, orelhas pontudas, pele pálida e olhos pretos como uma noite estrelada passou pela porta de carvalho. Se não fosse a intromissão de seu chefe a cutucando para anotar o pedido, certamente estaria babando que nem uma tarada sobre o balcão. Se ela acreditasse no grande Elo, acharia que um deus em pessoa a foi chamar para sua próxima vida. 

                     — Preciso de um carvie repleto de ervas de ortiga. — A voz grave e sorrateira como uma sombra aguçou os sentidos de audição da rosada, que havia até mesmo prendido o cabelo em um rabo de cavalo. 

                     — Vou pedir à cozinheira para preparar. — O seu chefe que falou, fazendo ela a olhar com uma certa raiva por a deixa sozinha na presença do macho. 

                      Summer o encarou, vendo que ele também a olhava com um certa curiosidade e logo desviou seu olhar, encontrando o de Lamia e a rosada encontrou malícia no sorriso da mesma quando seguiu com a cabeça. Respirou fundo, olhando a pequena tabela feita com tinta de sabudo e encontrou o preço para o chá que o macho havia pedido. 

                     — Oito Soberan. — Ela falou chamando a atenção dele esticando a mão para pegar as moedas de ouro que logo pousaram em sua pele quente. Um arrepio passou por todo seu corpo e ela teve que se segurar muito para não deixar as moedas caírem. 

                       Ele apenas balançou sua cabeça e foi se sentar no canto do salão, um dos únicos lugares vazios e onde a luz não batia muito bem. Pensamentos passaram de forma torturante por sua cabeça, enquanto ela guardava as moedas no mini baú embaixo do balcão. 

                      Viu seu chefe voltar e se posicionar ao seu lado, calmo e relaxado até uma menina de cabelos escuros e pele azulada passar pela porta, deixando os chifres escondidos pelo arco vermelho que trançava sua cabeça. Ela era linda, linda o suficiente para ser parte da corte e devia ter apenas oito anos de idade. A garota pulava antes de parar na frente de Asuma e abrir um sorriso enorme, mas o macho não retribuiu. ela esticou seus braço finos, mostrando um papel com muitas coisas escritas que a rosada certamente não conseguiu ler por conta da movimentação constante da mais nova. 

                     — Sei que o senhor não gosta que eu venha aqui, papai, mas vamos ter uma nova princesa. — Aquilo havia chamado a atenção de todos, fazendo todo o salão ficar em completo silêncio, apenas para poder ouvir a nova notícia. Chegava a ser engraçado todos olharem para o balcão em busca de mais informações sendo que em menos de segundos atrás estavam gritando e até mesmo cantando.  — O príncipe Shikamaru vai se casar com uma princesa da toca da raposa.

                         Aquilo trouxe um desconforto enorme para Summer, mesmo que ela não soubesse o real motivo daquilo. Casamentos reais vivem acontecendo, principalmente em cortes inferiores e de fadas plebeias. Só que, muitos almejam se casar com alguém da família comandante de todo o continente. Mesmo que fosse apenas para ser uma simples concubina, ainda sim seria  uma grande honra servir aos Raposas. Mas eles só tinham três herdeiros vivos, sendo um muito novo e frágil para se casar, restando Naruto Raposa e Ino Raposa. O que ela sabia sobre a árvore genealógica deles era curto, mas sabia que os primos Ino e Naruto eram muito próximos e alguns até cochichavam no Hotel sobre a possibilidade de um casamento entre ambos.Mas isso certamente afetaria as uniões políticas da família e além de pularem uma geração do tratado real. 

                           Summer coçou a cabeça, sabendo que os dias iriam ficar piores se o casamento dos dois fosse de forma rápida, já que o policiamento nas ruas e as caças de assassinos iriam aumentar para um novo governo que iria se iniciar.

                        Asuma cruzou os braços e olhou de forma dura para a suposta filha. 

                      — Não importa. — foi aí que as fadas voltaram a sua baderna, parecendo que estavam evitando ouvir a bronca que a garotinha feérica iria levar de seu pai. justo — Raposas são traiçoeiras e não importa qual delas venha para cá, você jamais deve se empolgar com isso.

                       A garotinha pareceu suspirar profundamente e engolir suas lágrimas, abraçando o papel já amassado contra seu corpo e logo olhando na direção de Summer, encarando ela até que a rosada levantou uma sobrancelha e olhasse seu chefe em busca de respostas.

                      — E essa ao meu lado é Summer, a nova balconista. — Ainda falando com dureza, ele apontou para a rosada com o dedão.

                      — Você sabe ler? — Ela perguntou para a fêmea, ainda encarando a mesma sem dar uma piscada. Summer reparou os olhos lilases e pôde notar que seu chefe, Asuma, tinha a mesma coloração. 

                        Dessa vez Summer que cruzou os braços, olhando a garota com um sorriso de canto como se agora o jogo inexistente tivesse sido virado. 

                      — Talvez, por que? — A voz de Summer saiu com um certo glamour, fazendo seu chefe a beliscar no braço e dando à menina um motivo para rir.

                        A garota soltou um sorriso encantador, esticando o papel em direção da fêmea dessa vez e se aproximou mais do balcão, se sentando em um dos banquinhos altos enquanto olhava summer, que já havia pegado o papel das mãos azuis, lendo o folheto e o colocando em seguida na madeira. a rosada fez uma expressão de dúvida em direção da garota.

                       — Você vai me ensinar a ler.  — Enfim, os olhos brilharam em felicidade. 

                              

   

                     

                  

                 

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