2: Superando os Obstáculos

Após terminar o banho, Xiao Zhan pegou seu celular e, ao desligar a música, saiu do banheiro. De repente, ele foi surpreendido quando Mêncio Yin o agarrou e pressionou contra a parede branca de seu quarto. "Adoro o seu cheiro quando você sai do banho".

O ômega fechou os olhos, sentindo o nariz de Yin se aproximar de seu pescoço. Ele sentia aversão por aquele rapaz mais do que por qualquer outra pessoa, e o aroma de gengibre que exalava dele lhe causava náuseas.

"O que você está fazendo aqui? Este é o meu quarto e você não é bem-vindo", disse Zhan.

Yin soltou uma risada de deboche e apertou ainda mais os cotovelos dele. "Acho fascinante como você acredita que tem algum controle aqui dentro", respondeu ele.

Xiao Zhan sentiu-se ameaçado. "Me solta! Se eu começar a gritar, você sabe que a polícia vai aparecer!"

Yin respirou fundo; ele achava absurdo que o ômega ousasse desafiar suas vontades, já que, como alfa, exigia respeito.

Mêncio Yin sempre se incomodava com os vizinhos intrometidos. No entanto, naquele momento, ele sorriu maliciosamente, segurando o maxilar do ômega com força. "Em breve, esses vizinhos não se intrometerão mais, e você será completamente meu, por livre e espontânea vontade."

"Como assim?" Questionou Xiao Zhan, com medo. "Nunca me deitaria com você, Yin. Preferiria a morte!"

"Veremos", respondeu o alfa. "Quando chegar o seu próximo cio."

As palavras dele causaram arrepios em todo o corpo de Zhan. Ele sabia o quão intensos eram os efeitos do cio nos ômegas, não importava qual alfa o satisfizesse, eles só desejavam que a dor passasse e seus desejos carnais fossem saciados.

De repente, Xiao Zhan percebeu que não tinha pensado em como lidar com seu próximo cio. Ele não podia comprar um supressor, pois Yin havia levado todo o seu dinheiro e mantinha seu quarto sempre trancado. Além disso, seu sono era leve e seu quarto ficava no segundo andar da casa, impossibilitando qualquer possibilidade de invasão pela janela.

Sem o supressor, o ômega sabia que, uma vez que seu cio começasse, ele inevitavelmente se renderia ao único alfa presente, Mêncio Yin. "Jamais me deitarei com um porco nojento como você, Yin", disse ele.

Os olhos do alfa faiscaram de raiva e ele socou o rosto de Zhan, fazendo sua cabeça bater forte contra a parede. "Na próxima vez que ousar falar assim comigo, vou quebrar todos os seus dentes", ameaçou Yin antes de sair do quarto.

Xiao Zhan deslizou para o chão, sentindo a dor pulsar em seu rosto, enquanto cobria-o com as mãos, permitindo que as lágrimas escorressem.

"O jogo vai começar em breve, é melhor descer e preparar os salgados!" gritou Yin do lado de fora do quarto.

Zhan sentiu um pavor crescente só de pensar em se render àquele rapaz. Ele sabia que precisava agir, não podia simplesmente ficar parado.

Dia seguinte...

Xiao Zhan estava perdido em seus pensamentos, sua mente mergulhada em um mar de incertezas enquanto observava a grama encharcada à sua frente. Pensava em uma maneira de fugir, mas como poderia fazê-lo sem sequer ter um centavo no bolso? Pegar suas coisas e partir em sua velha bicicleta enferrujada só pioraria a situação. Ao menos, Yin se limitava a ameaçá-lo e agredi-lo, não tentava abusar dele desde a última vez que a polícia foi chamada pelos gritos desesperados do ômega. No entanto, Zhan sabia que Mêncio Yin estava apenas esperando o momento certo para conseguir o que queria e, certamente, marcaria ele.

Ele foi trazido de volta à realidade ao ouvir o som de uma moto se aproximando e imediatamente reconheceu o cheiro reconfortante de menta. Seu coração começou a bater mais rápido.

Ele levantou a cabeça e viu Wang Yibo descer da moto, retirando o capacete e arrumando o cabelo. Zhan não pôde deixar de notar a aparência perfeita daquele Alfa Lúpus: alto, jovem e com um porte físico que lembrava um jogador de futebol americano.

Embora nunca tenha tido experiências sexuais, Zhan não era ingênuo e já havia assistido e lido muitas coisas sobre o assunto. Ele sonhava com Yibo e fantasiava sobre possíveis aventuras dos dois juntos.

Com Yin dormindo depois de uma noite de bebedeira e Zhan não conhecendo ninguém naquele bairro além de Yibo, o ômega viu ali uma oportunidade para pedir ajuda.

Largando a mangueira, Zhan atravessou rapidamente a rua e ficou em frente ao Alfa Lúpus, impedindo-o de subir para a varanda de sua casa.

Após um momento de silêncio tenso, os dois se encararam por alguns segundos. Xiao Zhan jurou ter visto os olhos de Yibo mudarem de cor, como se fossem tingidos de vermelho, mas a mudança foi tão rápida que ele não pôde ter certeza se aquilo realmente aconteceu.

Wang Yibo quebrou o silêncio com uma pergunta direta: "Precisa de alguma coisa?"

Quase sem pensar, Zhan murmurou em resposta: "Açúcar."

Wang Yibo permaneceu em silêncio, mas seus olhos se fixaram no hematoma ao redor do olho esquerdo de Zhan, resultado do soco desferido por Yin no dia anterior.

"Certo, vou buscar para você", disse Yibo, passando pelo ômega. Já dentro da casa, Zhan o seguiu sem ser convidado.

'Uau', pensou o ômega ao adentrar na casa de Yibo. A limpeza e organização eram impressionantes, especialmente em comparação com o caos em que vivia com Yin.

Ele seguiu Wang Yibo até a cozinha, onde o alfa lhe fez uma pergunta casual: "É só isso que você precisa, Zhan?" Ele afastou-se para pegar o açúcar.

Zhan ficou surpreso com a familiaridade e perguntou: "Como você sabe meu nome?"

"Nós estudávamos na mesma escola", explicou Yibo, enquanto Zhan se acomodava em um dos bancos da bancada.

"Ahh, sim!", riu Zhan. Ele observou enquanto Wang Yibo enchia uma xícara com açúcar. "Sabem o que dizem... que quando um vizinho ou vizinha pede açúcar é porque querem transar."

"O quê!?" Yibo virou-se para ele, chocado, quase deixando a xícara cair.

"Li isso uma vez em um site", respondeu Zhan, enquanto conferia suas unhas e balançava os pés que não tocavam o chão.

Wang Yibo achou engraçado a forma tão natural como o ômega havia dito aquilo, afinal estava na casa de um vizinho lhe pedindo açúcar.

O alfa lúpus entregou a xícara de açúcar para Zhan, e perguntou: "Desculpe, sou meio lento às vezes, aquilo foi uma indireta ou uma cantada?"

Xiao Zhan deu de ombros e sorriu abertamente antes de inclinar-se para a frente: "Ambos. Como diz o ditado, se você quer, eu também quero."

Yibo franziu a testa: "Não acho que isso seja um ditado, Zhan."

O ômega pulou do banquinho e se aproximou do alfa, dando a volta na bancada. "Não? Bem, agora é", disse ele, sorrindo.

"Mas falando sério, Yibo, eu realmente preciso da sua ajuda", continuou Zhan, o sorriso desaparecendo de seu rosto. "Não posso depender dos vizinhos para sempre. Eles chamaram a polícia da última vez que Yin tentou abusar de mim. Não tenho para onde ir ou como me proteger dele quando meu cio chegar. Sei que eles poderiam me proteger, porém..."

Antes que pudesse terminar, a gargalhada de Wang Yibo ecoou pelo ambiente, deixando Zhan desconcertado.

"Eles te protegem? Meu Deus, nunca ouvi tanta bobagem", disse Yibo, rindo da ideia.

"Ah, que engraçadinho, Yibo! Eles realmente me ajudaram, ok? Eles são conservadores e tradicionais e entendem que um alfa não deve tocar em um ômega que não seja seu", respondeu Zhan, franzindo a testa.

"Quem te contou essa merda?", perguntou Yibo, incrédulo.

"Bem... ninguém, mas a polícia realmente apareceu em casa. Então, pare de agir como um idiota, ok?", falou Zhan, dando um tapa amigável no braço do outro.

"Idiota lerdo é você, Zhan. Não existe uma lei que proteja os ômegas. Essa é a realidade", explicou Yibo de forma direta.

Xiao Zhan piscou os olhos, tentando processar o que acabara de ouvir. "Mas eles vieram", afirmou.

"Eles vieram porque receberam uma ligação do filho de um dos advogados mais importantes da cidade. Essa ligação poderia prejudicar todos naquela maldita delegacia, então sentiram-se obrigados a fazer alguma coisa", esclareceu Yibo.

O ômega olhou para Wang Yibo com um olhar incrédulo e uma mistura de emoções em seu rosto. "Estou realmente confuso", murmurou ele, ainda tentando processar o que havia acontecido.

"Acha mesmo que um alfa ficaria preso por agredir um ômega? Quantas vezes seu padrasto foi preso por agredir sua mãe e sempre voltou poucos dias depois?" Questionou Yibo, olhando para ele com seriedade.

Xiao Zhan suspirou, sabendo que a resposta era verdadeira. "Não sei... Perdi as contas depois da quinta vez. Mas quem poderia ter ligado?", perguntou, ainda confuso.

"Conhece Wang Yilong?", perguntou Yibo.

"Já ouvi falar algumas vezes...", respondeu Zhan, sua expressão mudando para o choque. "Wang Yibo, Wang Yilong... meu Deus, você é filho daquele advogado", disse ele, com a boca aberta em choque.

"Ora, ora, parece que temos um Sherlock Holmes aqui", brincou Yibo.

"Então foi você quem ligou todas as outras vezes?", perguntou Zhan.

"Sim, mas sua mãe foi ingênua demais para ir embora com você quando teve oportunidade", respondeu Yibo, de forma direta.

"Por que você fez isso?"

"Cresci em uma família que preza os princípios de respeito e igualdade para todos. Acreditamos que os ômegas merecem o mesmo respeito e dignidade que qualquer alfa. Viver em um casamento onde o ômega é forçado a seguir as exigências do alfa, sendo agredido, abusado, traído e humilhado dentro da própria casa, é inaceitável. Alfas que tratam ômegas dessa maneira não merecem respeito e devem ser responsabilizados por seus atos. Infelizmente, ainda há poucas pessoas que enxergam isso", explicou Wang.

"Infelizmente, a hierarquia entre alfas, betas e ômegas ainda é uma realidade. Mas isso não significa que devemos aceitar e perpetuar esse sistema injusto."

"Exatamente. Então, o que você precisa? Dinheiro?" Questionou Yibo.

Xiao Zhan hesitou por um momento antes de responder. "Não, não. Nunca conseguiria pagar de volta. Além disso, se eu sair desta cidade, nunca mais voltarei", explicou ele. "Preciso que você compre um grande estoque de supressores para mim."

Yibo franziu a testa, preocupado. "Mas você sabe que isso não é bom para um ômega, certo?"

"Eu sei, mas é a única coisa que pode me ajudar nesta situação", disse Zhan, parecendo abatido. "Não tenho para onde ir, não tenho família ou amigos nesta cidade, nem dinheiro suficiente para comprar os supressores."

Wang Yibo cruzou os braços sobre seu peito forte. "Então é só isso que você precisa?"

"Você poderia me dar veneno, eu o colocaria na comida de Yin e o problema estaria resolvido!"

Yibo franziu as sobrancelhas em resposta ao pedido dele, olhando desconfiado para o ômega. "E como você se livraria do corpo?" perguntou ele, pensando na logística do plano.

Zhan respondeu prontamente, com uma confiança que fez o alfa arquear as sobrancelhas. "Eu já assisti a muitos casos de serial killers, cortar e se livrar de um corpo não é tão difícil", disse ele.

Wang Yibo ficou chocado com a resposta, mas antes que pudesse dizer mais alguma coisa, o ômega mudou de ideia. "Claro que não", disse ele, fazendo uma careta de nojo. "Acho nojento cortar um peixe, imaginar cortar uma pessoa é ainda pior."

"Ok, eu comprarei o supressor para você", declarou Yibo, compreensivo.

"Ótimo", respondeu Zhan, sentindo um alívio imediato. O ômega estava tão animado que abraçou os ombros largos do alfa, este ficou momentaneamente surpreso. Quando Yibo finalmente reagiu, Zhan já havia se afastado.

Enquanto saía apressadamente da cozinha, Xiao Zhan explicou que precisava ir antes que Mêncio Yin acordasse e que ainda tinha que preparar o almoço para ele. Prometeu retornar por volta das onze da noite, quando Yin costumava dormir. Yibo lembrou Zhan sobre o açúcar, mas ele respondeu que já tinha em casa. Wang Yibo deu de ombros, com um sorriso discreto nos lábios, enquanto ouvia a porta da sala bater.

Horas mais tarde...

Já passava da meia-noite quando Wang Yibo despertou, esticando-se após ter cochilado brevemente no sofá. Com o corpo ainda sonolento, ele se aproximou da janela.

Na casa em frente, apenas uma sala estava iluminada e não havia sinal do Ômega. Após um dia exaustivo na faculdade, Yibo estava morrendo de sono e não tinha disposição para esperar por muito mais tempo. Além disso, dormir no sofá era extremamente desconfortável para alguém do seu tamanho.

No entanto, por algum motivo desconhecido, ele sentia ansiedade para encontrar o Ômega novamente. Até seu lobo parecia um pouco empolgado com essa possibilidade.

Mesmo assim, ele precisava descansar. Afinal, se Xiao Zhan aparecesse, o Alfa despertaria e entregaria os Supressores. Subindo para o quarto principal, Yibo se acomodou em sua espaçosa cama e relaxou, adormecendo rapidamente.

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