28. ágatha
a verdade veio átona.
ERA DADO A hora de ir, mas Rosalie seguia relutante para que ela fosse levada até a casa de Agatha, mas sabia que era necessário, eles chegariam em algumas horas e a pobre e indefesa mulher morreria sem alguma proteção — pra falar a verdade, sua morte não era a verdadeira preocupação, exceto para Esme, que criou um laço de amizade com a moradora. A verdadeira preocupação girava entorno das aparências, era o que eles precisavam manter, e uma morte repentina de sua primeira vizinha traria algum ar de desconfiança.
Rosalie não estava relutante em deixar Angel, ela não precisava desse medo, ela sabia que deveria temer pelos vampiros que a encontrassem pelo caminho. O único problema, era que a bruxa parecia estar em um tipo de estado vegetativo, mesmo que estivesse acordada e andando durante o dia. A noticia de Kol causou uma certa turbulência nos pensamentos da menina, e isso estava mais que claro.
A real preocupação não se tratava do seu coma acordado, mas sim dos seus pulmões, que pareciam estar ficando mais comprometidos conforme as horas se estendiam. Jasper e Alice ouviram perfeitamente o momento em que seu coração pareceu ficar mais lento — e foi exatamente no momento em que ela soube das visões de Alice, os seus olhos viraram rubis e algo anormal havia acontecido, mas para eles a única explicação era que ela estava fora de controle com aquela noticia, mas havia alguém que sabia perfeitamente a explicação para aquilo e estava mais que ansiosa para esse momento.
Jasper e Alice dirigiam o carro na menor velocidade possível, apenas para estender o momento entre eles. Eles até poderiam ter ido andando, isso aumentaria mais ainda o tempo entre si, mas Angel estava mais debilitada que o normal e eles não queriam que ela fizesse esforços. Ela estaria com Agatha por precaução, porque nas visões de Alice, a única em que a vizinha não morria, Angel estava com ela.
A janela do carro estava aberta, e os olhos de Angel giravam em uma bruma de verdes, azuis e brancos, sua percepção se desenrolando como um rolo de gaze. Em sua imaginação, parecia que ela sentia os espinhos. — pequeninas agulhas que se enroscam em volta de seu pulmão, pressionando suas garras contra seu corpo frágil.
Ela piscou diante da sensação de dor e se virou para ver uma pontada de um sol luminoso e um céu azul que ameaçava surgir diante do tempo chuvoso e pacato de Forks.
— Angel, sinto seu desconforto e sua dor. – Jasper disse, seu tom era tranquilo, mas ela deu um leve pulinho quando foi tirada de seus pensamentos. – Diga que não quer e voltaremos para casa, se eles vierem para cá e você precisar lutar... – ele suspirou. – Você não vai conseguir.
Ela respirou, muito fundo e então deu de ombros.
— Me pediram para estar aqui, então agora não tem necessidade de voltarmos atrás. – ela sorriu.
Alice pareceu engasgar momentaneamente, mas isso foi só uma forma de trazer a atenção de Angel para si.
— O que aconteceu com você? – Alice perguntou e Angel só conseguiu erguer as sobrancelhas sem entender aonde ela queria chegar. — Digo, naquela tarde, quando soube de Kol, você fez algo... – Ela parecia olhar para ela tentando entender.
— Me diga especificamente o que eu fiz. – Seu tom alcançou um tédio, ficou nítido que ela não estava gostando do rumo que aquilo estava se tornando.
— Não sei. – Alice pareceu vagar em um nada, em um mar de perguntas que nunca haveria uma sequer resposta. – Me diga, quando ia me contar que está usando aquele livro ?
Esse foi o único momento em que Angel encarou seus olhos através do retrovisor, Alice não deixou de sentir uma sensação estranha, os par de olhos azuis que a encarava parecia mais macabro que nunca.
— Você escondeu de mim. – Ela deu de ombros novamente. — Ele apenas me encontrou, eu não
procurei.
— Não precisava mentir, Angel. – Jasper disse. — Estamos aqui por você. – Ele sorriu, e então ele se virou, a levantando de seu lugar com a maior facilidade possível. Ele a puxou para seu colo, enquanto voltava a outra mão para o volante, tudo em questão de menos de um segundo. — Te amamos, querida.
— Eu também amo vocês. – Ela suspirou ao sentir as mãos de Alice acariciarem suas bochechas. O olhar macabro de dissolveu em pureza, porque a única coisa que conseguia ir contra aquela voz que soava em sua cabeça, era o amor que sentia por eles.
ELA ESTAVA PARADA no hall da entrada, enquanto os vampiros davam tchau para a querida vizinha, que retribuía o aceno com o sorriso mais estonteante que os olhos humanos e inumanos poderiam ver. Quando a porta de madeira se fechou, a mulher virou-se para ela, o sorriso que antes era forçado agora assumia um ar maldoso.
— Fique a vontade, querida ! – Ela sorria. — Preparei um quarto para você, leve suas coisas até lá, é na primeira porta a direita. – Instruiu, enquanto sinalizava a escadaria a frente.
A casa dela de fato, não era gigantesca, mas também não era tão simples. Ela subiu as escadarias passando os dedos pelo corrimão, até alcançar o ultimo degrau, ela olhou para o corredor e andou diretamente até a primeira porta a direita.
Ela tocou a maçaneta e a girou, apenas para notar um quarto extremamente claro, havia ursos e bonecas nele, seus tons claros eram acolhedores, o que comoveu ela em um instante com à possível ideia de que talvez o passado de Agatha fosse mais difícil do que pensava.
Ela andou, deixou sua pequena mochila na cama, mas aquela anterior ideia que Agatha fosse uma coitadinha sumiu quase no instante que viu uma foto, aquela foto pareceu a deixar tonta por um breve momento.
Ela pulou por cima da cama e correu em direção a cômoda, lá estava ela — uma foto extremamente antiga, dava para notar pelas suas vestimentas que aquela não era bem à época atual, deveria ser de umas cinco décadas atrás, e lá estava todos seus irmãos. Era uma foto de família completa, e ao lado de Kol, estava uma garota extremamente parecida com ele, ela era pequena comparado ao tamanho do garoto ao seu lado.
Ela presumiu que essa era a irmã gêmea que ele mencionou, mas ela era muito parecido com ela, seus cabelos eram ruivos. – exatamente do tom do da garota, ela tinha sardinhas e a pele pálida, as pontas do cabelo encaracolados enquanto caiam abaixo dos ombros. Os olhos azuis vibrantes foram o detalhe que mais atraiu sua atenção, elas se pareciam em cada detalhe, mas Angel travou a respiração. Ela precisou travar, porque seus olhos capitaram nas mãos da garota, lá estava ela. A bússola, aquela bela bússola dourada, e em sua outra mão ela segurava um livro entitulado de Alice no Pais das Maravilhas.
— Angel ! — Ela escutou o grito, e rapidamente largou o porta retrato, virando-se para aonde o som havia sido emitido. A voz era masculina, ela reconheceu rapidamente que se tratava de Kol. — Me ajude, me tire daqui.
Ela respirou fundo, o ar parecia escapar de seus pulmões. Angel apertou os dedos na madeira da porta, apenas para tentar amenizar a sensação que alguém parecia esmagar seus pulmões, o ar sempre estava lhe sendo roubado a mais do que deveria. Seu coração disparado, estava ficando mais lento a cada minuto, ela sabia que algo estava sugando sua vida e ela precisava descobrir o mais rápido possível.
Ela pensou em tudo, mas principalmente no fato de que sempre esteve certa quando se tratava de Agatha, era mais que claro que algo de errado havia com ela. A mulher sabia mais do que sua face de boa moça aparentava, e com toda certeza, isso seria algo que ela jogaria na cara de Esme dali a algumas horas.
Ela sabia que Agatha deveria cegar as visões de Alice, ou simplesmente modifica-las, estava mais que claro que ela era a bruxa forte que Rebekah havia dito. E provavelmente, o fato de que ela "morria." pelos recém criados, era mais uma de suas manipulações.
Angel andou pelo corredor escuro, as portas pareciam vibrar cada vez que ela se movia, ela não podia negar que havia uma pontada de medo que crescia a cada instante dentro dela, mas havia uma pontada de algo maior ainda, o caos.
— Kol ! Aonde você está ? – ela sussurrava, os ouvidos atentos a qualquer ruído. Ela frequentemente se virava para trás, só pela sensação de que havia algo em suas costas, o que lhe dava muitos arrepios. — Me responda, por favor. Você é um vampiro, tem que me ouvir. – ela parecia desesperada.
— Aqui, estou aqui. – sua voz era baixa, e ela captou que vinha da ultima porta. Ela andou em passos apressados até ela.
Suas mãos tocaram a maçaneta de formato circular, ela as girou com pressa, mas como ela já imaginava estava trancado. Ela fez menção em usar sua magia, ela ergueu as mãos escarlates pronta para explodir a porta se necessário, mas misteriosamente ela se destrancou e abriu, a mostrando uma grande escadaria de madeira que descia em direção a uma escuridão sem fim.
Ela suspirou, sua espinha tremeu, mas algo dentro dela riu. E então, ela escutou dentro da sua mente ;
É a hora de despertar.
Ela lembrou do que foi dito pela sua mãe, enquanto descia apressadamente pelas escadas, até sua cabeça esbarrar em algo. Não era completamente duro, parecia metálico e longo, como um cabo. Ela agarrou, com medo que tudo desabasse em sua cabeça, mas puxou.
E lá estava ela, a luz. Ela agora conseguia enxergar melhor as coisas, não era completamente iluminado, a luz era bem fraca, mas era o suficiente. Ela com toda certeza tinha mais medo de escuro do que de Agatha.
— Kol ! – Disse um pouco mais alto ao ver seu irmão preso a correntes de ferro. — Oh, meu deus ! Me diga o que ela te fez ! – disse ao tocar em suas bochechas, as mãos quentes levando choque térmico com sua pele extremamente gelada.
— Saia daqui, me solte e saia. Eu lidarei com tudo. – Sussurrou, vendo o rosto pálido de sua irmã formar um sorriso sapeca, ela claro que ela não iria sair.
— Ela não irá a lugar algum. – A voz ecoou de algum lugar, o que fez Angel rapidamente se virar e procurar de onde havia vindo.
— Se mostre, Agatha. – Angel disse firme. — Eu sempre soube que era você, sua cara de boa moça apenas enganou Esme. — Ela sorria, vitoriosa de que esteve certa este tempo todo.
— Ah, querida... — Ela saiu lentamente das sombras, e Angel notou que já não usava mais roupas comuns, sua roupa agora era revestida de um material que ela desconhecia, mas ela viu nitidamente sua capa branca e roxa. — Eu não enganei ela, sendo sincera... Eu a enfeiticei, todos eles. — Ela sorriu, estava mais presunçoso do que nunca.
— Você...
— Se acalme, Angel. — Sua voz melódica disse ao ver ela fazer impulso em sua direção. — Eu apenas os enfeiticei para que não percebessem quem eu era, não fiz nada além disso, afinal é tudo que o meu poder me permite fazer... Mas você ! — Ela disse mais alto, batendo as mãos. — Você é extraordinariamente criativa e poderosa.
— Eu sei que sou, mas não entendo o motivo que te trouxe até mim ! Se for falar de poder, acredite, existem bruxas mais fortes na minha família. – Ela disparou as palavras contra ela.
— E quem seriam elas ? – Agatha foi irónica. — Esther Mikaelson ? Freya ? – os nomes eram carregados de um desprezo. — Querida, apesar da sua mãe ter te matado, você pode ter a certeza de que é mais forte que ambas juntas.
E ali, foi o primeiro tiro de muitos. Ela olhou para Kol, que pareceu momentaneamente sem palavras diante daquilo. Seus olhos ficaram paralisados, a primeira informação já estava a deixando de certa forma tonta.
— Isso é mentira ! — Kol rosnou. — Ela nasceu anos após todos nós, como Esther poderia ter matado ela.
Agatha sorriu.
— Você fez uma ótima pergunta, Angel. – Ela sorriu para ela.
— Eu perguntei. — Kol rosnava cada vez mais.
— Não, querido. – Ela sorriu de novo. — Sempre é ela, porque você existe graças ao controle dela.
Tudo pareceu girar entorno da garota.
— O que... – Ela sussurrou, os olhos trêmulos e vazios.
— Angel Mikaelson, nascida a mil anos. – Agatha dizia monotonamente. Um livro apareceu ao seu lado, ela claramente se deu conta de que era o Darkhold. Ela agora pensava, que talvez ele não aparecesse para ela por conta própria, mas sim porque Agatha queria isso. — Morta em uma noite de inverno por sua própria mãe, renascida no corpo de um bebê. – Ela parou, enquanto as paginas do livro iam diretamente para o capitulo que falava sobre ela.
— Não entendo... – Angel sussurrava, suas pernas falharam e foram diretamente de encontro ao chão. Kol a olhava, mas agora ele parecia completamente consciente do que ela estava fazendo.
Agatha se aproximou dela, o suficiente para que conseguisse toca-la. Ela estava tão vulnerável naquele momento, que não fez nada além de permitir que ela fizesse. A bruxa tocou seu queixo, o erguendo para que olhasse diretamente em seus olhos e então cuspiu as palavras mais doloridas de sua existência ;
— Kol está morto.
Tudo girava, o mundo caia e o passado parecia agora voltar em sua mente. As memórias, tudo agora parecia retornar.
— Não, ele está aqui... – Ela disse se virando para ele. – Bem aqui.
— Não, Angel. – Ela disse. – Isso é algo que você criou.
— Não, não, não ! – Ela gritou, os olhos em um escarlate vivo. Suas mãos tremiam, ela estava claramente fora de controle. — Você está mentindo.
— Você se lembra do que fez antes de ser morta ? – disse, andando para longe. – Se lembra o motivo pelo qual foi morta ?
— Se morri, como estou aqui ? – Ela sussurrou.
— Entorno de quatro décadas atrás, uma pessoa desconhecido, matou seu irmão...
— Eles não podem morrer ! – Ela a cortou.
— Apenas para o Carvalho Branco, não existem mais, mas essa pessoa tinha. – Ela parecia fascinada. – Alguém que era declarada inimiga de sua família ou que a odiava muito, o matou. Ele era seu irmão gêmeo, você era mais velha por alguns minutos.
— Eu?
— Você, querida.
— E como é possível ele estar aqui? – Ela se negava a acreditar. E agora, estava irritada com a mentira, porque ela se levantou como um canhão e lançou duas grandes bolas escarlates na direção da outra bruxa, que desapareceu no mesmo instante.
— Se me atacar, nunca vai ter as respostas que tanto quer. – Disse Agatha, o sorriso presunçoso estava ali, convencida de que ela já havia ganhado aquilo.
— Então me diga tudo !
— Com todo prazer, querida. – Ela moveu as mãos, e agora tudo a sua volta estava se transformando. Ela estava dentro de uma memória, ela notou isso. — Estas são suas memórias adormecidas.
— Aquela...
A mesma garota da foto de mais cedo, lá estava ela, os olhos escarlates brilhantes, as mãos em uma bola de fogo enquanto cuspia palavras em direção as outras pessoas. Era o resto de sua família, ela reconheceu a maioria dos rostos ali.
Ela viu o momento exato que a mulher caiu de joelhos, ela explodiu, uma magia que nunca havia sido vista antes. Angel estava com os olhos brilhantes, não era só fascínio, era a luz que emitia daquilo. Ela o viu sendo recriado com magia, viu ela cria-lo através do caos.
— Você criou um hex. – Agatha explicou, as mãos tocando seus ombros. — Expandiu ele para todos os limites de Nova Orleans, controlando todos com sua mente... O que é fascinante. Sozinha consegue controlar uma cidade toda.
— Eu...
— Não, deixe que eu diga tudo. – Angel se calou e voltou os olhos para as lembranças. — Sua mãe percebeu o que você havia feito, ela é resistente ao seu controle mental, e então resolveu que te matando seria a única forma de libertar a todos, e ela fez.
Angel suspirava, o coração martelando, ela sentia que ele estava doendo. Ele poderia parar a qualquer momento.
— Ela enfiou uma estaca em seu coração, enquanto estava distraída. Mas naquele momento, ali no final daquela rua, misteriosamente houve um acidente que tirou a vida de um casal, e também de sua filha. – Ela parou momentaneamente. — Mas essa menina voltou a vida.
— Não, ela não voltou. — Angel sussurrou, enxugando as lagrimas.
— É, na verdade você renasceu. — Sorriu encantada. — Você não pode morrer, sempre irá renascer. — Ela moveu as mãos e o Darkhold apareceu diante de sua visão novamente. Às paginas apareciam as letras aos poucos, ela pode ver mais sobre ela do que estava escrito antes, algo havia sido ocultado. — Você não tem ideia do quão perigosa é. Você deveria ser um mito; um ser capaz de criação espontânea, e aqui está você, usando isso para servir café da manhã no jantar. Essa vidinha que você fez. Isso é 'magia do caos', E isso faz de você a Feiticeira Escarlate.
Notas da Autora
| Agatha tem muito pra falar ainda viu...
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