03. Knowledge

CONHECIMENTO

――――. °🌑 . °――――

EM SILÊNCIO, ANGEL DESLIZOU SEU polegar lentamente pelos lábios de Alice, radiografando cada parte de seu rosto em sua memória. Uma memória eterna. Alice a admirava, os lábios reprimidos em um sorriso, contemplando a maré azul que tinha suas bochechas ruborisadas com a queima de olhares sobre ela.

Jasper, por outro lado, não estava muito atento. Seus olhos estavam imersos em um silencioso pedido de socorro. Não foi difícil para as duas garotas entenderem o motivo.

Desde a partida de Edward, a casa havia virado um verdadeiro purgatório. Discussões haviam virado uma coisa costumeira na mansão Cullen. Isso afetava Jasper, mas do que qualquer outro. Seu dom lhe permitia não só sentir, mas absorver qualquer sentimento, seja bom ou ruim.

Angel era a única que mantinha uma áurea postiva naquele lugar. Era a única pessoa que conseguia cobrir os sentimentos ruins que rodeavam Jasper, sobrepondo eles com sua luz. Alice abriu-lhe um adocicado sorriso, enrolando alguns de seus fios ruivos na ponta de seus dedos gelidos.

— Obrigada. — Jasper sussurrou, sentindo a paz de Angel amortecer o odio que impactava por todas as paredes daquele quarto.

Ela apenas sorriu, deixando seus braços abertos, em um convite para que o mais velho deitasse junto delas. Jasper não  precisou pensar muito. Ele se deitou em sua perna, aconchegando-se em sua barriga. Seu corpo gélido, era aquecido pela temperatura quente do corpo de Angel, que era irradiado pelo sangue fresco que corria por todo o seu corpo.

Há certas coisas que são costumeiras na nossa vida, como uma rotina. Para Alice, estar com seus companheiros, era uma rotina, que não importasse quantas vezes se repetiria, ela jamais enjoaria daquilo.

Antes que Angel chegasse a eles, as coisas não andavam muito bem entre a família. Havia brigas constantes, tanto verbais quanto físicas. Os Cullens se lembravam com uma memória lipida o dia de sua chegada.

O destino é bem conveniente quando quer. Angel foi deixada enfrente à casa da família de vampiros, no Alasca, em 1986. Motivos ? Não foram esclarecidos. Com ela, havia apenas uma bússola. Atrás, havia uma mensagem, quase indecifrável para eles. "Sempre e para sempre". Seria um símbolo familiar, ou apenas uma frase normal gravada em uma bússola qualquer ? Eles de fato nunca saberiam.

ALICE NÃO PARECEU SURPRESA COM A CENA que encontrou ao entrar no quarto de Angel. Suas mãos estavam esticadas, rodando um dos globos utilizados na decoração do seu quarto. Com tudo, havia apenas uma coisa que conseguia surpreender um clã de vampiros dotados de habilidades. Um ser capaz de criar vida, ao mesmo tempo capaz de retira-la.

Angel surpreendia a eles. No início, foi extremamente difícil lidar com poderes desconhecidos por eles, mas depois de um tempo, já era costumeiro que objetos flutuassem sem explicação alguma. Para Angel, o processo de aceitação foi longo. Aceitar que vivia em uma família cheia de vampiros ou até mesmo aceitar que existem mais deles espalhados por todo o mundo foi bastante complicado.

— Não vai entrar ? — perguntou a ruiva, dissolvendo a canalização da magia que se envolveu em volta do pequeno globo prata.

— Estava apenas admirando. — Alice esclareceu, saltitando em direção a cama, aonde Jasper parecia estar imerso em sigo mesmo.

Angel sorriu de canto. Foi trabalhoso, e bastante enjoativo fazer com que o casal se entendesse, mas por fim, depois dela os força à ter uma conversa como dois adultos que eles são, tudo se resolveu, ou pelo menos estaria tudo resolvido por esse instante.

— Eu já mencionei o quanto vocês ficam mais lindas quando estão destraidas ? — Jasper mencionou, as costas surpreendentemente encurvadas, debruçado sobre a madeira bem colocada da sacada.

Alice sorriu, soprando-lhe um beijo pelo ar. Angel saltou de sua escrivaninha e começou a saltitar.

— Querida ? — Alice chamou, espantada com a repentina comemoração. — Ganhou na Mega-Sena ? — claramente aquilo havia sido uma pergunta retórica, contando que eles já são multimilionários.

— Edward ! — exclamou, dando pulinhos alegres. — Ele me mandou uma mensagem. Ele chega amanhã ! — comemorou, saltitando como uma verdadeira criança. Talvez na tecnica ela não fosse, mas na teoria, sua mente sempre seria pura como a de uma.

— Isto significa o fim do mal humor de sua mãe. — Alice agradeceu, abrindo-lhe um sorriso estonteante no canto de seus lábios.

Angel recobrou o fôlego tão alto que deu para ouvir.

— Não deveria pular tanto. — Jasper a repreendeu. — Fique sentada por um tempo. — ele não a deu muita escolha, apenas a sentou na beira de sua cama, ouvindo seus altos resmungos.

— Jass, ele vai voltar ! — Angel o sacudiu, observando o vampiro rolar os seus olhos para cima. — Não revire os olhos para mim. Peça desculpas ! — ordenou, espreitando os olhos para o mais velho. Jasper a olhou, não acreditando que estava recebendo ordens de um gnomio de jardim. — Você tem árbitro livre para revirar os olhos para qualquer pessoa, menos para mim. — Ela cruzou os braços, notando o sorrisinho que crescia a cada instante no rosto de Alice.

— Me desculpe, patroa. — Jasper debochou, deixando-lhe um beijo em sua testa. — Jamais voltarei a fazer isso. — disse, mostrando a palma de sua mão, na defensiva.

— Eu acho bom.

AS HORAS QUE SE SEGUIRAM NÃO FORAM MUITO LEGAIS. Claro, fora a parte em que Angel havia feito Jasper e Alice de bonecos. Ela os maquiou, não os dando muita opção de escolha. Foi divertido, contando com as constantes piadinhas de Emmett, havia sido incrível. Pelo menos para ela.

— Jasper, você deveria usar mais vezes batons vermelhos. — Emmett zombou. — Achei que realçou os seus olhos. Eu por um instante duvidei se era hetero ou não. — Angel soltou um arquejo, olhando indignada para seu pai.

— Ei, Ei ! Pode tirando o seu olho. — disse, apontando a língua para o maior. — Sei que de fato é difícil de resistir, mas contenha-se. — Ela entrou na brincadeira, gargalhando junto de Emmett. Eles realmente se pareciam. Qualquer um apostaria que ele de fato era seu pai biológico.

Jasper rosnou, lançando um olhar severo para os dois. Esme, nesse instante, entrou de volta na sala de jantar com bolinhos. Sua expressão era seria, mas ela tinha um sorriso discreto no canto de seus lábios.

— Deixem Jasper em paz ! — ordenou, apontando para seu filho e sua neta. — Angel, coma. Não a vi por a boca em nenhum alimento sequer durante o dia inteiro.

— Como ? — o soar repreendedor da voz de Rosalie ecoou do cômodo de cima. — Está sem comer o dia inteiro ? — Angel se encolheu, preparada para bronca que viria a seguir.

Ela poderia ter acontecido, se o som leve do alarme não tivesse os despertado. O sol já havia nascido do lado de fora. O relógio marcava as sete horas em ponto, o que significa que os horários de suas tediosas aulas viriam a seguir.

N O T A S
D A
A U T O R A

| Bye Sushines...

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top