𝐓𝐇𝐑𝐄𝐄 𝐓𝐈𝐌𝐄𝐒
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𝐂𝐇𝐀𝐏𝐓𝐄𝐑 𝐓𝐇𝐈𝐑𝐓𝐘 𝐓𝐇𝐑𝐄𝐄
𝐓𝐇𝐑𝐄𝐄 𝐓𝐈𝐌𝐄𝐒
⚠️ Atenção: Esse capítulo há cenas de sexo explícito. Não recomendo para menores de 18 anos de idade.
AS HORAS PASSARAM LENTAMENTE enquanto Celly se dedicava à sua tarde de vaidade, algo que há muito tempo não fazia. Era quase terapêutico. Sentia falta de momentos calmos, sem a pressão do mundo sobre os ombros. Hoje, era diferente. A leveza no ar parecia perfeita para um reencontro com o espelho e com ela mesma. Enquanto isso, os garotos, com exceção de Ben — que, apesar de sua fachada inabalável, claramente estava triste —, passaram a tarde rindo e cantando no karaokê, celebrando a despedida de solteiro de Luther. O ambiente era descontraído, com conversas animadas e bebidas circulando livremente.
O casamento se aproximava, e Celly estava quase pronta. Apenas o vestido faltava. Foi nesse momento que Cinco se teleportou para o quarto, o cabelo bagunçado e o rosto indicando urgência: precisava de um banho. Minutos depois, o som da porta do banheiro se abriu, e ele surgiu envolto em um frescor que exalava sabonete. Os cabelos ainda molhados caiam desordenadamente, e ele vestia apenas a calça do terno enquanto abotoava, distraidamente, a camisa social.
Foi então que ele a viu.
Cinco congelou. Seus dedos pararam no botão da camisa, e seu olhar ficou fixo nela, quase hipnotizado. O coração tropeçou em um ritmo descompassado, e ele percebeu, com certa surpresa, que estava de boca aberta.
Celly estava deslumbrante. O vestido azul de chiffon, escolhido no primeiro dia naquela nova linha do tempo, parecia feito sob medida para ela. Os cortes em sua pele, antes tão visíveis, estavam praticamente cicatrizados, graças à precisão de Cinco ao remover os pontos. Apesar de ainda não completamente curados, as marcas não doíam mais, permitindo que ela se movesse com a graça de sempre.
Havia algo mais: a maquiagem. Era raro vê-la maquiada. Allison, a irmã vaidosa, havia sido uma inspiração ocasional na infância, mas Celly nunca cultivou o hábito. Porém, naquele dia, ela havia se rendido a um toque de rímel, blush e batom, que realçavam sua beleza natural de forma quase mágica. Cinco sempre adorou a aparência dela sem artifícios, mas agora... agora ele estava absolutamente certo de que ela era linda de todas as formas possíveis.
— Uau. — Ele deixou escapar, quase sem perceber, enquanto um sorriso pequeno se formava em seus lábios.
Ela se virou, franzindo o cenho, com um leve desconforto.
— Ah, não, Cinco. — Resmungou, cruzando os braços. Sua expressão era de quem já havia encontrado algo para criticar. — Você acha mesmo que o vestido ficou bom? Na vitrine parecia incrível, mas agora... eu acho que essas alças não ficaram tão legais, e essas flores azuis no busto... não sei, algo parece errado.
Ele arqueou uma sobrancelha, divertido, e deixou os botões da camisa de lado enquanto se aproximava.
— Celly... — Ele começou, mas ela não parava de falar, movendo-se nervosamente pelo quarto.
— Estou falando sério! Parece que algo não encaixa, e eu não quero parecer... você sabe, esquisita. — Mas suas palavras começaram a morrer quando sentiu os braços de Cinco ao seu redor.
Ele a abraçou por trás, inclinando a cabeça para descansar no ombro dela. O olhar que ele lançava pelo reflexo no espelho era tão intenso que fez com que Celly engolisse seco.
— O que você está fazendo? — Perguntou, desconcertada.
— Apenas admirando você. — Ele respondeu, simples e direto, apertando suavemente sua cintura.
Ela sentiu as famosas borboletas no estômago e tentou desviar os olhos.
— Mas eu-
— Você está linda. — Ele interrompeu, com firmeza, sem deixar margem para dúvidas. — As alças estão perfeitas, e as flores no busto são incríveis. Embora eu ache que você vai ignorar minha opinião masculina.
Mas ele estava enganado. Para Celly, a opinião dele era a única que importava. Tudo aquilo, desde a maquiagem até o vestido, era por ele. Por eles. Ela umedeceu os lábios, o nervosismo crescendo.
Soltando um suspiro trêmulo, virou-se para encará-lo. Seus olhos, normalmente tão confiantes, estavam baixos.
— Eu... preciso falar uma coisa.
— Sou todo ouvidos. — Ele disse, genuinamente interessado, inclinando a cabeça levemente, tentando entender o que a deixava tão hesitante.
— Eu... bom, eu estive pensando... — Ela começou, tropeçando nas palavras, enquanto sua mão tremia levemente. — E acho que... como desistimos de salvar o mundo-
— Objeção consciente não é desistência. — Ele a corrigiu rapidamente, o tom um pouco defensivo.
Ela revirou os olhos, achando aquela justificativa uma maneira chique de disfarçar o que, para ela, era exatamente isso: desistência.
— Que seja. — Celly deu de ombros, desviando o olhar. Primeiro para ele, depois para o chão, depois para qualquer outro lugar no quarto. Parecia perdida em como abordar o que queria dizer. Por fim, respirou fundo e soltou: — Eu acho que... não queria... sabe... — Ela riu nervosamente, quase incrédula consigo mesma. — Morrer virgem.
Cinco franziu o cenho, claramente confuso no início.
— Eu... sinto muito. — Ele respondeu, com sinceridade, embora o tom carregasse uma pontada de culpa. Afinal, se tivesse lutado um pouco mais, talvez houvesse outro desfecho. Mas não. Morreriam em algumas horas. — Eu queria que tivesse uma outra alternativa... — Ele começou a dizer, até que as peças finalmente se encaixaram. Seus olhos se arregalaram, e a boca ficou entreaberta. — Ah.
— É, eu sei. Isso é ridículo. — Celly resmungou, soltando os próprios dedos, que nem percebeu estar apertando com tanta força. Por fim, encarou-o diretamente, embora sentisse o rosto em chamas. Ele a olhava com um misto de surpresa e cautela, como quem pisa em ovos para não agravar uma situação já constrangedora.
— Não. — Ele disse rapidamente. Na verdade, ele também não queria morrer virgem. Apoiou a mão na nuca, visivelmente desconfortável. — É só que... achei que você tinha dito uma vez para eu te pedir em casamento primeiro.
— Sim, eu disse... mas... ah, quer saber? — Celly murmurou para si mesma, a vergonha tomando conta. Virou-se de repente, indo em direção à porta, desejando sumir dali o mais rápido possível. Cinco franziu o cenho, percebendo que ela interpretara sua hesitação de forma errada. Ele queria respeitar o tempo dela, mas não soube como dizer isso antes que ela concluísse que ele estava rejeitando a ideia. — Isso foi um erro. Como eu sou idiota! — Celly resmungou consigo mesma, já segurando a maçaneta. Sua mente fervilhava com pensamentos autodepreciativos: "Claro que ele não quer fazer sexo comigo. É óbvio. Quem pensaria nisso agora? E casamento? De onde eu tirei isso? Talvez ele ache que eu não sou bonita o suficiente. Eu estraguei tudo! Eu devia ter me preparado melhor!"
Ela abriu a porta, mas antes que pudesse dar o primeiro passo no corredor, Cinco já estava ao lado dela. Ele havia se teleportado e segurava seu braço com firmeza, embora de forma gentil.
— Eu quero. — Ele disse, direto, na esperança de interromper o caos que provavelmente dominava a cabeça dela. Ele sabia como ela podia ser pessimista e como era fácil para ela se perder nesses pensamentos.
Celly congelou, as sobrancelhas erguidas e a boca entreaberta. Parecia que todos os pensamentos negativos tinham sido silenciados de uma só vez.
— Você... quer...?
— Sim. — Ele respondeu, sério, sem largar o braço dela. — Mas preciso saber se você está com o julgamento certo sobre isso.
— Como assim? — Ela perguntou, confusa, erguendo uma sobrancelha.
— Quero saber se está fazendo isso pela emoção de sabermos que vamos morrer em algumas horas ou porque realmente sente que está pronta.
Ela piscou, surpresa. Sério que ele acha que é só emoção? Tinha 36 anos, afinal. Era verdade que a proximidade da morte tornava tudo mais intenso, mas, no fundo, ela sabia que Cinco era a única pessoa com quem queria viver esse momento.
— Um pouco dos dois. — Ela admitiu, sincera.
Ele assentiu lentamente e soltou o braço dela, deixando-a respirar.
— Vamos fazer assim: ficamos sóbrios durante a festa e, depois dela, se você ainda quiser e tiver certeza, podemos fazer amor.
Celly piscou, tentando absorver a calma com que ele falou algo tão inesperado. Cinco, por sua vez, parecia mais desconcertado do que ela. Não que a ideia não o agradasse — pelo contrário. Mas aquilo parecia tão surreal. Durante toda a festa, ele sabia que estaria contando os minutos, sentindo-se como se fossem recém-casados indo direto para a lua de mel. A diferença? Não era o casamento deles.
Ele desviou o olhar, enfiando as mãos nos bolsos da calça do terno, com os botões de cima da camisa ainda abertos. Seu cabelo preto, ainda molhado e bagunçado, caía sobre a testa.
Já passava das cinco e cinquenta, e ambos ainda estavam no quarto, presos nessa conversa absurda e intensa. Eles estavam combinando de perder a virgindade. Loucura total.
E Cinco? Bom, ele estava à beira de um ataque de nervos. Claro que sabia o básico. Não era tão inexperiente assim, mas… e se na hora ele errasse tudo? E se fosse terrível para ela? Ele havia prometido a si mesmo que faria de Celly a mulher mais feliz do mundo — mesmo que o mundo deles tivesse data para acabar.
— E... eu vou pensar em algo, sabe? Pra tornar isso bom pra você.
Celly assentiu, tentando manter a calma. Ele tinha aceitado, o que era um alívio, mas agora sua ansiedade vinha de outro lugar. Um casamento. Eles tinham um casamento para ir! Ela soltou um suspiro e passou a mão pelo rosto, ainda assimilando o que tinha acabado de propor e aceitar. De repente, percebeu que talvez não tivesse se arrumado o suficiente.
— Tá. — Foi tudo o que conseguiu responder, a voz um pouco trêmula.
Cinco, percebendo o nervosismo dela, apenas concordou com a cabeça.
— Preciso terminar de me arrumar. Depois a gente desce para o salão.
De volta ao quarto, enquanto ele ajustava os últimos detalhes — colete, gravata, blazer e sapatos —, ela encarava o teto impecavelmente branco do hotel, perdida em pensamentos. Como seria? O que ele faria para tornar aquilo especial? As possibilidades eram tantas que ela nem conseguia se concentrar. Talvez tivessem que passar a festa toda tentando disfarçar o nervosismo. Por um instante, se arrependeu de não ter esperado o fim do casamento para ter essa conversa. Assim, poderiam fazer tudo em paz.
Quando finalmente ficaram prontos, desceram juntos. Surpreendentemente, Cinco parecia estar muito mais tranquilo que ela. Na verdade, estava mais falante do que nunca, puxando conversa e implicando com ela de forma leve e divertida, claramente tentando distrair os dois. Por isso, Celly não conseguiu evitar um sorriso e uma pontada de gratidão. Ele sempre sabia o que fazer para aliviar a tensão.
No elevador, encontraram o restante da família. Milagrosamente, todos estavam pontuais para o casamento de Luther. Quando as portas se abriram, o salão de festas se revelou com suas luzes coloridas, mesas cobertas com toalhas simples, velas decorativas e um carpete elegante que dava um toque sofisticado ao ambiente. Os lustres e as pinturas nas paredes deixavam tudo ainda mais refinado, embora as janelas fossem poucas e uma porta dupla ao fundo chamasse atenção.
— Será que esse lugar vai ser grande o bastante? — Klaus debochou, arqueando as sobrancelhas. Um salão enorme para poucas pessoas parecia um exagero típico.
— Espero que seja open bar. — Allison resmungou, claramente desinteressada. Ela parecia apenas desejar que as bebidas compensassem o resto da noite.
"Tecnicamente, tudo aqui é nosso", sinalizou Sparrow em libras, estreitando os olhos. Allison deu de ombros com indiferença. "Somos as únicas pessoas do universo agora."
— Ah, qual é! É pro Luther e pra Sloane. Bora se animar! — Lila interrompeu com seu tom divertido, explorando o salão com curiosidade.
Celly finalmente analisou o espaço com mais atenção e percebeu que o lugar nem precisava de decoração extra; era naturalmente feito para celebrações. Ela soltou um suspiro, sentindo Cinco repousar a mão em suas costas de maneira tranquila e reconfortante. Ao contrário dela, ele parecia calmo, mas ela sabia que, por dentro, ele provavelmente estava tão agitado quanto ela.
O elevador apitou novamente, anunciando mais convidados. Era Luther e Viktor, completamente absorvidos em sua conversa. Nem notaram que o restante já estava reunido. Cinco deslizou a mão das costas de Celly até sua lombar, de forma quase distraída, enquanto ambos observavam os irmãos entrarem.
— Acho que minha bunda não ficou legal. — Luther reclamou, franzindo o cenho e parecendo levemente frustrado.
— Que isso... — Viktor respondeu com um gesto despreocupado, tentando tranquilizá-lo.
Quando finalmente perceberam o grupo, Luther deu de ombros, resignado, e se juntou aos outros. Cinco, agora quieto, parecia observar o salão com interesse. Mas, por dentro, sua mente era um caos. Ele fingia serenidade, mas o pensamento do que viria depois do casamento o fazia arder de ansiedade.
— Tô vendo que escolheu um modelito básico. — Allison provocou Viktor, olhando-o de cima a baixo com um sorriso debochado. Ele estava de terno, claro, mas não tinha se esforçado muito além do essencial.
— Sabe que não tem nenhum paparazzi aqui, né? — Viktor rebateu, a ironia carregada na voz. Ele estreitou os olhos, notando que Allison estava vestida como uma estrela de cinema, em um deslumbrante vestido verde cheio de detalhes.
Os dois trocaram olhares carregados de tensão, algo que o restante do grupo já estava acostumado a ignorar. Enquanto isso, Celly se pegou observando a mão de Cinco em sua lombar e se perguntando se ele estava mesmo tão calmo quanto parecia. Se estivesse, definitivamente precisava aprender essa habilidade.
— Não? — Allison retrucou, com os lábios crispados e um quase revirar de olhos. — Que droga!
— Para! — Luther protestou, avançando com irritação. Cinco, ao lado de Celly, soltou um suspiro cansado. Ela, por sua vez, tentou se desligar do drama familiar ao seu redor.
— Escutem, vocês dois. Esse é o meu dia, tá bom? — Luther continuou, claramente incomodado. Era evidente o quanto odiava ver os irmãos brigando num momento tão importante para ele. — Então, se vocês puderem se dar bem por algumas horas, considerem isso como o meu presente de casamento.
— Mas foi ele que começou, então… — Allison tentou justificar, erguendo as sobrancelhas com aquele ar típico de desdém.
— Você literalmente começou. — Viktor rebateu no mesmo tom, como se fosse o óbvio mais irritante do mundo.
— Para, para! — Luther repetiu, agora quase exasperado. Ele lutava para manter a paciência. — Meu dia! Duas horas. — Ele fez um gesto enfático, ajeitando o terno enquanto respirava fundo para se acalmar. — Acham que conseguem fazer isso?
— Tá, tá bom. — Viktor deu de ombros, sem muita convicção. Ele sabia que se Allison provocasse, ele retrucaria.
— Obrigado. — Luther agradeceu, visivelmente aliviado, enquanto Allison desviava o olhar, ainda relutante em ceder.
O clima estava tenso, e todos sentiam que a relação entre Viktor e Allison estava longe de se resolver. Celeste, por sua vez, estava distraída, pensando se deveria ou não pedir desculpas para Allison. Mesmo remoendo algumas palavras maldosas da irmã, ela sabia que tinha sido cruel ao mencionar Reymond. Isso a incomodava, embora o orgulho dificultasse qualquer tentativa de reconciliação.
Seus devaneios foram interrompidos quando Cinco a puxou um pouco mais para perto. Ele inclinou-se para sussurrar em seu ouvido:
— Gostaria que isso terminasse logo.
O tom dele era ambíguo, e Celly sentiu um arrepio. Ele podia estar falando tanto das discussões intermináveis quanto da promessa feita antes da festa. Antes que ela pudesse responder, o elevador tocou pela última vez, chamando a atenção de todos.
— É ela. — Alguém murmurou, enquanto todos se viravam ansiosos para as portas.
Assim que o elevador se abriu, o silêncio tomou conta do ambiente, seguido por murmúrios admirados:
— Uau!
— Oh… meu Deus.
— Sloane...
— Ela está linda.
Sloane surgiu como uma visão, vestindo um elegante vestido de seda que ela mesma havia confeccionado. O decote suave, o caimento perfeito do tecido e o pequeno buquê de rosas brancas em suas mãos a transformavam em uma verdadeira noiva de conto de fadas. Seu sorriso ao encontrar Luther era a expressão mais pura de felicidade.
Luther, por sua vez, parecia congelado no lugar, completamente atônito. Para ele, Sloane era a mulher mais linda que já tinha visto, e tê-la ao seu lado naquele momento só reforçava o quanto a queria para sempre.
Enquanto isso, Ben, o irmão de Sloane, observava tudo com uma expressão nada animada. Ele não escondia o quanto desaprovava o casamento — especialmente tão perto do fim do mundo.
— Vamos acabar com isso antes que eu morra de vergonha. — Ben resmungou, quase revirando os olhos, enquanto crispava os lábios. Sua atitude criou um clima desconfortável, mas ele simplesmente deu meia-volta, deixando o salão.
Os outros convidados começaram a seguir para a área externa, onde a cerimônia seria realizada. Lá fora, o cenário era de tirar o fôlego. Árvores e flores cuidadosamente posicionadas adornavam o espaço. Cadeiras organizadas em fileiras estavam voltadas para um belo arco floral iluminado por luzes amareladas suaves.
Klaus assumiu sua posição atrás da mesa que seria usada para conduzir a cerimônia. Ele parecia mais entusiasmado do que nunca, enquanto Sloane e Luther ficavam frente a frente. Os convidados se acomodaram, todos ansiosos para ouvir os votos e testemunhar aquele momento tão especial.
Celly observava tudo com um sorriso discreto. Nunca havia ido a um casamento antes, mas agora estava ali, vendo seu irmão encontrar a felicidade ao lado de Sloane. Apesar de todas as dificuldades que tinham enfrentado, ela sabia o quanto aquele momento significava para ele — e queria que Luther fosse feliz, não importava o que acontecesse.
A situação dos outros Umbrellas e Sparrows não era muito diferente. Cresceram sob a rígida tutela de suas academias, com pouquíssimos momentos de celebração genuína. Para muitos, aquele era o primeiro casamento que assistiam. Claro, Diego, Klaus e Allison já tinham ido a cerimônias antes — com Allison, inclusive, já tendo se casado. Mas, para os demais, era uma experiência inédita, uma mistura de encantamento e melancolia. Afinal, aquilo acontecia sob a sombra de um apocalipse iminente.
— Queridos amigos, estamos aqui reunidos para um momento feliz. — Klaus começou, do jeito mais caótico e espontâneo possível.
Celly e Cinco haviam se sentado no fundo das cadeiras, lado a lado, entrelaçando as mãos em um gesto de conforto mútuo. Klaus, nunca tendo conduzido uma cerimônia antes, fazia tudo no improviso.
— Não é um momento longo, então vamos ter um momento feliz, tá? Porque o Sol não pode brilhar todo dia. Eu ouvi um amém?
A observação provocou risadas em todos. Claro que não seria uma cerimônia longa, já que o fim do mundo estava literalmente à espreita.
— Amém! — responderam em uníssono, enquanto Diego assobiava em animação e alguns batiam palmas. O clima de leveza era uma pausa bem-vinda em meio ao caos.
Durante a cerimônia, Cinco não conseguia desviar os pensamentos. A imagem de Celly num vestido branco invadiu sua mente, tão vívida que quase parecia real. Ele queria isso com ela, mais do que tudo, mas não havia sequer tempo para pensar em alianças ou pedidos formais. Sua mão apertou a dela com mais firmeza, e ele sentiu a cabeça de Celly repousar suavemente em seu ombro. Era um momento de conforto em meio ao turbilhão interno que enfrentavam.
Ele não tinha nada material a oferecer, mas desejava ardentemente casar-se com ela, mesmo no pior momento possível — às vésperas do apocalipse.
— Luther, você aceita essa supergata como sua esposa? — Klaus perguntou, apontando para Sloane com um sorriso malicioso.
Sloane, surpresa pelo tom descontraído, inclinou levemente a cabeça, encantadora.
— Aceito. — A resposta de Luther foi imediata e carregada de emoção, como se não houvesse nada no mundo que ele quisesse mais.
— Sloane, você promete amar e cuidar desse desgraçado peludo pelas próximas vinte e quatro ou quarenta e oito horas? — Klaus continuou, sua voz embargada pela emoção enquanto limpava os olhos discretamente.
Celly e Cinco trocaram um olhar de incredulidade. A cerimônia era tudo menos convencional.
"Quarenta e oito horas?", Cinco pensou. "Quem dera fosse tanto assim".
— Mais ou menos um dia… — ele murmurou, não resistindo à provocação.
— Shh! — Klaus retrucou, levando um dedo aos lábios em um pedido dramático de silêncio.
Celly soltou uma risadinha abafada enquanto Sloane respondia com seu característico sorriso caloroso:
— Eu vou tentar.
Era impossível não se encantar com Sloane. Sua bondade e alegria genuínas haviam conquistado Luther rapidamente, e ambos sabiam que não era necessário tempo para que o amor florescesse. Algumas almas simplesmente se conectam, e o sentimento cresce de forma avassaladora. O olhar de ambos era tão intenso que parecia iluminar o ambiente, como estrelas.
— Então… — Klaus tentou continuar, mas outra lágrima escapou. — Ai, desculpa. — Ele limpou o rosto rapidamente. — Eu os declaro CASADOS PRA CARAMBA! Viva o apocalipse!
Antes mesmo de Klaus terminar, Sloane ficou na ponta dos pés e beijou Luther, enquanto aplausos e sorrisos enchiam o local. Era um momento de alívio e alegria. Todos estavam agradecidos por terem escolhido celebrar o amor, mesmo em meio ao caos. Era a calmaria antes da tempestade.
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Tudo parecia perfeito. Enquanto Sloane e Luther se moviam pela pista de dança na clássica valsa dos recém-casados, os convidados se reuniam ao redor, formando uma pequena plateia. Era como em um casamento tradicional, mas com o caos do apocalipse à espreita. Cinco, no entanto, estava claramente mais ansioso do que o normal.
Celly, por outro lado, parecia ter se deixado levar pela atmosfera da celebração. Embora, no fundo, ainda pudesse ouvir a sua própria voz sussurrando a ideia apressada de que, talvez, depois da festa seria o momento certo para algo mais íntimo entre eles, o casamento havia relaxado seus pensamentos.
— Isso com certeza é pior do que o apocalipse — Cinco murmurou, envolvendo os ombros dela em um meio abraço desajeitado. Apesar de todo o encanto da cerimônia, assistir Luther tropeçando levemente durante a dança o fazia franzir o cenho.
— A dança deles? — Celly perguntou, erguendo as sobrancelhas enquanto um sorriso escapava. Ambos tentavam não rir do esforço descoordenado de Luther.
— É. — Cinco confirmou, ainda com a expressão levemente incomodada. — Precisamos ensinar esses dois a dançar.
— Sem dúvidas. — Ela concordou, balançando a cabeça antes de perceber algo. Os olhos dele estavam brilhando… mas não por causa dela.
— Olha só o que eu estava procurando. — Cinco apontou para a mesa de bebidas, claramente interessado.
Celly estreitou os olhos e se desvencilhou do abraço. Puxando-o levemente pelos ombros, fez com que ele a encarasse diretamente.
— Nem pensar. — Ela cortou, firme.
— Agora não posso nem beber? — Cinco arqueou a sobrancelha, fingindo indignação. Internamente, achou graça da situação. Era irônico ver Celly impedindo alguém de beber.
— Você tem que estar sóbrio pra… depois disso. — Ela respondeu, um tanto irritada, cruzando os braços.
— Preciso de ideias. — Ele rebateu, jogando o peso dos ombros como quem diz: "Você falou isso primeiro, lembra?" — "Me ajuda a pensar melhor" — ele provocou, repetindo as palavras dela da missão fracassada com a MeriTech.
— Vamos dar um jeito, tá bom? — Celly revirou os olhos, claramente sem paciência, e o puxou pelo braço para longe da pista e, mais importante, da mesa de bebidas. Cinco riu enquanto era levado.
Coincidentemente, a dança dos noivos terminou no mesmo instante, e Luther, tímido e visivelmente desconfortável, anunciou:
— Bem… Cinco e Celeste já estão se acomodando. Vocês podem fazer o mesmo. Vamos jantar!
Os convidados começaram a se dispersar e se acomodar nas mesas. Logo, Chet apareceu servindo cordeiro com molho e as bebidas escolhidas. Celly optou por água, e Cinco, sem protestar, seguiu o exemplo.
Enquanto jantavam, ambos trocavam risadinhas e comentários sobre o casamento de Luther e Sloane. A comida estava tão boa que era impossível não soltar suspiros de prazer a cada mordida. Mas o clima leve foi interrompido quando uma voz alta e inconfundível ecoou:
— Cinco! Celly, minha linda! — Klaus gritou, surgindo com um sorriso escandaloso.
Celly estreitou os olhos e ergueu uma sobrancelha, já prevendo o caos que estava por vir.
— Ai, meu Deus. — Cinco murmurou, irritado. "O que será que ele quer agora?"
— Mi hermanos! — Klaus se aproximou rapidamente, espalhafatoso como sempre, e sentou-se ao lado de Celly, empurrando-a para o meio da mesa.
— Hm?
— O que você quer? — Cinco perguntou, direto, enquanto arqueava uma sobrancelha em sinal de tédio.
— Me escuta. — Klaus ignorou a recepção fria e continuou, teatral como de costume. Celly observava tudo atentamente, mordendo o último pedaço do cordeiro. — O papai tá lá em cima com um plano pra salvar tudo. Então… — Ele sorriu, como se estivesse prestes a apresentar a ideia mais genial do mundo. — …que tal nós quatro irmos até a suíte dele pra bater um papinho?
— Virou o melhor amigo do coroa agora, é? — Cinco debochou, incrédulo.
— Achei que o odiasse. — Celly comentou, confusa, enquanto franzia o cenho de maneira quase adorável.
— Esse papai é diferente. — Klaus insistiu, como se fosse óbvio. Ele fez uma pausa dramática antes de completar: — Ele é tipo uma tartaruga. Duro por fora, mas fofinho, enrugado e, ocasionalmente, delicioso por dentro.
Celly franziu o cenho, claramente desconcertada pela comparação. "Delicioso?" Cinco, por outro lado, já acostumado com as maluquices do irmão, sequer piscou.
— Klaus. — Cinco chamou, inclinando-se para o lado e se aproximando do irmão. O movimento, no entanto, trouxe-o ainda mais perto de Celeste, que estava espremida entre os dois. Ele apoiou a mão na coxa dela para não se desequilibrar, o que fez Celly se reclinar na cadeira, desconfortável com a proximidade.
— Oi. — Klaus respondeu com uma expressão inocente, como se não tivesse acabado de tentar convencê-los de algo absurdo.
— Cachorros velhos como eu e ele nunca mudam. — Cinco disse, sério, fixando Klaus com um olhar frio. O comentário fez Klaus soltar um suspiro derrotado. — Ele nunca se importou de verdade conosco. Então, o único plano que tenho para esta noite é aproveitar ao lado da Celly.
— É, eu tô com ele. — Ela resmungou em concordância. Não ficaria do lado de Klaus dessa vez.
— Tá bom. — Klaus levantou as mãos em rendição, os ombros caindo enquanto jogava a cabeça para trás, resignado. Era óbvio que não conseguiria o apoio de Cinco. Ele sabia perfeitamente como Reginald tratava Celeste, e Cinco sempre estaria ao lado dela. Convencê-los seria um milagre. — Aproveitem.
— Nós vamos. — Cinco respondeu com um sorriso de canto, cheio de confiança. Voltou ao seu lugar, ajustando o blazer do paletó casualmente, como se não tivesse acabado de encerrar a conversa.
Klaus se levantou, desistindo do casal, mas sem perder o humor. A próxima vítima de sua atenção seria a mesa de Diego e Lila.
Celly soltou um suspiro e endireitou-se na cadeira, aliviada com o fim da discussão. Mas, mesmo com Cinco de volta à sua posição original, sua mão continuava pousada em sua perna. Ele adorava as pernas dela, e Celly sabia disso.
— Ele é maluco de confiar naquele velho idiota. — Ela murmurou, tentando desviar a atenção da sensação da mão dele acariciando sutilmente o tecido de chiffon azul de seu vestido.
— Nem me surpreende. — Cinco respondeu com um dar de ombros, despreocupado.
Antes que ela pudesse dizer mais alguma coisa, Chet apareceu, percorrendo as mesas para verificar se os convidados precisavam de algo. Ele segurava uma câmera instantânea, e Celly viu a oportunidade perfeita para se distrair.
— A-ha! — Ela exclamou, animada. — Vamos tirar uma foto! — sugeriu, olhando para Cinco com entusiasmo.
— Foto? — Ele perguntou, franzindo o cenho. Sua aversão por fotos era conhecida. Nunca saía bem nelas, e odiava a ideia de algo tão permanente.
— É, vai! Só uma! — Ela insistiu, o sorriso radiante.
Cinco olhou para ela, e por um momento hesitou. Mas, ao vê-la tão feliz com a ideia, suspirou e se ajeitou na cadeira. Prometera a si mesmo que faria aquela noite especial para ela.
Chet percebeu a decisão e comentou casualmente:
— São cinco dólares.
Cinco revirou os olhos, irritado.
— Chet, somos as últimas pessoas do mundo. — Ele argumentou.
— Mas é o dinheiro que paga a tinta da impressão-
— Chet! — Cinco o cortou, inclinando-se levemente para frente. O tom de sua voz era firme, mas dessa vez com um toque raro de pedido. — Por favor...
Celeste arregalou os olhos, surpresa. Ele está pedindo? Cinco odiava tirar fotos. Saber que ele estava insistindo para fazer isso por ela a deixou desconcertada, mas também profundamente tocada.
Chet hesitou, olhando de Cinco para Celeste, que parecia tão genuinamente feliz quanto incrédula. Finalmente, soltou um suspiro derrotado.
— Não contem a ninguém que fiz esse favor.
— Ah... muito obrigado. — Cinco suspirou aliviado. Se Chet tivesse se recusado, ele mesmo teria roubado a câmera. Afinal, "Celly feliz, eu feliz", pensou.
Eles se posicionaram lado a lado. Quando Chet levantou a câmera, Cinco, distraído, notou um pequeno respingo de molho no canto da boca de Celly. Instintivamente, estendeu o polegar e limpou o canto de seus lábios.
O gesto, embora simples, foi íntimo e inesperado. Celly o encarou surpresa, mas um sorriso espontâneo surgiu, suavizando seus traços. Os dois se perderam no olhar um do outro por um breve instante, como se o tempo tivesse congelado.
Foi nesse exato momento que o flash disparou, capturando a cena.
Chet entregou a foto instantânea, e Cinco pegou-a com cuidado, observando a imagem revelada. Ele ficou em silêncio, encarando-a.
Na fotografia, os dois estavam tão conectados que pareciam ser os únicos no mundo. Cinco limpando o canto da boca dela, enquanto os sorrisos de ambos transbordavam uma mistura de amor, carinho e cumplicidade.
— É... somos até meio fotogênicos, né? — Celly comentou, admirando a foto enquanto inclinava a cabeça para estudá-la melhor. Chet já se afastava quando Cinco deu de ombros.
— Ela vai ficar comigo. — Ele disse, pegando a foto das mãos dela com um movimento suave.
Celeste ergueu uma sobrancelha, surpresa e achando graça. Um sorriso divertido escapou enquanto cruzava os braços.
— Achei que nem quisesse tirar foto, e agora quer ficar com ela, é?
— Vou guardar com todo amor e carinho. — Ele respondeu sério, mas com aquele sorriso de canto característico, guardando a foto no bolso do blazer. — Eu prometo.
Ela deu de ombros, não resistindo ao charme dele. Se quisesse ver a foto de novo, sabia que bastava pedir. No entanto, o momento descontraído foi interrompido pelo som do elevador.
Celly foi a primeira a notar. Virou-se imediatamente, alerta, enquanto Cinco só percebeu que algo estava acontecendo quando viu a expressão dela mudar.
A porta se abriu, e de lá saiu Reginald. O ar leve da festa pareceu desaparecer instantaneamente. Luther franziu o cenho, claramente desconfortável, enquanto Celeste ergueu uma sobrancelha, intrigada.
— O Luther não tinha desconvidado ele? — Ela perguntou, confusa, olhando para Cinco. O clima no salão ficou pesado, com todos os olhares voltados para Reginald.
Reginald, por sua vez, parecia imune ao desconforto alheio. Ele pegou um pedaço de cordeiro, serviu-se de uma taça de champanhe e sentou-se sozinho, ignorando os olhares de soslaio e os burburinhos. Ele até tentou sorrir, mas Celeste não se deixou enganar. Conhecia bem aquele sorriso forçado. Reginald só agia de maneira "agradável" quando queria algo.
O silêncio constrangedor durou alguns minutos até que ele se levantou e bateu na taça de champanhe com uma colher, chamando atenção. Celly estreitou os olhos, já desconfiada. Tudo nele parecia ensaiado e falso.
Reginald endireitou a postura e pigarreou. Luther e Sloane se entreolharam; Sloane parecia desconfortável, mas não tanto quanto o marido.
— Eu sei que é costume que o pai da noiva diga algumas palavras, mesmo que vocês não queiram a minha presença. — Reginald começou, sua voz carregada com um tom quase apologético. Ele fez uma pausa, olhando ao redor. — Sloane, desde que você era uma menina, eu sempre soube que era excepcionalmente brilhante. Embora eu não possa dizer que conheço tão bem o Luther pelos poucos momentos que compartilhamos. Parece que você encontrou um parceiro... adequado.
— Ele chamou o Luther de adequado. — Cinco riu, cutucando Celeste com o cotovelo, como se pedisse para ela rir junto. Ela tentou conter o riso, mas deixou escapar um som baixinho de diversão.
Reginald ignorou a reação de alguns presentes e continuou:
— Eu reconheço que, como pai, tive as minhas falhas. Mas espero que esses defeitos sejam vistos apenas como buracos em um gramado verdejante. — Ele fez outra pausa, dramatizando. — Tenho orgulho em chamá-los de filhos. Mesmo aqueles que foram criados por outra versão minha. Espero que nesta noite possamos criar algumas lembranças especiais, mesmo que tenhamos... tão pouco tempo.
Enquanto ele discursava, Viktor e Allison estavam em um canto, discutindo em sussurros. Celeste percebeu a tensão entre eles imediatamente, mas, felizmente, Luther e Sloane pareciam alheios àquilo. Seria um drama desnecessário para um dia tão importante.
Reginald, alheio a tudo isso, continuou:
— "O sol nasce sobre um campo de flores, uma mãe vela sozinha todas as suas dores. Pessoas desfilam de preto vestidas, e enterram sofrendo suas feridas. Com a respiração fraca e com o tempo acabando... — Ele fez uma pausa dramática, suspirando. — ...eu oro para que da morte vocês acabem escapando".
Ele tomou um gole da champanhe, encerrando o discurso. Por um momento, o salão ficou em silêncio. A poesia, embora bonita, deixara todos pensativos — e um pouco desconfortáveis.
— Isso não fez o menor sentido. — Klaus comentou em voz alta, quebrando o clima pesado. Com sua habitual animação, levantou-se abruptamente, batendo palmas vigorosamente. — Lindo. Bravo, pai. Bravo!
Os aplausos de Klaus ecoaram no salão, arrancando sorrisos tímidos de alguns e olhares confusos de outros. Pelo menos, alguém estava aproveitando.
Todos começaram a aplaudir o discurso, ainda que alguns de forma hesitante. Celeste se mantinha quieta, observando Reginald com atenção. Sabia muito bem que ele não era uma boa pessoa. Os documentos de Hale ainda estavam frescos em sua memória, lembrando-a de quem ele realmente era. Mas, naquele momento, era impossível negar: o velho sabia como usar as palavras.
— Achei que o velho não tinha jeito. — Cinco murmurou, relaxando na cadeira e dando de ombros com aquele ar de quem não se impressiona facilmente.
Celeste soltou um suspiro discreto, mas concordou com um leve aceno.
— Ele é ótimo falando em público. — Disse, reconhecendo que, se havia algo em que Reginald era brilhante, era na arte de convencer e manipular. Afinal, oratória parecia ser sua verdadeira arma.
「· · • • • ⛈︎ • • • · ·」
A festa de casamento de Luther e Sloane acabou sendo nada menos que deslumbrante. Após o discurso inesperadamente tocante de Reginald, Chet assumiu o comando musical e colocou uma playlist animada que logo transformou o salão em uma pista de dança fervorosa. Todos se entregaram ao momento, dançando como se não houvesse amanhã — e, de certa forma, realmente não havia. Afinal, eles eram as últimas onze pessoas no mundo.
Cinco, no entanto, não estava entre os dançarinos. Sentado à mesa, ele observava Celeste se divertir, completamente à vontade, enquanto sua mente rodava em círculos sobre um único assunto: o que fazer para que aquela noite fosse inesquecível para ela. Ele queria agradá-la, mas a ideia de ser "perfeito" o fazia surtar por dentro. Ainda assim, vê-la rindo e dançando com Celeste da Sparrow e Lila aliviava sua ansiedade. Ela parecia genuinamente feliz, e isso era o que importava.
Enquanto as horas passavam, o inesperado aconteceu: Cinco foi empurrado para o centro das atenções. Literalmente. Sem ter como escapar, ele se viu no palco, microfone em mãos, pronto para cantar um solo. Quando terminou, a plateia, já bem animada, começou a gritar por mais. Mais especificamente, por um dueto. E foi Klaus quem liderou o motim.
— Nananinanão! — Klaus gritou da mesa, com seu entusiasmo habitual. — Eu me lembro perfeitamente que vocês são parceiros de karaokê! Algo sobre John Denver, ou sei lá o quê.
Cinco revirou os olhos, mas deu aquele sorriso ladino, enquanto Celeste quase engasgava. O que Klaus não sabia era que o "karaokê" da última vez tinha terminado com o primeiro beijo dos dois. Agora, ali, no casamento de Luther e Sloane, parecia que a história ia se repetir.
Celeste lançou um olhar mortal para Cinco, que já estava no palco com um microfone em mãos, claramente do lado de Klaus nessa. Ele nem sequer tentou defendê-la! Enquanto isso, Celeste da Sparrow, ao seu lado, começou a cutucá-la, fazendo sinais em Libras.
"Vamos lá! Queremos ver isso!"
Lila não ficou atrás e também entrou na brincadeira, empurrando Celeste de leve.
— É, cantem! Precisamos animar essa festa!
Celeste ainda tentava resistir, murmurando um "Ah, não… nem pensar", mas o coro de incentivo crescia. E foi aí que Cinco decidiu intervir. Com um sorriso travesso, ele teleportou diretamente para onde Celeste estava, pousou a mão em seu ombro e, em um segundo salto, os dois estavam juntos no palco.
Celeste arregalou os olhos, fingindo indignação e colocando a mão no peito como se tivesse sido traída.
— Cinco!
— Vamos, querida! Você é ótima cantando. — Ele disse, confiante, enquanto segurava suas mãos. Antes que ela pudesse protestar de novo, ele inclinou-se e deu um selinho na bochecha dela, um gesto de carinho que sempre a fazia ceder. Virando-se rapidamente, Cinco gritou:
— Chet! Coloque Kiss Me, do Sixpence None the Richer!
Celeste arregalou os olhos novamente, dessa vez soltando uma gargalhada. Fazia anos que não ouvia aquela música, mas ela imediatamente lembrou de como era obcecada por ela aos doze anos, a ponto de tocá-la no repeat.
As primeiras notas começaram a tocar, e os convidados foram à loucura, incentivando-os com gritos e palmas. Cinco, sem perder o ritmo, pegou o microfone do suporte e começou a cantar com a confiança de alguém que não tem vergonha de nada.
— Kiss me — ele começou, olhando diretamente para ela, com um sorriso nos lábios. — Out of the bearded barley…
Celeste suspirou, pegando o outro microfone com uma expressão de falsa relutância. Ela sabia que não conseguiria dizer não a ele.
— Nightly, beside the green, green grass… — começou, a voz mais baixa e delicada, mas afinada como sempre.
Os dois começaram a entrar no ritmo, e quando a parte de fundo da música chegou, ela fez o back vocal em um sussurro perfeitamente cronometrado, arrancando gargalhadas da plateia.
— Swing, swing.
— Swing the spinning step — ele continuou, com um sorriso travesso.
Aos poucos, ela foi relaxando, e o dueto se transformou em um show à parte. Eles cantavam e riam, como se fossem as únicas pessoas no salão, enquanto o público os acompanhava, batendo palmas no ritmo da música. Era mais do que apenas uma performance. Era um momento só deles, gravado na memória de todos como um dos instantes mais doces e espontâneos daquela noite.
Era uma magia pura. Eles se olhavam, tão imersos na música e no momento que o mundo ao redor desapareceu. Os gritos e aplausos da plateia abaixo do palco pareciam ser distantes, como se não existissem de verdade. O brilho dos holofotes iluminava o palco, mas tudo o que Cinco via era ela. E Celeste só via ele.
Era extraordinário, como naquele dia de Sunshine on My Shoulders.
Eles continuaram cantando, ambos se entregando à melodia, e no último Kiss Me, Cinco não conseguiu se controlar. Ele se atirou nela, quase a derrubando, e a beijou com tanta intensidade que parecia que aquela poderia ser a última vez. O beijo, no entanto, teve uma leveza e pureza inusitada, e os dois começaram a rir no meio dos selinhos, se desequilibrando.
Quando a música terminou e a energia da festa começou a diminuir, todos saíram para o lado de fora. O cansaço já tomava conta, mas a tranquilidade da noite os envolvia, como um manto acolhedor. Celeste se acomodou no colo de Cinco, a cabeça repousando em seu peito, ouvindo os batimentos fortes e regulares de seu coração, sentindo-se completamente segura e aquecida nos braços dele.
Todos pareciam hipnotizados pela beleza do céu, iluminado pelo Kugelblitz, como as duas Celestes haviam estado no dia anterior. Era como se o apocalipse fosse a única coisa que realmente importasse agora.
— Oi, gente — Luther cumprimentou todos, entrando ao lado de sua esposa. Ele procurou um lugar para sentar e a puxou para ficar entre suas pernas, confortável e relaxada. A paz que se seguiu ao frenesi da festa era palpável, um alívio silencioso de todos. Sabiam que o fim estava próximo, mas naquele momento, tudo o que importava era estarem juntos, amando-se e se reconciliando.
O clima de paz foi quebrado, porém, quando Ben e Klaus chegaram, visivelmente bêbados e cambaleando.
— Ai, não… O que foi isso agora?
— Klaus, por que trouxe ele?
— Ah, eca.
— Não.
— Meu Deus…
— Ouçam ele um pouquinho — Klaus pediu, tentando acalmar os murmúrios de frustração. Ele estava muito mais calmo do que o habitual, mas ainda com aquela energia incontrolável. — O irmão que todos conheciam como Ben morreu. E não estou falando do nosso Ben, o Ben simpático. Eu estou falando desse aqui — ele apontou para a versão de Ben da Sparrow, que estava ali, claramente mudado. Celly deu um pulo no colo de Cinco, surpresa, quase engasgada. "Mas ele é tão mal-educado!", ela pensou, sem acreditar. — Ele se foi agora.
— Já era — Cinco entrou na brincadeira, rindo. Era claro que ele estava bêbado, muito, muito bêbado.
— O que você tá falando? — Diego zombou, erguendo uma sobrancelha.
— O homem que está na frente de vocês é o novo Ben — Klaus disse com seriedade, um sorriso logo surgindo em seu rosto. — Ele é um de nós, um membro da equipe. ELE É PARTE DA FAMÍLIA! — Klaus gritou, vibrante, mas ainda de forma solitária, sem notar que os outros não estavam tão empolgados quanto ele.
— ...parte da família! — Ben repetiu, com um sorriso, mas sem o entusiasmo de Klaus. Mesmo bêbado, não podia competir com a energia contagiante do amigo.
Os Umbrellas ainda estavam um tanto confusos, processando tudo o que acontecera entre os Sparrows.
— E como presente de boas-vindas, sugiro que o joguemos do telhado — Cinco brincou, arrancando risadinhas de Celly e dos outros irmãos, que silenciosamente concordaram com a ideia.
— Uh, eu ajudo! — Diego se ofereceu, apontando para Ben, visivelmente mais animado com a ideia.
— Quer saber? Ele pode ficar — Luther disse, dando de ombros, tranquilo, como sempre. Sloane, que estava aconchegada entre suas pernas, olhou para ele com um sorriso carinhoso, como se visse ali um novo lado de seu marido.
— Por quê? — Diego questionou, confuso e um pouco irritado. Mas Sloane estava visivelmente orgulhosa do marido, feliz por vê-lo finalmente se dando bem com a própria família.
— Porque é o meu casamento, cara. Para. Ele pode ficar. — Luther disse, com a calma de quem realmente não se importa, mas de uma forma mais simpática do que o habitual. Celly deu de ombros.
"Ele tem razão", a versão da Celeste da Sparrow fez gestos em Libras, convencida de que Ben só era difícil, mas merecia uma chance. Ela estava genuinamente feliz por ele ser aceito.
— Viu só! Eu falei, cara! — Klaus sorriu, se achando o herói, finalmente trazendo Ben para o centro de todos, como se tivesse feito uma grande conquista.
— Aí, grandalhão. Foi muito legal da sua parte — Ben sorriu, grato por Luther tê-lo aceitado, mesmo que de maneira tranquila e sem grande alarde.
— É — Luther deu de ombros, como se não fosse nada demais, mas Celly percebeu que ele estava genuinamente mais à vontade, mais aberto do que nunca.
Klaus, por sua vez, olhou para o céu, seus olhos fixos na névoa vermelha que cercava a noite. O Kugelblitz refletia nas nuvens, deixando o céu mais claro do que o normal, mas também mais apocalíptico.
— Carambolas — Klaus murmurou, atônito, enquanto todos olhavam para o horizonte, hipnotizados. A Terra estava cada vez mais linda em sua destruição, como se o Apocalipse tivesse uma beleza sombria que eles não podiam deixar de admirar.
Celly sentiu o roçar do mindinho de Cinco em seus dedos, e um sorriso escapou de seus lábios. Mesmo no fim, ele ainda era sua âncora. Ben finalmente estava sendo aceito, e isso a fez sorrir. Sloane e Luther, agora mais próximos do que nunca, representavam tudo o que ainda restava de esperança. Celeste da Sparrow, com uma garrafa de cerveja nas mãos, parecia finalmente relaxar. Agora, o que mais importava? Em algumas horas, tudo seria diferente.
A visão que tivera anteriormente não saía da cabeça da Celeste da Sparrow. Ela não falaria sobre isso para a outra versão dela. Não poderia. Poderia até mudar o curso das coisas. Mas o que ela realmente se lembrava era do moletom cinza, manchado de sangue.
— Aí, sabem de uma coisa? — Luther chamou a atenção, com um olhar pensativo, mas um sorriso cheio de felicidade. Ele se endireitou e puxou Sloane para mais perto. — Hoje eu tô tendo tudo que eu sempre quis.
— Se casar? — Diego perguntou, erguendo uma sobrancelha. Celly e Cinco o observaram com atenção, aguardando a resposta.
— É lindo. Todo mundo se unindo quando realmente importa. — Luther falou, dando de ombros, e um pequeno sorriso de prazer apareceu em seu rosto. — Uma grande família de verdade.
Todos assentiram em silêncio, absorvendo as palavras e o ambiente ao redor. Celly, a da Umbrella, quase já não lembrava mais do acordo que fizera com Cinco algumas horas antes. Ela estava quase dormindo no colo dele, sentindo os toques suaves de sua mão acariciando seu tornozelo. Cinco, no entanto, não queria que ela tomasse decisões naquele estado de sono profundo.
Ele se levantou, e Celly resmungou, fazendo bico. "Mas… eu estava quase dormindo!", pensou, irritada com a interrupção. Alguns irmãos riram da cena. Cinco colocou a mão nas costas dela, como se a guiasse para fora.
— Até mais, gente — ele se despediu, lançando um olhar para os outros. Alguns sorriram, outros gritaram: "Já estão indo?!" ou "Mas está cedo!". Cinco nem deu ouvidos, e Celly, resignada, seguiu sua onda, pronta para voltar para a suíte. — Vou aproveitar os últimos momentos com a mulher que eu amo — disse ele, sorrindo, e alguns assovios e risadas se espalharam pelo ambiente.
Não demorou muito para todos deixarem a parte externa e encerrarem o dia com o descanso que a proximidade do caos tornava ainda mais necessário.
Cinco não quis teleportar Celly. Preferiu caminhar até lá, aproveitando os últimos momentos em que ainda podiam digerir tudo o que tinha acontecido. Quando atravessaram o salão de festas, Celly parecia empolgada demais com a festa que Luther e Sloane haviam organizado.
Cinco a guiou, naturalmente, até as escadarias. Não havia pressa, e, na verdade, ele estava um pouco nervoso demais para pensar em mais alguma coisa. O que quer que fosse, ainda não estava em sua mente.
Ela nem percebeu quando ele colocou as mãos nas costas dela para desviá-la do caminho do elevador. No entanto, assim que chegaram ao segundo andar, foi Celly quem tomou a frente, decidindo que não tinha energia para mais escadas.
— …e aquele cordeiro! Nossa! — Ela falava, animada, quase radiante com a festa que haviam acabado de participar. Parou em frente ao elevador, apertando o botão com um sorriso. — A festa estava ótima. — Ela deu de ombros, mas seu sorriso logo se transformou em uma expressão mais melancólica. Olhou para ele, que a observava atentamente enquanto ela falava. — Mas… poderia ter sido melhor se Allison não estivesse agindo daquele jeito…
Cinco crispou os lábios, ouvindo-a falar. Ela estava claramente frustrada com a forma como Allison tinha se afastado da família, e ele, por um momento, se perdeu nos próprios pensamentos, mas logo percebeu que havia mais vozes se juntando à conversa.
Ele franziu o cenho. O elevador apitou, as portas metálicas se abriram, mas ele ficou ali, preso a uma sensação estranha. Celly entrou, sem perceber que ele ainda estava parado, distraído. Ela continuava a tagarelar, sem perceber que ele não a acompanhava de imediato. Algo estava errado.
Ele se inclinou levemente em direção à porta de um dos quartos próximos, curioso. A voz de Reggie soou baixa e tensa:
— Com tudo que nós discutimos, seria tolice esperar! Não temos tempo, não posso fazer isso sem você. Temos um acordo?
Cinco se conteve, querendo saber mais, mas antes que pudesse se mover, Celly o chamou, puxando sua atenção de volta.
— Ei! — Ela reclamou. Cinco imediatamente se virou para ela, sentindo-se um pouco culpado por não ter prestado atenção. — Você nem prestou atenção em mim.
— Eu… ah, é. — Ele se corrigiu, sem saber muito o que dizer, concordando com a cabeça de maneira tímida. De repente, qualquer coisa que estivesse acontecendo no quarto ao lado parecia irrelevante. — Me desculpe. Mesmo.
Celly bufou, exasperada, e então o puxou para dentro do elevador, antes que as portas se fechassem.
Dentro do elevador, o silêncio pesava entre eles. Era como se ambos estivessem tentando, inutilmente, evitar o inevitável, esquecer o acordo que pairava entre eles. O clima era tenso, mas eles sabiam o que estava por vir, mesmo que tentassem não pensar nisso.
Quando o elevador finalmente chegou ao seu andar, os passos foram muito mais lentos do que antes. Não havia pressa agora. A suíte ficava no fim do corredor, mas parecia que eles queriam que ela estivesse a quilômetros de distância. Não porque evitassem o acordo, mas porque estavam aterrorizados com o que isso significava. Cinco ainda não havia pensado no que fazer, e Celly, bom, ela também queria fazer aquilo da melhor maneira possível. A expectativa estava criando uma pressão dolorosa entre eles.
— Quero que a gente aproveite nosso último dia amanhã — Celly disse, tentando mudar de assunto. Ele levantou as sobrancelhas, surpreso com a tentativa de desviar. — Eu só acho uma pena que não tenham mais rodovias. Eu adoraria morrer viajando ou… sei lá. — Ela deu de ombros, incomodada. — Esse apocalipse não nos deixou com muitas opções de morte.
Ele soltou uma gargalhada, achando graça, e ela olhou para ele, rindo também. Era trágico, de um jeito amargo, mas de alguma forma, também um pouco cômico.
— É. — Ele concordou, balançando a cabeça com um sorriso. — Tem razão, querida. Mas... podemos fazer outras coisas. — Ele deu de ombros, com aquele tom descontraído. — O que você quiser.
— O que eu quiser? — Ela repetiu, com um brilho nos olhos, claramente empolgada. Seu sorriso se alargou, como se o nervosismo já fosse coisa do passado. — Acho que invadir a cozinha do hotel e roubar umas comidinhas seria interessante.
Ele soltou uma gargalhada, surpreso e divertido com o pedido inusitado. O sorriso dela se alargou ainda mais ao ver sua reação.
— Isso se o Chet não acabar nos impedindo — ele comentou, franzindo o cenho, e ela fez uma careta, com um suspiro quase derrotado. "Tem razão", pensou, mas logo se animou e começou a caminhar mais rápido que ele, indo à frente e se virando para olhar para ele com aquele sorriso travesso. — Seria uma injustiça com ele fazê-lo morrer sendo estressado por nós dois.
— Mas a nossa felicidade também importa! — Ela argumentou, sorrindo de forma travessa. Para ela, aquilo tudo era sobre viver o momento, aproveitar a chance de estar viva e fazer o que quisesse. Afinal, naquele instante, viver era uma dádiva para os dois, para todos os Hargreeves e para o próprio Chet. — Eu odiaria morrer entediada só para não estressar o mordomo do hotel.
— Você não vai morrer entediada. — Cinco parou de caminhar, fazendo ela parar também, os dois agora bem próximos. Ele colocou as mãos nos bolsos da calça, um sorriso discreto brincando nos lábios. Ela estava incrível, mais linda do que nunca, de uma forma que lhe tirava o fôlego. — Eu prometi a mim mesmo te fazer a mulher mais feliz do mundo.
Celly ficou boquiaberta, as sobrancelhas se erguendo em surpresa. Ela se sentiu tão tocada e desnorteada com tanto carinho e romantismo que passou as mãos pelo rosto, sem saber o que fazer. Só ele a fazia sentir algo assim.
Ela balançou a cabeça, ainda sem acreditar. O sorriso que surgiu em seu rosto era grande, quase extasiado, como se o coração estivesse prestes a explodir de felicidade. Cinco observou, com um olhar que era só dele. Ele odiava ter que se segurar, mesmo sabendo que fazia isso por ela. Ele odiava dar esperanças e, ainda assim, fazia tudo por ela.
Quando finalmente se deram conta de onde estavam, a porta da suíte estava ali, logo atrás deles. Celly virou-se rapidamente, abrindo a porta e entrando no quarto, ainda com aquele sorriso bobo nos lábios. Cinco ficou parado, como se estivesse hipnotizado, os olhos fixos nela.
Foi nesse momento que ele percebeu algo que nunca havia entendido tão claramente antes. Durante toda a vida, ele imaginara que ela se tornaria sua esposa por ser adorável, bonita, divertida, sua melhor amiga. Ele acreditava que ela se tornaria sua esposa porque, quando o apocalipse acabasse, ela estaria lá para escutá-lo, para ajudá-lo e orientá-lo, como sempre fez. Ele pensava que ela seria sua esposa por todas aquelas lembranças dos anos em que ficaram separados, como se isso o empurrasse para a certeza de que ela seria a única.
Mas agora, ele entendia, de uma forma que o fez quase paralisar. Ele não queria apenas que ela fosse dele. Ele queria ser completamente dela. Ele queria ouvir seus surtos, suas opiniões honestas e se perder nas conversas bobas. Ele queria passar o resto da vida com ela, porque ela havia se tornado uma mulher incrível. E, apesar de todas as feridas que a vida lhes impôs, eles continuavam sendo o porto seguro um do outro, ainda capazes de se encontrar e se apoiar.
Naquele instante, ele entendeu o significado perfeito do casamento. Não era só sobre ela ser dele, mas sobre eles se pertencerem. Ele não queria mais viver sem ela. Não queria mais sequer imaginar um futuro sem ela ao seu lado. E ela estava ali, resmungando sobre os sapatos desconfortáveis enquanto se jogava na cama, alheia a todo o turbilhão de sentimentos que ele estava sentindo.
Ele não queria apenas fazer de Celeste a mulher mais feliz do mundo. Aquilo agora era o seu desejo, o desejo dele de ser feliz também. Porque, naquele instante, ele escolheu ela. Não só para os próximos momentos, não só para o que restava de suas horas. Ele queria que ela ficasse com ele pela eternidade, se fosse possível. Queria viver e morrer ao lado dela, compartilhar todas as alegrias e tristezas. Ele a amava com uma intensidade que parecia transcender qualquer coisa que pudesse explicar. Ele tinha certeza de que se casariam e já havia prometido isso quando o Apocalipse acabasse, mas… agora, qual seria o mal de fazer isso agora?
— Quero que case comigo. — Ele falou, sem nem perceber a intensidade das suas próprias palavras. Ela ficou congelada por um instante, os sapatos ainda nas mãos, completamente atordoada. Levantou as sobrancelhas, fitando-o com uma expressão incrédula. "Ele está...?", ela pensou, o coração batendo mais rápido, esquecendo-se até mesmo do acordo estranho que haviam feito. O pedido dele foi como um soco no estômago — mas de felicidade.
Ela ficou sem palavras. Será que ele estava falando sério? De repente, os sapatos desconfortáveis não pareciam importar. Seu foco estava nele, em cada palavra que ele dizia.
Cinco deixou escapar um sorriso tenso, mais por nervosismo do que por outra coisa. Ele nem havia planejado aquilo, estava simplesmente deixando as palavras saírem, sentindo aquela onda de emoção borbulhando por dentro.
— Seja minha esposa. — Ele insistiu, um pouco mais baixo, mais intenso. Ela mal conseguia acreditar no que estava ouvindo. Suas sobrancelhas se juntaram em incredulidade. Ela queria falar, mas não saía nada.
Cinco... ele estava realmente pedindo aquilo? Ele deu um passo à frente, ficando ainda mais perto dela. Ajoelhou-se diante dela, seus olhos fixos nos dela, e começou a tirar os saltos com um cuidado absurdo. Ela mal tinha conseguido fazê-lo antes, e ele não queria que ela se preocupasse com isso. Ele parecia tão atento, tão delicado, que ela não conseguia entender como ele a fazia se sentir tão especial. O silêncio ficou entre os dois, mas um silêncio carregado de sentimentos.
— Eu quero que você me dê essa honra, Celly. — Ele falou com um olhar sério, quase solene. Até aquele momento, ele tinha planejado pedir de uma forma mais clássica, mas ao olhar para os olhos dela, cheios de lágrimas e um brilho de incredulidade, ele já nem se lembrava das palavras ensaiadas. — Quero que me deixe ficar do seu lado pelo resto das nossas vidas. Sem impulsos ruins, sem dúvidas. Porque é assim que eu me sinto com você. Você… me traz segurança. — Ele sussurrou as últimas palavras, e Celly sentiu a lágrima quente escorrer pelo rosto. — É a pessoa com quem eu jamais me arrependeria de passar a eternidade. Deixe-me te fazer feliz, querida. Deixe-me ser seu. E... seja minha. Por favor.
Ela não conseguiu conter a emoção. Colocou a mão sobre a boca, sem saber o que dizer. Estava completamente sem palavras.
Cinco, então, colocou os saltos no chão e se levantou, os nervos à flor da pele, esperando ansiosamente pela resposta dela. Suas mãos estavam fechadas em punho, e ele sentiu uma pontada de insegurança. E se ela não aceitasse? E se ele tivesse cometido um erro?
Mas, então, Celly se levantou e, num impulso, se jogou contra ele em um abraço desajeitado, pegando-o de surpresa. Ele sentiu a felicidade transbordar, um sorriso irresistível surgindo em seu rosto ao ouvir o riso dela, cheio de alegria.
— Que droga, Cinco! — Ela gritou, entre risadas, e ele ergueu uma sobrancelha, surpreso. Quando ele finalmente foi retribuir o abraço, ela se afastou um pouco, colocando as mãos nos ombros dele e olhando-o nos olhos. Os olhos castanhos dela estavam brilhando de emoção, o rosto corado, mas o sorriso dela era a coisa mais linda que ele já viu.
— Você está indo bem demais com essa sua promessa de me tornar a mulher mais feliz do mundo.
Ele ficou paralisado, boquiaberto. "Isso é um sim, hm?", ele pensou, o coração quase saindo pela boca. Ela então subiu as mãos, antes nos ombros dele, para o rosto dele, segurando-o com carinho.
— Eu aceitaria mil vezes.
Ele soltou um suspiro profundo de alívio, fechando os olhos enquanto um sorriso de pura felicidade se espalhava pelo seu rosto. Ela era sua noiva agora.
Sua.
Noiva.
Num impulso, sem pensar, ele segurou o rosto dela com ambas as mãos e começou a beijá-la repetidamente, mas não nos lábios. Ele beijou o topo da cabeça dela, a ponta do nariz, a curva dos olhos, a sobrancelha, as bochechas, as têmporas… Cada beijo era um símbolo de sua felicidade imensa. Ela ria, a gargalhada dela enchendo o ar de leveza. E ele sabia que, com ela, aquele seria o melhor dia da vida dele.
E então, o gesto de beijar os lábios dele partiu dela. Os lábios se encontraram com uma urgência suave, como se cada toque dissesse o que palavras não poderiam. Era um "eu te amo" que ecoava silenciosamente entre eles, um diálogo sem som, mas cheio de promessas.
A mão dele desceu pelas costas dela, deslizando na fenda do vestido de chiffon azul claro. Ela suspirou, e naquele suspiro, o combinado a atingiu com força. Ela havia se esquecido por um momento, mas agora, a realidade daquele pacto voltava com tudo. Eles fariam aquilo agora?
Cinco pareceu ouvir seus pensamentos. O beijo cessou, e os dois ficaram tão próximos que podiam sentir o calor da respiração um do outro. Ela olhou para baixo, nervosa, tentando processar tudo. Ele engoliu em seco. Sabiam que agora tudo dependia deles dois, de uma resposta.
— Você… pensou sobre aquilo? — Ele perguntou, sua voz carregada de uma tensão invisível. A mão dele, que estava em suas costas, desceu para a cintura dela, acariciando-a com uma suavidade que quase a fez derreter.
"Como eu não pensaria, ora!", Celly resmungou mentalmente, sentindo o peso da decisão. Ela crispou os lábios, mas estava decidida. Só queria que ele estivesse tão certo quanto ela.
Ela balançou a cabeça positivamente e, então, finalmente, levantou os olhos para ele. Os olhos azuis dele estavam tão intensos que, de repente, não havia mais razão para estar nervosa. Só ele e ela, mais nada.
— Pensei. — Ela sussurrou. A pausa foi dramática, o momento parecia suspenso no ar. Ele esperava, com o coração na boca. Queria ouvir dela a confirmação, queria ouvir que ela estava pronta. E, se não fosse o caso, ainda assim, ele se sentiria feliz. Afinal, ela agora era sua noiva. — Eu quero.
Cinco sentiu o coração bater mais rápido, uma batida errada, quase como se o tempo tivesse desacelerado. Ele estava nervoso, mas de alguma forma, também preparado.
— Eu também. — Ele respondeu, a voz quase falhando de ansiedade. Balançou a cabeça, como se aquilo fosse mais uma confirmação para ele mesmo.
Ela se virou calmamente, quase hesitante, de costas para ele. Não sabia exatamente como faria, nem o que ele faria, mas o desejo estava ali, claro. E ela queria, completamente.
Cinco olhou para o zíper do vestido dela, que terminava na base das costas, perto do cóccix. A fenda deixava a pele dela exposta, e ele sabia que ela esperava que ele o abrisse.
Com dedos trêmulos, ele levou a mão até lá. Tocou com suavidade a pele dela, quente e macia, e aquela sensação o deixou ainda mais desnorteado. Os dedos deslizaram até o zíper, e ele, com um pouco de dificuldade, começou a puxá-lo. A fenda se alargou ainda mais, e ele pôde ver, com clareza, a calcinha preta de renda que ela usava. Ele prendeu a respiração, sentindo o nervosismo tomar conta.
"Porra", ele pensou, quase incrédulo. Ele não acreditava que aquilo estava acontecendo de verdade.
E ela, bem, estava louca para que ele a tocasse. Mas não de forma apressada, e sim com nervosismo, com aquela mistura de confiança e hesitação. Ele a fazia se sentir segura, mas sabia que ainda assim doeria. Ela tinha certeza disso.
Foi então que ele invadiu a pele dela com as mãos, entrando pelo tecido suave do vestido, apertando sua cintura com firmeza, sentindo a pele macia contra a dele. O calor, o nervosismo... Mas, mais do que isso, a certeza de que aquele toque era a única coisa que importava naquele momento. Foi quase como acender uma chama.
Ela curvou a cabeça para o lado, um pedido silencioso para que ele beijasse seu pescoço. E ele fez, com uma lentidão quase reverente, afastando os cabelos dourados dela, expondo sua pele. O ritmo tranquilo que eles tinham, aquela calma que fazia Celly querer mais a cada toque, mais a cada beijo.
Mas então, ela se virou rapidamente, com uma determinação que a fez parecer mais confiante. Suas mãos foram direto para a gravata dele. Ela precisava tomar o controle de alguma forma, precisava se sentir no comando para dissipar um pouco do nervosismo.
Ela começou a desfazer a gravata dele, mas Cinco não pôde deixar de achar aquilo divertido. Ver Celly tão apressada, claramente corada, estava criando uma cena que ele achava engraçada.
— Eu não pedi ajuda pra tirar minha roupa, querida — ele disse, meio divertido, com um sorriso travesso. Ele estreitou os olhos, observando enquanto ela ficava impaciente com o nó da gravata.
— Cala a boca, Cinco — ela o repreendeu, puxando a gravata com mais força, antes de se aproximar e beijá-lo, sem hesitar. Ele correspondeu imediatamente, com a mesma paixão.
As línguas se encaixaram na perfeição, a dança quente e íntima entre os dois. Celly parecia ter o dom de tornar tudo mais leve, mais descontraído, e Cinco, bem... Ele também queria estar no controle, mas respeitou o momento dela. "Que seja!", pensou, com um sorriso.
E, com uma rapidez surpreendente, Cinco a teletransportou para mais perto da cama. Em um segundo, ele estava sentado no colchão macio, e ela, com confiança crescente, colocou uma perna de cada lado do quadril dele, se montando sobre ele. Ela estava nervosa, claro, mas se recusava a deixar isso transparecer. Daria o melhor de si, até onde soubesse, e depois... Bem, depois aprenderia o resto com ele. Juntos.
O vestido dela subiu, como consequência de seu movimento ao montar sobre ele. As coxas, expostas, e o tecido tão leve que o contorno do seio dela se destacava por baixo.
O atrito entre eles fez Cinco suspirar, e ele perdeu completamente o controle quando seus dedos invadiram o tecido lateral da calcinha dela, enquanto segurava firme os quadris dela, por baixo do vestido. Ela arfou e, sem hesitar, começou a tirar o casaco dele, o colete, e depois a camisa, que foi desabotoada de forma desajeitada, mas cheia de desejo.
Cinco sentiu uma onda de vergonha. Não por estarem indo tão longe, porque aquilo era algo que ele já havia imaginado tantas vezes que o medo já não fazia mais sentido. Mas o que realmente o deixava sem jeito era perceber o quão quente e ousada Celeste estava. Ele nunca a havia visto assim — tão confiantes e incontroláveis. Ela o olhava com uma chama ardente, tomando o controle de tudo, desde o momento em que decidiu tirar a gravata dele.
Celly notou o quanto Cinco estava corado e, por um breve segundo, se perguntou se estava fazendo algo errado. Mas logo afastou o pensamento, permitindo que o desejo tomasse conta dela completamente.
Ela empurrou gentilmente o peitoral de Cinco, fazendo-o deitar, e continuou sobre seus quadris enquanto o beijava com um fogo que não conseguia mais controlar. As alças do vestido começaram a cair de seus ombros — resultado de o vestido ter sido aberto antes — e seus seios, apertados contra o peito dele, ficavam mais visíveis. Cada beijo dele era tão suave e cheio de ternura, que, se o mundo ao redor deles pegasse fogo, seria a última coisa de que se importariam.
Quando finalmente se separaram, sem fôlego, Celeste se ergueu um pouco, permitindo que Cinco visse claramente os mamilos duros e visíveis, um sinal claro de sua excitação, mesmo sem ele ter tocado em sua intimidade.
Cinco arfou, seus lábios se crispando ao contemplar a parte exposta da garota que ele amava. Seus olhos estavam fixos nela, enquanto sua mão subia pela clavícula dela, deslizava pelos braços e então alcançava a alça do vestido, que já estava quase solta. Ele a retirou com delicadeza, observando Celly, que parecia cada vez mais fora de si, como se o controle estivesse escapando de suas mãos.
Ele queria mais. Precisava de mais daquilo.
Não conseguiram tirar o vestido completamente na posição em que estavam, então, rapidamente, ele a deitou sob ele, terminando de puxar o chiffon azul claro pelas pernas de Celly.
Quando o vestido foi finalmente retirado, Celly gemeu baixinho, sentindo o corpo gelado pela falta da roupa. Só a calcinha agora cobria sua intimidade, e ela estava tão excitada que a vergonha quase a fez querer desaparecer. O colar do infinito ainda estava em seu pescoço, um lembrete sutil, porém intenso, de que ela agora era completamente dele. E aquele colar visível deixava claro que eles eram um do outro.
Cinco desceu seus beijos do pescoço dela para o colo, depois para os ombros, e finalmente para os seios, beijando-os com uma calma que contrastava com a ansiedade dentro dele, enquanto sua mão esquerda massageava o outro seio com delicadeza. Ela era insaciável, e ele mal sabia o que estava fazendo. Tocar nos seios dela? Suas mãos estavam tão trêmulas que ele se odiava por não ser perfeito naquele momento. Mas, mesmo assim, ele sabia que viveria aquilo centenas de vezes.
Cinco a via como a pessoa mais admirável, perfeita e bela que já pisara neste planeta. Cada toque parecia percorrer seu corpo como uma corrente elétrica, e quando finalmente começou a dar a devida atenção aos seios dela, não queria mais parar.
Celly gemia, surpresa com a intensidade do prazer. Jamais imaginou que alguém pudesse prestar tanta atenção aos seus seios e ainda assim proporcionar uma sensação tão deliciosa. Ela estava molhada, completamente tomada pelo desejo. Suas pernas se envolveram nos quadris de Cinco, que, tão concentrado em excitá-la, não teria saído dali, a não ser que ela desistisse do que os dois queriam.
"Eu facilmente viveria neste momento para o resto da minha vida", pensou ele, completamente absorto em suas ações. E então, como uma faísca, surgiu uma ideia clara em sua mente. Era aquilo. Era exatamente aquilo o que ele precisava para tornar o momento ainda mais perfeito para ela. Cinco arfou, meio atordoado pela ideia, e beijou o mamilo dela mais uma vez, antes de seguir seus beijos para cima, parando no pescoço.
Ela ofegou, com uma pontinha de tristeza. Queria que ele continuasse, mas sentia que ele tinha algo mais planejado, algo ainda melhor.
— Eu... tive uma ideia, Celly. — Ele falou, com um tom sério, beijando delicadamente o pescoço dela. Celeste mal conseguia imaginar o que ele queria propor. Estava tão imersa naquele momento, tão entregue à atenção dele.
E, porra! O corpo dele pressionando o dela era deliciosamente maravilhoso. Aquela pressão quente sobre seus seios fazia ela sentir um desejo tão forte que queria dominá-lo por completo.
— O que? — Ela perguntou, com dificuldade até de formar palavras, parecendo mal perceber o que ele dizia. Levou a mão até o cabelo preto dele, passando os dedos pelos fios macios e escuros.
— Quero voltar no tempo.
Ela franziu o cenho, confusa. "O que…?" pensou, tentando entender.
— Mas…
— Pra eu tentar descobrir o que você gosta. Fazer… de novo e de novo. Até eu aprender. — Ele sussurrou, com a voz baixa, deliciosa e rouca, no ouvido dela. Então, levantou a cabeça e a beijou no pescoço. Aquilo era uma insanidade. Ele a olhou nos olhos, sério, sem brincadeiras. — Até eu perder o nervosismo da primeira vez.
Ela ficou boquiaberta, franziu o cenho, incrédula. Mas… não era justo! Ela nunca saberia como tinha sido a primeira vez dele! E, bem, quantas vezes ele não ficaria voltando no tempo só para aprender com ela?
— Só se você quiser, querida — ele disse, com um tom sincero, mas também com a sensação de que realmente queria tentar aquilo. Ela soltou um suspiro, resignada.
— T-ta… tudo bem — ela respondeu, concordando com a cabeça, nervosa, sem saber o que ele faria a seguir. — Mas quero que me conte como foi pra você depois.
Ele soltou um sorriso. Era adorável da parte dela se preocupar em saber como seria para ele, e não quantas vezes ele voltaria no tempo. Na verdade, naquele momento, ele realmente gostaria de voltar centenas de vezes, se isso a fizesse ter a perfeita primeira vez.
— Eu vou contar. — Ele disse, olhando-a nos olhos. Ela concordou, ainda um pouco nervosa e resignada. — Cada coisa.
Então, ele beijou suavemente o queixo dela, de forma gentil, calma, delicada. Algo parecia ter mudado nele. Ele parecia… diferente. Mas não no sentido comum. Ela quase teve certeza de que, naquele momento, ele já tinha voltado no tempo.
O beijo dele desceu com suavidade, traçando uma trilha pelo pescoço, depois pela clavícula. Seguiu até o meio dos seios. E quando Celeste pensou que ele iria parar por ali, Cinco continuou, beijando sua barriga, seu ventre. Quando ela percebeu, ele estava beijando a barra da calcinha preta.
— Cinco… o que você…?
— Shh. — Ele pediu, com voz suave e tranquila. Era a primeira vez dele! E… que porra!
O anelar de Cinco afastou o tecido para o lado e o invadiu. De uma forma firme e certeira, circulando-a. Quando Celeste, completamente surpresa, sentiu o dedo dele desdobrando-a por dentro, ela tapou a própria boca, incapaz de se conter. Aquilo era apavorante e delicioso na mesma medida.
— Droga, querida — ele resmungou. Beirou quase a um gemido. Ela estava ridiculamente molhada. Mas também, tensa, de alguma forma. Ele levantou-se, ficando na altura do rosto dela, mas ainda deitado sobre Celeste, com os dedos nela. — Relaxe.
Ela concordou com a cabeça, sentindo que, dessa vez, o dedo dele a penetraria. E Cinco o fez. O dedo deu mais uma volta nela, explorando a fenda molhada, e então, deslizou para dentro dela. Celeste soltou um gemido sôfrego. Os dedos dele não eram grossos, mas de toda forma, era desconfortável tê-lo dentro de si.
E para Cinco, sentir ela tão apertada contra um único dedo dele foi apavorante. "Eu vou machucá-la", ele pensou, preocupado. Precisava recorrer a medidas mais drásticas para deixá-la excitada. E que fosse.
Então, o polegar se fez presente. Ela tremeu sob ele, nervosa. O polegar não entrou com o anelar. Ficou ali, descobrindo o clitóris dela. Circundando ela, enquanto o anelar a massageava. Cinco mudava os movimentos dos dedos às vezes. Usando o indicador e o anelar curvados para esfregar perfeitamente nas dobras dela. Ela só conseguia gemer. Mal formava mais palavras. E ele sentia que a calcinha estava atrapalhando os próprios movimentos dos dedos.
Ele não queria machucar ela. Nem pensar. A boca dele beijava o pescoço dela enquanto os próprios dedos faziam o trabalho na sua vagina. Era algo preciso, perfeito, que contrastava com cada beijo delicado e cuidadoso dele.
Ela estava molhada, é claro. Mesmo assim, Cinco sentiu que ainda não estava bom o suficiente para não acabar machucando-a na hora da penetração. E ele estava certo. Um dedo dele já havia sido o suficiente para gerar desconforto. E ele queria ir até o fim sem deixá-la com dor ou machucada.
Mas ele só conseguia pensar em uma coisa que a deixaria molhada o suficiente naquele momento. E bem, Celeste demorou para perceber sua intenção.
Foi quando Cinco parou de usar os dedos. Celeste pensou que finalmente aconteceria, então, Cinco desceu os beijos do pescoço. Não para os seios. Ele continuou descendo como antes.
Os dedos dele pararam na calcinha e a puxaram de uma só vez, como se já tivesse repetido aquele gesto inúmeras vezes. Com uma habilidade que parecia natural, ele deslizou a peça pelas pernas dela. A garota mal conseguia encontrar palavras. Ver ele tão atento, tão sem vergonha diante dela, nua, parecia… como se ele já tivesse visto aquele corpo antes, muitas vezes. Mas o olhar de adoração dele não mentia. Ela viu o brilho nos olhos dele ao terminar de tirar a calcinha dela, acompanhado de um pequeno sorriso curvado nos lábios. E, claro, a ereção evidente, pressionando a calça dele.
Ele soltou um suspiro, quase de alívio, transbordando prazer. Era inacreditável vê-la nua.
— Você é linda. — Ele disse, com a voz calma, misturada com paixão, delicadeza e prazer. — Muito bonita.
Então, ele se curvou novamente sobre ela. A boca dele, que antes estava no ventre dela, desceu mais uma vez. Desta vez, ele lambeu a pele dela, mordiscando e beliscando-a com uma intensidade quase elétrica. Era impressionante como ele sabia exatamente o que ela gostava, o que ela precisava. Porque… cada toque, tão preciso, tão certeiro, estava inundando ela com uma onda de prazer. Antes os dedos dentro dela, agora, cada beijo tão específico… Ela estava definitivamente molhada, muito molhada. Então, Cinco deslizou a língua pela pele dela, descendo até aquela fenda deliciosamente úmida.
"Agora sim. Perfeita", ele pensou, sentindo uma satisfação profunda. Ele já havia feito aquilo três vezes, e, finalmente, parecia ter descoberto o que deixava ela ainda mais molhada, de forma tão rápida.
Nenhuma das três vezes ele tinha chegado até o final. Ele odiava cometer erros com ela. Cada vez que sentia que não estava bom o suficiente para Celeste, ele voltava alguns minutos, ou até segundos, para pegar a experiência perfeita. E o detalhe fascinante era que, nas três vezes, ele não conseguiu evitar de elogiá-la ao vê-la nua. Ela era tão hipnotizante que, mesmo repetindo a experiência, ele não se cansava de fazê-lo.
E então, a língua dele começou a massageá-la. As mãos dele foram parar nos quadris da garota, a prendendo. Ela arquejou sob a língua dele, fazendo Cinco soltar um gemido gutural, rouco. Ela era insaciável e deliciosa. Os dois numa conexão tão profunda que adorariam repetir aquilo mais vezes.
A língua dele a penetrou numa dança perfeita com a pele dela. Subia, descia, se esfregava e enrolava-se no clitóris de Celeste. Ele poderia facilmente ficar fazendo aquilo por horas, e nem seria só por ela. Vez ou outra seu nariz grego também ajudava. O rosto dele se esfregava nela. Era a forma que Cinco conseguia de deixá-la maximamente excitada para que não doesse. Havia prometido a si mesmo que faria de tudo para ser perfeito para ela. E bem, acabou que ele percebeu que adoraria permanecer ali mesmo depois dela ter ficado excitada o suficiente para continuar.
As mãos dela se perderam no cabelo dele, puxando-o com uma intensidade crescente. Ela mal sabia o que fazer com as próprias mãos, já que a sensação era simplesmente avassaladora. Cinco, por sua vez, sabia exatamente o que fazer. Suas mãos, quando não estavam nos quadris dela, desciam pelas coxas, explorando com força, mas também com uma suavidade desconcertante, alternando entre apertos e beliscões que a faziam estremecer. E, de repente, ele a acariciava com uma ternura que contrastava perfeitamente com o momento tão quente e íntimo entre eles.
— E-eu... — Ela tentou falar, mas a voz falhou, a respiração pesada dificultando até a formação das palavras. Ela queria que fosse justo, queria mais controle. Era a primeira vez dele também, e ela odiava se sentir tão inexperiente, como se fosse ele quem estivesse ditando tudo. Mas a única coisa que conseguia fazer era lutar contra a falta de ar. Não conseguia formular boas palavras. Não com ele a chupando daquela forma. — Não deveríamos... ser mais justos?
O tom de sua voz estava rouco e entrecortado, como se cada palavra fosse um esforço que ela não conseguisse conter.
Cinco ergueu uma sobrancelha, parando de usar a própria língua por alguns instantes. Olhou para ela, esperando que ela falasse o que queria atentamente.
— Hm?
Ela fechou os olhos com força, deslizando as mãos pelos cabelos dele, e depois levou as próprias mãos ao rosto, um pouco envergonhada. O calor que subia à sua face era inconfundível, e seu peito subia e descia com a respiração ofegante. Sentia-se vermelha, arrebatada, e deliciosamente tomada pelo desejo.
— É que… porra! Só você está fazendo tudo e… droga.
— Quer que eu pare? — Ele perguntou com uma suavidade cuidadosa, mas o tom da voz dele não escondia a vontade que tinha de continuar, agora que achava que tinha encontrado o ritmo certo com a língua.
— Não… quer dizer, eu não… ah!
Cinco voltou a usar a língua. O "não" era a resposta perfeita para ele. Ela não queria, e ponto. A língua dele voltou a circular no clitóris da garota. A esfregar aquela fenda molhada, estimulando o prazer dela deliciosamente. Agora sim ela sentia que não conseguia falar o que queria. Ele parecia ainda mais intenso dentro dela.
— Cinco… — ela o chamou. Mas ele continuou completamente focado em dar prazer para ela. Ela ofegou. Sentia-se suada. Sentia que, lá no fundo, estava bem perto de gozar na boca dele. Ele chupou um dos lábios dela. Perfeitamente. Aquele som erótico ecoando. — Deveríamos fazer algo bom pra você também. Algo que você goste e-
— Eu realmente estou gostando disso — ele afirmou, sem dar muita atenção. Estava completamente focado naquilo. O incentivo para ele era sentir ela arquejando sob sua língua. Aqueles gemidos ofegantes dela e vê-la segurando o tecido do lençol sob eles de uma forma tão firme que poderia estragá-lo.
Ela gemeu. Mais uma vez.
Aquilo era demais. Muito mais do que ela jamais imaginou. O coração dela parecia estar em uma montanha-russa enquanto ela apenas concordava com a cabeça, tentando processar tudo aquilo. Mas era real? Ele estava mesmo gostando tanto assim?
Ele era tão gentil, tão cuidadoso, que aquilo começava a mexer com a insegurança dela. E se ele esperasse que ela retribuísse do mesmo jeito? Só de pensar nisso, o pânico começou a se instalar. Ela não tinha nenhuma experiência. Nada. Era como uma tela em branco. E se ela fosse um desastre completo? Se ele acabasse odiando? O pensamento de arruinar tudo era suficiente para fazê-la querer desaparecer antes que o apocalipse, marcado para o dia seguinte, pudesse sequer chegar.
Mas Cinco... Ah, Cinco parecia estar em uma sintonia completamente diferente. Ele não queria que ela fosse experiente ou perfeita. Na verdade, não esperava nada além dela mesma. Tudo aquilo era para ela. Ele sabia que ela merecia uma primeira vez especial, algo que ele, sem nenhuma experiência e sem a ajuda de uma viagem no tempo, jamais teria conseguido planejar tão bem.
Ainda assim, de algum jeito, tudo parecia perfeito. Perfeito de um jeito inesperado e bagunçado, como só eles conseguiam ser.
Ela estremeceu sob ele, incapaz de conter a onda de sensações que a tomava. Era demais, um turbilhão que começava no ventre e se espalhava pelo corpo inteiro, carregado de prazer e uma explosão de endorfina, ocitocina e dopamina que parecia colocá-la em órbita.
Nunca, nem nos sonhos mais otimistas, ela achou que o primeiro orgasmo com alguém viria tão rápido. Honestamente, não sabia o que pensar. Será que ela era uma espécie de prodígio nisso, ou Cinco era simplesmente fenomenal no que fazia?
A verdade é que, naquele momento, nada disso importava. Tudo o que ela sabia era que aquilo era extraordinário, absolutamente magnífico, e que ela jamais esqueceria.
— Não pode gozar agora, Celly — Ele falou. Parecia sério, olhando para ela enquanto continuava o trabalho com a língua. Ele deixou um beijo mais ardente na sua pele úmida.
Ele queria ficar ali por mais tempo.
— Eu… não vou saber segurar. — Ela falou, fechando os olhos com uma força absurda. Tentando se concentrar. Se ao menos ele queria fazer aquilo, então ela deveria segurar aquela onda de prazer por ele. — Eu acho que… — Cinco chupou o clitóris. — Porra!
Celeste estava ofegante. O peito subindo e descendo. Ela estava tentando realmente concentrar-se para não chegar lá muito cedo. Mas percebeu então que era algo que não conseguia segurar. Não com ele.
E então, quando Cinco deslizou as mãos dos quadris dela para os seios, foi como se uma explosão percorresse cada nervo do corpo dela. O ápice chegou como uma enxurrada, irresistível e avassaladora. O prazer a dominou de forma tão intensa que o coração dela parecia querer saltar do peito. Ela sentiu o suor escorrendo, o calor pulsando, e as pupilas dilatadas revelavam o turbilhão dentro dela.
Sem conseguir se conter, ela agarrou os cabelos dele com uma força quase desesperada. Cinco percebeu imediatamente o que tinha acontecido, o sorriso satisfeito em seus lábios mal disfarçando o orgulho silencioso. Ela havia gozado bem na boca dele.
Então, veio o alívio. Ela relaxou, deixando escapar um som ofegante e sôfrego, como se o ar não fosse suficiente para encher seus pulmões. Estava exausta, completamente entregue.
Cinco parou de chupa-la. Ele sabia que continuar seria desconfortável para ela, mesmo que tudo dentro dele desejasse fazer aquilo outra vez – e mais algumas vezes depois. Mas, naquele instante, tudo o que importava, era o sorriso sutil subindo no rosto exausto dela.
Ele subiu devagar, os olhos fixos no rosto da garota. Celeste sorriu, desconcertada, as bochechas coradas e o olhar ainda perdido no êxtase recente. Os cabelos dele estavam uma bagunça, as pupilas dilatadas, e quando Cinco umedeceu os lábios antes de abrir aquele sorriso meio torto, ela sentiu o coração disparar de novo. Ele parecia exultante, enquanto a observava naquele estado, completamente desarmada.
Ela estava linda.
— Isso foi… — começou, a voz ainda trêmula. Mas as palavras pareciam fugir. Tudo o que ela conseguia sentir eram suas pernas tremendo sem parar e o peso do quadril dele bem posicionado sobre o dela. O calor que emanava dele, mesmo com a calça entre os dois, era inconfundível. — …muito bom.
Cinco inclinou a cabeça, concordando sem dizer nada. Ele sabia que era só o começo, mas essa próxima parte... bem, nem ele havia tentado antes. Uma pontada de nervosismo o atingiu, mais forte do que ele esperava. Mesmo assim, algo dentro dele dizia que tinha que dar certo.
E se dependesse do jeito que Celeste olhava para ele, com aquele sorriso tímido e exausto, talvez fosse mais fácil do que imaginava.
Ele beijou ela. Celeste sentiu o próprio gosto na boca dele, mas realmente não se importou. Naquele momento, era deliciosamente excitante o fato dele não se importar. Ou então, com ela naquele estado. Nua, suada, vermelha e completamente entregue a ele. Estava tão relaxada que mal se sentia dentro de si. Estava mole e pesada, sem nem entender direito o que acontecia. Não após aquela intensa onda de prazer que a cercara.
As línguas dos dois se encaixando com perfeição naquele beijo tão certeiro. As mãos dele a acariciavam com um carinho e delicadeza contrastante com o erotismo de antes. Então, o beijo dele desceu pelo pescoço dela. Específico como sempre. A desejando.
Os hormônios adolescentes fervilhavam, amplificando tudo de maneira quase avassaladora. Ainda assim, ela sentia um certo conforto em saber que aquela intensidade não era só dela – ele também parecia imerso no mesmo turbilhão.
Por um lado, havia algo especial na ideia de serem os primeiros um do outro. Ela estava feliz por ser dele, assim como ele era completamente dela. Não era apenas sobre fazer amor; era algo mais profundo, quase indescritível, como se suas almas estivessem se concertando em uma dança perfeita.
Cinco se ergueu então. Saiu da cama, ficando de pé. Nervoso, as mãos trêmulas. Tirou o próprio cinto e o jogou onde dava, sem muita cerimônia. E então, ele deslizou o zíper da calça. Simples. Quando a calça caiu pelas pernas dele, ela conseguia ver perfeitamente a cueca dele marcada de pré-gozo. O pênis dele estava tão rígido àquela altura que estava quase saindo para fora da cueca.
E então, nervoso, ele finalmente abaixou o último tecido do seu corpo. Os dois estavam nus.
E o pênis dele era grosso. Demais.
Celeste viu no mesmo instante que aquilo doeria mais do que o esperado. Ela soltou um suspiro nervoso, passando a mão no rosto, ficando ruborizada. E Cinco, claro, engoliu em seco. Ele finalmente se colocou sobre ela. Aquela pressão deliciosamente conhecida sobre o corpo da garota. Mas ela dessa vez, sentiu o pênis dele roçando na sua vagina.
Ele olhou nos olhos dela, buscando algum conforto. E se estragasse tudo? Queria poder dizer a si mesmo que seria bom o suficiente para ele não ter que voltar no tempo dessa vez.
— Você tem certeza, querida? — Ele perguntou. Clássico. Queria que ela não se arrependesse, por algum motivo que fosse. E ele faria de tudo para que ela gostasse depois daquilo.
Ela concordou com a cabeça, em silêncio, nervosa. Os braços dela o abraçaram, como se o tranquilizasse. Ela crispou os lábios, esperando, sentindo Cinco usar o joelho para afastar as pernas dela. Ela não demorou para posicionar suas mãos em sua nuca, o puxando para um beijo calmo, desesperadamente tentando tranquilizar a si mesma, e a ele.
Cinco engoliu em seco quando percebeu que estava finalmente acontecendo. Perderia a virgindade com sua amada. Com sua melhor amiga. Com a garota que ele levava pães com pasta de amendoim e marshmallow toda a noite em seu quarto.
E então, enquanto Cinco beijava seu pescoço, ele moveu os quadris para frente.
As mãos dele, que antes estavam apoiadas no colchão macio, finalmente pegando impulso para deslizar em sua entrada — que estava tão lubrificada, que entrou com facilidade. A sensação era que ele estivesse a alargando. Cinco era tão grosso, que era difícil se acostumar com o tamanho dele.
— Porra. — Ele gemeu. Baixo, quase implorando a si mesmo para que não gozasse rápido. Ela era muito apertada. Se arrependeu. Talvez estivesse a machucando. Os dois soltaram um suspiro, como se aquilo fosse bom demais. Para ela, dolorido.
— Hm… — Ela gemeu. Crispou os lábios, fechou os olhos… tentando se concentrar naquele pequeno ponto de prazer que tinha naquilo.
Ele não se moveu. Queria fazer no tempo dela. Ficou parado, colocou as mãos na cabeceira, tentando não se mover, ou então, durar. Porque aquilo era muito, muito melhor que qualquer coisa que ele tivesse imaginado a vida toda. Ele fechou os olhos. Cinco, com a pele clara que tinha, começou a ficar vermelho.
— Tenta não se mexer. — Ele pediu. Beijou o topo da testa dela. Celeste concordou com a cabeça, tentando concentrar-se.
— Eu não estou me mexendo — Ela rebateu. Tão ofegante que os dois estavam naquela mistura de gemidos e suspiros sôfregos.
— Eu sei, mas… — Ele falou. O que diria? Que se ela se movesse ele provavelmente estragaria tudo? Que se ela se movesse sem ele ficar sabendo antes, talvez não aguentasse segurar aquela enxurrada de prazer que estava cercando o próprio corpo? — …só me diga quando eu puder me mover.
Ela concordou com a cabeça. Mas ainda doía. Muito. Era difícil de se acostumar e… parecia que já haviam se passado uma eternidade que ele estava dentro dela.
— Tudo bem… só… não vá rápido.
Ele concordou com a cabeça. Queria seguir o ritmo dela, completamente. Ele respirou fundo, e então, moveu os quadris para trás. Ela gemeu. Quase de alívio enquanto ele se retirava de dentro dela. E então, voltou para dentro. Naquele vai e vem delicioso. Ele soltou um suspiro.
Aquilo era muito bom. Ela era tão apertada para ele. O encaixe perfeito dos dois. E finalmente aquele desconforto agonizante começou a passar. E Celeste começou a perceber como aquele atrito dos dois era bom. Mesmo que, lá no fundo, ainda doesse. Ela estava tremendo. As pernas balançando em um ritmo frenético que ela mal conseguia controlar. Os espasmos de um futuro orgasmo a atingindo, fazendo ela espremê-lo dentro dela. E cada vez que isso acontecia, Cinco gemia. Um gemido rouco, gutural e pesado, como se quase não estivesse aguentando a deliciosidade daquilo.
Ela só conseguia pensar em como aquilo estava acontecendo. Em como aquele dia havia sido especial. Havia visto Luther se casando, havia tornado-se noiva de Cinco e agora, finalmente estava perdendo sua virgindade.
E estava sendo ótimo. Mesmo que Cinco não fosse experiente. Aquilo era incrível. Para os dois.
Os sons dos quadris se chocando, da umidade de suas partes e dos beijos e gemidos deixados por eles tornavam o ambiente excitante. Não esperavam que fosse tão bom. Era uma melodia erótica produzida por eles. Tão intensos, respeitando perfeitamente os limites um do outro.
Os dois mal sabiam a melhor forma de esvair toda aquela intensidade que transbordava deles. Celeste usava as unhas para arranhar as costas dele, e ele, bem, só conseguia apertá-la, chupar a pele do seu pescoço ou mordiscar o lugar que conseguia alcançar. Parecia que sempre precisavam de mais contato.
A voz de Cinco começou a ficar trêmula, assim como seus gemidos, que aumentavam pouco a pouco. A pupila de ambos dilatava conforme mais perto chegavam do ápice. O coração dos dois já estava acelerado e os corpos suavam com o contato tão íntimo.
E quando aquela mesma onda de hormônios começou a atingir Celly, ela se entregou junto a ele.
Ele não voltou nenhuma vez no tempo nesta parte.
FALEI QUE IA TER HOT, NÃO DISSE?!?! CUMPRI A MINHA PALAVRA!!!
Foi vergonhoso escrever, gente. Deixem seu voto pra mim não achar que foi tudo atoa se não eu choro KKKKKLLLL
OBS: Sei que não estava na hora da postagem, costumo lançar mais cedo. Porém eu literalmente ESQUECI que hoje era terça, tô pirando.
revisão concluída ☑️💚
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