capítulo sete: você quer que eu chore? - pt.1
oi
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Atsumu adormece nele durante o voo para casa. Kiyoomi deveria ter esperado por isso. Mas, como um idiota, ele deixou um Miya Atsumu mal-humorado resmungando sobre sono se sentar do lado dele, e agora o homem está deitado sobre seu colo, curvado como um bebê e Kiyoomi não pode fazer nada além de sofrer porque acordar ele e o chamar de idiota não seria algo que um marido faria.
Kiyoomi não tem problema em voar na classe econômica mas, aparentemente, seus pais tem.
Aparentemente, é bom demais para voos civis, ele merece ser aguardado de pés e mãos no chão. Kiyoomi admite que gosta de luxo (mas quem não gosta?) e ele admite que o sofá no avião é confortável, mas Kiyoomi admite muitas coisas.
O problema chega quando fingindo ser um casal se torna sendo um casal, mesmo que seja apenas por algumas(dez) horas. Kiyoomi não esperava que fosse tão difícil. Ele se pergunta se é assim que vai ser o tempo todo quando eles aterrissarem. Se for ele talvez morra.
Ele olha feio para o homem que o traiu, murmurando palavrões silenciosamente. Isso é até a aeromoça Bethany passar. Quando isso acontece, ele passa os dedos pelos cabelos de Atsumu e arruma seus próprios lábios para um sorriso o melhor que ele consegue se forçar. (O cabelo de Atsumu é tão macio que é quase inacreditável, isso Kiyoomi não admitirá a ninguém).
Kiyoomi volta a mexer em seu celular. Enquanto Bethany limpa um dos copos vazios que estava em uma das mesas, ele deixa o artigo que ele estava lendo sobre transição de poder para América restaurar seu cérebro - se ele estivesse acordado, Atsumu reclamaria do quão tedioso é.
Um até diria que os Estados Unidos enlouqueceram - são poucos os países mais...audaciosos. Kiyoomi balança a cabeça, estalando sua língua em desaprovação. Ele sabe que é crítico. Ele foi criado para ser crítico. Mas tambem, ele foi criado para ser cristão e hétero, então sempre deve ter tempo para mudança ele acredita.
É só quando o som do copo contra a bandeja de metal baixa e ele está cercado por silêncio novamente que ele percebe que sua mão pode mudar de localização. Mas o cabelo de Atsumu é tão macio e não é como se isso fosse um crime de qualquer modo, e Kiyoomi ainda está concentrado no artigo...
Seus olhos escuros olham, traidoramente, para sua mão. Ele é servo para sensação de toque quando ele desliza os dedos pelos cabelos sedosos, dedão passando sorrateiramente pela maçã do rosto de Atsumu. Seu cérebro o diz para tirar sua mão de lá, mas o tom doce como mel do momento intoxica suas veias, e ele está tentado a passar os limites um pouco mais.
Devagarmente, devagarmente, com toda a gentileza de um homem tocando uma boneca de porcelana, Kiyoomi deixa seus dedos traçaram uma trilha sobre a pele bronzeada, a ponta afiada da mandíbula de Atsumu, a pele jovem de sua bochecha. Ele testa seu autocontrole um pouco mais ao permitir seu dedão deslizar sobre a parte inferior dos lábios de Atsumu, macio e almofadado, ele imagina pressionar esses lábios sobre os seus como eles fizeram no altar, imagina deslizar sua língua-
Kiyoomi remove sua mão rapidamente sem nenhum gatilho em particular, mantendo-a perto de seu peito como se Atsumu a tivesse queimado - talvez ele tivesse, o efeito inverso de água benta em demônios. Não aplicável nesse caso, considerando que o Atsumu seria o demônio aqui.
Em seu estado de pânico sua mente se abraça como se estivesse procurando seu último resquício de sanidade, olhos se voltando às palavras do artigo que estava lendo. Ele se sente embaraçado ao admitir que de repente, como Atsumu descreveria tão eloquentemente, chato pra caralho.
De que outro jeito ele deveria se sentir? Atsumu está espreguiçado em seu colo lindamente, um museu para sensações, o novo brinquedo favorito de Kiyoomi. O príncipe toma interesse absoluto no espécime abaixo dele. Se tem uma coisa que Kiyoomi admite sobre Miya Atsumu, é que ele é de longe a pessoa mais interessante que já esteve em sua vida.
Então ele o toca de novo.
(Explicações biológicas não significam porra nenhuma se você não consegue parar. Sensação é a droga mais potente da natureza, qualquer um que diga que não esta fisgado nela esta mentindo.)
Dessa vez, ele está mais controlado, menos explorador, se limitando as mechas macias como nuvens de Atsumu - é possível cabelo ser tão macio? - e ele ignora o aperto gentil em seu peito quando Atsumu bufa (o que poderia ser considerado por alguns seres menores) um suspiro fofo em seu sono.
Ele decide que isso não significa nada. Que isso pode ser comparável com afagar um cachorro de um desconhecido extremamente afetuoso por um momento, mas uma ocorrência que logo ficará para trás enquanto você segue sua vida normal.
Isso é verdade, Atsumu é meio que como um cachorro, é o que seu subconsciente decide em pensar.
Então ele afaga o cabelo de Atsumu a viagem de avião para casa, e ele sabe que ele nunca poderá dizer para o príncipe Miya que isso aconteceu, e como muitas coisas Kiyoomi faz em relação à Atsumu Miya, ele diz pra si mesmo que isso foi um acontecimento do momento que nunca ocorrerá novamente.
E como em quase toda vez que ele se disse isso na última semana, ele genuinamente acredita que seja verdade.
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Atsumu se agarra a ele nos dias que se seguem da chegada deles para casa.
Ainda com jet lag e procurando por ainda mais atenção do que normalmente (se isso for possível), Atsumu o segue como um filhote perdido. Kiyoomi diria que não se importa, mas seria mentira. Sendo sincero, Miya Atsumu sendo tão dócil e afagável quanto ele é ao dormir enquanto Kiyoomi está morrendo de sono é extremamente irritante.
Atsumu segue seus passos ao irem para qualquer lugar, ainda insiste em dormir na mesma cama pelo resto do mês até sua aposta acabar, até vai ao ponto de descansar sua cabeça no ombro de Kiyoomi sempre que possível - eles não fizeram nada como segurar as mãos ou se beijar, mas Kiyoomi supõe que isso é esperado quando se tem um relacionamento com o propósito de publicidade.
Kiyoomi sente que seu relacionamento inteiro é um pouco afetuoso demais para sua opinião. Somente porque é difícil odiar coisas que o fazem sentir quente e inquieto por dentro, difícil ser tão detestável com Atsumu quando o príncipe Miya se inclina em sua direção e ele consegue sentir seus suspiros. O sentimento cortante de desprezo se dilui em uma irritância mínima.
É uma bosta. Kiyoomi odeia ser casado com Miya Atsumu. Se livrar dele vai ser um presente divino.
Mas isso ainda está a dois meses e meio de distância. Kiyoomi só terá que sofrer pelo momento.
A máscara é um ajuste confortável em Kiyoomi considerando que ele tem usado uma em público desde que ele se lembra por gente. Então quando eles se sentam no sofá oposto á Nakomi Kiori, um dos entrevistadores mais reverenciados do país, mascarado e socialmente distante ele se sente reencontrando sua zona de conforto.
O fato de isso ser uma entrevista sobre seu "casamento" o tira dela rapidamente.
"Então como vocês se sentem sendo o primeiro casal abertamente gay em uma posição tão alta da linhagem real?"Atsumu claramente não está prestando atenção na conversa e está batendo os dedos numa melodia qualquer contra sua coxa como se nunca tivesse sido o centro das atenções antes.
"Gay." mesmo que aparentemente distraído com as luzes, Atsumu pula para responder para que Kiyoomi não se embaralhe com as palavras.
Kiori ri, tão clara quanto estridentemente. Eles estão em uma dança mútua, Kiyoomi pode sentir. Atsumu está tão sociável como sempre, fingindo não estar nem minimamente perturbado pela linha de questionamento, mesmo que seja evidente seu desconforto no jeito que seu sorriso é forçado. Kiori finge que não os acha nojentos, rindo para disfarçar seu incômodo.
Kiyoomi não é cego. Ele viu o que gosta de chamar de brilho inúmeras vezes antes. O brilho nos olhos que sugerem nojo ou felicidade ou uma grotesca mistura dos dois. A cadência em sua voz que mostra sua repulsa.
Kiyoomi não está dizendo que todos que possuem este brilho único sejam furiosamente homofóbicos que prefeririam colocá-los ambos na fogueira do que tocá-los. Boas pessoas têm preconceitos internalizados também. Pessoas boas podem sorrir por meio de suas noções pré concebidas em nome da cortesia.
E não dói nada menos saber que pessoas boas não os veem como pessoas boas também.
Então Kiyoomi segura sua língua, decide que talvez, não importa o quão insensato seja, deixar Atsumu falar dessa vez.
"Mas realmente, eu acho que vocês explodiram a internet. As pessoas estão tendo dificuldade em ver como isso é real."
Kiyoomi não é fã de exageros. Sim, seu "casamento" foi algo grande e sim, uma grande porção do mundo está assistindo cada um de seus movimentos. Mas dizer que eles foram tão revolucionários ao ponto de a população ter um tempo difícil processando seria tolice. Ele está disposto a aceitar que a maior parte dos que sabem já processaram seu "casamento" e, ele poderia até dizer que já formaram uma opinião sobre. Isso é apenas como a internet funciona.
"Você teria alguma coisa a dizer a aqueles que...não concordam com seu casamento?" Kiyoomi momentaneamente esquece que isso é um programa de entrevistas e que não tem nada a ver com as políticas mundiais além de como elas serão afetadas por o quão gay ele é.
"Nós deveríamos?""
"Você faz um bom ponto,"Kiyoomi concentra seus olhos em onde a mão de Atsumu mexe ansiosamente. Um bom marido seguraria a mão de seu marido nervoso?
Sim. Kiyoomi conclui. Mas eles não são maridos, eles são "maridos" então Kiyoomi ergue sua mão sutilmente, prendendo a mão de Atsumu firmemente para impedi-la de continuar a distraí-lo - ele considera isso perto o bastante de segurar mãos para considerá-lo um ato afetuoso.
Os olhos de Atsumu vão para Kiyoomi brevemente com um ar de questionamento, mas ele não pergunta nada diretamente. O que é bom pois Kiyoomi não teria uma resposta.
"Então, Osamu, estivemos nos perguntando, é uma grande mudança? Estar separado de seu irmão gêmeo por tanto tempo?"A pergunta de Kiori é inocente, mas Atsumu parece que vai se engasgar.
Kiyoomi coloca sua outra mão no braço de Atsumu bem acima de seu pulso - para qualquer olhar desavisado, seria um gesto afetuoso, confortante. Para eles, é um lembrete para não deixar escapar o único segredo que importa.
"Tem sido um desafio,"Kiyoomi responde vagamente, como foi sempre ensinado a fazer. "Mas estamos trabalhando nisso. Juntos."
A plateia solta um awn coletivo e Kiyoomi nunca desejou mais que o chão o engolisse. Atsumu nunca vai deixar ele esquecer isso. A vergonha se acostando por ele agora é quase o bastante para explodir este lugar inteiro.
Ele não explode, mas foi perto. Especialmente quando Atsumu sorri pra ele de um jeito que pareceria, para alguém comum, doce e dócil, mas é sarcástico com contexto.
"E Kiyoomi, esse casamento parece um passo na direção certa pra você? Está orgulhoso de si e de seu marido?""
O olho de Kiyoomi treme.
"Sim, estou orgulhoso do progresso sendo feito, especialmente na comunidade internacional em relação a aceitação da homossexualidade."
"Isso é ótimo de se ouvir."
Kiyoomi sabe que ela não escutou de fato nada. Ela não poderia porque a resposta dele não passou de incontáveis, purpurinas de nada para manter a audiência satisfeita.
Ele entrou nessa dança também agora. São três pessoas e é desconfortável de se ajustar, mas Atsumu, Kiori, e ele devem fazer um bom time porque ninguém os disse nada até agora.
Perguntas superficiais que não significam nada se seguem - Kiyoomi deixa Atsumu cuidar de todas as perguntas sobre as especificidades de seu relacionamento. Engraçado como a internet não tem vergonha de perguntar quem é o top e bottom do relacionamento deles, mas Kiori ri como uma criança ao perguntar sobre segurar as mãos em público.
Na realidade, seu relacionamento não é nada como a linda dinâmica que parece estar formulada na cabeça deles. Na verdade é muito mais parecida com Godzilla vs. MUTO. Seu relacionamento completo pode ser racionalizado por meio de uma série de argumentos com momentos conjuntos de birra. Os momentos afetuosos são poucos e espaçados (e não serão mencionados por nenhuma parte antes ou depois de acontecerem).
Kiyoomi está bem com isso, a baboseira sem nexo para apaziguar a ampla audiência de pessoas entretidas por tal tipo de coisas - os falsos mecanismos internos de seu relacionamento parecem ser um bom espetáculo.
Então ele se senta, e brinca com os dedos de Atsumu como se fosse seu tempo preferido, permite às pessoas a pensarem que é um gesto carinhoso, quando na verdade é só um recado para lembrar de ficar no papel, continuar dizendo o que Osamu iria dizer, não deixar suas cores verdadeiras - irritantemente brilhante dourado - se mostrarem.
O que ele não está bem com é quando eles passam a se aventurar após o nível superficial e cavar fundo nas coisas que Kiyoomi só explora em seus piores pesadelos. Coisas, perguntas que ele não permite a si próprio perguntar. Perguntas como,
"Ok, então vamos falar sério agora, Kiyoomi como você está lidando com o cancer de seu pai?"
"Como eu deveria lidar?"
Existem coisas que as pessoas não deveriam saber, algumas coisas deveriam pertencer a uma pessoa até ela decidir compartilhá-la. Isso é uma dessas coisas, um dos poucos segredos que o mundo não tem direito de saber.
A esposa de um marido infiel tem direito de saber que a pessoa com quem casou a está traindo. A criança de um casal se separando tem o direito de saber o que mudará e o que continuará o mesmo. O mundo não tem o direito de saber sobre o terceiro estágio de câncer de pulmão de Sakusa Akihito.
"Bem- eu-"
"Você quer que eu chore?" Kiyoomi fica bravo, na verdade, não é difícil fazer Sakusa Kiyoomi bravo mas leva um tipo especial de desrespeito para que ele fique bravo o suficiente para mostrá-lo. "E como você sabe disso?"
Neste momento, ele vai contra tudo o que ele foi ensinado sobre como lidar com a imprensa. Ele se deixa levar pelo instinto de morder de volta, de dizer o que quer quando quer, de colocar alguém de volta em seu devido lugar quando cruzam uma linha que não é fina o bastante para não ser vista.
Eles veem a fita vermelha. Eles a quebram sem o mínimo remorso. Eles esmagam as tolerâncias que Kiyoomi construiu por anos de trabalho duro e eles o fazem com um sorriso no rosto, com o disfarce de liberdade de expressão. E eles reagem como se tudo que se passa não tem um resquício de culpa deles, como se todo olhar rígido e palavra agressiva que eles tiram de Kiyoomi não é nada mais que um efeito colateral de condição que ele se colocou.
"Eu-...eu tenho minhas fontes-"
"Na próxima vez diga pra suas fontes irem cavar na vida de alguém que goste disso."
Kiyoomi se levanta e arrasta Atsumu com ele. Às vezes até coisas que você odeia, que você nunca gostaria de carregar consigo, podem servir como a única forma de consolo quando as paredes se fecham.
Kiyoomi está convencido de que seus pulmões estão diminuindo - ou talvez o ar esteja ficando menos respirável quanto mais o tempo passa. De qualquer jeito, não importa muito. Sair do programa, especialmente um tão famoso quanto o de Kiori é suicidio social. Se Kiyoomi não fosse um príncipe ele seria cancelado assim que sairá do palco.
Ele sabe que ganha um passe livre porque é atraente, famoso, e gay (todos fatores que o afetam positivamente com a progressivamente mais liberal geração). Mas é difícil ligar sobre o futuro quando o momento presente parece lhe presentear com acupuntura com facões de churrasco.
Deixando para tras a claridade das luzes, Kiyoomi é banhado com o que parece com escuros nadas enquanto os bastidores o consomem. É confortante até ele entender que o caos dos bastidores é todo centrado nele, que mãos são rápidas ao o agarrarem, vozes ao soarem em tentativas de o fazerem voltar.
Os ombros de Kiyoomi batem em todo assistente que diga "Príncipe Sakusa, por favor espere um minuto!"
Kiyoomi nunca pensou que sua salvação viria na forma de Miya Atsumu, um homem sarcástico, infantil e imaturo. O príncipe Miya joga um braço sobre seus ombros, se posiciona como um escudo entre Kiyoomi e o resto do mundo. Seu sorriso desvia perguntas, a promessa de uma declaração futura, uma desculpa pública que Kiyoomi provavelmente se recusará a fazer, parece acalmar lacaios com eficácia brutal.
Kiyoomi consegue ver agora que Atsumu é um príncipe. Kiyoomi não.
Quando eles alcançam o ar da noite, a umidade é purificadora. Na luz de um poste de rua, Atsumu nunca esteve tão lindo. O príncipe Miya balança a cabeça, distingue seus pensamentos com uma graça silenciosa que parece tão esplendorosa nele quanto a luz dourada.
Talvez Kiyoomi se permita esse momento silencioso. Se permita por um momento a não odiar Miya Atsumu. Ele pode se permitir a não odiar este secretamente gentil homem mesmo que isso signifique aceitar o barulhento e irritante como parte do gentil.
Kiyoomi pisca seus olhos escuros para a lua, permitindo-a a refletir sua contradição de tons e brilhos - um escuro, um quase etéreo. E ele promete a si mesmo que um dia achará as palavras para agradecer Miya Atsumu por este simples ato. Mesmo que seja só isso. Um ato.
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sim eu sumi por um ano, se vocês querem que eu continue essa história votem e comentem.
tchau.
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