CAPÍTULO 8

(sem revisão)

Eu ainda não estava acreditando que Irina estava grávida, minha mente negava o tempo todo. Mal consegui me concentrar na aula. Na verdade nem trabalhar direito eu consegui depois de Irina ir embora.

Eu queria acreditar que Irina está mentindo, que essa era só uma desculpa para transarmos novamente. Mas ao mesmo tempo eu acho que ela está falando a verdade. Afinal bebemos muito e sinceramente eu não lembro de usar preservativo em nenhum momento, muito menos perguntei se Irina fazia uso de algum método contraceptivo.
Parando para pensar, vejo o quão irresponsável fui, eu mal a conhecia, não sabia se tinha alguma doença contagiosa, fui lá e transei.

Mas também agora não adianta ficar pensando na burrice, agora a merda já está feita. E eu ainda tenho que contar para os meus pais.

Se antes meu pai já me perturbava, agora então nem se fala. O impacto das palavras de Irina me fez pela primeira vez em sei lá quantos anos da minha existência, sair da faculdade e ir direto para casa. Eu não consegui sair para me divertir, muito menos sair da seca.

Como eu não ia sair mesmo, passei a noite inteira procurando clínicas para Irina fazer o exame. Eu não queria fazer em qualquer uma, precisava ser confiável, pelo menos para mim.

Depois de encontrar uma não tão longe de casa, enviei uma mensagem para Irina, avisei o horário em que era para ela me esperar em frente sua casa, eu não lembrava do seu endereço, então pedi novamente.

Deixei o celular para despertar e deitei em minha cama, mas passei a noite inteira olhando para o teto e quando o celular despertou eu já estava de pé, terminando de me arrumar. Quanto mais rápido fazer o exame melhor.

Em 5 minutos eu já estava descendo as escadas e indo em direção a porta, mas fui interceptado por minha mãe.

– Murilo meu filho, onde é que você vai a essa hora da manhã e sem nem tomar café? – Perguntou-me.

– Preciso resolver umas coisas mãe, não tenho tempo para o café. – Respondi.

– Murilo saco vazio não para em pé não, vem tomar café e depois você resolve suas coisas. – ralhou.

– Dona Marta, eu estou atrasado como qualquer coisa na rua, – mentira, eu não conseguiria engolir nem água nesse momento. – agora preciso ir, beijos te amo. – Sem dar tempo dela falar mais alguma coisa, sai de casa e fiquei esperando o Uber, que em 5 minutos aparece.

Passei o endereço de Irina e o endereço da clínica para o motorista, depois segui o caminho todo calado.

Só abri minha boca quando Irina entrou no carro.

– Oi. – Foi só o que eu disse. Eu não estava com cabeça para ficar batendo papo, mesmo sabendo que temos um assunto.

Irina mexeu somente o lábios em um oi murcho. Seu rosto estava meio abatido, e ao perceber isso, vi que o que ela me disse não era mentira, nós seríamos pais.

Minha mente estava tão perturbada que a todo momento estou em contradição. Uma hora penso ser invenção de Irina, e em outra acho que ela está falando a verdade.

Talvez quando eu ver Positivo no exame, minha ficha caía de vez.

10 minutos depois, estamos parados em frente a clínica.

Eu não faço ideia se precisa marcar alguma coisa, eu só pesquisei um lugar em que eu achasse confiável e se funcionava aos finais de semana.

Também não ia adiantar muita coisa, eu não sei nada sobre Irina, só o seu nome. Acho que eles devem pedir mais informações. Não faço ideia, nunca precisei passar por isso antes.

– Acho melhor entrarmos logo. – Falei e tentei lhe passar segurança. Peguei sua mão e apertei.

Não quero ser um babaca, apesar de já ter sido desde que soube dessa bomba. Mas acho que apesar de tudo eu preciso pensar em Irina também. Erramos, mas não posso jogar tudo em suas costas.

Assim que chegamos na recepção, eu que conversei com a recepcionista, Irina só preencheu sua ficha com seus dados, mas não abriu a boca para falar um A sequer.

Assim que Irina terminou, a recepcionista pediu que aguardássemos que logo Irina seria chamada. Sentamos em uns bancos na sala de espera. Havia algumas mulheres ali esperando também para serem atendidas.
Uma por uma foi saindo conforme os minutos foram passando. E quando Irina foi chamada, agradeci aos céus, já não aguentava mais esperar.

Entramos em uma sala, e uma mulher, provavelmente a enfermeira, fez algumas perguntas para Irina, eu estava meio aéreo, então não prestei atenção.

– Prontinho, Irina. Agora é só aguardar o resultado saí em 3 horas, mas vocês também podem acessar o site da clínica e ver o resultado por lá. – Disse a mulher.

– Tudo bem, obrigada. – Respondeu.

– Obrigada. – Agradeci.

– Vem, sente-se aqui. Vamos esperar o resultado, acho que é o melhor a se fazer, do que ver pelo site.

– Sabe Irina, nós dois erramos, mas não se preocupe, não vou te deixar desamparada, você não está sozinha nessa. Eu ainda não sei o que vamos fazer daqui para frente, mas saiba que farei de tudo por essa criança. – reforço o que eu já havia dito.

Sua resposta foi um simples movimento em afirmação.

– O que você acha de irmos comer alguma coisa? Eu não comi nada e aposto que você também não. E ainda tem o fato de que vamos ficar 3 horas aqui esperando, você pode acabar passando mal. – Eu posso até ser um pervertido, galinha, mas apesar de achar que tudo isso que está acontecendo seria daqui sei lá, 10 anos, eu não conseguiria tratar Irina com indiferença. Posso ter achado no começo que talvez fosse mentira dela, quis fazer o exame para ver, mas acho que no fundo eu já sabia que é verdade. Eu vou ser pai.

Ainda estou sem acreditar, estou em choque, mas acho que logo passa. Pelo menos é o que eu espero.

– Tudo bem. – Disse.
Levantamo-nos e fomos procurar por uma lanchonete.

– Poderíamos ir em um lugar melhor não? Uma cafeteria talvez. – Disse Irina torcendo o nariz quando entramos no lugar.

– É sério isso mesmo? Eu estou aqui tentando fazer você não desmaiar de fome e você quer ficar escolhendo lugares chiques? Faz assim, não quer comer? Não coma, não vou ficar insistindo para uma garota mimada o que ela precisa fazer. Só que você precisa pensar que existe uma criança dentro de você e que você precisa pensar nela também e não só em você. – Não consegui me controlar. Irina acabou me tirando do sério com sua atitude mesquinha.

– Eu por algum acaso te pedi algo? Que eu saiba não. Mas acho que você poderia ter pelo menos o bom senso de me levar em um lugar decente e não me trazer em uma lanchonetezinha de quinta.

– Eu vou fingir que você continua calada desde o momento do exame. Eu estou com fome e vou comer aqui mesmo, o primeiro lugar que eu achei. Se você quer ser fresca, problema é todo seu. – Dito isso, entrei na lanchonete e como não tinha tanta gente, rapidamente fui atendido. Quanto a Irina ficou na porta parecendo uma estátua.

Azar o dela, garota mimada, que fique com fome então.

15 minutos depois, voltamos para a clínica, com uma Irina com cara emburrada. Ter que aguentar essa garota, será difícil.


Depois de uma eternidade, já estávamos com o resultado em mãos eu não entendia muita coisa. Mas pelo que eu entendi quando o valor hormonal é alto quer dizer positivo. Meu coração pareceu sair pela boca, começou a acelerar. Era real, eu seria pai de verdade.

Pedi para ficar com o exame e Irina não se opôs. Chamei um Uber para deixar Irina em sua casa e eu voltar para a minha.
Cheguei na hora do almoço, só minha mãe estava em casa, ela preparava o almoço.

– Que bom que chegou meu filho, fiquei preocupada com você. Saiu aquela hora da manhã cheio de pressa. E aí, vai me contar quais a coisas que você precisava resolver? – Perguntou-me.

– Senta aqui, mãe. – Pedi apontando para a cadeira.

– Ih, não estou gostando nada desse seu tom. Aconteceu alguma coisa? Me fala logo Murilo, não esconde nada de mim, sou sua mãe. – Dona Marta é uma bela dramática quando quer ser.

– Vou ser direto mãe, não adianta eu enrolar.

– Pois então fala logo, já está me deixando nervosa Murilo. – Disse.

– Eu vou ser pai. Essa é a razão pela qual eu saí, fui com a mãe do meu filho fazer o exame de sangue. Que inclusive está aqui. – Tirei do bolso e lhe estendi.

– Misericórdia, meu filho. Você é tão novo e nem começou a faculdade direito.

– Eu sei mãe mas...– não terminei de responder porque um estrondo surgiu da sala.

– Onde aquele irresponsável está Marta? – meu pai surgiu gritando na cozinha.

– Que bom que você está aqui. Você tem o que na cabeça moleque? Como você engravida uma garota e ainda por cima sendo filha de cliente minha? Murilo você passou de todos os limites. Não vou tolerar mais isso, você não mora mais nessa casa, se vira e outra coisa, vai se casar com a garota, não pense que vai deixar ela cuidando sozinha enquanto você saí para farrear. – Carlos gritou para Deus e o mundo o que estava acontecendo. E eu não fiquei pensando como ele já sabia. Com certeza Irina já tinha falado para a mãe quem era o pai do filho dela e eu tenho certeza que a mulher contou ao meu pai.

– Não preciso casar com ela, eu não a amo. Vou assumir a criança e já deixei bem claro isso. – Falei.

– Não importa, você vai casar e pronto. Você tem sorte de ter um bom pai, não vou deixar de te pagar o seu salário. Se fosse outro em meu lugar, você não teria essa sorte. Ia ter que procurar um emprego qualquer para sustentar a família. Minha vontade é de te dar uma surra. Por que você é assim Murilo? Não pensa nas coisas, você acha que filho é brincadeira? Não. Não é. Mas agora você vai aprender e pensar mil vezes antes de fazer burradas. Eu te dou 5 dias para você arrumar uma casa, quanto ao casamento é para ontem. Você não faz ideia do que me fez passar com Eleonor entrou em contato comigo para falar sobre o que aconteceu. E a única coisa que pude prometer a ela foi o casamento. Estava completamente envergonhado pela palhaçada que você fez. – Esbravejou, Carlos e saiu da cozinha, deixando mamãe boquiaberta e sem reação.
– Inferno. – Grunhi.

Se antes eu achava que minha vida estava um inferno, agora então nem se fala. Casar com Irina? É, eu já não tinha mais nenhuma escolha.

Olá amores!!
Como vocês estão?
Espero que bem.
Trouxe mais um capítulo para vocês. Espero que gostem, votem, comentem e compartilha com as amigas.
Beijos e até sexta-feira. 🥰💜😘

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