CAPÍTULO 14
(sem revisão)
Andei cerca de 1 hora até a casa do meu pai, não peguei um táxi ou Uber, primeiro por não ter dinheiro para pagar e outra que eu precisava andar, precisava refletir sobre todas as coisas que me aconteceram nós últimos tempos.
Quando cheguei em sua porta, notei pela janela a luz da sala acesa, um sinal de que ele estava em casa, para minha sorte. Estava cansada, andar por uma hora carregando uma mala, não é nada fácil.
Apertei a campainha e esperei por ele, que não demorou a atender.
- Achei que não veria sua cara tão cedo. - Disse assim que me viu.
- Pai eu... - Nem terminei de falar quando ele me interrompeu.
- Pensei que tinha sido claro quando te disse que não a queria em minha casa, o que está fazendo aqui a essa hora, ainda por cima com essa mala? - Perguntou-me.
- Eu saí de casa, Gregório anda muito agressivo, e hoje me bateu. Não posso conviver com uma pessoa que me agride. - Expliquei-me com a voz falha.
- E por esse motivo, você achou que vindo aqui, dizer isso eu me compadeceria e deixaria você voltar? Se foi isso, pensou errado. Você quem escolheu ficar com ele e se ele te bateu deve ter tido seus motivos.
Meus olhos encheram-se de lágrimas, mas uma vez meu pai virando as costas para mim. Para sua filha. Sua única filha.
- Eu não tenho mais para onde ir pai. - Respondi com minha voz chorosa.
- Aí, o problema já é seu e não meu. Você deixou de ser problema meu a partir do momento em que arrumou barriga. Pensasse isso antes de fazer merda. Outra coisa, você já é maior de idade, se vira.
Ouvi tudo calada, não conseguia abrir a boca para falar um A sequer, havia um bolo em minha garganta. Estava vendo o momento em que iria ajoelhar em seus pés e implorar por ajuda.
- E por falar em barriga, cadê a sua? Já ganhou a criança? Então me enganou por mais tempo? Eu descobri quando a criança estava quase nasceu? Como você pôde ser tão vagabunda a esse ponto Amora? Eu tenho vergonha de ser seu pai e aposto que sua mãe também teria, não duvido nada que esteja se revirando no túmulo pelas merdas que você fez. Não sei nem porquê eu perguntei, não me importo nem com você e com essa criança.
Senti um aperto em meu peito e não aguentei, desabei em mais lágrimas. Ele não tinha esse direito, de falar de mamãe dessa maneira. O pior é que minha mente perturbada começou a pensar se mamãe estaria desapontada comigo nesse momento.
- Não existe mais um bebê. Eu perdi meu filho. - Consegui dizer.
Meu coração doía tanto, e a tristeza era tanta que se naquele momento eu morresse talvez seria melhor. Eu ficaria melhor. Quem sabe até poderia encontrar mamãe. Era tudo o que eu precisava. Do seu amor, do seu carinho, seu abraço. Eu só queria minha mãe comigo.
- Eu poderia dizer que sinto muito, mas seria uma mentira minha, mas pensa pelo lado bom você se livrou de um fardo. Isso é uma favor que seja lá quem fez para você. Agora se você me der licença, vou voltar para o jornal que você me interrompeu. - Dito isso, fechou a porta em minha cara.
Naquele momento eu percebi que eu não tinha um pai. Na verdade eu perdi meu pai no momento em que mamãe se foi. Papai por mais que tivesse seu gênio forte, era um bom pai, mas quando mamãe se foi, tudo pareceu ruir. E eu nem sabia se ainda tinha forças para pedir ajuda para Deus.
Para que ele guiasse meus caminhos, e que tudo ficasse bem. Mas as minhas esperanças de uma vida melhor, já não existia mais. E eu só aceitei.
Eu não tinha para quem recorrer se não o papai. Não tinha amigos, só na época do colégio e depois disso, já nem tinha mais contato com ninguém há anos. Então não poderia pedir ajuda.
Decidi então voltar para a casa de Gregório, acho que não tinha como piorar as coisas, tudo já estava um caos mesmo.
Dei meia volta e recomecei meus passos, a caminhada seria longa e a essa hora já estava escuro. Não tinha percebido que fiquei muito tempo na frente da casa de papai.
Para o meu azar, senti um pingo de chuva em meu rosto. E eu pensando que nada poderia piorar, mas piorou. O tempo fechou do nada e a chuva forte não demorou a cair.
Eu mal pude encontrar um lugar para me abrigar da chuva, porque ela veio tão forte que eu já estava encharcada, com toda certeza teria que lavar todas as coisas da mala porque certamente tudo ali ficaria completamente molhado.
A chuva batia em meu rosto e o ar me faltava, estava tão forte que meu peito doía por não conseguir respirar direito. Se ao vir para a casa do papai eu levei 1 hora, voltar para a casa de Gregório demoraria muito mais tempo.
Depois de muito tempo, consegui chegar em casa. Houve um momento em que eu não consegui andar mais e precisei parar. Encontrei um tenda de uma lojinha e acabei ficando lá até que a chuva diminuísse um pouco. Eu precisava de um banho e um chá quente, pois eu tinho certeza que ficaria gripada. Minha saúde não era tão frágil, mas eu não abusava da minha sorte e evitava qualquer coisa que me fizesse ficar doente e ter que ir ao hospital.
Estava sem a chave da porta então apertei a campainha e esperei por Gregório que não demorou muito em atender.
- Eu sabia que você voltaria, só achei que demorou muito. - Disse ao abrir a porta.
Gregório estava com seus cabelos molhados, provavelmente tinha acabado de sair do banho, mas não estava com roupas casuais. Estava com uma calça jeans escura e uma camiseta branca. Sinal de que ele ia sair, para onde eu não fazia ideia. Já que não está com roupas de trabalho, então não poderia ser uma reunião, se fosse ele estaria com um de seus ternos.
- Vai ficar parada aí feito uma estátua ou vai entrar? Você tem sorte que eu sou muito bom e amo você, caso contrário você ia ficar na rua, eu tinha certeza que seu pai não te aceitaria de volta, não falei nada porque queria deixar você quebrar a cara já que não me ouviu. Nem ao menos me desculpou. Mas olhe só para mim, estou te aceitando de volta querida e a única coisa que espero de você agora, é um pedido de desculpas por ter feito toda aquela palhaçada.
- Desculpa, Gregório, eu estava nervosa. - Falei.
Estava sem forças para discutir ou falar qualquer outra coisa, então entrei dentro de casa e fui até a lavanderia deixar a mala para não molhar a casa inteira.
- Estou de saída e não precisa me esperar acordada. Vou demorar. - Comunicou-me.
Como imaginei que fosse, Gregório ia sair. Eu já nem sabia mais o que sentir, talvez fosse bom eu descansar sozinha, sem tormento, pelo menos por algumas horas.
- Ok. - Respondi ainda na lavanderia.
Logo depois ouvi a porta sendo fechada.
Segui até o quarto e fui até o guarda roupa buscar por algo para me vestir, ainda tinha algumas peças lá que eu deixei para trás, para minha sorte.
Busquei por algo quente e encontrei um pijama, não era tão quente por ser de malha, mas já me ajudaria. Nada como ficar debaixo de uma coberta quente não resolva.
15 minutos depois já estava de banho tomado, então fui até a cozinha e preparei um chá de hortelã, não era muito fã de chá, mas em momentos como esse, eu abria uma exceção.
Assim que tomei o chá, fui para o quarto, devia ser umas 22 horas da noite, um pouco cedo para quem era acostumada a dormir tarde, mas não me importei, deitei na cama e apaguei rapidamente.
Acordei no meio da noite ouvindo sons do quarto ao lado. Gregório provavelmente já estava em casa, só não entendi no primeiro momento o por que ele estava em outro quarto. Mas foi só ouvir um gemido de uma mulher para entender o que estava acontecendo.
Ele estava me traindo bem debaixo do meu nariz e eu me sentia uma pessoa completamente burra, e fracassada por voltar para sua casa e não ter outro lugar para ir e ter que conviver com tudo isso que Gregório me faz passar.
- Shiu...Cala a boca vadia, ou a sonsa da minha mulher vai nos ouvir. - Pude ouvir Gregório repreender a mulher. Sua voz estava meio embolada e dava para perceber que ele havia bebido, o que não era mais uma novidade.
Eu nem sabia o que pensar daquilo tudo, Gregório estava se tornando um homem ao qual eu não sabia o que sentir. O pior é ouvi-lo me chamar de mulher, era muita cara de pau. Lamentava o momento em que o conheci.
Eu tinha certeza que minha vida séria melhor que isso. Eu nem imaginava o que eu poderia ter feito para merecer essa vida de merda que eu estava vivendo. Mas decidi que eu não lutaria mais por minha felicidade, esperava que me acontecesse algo que acabasse com tudo isso e a única coisa que me veio em mente foi a morte.
E era o que eu queria, morrer.
Os gemidos ainda duraram um bom tempo e só com o fim dele é que eu pude voltar a dormir. Pior mesmo seria ter que olhar para a cara de Gregório sabendo o que ele fez. Nojo era o que eu sentia. Mas era isso, eu estava presa em um relacionamento que eu não fazia ideia quando acabaria. Talvez nunca.
Talvez esse era o meu destino, viver com um cara agressivo e sem escrúpulos nenhum.
Olá amores, como vocês estão? Espero que bem!! Antes de ir, preciso que vocês leiam essa nota.
Nem todas as mulheres conseguem se livrar de um relacionamento abusivo imediatamente. As vezes pelo cômodo ou só por não ter ninguém para ajudar, assim como Amora. E para as coisas acontecerem da forma que eu desejei, Amora precisava voltar, então por favor, tentam compreender.
No capítulo anterior, acabei esquecendo de colocar umas coisinhas sobre violência doméstica, então colocarei aqui.
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