Não sabia que bandido fazia comida
"Minha previsão: Eu vou estar no topo do mundo
Siga seu caminho e não olhe para trás
Sempre faça o que você decidir."
Miami Beach, 07h00
Point of View Georgia Banks
Sinto alguém me beliscar, mas continuo de olhos fechados. Aposto que é cedo pra cacete e é Owen que esta fazendo isso, até porque ele odeia ficar acordado sozinho, e aproveita pra me perturbar.
— Owen, para homem! — resmunguei, abrindo os olhos, vendo o desgraçado rindo.
— Ainda bem que acordou. — bufou. — Hoje tu vai receber alta. — amém.
— Finalmente, não? Dois dias aqui já, né? — me arrumei na cama.
— Exatamente, não aguento mais ver você. — sorriu debochado.
— Por acaso, eu te pedi pra ficar aqui e ficar vendo minha cara? — faço bico, olhando de cima a baixo. — Não, certo? Então, fique calado, e se quiser pode ir embora.
Sorri sínica.
— Calma, mulher. Foi apenas uma brincadeira. — levantou os braços.
— 'Tô nem aí. — cantarolei sorrindo. O médico aparece na porta e sorriu vindo em minha direção.
— Você já está de alta e pode ir embora.
— Obrigada. — agradeci. — A marca da bala vai ficar evidente?
— Mais ou menos, se você passar uma pomada que irei receitar, logo ficará imperceptível de alguém notar. — concordei, me levantando com a ajuda de Leroy, a porta é aberta e Townsen aparece sorrindo. — Irei deixa-los a sós.
— Cheguei na hora certa. — fala, se aproximando e selando-me na bochecha. — Banho? — assenti.
Percebi Owen ficar desconfortável, mas não dei a mínima; ela é minha namorada, não seria ele que me daria banho. Eu tenho plena consciência do que faço. Fomos até o banheiro e depois de alguns minutos, já saio de banho tomado, bem limpa e confortável. Ele ainda estava sentado no sofá e assim que nos viu, se levantou, pegando uma bolsa grande com as minhas roupas. Leroy iria nos levar até em casa, mas não iria ficar por teria um compromisso.
Andávamos pelo corredor, até que Owen me puxa mais rápido, o que fez com que eu puxasse meu braço de volta, confusa com a situação. Ele apenas aponta para o final do corredor, e logo pude ver Justin sentado na cadeira, olhando para o nada.
Afinal, por que caralho Leroy teve essa reação?
— Justin? — questiono alto, chamando sua atenção, que vira para mim, arregalando os olhos, dando um sorriso nervoso. Ele se levantou vindo até nós, e fica me olhando. — 'Tá tudo bem?
Pergunto, ao perceber que ele está apenas com uma cueca. Seguro a risada, provavelmente, ele já percebeu, até porque, tive que desviar o olhar.
— Esta sim, Ge...
— É Georgia! — Owen pronuncia meu nome, e franzo o cenho. — Precisamos ir. — se virou.
Estalo a língua, concordando.
— Até logo. — digo.
Entramos no carro, e percebi Townsen mais calada que o normal. Em casa iremos conversar. Leroy começou a dirigir, mas ficou apenas focado na estrada. Certo, estava tudo muito estranho. Também queria entender porque Justin estava no hospital. Enfim, nem deveria querer saber sobre isso, até porque não nos falamos e ele para mim é apenas um desconhecido.
Ainda sentia um pouco de dor, mas nada fora do comum, para que eu pudesse aguentar. Precisava falar com Tobey para arranjar mas trabalhos, não aguento mais ficar dentro de casa sem fazer nada.
Após Owen parar em frente a casa, minha garota é a primeira sair do carro. Ele olhou em minha direção e sorriu, um sorriso estranho na verdade.
— Amanhã eu venho ver você. — assenti, selando sua bochecha carinhosamente, e saio do carro, entrando em casa.
Caminhei em direção ao quarto, onde encontrei Townsen na cama, fui até o banheiro; tirei minhas roupas e tomei mais um banho para relaxar. Decidi molhar o cabelo, que necessita de uma boa hidratada. Dei ombros, continuando a tomar banho. Lavei meu cabelo com shampoo e condicionador, passei sabonete e ainda fico debaixo da água de olhos fechados. Queria mudar meu cabelo, mas não sei se seria uma boa ideia; estava fazendo tanto calor em Miami, por quê não cortar? Isso, será exatamente isso que irei fazer, eu não, né, o cabeleireiro, só preciso marcar o dia.
Por fim, acabei meu banho e saio do banheiro bem mais relaxada. Andei até meu guarda-roupa e peguei um top e short, ambos verdes, coloquei-os, voltando ao banheiro e deixando a toalha no gancho, penteio meu cabelo com a escova.
— Fiz um lanche pra ti. — ela aparece me dando um susto, apenas assinto, me retirando do local e indo para cozinha. — 'Está bem?
Maneei a cabeça afirmando.
— E você? — mordo um pedaço generoso do sanduíche e beberiquei o suco de abacaxi, que estava uma delícia. — Aliás, você pode ligar para o Tobey? Mesmo com o pedido do médico pra repousa, não consigo. — pedi.
— Georgia, repousar é o essencial para o seu melhoramento, e quanto mais ficar de repouso, melhor. — bufei, concordando. — Mas, irei ligar sim para ele. — pegou seu celular e discou o numero dele, me fazendo sorrir.
— Diga, vida. — a voz de Tobey sai animada.
— Geo quer falar com você. — bem direta ela, dou-lhe um selinho calmo.
— Uh, certo, manda ver. — brincou.
— Tobey, tem algum trabalha para mim? Eu realmente não quero só ficar em casa. — perguntei, sentindo a mão da garota em meu braço.
Suspirei fraco.
— Espere só um instante... — depois disso não ouvi mais nada, mordo meu lábio nervosa.
Olhei para o lado, capturando o momento certo, em que Townsen morde o lábio. Virei seu rosto para o meu, selando-a calmamente.
— Georgia? — ouço Tobey me chamar e volto a realidade. — Terá dois desfiles, um é lançamento de roupas novas, verão. O outro é biquíni, mas ainda não confirmei, já que você levou um tiro...
— Confirma os dois. — digo rápida.
— Confirmados. Preciso ir. Melhoras, querida. — desliguei o celular, devolvendo para minha menina.
— Leroy agiu de maneira bem estranha no hospital. — franzo o cenho.
— Percebi também. — digo, concordando.
— Amor, Beck anda sumida, né? Será que aconteceu algo? — batuquei minhas unhas no balcão.
— Não sei, T. — escuto meu celular tocar e o peguei vendo que era uma mensagem de Beckett, mostrei a ela, que deu de ombros, indo fechar a porta.
"Irei passar um tempo fora." — Beck.
Cruzei o cenho, meio confusa. Para onde mais ela iria? Quando eu iria responde-lá, a mesma manda mais uma mensagem:
"Mas, qualquer coisa pode me ligar ou mande uma mensagem." — Beck.
Respiro fundo.
"Ok, Beckett, faça o que você quiser. Porém, pelo que me lembro, tu não conhece ninguém em Miami." — Georgia.
Ela responde rapidamente:
"Conheci algumas pessoas... Será apenas um tempo. Até logo." — Beck.
"Tá, Beck. Mande notícias." — Georgia.
Desligo o celular ao mesmo tempo em que Townsen apaga as luzes. Precisava relaxar, tirar um tempo para mim.
(...)
12h50
Point Of View Justin Bieber
Beck já foi liberada e agora estávamos todos em uma casa, não muito longe da antiga. Alfredo conversava com ela, que continha a cara fechada, mas não dava a mínima para ele. O problema mesmo é se ela iria contar para Georgia. Mas, eu mesmo havia mandando algumas mensagens para ela, "avisando" que Beckett iria passar um tempo fora com alguns amigos. Aliás, ela estava agindo de modo estranho desde que tinha me pedido para sair do quarto, quando o doutor apareceu.
Ação.
Tínhamos que fazer algo, para que isso não saísse em pune. Porra, minha casa está destruída, com furos por todos os lados. E assim que saímos do local, os desgraçados tiraram proveito e acabaram por perfurar tudo, desde o chão ao teto. Não sei como os vizinhos não chamaram a polícia.
— Alfredo, conseguiu o que eu pedi? — interrompo a conversa do casal, recebendo o olhar ridículo de Beckett. Reviro meus olhos.
— Sim, mano. Mas, não poder ser depois? — maneou a cabeça para o lado, em direção a barata cascuda.
— Não, não pode. Anda logo e diz o que conseguiu encontrar. — digo rude, cruzando os braços.
Ele engoliu a seco, me encarando.
— Possivelmente o Noah Conrad está de volta à cidade, mas ninguém sabe como. — saiu da sala, mas logo voltou com uma pasta. — Você conhece ele.
Abriu a pasta e logo vi quem era. Conrad. O cara que me ensinou tudo o que sou hoje. Desgraçado.
— Por que raios ele iria me atacar? — o olhei, confuso.
— Essa área é dele, como pode ver. Noah tinha desaparecido de Miami Beach, ele tinha ido atrás de algo e levou todos os capangas. No entanto, o Leroy, foi o que mais conseguiu pegar uma área maior e até agora ele não fez nada com Owen, o que eu achei peculiar, até um certo ponto... — abriu uma página da pasta.
— Como assim?
— Noah pode não ser tão velho, mas quem treinou o Owen, foi ele. E, olha que engraçado, vocês dois pegaram uma parte do território dele...
— E ele as quer de volta. — murmuro baixo, o bastante para Alfredo ouvir.
— Exatamente. — riu. — E tem outra. — estalou os dedos.
Pegou a pasta e foi até o final, me mostrando uma foto. Um banco.
— Recapitulando: Os pais de Owen morreram, Noah fez a cabeça dele e conseguiu fazê-lo entrar no tráfico, roubando lojas pequenas. Conrad o levou para Filadélfia e o fez roubar sozinho o Banco Central, nunca foi pego e o dono do Banco nunca fez uma queixa dele para polícia. — concordo. — O que chega a ser estranho, já que ele havia roubado o Banco que contém mais diamantes. — riu, cruzando os braços, me olhando.
— 'Tá querendo dizer, que esse roubo foi planejado? — suspiro, tentando entender. — E que, tudo não passou de um plano de Noah. Mas, o que ele ganhou forjando isso? Ele some e Leroy fica com uma parte dele daqui. — balanço a cabeça.
— Espera. — mostrou a segunda foto, era diamantes. — Todos os diamantes do Banco desapareceu como mágica. O que me fez pensar que: o dono sabia sobre tudo.
Franzo o cenho ainda confuso.
— Não entendi.
— Noah Conrad sumiu do nada de Miami, certo? — assenti. — Em Filadélfia, ele roubou diamantes. Você acha mesmo que o Noah iria fazer algo com Leroy, sendo que ele ajudou, hipoteticamente, no roubo de bilhões sem nem saber?
Porra.
— Ele é manipulável. — falo, abrindo um sorriso sarcástico.
— Ambos são. Conrad ama dinheiro e poder. Leroy gosta do que é fácil pra ele. Então, me responde, acha mesmo que Noah iria tentar matar ele?
Bufo.
— Esse desgraçado veio atrás de mim, quando percebeu que eu consegui roubar a área dele.
— Mas, isso não explica, o porquê dele vir só agora? — Ryan, se intromete.
— Abre a página 7, e verá o motivo. — passei as páginas rapidamente, e arregalo meus olhos. — Leroy o vê como um pai.
— Tudo o que acontece aqui, ele conta pra esse escroto?
A imagem nada mais é que uma Georgia Banks perto de Owen.
— Eu vou matar esse filho da puta! — falo alto, percebi que Beck dormiu ou fingiu, não sei. — Alfredo, coloca a Beck no quarto e tranca a porta. — rapidamente ele fez o que mandei e volta.
— Cara, até hoje ninguém soube do motivo do tiroteio que aconteceu na festa. — Ryan se pronuncia, me fazendo pensar no assunto.
— Ele quer matar a Georgia. — digo ao mesmo tempo que Alfredo.
— E como o Leroy é manipulável, Noah vai usar isso contra ele mesmo. — Fredo fala.
Mordo meu lábio com força.
— Ou seja, precisamos achá-lo o mais rápido possível. — Christian resmunga no sofá.
Mas, que porra! Por que isso tá acontecendo logo agora? Beck poderia ajudar nessa situação, porém não quero meter a desgraça no meio. Vai que morre? E não quero ser o culpado de uma tragédia tão grande que poderia ser. Agora tínhamos que pensar com calma, já que envolvia uma pessoa importante para mim.
— Temos que atacar o Noah, mas antes de tudo... — os olhei. — Achar ele é o nosso propósito de agora.
Ambos concordaram.
— Alfredo, não fala nada pra Beck sobre isso. — pedi, olhando-o concordar.
Afinal, não queremos que ninguém morra. Apenas Noah Conrad e Owen Leroy. Sorrio pensando como seria bom matar alguém. Precisava fazer um lista de algumas coisas que eu tinha que fazer, e já tenho duas coisas para por nessa lista:
1 — Contar o segredo a Georgia Banks.
2 — Matar alguém, Conrad ou Leroy.
São ótimas coisas para se fazer.
— Gente, vai chegar uma carga com armas... — Chris chama nossa atenção. — Adivinha de quem é?
Seu sorriso já entregava quem poderia ser.
— Owen ou Conrad?
— Está com o dos dois. Mas, será entregue em um galpão, e é do Leroy. — abri um sorriso.
— Preparem as coisas, vamos atrás dessa carga. — falo alto, rindo. — Ryan vá até nossa antiga casa, e tente ver se sobrou algum equipamento, especificamente, armas. Chris verifique que horas irá chegar a carga. Alfredo se encarregue de arranjar coletes e pontos novos, e que não machuque. — sorriu assentindo. — Enquanto isso, tentarei arrumar carros.
Bastava fazer uma ligação para conseguir carros excelentes e rápidos. Todos foram fazer o que mandei, mas continuei sentado. Ao menos, meu celular consegui pegar de volta. Digitei o número do fornecedor:
— Caro, Bieber. — ouço sua voz sair animada.
— Preciso de carros novos, quatro pra ser mais exato. — sou direto.
— Qual dia?
Lambi meu lábio.
— Hoje, se possível, mande para meu novo endereço. — falo.
— Preto mesmo? — questiona.
— Exatamente.
— Logo os carros estarão em sua casa. — desliguei.
Mando por mensagem o novo endereço, e bloqueio o celular. Escuto meu estômago roncar, e porra, estou com uma fome do caralho. Ouço batidas e já sei que é Beck.
Bufo alto. E vou até o quarto e abro a porta, quase sendo recebendo por um soco na cara. Apenas respiro fundo, e vou para a cozinha. Eu consigo preparar ao menos um macarrão. Abro o armário e retirei uma panela, colocando água, óleo e sal, ligo o fogão, deixando-a ferver um pouco, antes de pôr o macarrão.
— Só espero que você conte para Georgia. — tomei um susto com a barata cascuda.
— E você que fique de boca calada. Ou prefere morrer? — dou um sorriso.
Ficamos um tempo calado, e coloco o macarrão na água.
— Como pôde virar isso? — questiona com nojo.
— 'Tu não pode falar nada, já que namora um bandido também. — falo com deboche.
— Não sabia que ele era um bandido. — tenta dizer, e me olha.
Pego uma panela e alho, colocando dentro da mesma, amassei até ficar uma pastinha, acendi o fogo e coloco óleo. Deixo fritar um pouco com manteiga.
— Acredito.
— Por que sumiu? — suspiro, não respondendo.
Desligo o fogo do macarrão e deixei o macarrão escorrer a água um pouco, e por fim coloco tudo na panela com alho. Assim que percebo ficar pronto, desliguei o fogo, pego um prato e despejo no mesmo. Vou até a geladeira e tiro uma jarra de suco, que provavelmente, Alfredo que fez.
— Não sabia que bandido fazia comida.
— Não sabia que baratas falavam. — dou um sorriso irônico.
— 'Tu é ridículo, sabia? — lançou-me o dedo do meio, apenas ri, e continuo a comer ainda em pé. Desloquei-me até a sala, onde me sentei, deixando o copo de suco na mesinha minúscula no centro da sala. — Responde a minha pergunta, cacete.
A olhei.
— Tu está na minha casa, é melhor ficar quieta. — falo, rude. — Se eu não te respondi, é porque eu não quero, caralho. Circula logo daqui.
Ela franze a sobrancelha, me olhando, confusa.
— O quê?
Bufei. Tapada.
— Rala, imbecil. — estalo a língua.
— Babaca! — ela sai batendo os pés que nem uma criança mimada.
Enfim, poderei comer em paz. Liguei a televisão em um canal de comidas. Tudo pra me fazer ficar ainda mais com fome. A porta é aberta brutalmente, me fazendo pular do sofá e quase deixar o prato de comida cair no chão. Porra. Olhei em direção da porta e vejo Christian me olhando com certo medo, possivelmente, pela minha cara não ser uma das melhores.
— A próxima vez que você entrar assim, eu mesmo vou meter uma bala na tua cabeça, arrombado. — me pronuncio alto, quase gritando.
Ele engole a seco. Assim que eu gosto.
— Foi mal. — coçou a cabeça, nervoso.
Ele sabe do que eu sou capaz.
— Certo. — sentou-se ao meu lado. — Consegui a hora que irá chegar a carga...
— Continua, paspalho! — resmungo, termino de comer, e consumindo o suco todo, deixando ambos na mesa.
— Será às 16h. — fala, e dou um sorriso. A porta é aberta novamente, e por ela passa Ryan e Alfredo.
— Por sorte não entraram no meu quarto. — Ryan começa. — Trouxe algumas armas, que ainda nem tínhamos usado.
Concordo.
— Os coletes já estão no carro, e toma os pontos de cada um. — Alfredo joga no colo de todos. Coloquei no ouvido, e realmente não incomoda. — Conseguiu os carros?
Assenti, olhando-o.
— Cadê a Beck? — pergunta.
— No quarto.
Escuto barulho de ronco de motor, provavelmente, era o cara dos carros, deixando-os em frente a casa. Avancei até a janela e enxerguei os carros estacionado, e outro indo embora. Verifiquei as horas e percebo ser 14h30, faltava pouco para roubar a carga de Noah.
— Falta pouco, galera! — digo, animado.
Point Of View Beckett Smith
Bufei pela quinta vez.
Já estava a algumas horas dentro desse quarto. Alfredo não voltava e estava me dando agonia isso. Escuto passos, sentei-me na cama, olhando para o nada. A porta se abre e por ela passar um Alfredo acanhado. Babaca. Ainda estava sem acreditar que o Justin com quem eu convivi metade da nossa adolescência fosse virar um bandido medíocre de merda. Aliás, ele nem tinha cara e capacidade de fazer tal ato, o que me levava a crer que, talvez, tenha acontecido algo com a família dele. Mas, também, não irei passar a mão na cabeça dele.
Ele tá errado? É inaceitável tudo isso que ele faz.
Não sei como Pattie pôde ter deixado isso acontecer. Entretanto, eu já meio que esperava isso, até porque o Jeremy é um drogado do caralho que vendia drogas. Justin pode ter entrado nessa vida por conta do pai.
Não. Se ele entrou, foi porque quis.
— Beck... — sentou ao meu lado.
— Por que não disse a verdade? — questiono, sentindo raiva só de olhar pra ele.
— Eu não poderia contar...
— Foda-se! Foda-se Alfredo! — gritei, me levantando da cama e ficando de frente para o mesmo. — Você... Você é a porra de um bandido, tem noção disso?
— Deixa eu explicar, Beck. — súplica.
Cruzo os braços, nervosa.
— Explicar o quê, Alfredo? E pra você a partir de agora é Beckett! — falo, enfurecida.
— Eu gosto de você. — disse, olhando-me.
— Nós dois sabemos que isso é uma grande mentira. — gargalhei sem vida. — Saímos pouquíssimas vezes.
Mas, a verdade é que eu estava começando a gostar dele, e não iria contar nada a ele sobre isso.
— Beck, por favor. Só não termina comigo, eu realmente gosto de você. — uma lágrima caiu pela seu rosto, traçando uma linha até seus lábios. — Isso é minha vida, eu vivo disso.
— Por que? — apenas perguntei, fechando os olhos, e segundos depois senti seus braços me rodearem.
— Me desculpa, por favor.
(...)
15h23
Point Of View Justin Bieber
Suspirei.
Coloquei o colete, apertando-o firmemente em meu corpo. Só iremos colocar o ponto na hora em que formos roubar a carga. Mas, eu já pensava em fazer outra coisa em relação a esse roubo. Os garotos estavam apreensivos ao meu lado, principalmente Alfredo, que continha a cara avermelhada por conta do choro. Por outro lado, ele deveria saber que isso, de fato, iria acontecer uma hora ou outra.
— Espero que vocês estejam prontos. — falei, chamando a atenção deles. — Assim que conseguirmos pegar o caminhão, não matem o motorista, tenho um plano e preciso dele vivo.
Chris me olhava inquieto.
— Tem certeza Justin? — me questiona.
— Absoluta. — disse firme. — Cada um para seus devidos carros.
Entrei no meu, verificando minha arma que sempre carrego. Liguei o carro e acelerei com mesmo, o caminho até o local seria longo, teríamos que torcer para chegar a tempo para furtar o caminhão. Coloquei o ponto apenas para testar.
— Justin? — ouço a voz de Alfredo.
— O que foi? — pergunto, frustrado.
Por que coloquei esse troço antes?
— Não acha melhor deixar isso de lado? Sabe, tô sentindo um pressentimento estranho, bro. — bufei.
— Quer desistir? Desista. Mas, não atrapalhe o plano. — digo, raivoso.
— Claro que não, mano. — suspirou.
Tiro o cacete do ponto do ouvido, não quero ficar irritado sem ter ao menos matado alguém. Esse plano que nem foi elaborado dias antes precisa dar certo, Noah não pode sair em pune disso. E, a vingança é um prato que se come frio. Será assim que o corpo de Conrad ficará quando matá-lo. Leroy é um babaca por ter mostrado Geo para ele, foi uma péssima ideia ter feito isso. Não sei como ele comanda a outra parte de Miami Beach.
Tenho a plena certeza de que Georgia não ficará com ele, até porque, ela é lésbica assumida. Ou seria bissexual? O que importa é que, mesmo ele dando em cima dela, Banks continuará sendo fiel a Townsen. Fiquei sabendo também que a tia Brooke está em Miami, um certo perigo, ao menos ela está no hotel que conheço.
Entrei nesse caminho sabendo das coisas que iria acontecer com as pessoas ao meu redor. Irei enfrentar qualquer coisa, por aqueles que eu amo. Independente do perigo que seja. Afinal, se for pra morrer, que morra salvando alguém. Até mesmo os garotos, eles são meus irmãos.
(...)
16h08
O caminhão estava atrasado oito minutos. Está começando a ficar estranho. Me encostei no carro, fumando meu cigarro.
— Justin, o caminhão tá chegando, acabou de passar por mim. — pelo ponto pude ouvir Christian.
Abri um sorriso. Olhei para o lado e mesmo de longe e com todo o calor, consegui avistar o desgraçado do caminhão. Entrei no carro, e os outros fizeram o mesmo. Liguei e contei mentalmente até 20, e logo o troço passou correndo por nós. Acelerei o automóvel, seguindo ele.
Hora da ação.
Coloco o ponto no ouvido, escutando os garotos falando.
— Atenção. — resmungo. — Christian, conseguiu por?
— Sim, em alguns quilômetros, irá ter um casa, que é onde ele deixa as cargas e logo depois o Noah vai buscar. — respondeu.
— Assim que a gente pegar o caminhão, não façam nada. — pedi. Vendo o mesmo, acelerar mais. Claro, já deve ter percebido que estávamos o seguindo. — Ele percebeu.
Escutei a risada de Ryan. Maluco.
— Alfredo, quando ele estiver quase chegando perto da casa, vá para frente do caminhão.
— Certo. — seu carro passou por mim.
— Será o mesmo esquema... — comecei a dizer. — Só que dessa vez, tentem não explodir ou matar o motorista, ok?
— Ok, chefe. — todos dizem ao mesmo tempo.
Prosseguimos por alguns quilômetros, e de logo já pude avistar a tal casa que Chris havia falado. Mas, o que ele esqueceu de dizer, era que a casa tem dois andares. Isso me deixou um pouco acuado, já que isso poderia ser uma armadilha.
— Justin, irei entrar na frente do caminhão. — Alfredo diz.
— Pode ir. — afirmei, vendo-o correr com seu carro e entrar na frente. O motorista não parou ou ao menos diminuiu a velocidade.
Bufo.
— Beadles, tem certeza que você averiguou que nada saísse fora do plano? Tu está tirando uma com a minha cara, porra? — gritei, acelerando e ficando ao lado do caminhão.
— Relaxa, Bieber. Nada vai sair do plano. — babaca.
— Ryan vai para o outro lado, e quando eu mandar você frear pra trás, você faz isso, ok? — mandei, tentando ficar calmo.
— Ok.
— Alfredo, coloca a sua arma pra fora e atira. Só assusta. — pedi.
Um. Dois. Três.
— Agora!
Alfredo fez o que mandei e Ryan também, enquanto eu atirei no pneu da frente. Fazendo-o tombar para o lado, mas mesmo assim ele continuar a dirigir. Fredo novamente atira e isso faz com que o motorista perca o controle e passe o caminhão por cima do carro de Alfredo, só que por trás, e travei assim que vi.
Acelerei mais a tempo de ver o corpo de Flores rolar pelo asfalto quente e desacordado.
Porra.
— CHRISTIAN! Pega o corpo dele e coloca no carro. — assim ele fez, Ryan estava estático, vi de longe o carro de Chris sumir. — Pega o motorista e tira ele do caminhão.
Andei até o caminhão e abri a parte de trás, vendo a grande quantidade de armas.
— O que eu faço com ele, Drew? — me virei para trás e vejo Ryan o segurando com uma arma apontada para a cabeça dele. Tirei uma fita isolante pequena do meu bolsa e dei a ele, Butler enrolou em seus pulso e pés, impedindo-o de fugir.
— Pega algumas armas, que eu vou pegar a gasolina.
— Vai explodir? — arregalou os olhos.
— Sim. — respondo. — É um aviso.
Caminhei até meu carro, abrindo o porta malas e peguei os dois galões de gasolina, e verifico se o isqueiro estava em meu bolso. Está exatamente onde coloquei. Voltei para o local e Ryan pega o outro galão sorrindo feito criança. Por fim, começamos a jogar a gasolina por todo o caminhão. Assim que acabamos de jogar, peguei o isqueiro e lancei em direção ao automóvel.
— Desamarra ele, e pega o celular.
— Pra que? — levantou a sobrancelha.
Neguei, e o mesmo fez o que mandei, e pegou o celular do cara.
— Como se chama? — pergunto, olhando-o.
— Otis Vinz. — respondeu. — Vocês irão me matar?
— Não. Otis, você irá mandar uma mensagem para o seu chefe avisando que queimaram todas as armas. — assentiu, e mandou a mensagem e averiguei se havia mandado apenas isso. — Espero que não morra, quando seu chefe chegar aqui.
— Já me considero morto. — deu de ombros.
— Até logo, caro, Otis Vinz.
E, por fim, saímos do local. Ninguém tenta me matar e sai impune.
"Estou errado por pensar diferente dos outros
De onde eu venho?
Eu estou errado por dizer que escolho outro caminho?
Eu não estou tentando fazer o que todo mundo faz
Só porque todos fazem a mesma coisa
Uma coisa eu sei, irei cair, mas eu vou crescer
Eu estou andando por este caminho que é meu
Esta estrada que eu chamo de casa."
— Am I Wrong, Nico & Vinz.
GENTE DO CÉU! EU FIQUEI UMA SEMANA FAZENDO ESSE CAPÍTULO! Espero que esteja bom, pelo menos. Que capítulo foi esse?? Ainda estou em choque com a Beck. Aliás, gostaram do pov dela? Digam!!
Comentários são extremamente bem-vindos, ok? Amo vocês <3
TEASER
https://youtu.be/J-Etitd_I_c
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