Capítulo 17 - Digno de dorama Coreano


Vanessa deu outra mordida no sanduíche e fez menção de sair do local em que estava, mas de repente viu Melissa, Paulo, Rebeca e Gustavo saindo do tal quarto "abandonado". Todos estavam ao redor da youtuber e isso inclui Gustavo Mark, que estava próximo demais para o seu gosto. De alguma maneira, a coreana se sentiu mais incomodada ao ver ele ao lado de Melissa do que ao vê-la saindo de um quarto onde passou a madrugada com Fernando.

Todos ficaram em silêncio, enquanto o cérebro de Vanessa soprou uma pequena palavra, palavra essa que tirou sua paz pelo resto do dia. Ela balançou a cabeça e girou os calcanhares, andando em direção ao seu dormitório, deixando o grupo de médicos para trás. Porém, Gustavo Mark resolveu falar com ela e de longe, enquanto a médica tentava passar pelo enorme gramado que dava na entrada de seu quarto, ele gritava por seu nome. Finalmente, após quase cinco minutos, Gustavo alcançou-a e foi capaz de pará-la depois de segurá-la pelo braço.

Ele correu já que sua testa estava levemente suada e ofegava sem conseguir dizer uma palavra. Quando segurou o braço de Vanessa, ela tomou um baita susto e arregalou os olhos enquanto o encarava ofegante. Outra vez, a palavra surgiu em sua mente e desta vez, Vanessa resolveu se defender.

— Ciúme? — ela tombou a cabeça para o lado e soltou uma lufada de ar. — Não, não e não! — se defendeu, contudo, estava tão concentrada em se livrar daqueles pensamentos que mal percebeu que, na verdade, falava tudo em voz alta, na frente dele. — Não é ciúme. É apenas, apenas... um incômodo. Isso, um incômodo terrível que é resultado desse calor insuportável! Aigoo, Aigoo deve ser o sanduíche que Yung-ji preparou. Ele nunca foi tão bom nisso mesmo, é melhor comprando doces da padaria para mim! — pela segunda vez, respirou fundo, atônita. Passou a mão livre pelos cabelos que foram jogados para trás, mas que logo voltaram ao seu lugar. — Isso é qualquer coisa, mas ciúme. Aish...

Gustavo Mark a observava com um pequeno sorriso de canto que começou a se formar logo depois de Vanessa dizer "ciúme". De alguma maneira, entendeu que ela, enquanto se defendia de si mesma, não estava se referindo a Fernando ou Melissa. Ela não estava com ciúmes deles, mas dele. E assim que percebeu isso, automaticamente o sorriso satisfatório surgiu em seus lábios rosados.

— Vanessa? — disse, depois de coçar a garganta. — Senhorita Kim?

Ela virou para ele.

Wae? — assim que percebeu que tinha gritado, coçou a garganta constrangida e consertou a postura. — O que você quer?

— Queria perguntar se está tudo bem, mas acho que você tem coisas mais importantes para pensar, como no seu ciúme, certo? — ele falava enquanto segurava o riso.

Vanessa se deu conta de que disse mais do que deveria e sua péssima mania de falar em voz alta lhe trouxe, mais uma vez, problemas. Isso acontecia com frequência, já que ela normalmente falava com Deus dessa mesma maneira e levava esse comportamento para fora do seu relacionamento com Ele. No seu antigo trabalho, não conseguia controlar isso e por vezes, acabava comentando coisas para seus pacientes que deveriam ficar escondidas. Como foi com o senhor John que, depois de não obedecer sua ordem para evitar bebidas alcoólicas, teve uma crise e precisou ser levado às pressas para o hospital. Ao chegar lá, Vanessa foi atendê-lo e ele disse:

— Doutora Kim, me salve, por favor.

Ela imediatamente pensou:

— Se quer tanto ser salvo, deveria ter controlado essa sua boca ao invés de beber mais de cinco garrafas de vinho, Aish!

Bem, ela só não percebeu que estava falando em voz alta e isso causou um baita problema. O senhor John se comportou como uma criança magoada e Jeong-ho teve que mediar a situação. No final tudo foi resolvido, mas às vezes o mau hábito voltava e lhe trazia problemas.

Aigoo... como vou explicar isso? — Se perguntou o encarando.

Ela sentiu o coração acelerar e suas mãos começaram a suar. Não era medo, era... era nervosismo. Não devia nada a Gustavo Mark, porém, com certa frequência sentia que as palavras desapareciam, principalmente quando ele a fitava daquela forma, tão... intensa.

Com a vontade de retomar o controle, Vanessa puxou o braço que Gustavo ainda segurava e olhou-o, séria.

— Eu tenho coisas mais importantes pra me preocupar. Você pode fazer essas brincadeiras bobas com a Melissa, mas não me trate como se fôssemos iguais. Não somos nada parecidas...

Ele mordeu o lábio inferior e sorriu em seguida. Depois, cruzou os braços e se aproximou.

— Eu sei que você não é ela, senhorita kim, tenha certeza disso.

— Ótimo!

— Ótimo... — deu um sorriso largo, animado com o fato dela ter ciúme dele com a Melissa, pessoa que definitivamente já não gostava a um bom tempo. — Gostaria de uma bebida gelada para o "calor insuportável"?

Ani! — balançou a cabeça. — Se me der licença, eu tenho uma palestra agora — disse, dando as costas para ele. Quando estava mais afastada, se sentiu segura novamente, liberou o ar que estava preso e soltou os braços.

Aigoo, aigoo, ciúme? — murmurava enquanto ia para o quarto. — Era só o que me faltava mesmo.

Depois de andar pelos corredores dos dormitórios, conseguiu entrar em seu quarto e preparou os materiais para a segunda palestra que daria. Tudo correu bem e como teria que trabalhar no dia seguinte, arrumou as coisas assim que finalizou a palestra, por volta das três da tarde. Yung-ji insistiu em levá-la de volta, mas ela ligou para o pai e deixou bem claro que voltaria sozinha. O pai fez sua vontade e Yung-ji ficou livre por toda a tarde enquanto Vanessa voltava para seu apartamento, ainda pensando no que aconteceu mais cedo.

Assim que chegou em seu bairro, foi direto para um restaurante Coreano que ficava na esquina do seu prédio e fez o pedido do Kimchi para levar. Depois de pagar a conta e fazer uma reverência para a dona do local, foi até o carro e viu o automóvel de Gustavo Mark entrando na garagem do prédio. Vanessa pensou seriamente em dar meia volta e esperar, mas o kimchi estava cheirando tão bem que decidiu engolir o que quer que estivesse sentindo e foi até o carro.

Ao estacionar na garagem subterrânea, abriu a porta do veículo, pegou a bolsa e a maleta que estava o notebook. Por fim, segurou firme a sacola de papel que estava com o kimchi e ergueu-o perto do nariz. Ela deu uma boa tragada e sorriu, alegre. Era um dos melhores kimchis que já comeu em toda sua vida e estava sendo preparado no Brasil!

Finalmente, fechou a porta do carro com o pé e travou-o em seguida. Quando começou a caminhar em direção ao elevador, tomou um susto ao ver Gustavo Mark encostado em um pilar próximo dali.

— Isso é tão gostoso assim? — falou, se aproximando dela.

Aish! Você sempre se esconde em lugares como esse? — perguntou, levando as mãos ao coração. — E sim, é muito bom. Deveria comprar algum dia para comer porque será a melhor comida que você vai... — de repente, Vanessa percebeu que estava falando demais.

Quando ficava empolgada com algum assunto, não importava quem, conversava sobre até cansar. Não sabia como Gustavo conseguiu fazê-la falar sem parar, falar coisas que nunca, em hipótese nenhuma, compartilharia com um desconhecido. Mas ele tinha esse dom, o dom de fazê-la conversar e Vanessa não estava gostando do rumo disso, então se calou e olhou-o, séria.

— Eu não preciso falar com você sobre isso. Boa noite.

Imediatamente, começou a caminhar em direção ao elevador. Gustavo correu até ela e apertou o botão antes.

— De nada... — disse, sorrindo gentil.

Vanessa não respondeu. O elevador chegou e ambos entraram, em silêncio. Gustavo novamente, apertou o botão do andar que moravam e virou para ela, dizendo:

— Por que você sempre quer se manter longe de mim? — Ele queria saber o motivo, não ia conseguir dormir aquela noite sem saber. — Eu entendo que você gosta de falar menos do que a maioria, e só fala com quem se sente segura... Mas, não te passo segurança? Nós trabalhamos juntos a quase quatro meses e eu ainda sou tão assustador assim?

Vanessa permaneceu calada, segurando firme a alça da bolsa. Não conseguiu pensar em uma boa resposta, afinal, nem ela mesma "sabia" o porquê queria a todo custo ficar longe dele. No fim das contas, Gustavo já tinha lhe visto em situações das quais quase ninguém viu, apenas Jeong-ho, Dali, a governanta da mansão kim e Yung-ji. Então, por que queria ficar longe? Por que tinha tanto medo de seguir em sua presença por mais tempo do que achava que deveria?

Na verdade, Vanessa escondia um segredo que não queria aceitar. Antes de chegar ao Brasil ou achar que era apaixonada pelo melhor amigo, a coreana tinha uma quedinha pelo holandês e era também por essa razão que ia em todas as suas palestras. Depois que percebeu que não gostava do amigo e nem de Fernando, aquela pequena paixão foi reacendida e à medida que convivia com Gustavo, se sentia mais à vontade.

Ele a deixava tranquila, a fazia rir quando ela não queria, arrancava suspiros de admiração dela e sempre que ele a chamava pelo nome, seu coração acelerava como louco! A coreana só queria voltar a ter controle do corpo e da razão, afinal, Gustavo era melhor amigo de Melissa. Ele podia parecer legal como ela também parecia, mas se a machucasse? Se por dar espaço novamente, fosse pega de surpresa e voltasse a ter o coração destruído de novo?

Seu inconsciente entendia tudo, mas ela fingia não saber.

— Eu sei que estava com ciúmes de mim quando estávamos no acampamento... — ele disse, dando dois passos para frente, a fim de olhá-la melhor. Depois, cruzou os braços e fitou-a. — Então, senhorita Kim, você não é uma pessoa tão monstruosa como dizem? Você tem coração, afinal? Sente... ciúmes...

Vanessa estava nervosa. Seguia segurando firme a alça da bolsa e não via a hora do elevador abrir as portas para que pudesse correr daquelas perguntas que não sabia responder. Mas, o que aconteceu foi o contrário. O elevador deu um solavanco que fez o mesmo subir e descer rapidamente, fazendo-a perder o equilíbrio e cair para trás. Gustavo correu até ela e, como da primeira vez que se encontraram, ele segurou-a pela cintura impedindo o tombo. Em seguida, as luzes apagaram.

— Você está bem? — ele perguntou, erguendo-a novamente. Por fim, tirou do bolso da jaqueta o smartphone e ligou a lanterna.

Nee...

— Acho que faltou energia, de novo — ao terminar de falar, foi em direção ao botão de emergência. Ele clicou no mesmo e dois segundos depois, alguém atendeu.

— Vocês estão presos? — um senhor disse, do outro lado da linha.

— Sim, o que aconteceu?

— Ora, esses apagões estão ficando piores, já é o quarto essa semana! Eu vou precisar chamar o bombeiro que está na sala de descanso, mas volto logo. Me esperem.

O senhor terminou de falar e Gustavo virou para Vanessa que estava encostada em um canto do elevador, agarrando com força a alça da bolsa que segurava. Ele caminhou a passos lentos, parou em sua frente e sem aviso prévio, abraçou-a. Vanessa não sabia como, mas ele era capaz de descobrir o que ela precisava, sem que dissesse nada. Naquele momento, ela precisava do seu abraço apertado, reconfortante e seguro. A coreana então encostou a cabeça no peito de Gustavo e fechou os olhos, aproveitando o abraço.

O tempo para os dois parecia ter parado.

Ela conseguia ouvir os batimentos acelerados do coração dele, e ele sentia a respiração dela ficar descontrolada. A coreana o apertou mais forte, a fim de guardar na memória aquele cheiro tão bom. E ele fez questão de alisar os cabelos dela para sentir os fios macios. Ambos estavam aproveitando ao máximo aquelas sensações, mas a coreana voltou à realidade quando lembrou que acabou de sair de um relacionamento e que o homem que ela estava abraçando era o melhor amigo de Melissa Caller.

— Obrigada... — disse, o empurrando para sair do abraço.

Ele soltou o ar pela boca e sentou no chão, ao lado dela.

— Não sei o que posso ter feito a você, mas quero que possamos ter uma conversa que dure mais de cinco minutos. Moramos no mesmo lugar, trabalhamos juntos e nós nos vemos o tempo todo. Será que pode me dar uma chance de mostrar que está tudo bem conviver no mesmo ambiente que eu? — retrucou, encostando na lataria do elevador, ao seu lado. Depois cruzou os braços e virou a cabeça para o lado, encarando-a.

Daquele ângulo, viu que o nariz de Vanessa era fino. As bochechas estavam levemente rosadas e os olhos puxados, estavam fechados. Ele sorriu. Não pensou em como seria a garota da promessa, mas Vanessa Kim era mais do que podia ter imaginado.

— Você está com medo?

Nee...

— Em seu país não tem quedas de energia?

— Tem, mas nunca fiquei presa em um elevador quando acontecia... — ela respirou fundo, colocou as bolsas no chão e virou para o lado, a fim de vê-lo melhor.

Agora, os olhos de Gustavo estavam em um tom de verde mais escuro, mas não deixava de ter um certo brilho característico. Os cabelos seguiram alinhados, como se não tivesse passado pelo tombo de antes. Ele estava com um pequeno sorriso de canto nos lábios que claramente tentava esconder.

Seguiram de frente um para o outro, olhando-se fixamente e naquele instante, o mundo parou.

Quem disse que uma pequena coreana e um jovem holandês não poderiam se encontrar e fazer parte da mesma promessa?

Quem disse que Vanessa Kim não podia se dar ao luxo de sonhar em viver um longo romance, digno de um dorama ou filme de Hollywood?

O mundo parou para eles e sentiram, juntos, borboletas no estômago e por um segundo, entenderam que faziam parte de algo muito maior, juntos.

Mas, esse pequeno momento não durou tanto, pois o elevador fez menção de cair e outro solavanco veio, fazendo a caixa metálica subir e descer de uma vez só. Vanessa perdeu o equilíbrio e Gustavo tentou ser mais rápido. O celular dele voou para longe e a lanterna se apagou. O médico não conseguiu segurá-la direito e juntos, caíram no chão. Com o susto, Vanessa desmaiou logo em seguida.

Seria o mundo trazendo-lhes a realidade à tona? Seria o mundo dizendo que não podiam se dar ao luxo de viverem o romance digno de um dorama coreano?

Aish — Murmuração sem definição que os coreanos geralmente fazem em muitos momentos.

Ahhhhhhh faz tempo que não venho aqui fofocar. E ai, estão gostando do livro? Finalmente chegaram na parte que o bafafa começa  kkkkkk

A Vanessinha tendo um romance aquece o coração ne? Eu seeeei, tava doida pra vcs começarem a ler essas partes. Me conta o que tá achando desse romance. 

Obrigada por ler, não esquece de deixar sua estrelinha no cap. 

Até sábado que vemmm Bjsss!

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top