◌ Capítulo 3
━ JOSH BEAUCHAMP
Any Gabrielly é completamente fora do comum, isso eu pude reparar desde a primeira vez que meu olhar recaiu sobre ela. E isso foi se confirmando a medida em que eu conhecia mais e mais daquela pequena - e estupidamente atraente - mulher. E cada vez que eu a conhecia mais o sentimento desconhecido em meu peito parece crescer me deixando deveras assustado.
Meus dois únicos amigos diz que tenho literalmente um penhasco por ela, já meu avô diz que estou apaixonado.
Meu avô, Otto Beauchamp, costuma sempre está certo, porém dessa vez ele errou severamente. Eu jamais poderia me apaixonar por alguém como Any Gabrielly, pelo simples fato de que não temos nada a ver um com o outro. Somos completamente opostos.
E nem venha me dizer que os opostos se atraem, pois na vida real isso não funciona como na teoria romântica criada por alguém estúpido que certamente achava que a pessoa pelo qual estava apaixonado era seu complemento e encaixe perfeito. Isso não passa de uma invenção para encalhados e iludidos fantasiarem que finalmente acharam o que faltava neles.
O amor.
Muitos dizem não acreditar no amor porque foram machucadas por quem dizia amá-las, ou por quem observou de perto uma convivência onde a essência do amor não existia. O amor para muitos hoje não tem a mínima importância, estão ocupados demais se matando lentamente com sua mente sobrecarregada, sujeintando-se as armadilhas implantadas por aqueles que apenas querem o poder.
São pais ocupados demais tentando dar o melhor para seus filhos, mas esquecem que não é tudo sobre bens materiais. Filhos que estão perdidos em meio a uma guerra interna entre o passado e o futuro. E casais que rompem facilmente pela falta de sabedoria.
Não sou um cara religioso, mas uma coisa é certa, muitos perecem por falta de conhecimento. E é o que vemos em relação a tudo em nossa volta. Mas ainda existe esperança de que acordemos desse pesadelo que pode ser a vida.
Ser tão esperançoso e um romântico incurável é uma das coisas que mais críticam em mim, acham que sou idiota por ainda crer no lado bom das pessoas e talvez eu realmente seja esse otário que tanto julgam, mas eu fui ensinado a nunca desistir dos meus sonhos, a sempre correr atrás do que quero e nunca dar bola para a opinião alheia, já que claramente as pessoas nunca estarão satisfeitos com o que quer que façamos.
- Josh? - ouvi meu avô questionar assim que bato levemente a porta de entrada da casa. Caminhei até a sala de estar vendo, seu Otto, assistindo a alguma das novelas dramáticas que ele tanto gosta.
Já o questionei do porquê gostar tanto dessas novelas que tem enredos tão idênticos, ele apenas disse que faz lembrar os tempos em que assistia a todas elas ao lado de minha falecida avó.
- Oi, vô. - eu me aproximei dele e beijei sua testa antes de me sentar ao seu lado e largar a mochila em cima da mesa de centro. - Como está se sentindo hoje?
- Eu estou bem, não tive mais crise alguma, a Sra. Agatha tem sido um anjo. - falou se referindo a enfermeira de meia idade. Ele sorriu de uma maneira bastante suspeita. - E como foi seu dia? Viu a sua amada?
- Any não é minha amada. - revirei os olhos e ele negou com a cabeça gargalhando.
- Quem disse que eu estou falando dela? - perguntou franzindo o cenho, engoli em seco e suspirei. - Você é apaixonado por essa moça desde o primeiro ano, Joshua, só não quer admitir.
- Não sou, você está equivocado, Sr. Otto. - dei um sorrisinho sem graça e ele quem revirou os olhos.
- Você é quem está mentindo para si mesmo. Agora me diga o que aconteceu com você, seu rosto tem uma bela marca avermelhada. - falou ele me analisando.
- Eu tive um desentendimento com os jogadores e eles tentaram me agredir, Any se meteu no meio e deu a maior confusão, ela foi até suspensa. - contei me encostando no sofá aconchegante.
- O quê? - o mais velho começou a tossir e eu o ajudei dando leve tapas em suas costas.
- Calma, respira fundo. - falei preocupado e aos poucos a tosse foi cessando.
- Como foi isso? E como ela está? - perguntou ele com os olhos arregalados ainda surpreso.
- Os caras estavam me cobrando por um trabalho que queria que eu fizesse para eles, mas eu não fiz e mandei eles se foderem e ai quando estava prestes a me acertar, Any Gabrielly apareceu com aquele jeito marrento dela achando que poderia resolver algo, o que não deu nada certo e ai eles partiram para cima de nós dois. - comecei a contar quase rindo pelas caretas que meu avô faz quando tento resumir os detalhes deste dia estressante.
- Ela é a sua heroína. - ele falou sorrindo com os olhos quase brilhantes de emoção. Eu neguei.
- Ela não me salvou, eu poderia fazer aquilo sozinho. Tudo o que ela fez foi arranjar problemas para si por vontade própria, já que antes já foi avisada que teria consequências sérias se ela se envolvesse em confusões. - falei sério e ele me olhou com reprovação.
- Faça-me um favor, Joshua, você é um bobalhão e estaria com um belo olho roxo se não fosse por ela. - falou ele com um sorriso irônico. - Ela te ajudou e talvez seja porque também se interessa por você. - falou ele convincente de suas próprias palavras.
- Claro que não, ela é uma dessas garotas que não se importam com ninguém e nem com ela mesma. - cruzei os braços.
- Isso nós descobriremos quando a chamar para jantar aqui em casa. - ele falou de repente e eu dei um pulo no sofá.
- Como é? - questionei e ele sorriu convencido.
- Você chamará ela para vir jantar aqui em casa amanhã a noite, em agradecimento a boa ação dela. - ele disse e eu bati em minha própria testa bufando.
- Não vou fazer isso, de modo algum. - contradisse.
- Ou você a chama, ou eu mesmo faço isso. Ela foi suspensa por te ajudar, criei um garoto compreensível e educado, não um idiota ignorante, está me ouvindo? - falou mudando sua feição meiga para aquela brava que me dá calafrios.
— Tudo bem. — suspirei vencido e ele sorriu se sentindo vitorioso.
— Qual deve ser o prato preferido dela? — ele se questionou alto.
— Strogonoff de frango. — falei e ele me encarou com um sorriso um tanto malicioso.
— Você é tão apaixonado que até sabe o que ela gosta. — falou fazendo um barulhinho que era pra ser fofo, porém foi constrangedor.
— Você é sem igual, Otto Beauchamp. — eu abracei ele de lado.
— Eu sou único, garoto. — ele bagunçou meus cabelos e deu uma tossida se afastando. — Agora vai já para o banho, esse cheiro de suor não é nenhum pouco agradável.
Fiz uma careta mostrando a língua para ele e o mesmo jogou uma almofada em mim, enquanto eu pego minha mochila e corro para o segundo andar da casa.
...
Sentado no banco analisando cada foto que aparecia no feed do instagram no perfil de Any, que talvez eu esteja stalkeando, quando olhava para uma das belas fotos da mesma ouço o som de alguém coçando a garganta me chamando a atenção. Quando levanto meu olhar ela está bem parada em minha frente com sua pose inabalável e um sorriso de tirar o fôlego.
— Oi, princeso. — ela se curvou por cima da mesa tentando olhar para o que eu via em meu celular. Sem querer eu curti uma foto de um ano atrás e na mesma hora descurti desligando em seguida o aparelho.
— Não era pra estar em casa? — perguntei tentando disfarçar meu nervosismo.
— Como eu já tinha dito, princeso, quando se tem dinheiro não existe esses tipos de problemas, pelo menos não aqui dentro. — ela sorriu e eu assenti sorrindo sem graça.
Eu a analisei e engoli em seco quando ela se curvou mais deixando o decote de sua blusa expôr o busto de seus seios. Desviei meu olhar de imediato sentindo minhas bochechas queimarem de vergonha. Quando olhei em seus olhos vi o sorriso que preencheu seus lábios evidenciando que ela fez isso de propósito.
— Uma pena que as pessoa se vendam por conta de dinheiro. — falei quebrando o silêncio que tinha se instaurado.
— Para mim é bom, para você também, poupa a nossa paciência, já para outros que não tem nossas condições é uma pena. Mas por eles me mantenho honesta. — falou e deu a volta na mesa do refeitório se sentando ao meu lado, próximo demais.
— Isso é uma questão de caráter, Soares, que bom que pelo menos tem um pouco dele. — falei não a olhando diretamente. Aprovetei para dar um gole no refrigerante de latinha.
— Isso é uma indireta, Beauchamp? — perguntou e eu direcionei meu olhar para ela.
— Entenda como quiser, Soares. — sorri de lado.
— Você é um nerd marrento. — ela falou mordendo o próprio lábio tentando conter um sorriso.
— As pessoas acham que só porque eu gosto de estudar sou um mané, bobo, virgem e ingênuo, como você já disse uma vez tudo nesse campus é estranhamente diferente. — me levantei e ela me encarou abismada. Antes que ela começasse a falar eu comecei a andar em direção a minha sala.
— Está me dizendo que não é virgem? — ela perguntou correndo atrás de mim.
— Se eu não for, qual é o problema? — me virei para ela parando bruscamente no meio do caminho.
— Seria uma decepção. — ela disse com um biquinho tristonho.
— Por quê? — perguntei prendendo o ar quando ela deu um passo a frente praticamente colando seu corpo ao meu.
— Porque você é tão fofo que estou prestes a te deflorar. — ela disse com normalidade e sorriu ao ver que estou vermelho como um pimentão. — Eu poderia ser uma ótima professora. — disse ajeitando a gola de minha camisa.
— Eu não sou esse tipo de garoto que está acostumada, Soares. — falei afastando suas mãos de mim. Quando toquei suas mãos um arrepio percorreu pelo meu corpo me fazendo quase que tremer em sua frente. Sua pele é tão macia.
— Eu sei que não, você é único princeso. Seu diferencial é o que me atraí. — ela sussurrou e eu fechei os olhos ao sentir sua respiração bater contra meu rosto.
— Por que está dizendo tudo isso, Any? Mal nos conhecemos. — falei nervoso voltando a olha-la nos olhos.
— Você acha que é um nerd invisível, mas não é Beauchamp. Eu sei que me observa desde o primeiro ano, seus amiguinhos fizeram questão de me contar a queda terrível que tem por mim. — ela disse com um sorriso perverso no rosto.
Xingo Noah, Bailey e Lamar mentalmente. Bando de desgraçados.
— Se eu já tive uma queda por você, Soares, já passou a muito tempo. — falei tentando ser convincente.
— Não passou, eu sei que me quer, mas não quer admitir para si mesmo, eu não o culpo. Eu sou uma mulher incompreensível, eu afasto as pessoas e quando quero as uso em meu prazer, eu sei que isso soa terrível, mas já me importei demais com que as pessoas acham. — falou se abrindo mesmo sem perceber.
— Devem ter te machucado muito para ser assim, não? — perguntei querendo saber mais sobre ela.
Ela pareceu se abalar com a pergunta e deu um passo para trás engolindo em seco minha questão.
— Para tudo tem um motivo nessa vida, você ser assim também deve ter. — eu que dei um passo para a frente dessa vez. — Eu não quero ser invasivo, mas você deveria procurar ajuda, o que disse ontem sobre morte só deixa mais evidente.
— Eu não estou doente. — ela disse grosseira.
— Não estou afirmando isso, mas se tem coisas que fazem pensar aquilo realmente deveria. — falei e vi seus olhos brilharem de uma maneira negativa. — Desde o fim do segundo ano você se tornou outra pessoa e isso é doloroso de se ver, ainda mais sem saber o motivo.
— Não tem motivos, eu só deixei de ser idiota, como você deveria deixar de ser. — ela disse com os olhos cheio de lágrimas, enquanto me cutuca com a unha afiada de sua dedo indicador.
— Eu quero seu bem. — segurei sua mão que me apontava. Ela engoliu o choro e soltou sua mão da minha. — Meu avô te convidou para jantar lá em casa esta noite em agradecimento a minha heroína que impediu que eu fosse espancado por um bando de bunda mole. — mudei de assunto não querendo causar mais confusão.
Ela pareceu surpresa com o convite.
— Tipo jantar você, quer dizer com você? — ela questionou incrédula e eu corei novamente. Merda de efeito que suas palavras têm sobre mim. — E seu avô claro.
— Exatamente isso, eu posso te buscar ás oito, se preferir assim claro. — falei e ela assentiu mudando sua cara murcha para uma alegre.
— Sabe onde é minha casa?
— Ainda mora no mesmo lugar do segundo ano? — ela assentiu. — Então eu sei.
— Então tchau princeso. Até as oito. — ela beijou minha bochecha e saiu saltitando para o outro lado do campus. Eu toquei o local onde por segundos seus lábios estavam sentindo meu coração palpitar.
Só de imaginar ela e o meu avô juntos tenho um ataque de nervosismo. Eu estou fodido.
To be continued???
Eles vão de 0 a 100 muito rápido AKJAHAHAJAMAK
Esse jantar promete viu, teremos seu Otto e Any matando Josh de vergonha sim.
Casa do Josh:
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