Capítulo 72 - "Perdoe-me?" / "Quem é Gil, Liv?"
Por favor, perdoe-me
Não sei o que faço
Por favor, perdoe-me
Não posso parar de amá-la
Não me negue
Essa dor que estou sentindo
Por favor, perdoe-me
Se eu preciso de você tanto assim
Por favor, acredite em mim
Cada palavra que eu digo é verdade
Por favor, perdoe-me
Não posso parar de amá-la
(Please forgive me - Bryan Adams)
~~~§~~~
_Gostaria de conversar com você!
Com certo nervosismo Grissom disse isso, quase suplicante. Sua amiga Catherine havia lhe confidenciado horas atrás quando fora lhe levar uns resultados, que tinha conversado com Sara. Porém, ela não disse muita coisa a respeito de como fora a conversa. Catherine apenas falou que as coisas eram com ele. E que ao fim do turno ele não perdesse tempo e procurasse a ex pra conversarem e assim ele fez.
Logo que dispensou todos naquele turno, ele sem demora agira. Ela se encaminhava pra sair da sala logo atrás dos amigos quando Grissom rapidamente foi até ela e segurou sua mão de forma carinhosa. Ela estancou no mesmo instante daquele gesto dele e ouviu-o dizer que gostaria de conversar com ela.
Mais a frente seus amigos iam se distanciando dela. Estranhou o fato deles irem rapidamente embora e nem sequer perceberem que ela não mais os acompanhava. Ali tinha... E tinha mesmo!
Catherine como não podia deixar de ser, estava por trás daquilo. Ela contara aos dois, Nick e Warrick, por alto sobre a situação entre Grissom e Sara, e pediu a eles que assim que o supervisor os dispensasse, eles juntamente com ela saíssem rapidamente da sala de conveniência, deixando assim, Sara pra trás para que Grissom pudesse ter a oportunidade de falar com ela a sós. Eles na hora toparam isso, mas tinha Teri. Como eles fariam a loira má sair da sala junto com eles pra deixar Sara e Grissom sozinhos?
Tinham que dá um jeito nisso! Só que nem foi preciso que eles fazessem nada. Depois da confusão que armou, a qual se dera mal, Teri fora a primeira a sair da sala pra alívio dos três amigos.
_Sara??
Ela que até então ainda estava de costas pra ele, virou pra encará-lo.
Sua mente durante o resto do turno só girava em torno do que tinha ouvido de Catherine algumas hora atrás. Ela tentou depois da conversar, se concentrar no trabalho que ainda tinha por fazer, mas estava complicado. Cada palavra de sua amiga vinha vire-mexe à cabeça, não lhe dando trégua pra pensar em quase mais nada a não ser nelas.
Sara sabia que tudo o que ouvira, fazia sentido e tinha seu fundo de razão. Só que ainda sim, estava magoada demais pra conversar com ele. Não queria isso, não por agora! Precisava de um tempo pra pensar um pouco e assim pôr as coisas em sua cabeça no lugar.
_Grissom... Eu tô cansada, quero ir pra minha casa.
_Por favor.
Ele aproximou-se um pouco mais dela, porem não muito porque estavam ali no laboratório e alguém podia vê-los.
_Essa situação não faz sentido algum, Sara!... Vamos conversar, querida!
Os olhos azuis dele a fitavam em súplica. Ela suspirou vencida. Talvez fosse melhor conversarem logo.
_Tudo bem, Grissom... Vamos pra minha casa, lá conversamos!
Ele deixou um sorriso ainda que meio discreto, escapar de seus lábios ante a aceitação dela em conversarem. Porém, ele não queria conversar com ela em sua casa.
O dia estava começando a clarear e o supervisor lembrou-se de um lugar especial pra terem aquela conversa. Era um lugar calmo e com uma vista linda, e que ele tomara só pra si, mas que agora queria compartilhá-lo com ela.
_Se não se importa, eu gostaria de conversar com você em outro lugar.
_Que outro lugar? O seu apartamento?
_Não!
_Aonde então?
_Pegue seu carro, me siga e saberá. Tudo bem?
Ela o olhou desconfiada. Onde eles iriam conversar com o dia começando a raiar? Só indo pra saber!
_Tá... Vamos logo então!
Ele largou sua mão, com muita relutância. Caminhando lado a lado em silêncio, eles se dirigiram ao elevador. Enquanto faziam isso nem perceberam que estavam sendo observados por alguém que tinha assistido por acaso e meio as escondidas, toda a cena deles na sala. Porem a pessoa não conseguiu ouvir o que os dois falavam, mas conseguiu ver bem quando Grissom segurou a mão de Sara de forma carinhosa.
A julgar pelo que acabava de ver, a pessoa começou a crer que entre aqueles dois poderia sim ser possível haver algo entre eles, coisa que até então, ele achava impossível de acontecer já que conhecia a antipatia que entre aqueles dois existia.
Ficaria mais esperto agora com eles. Precisava ter certeza de que realmente eles estavam juntos pra assim tomar alguma atitude. Estava certo que era só uma questão de tempo pra isso acontecer e ele então poder agir como achava certo.
****
Após seguir o carro de Grissom por uns trinta minutos, Sara enfim estacionava atrás do veículo do supervisor, em um lugar que não fazia idéia qual fosse.
_Uau!!
Sua boca se abriu em um misto de encantamento e surpresa assim que desceu de seu carro. Foi até onde Grissom estava parado e se deparou com a vista dali.
Do alto de uma montanha que era onde eles estavam ao qual era cercada por algumas vegetações e também outras montanhas, ela podia ver bem ao longe a cidade de Vegas que ao nascer do dia não ficava tão imponente quanto ao anoitecer, quando as luzes dos cassinos e hotéis iluminavam a 'cidade do pecado'. Mas mesmo assim dali, a vista dela não deixava de ser linda.
_Que vista incrível!!
Os olhos dela percorreram quase com adoração toda aquela vasta paisagem a sua frente. E ao norte de onde estavam, Sara pode ver o sol que nascia por detrás de uma montanha.
_Como descobriu esse lugar?
Ele contou que há cerca de quase três anos, pegou um caso na cidade que fica à uns 50 km dali de onde estavam. E que na volta de lá pra Vegas, já tarde da noite, ele acabou por conta da pouca iluminação e inadequada sinalização na estrada, pegando por engano um desvio errado que lhe levou a estradinha que ficava há poucos metros de onde se encontravam parados.
Se vendo completamente sozinho e com o celular sem sinal, ele desceu do carro, andou uns metros e acabou se deparando com a visão dali de cima, de uma Vegas toda iluminada mais ao longe e se encantou na hora com o que viu.
Ficou ali por um bom tempo admirando não só a vista da cidade, como também a do céu estrelado daquela noite fria. Instantes mais tarde seu celular que havia voltado a ter sinal, tocou e Grissom pode avisar que havia se perdido.
Pelo GPS que tinha em seu carro, Nick conseguiu localizar o supervisor no sistema e lhe informou onde estava, e que rota deveria seguir pra chegar a Vegas. Minutos depois ele deixava aquele lugar que dois dias depois, estava de volta agora de manhã, pra observar melhor como era à vista dali à luz do dia. E assim, a partir daquele dia, Grissom não parou mais de voltar ali.
Gostava do lugar porque lhe dava paz o contato com a natureza que ali tinha e o ar puro. Muitas vezes ele deixava pra trás a barulhenta Vegas pra se refugiar ali e poder ouvir apenas o "som" do silêncio, o canto dos pássaros que por ali revoavam e principalmente, pra admirar a bela vista que dali tinha.
_Aqui é uma lugar que eu gosto muito de vir por vários motivos, mas os principais são: porque aqui é calmo e tem uma vista linda. Considero esse lugar como meu porque nunca trouxe ninguém aqui, você é a primeira. E a partir de agora vou passar a considerá-lo como sendo meu e seu, se você quiser é claro!
Ela apenas se limitou a olhá-lo e balançar a cabeça levemente em afirmação. Em seguida, o questionou sobre o que queria conversar com ela. É claro que ela sabia o que era, mas resolveu perguntar aquilo pra dá início na conversar deles.
Ele suspirou. Era hora de falar e não se considerava muito bom nisso, mas com ela, ele havia melhorado muito nesse quesito.
Deu dois passos até Sara, ficando desse modo bem a sua frente.
E assim... Cara a cara... Olhos nos olhos, ele respirou fundo e começou a falar o que seu coração ia lhe mandando.
_Sei que terminou comigo porque te magoei profundamente quando equivocadamente duvidei de você e dei ouvidos a quem durante anos fingiu ser pra mim uma coisa que não era... E sei também que talvez, se você pudesse nem me dirigiria mais a palavra por isso!... Fui tolo, um tremendo idiota com você e quero que saiba que estou muito, mas muito mesmo, arrependido por isso... E te peço que... Perdoe-me pelo que fiz!... Eu te amo demais e te juro pelo que há de mais sagrado que nunca mais vou duvidar de você e do que me diga... Mas perdoe-me, não quero ficar sem você, Sara!... Você me devolveu a alegria de viver e ao terminar comigo ontem, tomou-me isso... Mas aqui estou, te pedindo que me devolva novamente a alegria. Não sei ficar mais um instante sem você do meu lado... Volta pra mim, querida!
Seus ouvidos captaram cada palavra dita por ele e levaram-nas diretamente ao seu coração. Sara estava sem palavras ante aquela enxurrada de palavras de Grissom. Viu uma lágrima escorrer de seus olhos azuis assim que terminara de falar e aquilo lhe comoveu, lhe amoleceu o coração. Ele estava mal e completamente arrependido pelo erro cometido, ela sabia disso. Suas palavras sinceras, seus olhos cor de mar envolto a tristeza e sua expressão abatida mostravam isso. E diante do que via e ouvira suas defesas e mágoa caíram por terra. Ela o amava e não perdoá-lo seria a pior coisa que faria.
_Me diga alguma coisa, Sara? Nem que seja um 'não'. - ele pediu após uns segundos.
_Você é um perigo, Grissom!
Ele franziu a testa sem entender aquilo.
_Perigo? Por quê?
_Porque sabe ser muito... Persuasivo! - sorriu.
O coração dele pulou dentro do peito.
_Isso quer dizer que...?
_Eu te perdôo li...
Ela não teve tempo pra dizer mais nada porque ele tomou sua boca em um beijo que quase não queria ter mais fim.
_Gil... Eu...
Ela tentou falar entre o beijo, mas não conseguia Grissom não lhe deixava. Tomava sua boca com tanta vontade que ela estava impressionada. Foi preciso alguns segundos depois que ela apertasse seu braço pra que ele interrompesse o beijo.
_Estava ficando seu ar!
_Me desculpe! - pediu meio sem jeito.
_Tudo bem...
Ele encostou sua testa na dela e com as duas mãos cobriu seu rosto.
_Obrigado por me perdoar. Juro que nunca mais vou duvidar de você.
_Você já disse isso e espero que cumpra.
_Vou cumprir, pode ter certeza. Teri não vai mais me enganar. - beijou-a novamente, mas agora rapidamente e depois a abraçou bem apertado.
_Eu te amo muito! - ele murmurou em seu ouvido.
_Eu também seu limão azedo!
Ele riu agora sim estava tudo bem pra ele.
Enquanto eles se entendiam novamente, longe dali, mais precisamente em outra cidade, alguém que ainda era muito apaixonado por Sara descobria que ela tinha um namorado.
Passeando pelo parque com seu pai, Lívia viu um cachorro parecido com outro que ela gostava e conhecia muito bem.
_Parece o Hank, o cachorro do Gil! - ela sorriu e apontou ao pai o cão que brincava mais a frente com seu dono.
_Quem é Gil, Liv? - Dylan não resistiu em perguntar.
_É o namorado da mamãe!
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