Capítulo 69 - Abrindo os olhos pra verdade
Acordo antes de você só pra ver o teu sorriso
Quando abre os olhos e me vê.
Pronto, o dia já se iluminou
Razões pra ir em frente eu tenho aos milhões
****
Ela abriu os olhos e se deparou com os de seu namorado que lhe fitavam docemente.
_Bom dia! – a morena disse ainda sonolenta.
_Bom dia! – respondeu Grissom lhe enviando um sorriso tão doce quanto o seu olhar.
Sara levou uma de suas mãos ao rosto do homem que estava deitado a sua frente e o acariciou.
_Faz tempo que já acordou?
_Alguns minutinhos... – ele contou, cobrindo a mão dela com a sua, em seguida levou-a até seus lábios e beijou a palma da mão de Sara que sorriu. _... E desde então estou te observando enquanto dorme.
Ela não sabia, mas estava se tornando quase que um hábito para seu namorado fazer aquilo. Várias foram às vezes em que ele acordou primeiro que ela só pra ficar lhe observando enquanto ainda estava adormecida. Não tinha nada que encantasse tanto Grissom quanto vê Sara dormindo. Ela se igualava a um anjo quando estava adormecida... Na verdade ela havia se tornado um anjo pra ele.
O seu anjo genioso e muitas vezes explosivo!
_Está bem?
Sara franziu a testa não entendendo o motivo daquela pergunta de Grissom.
_Estou, claro. Por que não estaria Grissom?
_Não sei. Ontem à noite... Depois que chegamos da festa você...
_Sobre ontem. – ela o interrompeu. _Eu... Hum... – parou de falar por não achar palavras para justificar o ocorrido ontem.
_Me diz o que foi aquilo, Sara? Aquela conversa estranha? Você daquele jeito tão vulnerável. Nunca tinha te visto assim.
Ela suspirou. Sabia bem o que fora aquilo, mas preferia não contar. Entretanto, não podia deixar aquele fato sem explicação para seu namorado. Sem entrar em detalhes, ela começou a explicar à ele o ocorrido da noite passada.
_Aquilo ontem foi um... Um... Um momento de fragilidade meu Grissom... Que pouquíssimas vezes eu, Sara, costumo ter. De repente, senti-me insegura e por isso aquela conversa e... Bem, não quero mais falar disso, Gil, me desculpe.
Enrolando-se no lençol, Sara se levantou da cama rapidamente. Detestava quando demonstrava sua fragilidade e insegurança como havia acontecido ontem. E detestava mais ainda, quando tinha que falar sobre esse seu momento frágil e inseguro, por isso mesmo resolveu cortar a conversa com Grissom por ali, já que a seu vê já tinha lhe dado uma explicação convincente. Só que aquela explicação não fora tão convincente pra ele.
Assim houve um breve instante de silêncio após ela ter se 'explicado'. Logo depois, Grissom resolveu falar.
_Gostaria muito que me dissesse o que motivou esse seu momento de fragilidade e essa sua insegurança repentina, mas pelo que acabou de falar tenho certeza que não vai me contar mais nada, não é?
_Não mesmo. Então, por favor, não insista! – respondeu a perita após vestir uma enorme blusa que ficava parecendo um vestido nela e que havia pego de dentro de seu closet.
Diante daquela resposta bem curta e direta, Grissom não teve outra opção senão acatar o que fora dito por sua namorada. Mesmo aquilo não sendo a sua vontade, ele respeitou. Se ela não queria contar, ok! Mas de verdade, ele adoraria saber o real motivo da Sara durona ter dado lugar a uma Sara frágil. Todavia, aquilo pelo visto ia ser impossível.
_Não vou mais insistir. Se você não quer me dizer então não me diga, só que eu me sentiria mais satisfeito se soubesse de verdade o que te deixou daquele jeito.
Ele ficou fitando-a após falar isso. Havia ficado de certo modo, preocupado com o jeito que ela ficara ontem enquanto conversavam. A imagem de seus olhos castanhos marejados e sobrecarregados por uma nuvem de tristeza, depois as lágrimas escorrendo por seu lindo rosto, não saíam da cabeça do supervisor. Tinha lhe partido o coração aquela cena.
Definitivamente olhos tristes e lágrimas, não combinavam com sua namorada que era tão alegre e de olhos tão brilhantes e cheios de vida!
Assim como Grissom a fitava, Sara também o fitava. Ao invés de dizer algo a respeito do que o namorado acabara de falar, a morena mudou de assunto pra frustração do supervisor.
_Que tal você levantar dessa cama, vestir algo e depois nós irmos preparar um café pra nós dois?... Estou faminta, amor, vamos! – disse essas últimas palavras em um tom todo manhoso que fez Grissom sorrir todo derretido.
Era só Sara falar daquele jeito e chamá-lo daquela forma carinhosa que o supervisor se derretia feito uma pedra de gelo quando exposta ao sol escaldante.
_Ok, moça faminta! – sorriu mais ainda para ela que também lhe sorriu.
Levantando-se da cama, Grissom fez exatamente o que Sara havia lhe pedido. Uns bons minutos mais tarde, ambos se encontravam acomodados à mesa, desfrutando de um farto e delicioso café da manhã organizado pelos dois.
_Sara ontem quando chegamos nem tivemos chance de falar a respeito da conversa que teve com a Teri, mas agora sim podemos falar a esse respeito. – comentou o supervisor enquanto passava geleia em sua torrada.
_Ah não, Grissom! – reclamou Sara após dar um gole em seu café.
Aquele assunto logo cedo? Não!
_Anão é um homem bem pequeno, Sara! – ironizou o supervisor que recebeu da namorada um olhar reprovador pela ironia feita. _Você disse que ia me contar o que falaram ontem, portanto pode contar.
_Você quer que eu tenha uma indigestão falando disso em pleno café da manhã?
Ele não pôde evitar esboçar mais um pequeno sorriso pelo que ela disse.
_Querida, sem brincadeiras, quero saber, por favor!
Ela bufou. Não estava nenhum pouco com vontade de falar sobre aquela conversa extremamente desagradável, mas pelo jeito não tinha como fugir disso já que seu namorado parecia disposto a saber daquele fato a todo custo. Sendo assim, Sara então começou a contar o que se sucedeu na conversa dela com Teri.
A morena contou tudo o que disse a loira aguada e também sobre as tapas que dera na mesma. Sara pensou em não dizer a Grissom o que a rival havia lhe dito, mas depois pensou: Dane-se! Seria bom ele saber daquilo e assim, ela também contou sobre os desaforos e ameaças que ouvira de Teri.
_Ela te disse tudo isso? – Grissom questionou Sara após ela ter acabado de contar tudo.
Sara estreitou bem os olhos no namorado. Era impressão sua ou ele estava duvidando dela?
_Por acaso não está acreditando mim Grissom?
Ele podia sentir os olhos dela faíscarem de raiva enquanto o fitava. Não é que não acreditasse dela, mas achava pouco provável que sua amiga sendo do jeito que ele conhecia tivesse dito aquelas coisas.
_Querida não é que eu não esteja acreditando em você, é só que..
_Só que o quê? É claro que não está acreditando em mim, Grissom! – disse séria e visivelmente ofendida com o fato dele duvidar dela e do que disse.
_Não, Sara! Olha é que... A Teri que eu conheço não diria essas coisas todas.
Ela balançou a cabeça levemente de um lado para o outro e depois deu um sorriso bem irônico pra Grissom.
_E depois ainda diz que não está acreditando de mim! – desviou o olhar dele por um breve instante e depois voltou a encará-lo. _Você precisa ouvir a verdade e eu vou te dizer! A Teri que você acha que conhece não existe! É só fingimento dessa mulher. Ela finge pra você! Diante de você, ela é uma coisa, longe é outra completamente diferente. Como eu queria muito que você estivesse vendo escondido a minha conversa com ela pra saber quem é de verdade a sua amiguinha Teri Miller e assim abrir os olhos de vez quanto àquela mulher fingida. Mas infelizmente isso não foi possível o que foi uma pena!
Diante daquele desabafo enérgico de Sara, Grissom ficou mudo.
Será que ele realmente se enganara o tempo todo com Teri? Era possível que ela fosse daquele jeito tão baixa e mau-caráter a ponto de dizer aquelas inverdades a sua namorada?
O supervisor mesmo não querendo, decidiu acreditar em sua namorada, pois tinha certeza que ela não seria tão leviana e capaz de inventar aquelas coisas toda a respeito de alguém. Então, Grissom chegou a conclusão que fora esse tempo um ingênuo como Sara havia dito ontem, pois acreditou em uma mentira, em uma pessoa que fingia bem na sua cara.
Que grande tolo fora o tal conhecido e renomado Gil Grissom! Acreditou em alguém com quem tivera um relacionamento e que agora se dizia ser sua amiga.
_Todo esse tempo ela mentiu e me enganou fingindo ser o que não era, é isso que está dizendo Sara?
Sem pestanejar a morena confirmou aquilo. Sabia que era verdade mesmo. Ao ver o semblante de decepção estampado na cara de Grissom após sua afirmação, Sara sentiu-se mal. Seu namorado pareceu ficar visivelmente abalado por saber que sua ex e agora 'amiga' de anos não era do jeito que ele pensava ser. A morena ouviu seu namorado suspirar.
_Você acredita nas coisas que eu acabei de dizer, Grissom? Acredita que a Teri seja desse jeito que eu disse?
Segundos de silêncio e ela ouviu outro suspiro dele. Logo em seguida ouviu sua resposta.
_Sim!
_Mas posso vê que você ficou abalado com isso.
_Abalado não seria a palavra certa Sara, mas sim decepcionado, frustrado, enganado e qualquer outra palavra semelhante. Sabe, eu tenho carinho pela Teri por conta do bom relacionamento que tivemos e também porque sempre nos demos muito bem. Quando nossa relação acabou, eu quis manter a amizade já que antes de termos algo éramos só amigos.
_Só que o problema é que ela não quer ser só sua amiga.
_Eu sei, quer dizer, sempre soube desde que terminamos. Mas mesmo assim quis manter a amizade pra continuar mantendo uma relação boa entre a gente, já que terminamos sem problema algum. Mas pelo jeito ela não se contenta em só termos uma amizade.
_Não se contenta e nem nunca vai se contentar Gil!
Ele balançou a cabeça concordando com Sara.
_Tenho que ter uma conversa muito séria com ela e dá um basta nessa situação. Não vou permitir que ela crie um mal-estar entre nós. Se for preciso me afastar dela, eu vou fazer isso.
_Tem certeza?
_Sim. Mesmo que não me agrade tenho que fazer isso. Fique mal ao saber dessas coisas que ela te disse. Teri não tinha o direito de te dizer esses disparates, Sara. Dizer que eu sou dela e de mais ninguém; que vai me tirar de você; que eu não te amo e só estou com você pra satisfazer minhas necessidades de homem. Quê isso? Não sou nenhum canalha pra ficar usando mulheres apenas para o meu bel prazer. Ela me conhece o suficiente pra saber disso! – falou visivelmente aborrecido e muito sério. Havia ficado extremamente irritado com tudo o que ouviu, mas ficara mais ainda com essa última coisa que soube.
Sara vendo o estado de irritação de seu namorado se levantou de sua cadeira, deu a volta na mesa e se sentou no colo de Grissom. Não ia ser hipócrita de dizer que não estava contente por seu namorado ter enfim aberto os olhos para Teri após ter lhe contado as coisas que a loira havia lhe dito. Só que em certo ponto, ela também estava arrependida por ter dito aquelas mesmas coisas, pois vira que o ressentiram e mexeram demais com ele.
Achou por bom senso amenizar a situação em certo ponto.
_Sabe o que eu acho? Que essas coisas que essa tal fulana disse, foram apenas pra me atingir Gil e não à você propriamente.
Ele a olhou e sem pensar duas vezes disparou:
_Sara o quê quer que te digam ou te façam também me atinge... – segurou na mão dela e olhou em seus olhos. _... Você e eu, somos um só, querida! Se fizerem algo à você também fazem à mim!
Sara sorriu bobamente. Declaração mais bonita que essa só mesmo um 'Eu te amo'.
****
Assim que Grissom entrou na sala de descanso pra distribuir os casos naquele turno e viu Teri, inevitavelmente lembrou-se da conversa que tivera com Sara de manhã. Ele sentiu raiva da loira
e principalmente, dele mesmo por ter se deixado enganar por aquela que foi sua namorada e se dizia agora sua amiga.
Como fora ingênuo, mas agora não seria mais!
Em momento algum o supervisor dirigiu o olhar a Teri depois da rápida olhada que lhe dera ao adentrar na sala e a loira logo percebeu isso.
Na hora de formar as duplas, ele colocou Nick com Teri para o desagrado do moreno que não gostava nada de ter que ficar com a loira. A verdade era que ninguém da equipe gostava de fazer dupla com Teri. Em seguida, o supervisor disse a Warrick que eles trabalhariam juntos, e por último deixou Catherine e Sara juntas.
Às duas mulheres, o supervisor fez uma recomendação.
_Por favor, vocês duas tomem cuidado com esse bairro é perigoso.
_É mesmo. Semana passada um perito do diurno sofreu um atentado por aquela área.
_Bem lembrando, Nick. Eu só estou dando esse caso pra vocês porque se trata de estupro e as vítimas que são duas jovens, com certeza, vão se sentir melhor relatando o que houve a vocês, que são mulheres. Senão fosse por isso, eu mesmo iria nesse caso.
_Grissom a gente sabe se cuidar. Não somos novatas! – Catherine falou, pegando o papel da mão do amigo.
_Eu sei que não são, Cath, mas não custa nada avisar pra tomarem cuidado. – depois de falar com a loira ele se dirigiu a sua namorada. _Sara, colete fechado entendeu? Você às vezes ainda tem a péssima 'mania' de deixá-lo aberto, querida. Mas dessa vez é pra mantê-lo fechado, por favor!
Teri não gostou nada dessa cena e se remexeu inquieta em sua cadeira. Os demais ficaram se olharam curiosos por verem Grissom todo carinhoso com Sara na frente de Teri.
_Eu vou manter o colete fechado, Grissom. – resmungou Sara não gostando de ter sua atenção chamada na frente dos outros como se ela fosse uma criancinha.
Não satisfeito o supervisor ainda falou:
_Catherine olho nela, por favor. Não a deixe ficar com isso aberto.
Aquilo já era demais! Sara quase não acreditou naquilo. Desde quando ela tinha que ter alguém de olho nela? Virara criança agora?
Insatisfeita com o que fora dito por seu namorado, a morena se levantou de sua cadeira sem dizer nada, pegou sua maleta e olhou para Grissom.
_Eu vou finge que não ouvi isso que disse, Grissom. Vamos logo, Catherine antes que eu diga umas e outras para esse supervisor.
Catherine, Nick, Warrick e o próprio Grissom seguraram o riso diante daquele comportamento rebelde de Sara. A única que não esboçou reação nenhuma com a cena fora Teri. Enquanto Sara saía puxando Catherine corredor afora, Grissom acompanhou-a com o olhar. Depois que elas sumiram de vista, o supervisor voltou sua atenção aos que ficaram ali.
_Então, vamos ao trabalho pessoal! As duas já foram.
_Grissom está tudo bem? – Teri perguntou a ele enquanto saíam da sala.
_Sim! – respondeu de forma seca. _No fim do turno quero falar com você.
_Sobre?
_Eu disse no fim do turno, Teri. Agora temos trabalho! Warrick vamos no meu carro se importa?
_Não!
_Então vamos! – ele seguiu apressadamente com Warrick em seu encalço. Nem se deu ao trabalho de despedir-se Teria e deixou a amiga pra trás falando sozinha e com cara de tacho.
Nick que vinha atrás dela riu da cena.
_Do quê está rindo? – ela questionou ao virar-se e pegá-lo rindo.
_Do fora que o Grissom te deu. Foi bem feito!
Após falar isso ele passou por ela.
_E acho bom você vir pra irmos cuidar do nosso serviço. Temos um caso pra solucionar. – disse de costas pra ela enquanto ia se encaminhando para o elevador.
A loira bufou de raiva e a passos duros seguiu Nick. Em sua cabeça ficara a forma seca e o jeito frio com o qual Grissom a tratara.
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