Capítulo 68 - Uma pequena insegurança

_Grissom e Sidle, namorados? - Ecklie questionou incrédulo.

_Ou amantes, talvez! – Teri mudou o que disse.

A loira podia muito bem afirmar com todas as letras que Grissom e Sara eram namorados, porem achou melhor não fazer isso e resolveu apenas lançar a questão ao vento. Sabia que se contasse sobre a relação que havia entre seu amado Grissom e sua agora rival declarada Sara, poderia perder muitos pontos com Grissom que com certeza não iria gostar nada que ela revelasse seu relacionamento com a subordinada morena. Dessa forma, então, Teri decidiu não contar o que sabia e sim, apenas insinuar. No entanto, Ecklie não pareceu acreditar nada na insinuação feita.

_Teri isso é impossível!

_Por que Conrad?

_Simplesmente porque eles se detestam. Não sei nem porque cargas d’aguas eles estão dançando juntos já que não se suportam... A verdade é que esses dois não se entendem. São como cão e gato, e isso é desde que a Sidle pôs os pés no laboratório. Cansei de vê-los discutindo e se desentendendo pelos corredores do laboratório. Portanto não acredito nada que eles sejam amantes, namorados ou qualquer outra coisa parecida.

Teri estava vendo sua tentativa de persuadir Ecklie ir pelo ralo, já que o diretor geral do laboratório parecia irredutível em crer no que ela insinuava. Em vista disso, a loira tentou ser mais incisiva em suas insinuações.

_Olha Conrad, eu tenho os observados e em nenhum momento desde que vim pra cá compor a equipe do Gris vi, ele e a Sidle se desentenderem e terem essa relação 'cão e gato' que me relatou agora. O que vi foi totalmente o oposto; os dois se entendendo muito bem, bem até demais pra falar a verdade. Tem mais, na maioria dos casos é ela quem vai com ele, e certa vez no fim de um turno, os vi saindo do laboratório juntos no carro dele.

Conrad olhou bem para Grissom e Sara que estavam dançando.

Seria possível, os dois brigões do laboratório tendo um relacionamento?

Pra ele aqueles dois juntos como um casal era a coisa mais absurda que já ouviu. Conhecia a fama deles de brigas e discussões. Várias foram às vezes que presenciou cenas dessas desavenças, que agora custava e muito a crer que esses mesmos brigões agora estavam juntos e se dando bem.

Enquanto Ecklie fitava o improvável casal pra ele, Teri olhava discretamente para Conrad. Ela queria porque queria fazer com que o diretor geral do laboratório começasse a reparar no casal que ela agora queria a todo custo separar. Ardilosa, Teri tentava com suas palavras plantar o benefício da dúvida na cabeça de seu amigo de longa data.

_Eu ainda acho que isso não faz sentindo! – Ecklie resmungou ainda atento ao casal.

O Xerife que até então estava calado resolveu dar sua opinião enquanto também observava Grissom e Sara.

_Bem, Conrad, olhando para os dois, me parece que o que Teri diz talvez possa ter um fundo de verdade. – Ecklie o olhou no mesmo instante e o Xerife continuou sua fala. _Pois quem se detesta como costuma ou costumava ser com eles, não dançaria tão junto do jeito que eles estão dançando, melhor dizendo, quem se detesta nem dança com o outro, essa é a verdade.

_O Xerife tem razão! - a loira concordou e agradeceu mentalmente ao homem mais velho por ter dito aquilo.

_Será? Eles dois? Juntos?

Ecklie tinha suas dúvidas, mas depois das palavras do Xerife e de observar bem atentamente o possível casal que era o centro da conversa dos três, começou a achar que poderia haver um pouco de verdade no que era dito ali.

Percebendo que Ecklie começava a balançar com a insinuação feita, Teri deu sua cartada a fim de conseguir ouvir o que queria de Ecklie.

_Eu não sei não, mas por via das dúvidas se eu fosse você, Conrad, procurava prestar mais atenção neles, pra saber se não estão tendo algo escondido. Sei que as regras do laboratório não permitem relacionamentos entre membros da mesma equipe e sei também, que desde que você assumiu a direção geral do laboratório exige que essa regra seja cumprida por todos, não é?

_Exatamente!

_Então, procure averiguar e observá-los pra vê se eles não estão descumprindo essa regra.

_Eu acho que se o Grissom tivesse algo com a Sidle já teria informado, pois quando foi com a Susan e com você, Teri, ambas também subordinadas dele, o Grissom fez questão de informar ao Austin que era o antigo diretor geral do laboratório, ou esqueceu-se disso?

_Não, Xerife! – respondeu dando um sorriso amarelo.

_Então acho que ele não tem nada com ela, mas se tiver, tenho certeza que logo ele dirá. – concluiu o Xerife que já conhecia Grissom há um bom tempo e tinha uma ótima imagem do supervisor.

_Mas por via das dúvidas como a Teri disse Xerife, vou passar a observar esses dois mais atentamente no laboratório. Se eles tiverem tendo algo além do profissional, por normas do laboratório um deles terá que mudar de turno. Os dois, juntos, não podem ficar trabalhando! – decretou Ecklie pra alegria interna de Teri que teve que se segurar pra não rir de satisfação ao ouvir isso.

A seu ver a loira tinha conseguido seu feito. Havia deixado Ecklie com a pulga atrás da orelha em relação à Grissom e Sara. Teri tinha certeza que logo, logo o romance entre seu amado e a mulher que ela passou a odiar profundamente, seria descoberto por Conrad.

Poucos minutos após o que Ecklie disse, Teri resolveu ir embora, já tinha conseguido o que queria. O primeiro passo de seu plano havia sido dado e com sucesso, agora era esperar para dar o segundo.

A loira disse aos dois homens que estavam ali com ela que já iria embora. Despediu-se deles e em seguida se foi, porém, antes não deixou de dar uma última olhada para o casal que ela queria separar e que era o centro das atenções ali da festa.

“Aproveite enquanto pode Sidle, pois logo, logo, Grissom não estará mais com você!” Pensou Teri enquanto os olhava. Depois disso, ela foi embora dali.

Enquanto isso um casal que estava alheio ao que acontecia, continuava a dançar.

De olhos fechados, perdidos um nos braços do outro e ignorando o fato de estarem atraindo diversos olhares, Sara e Grissom dançavam uma música que dizia em seu refrão:

Você me anima, quando estou me sentindo mal.

Você me toca fundo, você me toca certo.

Você faz coisas que eu nunca fiz

Você me faz mal, você me faz selvagem.

Porque, querida, você é minha número um!

A melodia suave e a bonita letra da música para aquele casal apaixonado, era algo que os fazia viajar pra além do inimaginável enquanto estavam ali presos um nos braços do outro. Pra Grissom não havia outro lugar que ele quisesse estar naquele momento senão os braços de sua namorada. E pra ela era igual, queria estar ali, nos braços de Grissom enquanto dançavam aquela música.

Murmúrios, olhares incisivos e outros nem tanto. Tudo isso direcionados ao casal. Não havia ninguém que não os olhassem um pouquinho que fosse. Eles eram um casal que a primeira vista não tinha nada em comum, pois mais brigava, discutia e se desentendia. Porém com o tempo as brigas, discussões e desentendimentos foram desaparecendo e surgindo a empatia, as afinidades e... O Amor. Um amor forte e bonito que eles ainda não tinham sentindo por nenhuma outra pessoa de seus antigos relacionamentos.

Mais três músicas seguiram e em determinado momento, enquanto dançavam Sara abriu os olhos e percebeu os olhares que a grande maioria ali direcionava pra cima dela e de seu supervisor/namorado.

_Está todo mundo aqui nos olhando! – ela murmurou para Grissom que também abriu seus olhos e pode comprovar o que Sara disse.

_É verdade!... Por acaso isso te incomoda?

_Um pouco. Sinto-me como se fosse um animal de zoológico, preso em minha jaula e sendo observado pelos visitantes do lugar.

Grissom não aguentou e riu da comparação feita por sua namorada.

_Com certeza, eles devem estar nos olhando porque estão estranhando o fato de estarmos juntos aqui. Mais ninguém além dos nossos amigos sabem sobre a gente. Pra maioria dessas pessoas, nós dois ainda nos detestamos. Sendo assim nos ver dançando juntos é algo no mínimo inusitado pra eles.

_Aposto que devem estar pensando: “O que deu nesses dois pra estarem dançando juntos?”.

Novamente Grissom riu e pronunciou um "talvez" em resposta ao que sua namorada disse. Ela por sinal ficou calada por uns segundos até que voltou a falar.

_Gil, se importa de voltarmos pra nossa mesa?

_De maneira alguma!

_Então vamos, porque esses olhares pra cima da gente já estão me incomodando demais.

_Como quiser!

Eles então voltaram pra mesa onde os outros já estavam também conversando com Jim. Logo que se sentaram em suas cadeiras, Grissom foi alvo das brincadeiras dos outros já que Jim contara aos demais sobre o ciúme do supervisor com relação a Sara e sobre a 'artimanha' usada pelo supervisor pra não deixar Sara dançar com o policial que veio até a mesa convidar à morena.

_Pelo visto o Grissom é tão ciumento quanto a Sara! – Warrick comentou baixo só para eles ali na mesa escutarem. Os demais tirando o supervisor riram do comentário de Warrick.

E assim entre brincadeiras e conversas animadas o pessoal ficou por mais um tempo ali na festa. Depois cada um foi pra sua casa.

****

_Sabe que o Xerife me disse quando fui me despedir dele? – Grissom falou enquanto entravam na casa de Sara, logo atrás da dona do imóvel.

_Não o quê?

_Que eu tinha um ótimo gosto!

Sara olhou para Grissom com a testa franzida.

_Por que ele te disse isso?

_Não faço idéia. - ele deu de ombros e livrou-se do palito do smoking, lançando a peça no encosto do sofá.

_Estranho. Com quê propósito ele te dirigiu essas palavras?

_Vai saber!

Grissom se aproximou da namorada,  abraçou-a e fitou-a bem fundo nos olhos.

_Tenho que concordar com o quê aquele policial metido a galã disse quando foi te tirar pra dançar. Você sem dúvida alguma era a mulher mais linda daquela festa!

Ela sorriu passando os braços em torno do pescoço dele. De repente seu sorriso foi sumindo ao se lembrar do que Teri havia lhe dito durante a discussão que tiveram.

“Ele pode estar com você agora, mas logo não estará, pois vou me encarregar de te tirar da vida dele. Grissom é meu e de mais ninguém (...). Pode estar certa de uma coisa Sara, vou fazer o possível e o impossível pra tirar o Grissom de você.”

Grissom percebendo o sumiço do sorriso da namorada, questionou-a:

_O que foi? – tocou seu rosto.

_Nada.

_Nada, não. Acho que já conheço você o suficiente pra saber quando tem algo. Do nada você parou de sorrir e ficou com um olhar perdido. Quero saber por que disso.

Ela o abraçou forte escondendo o rosto no pescoço dele. Esse seu gesto o fez ter mais certeza ainda de que havia algo de errado com ela.

Um medo, uma angústia e uma insegurança tomou Sara por dentro ao lembrar-se do que lhe fora dito pela mulher que queria Grissom. E pelo que a morena percebeu, Teri não mediria esforços pra tê-lo de volta.

Sara amava seu namorado com todas as forças de seu coração e a remota possibilidade de perder aquele que se transformou no amor da sua vida fez a morena sentir-se pela primeira vez frágil como nunca havia se sentido antes.

_Me diz o que está havendo, Sara? Está me assustando com essa sua mudança repentina de comportamento.

_Se um dia a gente se separasse... Você ficaria com outra? – perguntou com uma voz embargada e voltando a fitar o rosto do namorado.

Ele se assustou mais ainda com aquilo. De onde ela tirara aquele absurdo?

_Que disparate é esse que disse?

_Não é nenhum disparate. A gente nunca sabe o dia de amanhã, Grissom. Hoje estamos juntos, amanhã pode ser que não.

_Sara...

Ela interrompeu a fala dele.

_Eu não quero nunca me separar de você, Grissom, nem te perder. Ia me doer muito se isso acontecesse um dia. Mas ia me doer muito mais, ver você com outra.

Ele viu lágrimas escorrerem do canto dos olhos dela. Isso o deixou desconcertado, pois nunca a tinha visto derramar uma lágrima sequer desde que a conheceu. Aquilo era algo inédito pra ele. Pela primeira vez, ele via sua namorada chorando e demonstrando vulnerabilidade. Tomando-a em um abraço forte, Grissom beijou seus cabelos.

_Eu te amo, Grissom! – ela murmurou enquanto estavam abraçados.

_Eu também amo você, Sara e é pra sempre! E... Se um dia, e eu espero que esse dia nunca chegue, nós viermos a nos separar, pode ter certeza que eu não vou querer mais ninguém em minha vida. Eu vou me fechar para o amor!... Olhe para mim querida. – pediu e ela o atendeu. _Meu coração não aceita outra que não seja você e isso é desde que começamos a ficar juntos!

Ela tocou seu rosto. Logo em seguida o beijou e ele correspondeu.

Eu beijei a Lua um milhão de vezes

Dancei com anjos no céu

Eu vi a neve cair durante o verão

Senti a cura de poderes superiores

Eu vi o mundo da montanha mais alta

Provei o amor da fonte mais pura

Eu vi lábios que faiscavam desejo

Senti borboletas centenas de vezes

Eu vi milagres

Eu senti a dor desaparecer

Mas ainda não vi nada

Que me impressionasse como você

****

Ele deitou-a na enorme cama, tirou com delicadeza de seus pés a bonita sandália alta que ela usava. Em seguida sob o olhar atento dela livrou-se de seus próprios sapatos e da gravata borboleta. Deitou-se sobre Sara e tomou seus lábios novamente. Desceu sua boca para beijar o queixo dela, depois o pescoço.

E como se fosse uma cena romântica de filme, eles foram se despindo lentamente de suas vestes pra assim se amarem e se entregarem da forma mais linda e sincera que duas pessoas que se amam de verdade fazem.

Enquanto estava dentro dela lhe “golpeando” com suas estocadas, os olhos azuis de Grissom não se desgrudavam dos olhos castanhos de Sara.

Porque sem você
Eu não posso dormir
Eu nunca, nunca deixarei você partir
Você é tudo o que eu tenho
Você é tudo o que eu quero
E sem você
Eu não sei o que faço
Eu não posso, nunca viver um dia sem você
Aqui comigo, você percebe? Você é tudo o que eu preciso

Logo ambos chegavam ao clímax. Grissom deixou seu corpo suado pesar sobre o de Sara. Com rosto enterrado no pescoço dela, ele sentia-se entorpecido enquanto sentia Sara acariciar suas costas. Uns segundos depois, ele beijou seu pescoço e levantou a cabeça pra olhá-la nos olhos.

_Eu não existo mais sem você, Gil!

_Nem eu sem você, Sara!

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