Capítulo 63 - Sentindo falta e pequeno confronto

Sara dormia quando o toque irritante do telefone da casa que havia em seu quarto a despertou e também despertou a Grissom.

_Gil pega esse telefone pra mim, por favor. – lhe pediu já que ele estava mais próximo da mesinha onde o aparelho se encontrava.

Ele virou-se um pouco, pegou o telefone e lhe entregou.

Ela sentou-se na cama e atendeu a ligação ainda meio sonolenta.

_Alô!

_Mamãe!

Ouvir aquela voz tão conhecida lhe chamando daquele jeito tão especial que lhe enchia a alma de felicidade, fez Sara acordar em dois tempos.

_Meu amorzinho que bom ouvir sua voz!

_A senhora tava dormindo?

_Tava, mas não importa. Estou contente de ouvir sua voz. O que está fazendo?

_Estou aqui na casa da vovó esperando o papai e o vovô voltarem do aeroporto. Eles foram buscar o tio Jason e a tia Anna que vão passar uns dias aqui.

Jason era irmão de Dylan e padrinho de Liv.

_Por que não foi junto com eles?

_A vovó pediu que ficasse com ela pra fazer uma surpresa para o tio Jas que não sabe que estou aqui.

_Hum... E está se divertindo muito aí?

Grissom agora já desperto completamente observava a conversa de Sara com a filha. Podia ver o brilho em seus olhos só de estar falando com a filha. Aquela garotinha fazia muita falta ali e não era só pra Sara, era pra ele também. Chegar ali e não vê-la era tão estranho!

_Um montão, mamãe! Sabe que quase todo dia o papai me leva pra passear em um lugar diferente?

_Puxa que legal!

_É! Mas... Mamãe!!

Sara ouviu o tom de voz da filha mudar de um alegre e alto, para um baixinho e meio tristonho.

_O que foi, meu amor?

_Aqui tá legal, eu me divirto muito, mas... Eu tô com muita, muita, muita saudade de você.

Aquilo fez seu coração de mãe se espremer e ficar tão pequeno ao ouvi-la falar daquele jeito tão tristonho. Ela agarrou a mão de Grissom que pousava em sua barriga e apertou-a. Também não estava sendo fácil suportar ficar longe de seu bebê. Estava sendo a primeira vez que aquilo estava acontecendo.

_A mamãe também tá com muita saudade de você, meu amor!

_Mesmo?

_Mesmo! – ela sorriu. _Essa casa não é a mesma sem você e a Any.

Grissom sorriu e balançou a cabeça concordando com o que Sara dissera.

_Eu também tô com saudade da nossa casa, da minha cama, das minhas bonecas, do parque e com muita saudade do... Gil! – Sara olhou encantada para seu namorado. _Diz pra ele que eu tô com saudade dele e que eu mandei um beijão bem grande pra ele.

_Eu digo sim, meu amor. – sorriu ao falar.

E por mais alguns minutinhos, elas conversaram e depois a menina desligou.

Sara suspirou olhando para o telefone em suas mãos e em seguida, colocou-o na mesinha ao seu lado na cama.

_Ai, Gil, eu sinto tanta falta da minha filha! – se deitou agarrando-se ao namorado como se ele fosse seu travesseiro.

_Eu sei.

_Sabe o quê ela disse?

_O quê? - beijou a testa da namorada.

_Que também sente muita a sua falta.

Ele sorriu todo bobo.

Aquela garotinha era especial demais pra ele. Ganhara seu coração antes mesmo da mulher que estava em seus braços. De um jeito inexplicável se via muito na filha de Sara e apesar de não saber como era amar um filho, já que não tivera a chance de ter um, talvez aquele sentimento tão forte que guardava dentro de si por aquela menininha fosse algo semelhante ao amor de pai. Amava Liv como se ela fosse sua filha.

_E eu também sinto muito a falta dela, Sara. – beijou agora os cabelos de sua namorada e a apertou em seus braços. _E sabe de uma coisa? Você e ela são as pessoas mais importantes que tenho agora na vida.

Ela levantou a cabeça de seu peito e o encarou nos olhos.

Onde aquele homem se escondera que não o via antes quando o conheceu?

Seus dedos finos tocaram a extensão do rosto dele e depois desenharam seus lábios.

_Você é incrível sabia? Acho que é por isso que eu te amo tanto!

Incrível era ela que a cada olhar, a cada sorriso, a cada declaração como aquela e a cada momento compartilhado, lhe fazia imensamente feliz.

****

_Gil?? – Sara o chamou enquanto abotoava sua blusa em frente ao espelho. Daqui a pouco já sairiam para o laboratório.

De dentro do banheiro onde terminava de escovar os dentes, ele balbuciou um “hum” em resposta ao chamado dela.

_Por conta daquela sua brincadeira de logo mais cedo, eu nem consegui te contar sobre uma desconfiança que anda martelando na minha cabeça.

Ele que havia terminado naquele instante de escovar os dentes, apareceu no quarto de Sara.

_E que desconfiança é essa? – a olhou intrigado.

_Que sua amiguinha...

_É Teri, Sara. – ele a interrompeu. _Por que não a chama pelo nome ao invés desse “amiguinha”?

Ela se virou pra encará-lo já que estava de costas pra ele.

_Porque... - foi andando lentamente até parar bem a frente dele . _Me dá alergia falar o nome dela. – sorriu de forma irônica pra ele.

Grissom balançou a cabeça e não conseguiu conter um pequeno sorriso por ouvir aquilo. Sua namorada era impossível. Se ela não existisse seguramente teria que ser inventada!

_Eu já disse que você é maluca? – sorriu após perguntar.

_Muitas vezes! – ela devolveu o sorriso a ele. _ Mas como eu ia dizendo... Eu desconfio que a loira aguada lá que é sua amiga, talvez de alguma forma tenha descoberto sobre nós.

_Que? – ele fez uma cara de surpreso.

_Não sei, mas pra mim ela sabe.

_Claro que não, Sara. Como ela ia saber disso se não fosse por nós?

_Bom eu não faço idéia, mas ninguém me convence que ela não saiba disso.

_Acho que está vendo coisas.

_Não estou não, Grissom. Eu já reparei que ela fica me encarando diversas vezes durante o turno. Fica nos encarando quando estamos juntos perto dos outros e outra, ontem quando ela falava comigo sobre a tal ajudinha particular que precisava de você, eu senti que ela falava aquilo pra me provocar.

_Provocar??

_É, e você sabe que eu não sou de aguentar provocação por muito tempo. Se ela continuar com isso, eu vou acabar perdendo a paciência.

_Olha... – ele segurou suas mãos nas dela. _Não ligue para o que ela faz e diz, ignore as provocações dela.

_Ignorar?? É fácil pra você falar isso não? Porque não é você quem está sendo provocado. Queria ver se alguém do meu passado, digamos o meu ex-marido viesse pra Vegas e ficasse te provocando se...

Ela foi calada por um beijo arrebatador dele. Só de imaginar aquilo que ela diria, ele já perdeu o rumo. Não ia suportar e nem conseguiria ignorar uma provocação ou o fato de alguém dando em cima dela. Se ela era ciumenta, pois ele também era e muito!

_Deixa a Teri e as provocações dela pra lá. – murmurou após o beijo.

_Eu até posso fazer isso, mas desde que ela também me deixe. E, pelo que eu vejo, ela não quer fazer isso. Ela quer me provocar, Grissom e isso não vai dá certo.

_Eu sei que não. – suspirou o supervisor. _ Mas me disse que não faria nada que te prejudicasse dentro do laboratório. Eu espero que mantenha isso.

_E vou. Não se preocupe.

_Ótimo! Agora acho bom terminarmos de nos arrumar que já está quase na hora de sairmos.

****

Agachado analisando o pára-choque de um carro, Grissom estava bem concentrado em achar algo ali, que nem percebeu a aproximação de certa loira atrás de si.

_Droga! – praguejou ao não encontrar nada.

_Não encontrou nenhuma evidência?

Ele virou o rosto um pouco em direção a Teri.

_Infelizmente não! – se levantou e tirou as luvas. _Alguma novidade sobre a sobrevivente do acidente?

_Acabei de vir do hospital e o médico me disse que ela entrou em coma.

Ele suspirou.

_Ela era a única que podia nos dar alguns esclarecimentos a respeito do motivo de estarem fugindo. - comentou com pesar

_É!

Eles ficaram em silêncio.

_Algum problema, Teri? - O supervisor percebeu segundos depois que a loira lhe olhava de forma insistente.

_É que... – ela deu um passou em sua direção e ele deu outro em recuo. _Por que se afasta?

“Pra evitar problemas a mim e também a você!” – respondeu em seus pensamentos.

_Quer me dizer algo? - ele a questionou.

_Não só quero limpar essa mancha de graxa do seu rosto, não se mexa.

Ela se aproximou e começou a limpar seu rosto. Nesse mesmo instante, Sara aparece onde eles estão e não gostou nada do que viu.

_Atrapalho? – perguntou da porta ao ver a cena de seu namorado sendo tocado no rosto por outra.

Grissom se afastou as pressas de Teri no exato momento em que ouviu a voz de sua namorada atrás deles.

_Não. Novidades? – evitou olhá-la.

Sabia que ela não devia ter gostado nada de tê-lo pego naquela situação com Teri, mas ele não teve culpa daquilo. Quando iria tirar a mão dela de seu rosto, Sara apareceu ali.

_As fitas de seguranças chegaram e você pediu pra ser avisado disso.

_Ótimo! Vou analisá-las agora mesmo, já que não encontrei nada nesse carro.

_Se quiser eu posso te ajudar a analisar as fitas, Gris. – olhou pra ele e depois pra Sara que estava séria.

_Eu agradeço sua disponibilidade em me ajudar, mas Sara vai fazer isso comigo. – ele inventou logo. _ O que você podia fazer é ir ver se o toxicológico do motorista já saiu.

_Sem problema, Gris! – forçou um sorriso pra ele.

_Vamos Sara?

_Vai indo na frente é que eu vou pegar uma coisa antes.

_Pegar o quê?

_Uma coisa, eu já disse. – ele ficou parado olhando pra ela e depois pra Teri. _Vai, Grissom. Eu já vou.

Ele estava com receio de deixá-la sozinha com Teri. Aquilo não estava com cara de que ia dar certo, mas mesmo assim saiu deixando as duas ali.

Depois que ele saiu, Sara encarou seriamente Teri.

_Por acaso ele não te disse que tem namorada? – Foi curta e grossa.

_Disse! – havia um sorriso cínico ao lhe dar aquela resposta.

_E mesmo assim insiste em dar em cima dele?

_Eu não estava fazendo isso.

_Ah, não?

_Não. Mas quem é você pra ficar cobrando o fato de eu estar ou não dando em cima dele?

“Eu sou a NAMORADA dele!”

_Sou amiga da namorada dele e se fosse você pararia de ficar se insinuando pra ele, porque vai acabar se dando mal.

Sara viu a mulher a sua frente esboçar um sorrisinho debochado.

_Não tenho medo da namorada dele, querida. E me faz um favor, avisa pra ela que vim disposta a reconquistar o Gris e não vou desistir disso.

Dito isso, a loira saiu da sala deixando pra trás uma Sara enfurecida.

_Essa mulher está pedindo pra levar na cara e ela vai levar!

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