Capítulo 58 - A ciumenta
Na sala de conveniência Sara tomava uma água enquanto tentava esfriar a cabeça pra não fazer uma besteira com aquela mulher abusada de nome Teri.
Catherine passou ali em frente e vendo a amiga lá dentro da sala, entrou pra falar com ela.
_O que faz sozinha aqui Sara?
_Tentando me acalmar pra não dá uma boa lição naquela tal de Teri, mas está bem difícil isso.
A loira riu.
_Essa mulher é abusada demais, Cath!
_Eu te disse. Teri pediu pra ser abusada e exagerou no pedido!
_Ela cerca o Grissom o tempo todo; dá em cima dele descaradamente; fica chamando-o de 'querido' a todo instante. E você acredita que quando estávamos no carro indo pra cena do crime, ela disse que ele continuava tão bonito e charmoso quanto ela lembrava e depois ainda tocou no rosto dele como quê acariciando-o?
_O pior é que eu acredito. Mas qual foi a atitude do Grissom quando ela fez isso?
_Disse pra ela parar com aquilo!
_E você?
_Eu o quê?
_Não quis esganá-la pelo o que fez?
_Esganá-la não, mas matá-la? Sem sombra de dúvida! Só que resisti à tentação.
Catherine riu de novo enquanto balançava a cabeça de leve.
_Isso por que você disse que não era ciumenta, não é? – provocou a loira.
Sara a encarou com uma das sobrancelhas arqueadas e quando ia responder aquela provocação da loira o bip de Catherine tocou a impedindo de falar o que queria à amiga. Cath viu que era Nick avisando-a que o carro do caso que estavam trabalhando, havia chego pra eles analisarem.
_Tenho que ir, Sara, o deve me chama, ou melhor, Nick está me chamando.
_Vai lá. Vou dá só mais um tempinho aqui e depois volto ao meu serviço.
Antes de ir porém, Catherine não resistiu e disse à Sara:
_Se por acaso, você não conseguir se acalmar e decidir mesmo esganar à Teri... me chama que eu te ajudo com muito gosto, viu?
A loira sorriu pra Sara que inevitavelmente também sorriu com o que ouviu. Catherine então saiu dali.
****
Sozinho em sua sala enquanto faltavam poucos minutos para o fim do turno, Grissom tentava se concentrar em uns papéis que lia, mas não conseguia isso. Seus pensamentos estavam em tentar supor o quão encrencado poderia estar com sua namorada depois de tudo que Teri havia feito à ele no turno.
A julgar pelo corte que Sara lhe deu há algumas horas atrás quando tentou iniciar uma conversa com ela à respeito de Teri, ele estava muito encrencado. Ouviu uma batida na porta.
“Tomara que não seja a Teri pra piorar ainda mais a minha situação!”, pensou o supervisor antes de ordenar que a pessoa entrasse.
Assim que a porta foi aberta, ele viu entrar em sua sala uma morena que veio em sua direção pisando duro e demonstrando estar visivelmente irritada. E com isso, Grissom viu que o grau de irritação dela para com ele estava passando do pra lá de Deus me livre!
_Meus relatórios... QUERIDO! – ela disse esse “querido” com um sarcasmo assombroso ao mesmo tempo em que colocava, ou melhor, jogava os papéis sobre a mesa do supervisor que engoliu à seco ante aquilo.
O olhar que Grissom via Sara lhe lançar não era nada bom, assim como, aquela forma sarcástica de falar que era pior ainda. E o supervisor ainda a ouviu completar sua fala ao dizer:
_Não é assim que essa Teri que veio lá de não sei onde te chama seu cretino? – cruzou os braços enquanto fuzilava-o com o olhar.
Sara não sabia como tinha conseguido se segurar ante todas as investidas de Teri sobre seu namorado. Queria ter lhe dito poucas e boas quando ela o tocou no carro ou quando lhe cercava pra ficar se insinuando pra ele, mas resistiu e se segurou em não fazer isso. Porem com ele, ela não iria se segurar. À ele, ela diria tudo e despejaria toda a raiva que estava sentindo por conta daquela situação que teve que suportar.
Da sua cadeira Grissom quase quis rir, mas de nervoso quando ouviu o que Sara disse e viu o seu jeito de encará-lo. Era claro e evidente que sua namorada estava com ciúmes dele e por isso aquela cena que fazia. Ele sabia e muito bem que se esboçasse um sorriso que fosse mesmo sendo de nervoso ali na frente de Sara, ela era capaz de entender que ele estava debochando dela e com isso, era certo que viria pra cima dele com aquelas mãos pesadas na intenção de estapeá-lo. Então para seu bem era melhor segurar qualquer riso, mesmo de nervoso pra não ser estapeado.
_Vai ficar só me olhando ou vai dizer algo? – ela falou vendo que ele não se pronunciava.
_Sei que não deve ter gostado nada do que a Teri fez e...
Ela nem o deixou continuar e com ironia foi dizendo:
_Não devo ter gostado? Pelo contrário, eu gostei. Não consegue ver o quão contente estou por ter aturado o que essa mulher fez durante o turno todo. – após falar ficou séria.
Jesus!
Aquele tom irônico e aquela expressão séria era algo nada agradável. Grissom via sua situação mais preta que o mapa do inferno!
_Eu lamento profundamente por essa situação extremamente desagradável que teve que aturar.
_Você sabia que era essa sua ex que viria substituir o Greg? – ignorou o que ele disse.
_Como sabe que ela é uma ex minha?
_Sabendo!
_Foi a Catherine que te disse, não foi?
Era lógico que tinha sido ela, pra quê ele ainda perdia tempo em perguntar aquilo se sabia que tinha sido sua amiga língua solta quem dissera.
_Dá pra responder o que te perguntei Grissom? – ela de novo ignorou uma pergunta dele.
_Eu não sabia que era ela, Sara. Senão se lembra ontem, eu disse que Ecklie não havia dito o nome da pessoa que viria. Soube que era Teri quando cheguei ao laboratório e fui à sala do Ecklie. Agora VOCÊ pode responder se foi a Catherine mesmo que te contou sobre a Teri? - insistiu na pergunta.
_Foi ela sim. Por quê? Não era pra eu saber?
_Sim, mas por mim. Eu que tinha que te contar.
_E em quê momento faria isso? Quando chegou de braços dados com sua ex ou quando estávamos no seu carro e ela te cantava e te passava a mão?
Grissom ia abrir a boca pra responder, mas Warrick sem saber o que se passava ali dentro, bateu na porta e abriu-a impedindo a fala do supervisor.
_Grissom... Desculpa se estou interrompendo... – o moreno pode sentir de imediato que o clima não estava nada amistoso ali. _Mas é que já acabou o turno e queria saber se os outros e eu já podemos ir?
_Podem sim, Warrick. Avise o pessoal que estão todos dispensados, por favor.
_Aviso sim, pode deixar.
_Obrigado!
Warrick assentiu e saiu apressadamente da sala vendo que a coisa ali não estava nada boa e já podia imaginar o por quê.
_Será que podemos continuar essa conversa na sua casa?
_Eu acho melhor mesmo!
****
Indo cada um em seu carro, eles seguiram para a casa da perita. Em questão de vinte minutos eles estacionavam. Sara desceu e nem esperou Grissom sair do carro dele. A morena abriu o pequeno portão, depois a porta e entrou em casa deixando pra que seu namorado fechasse a porta quando entrasse na casa.
Com passos cautelosos, Grissom entrou, fechou a porta e viu que na sala Sara não se encontrava, então seguiu para a cozinha e ali a encontrou de costas pra porta. Ela assim que se deu conta da presença dele ali começou a falar.
_Foi no mínimo ridículo o comportamento daquela mulher. – Sara disse se virando pra encará-lo.
_Eu sei que foi. – concordou com ela, pois sabia que tinha razão. _E pode ter certeza que me senti bastante incomodado com o que ela fez.
_Ela é uma abusada e descarada!
Ele viu sua namorada quase que cuspir aquelas palavras de forma bastante furiosa.
Era nítida a irritação dela e ele não tirava sua razão pra estar assim. Se estivesse em seu lugar também estaria desse mesmo jeito.
Devagar Grissom foi se aproximando da namorada que estava encostada a pia e de braços cruzados fitando-o séria.
_Quero que entenda uma coisa, Teri não passa de apenas uma amiga pra mim agora. – disse parado bem em frente a ela.
_Só que ela quer ser mais do que apenas sua amiga. Ela quer é voltar com você.
_Ela vai continuar querendo, pois não tenho qualquer pretensão de voltar com ela. O que posso oferecer a Teri e ela sabe muito bem disso é minha amizade e nada mais. - Ele tocou o braço de Sara com a ponta de seus dedos. _O que tive com ela faz parte do meu passado, um passado muito distante. Não tenho sentimentos amorosos por ela e já deixei isso claro à Teri muitas vezes. Agora não tenho culpa se ela não entende isso ou se faz de desentendida e continua dando em cima de mim.
Ela suspirou.
_Não gosto dessa situação! – Sara confessou após uns segundos que eles ficaram em silêncio depois do que Grissom disse.
_Eu tampouco! – ele disse erguendo os ombros.
Sara o olhou bem nos olhos.
Castanhos nos azuis em uma conversa muda.
Depois sem dizer nada, ela escondeu seu rosto no peito de Grissom enquanto suas mãos seguravam-no pelos quadris.
_Eu odeio essa tal de Teri! Ela é uma oferecida!
Ele deu um leve sorriso pela forma emburrada como Sara disse aquilo, em seguida beijou a cabeça dela.
_Olha, te garanto que esse comportamento dela não me agrada, só que infelizmente ela não muda. Mas acredite, Teri não me interessa a não ser como amiga. – Sara o olhou. _Ela pode se insinuar o quanto for que pra mim pouco importa. Meu coração já tem dona e é você, acredite em mim!
E ela acreditava de verdade, pois via em seus olhos e sentia em suas palavras a sinceridade.
_Eu acredito!
_Não vai mudar nada entre nós, não é?
_Não! - ela disse antes de beijá-lo.
****
_Posso te pedir uma coisa?
Eles agora estavam na sala sentados bem juntinhos no sofá.
_Pode!
_Conversa com essa Teri. Eu não quero vê-la te tocando de novo como ela fez no carro e nem te chamando de querido.
_Eu vou falar com ela pode deixar. Iria fazer isso mesmo se não me pedisse.
_Faz mesmo, porque se ela te tocar de novo, a minha mão vai tocar nela e vai ser bem na cara dessa mulher!
Grissom arregalou os olhos e Sara não pode deixar de rir da expressão de espanto dele.
_Minha nossa! Teria coragem de fazer isso?
_Quer pagar pra vê? - desafiou.
_Não!
_Então fala com ela, senão sua amiga vai sentir o peso da minha mão.
Ele balançou a cabeça rindo. Sua namorada era maluca e bem ciumenta.
_Não se preocupe vou falar com ela... Ciumenta!
Ela o olhou no mesmo instante em que ele lhe chamou daquilo.
_Eu não sou ciumenta! – disse se defendendo.
_Ah, não? E esse comportamento todo não é por ciúmes?
_Não! – ela retrucou.
_Por que será que eu não acredito? - sorriu pra ela que apertou os lábios pra não rir dele.
_Não faço idéia!
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