Capítulo 49 - Foi um inseto que me picou!

Sara abriu a porta de sua casa devagar, ao entrar escutou risadas vindas da cozinha. Bom, pelo jeito sua filha já havia chego da escola antes dela chegar da casa de seu namorado.
A perita se encaminhou até a cozinha encontrando lá Any e Lívia com os cabelos e os rostos brancos de farinhas. As duas riam uma da outra e nem notavam que Sara estava ali na porta observando-as e também rindo do estado deplorável que as duas se encontravam.

_Liv olha só, estamos parecendo...

_Dois fantasminhas!

Sara completou rindo e chamando a atenção das duas, que imediatamente olharam pra ela.

_Mamãe!!

Liv que estava em cima de um banquinho ao lado de Any pulou do banco e foi até Sara.

_Você demorou hoje. – cobrou de mãe.

_É que a mamãe teve que ficar um pouco mais no laboratório. – inventou enquanto carregava a filha que logo lhe deu um abraço que deixou sua blusa escura toda suja de farinha. Depois do abraço, Sara perguntou à Any o que tinha acontecido pra elas estarem assim sujas de farinha.

A babá passou um pano pra limpar a farinha de seu rosto e depois que limpou um pouco, explicou o quê houve.

_Eu fui pegar uma tigela de dentro do armário e acabei sem querer, derrubando em cima de mim e da Liv o saco de farinha que estava aberto. – balançou a cabeça pra tirar a farinha que ainda tinha ali.

_A Any tá engraçada de cabelo branco não é mãe? – Liv perguntou, rindo sapeca o que fez Sara também rir.

_É mesmo, mas você também está mocinha! – ela apertou de leve o narizinho da filha que se divertia com a situação.

_Pois é, está parecendo uma velinha. – Any brincou.

As três começaram a rir e enquanto ainda riam, Liv que continuava no colo de Sara viu sem querer a marca vermelha no pescoço da mãe.

_Puxa, mamãe, você se bateu? É que tem um “dodói” aqui no seu pescoço. – apontou pra marca.

Sara gelou ao ouvir a filha. Com aquela cena engraçada de Liv e Any, a perita até havia se esquecido por segundos daquela marca infeliz que Grissom tinha lhe feito. Mais que depressa, ela tratou de descer Liv de seu colo colocando-a de volta no chão e depois, tentou explica o que era aquilo em seu pescoço.

_Eu não me bati, Liv... Isso foi... Hum... Foi um inseto que me picou quando estava trabalhando! – falou a primeira idéia que lhe veio à cabeça.

Que mentira deslavada!

_Doeu? – inocente a menina perguntou.

Doeu nada! Pra dizer a verdade, ela nem sentiu quando aquilo foi feito nela. Se Grissom não vê e lhe diz, não saberia até agora da existência daquela coisa ali.

_Não!

_Deixa, eu dá uma olhada nisso, Sara pra...

_Não!! – falou depressa, quase gritando e depois, deu dois passos para trás já que Any veio em sua direção.

_Cruzes, Sara!! Também não precisa gritar. – disse se assustando. _Só queria ver pra saber como estava e se não tinha sido sério.

_Eu sei me desculpa, mas não precisa se preocupar que não foi sério. Greg me deu uma pomada pra que passasse e já estou melhor.

E mais mentira, ela inventava! De onde havia tirado tanta criatividade pra mentir tão rápido assim?

_Tudo bem então! – Any disse sem insistir mais.

_Acho melhor você levar a Liv pra tomar banho e também tomar um pra tirarem essa farinha toda de vocês. Deixa que eu limpo a cozinha Any.

_Ok, mas daqui à dez minutos você desliga o forno pra mim, que já vai ter dado tempo da torta ter ficado pronta.

_Pode deixar que desligo.

_Vem Liv! – Any chamou a menina.

As duas saíram da cozinha e Sara pode respirar aliviada.

_Grissom, eu devia te esfolar por ter me metido nessa! – murmurou pra si mesma.

Algumas horas mais tarde....

_Droga! – ela tirou outra blusa e jogou-a na cama.

Sobre a cama de Sara um amontoado de blusas se formava ali. Em meia hora ela tinha que sair pra ir trabalhar, só que não encontrava uma blusa pra ir. Já tinha experimentado todas de seu guarda roupa, mas nenhuma delas servia, porque não cobria aquela marca horrorosa que agora já se encontrava roxa em seu pescoço. E esse fato estava começando a deixar a perita irritada.

_Grissom, eu juro que se você me fizer outra marca dessas maldito, te arranco os olhos! – dizia irritada enquanto olhava no espelho de novo aquela marca.

_Ah! Quer dizer que foi o Grissom que fez isso com você e não um inseto como havia dito antes?

Any falou escorada ao batente da porta. Fazia uns minutos que estava ali observando Sara falar sozinha e ria dela.

Sara se virou depressa e pode ver o sorriso malicioso que a loira exibia. Pensou em negar aquilo, mas não tinha como, Any já havia ouvido mesmo e a julgar pelo sorriso que ela ostentava também já devia fazer idéia do que aquilo se tratava. Então sem saída, Sara acabou confessando a verdade a loira.

_Ok, não foi um inseto, quer dizer, até foi... Foi um inseto chamado: Grissom! – falou bufando.

Any não aguentou e riu alto daquilo. Sara quando estava irritada saía com cada uma.

_Me diz como é que eu vou esconder isso pra ir trabalhar? Olha a marca que aquela criatura fez em mim Any.

A loira ainda rindo foi em direção à Sara e pôde ver a marca roxa.

_Ou!! Isso é uma senhora marca, hein Sara? – brincou rindo. _Grissom te marcou muito bem. Acho que ele fez isso pra que os outros vejam que agora você tem dono. – ela resolveu tirar um sarro da patroa.

_Dono?? – ela olhou pra Any com a testa enrugada. _Eu não sou cachorro pra ter dono, Any!

De novo Any riu. Ela estava se divertindo com aquilo.

_E dá pra parar de ficar rindo e me dá uma idéia de como esconder isso. Eu tenho que ir trabalhar daqui a pouco e nenhuma das minhas blusas escondem essa coisa que o Grissom me fez.

A perita cruzou os braços e encarou Any que foi parando de rir aos poucos.

_Ok, vou parar. – ela disse ainda com um discreto sorriso.

_Ótimo! Agora me dá uma idéia.

_Tá. Hum... Você disse que nenhuma das suas blusas cobre isso, não é? – Sara afirmou balançando a cabeça. _Certo, então faz uma maquiagem por cima. – sugeriu.

_Maquiagem?

_É. E pra disfarçar mais, coloca o cabelo bem em cima disso e vai de casaco hoje. Acho que desse jeito não tem como verem isso.

_Tomara que não mesmo!

Sara fez o que Any sugeriu e já menos emburrada chegou ao laboratório. Foi pra sala de descanso encontrando todos exceto Grissom na sala. Depois de uns cinco minutos, o supervisor apareceu na sala. Ao adentrar ali, ele trocou um rápido olhar com Sara e logo em seguida dividiu os casos.

Sara ficou com Greg, Warrick com Grissom, e Cath com Nick. Após a divisão dos casos as duplas seguiram pra resolverem seus casos.

****

Ela olhava atentamente na parede da sala as fotos tiradas na cena do crime. Estava tão concentrada e focada em observar e achar algum detalhe que ajudasse no caso, que nem reparou quando Greg entrou na sala a qual estava. Assim que ele lhe chamou, ela inevitavelmente levou um susto.

_Foi mal, não queria te assustar.

_Tudo bem! Novidades com a arma e a digital que encontramos?

_A arma está com a numeração bastante raspada e apagada, então deixei com o Bob pra ver se ele consegue obter o número, mas ele disse que vai levar um tempinho pra isso. Quanto a digital, ou melhor, parcial que encontramos não consta no sistema.

_Que maravilha! – resmungou revirando os olhos.

_E as fotos, conseguiu encontrar o que procura?

_Ainda não, mas vou consegui. – ela respondeu voltando seus olhos para as fotos a sua frente. _Sinto que nessas fotos tem alguma coisa que pode nos ajudar. Talvez na hora deixamos passar algo na cena e agora, quem sabe, com mais cuidado e atenção não encontramos?

_Pode ser! Se quiser te ajudo. Quatro olhos são bem mais rápidos que apenas dois.

_Claro!

E assim eles começaram a observar bem atentamente as fotos. Em determinado momento, Sara fez um movimento com o pescoço que começava a doer um pouco por ficar com ele inclinado pra ver melhor as fotos. No que ela fez isso, Greg a olhou e viu a marca que já não estava mais tão disfarçada pela maquiagem. Tão logo ele viu aquilo, foi direto em questioná-la pegando a amiga totalmente de surpresa.

_Sara isso é um chupão no seu pescoço?

Ela o olhou imediatamente e por instinto cobriu com a mão a marca e lhe respondeu um "não" assustada.

_Mas bem que parece um. – ele encarava a amiga bem desconfiado.

_Só que não é Greg. – dissimulou. _Isso foi um inseto que me picou! – usou a mesma desculpa que deu a filha e rezou pra ele acreditar.

_Inseto? – ele franziu a testa e deu um sorriso nada inocente.

Sara teve certeza que ele não caiu em sua desculpa furada feito um buraco sem fim. Mesmo assim, ela resolveu manter aquela farsa adiante.

_É um inseto. Eu... hum... sou alérgica à certos insetos. Então quando eles me picam, eu fico assim.

_Sei!! – falou sem acreditar naquilo. _E que inseto foi esse?

_Sei lá, um mosquito talvez. Eu não sei bem, porque não vi direito, Greg.

_Se não o viu direito como pode dizer que foi um inseto que te picou? – a questionou.

Ela o olhou com a testa franzida e pra evitar se enrolar mais do que já estava, Sara resolveu encerrar aquele assunto.

_Olha Greg, vamos deixar esse assunto pra lá, porque não interessa. Além do mais, temos um caso pra solucionarmos. Então acho bom você ir ver se o Bob ja conseguiu obter a numeração da arma e deixa que eu continuo olhando as fotos sozinhas.

Ele entendeu perfeitamente o corte que ela lhe deu.

_Tudo bem, não precisa ficar assim, já tô indo!

Greg se encaminhou pra porta e saiu dali com um sorriso bem malicioso. Pra ele aquele papo de inseto era conversa pra boi dormir, dormir não, roncar. Aquela marca estava mais pra um chupão do quê pra picada de inseto e Sara não quis admitir isso.

“Sara, Sara, eu não nasci ontem pra acreditar nessa sua história furada! “ – pensou o jovem rindo.

Durante todo o turno enquanto tentavam solucionar o caso, Sara podia notar Greg a olhar como que lhe analisando e algumas vezes, o viu esboçar um sorrisinho muito suspeito.

Sua vontade era de pegar certo supervisor que era o culpado por ela está nessa situação, e lhe dá uma bela lição pra não fazer mais isso.

****

Na sala de descanso com os casos resolvidos, todos esperavam dar o horário pra irem embora. Sentado em sua cadeira, Greg olhava discretamente pra Sara que conversava com Catherine e nem percebia o olhar do jovem em sua direção.

Sanders às vezes soltava um sorriso ao se lembrar da desculpa que sua colega de trabalho deu pra justificar aquilo em seu pescoço. De repente, ele quis provocar um pouco sua amiga pra ver como ela reagia.

_Grissom...

Ele chamou o chefe que estava concentrado fazendo uma de suas palavras cruzadas. O supervisor o olhou e então Greg começou a falar.

_Como entomologista você consegue identificar que tipo de inseto nos picou, assim só de olhar?

_Talvez por quê?

_Espera aí. Sara vem cá rapidinho! – a chamou, pois ela estava do outro lado da sala.

Ela veio até onde os dois homens estavam. E nisso os outros já prestavam atenção na cena.

_O que é, Greg?

_Mostra pro Grissom aquela marca do inseto que te picou no pescoço, pra ele vê e dizer que bicho foi esse que te fez isso.

Santa mãe!

A morena engoliu à seco e olhou pra Grissom sem conseguir dizer nada. E ele que sabia do que se tratava aquela coisa, já que ele mesmo foi o autor daquilo ficou também sem saber o que dizer.

_Que marca foi essa, Sara?

_Foi uma marca besta, Nick. Greg não tem pra quê ficar espalhando para todo mundo que eu estou com isso.

_Não é pra todo mundo. Além do mais, Grissom pode te dizer que bicho é esse pra que evite dele chegar perto de você de novo. Não é chefinho?

_Greg olha...

_Eu não vou deixar esse limão azedo tocar no meu pescoço. – olhou pra Grissom rezando pra que ele entendesse que era pra dizer que não tocaria nela e ele entendeu.

_Pois eu é que não vou te tocar mesmo. Fique com essa marca em você. – ele se levantou da cadeira. _Estão todos dispensados.

Depois disso, ele saiu mais que depressa dali.

_Vocês dois não tem jeito mesmo, não é? Quando pensamos que estão se dando bem se desentendem. Vou indo, tchau! – Catherine saiu seguida por Warrick e Nick.

Sobrou na sala só Sara e Greg. Ela olhava seu amigo como se quisesse matá-lo ali mesmo.

_Posso saber por que raios foi dizer ao Grissom pra olhar o meu pescoço, Greg?

_Foi só pra te ajudar, Sara, apenas isso. – se fez de inocente.

_Então na próxima vez que for querer me ajudar pergunte se eu quero ser ajudada primeiro, Greg. Entendeu?

_Perfeitamente!

_Ótimo! Até amanhã!

Ela saiu deixando-o sozinho. Assim que ela sumiu no corredor, ele caiu na risada. Já tinha a confirmação que aquilo não era mesmo uma picada de inseto, porque se fosse qual era o problema dela mostrar?

E como ela não quis fazer isso é porque aquilo era mesmo um chupão. Agora era saber quem era o autor daquilo e isso por enquanto, ele não procuraria saber, mas pra frente quem sabe.

****

_Eu acho que devia te jogar pela janela desse apartamento!

Sara falou entrando no apartamento assim que Grissom abriu a porta.

_Não sabia que tinha instintos assassinos! – brincou com ela.

_Isso, brinca bem. Eu quase tive um infarto com aquela cena do Greg.

_Acho que está exagerando um pouco, Sara.

_Exagerando?

_É. Até que se saiu bem da situação.

_Me saí bem? Sabia que minha filha viu isso? E Any também?

_Viram? E o que disse?

_A mesma coisa que disse ao Greg, que foi um inseto me picou. Mas Any acabou descobrindo que foi você que fez isso. – deu uma tapa de leve no braço dele.

Ele gemeu e depois riu passando a mão em cima do lugar que ela havia batido.

_Agora não tem mais como apagar isso. Pelo menos ninguém mais do laboratório viu, ou viu?

_Não!

_Então pronto! – ele foi se aproximando devagar de Sara que ainda parecia irritada com aquilo. _Por que não esquece esse fato? Ontem me disse que tinha me perdoado pelo que fiz.

_Ontem. Passado, Grissom. Hoje é outro dia. E toda vez que olho essa marca me dá vontade de te esfolar, sabia?

Ele a puxou pra ele e riu dela.

_Do que está rindo? – resmungou.

_De você.

_Virei palhaça por acaso?

_Não, mas é que... Você fica engraçada e linda irritada assim.

Ela o fitou com uma das sobrancelhas erguidas e em seguida seus braços contornaram o pescoço dele.

_Está tentando me comprar com elogios é, limão azedo?

_Depende, estou conseguindo?

_Está indo bem, mas tem que usar mais do que elogios pra me comprar.

_E se eu tentar te comprar com ações vou ter mais sucesso?

_Quem sabe, por que não tenta? – falou deixando escapar um sorriso.

Ele colou mais seus corpos e juntou suas testas. Logo depois foi a vez de seus lábios se juntarem. À medida que iam se beijando, Grissom ia empurrando Sara de costas até o sofá. Assim que chegaram lá, o supervisor tirou sua blusa e a fez se deitar ali e antes de cobrir seu corpo com o dele tirou sua camisa e atirou-a no chão. Deitou-se sobre Sara e voltaram a se beijar.

As mãos de Sara desabotoaram seu cinto e no momento em que ia descer sua calça, a campainha toca e eles param imediatamente de se beijar.

_Você está esperando alguém?

_Não. Deve ser o porteiro que se esqueceu de me entregar alguma correspondência. – ele se levantou de cima dela e fechou seu cinto. _Vou atender rápido não se mexe daí.

_Tá, mas antes de abrir a porta se certifica quem é primeiro.

_Eu sei, Sara, não sou criança.

Ela deu língua pra ele que riu.

Grissom se encaminhou até a porta e olhou pelo olho mágico e quando viu quem era, arregalou os olhos.

_Sara, temos um pequeno problema. – murmurou voltando para o sofá pra falar com ela.

_Que problema, Grissom?

_Não é o porteiro quem está do outro lado da porta.

_Quem é então? – se levantou do sofá.

_É o Jim!!

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