Capítulo 45 - Namorados enamorados
Uns raios tímidos de sol entravam pela fresta da janela do quarto. Deitada de bruços com um lençol lhe cobrindo da cintura pra baixo, deixando à mostra suas costas desnuda, Sara foi despertando devagar. Ainda sonolenta, ela não reconheceu onde estava ao abrir os olhos. Foi só depois que lhe veio à lembrança do quê tinha acontecido na noite passada, que a morena lembrou-se exatamente de onde se encontrava e esboçou um sorriso.
Como o mundo dava voltas e pregava peças!
Ela tinha tido uma noite incrivelmente maravilhosa com aquele que por um longo tempo vivia às turras e não se entendia de jeito algum. Só de relembrar o romantismo dos gestos e carícias dele, o jeito carinhoso e cuidadoso com o qual Grissom a fez sua, Sara sentia um arrepio lhe percorrer o corpo todo.
A forma como tinham se amado ali naquela cama, tinha sido esplêndida. A sintonia de seus corpos quando estavam unidos em um só, foi de uma grandiosidade que ela não fazia idéia que pudesse ter com alguém. Tudo o que houve ali entre eles somado com o que ela sentia dentro de si, lhe fez ver a realidade de que estava apaixonada por Grissom e isso não tinha mais como negar.
É, o tal limão azedo conseguiu conquistar e roubar seu coração mesmo!
De olhos agora fechados, ela tateou devagar o outro lado da cama à procura de Grissom, mas não o encontrou. Abriu os olhos, levantou a cabeça do travesseiro e virou o rosto para o lugar em que tateou. Só achou o vazio. Onde Grissom estaria?
Na cozinha, o supervisor terminava de preparar um suco e em seus lábios podia se ver um sorriso discreto, mas muito bonito. Havia acordado bem cedo, às seis. Não costumava dormir muito e ao despertar, ficou por longos minutos ali deitado só observando Sara que dormia calmamente ao seu lado. Depois decidiu se levantar com cuidado pra não acordá-la e veio pra cozinha preparar um café da manhã pra eles dois.
Perdido em pensamentos enquanto fazia o suco, ele suspirou. Às vezes ainda lhe custava a crer que havia se entregado de novo a alguém e que estivesse sentindo e vivendo outra vez, a maravilha que era estar apaixonado.
Quando sua esposa falecera seu coração se fechou completamente. Não queira nenhuma outra mulher em sua vida, porque em seu coração só haveria lugar pra Susan e mais ninguém. Mas aí, eis que lhe aparece, ou melhor, lhe atropela com um carrinho de supermercado uma mulher sarcástica e de gênio difícil a quem ele apelidou de "maluca irritante" e bagunçou tudo.
E pensar que ele desejou não vê-la nunca mais, só que... Surpresa! Dois dias depois do primeiro encontro no supermercado, ele a reencontra quando ela bate em seu carro causando um novo acidente entre eles. E como se não bastasse duas vezes, ele ainda a encontra uma terceira vez, agora no laboratório. Lá acaba descobrindo pra sua infelicidade (naquela ocasião) que aquela mesma mulher que ele queria nunca mais ver na sua frente, era a nova integrante de sua equipe.
Por meses ele não se entendeu com ela. Travou várias discussões e trocou inúmeros insultos e xingamentos de todos os tipos com ela, pra agora, no fim das contas, se ver entregue e apaixonado pela mesma mulher que outrora detestava. Como eram as coisas!
Grissom teve seus pensamentos interrompidos ao sentir-se sendo agarrado pela cintura por dois braços finos e delicados.
_Ei! Alguém pelo visto já acordou! – sorriu ao falar.
Ele que já tinha terminado de fazer o suco virou de frente pra Sara sem desfazer o abraço com ela, em seguida também lhe abraçou.
_Bom dia! – beijou o topo de sua cabeça enquanto ela encostava o rosto em seu peito desnudo.
Como era bom ter novamente alguém ali naquele apartamento que por um longo tempo havia se tornado triste e vazio, assim como, o dono daquele lugar. Agora o apartamento e Grissom não eram mais assim, porque havia um novo alguém ali e em sua vida. E este alguém estava trazendo a alegria que lhe fora tirada há mais de dois anos.
_Bom dia! – ela respondeu lhe dando um beijo em seu peito e depois o olhou. _O que estava fazendo?
_Um suco pro nosso café da manhã.
_Café da manhã?
_É, fiz pra nós dois. Vem!
Grissom pegou a jarra de suco de cima da bancada e com a outra mão livre segurou na mão de Sara, levando a mulher em direção à mesa, que por sinal tinha várias coisas.
Sara sentou-se na cadeira que gentilmente Grissom lhe puxou. A cafeteira apitou indicando que o café já estava pronto, enquanto o homem de olhos azuis foi pegá-la, Sara brincou observando a mesa do café.
_Seu café da manhã é geralmente assim bem farto ou isso é só pra me impressionar?
Ele que já voltava pra mesa não deixou de rir. Acomodou-se na cadeira ao lado dela e só depois lhe respondeu.
_Confesso... É pra te impressionar mesmo! – sorriu pra ela.
_Pois saiba que não é preciso. Já me impressionou só com a noite que tivemos.
_Sério?? – falou enquanto os servia de café.
_Tenho cara de mentirosa?
_De forma alguma!
_Então por que duvidou do que eu disse?
_Não duvidei, só queria ter certeza!
_Sei.
_É verdade. E à propósito, minha camisa ficou muito bem em você. - piscou pra ela que sorriu.
Como não encontrou seu vestido quando se levantou, Sara pegou a camisa dele que estava jogada no chão e vestiu-a. A camisa por ser grande ficou igual à um vestido nela, mas mesmo assim não deixou de ficar bonito.
_Achou mesmo?
_Sim!
_Então acho que vou passar à ir trabalhar assim, o que acha? – provocou-o.
_Acho que se for assim vai ficar sem supervisor por um tempo, porque ele vai ganhar uma bela suspensão.
_Suspensão? Por quê?
_Porque ele vai acabar brigando com todos os homens daquele laboratório, que com certeza vão ficar te olhando se for trabalhar vestida assim.
A perita não aguentou e caiu na risada com o supervisor lhe acompanhando.
_Minha nossa! Você é tão ciumento assim?
_Não. Isso foi só uma brincadeira. É claro que não faria isso, sei me controlar.
_Isso quer dizer que é ciumento?
_Não, sou cuidadoso.
_Cuidadoso em homem é sinônimo de ciumento, sabia?
_Não no meu caso.
_Você tem cara de ser ciumento, Grissom. Confessa!
Ele suspirou vencido e acabou confessando derrotado.
_Ok, sou ciumento, mas só um pouco. E você?
_Eu o quê? – se fez de desentendida.
_ É ciumenta?
Se ela era? Sim, só que não admitiria isso à ele, assim como, nunca admitiu à quem quer que lhe pergunte isso.
_Bom isso vai ter que descobrir, porque não vou te dizer.
Ele balançou a cabeça e não disse nada apenas sorriu. Algo lhe dizia que ela era mais ciumenta que ele e que admitir aquilo estava fora de cogitação pra ela.
Depois dessa conversa eles mudaram de assunto e em um clima divertido e leve, tomaram café. Juntos, ali, eles eram a visão clara do típico casal no início do relacionamento. Trocavam carinhos, olhares e sorrisos aos montes. A intimidade que criaram e os sentimentos que cresceram em tão pouco tempo em que começaram a se entender, era algo impressionante dado o clima nada amistoso que antes havia entre eles.
Talvez tudo isso que sentiam um pelo o outro e que agora demonstravam, já estivesse dentro deles há muito mais tempo que pensavam. Só que esses sentimentos eram mascarados pelas constantes implicâncias e pelo orgulho de ambas as partes de não querer admitir o óbvio. Por baixo daquela aversão toda havia um sentimento bonito, forte e verdadeiro crescendo e querendo ser vivido.
Eles se gostavam só precisavam enxergar isso como enxergavam agora!
Os dois já haviam terminado de tomar café, mas ainda permaneciam sentados a mesa.
_Gil...
Ele sorriu gostando de ouví-la chamá-lo daquela forma carinhosa, assim como, tinha feito ontem à noite.
_Você disse que tinha um cão, Hank não é?
_Isso.
_Onde ele está?
_Na área de serviço. Quer conhecê-lo?
_Ele não vai me morder?
_Não. Venha!
Ele levantou-se e tomou a mão de Sara levando a morena até onde seu cão ficava. No caminho foi lhe falando sobre ele.
_Hank é um cão adestrado e muito dócil, Sara. Ele mais parece uma criança e adora brincar.
_Há quanto tempo o têm?
_Vai fazer cinco anos.
Grissom abriu a porta que dava pra área de serviço e assim, Sara pôde ver um bonito cão de cor avelã e porte médio levantar rapidamente a cabeça do chão e os encarar de onde estava deitado.
_Vem cá, garoto!
Obediente Hank atendeu ao comando do dono. Levantou-se e veio até ele abanando o rabo. Todo bobo o supervisor apresentou seu fiel amigo à Sara dizendo que o animal era seu filho de quatro patas, o que fez a morena dá um sorriso. Depois Grissom pegou Sara de surpresa ao apresentá-la ao cachorro dizendo que ela era sua namorada.
_Como é que é? Namorada? – Sara olhou para Grissom no mesmo instante com uma das sobrancelhas arqueadas. _Desde quando que eu não sei?
Diante dessa reação dela, o supervisor se embolou com as palavras ao tentar responder a pergunta de Sara.
_Bom... Eu pensei que... Que depois do que houve nós... Você... – parou de falar não completando sua frase.
_Como vai dizendo que sou sua namorada pra ele se nem me pediu isso?
_Pedir?
_É! Você não me pediu pra ser sua namorada, Grissom!
_E eu tenho que fazer isso?
_Lógico! Geralmente é assim que se faz, ou esqueceu-se disso?
Ele sorriu sem jeito.
_Não esqueci, só pensei que não fosse necessário pedir, mas se quer, eu peço. Sara, você quer ser minha namorada? – pediu de uma só vez.
Ela o encarou com os olhos quase fechando e apertando os lábios.
_Hum... Deixa eu pensar... – fez uma pausa olhando bem pra ele. _É, acho que posso fazer esse esforço e ser sua namorada, limão azedo!
Sorrindo, ele se aproximou mais dela e lhe beijou calmamente. Segundos depois eles ouviram Hank latir sem parar enquanto se beijavam, então eles interromperam o beijo pra olhar para o cão.
_Acho que não sou só eu que tenho uma filha ciumenta. Pelo visto seu filho de quatro patas tem ciúmes de você.
Hank que havia parado de latir agora os encarava com as orelhas em pé.
_É o que parece... – concordou o supervisor olhando de novo pra namorada. _Nossos filhos são ciumentos!
****
Na porta do apartamento eles se despediam. Após lhe dar um beijo demorado, Sara o surpreendeu lhe fazendo um convite.
_Almoça lá em casa amanhã?
_Almoçar na sua casa?
_É!
_E a Lívia? Depois de ontem acho que ela não quer me ver tão cedo na casa de vocês.
_Vou conversar com ela quando chegar em casa.
_Vai contar à ela sobre nós?
_Não, ainda não... Você viu como ela reagiu e te tratou ontem só porque saímos, imagine se eu conto que estamos juntos? Melhor não contar nada por enquanto. Depois aos poucos vou tocando no assunto com ela.
_Você tem razão.
_Posso contar que vai aparecer amanhã lá em casa pra almoçarmos juntos?
_Pode sim!
_Então te espero às onze e meia.
_Combinado!
Eles trocaram um último beijo e depois Sara foi pegar o elevador. Assim que ela entrou nele, Grissom entrou em seu apartamento.
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