Capítulo 43 - Estreitando as coisas e um convite
(...)
Ainda lembro o gosto
Do beijo que você me deu
Mar, se o céu for você
E se você for pra mim
Entrego tudo a Deus
Eu digo que sim
Mar, se o céu for você
E se você for pra mim
Entrego tudo a Deus
Eu digo:
Bem-vindo amor
Pequeno eu vou
Cair nos seus braços
Quero enlouquecer
Deixa acontecer
Bem-vindo meu amor...
Pequeno eu vou...
Sorrindo!
~~0~~
Seguindo pelas ruas em direções opostas, cada um em seu carro, Sara e Grissom iam rumo à suas casas. Durante o percurso era difícil conter o sorriso bobo que aparecia no rosto de ambos. Ele (o sorriso) vinha fácil só de lembrarem-se dos beijos trocados há instantes atrás. Sentimentos novos que devagar ganhavam força.
Todos esses sentimentos que iam sendo descobertos eram um tanto assustadores pra quem até bem pouco tempo atrás, se detestava e não se entendia de jeito nenhum como aqueles dois. Mas aos poucos, eles iam se acostumando com a novidade de serem um casal.
****
Uns dias se passaram e no decorrer desse tempo às coisas entre Grissom e Sara melhoravam e assim, eles iam ficando mais próximos.
O casal se falava constantemente por telefone quando não estavam no laboratório. Saíram algumas vezes depois do trabalho pra se encontrarem e tomarem café juntos na cafeteria que ficava na praça perto da casa de Sara, desse modo, não corriam o risco dos outros os verem juntos.
Enquanto estavam ali tomando café conversavam sobre eles e sobre várias outras coisas. É claro que esses “encontros” não ficavam só na conversa, eles também trocavam alguns beijos. A cada novo encontro, ficava mais evidente a intimidade que começavam a criar.
Beijos. Carinhos. Confidências. E assim, eles iam cada vez mais se descobrindo, se entendendo e estreitando os laços desse relacionamento que surgia entre eles.
Devagar Sara via aquela dúvida de que talvez eles não pudessem dar certo juntos, ir se esvaindo feito areia entre os dedos. Mais e mais se acertavam e assim, ela se deixava levar pelos sentimentos que cresciam dentro de si, e a viver aquilo que começava entre eles.
Decidiu que se ele era o homem certo pra ela como Any lhe afirmou, então não colocaria empecilhos entre ambos. Deixaria acontecer o que tivesse que acontecer.
Grissom era uma pessoa incrível e agora, ela sabia e podia afirmar isso depois de tê-lo conhecido melhor.
Ao longo desses dias em que passaram a se encontrar, ela descobriu um Grissom totalmente diferente do que julgava conhecer. Ele era atencioso, carinhoso, gentil, coisas que ela vivia dizendo que ele não era. Sem contar nas muitas outras coisas mais que foi se revelando a medida que a proximidade entre eles se estreitava. Do homem grosso que conheceu no supermercado e que durante uns bons meses travou várias discussões com ela, Sara não identificou mais qualquer traço agora que vinha mantendo um secreto relacionamento com Grissom. Aquele ranzinza e grosseiro sujeito nem condizia com seu supervisor. Todas as novas descobertas à respeito dele fizeram o coração da perita se encantar mais por seu outrora sisudo chefe.
Com Grissom em relação a Sara aconteceu o mesmo. Seus pensamentos e sentimentos se igualavam com os de Sara. Estava vivendo tudo aquilo que ocorria entre os dois da melhor forma possível. Percebia que estar com Sara era a melhor coisa. E que lhe fazia muito bem a companhia dela. Os lábios doces de sua subordinada, seu sorriso sincero sem ironia, seus olhos brilhantes e tudo mais nela, agora o deixavam fascinado de um jeito que não tinha como explicar. Sem que percebesse sua história de amor com Susan ia lentamente ficando pra trás e se tornando apenas uma boa lembrança.
É claro que aquele amor que nutria por sua falecida esposa ainda continuava ali, mas já não era mais tão intenso como antes. O supervisor sentia que seu envolvimento com Sara estava fazendo com que ele conseguisse se desprender das "amarras" que ainda mantinha com a mulher do seu passado, com quem havia vivido momentos felizes.
No trabalho o clima era outro. Não havia mais aquelas brigas e implicâncias de antes. O pessoal da equipe via a boa convivência dos dois e achava que enfim eles tinham se entendido pondo fim naquele clima de guerra constante. Mal sabiam eles que os dois não só haviam se entendido, como também, estavam secretamente se relacionando amorosamente.
****
_Eu acho que esse cara entrou pela janela que estava aberta, estuprou a Melissa, matou a garota e depois saiu pelo mesmo lugar que entrou. O que acha Grissom?
Sara fotografava o quarto em que seus supervisor e ela estavam analisando.
Grissom que coletava evidências, nem ouviu o que a morena perguntou. E como ele não respondeu, ela insistiu.
_Hein, Grissom?
Nada de resposta outra vez!
Então Sara o olhou e encontrou seu chefe com uma evidência na mão olhando pro nada.
_Ou!... Grissom!... GRISSOM!! – falou alto e agora ele olhou.
_Que foi?? – disse assustado.
_O que há com você, hein?? Parece disperso.
_Desculpe é que estava pensando em uma coisa e acabei me desligando.
_Sei. – disse o olhando desconfiada.
_O que queria?
_Nada deixa pra lá. – voltou ao seu serviço de antes.
O supervisor voltou a pensar no convite que queira fazer à ela. Estava querendo chamá-la pra um jantar, só que não tinha certeza se ela aceitaria já que Sara era tão imprevisível.
Há dois dias vinha ensaiando um pedido, mas nunca conseguia fazê-lo. Olhou para os lados e viu que só tinha eles dois ali, então como quem não quer nada lançou a questão pra ver no que dava.
_Sara!
_Que?
_Bem que nós podíamos jantar juntos na sexta. É folga coletiva então... Podíamos aproveitar, o que me diz?
Ela parou de fotografar e olhou para o supervisor. Grissom empacotava outra evidência. Ele nem olhava pra Sara, mas sentia os olhos dela pousando nele.
_Isso foi um convite?
_Foi! – olhou agora pra ela.
A perita fez um bico e balançou a cabeça.
_Então vai ter que melhorá-lo se quiser minha doce e agradável companhia nesse jantar, porque desse jeito eu não aceito.
_Não??
_Não. Ai, Grissom, a forma como me convidou foi horrível. Sou uma mulher bem exigente só pra você saber, viu? Então acho bom fazer isso direito senão vai comer sozinho! – ela o encarou se segurando pra não rir da cara que ele fez.
Depois que se recuperou da resposta dela, o supervisor riu e se aproximou um pouco mais de Sara.
_Então me diz como quer que eu te convide, mulher exigente? Talvez de joelhos?? – disse brincando.
_Olha até que não seria uma má idéia.
Ele ergueu uma das sobrancelhas ante as palavras dela.
_Só fico pensando o que o Warrick, o Jim ou um dos policias lá em baixo iam achar se chegassem aqui e te vissem ajoelhado na minha frente? - seu sorriso sórdido não passou despercebido por ele.
_Você é má, sabia?
Ela riu dele. Estava se divertindo com aquilo.
_Eu não. – se defendeu apontando a máquina de fotografar na direção dele.
_Não vou ficar de joelhos, mas vou reformular meu pedido. Também acho que não fui muito bem nele.
_Que bom que reconhece.
_Então... – fez uma pausa antes de continuar. _ Sara, você aceitaria jantar comigo... Na sexta ás nove?
A fala pausada, o olhar penetrante e a voz em tom baixo e sedutor, fizeram à perita se arrepiar e sentir um frio na espinha com aquele pedido. Deu uma olhada pra ver se ninguém estava por ali e comprovou que só estavam os dois naquele local.
_Uau!! Agora sim foi um convite feito direito! – exclamou rindo e fazendo o supervisor rir também.
_Sendo assim mereço um sim, não acha? – seu sorriso continuava ali.
Engraçado que desde que começaram a se “entender”, o sorriso de Grissom aparecia mais fácil quando estava na companhia de Sara.
Diante daquele pedido era impossível dizer não. Sara olhou bem pra Grissom, sorriu e quando lhe diria sua resposta, Warrick entrou onde eles estavam.
_Grissom precisa ver... Interrompo alguma coisa? – o outro perito perguntou ao notar os outros dois próximos e sorrindo um para o outro.
Eles se olharam.
_Não! – Sara se apressou em responder.
Warrick olhou meio desconfiado do chefe pra colega de trabalho.
_O que eu preciso ver, Warrick? - Grissom tratou de distrair a atenção de seu subordinado.
Warrick ainda demora um pouco pra responder a questão, mas depois faz isso.
_Bem, acho que melhor que falar é mostrar. Pode descer comigo até o quarto do andar de baixo?
Ele revezava seu olhar curioso e desconfiado entre o chefe e Sara.
_Claro. Você vai descendo que vou só recolher as evidências que coletei e já te encontro lá.
_Está bem!
Warrick saiu deixando os dois sozinhos de novo.
_Percebeu que ele ficou nos olhando estranho?
_Não sei porquê, se não estávamos fazendo nada de mais.
O supervisor recolhia suas evidências.
_Será que ele ouviu o que falávamos?
_Acho que não.
_Não mesmo??
_Com certeza!
_Se está dizendo... Bom, já acabei com as fotos por aqui. Podemos ir!
_Não tão rápido assim. – ele se pôs na frente dela impedindo a morena de seguir em direção a porta. _Você ainda me deve uma resposta, Sara.
_Que resposta? – fingiu não saber do que se tratava.
_Não se faça de desentendida. – ela riu. _Você sabe, o convite que te fiz agora pouco.
_Ah, é mesmo! – disse em tom divertido. _Ok. Eu aceito seu convite, Grissom. – lhe deu um sorriso aberto que foi correspondido por ele.
Depois disso, eles saíram pra cuidar dos seus trabalhos.
****
Quando o fim do turno chegou lá estava Grissom e Sara na cafeteria perto da casa da perita tomando café juntos.
_Às vezes, eu me pergunto se isso... – ela apontou pra eles dois. _...Está mesmo acontecendo ou se é só alguma ilusão de ótica minha! – tomou um gole do seu café.
_Eu também me pergunto isso às vezes!
_Eu e você. Você e eu. Sinceramente não me passava pela cabeça que isso fosse possível um dia. – confessou esboçando um sorriso.
_Nem na minha, mas aconteceu.
_Pois é.
O supervisor esticou seu braço por cima da mesa e sua mão tocou a de Sara que repousava ao lado de sua xícara.
_Quero que saiba que... Eu quero muito que essa relação que estamos começando a construir, dê certo cada vez mais.
Sara o fitou com doçura. A cada dia ia se sentindo mais envolvida com ele.
_Eu digo o mesmo!
Ambos sorriram.
Ficaram ali uns bons minutos. Depois pagaram a conta e saíram.
_Eu ainda tô encucada com aquele jeito que o Warrick ficou nos olhando.
Sara estava encostada em seu carro com Grissom à sua frente. E enquanto falava com o supervisor brincava com os botões do casaco dele.
_Esquece isso! Ele não deve ter escutado nada.
Grissom percebeu um "Q" de preocupação na cara de Sara. Ela havia lhe dito que por enquanto queria que as coisas entre eles ficassem em segredo. Até porque aquilo que estavam começando era novo e com um futuro ainda incerto ainda. Então melhor ficar em segredo e depois, eles revelariam as coisas.
_Ok. Vou esquecer, certo?
_Certo! – se aproximou mais dela e a beijou bem devagar.
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