Capítulo 42 - Confessando

_Você pode repetir o que disse pra eu ter certeza que foi exatamente isso que eu ouvi?

Any não conseguia esconder o sorriso de satisfação pelo que tinha acabado de ouvir de Sara. Enquanto as duas mulheres colocavam a mesa do jantar e Liv estava na sala assistindo TV, Sara contou a babá tudo o que tinha acontecido entre Grissom e ela durante a estadia deles num hotel de beira de estrada.

_Grissom e eu nos beijamos e ele disse que gosta de mim. - a morena repetiu resumidamente o que havia dito instantes antes a Any.

_Uau! – exclamou Any sorrindo. _Puxa, até que enfim aconteceu alguma coisa entre vocês! Só é uma pena que foi antes de eu fazer algo. Nem pude bancar o cupido de verdade. Eu tinha até umas idéias legais pra juntar vocês dois, sabia? Mas paciência!

Sara a olhou com a testa franzida.

_Não acredito que faria isso?

_Claro que faria! Eu não ia sossegar enquanto não juntasse vocês. – contou pegando os pratos do armário.

_Só que pra sua informação cupido de araque. – Any riu. _Nós não estamos juntos, juntos de fato, só estamos nos conhecendo melhor.

_Ah, Sara, vocês não estão juntos AINDA, mas eu sei que logo estarão. Não dou uma semana ou até menos pra isso acontecer. Escreve o que estou dizendo!

Foi impossível Sara não esboçar um sorriso com a confiança explícita de Any. Pelo jeito, a baba de sua filha tinha mais certeza que a própria perita de quê seu chefe e ela ficariam juntos.

_Você acha que Grissom e eu podemos dar certo Any?

Aquela dúvida parecia não sair de sua cabeça.

_É lógico que podem, Sara! E tem mais, acho que não tem um homem que seja mais certo pra você que o Grissom.

_Como pode ter tanta certeza disso?

_Basta olhar pra vocês. Ao longo desses meses, eu ficava ouvindo e analisando tudo o que você me dizia que acontecia entre vocês. E logo fui percebendo que apesar dessa implicância toda, vocês poderiam se entender e assim vir a ter algo. Só que precisavam abrir os olhos pra isso. Algumas vezes, eu tentei fazer com que você abrisse os seus, mas você não me ouvia. Lembra-se de quando eu te disse que: “as maiores paixões nascem desse jeito”? – Sara assentiu positivamente pra babá. _Então, foi pra te abrir os olhos. Geralmente é assim que começa as grandes paixões. O casal começa se “odiando” e acaba se “amando”. E é exatamente isso que aos poucos está acontecendo com vocês.

_Acho que você voou um pouco alto no que disse. Porque eu não amo o Grissom!

_Talvez ainda seja cedo pra isso, mas seja sincera, o que sente por ele?

_Ele também me fez essa mesma pergunta.

_E o que você disse?

_Que não sabia exatamente, mas...

Any a interrompeu indignada com aquela resposta.

_Sara, eu não acredito! Depois de todas as declarações que ele te disse, você diz isso a ele?

_Você não me deixou completar, posso?

_Vai, completa.

_Então, como eu ia dizendo. Eu disse que não sabia exatamente, mas afirmei que ele vem mexendo comigo. Porém, quando voltávamos pra Vegas, ele foi me contando coisas sobre ele que eu não sabia, assim como eu também lhe contei coisas sobre mim. E quer saber? A medida que ia ouvindo Grissom e descobrindo mais sobre ele, eu fui passando a vê-lo com outros olhos.

_Resumindo isso quer dizer que..?

_Que acabei descobrindo que gosto dele também! – confessou por fim.

Não tinha como negar. O dia todo não parou de pensar nele, de relembrar o que tinha acontecido, de se questionar sobre seus sentimentos. Mesmo que não tivesse certeza na hora em que ele lhe perguntou, agora ela sabia e estava convicta do que sentia por ele. Talvez só precisasse pôr sua mente e seu coração confuso, em sintonia pra descobrir a verdade que não queria admitir a si mesma. Gostava dele e agora não tinha jeito e nem como ignorar isso!

_Enfim consegui fazer você confessar isso! – Any falou vitoriosa e rindo muito. Fazendo Sara rir também. Não tinha como esconder nada de Any.

_Você é terrível, sabia? – Sara jogou o pano de prato em Any que continuava a rir. _Agora que já conseguiu me fazer falar, vamos pôr um fim nessa conversa antes que Lívia apareça e escute o que não deve.

_Ah, está com medo que sua filhinha ciumenta descubra, é? - Zombou dela.

_Você a conhece tanto quanto eu, e sabe perfeitamente o quanto vai ser difícil pra ela me ver com outro homem que não seja o pai dela. Então por enquanto não quero que ela saiba sobre o Grissom. Vamos deixar as coisas quietas, até porque como eu disse antes, Grissom e eu não estamos juntos de verdade apenas tentando.

_Você tem razão. Só fico pensando como vai fazer pra amansar a ferinha ciumenta da sua filha quando estiver de fato num relacionamento com o Grissom e quiser contar pra ela isso. – disse rindo. Any sabia que Liv ia implicar com isso apesar de gostar de Grissom.

_Pois eu não quero nem pensar nisso agora!

Sara também sabia bem o problema que teria pela frente com Liv, caso seu envolvimento com Grissom fosse adiante.

****

_Cath assim que os resultados saírem me avise, vou estar na minha sala.

_Está bem faço isso.

Grissom saiu da sala e a loira ficou observando o supervisor seguir pelo corredor adiante. Seu amigo parecia diferente naquela noite. Estava um semblante mais leve, um ar mais confiante e quando estavam analisando a cena do crime, à loira o flagrou esboçando um sorriso discreto sorriso algumas vezes. Algo bom seu velho amigo tinha, só que ela não fazia idéia do que era.

Grissom entrou em sua sala. Pegou o telefone, discou uns números conhecidos e aguardou por um breve instante a chamada soar. Então Sara atendeu:

_Mas que chefe folgado! Não devia estar trabalhando, não? - brincou a perita ao atender ao telefonema de Grissom, fazendo o supervisor rir.

_Devia, mas como disse que ligaria então arranjei um tempo pra fazer isso. Não é de muito bom tom, você dizer que vai fazer algo e não cumprir sua palavra depois.

_Quer dizer que você é um homem de palavra?

_Com certeza!

_Isso é bom de saber!... Mas e aí, muito trabalho no laboratório, homem de palavra? – ela o ouviu dar um sorriso.

_Nem tanto!

Por alguns minutos eles ficaram de papo. Depois que desligou ainda rindo, Grissom ficou encarando o telefone em sua mão sem perceber que da porta alguém o observava.

_Minha nossa que sorriso é esse?! Faz tempo que não te via rindo desse jeito. Posso saber o motivo disso?

Catherine se aproximou da mesa dele. Veio lhe trazer os resultados da análise de uma substância encontrada no estômago da vítima do caso deles e se deparou com seu amigo com um largo sorriso. Por segundos, ela ficou da porta lhe olhando até se fazer presente.

_Então, não vai me dizer por que ria desse jeito?

_Os resultados já saíram? – desconversou.

Cath se pôs a encará-lo por poucos segundos.

_Entendi. Não vai me falar, não é?

_Os resultados, Catherine.

Ela balançou a cabeça e riu. Ele não ia falar mesmo e por hora, ela não insistiria. Sabia como ele era.

_Ok, estão aqui. - lhe entregou os papéis.

Com os papéis em mãos, ele começou a discutir com ela sobre o caso.

E assim horas mais tarde com o turno encerrado, ele foi pra casa descansar.

****

_E, aí garotos, sentiram minha falta?

Sara entrou na sala de conveniência e encontrou Nick, Greg e Warrick ali sentados batendo papo antes do turno começar naquela noite.

_Eu senti com toda certeza. – Greg se adiantou em falar.

_Mas é um puxa saco mesmo, não é Warrick? – Nick cutucou rindo o amigo.

_Vai ver se eu tô lá na esquina, Nick!

Greg respondeu, fazendo os outros rirem. Enquanto eles riam, Grissom e Cath chegaram a sala.

_Qual o motivo da risada que eu também quero rir?

_O Greg, Cath.

_O que fez de engraçado dessa vez, Greg?

_Eu nada Cath. É esse mané, que tá me enchendo. Ele me chamou de puxa saco da Sara só porque ela perguntou se sentimos a falta dela, e eu disse que EU, com toda certeza, senti a falta dela.

_Nick não fique chamando o Greg de puxa saco, ele não precisa ficar ouvindo a verdade. – Catherine falou provocando mais ainda o mais novo da turma.

Warrick e Nick caíram mais ainda na risada daquilo.

_Até você, Catherine! - reclamou Greg a loira.

Enquanto os outros ficavam zoando Greg, Sara e Grissom riram daquilo e trocaram alguns olhares. Até que por fim Grissom se pronunciou:

_Agora chega de ficarem perturbando o Greg e vamos trabalhar que é melhor.

O supervisor dividiu os casos.

Durante o turno, ele mal trocou uma palavra com Sara porque ambos estavam em casos diferentes. Achou melhor colocá-los separados pra não misturar as coisas. Ali eram chefe e subordinada, mas fora dali estavam tentando ser algo diferente disso.

****

_Que tal irmos tomar café todos juntos? Soube que inaugurou semana passada uma cafeteria na Wall Street e dizem que lá têm um excelente expresso com creme. Topam ir lá agora comigo?

Nick deu a idéia no final do turno e todos aceitaram. Pouco tempo depois, eles se encontravam reunidos na tal cafeteria conversando animadamente  sobre assuntos que nada tinham haver com o trabalho deles, enquanto desfrutavam de um bom café.

Após uma hora em que já estavam ali, Warrick anunciou que já iria pra sua casa, aproveitando a deixa do amigo, Greg, Cath e Nick também disseram a mesma coisa e saíram as pressas dali deixando somente Sara e Grissom à mesa.

_E só restou nós!

_Pois é!

A perita segundos depois se deu conta de algo e comentou com Grissom.

_Ei, aqueles quatro folgados foram embora e nem pagaram as coisas que pediram.

O supervisor agora se tocou que era verdade, eles saíram um atrás do outro e com presa pra justamente, não pagarem.

_Por isso sairam tão as pressas. - riu Grissom. _São uns folgados mesmo!

_Bota folgados nisso!

Os dois riram e se olharam sem jeito.

Havia um clima diferente e novo entre eles. Algo leve e que agora os deixava assim, sem jeito quando ficavam sozinhos e perto um do outro.

O fato de estarem tentando se conhecer melhor, tornava as coisas melhores e a companhia antes desagradável pra ambos, agora era a mais agradável possível.

_Eu...

De repente o celular de Sara tocou interrompendo o que Grissom lhe diria.

_Só um minuto. Deve ser lá de casa. – Sara pegou sua bolsa.

_Claro! Fique à vontade.

Grissom esboçou um sorriso e em seguida tomou um gole de seu café.

Sara tirou o aparelho celular de dentro de sua bolsa e ao olhar no visor, viu que a chamada era de seu ex. Por segundos fitou o nome de Dylan piscar na tela do celular até que resolveu rejeitar a ligação e colocou o celular de volta na bolsa. Na sequência, voltou sua atenção a Grissom.

_Então, o que ia me dizer?

O supervisor achou estranha a atitude dela de não atender a chamada, mas a não comentou nada a respeito.

_Que eu...

De novo o celular tocou interrompendo Grissom.

_Que droga! – murmurou Sara. _Me desculpa, Grissom. - pediu a morena.

Novamente ela pegou o aparelho e rejeitou a ligação. Não estava com a menor paciência e muito menos vontade de falar com Dylan naquele momento. Com certeza, seu ex ia vir com a mesma ladainha de sempre dizendo que sente falta dela, que a ama e todo o texto de sempre. Então que ficasse sem ouvi-lo.

A curiosidade de Grissom se aguçou pra saber quem era que tanto ligava e ela rejeitava a chama. Tinha quase certeza que da casa dela não era, porque se fosse, ela atenderia.

Então quem estaria ligando?

_Desculpa pela interrupção, pode continuar.

_Como ia dizendo, eu...

E lá vinha o celular o interrompendo mais uma vez.

_Mais que inferno!

_Acho melhor atender de uma vez.

_Não! Vou fazer melhor e desligar esse celular isso sim... - ela pressionou o botão de desligar e logo a tela do aparelho escurecia. _Pronto! Agora pode continuar a falar que não será mais interrompido.

_Quer saber? Essa interrupção toda me fez esquecer o que ia dizer.

_Tem certeza?

_Sim! - mentiu.

A verdade é ainda estava perfeitamente em sua cabeça o que pretendia lhe dizer: "Não esqueço o nosso beijo!" , Só que perdeu a coragem de confessar aquilo diante de toda aquela interrupção do celular de Sara.

_Se não se importa podemos ir embora? - ele propôs já sinalizando pra garçonete.

_Como quiser!

Sara concordo, achando estranho o comportamento de Grissom, mas deixou por isso mesmo.

O supervisor fez questão de pagar a conta toda inclusive, o que Sara consumiu. Depois saíram da cafeteria pra pegarem seus carros que estavam estacionados um pouco mais a frente da entrada do estabelecimento onde tomaram café. Caminhavam lado a lado trocando poucas palavras.

Grissom não podia negar que se sentiu um tanto incomodado com os telefonemas rejeitados por ela. Será que era alguém importante e ela não quis atender na sua frente? Quem sabe!

Chegaram em frente ao carro dela e ficaram um de frente para o outro. No momento em que estavam assim, um rapaz em uma bicicleta passou bem perto de Grissom e sem querer, o empurrou pra frente fazendo com que o supervisor chegasse mais perto de Sara, tanto que seus rostos ficaram a milímetros de distância. Seus olhos se encontraram e por iniciativa de Sara seus lábios acabaram se juntando em um beijo doce e delicado.

Foram poucos segundos que seus lábios ficaram juntos, mas pareceu que foi bem mais. Após o fim do beijo eles continuaram ali se fitando bem próximos um do outro. A mão de Sara delicadamente tocou o rosto de Grissom fazendo o supervisor fechar os olhos. E sem pensar, a perita morena acabou confessando ao homem:

_Eu descobri que também gosto de você!

Ele abriu os olhos ao ouvi-la e pela segunda vez seus lábios se juntaram aos dela, agora de forma profunda e intensa.

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