Capítulo 39 - Incomodada e conversa tensa
Depois do sonho que teve, Grissom passou a evitar ter tanto contato com Sara, pois sempre que isso acontecia aquele sonho vinha a sua cabeça lhe deixando totalmente sem rumo.
O supervisor apenas falava o necessário com ela e sempre evitava encará-la quando falava, pra não lembrar daquele sonho que vinha lhe tirando o sono e o juízo nos últimos dias.
“Eu queria ter um pouco mais de coragem pra tentar descobrir e enfrentar o que acontece dentro de mim, mas o medo me priva disso!”
****
Olhando da janela de seu quarto a chuva fina que começava a cair naquela tarde, Sara se questionava sobre o que devia estar acontecendo com seu chefe que há uma semana vinha se portando de uma maneira bem estranha com ela.
A perita tinha certeza de que o problema que ele tinha era só com ela, porque com os outros Grissom não agindo igual como vinha agindo com ela de uns dias pra cá.
A perita morena sentia que seu chefe a evitava. E quando se falavam era apenas sobre o trabalho. Nem perguntar por Liv como ele se acostumou a fazer, Grissom não fez em nenhum desses dias. E o mais estranho ainda, é que ele nem lhe olhava na cara.
Esse comportamento de seu chefe estava deixando a perita incomodada e não sabia por quê.
Aquilo tudo estava esquisito pra ela, porque eles estavam até se dando bem. Aí, de uma hora pra outra, Grissom mudou de tal forma seu comportamento, que Sara não entendeu mais nada.
Podia muito bem deixar aquela situação pra lá e nem ligar, afinal pouco lhe importava se ele falava ou não com ela. Porem não conseguia deixar isso pra lá. Aquele “gelo” de Grissom com ela, estava lhe incomodando demais.
Parecia até que ele tinha voltado a ser aquele Grissom de antes, que vivia lhe evitando à todo custo, assim como ela o evitava também.
Buscou em suas lembranças mais recentes algo que tenha feito e que justificasse aquele tratamento que estava recebendo dele. No entanto, não se lembrou de nada relevante. Apenas de tê-lo chamado de limão azedo como costumava fazer, mas isso foi só uma vez. E na ocasião, seu chefe até riu disso. Então aquilo não era o motivo.
Pois então o que seria?
O que ela tinha feito à ele?
Por mais que buscasse respostas não as encontrava. E, ainda por cima, tinha que conviver com uma estranha sensação que não lhe deixava em paz só porque estava sendo tratada daquele jeito por ele.
O que era aquilo afinal?
Orgulho ferido por está sendo ignorada por seu chefe?
Claro que não. Onde já se viu?!
Pouco lhe importava se ele a ignorava ou não. Só não queria ficar recebendo um tratamento que tinha certeza que não merecia, porque não havia feito nada de errado.
Uma batida na porta do quarto fez a morena sair de seus devaneios.
Era Any dizendo que tinha acabado de fazer um café e perguntou se Sara não queria. A perita aceitou a oferta da babá, então as duas desceram pra cozinha.
Aproveitando que Lívia estava dormindo, Any resolveu usar do nome da menina pra fazer uma de suas armações. Enquanto se servia de café, ela começou a falar.
_Sara, a Liv me falou ontem que gostaria de ver o Grissom de novo. Já faz um tempo razoável desde que ele veio aqui. Bem que você podia dizer pra ele vir fazer uma visitinha a Liv novamente, não é?
A morena nem respondeu, estava com o pensamento longe que sequer tinha ouvido o que Any havia dito. A jovem percebendo isso cutucou a patroa de leve chamando assim a atenção da mesma, que olhou pra babá na hora.
_O que foi? – perguntou assim que olhou pra Any.
_Sara está com algum problema? – ela tinha um olhar distante e Any preocupou-se com isso.
_Não.
Essa resposta não convenceu muito Any. Tava na cara que sua patroa tinha algo.
_Desculpa, mas não é bem isso que está me parecendo. O que foi? Não quer me contar. Talvez eu possa te ajudar.
_Não tenho problema algum, Any!
_É claro que tem, Sara.
_Any me deixa em paz, ok? – disse sendo um pouco ríspida.
Com isso a babá teve certeza que tinha algo de errado com Sara. Resolveu não insistir mais. Uma hora ou outra, ela ia acabar lhe dizendo o que era. Sempre era sim. Só que Any ficou um pouco sentida com aquela forma com a qual Sara lhe respondeu. Não era necessária toda aquela rispidez também.
_Ok, não está mais aqui quem perguntou.
A babá se levantou indo até a pia pra lavar sua xícara.
Percebendo que tinha exagerado um pouco com Any, Sara então resolveu pedir desculpas a loira.
_Any, desculpa, não devia ter falado daquele jeito com você.
_Tudo bem. – disse de costas pra Sara. _Eu fiquei preocupada e por isso perguntei. Queira saber o que estava acontecendo pra quem sabe poder te ajudar.
_Não duvido disso... Sério! Desculpe-me de verdade pela minha rispidez com você.
_Tá bom! – relevou a babá se virando pra Sara. _Vou acordar a Liv já está na hora do lanche dela.
Any enxugou as mãos e depois foi em direção a porta, porem antes que ela se fosse dali, Sara falou de uma só vez o que lhe consumia por dentro.
_O meu problema é aquele limão azedo do Grissom!
Any parou no meio do caminho. Em seguida, voltou e sentou-se em frente a Sara.
_Qual é o problema com o Grissom? Vocês brigaram de novo?
_Não, ele... Ele... – ela buscava palavras pra completar sua frase.
_Ele o quê, Sara?
_Ele anda estranho comigo.
_ E isso tá te incomodando?
_Não devia, mas está. Eu não fiz nada à ele pra que me trate da forma como vem me tratando, Any.
_Tem certeza que não fez nada, Sara?
_Absoluta! Nós até estávamos nos dando muito bem. Aí, ele passou a me evitar, mal falar comigo e nem me olhar. Não sei qual é problema dele.
_Então conversa com ele pra saber, ora.
_Eu não! Ele mal fala comigo. Pra quê vou puxar papo com ele?
_Ai, Senhor! – Any bufou e revirou os olhos. _Sara se não for falar com o Grissom como vai saber a razão dele tá te tratando estranho? A não ser que você seja telepata e eu não saiba. É isso?– questiona com certa ironia.
A morena encarou a babá com os olhos quase fechados, não gostando nada daquela ironia da amiga.
Como ela não disse nada, Any prosseguiu.
_Sério, Sara, fala com ele e tira essa situação à limpo. Ou vai deixar o Grissom continuar te tratando do jeito que está, se você não fez nada pra isso?
Com essas palavras, Any deu uma cutucada que surtiu efeito em Sara.
_Tudo bem! Você me convenceu. No final do turno, eu vou ter uma conversa com o Grissom e perguntar o que eu fiz pra ele estar me tratando tão estranhamente de uns tempos pra cá. E ele vai ter que me dizer isso! – disse firme.
_É, mas pergunta com jeito!
Jeito era o que ela menos tinha quando se tratava de seu chefe.
****
O turno começou um pouco mais cedo que o normal. Assim que chegou ao laboratório, Grissom foi avisado por Judy que era pra ele passar na sala de Ecklie, porque o outro homem queria falar com o supervisor.
Grissom foi a sua sala deixar sua pasta e de lá, seguiu para a sala de Ecklie nada contente. Chegou lá, o outro homem lhe entregou os casos daquela noite, e depois lhe informou que havia um caso que era numa cidade vizinha. E por ordens do Xerife, o supervisor é quem iria investigar o tal caso.
Pensando em irritar e provocar o supervisor, Ecklie ainda disse que Grissom levasse Sara junto, porque o caso se tratava de estupro. Então com certeza, a vítima que era uma garota, se sentiria mais à vontade em relatar o que aconteceu à perita do que ao supervisor.
Quando Conrad lhe disse que era pra levar Sara, Grissom gelou. Que ótimo! Disse ironicamente em seus pensamentos.
Ele que passou uma semana inteira evitando ter contato maior com Sara, agora teria que dividir com ela um caso numa cidade vizinha.
Depois de sair da sala de Ecklie, Grissom seguiu pra onde sua equipe geralmente costumava esperá-lo.
Chegou lá e todos já se encontravam ali. Dividiu os casos, em seguida informou que ele iria à cidade vizinha investigar um caso por ordens do Xerife. Olhou pra Sara e lhe contou que ela iria acompanhá-lo, alegou que eram ordens superiores.
A morena o olhou com uma das sobrancelhas erguidas, mas não fez nenhuma objeção. Depois de avisar Sara, Grissom desejou um bom trabalho a todos e saiu com Sara em seu encalço.
****
Rápido o céu se escureceu, as nuvens cinza escondiam as estrelas dando indícios fortes de que muito em breve uma chuva cairia pra baixar mais ainda a temperatura daquela noite.
Por uma estrada que estava com pouquíssimo movimento, os dois peritos já seguiam viagem há uns bons minutos em total silêncio dentro do veículo do supervisor. As poucas palavras que trocaram eram relacionadas ao caso.
De soslaio, vez ou outra Grissom olhava pra Sara enquanto dirigia quieto. Sua subordinada nem percebia os olhares dele, porque lia os relatórios do caso.
Em meio a leitura, Sara lembrou-se do quê Any lhe disse mais cedo na conversa que tiveram:
"Sério, Sara, fala com ele e tira essa situação à limpo. Ou vai deixar o Grissom continuar te tratando do jeito que está, se você não fez nada pra isso?"
Quer momento melhor que aquele, em que está sozinha com seu chefe pra tirar aquela situação à limpo? Impossível!!
Sem tirar os olhos do relatório, Sara primeiro questionou Grissom a respeito de quanto tempo ainda faltava pra eles chegarem à tal cidade.
Ele lhe contou que faltava uma hora e meia.
Pra ela era tempo mais que suficiente pra conversarem sobre o que ela queria saber dele.
Fechando os relatórios em suas mãos e descansando-os em suas coxas, Sara encarou seu chefe e lhe disse:
_Posso te fazer uma pergunta? - ele apenas concordou que sim com a cabeça e sem dirigir o olhar a Sara. Diante da resposta positiva dele, Sara não hesitou duas vezes em lhe lançar a pergunta que tanto queria: _Por que está me tratando tão estranhamente?
Ele engoliu à seco. Suas palavras o pegaram desprevenido. Arriscou olhar pra Sara de canto de olho e pode ver que ela mantinha um olhar firme em cima dele.
Naquele momento Grissom desejou que seu carro andasse tão rápido quanto um trem bala pra que chegassem logo ao seu destino final e assim, poderiam encerrar aquele assunto que mal haviam começado.
Sem saber como explicar o comportamento que vinha tendo com sua subordinada nesses últimos dias, Grissom então dissimulou.
_Não estou te tratando estranhamente coisa alguma, Sara!
_Ah não?!... Hum...
Sara entortou um pouco a boca fazendo um bico e balançou a cabeça de leve. Por um instante, ela desviou os olhos de Grissom pra encarar a estrada deserta e o céu, que cada vez se tornava cinza.
Com o que ela disse, o supervisor pensou que o assunto tinha sido encerrado ali.
Ledo engano!
Logo Sara voltou a encará-lo e lhe perguntou:
_Então mal olhar na minha cara e mal falar direito comigo, é o que?
Ele nada disse.
_Há uma semana que vem fazendo isso. Qual é o seu problema, hein Grissom?
Tentando não transparecer que havia algo, ele disse simplesmente:
_Nenhum, Sara!
_Então o que eu te fiz? Porque tenho certeza que não foi nada pra que me trate como vem me tratando.
Ela o pressionava. Queria saber a todo custo qual era o problema. Só que Grissom estava decidido a não lhe contar o porquê de agir do jeito que vinha agindo.
Como o movimento de carros era pouco ou quase nenhum no trecho que estavam, ele resolveu parar no acostamento pra que pudessem conversar melhor.
_Olha Sara, de fato você não me fez nada, então gostaria que me desculpasse pelo...
_Guarde suas desculpas pra você. – o interrompeu, pegando-o de surpresa com suas palavras.
Não eram desculpas que ela queria e sim, razões que justificassem todo aquele repentino tratamento estranho com o qual seu chefe lhe tratava. E como Grissom não lhe disse isso, ela se irritou.
_Quer saber? Pra mim esse assunto termina aqui! Foi uma péssima idéia dar ouvidos à Any.
_Any? O que ela tem haver com isso?
_Não quero mais falar. Agora faz o favor de ligar esse carro pra irmos, porque ainda temos um caso pra investigar.
Sua paciência tinha ido para o espaço.
Ela acabou de falar e virou o rosto, pondo-se a fitar pela janela do carro à noite nublada, colocando um ponto final naquela conversa com seu chefe. Se ele não queria dizer qual era o problema, ótimo, não dissesse. Porem não inventasse mentiras, porque era evidente que havia algo e ele não queira lhe dizer. E como ficar insistindo não era seu forte resolveu parar por ali, já que estava perdendo a paciência com aquela conversa.
Maldita hora que resolveu falar com ele! Mas antes não ter aberto a boca e ter deixado as coisas como estavam que era melhor!
Ele ainda chamou-a uma vez antes de dar partida no carto, mas ela nem respondeu e muito menos se virou. Com isso não restou à Grissom outra opção senão ligar o carro e seguirem viagem em total silêncio.
****
O caso foi resolvido sem muitos problemas e até mais rápido que o esperado. Conseguiram descobrir que o estuprador da garota tinha sido um vizinho que a espreitava há tempos.
Durante as investigações se Sara dirigiu à Grissom cinco ou seis frases com mais de dez palavras, foi muito. E agora, o incomodado com o tratamento que recebia era ele!
****
Eram quase duas horas da madrugada quando eles pegavam a estrada de volta pra Vegas. O clima dentro do carro era o mesmo que instaurou-se depois da conversa que tiveram. Silêncio absoluto.
Sara vinha de cara fechada e ainda irritada, enquanto isso Grissom não ousava dizer nada apesar de querer.
E pensar que eles estavam indo tão bem até que aquele sonho aconteceu e mudou tudo para o supervisor.
Grissom viu-se no meio de uma confusão enorme de sentimentos que surgiram de repente. Não se sentia preparado pra eles. E a melhor solução que achou pra não ficar mais confuso, foi fazer o que vinha fazendo: evitar Sara e manter distância dela.
Porem aquela situação que se formou, fez Grissom ver a boa relação que ele e sua subordinada haviam começado a ter antes de evitar tanto contato com Sara, ir ladeira abaixo, fazendo chefe e subordinada voltarem aparentemente à estaca zero na relação deles
Uma chuva fina começou a cair enquanto Grissom dirigia atento a pista. Alguns instantes depois, os dois se assustaram ao ouvir um estrondo alto vindo do lado direito do carro, que era onde Sara estava. Grissom parou no acostamento e desceu.
Sara viu seu chefe dar a volta em frente ao carro e parar na direção do pneu dianteiro direito. Baixou o vidro e perguntou à ele o tinha sido isso.
_Foi o pneu, ele estourou. Vou trocá-lo antes que essa chuva fique mais forte.
Ela o acompanhou com os olhos passar diante do carro de novo e vir até a janela do motorista pra jogar sobre o banco do motorista o casaco pesado que usava e que tirou pra não molhar enquanto o trocava o pneu.
Se encaminhando para a traseira da SUV, Grissom surgiu ao lado de Sara carregando um step novo e um macaco pra trocar os pneus.
Por não ser muito bom naquela tarefa de trocar pneu de carro, Grissom se demorava naquilo. E com isso a chuva foi ficando cada vez mais forte e intensa.
De dentro do carro, Sara mesmo irritada com seu chefe não deixou de se preocupar com ele por estar sob aquela forte chuva. Baixando o vidro da janela o suficiente pra não molhar-se com a chuva, Sara falou com o supervisor.
_Grissom entra no carro! Deixa essa chuva passar um pouco pra acabar de trocar isso! – falou alto pra ele ouvir.
_Essa chuva não vai passar agora, Sara. Além do mais já estou acabando.
_Vai acabar pegando um resfriado tomando esse chuva.
_Tomo um remédio depois se ficar doente.
_Então fica aí teimoso! – levantou o vidro.
Minutos depois, ele acabava de trocar o pneu e entrava totalmente ensopado no carro. Felizmente, o revestimento impermeável do banco não permitia que seu estado encharcado molhasse o acento do veículo.
Grissom tremia e Sara percebeu isso.
_Viu o que dá pegar essa chuva? Tá tremendo de frio. Passa pro banco detrás e procura algo pra se aquecer, enquanto eu dirijo. Teimoso!
Sem protestar, o homem fez o que sua acompanhante disse enquanto Sara tomou seu lugar atrás do volante da SUV.
Enquanto Sra dirigia chuva piorou mais ainda tornando a visibilidade quase pouca. A perita lembrou-se de ter visto uma pequena pousada há dois quilômetros. Então deu a idéia a Grissom de eles voltarem devagar e ficarem hospedado na tal pousada, já que aquela chuva não tava com cara alguma que ia passar tão cedo. Aí, quando fosse de manhã cedo, os dois peritos voltavam pra Vegas. Grissom concordou sem titubear com ela.
Sara aproveitou que não passava carro naquele momento e fez o retorno na pista e assim, eles seguiram de volta em direção a pousada.
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